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Vírus Zika eficaz contra células cancerígenas no cérebro de adultos

Os investigadores chegaram a essa conclusão, publicada numa revista científica norte-americana, depois de terem injetado o vírus em células que continham “glioblastoma”, o tumor do sistema nervoso central mais comum e maligno, dado que apenas 24 horas depois, o Zika já tinha eliminado metade das células cancerígenas.

Esse processo foi repetido nas horas seguintes sem que as células saudáveis fossem afetadas pela ação do vírus.

A experiência ocorreu sob a premissa de que o vírus Zika é consideravelmente destrutivo em células cerebrais em recém-nascidos, mas não em adultos.

“As células do bebé têm uma alta taxa de proliferação. Parecida com as do cancro, que nada mais é do que uma doença que prolifera de forma descontrolada. E as células saudáveis, não. Então ele protegeria as células normais do adulto, mas eliminaria apenas as células do cancro, tornando um tratamento mais específico do que uma quimioterapia”, explicou a investigadora Estela de Oliveira Lima, citada pelo portal de notícias brasileiro G1.

Além disso, os investigadores notaram que quando ocorreu o contacto entre o Zika e a célula cancerígena aumentou significativamente a quantidade de “digoxina”, uma substância responsável pela morte dos tumores e que é utilizada já na medicina no tratamento de algumas doenças cardíacas.

“A descoberta da substância e o mecanismo com que ela também atua no glioblastoma, nesse tipo de cancro, é inédito no mundo”, afirmou o médico Rodrigo Ramos Catarino, ao G1.

Após as descobertas em laboratório, o próximo passo será realizar testes com animais e, por fim, em humanos, o que poderá levar, a confirmarem-se os resultados da investigação, a um novo tratamento contra o referido tumor e mesmo ao desenvolvimento de uma vacina.

O Zika, tal como a dengue, a chikungunya e a febre amarela, é transmitido pelo Aedes aegypti, um mosquito cuja população se multiplica com a chegada do verão.

O Brasil foi um dos países mais afetados pelo Zika em 2016, que declarou estado de emergência antes de a própria Organização Mundial de Saúde (OMS) alertar para a gravidade da doença.

Em 2016, foram registados 216.207 casos prováveis de febre pelo vírus Zika no Brasil e foram confirmadas laboratorialmente oito mortes.

LUSA

Há esperança para a Humanidade. A bondade é “contagiosa”

A bondade já tem um “sítio” – foi localizada no cérebro, assim como o sentimento que lhe é associado quando essa área regista atividade: “elevação moral”. Além disso, percebeu-se que esta é “contagiosa” – ou seja, ao assistirmos a atos de bondade, somos impelidos a fazer o mesmo –e ajudar.

Publicado na revista “Biological Psychiatry”, um estudo levado a cabo pela psicóloga Sarina Saturn, da universidade de State Oregon (EUA), mediu a atividade cerebral e o ritmo cardíaco de estudantes universitários enquanto assistiam a vídeos com imagens de atos heróicos ou humorísticos.

Quando viam as imagens heróicas, os sistemas nervosos simpático e parassimpático dos estudantes atingia um pico, o que constitui “um padrão muito invulgar” segundo a psicóloga. “Os dois sistemas são recrutados para uma só emoção” – e isso é incomum, porque combinam uma reação de luta, e outra, posterior, de acalmia.

Isto pode explicar-se assim: assistir a um ato de compaixão implica testemunhar o sofrimento de outra pessoa – o que desencadeia uma resposta de stresse, e ativa o sistema nervoso simpático. Depois, ao vermos esse sofrimento aliviado acalmamos, e o sistema parassimpático é ativado. Na zona média do córtex pré-frontal (a área relacionada com a empatia), também  foi registada atividade. E é nessa área precisamente que o neurocirurgião João Lobo Antunes julga poder residir o cerne da questão.

“É possível que a capacidade de responder positivamente aos bons exemplos, como a generosidade ou altruísmo, conduzindo ao que alguns chamam ‘elevação moral’, dependa também da porção mais ‘social’ do cérebro humano, particularmente o córtex pré-frontal (como tem sido proposto por vários neurocientistas, entre os quais António Damásio)”, defende. O professor recorda que, em termos muito simples, “as experiências emocionais são apreciadas por áreas anteriores do lobo frontal, particularmente no córtex pré-frontal (o sítio que Egas Moniz elegeu como alvo no tratamento de certas doenças mentais); mas também na amígdala, que permite reconhecer os vários tipos de expressão facial, amigável ou não”, e acaba por ser muito importante no relacionamento social entre pessoas.

“Muito mais complexa é a questão do juízo moral, que é estudado através dos modelos experimentais, como o célebre ‘caso das linhas de comboio e do homem gordo’”. Lobo Antunes explica “estes dois dilemas”. No primeiro, um comboio percorre um trajeto que depois se bifurca – num sentido irá atropelar uma pessoa, no outro três pessoas. Nós temos a capacidade de mudar o trajeto por meio de uma alavanca (“agulha”). Conseguiríamos causar a morte de uma, para salvar três?

No segundo dilema, a vida de três pessoas seria salva se empurrássemos para a linha um homem gordo que se encontra na ponte sob a qual passa o comboio. Seríamos capazes de o fazer? De facto, a maior parte de nós não teria hesitação em manejar a “agulha”, mas já não seria capaz de empurrar o homem gordo, e as áreas cerebrais envolvidas nesta decisão não são idênticas”.

“Curiosamente, as áreas envolvidas em juízos morais são também áreas integradoras das emoções”, continua Lobo Antunes. “Esta teoria tem sido particularmente defendida por Haidt, que considera que o juízo moral é primariamente intuitivo ou emocional. Ele distingue dois sistemas, um antigo, rápido, automático, que instintivamente nos faz julgar se um ato é “bom” ou “mau” – e neste caso, inspira-nos “repugnância”. A este sistema antigo, com mais de 5 a 7 milhões de anos, junta-se outro mais recente (100.000 anos), mais lento e que implica um juízo mais deliberado”. O médico conclui que “sim, a bondade é contagiosa – o problema é haver tanta gente vacinada contra ela…”

Há esperança para a Humanidade. A bondade é “contagiosa”

A bondade já tem um “sítio” – foi localizada no cérebro, assim como o sentimento que lhe é associado quando essa área regista atividade: “elevação moral”. Além disso, percebeu-se que esta é “contagiosa” – ou seja, ao assistirmos a atos de bondade, somos impelidos a fazer o mesmo –e ajudar.

Publicado na revista “Biological Psychiatry”, um estudo levado a cabo pela psicóloga Sarina Saturn, da universidade de State Oregon (EUA), mediu a atividade cerebral e o ritmo cardíaco de estudantes universitários enquanto assistiam a vídeos com imagens de atos heróicos ou humorísticos.

Quando viam as imagens heróicas, os sistemas nervosos simpático e parassimpático dos estudantes atingia um pico, o que constitui “um padrão muito invulgar” segundo a psicóloga. “Os dois sistemas são recrutados para uma só emoção” – e isso é incomum, porque combinam uma reação de luta, e outra, posterior, de acalmia.

Isto pode explicar-se assim: assistir a um ato de compaixão implica testemunhar o sofrimento de outra pessoa – o que desencadeia uma resposta de stresse, e ativa o sistema nervoso simpático. Depois, ao vermos esse sofrimento aliviado acalmamos, e o sistema parassimpático é ativado. Na zona média do córtex pré-frontal (a área relacionada com a empatia), também  foi registada atividade. E é nessa área precisamente que o neurocirurgião João Lobo Antunes julga poder residir o cerne da questão.

“É possível que a capacidade de responder positivamente aos bons exemplos, como a generosidade ou altruísmo, conduzindo ao que alguns chamam ‘elevação moral’, dependa também da porção mais ‘social’ do cérebro humano, particularmente o córtex pré-frontal (como tem sido proposto por vários neurocientistas, entre os quais António Damásio)”, defende. O professor recorda que, em termos muito simples, “as experiências emocionais são apreciadas por áreas anteriores do lobo frontal, particularmente no córtex pré-frontal (o sítio que Egas Moniz elegeu como alvo no tratamento de certas doenças mentais); mas também na amígdala, que permite reconhecer os vários tipos de expressão facial, amigável ou não”, e acaba por ser muito importante no relacionamento social entre pessoas.

“Muito mais complexa é a questão do juízo moral, que é estudado através dos modelos experimentais, como o célebre ‘caso das linhas de comboio e do homem gordo’”. Lobo Antunes explica “estes dois dilemas”. No primeiro, um comboio percorre um trajeto que depois se bifurca – num sentido irá atropelar uma pessoa, no outro três pessoas. Nós temos a capacidade de mudar o trajeto por meio de uma alavanca (“agulha”). Conseguiríamos causar a morte de uma, para salvar três?

No segundo dilema, a vida de três pessoas seria salva se empurrássemos para a linha um homem gordo que se encontra na ponte sob a qual passa o comboio. Seríamos capazes de o fazer? De facto, a maior parte de nós não teria hesitação em manejar a “agulha”, mas já não seria capaz de empurrar o homem gordo, e as áreas cerebrais envolvidas nesta decisão não são idênticas”.

“Curiosamente, as áreas envolvidas em juízos morais são também áreas integradoras das emoções”, continua Lobo Antunes. “Esta teoria tem sido particularmente defendida por Haidt, que considera que o juízo moral é primariamente intuitivo ou emocional. Ele distingue dois sistemas, um antigo, rápido, automático, que instintivamente nos faz julgar se um ato é “bom” ou “mau” – e neste caso, inspira-nos “repugnância”. A este sistema antigo, com mais de 5 a 7 milhões de anos, junta-se outro mais recente (100.000 anos), mais lento e que implica um juízo mais deliberado”. O médico conclui que “sim, a bondade é contagiosa – o problema é haver tanta gente vacinada contra ela…”

Alzheimer, uma resposta Global e Integrada

Equipa NeuroSer

Com o aumento da esperança média de vida, existe uma preocupação crescente com o envelhecimento da população e com uma futura “epidemia mundial de demências”. Existem, de facto, razões para tal?
Realmente, fala-se muito na preocupação com o envelhecimento da população, ainda que esta preocupação se esfume muitas vezes nas palavras e raramente se consolide em atos de verdadeiro interesse social. A idade avançada é um período frágil da vida que carece de quase tanta atenção como aquela que é dada no início da vida, pois o envelhecimento do corpo torna-o mais vulnerável do ponto de vista biológico. Criam-se assim oportunidades para o desenvolvimento de diversas formas de patologia, nomeadamente aquela que se relaciona com a função cerebral, em que se incluem as demências. A este propósito, é necessário que cada um de nós se consciencialize de que, num futuro, mais ou menos próximo, todos temos grandes possibilidades de vir a cuidar de alguém que nos é querido e que venha a sofrer de demência, ou que alguém venha a cuidar de nós.

Alexandre Castro Caldas
Alexandre Castro Caldas

Parece existir elevado “pudor” em falar de doença de Alzheimer ou de outras demências em Portugal, existindo até algum estigma associado. Tal não levará a que se perca tempo precioso, nomeadamente para um diagnóstico precoce?
Segundo os resultados de um inquérito recente, apoiado pela Direção Geral de Saúde e pela Associação Alzheimer Portugal, a demência constitui uma das doenças mais temidas pelos portugueses, logo atrás do Cancro e do AVC. Os inquiridos referiram também que a sua perceção é de que a maioria das pessoas na comunidade considera que estas pessoas deixam de poder participar em atividades de caráter social, o que reflete que existe, efetivamente, ainda um estigma associado a esta patologia. Ainda assim, têm sido dados passos importantes no sentido de tentar divulgar e de melhor informar as pessoas sobre a patologia. Um diagnóstico precoce pode revelar-se de grande utilidade para se tentar prolongar o mais possível a independência e autonomia da pessoa e também para ajudar a família a lidar com a evolução da doença.

Perante um diagnóstico de doença de Alzheimer ou de outra demência, sabendo que à data não é possível parar a sua evolução, que soluções existem?
De um ponto de vista farmacológico, existem medicamentos que permitem ajudar a controlar alguns dos sintomas, ainda que não exista qualquer fármaco que permita reabilitar ou parar a evolução da patologia. Com efeito, os livros de textos médicos relatam com minúcia os mais ínfimos detalhes moleculares que justificam o que é observável e propõem soluções parciais, claramente insuficientes face às expectativas dos que acompanham os que sofrem de demência. De um ponto de vista não farmacológico, é importante que a pessoa se mantenha o mais possível ativa, que se evite o isolamento social, assim como que se evite uma “institucionalização precoce”. Sempre que possível, a permanência da pessoa no seu ambiente familiar é de grande relevância, não só para a própria pessoa, mas também para a família, que, com a institucionalização precoce, vê muitas vezes a sobrecarga física ser ultrapassada pela sobrecarga emocional. Neste âmbito, as soluções integradas de proximidade assumem importância cada vez maior.

Que tipo de soluções integradas de proximidade?
Importa relembrar que a demência não afeta de igual forma todas as pessoas e que, mesmo para uma única pessoa, os impactos na funcionalidade vão variando ao longo do tempo. Neste sentido, uma abordagem integrada que agregue várias valências, permitindo uma intervenção de um ponto de vista cognitivo, físico, emocional e social é útil e necessária. Já começam, a surgir entidades em Portugal, como é o caso do NeuroSer, que procuram dar uma resposta especializada e integrada orientada para pessoas com demência e as suas famílias, nomeadamente em regime de ambulatório, compreendendo as limitações, mas, sobretudo, explorando as potencialidades e promovendo o mais possível a autonomia, a autoestima e a qualidade de vida da pessoa. Nestes casos, a flexibilidade e o conhecimento da patologia são importantes para se conseguir lidar com situações naturais de recusa, assim como alterações de humor e comportamentais, sem comprometer os objetivos da intervenção, que deve ser percebida numa lógica de continuidade e não pontual ou de reabilitação clássica. Tal implica, naturalmente, recursos humanos em quantidade e com formação especializada.

Estamos a falar de que recursos humanos e de que tipo de intervenções?
Para que exista verdadeiramente uma abordagem integrada, estamos a falar do envolvimento de médicos, neuropsicólogos, fisioterapeutas, terapeutas da fala, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, auxiliares, entre outros, que devem trabalhar em conjunto e partilhar os diversos pontos de vista no estabelecimento e avaliação contínua do plano de intervenção. É necessário compreender que a abordagem clássica falha por vezes nestes casos. A título de exemplo, de que serve pedir a uma pessoa numa fase mais avançada da demência para levantar o braço dez vezes, se nisso ela não vê utilidade e interesse? A resposta esperada nestes casos pode ser de recusa e, se acompanhada por insistência, uma recusa com agressividade. Tal não implica, no entanto, desconsiderar o importante papel que as intervenções podem ter, havendo que delinear uma intervenção que, ainda que com objetivos muito concretos, se adapte à situação, aos interesses e à história de vida da pessoa.

Mais concretamente…
Mais concretamente, em função da pessoa e da fase da demência, tal poderá passar por uma intervenção mais tradicional, através da realização de sessões mais estruturadas de estimulação cognitiva, fisioterapia, terapia da fala, consoante as funcionalidades afetadas ou em risco, ou por uma intervenção mais flexível, ecológica e global que inclua a realização de atividades ocupacionais, do interesse da pessoa, planeadas e orientadas por um ou mais dos especialistas antes referidos, como uma deslocação à mercearia do bairro, a um jardim ou mesmo a um museu, a realização de uma atividade de culinária, de jardinagem, de bricolagem, uma sessão de leitura conjunta, atividades com música, como a dança, o canto ou apenas escutar. Se bem planeadas e acompanhadas, através destas atividades podem ser alcançados importantes objetivos, como promover a participação e estimular novas ideias e associações; intervir ao nível a orientação, pessoal, temporal e espacial; melhorar as funções motoras, entre as quais a força e o equilíbrio; estimular a comunicação, facilitando a interação social e familiar; e contribuir para a autonomia e o bem-estar da pessoa e da família.

Por várias vezes aqui foi referida a família. Qual o seu papel?
A sociedade gerou novos conceitos, modelos e designações, das quais se destaca a designação de cuidador, considerado nuns casos formal, noutros informal, sendo que o informal é o familiar que ao mudar de nome muitas vezes se despe dos afetos e da dificuldade dos lutos. Se não forem devidamente acompanhados e apoiados os familiares, sobretudo os que assumem o papel de cuidador informal, entram em sobrecarga física e emocional, acabando também eles por adoecer. Para além de um acompanhamento emocional, assume relevância a partilha de conhecimento e de formas de atuação. O reforço das capacidades e competências contribuirá para as famílias poderem melhor adaptar a sua forma de atuar a cada circunstância e para manter a qualidade das relações familiares.

Chave para a boa memória pode estar debaixo do seu nariz

Investigadores da Northumbria University sugerem que cheirar alecrim pode melhorar a memória.
De acordo com este estudo, o químico 1,8-cineole, que dá o cheiro ao alecrim, é um químico chave para a memória e pode ser aumentado.
Os investigadores sugerem que cheirar alecrim aumenta a nossa capacidade de recordar eventos passados e de lembrar planos futuros.

O responsável de psicologia da Northumbria University e investigador principal neste estudo Dr. Mark Moss explica que este químico está também a ser estudados pelas ciências que se dedicam a investigar a doença de Alzheimer.

Como reporta o Daily Mail, para este estudo vários voluntários realizaram testes de memória enquanto estavam numa sala com cheiro de óleo de alecrim, outros numa sala com fragrância de lavanda e outros numa sala com ar limpo.

Os investigadores concluíram que o alecrim melhorou em cerca de 15% a memória de longo termo e a capacidade de fazer cálculos simples. Melhorou ainda a ‘memória prospetiva’ – usada para fazer planos.

Retirar o glúten da dieta pode melhorar desempenho cerebral

Tem-se tornado uma tendência eliminar o glúten da dieta. Várias celebridades têm adotado este tipo de dieta e recomendam mas agora um estudo demonstra que além de outros benefícios, a dieta sem glúten também consegue aumentar a concentração e ajudá-lo a pensar de forma mais clara.

Um estudo britânico desenvolvido pelo Instituto de Nutrição e Saúde Rowett da Universidade de Aberdeen descobriu que uma dieta livre de glúten promove uma ingestão nutricional saudável, reduzindo a sensação de inchaço e a flatulência, melhora a concentração e contribui para a saúde digestiva e cerebral.

Conta o Daily Mail que este estudo descobriu ainda que redefinir a sua dieta para remover o glúten faz com que ingira mais fibra e reduz o consumo de sal, que por sua vez reduzem o colesterol e a glucose no sangue.

O estudo ‘Going Gluten Free’ sugere que eliminar o glúten da dieta pode fazer com que se mantenha mais saudável.

Para este estudo os investigadores pediram a 95 adultos – 64 mulheres e 31 homens – que adotassem uma dieta livre de glúten durante três semanas e que depois voltassem às suas dietas ‘normais’ durante o mesmo período de tempo.

As pessoas envolvidas no estudo relataram que as dores de estômago e a flatulência tinham reduzido e que os níveis de fadiga eram menores durante o período em que não ingeriram glúten.

Como explica a investigadora que liderou o estudo Dra. Alexandra Johnstone, durante o período sem glúten os voluntários também admitiram fazer as tarefas mais rapidamente, pensar de forma mais clara e descomplicada e ainda sentiram menos necessidade de descansar, uma vez que se sentiam com mais energia.

Fumar canábis causa danos na comunicação cerebral

Está cientificamente demonstrado que o consumo regular e a longo prazo de canábis aumenta o risco de psicose, sendo que alterações na estrutura e função cerebral predispõem a este tipo de doenças. No entanto, esta investigação cujos resultados foram publicados hoje na prestigiada revista científica “Psychological Medicine”, é a primeira a avaliar o efeito da potência da canábis na estrutura cerebral.

Investigar o impacto cerebral da potência da cannabis é particularmente importante nos dias de hoje, visto que nos últimos dez anos tem-se assistido a um aumento significativo na concentração de Δ9-tetra-hidrocanabinol (THC), a principal substância psicoactiva da planta da cannabis.

Neste estudo foi utilizada uma técnica de Ressonância Magnética chamada DTI (Difusão-Tensão de Imagem) (Diffusion Tensor Imaging – DTI), para examinar alterações cerebrais em 56 doentes com um primeiro surto psicótico bem como em 43 participantes saudáveis.

A equipa de investigadores avaliou especificamente o Corpo Caloso), a estrutura cerebral responsável pela comunicação entre os hemisférios direito e esquerdo. O corpo caloso é particularmente rico em receptores canabinóides, nos quais conteúdo THC da canábis atua, fazendo do corpo caloso uma estrutura particularmente vulnerável à acção da cannabis.

Os resultados mostraram que aqueles que usavam frequente de canábis de alta potência (quer fossem doentes quer voluntários saudáveis) tinham alterações significativas desta estrutura cerebral quando comparado com aqueles que não usavam esta droga.

De acordo com Tiago Reis Marques, Investigador Sénior do Instituto de Psiquiatria de Londres “os resultados deste estudo, ao mostrar que utilizadores de cannabis de alta potência têm lesões cerebrais significativas relativamente aqueles que não a utilizam, deve servir de alerta para a opinião pública, profissionais de saúde mental e decisores políticos sobre o tipo de lesão cerebral que estas drogas podem causar. Nos últimos anos temos vindo a alertar para o facto de se verificar um aumento significativo na potência da cannabis, com variedades muito fortes acessíveis a qualquer consumidor. Assim, quer o tipo de cannabis consumida, quer a sua potencia e frequência devem ser cuidadosamente avaliados o que pode ajudar a quantificar o risco para uma doença mental.

De referir que esta pesquisa foi conduzido no Instituto de Psiquiatria do King´s College, o maior centro de investigação em psiquiatria a nível mundial.

Cérebro. Neurologistas japoneses descobrem onde se esconde a felicidade

Onde nasce a felicidade? Se há sentimento efémero e subjetivo, é esse estado de alma que ninguém se atreve a explicar por A+B. Ninguém a não ser os cientistas que julgam não haver fronteiras capazes de limitar o conhecimento. A explicação deste mistério foi por isso reclamada pelos neurologistas japoneses da Universidade de Quioto.

É numa região do lobo parietal que tudo acontece – pré-cúneos. É esta área do córtex que é ativada sempre que nos sentimos felizes. A investigação agora publicada na “Scientific Reports”, do grupo da revista “Nature”, mostra ainda que a felicidade não é igual para todos. Uns ficam mais felizes que outros quando recebem elogios, por exemplo. E quanto maior for a intensidade da felicidade menor será o sofrimento correspondente.

Ciência vs. Aristóteles Esta última conclusão, a ser verdadeira, deita por terra tudo o que poetas, escritores e pensadores andaram a pregar nos últimos séculos. “O amor só vive pelo sentimento e cessa com a felicidade”, só para citar Camilo Castelo Branco, que como muitos outros andou – pelo menos à luz da ciência – redondamente enganado.
“Ao longo da história, muitos e grandes pensadores, como Aristóteles, tentaram explicar o que é a felicidade. Hoje estou muito feliz por sabermos um pouco mais sobre o que significa ser feliz”, confidenciou ao jornal britânico “Independent” o coordenador da investigação, Wataru Sato, acrescentado que esta descoberta pode vir a ser muito útil para construir programas de autoajuda com base em critérios científicos.

A fórmula Qualquer que seja portanto a semelhança entre ciência e literatura, é pura ficção. Wataru Sato, o homem que encontrou a explicação da felicidade numa máquina de ressonância magnética, tem uma definição bem mais simples que a poesia para esse sentimento. Resume-se na combinação entre emoções positivas e bem-estar geral. O estudo dos neurologistas japoneses conclui que a felicidade no seu conceito mais lato é provocada por emoções positivas combinadas com um sentimento geral de satisfação com a vida.

A felicidade varia de pessoa para pessoa, mas há algo comum a todos, independentemente do sexo, da idade ou da crença. Quem atinge picos mais altos de felicidade é também quem apresenta um volume maior de massa cinzenta naquela pequenina zona do córtex cerebral. Foi isso que demonstraram os resultados dos testes de inteligência a que foram sujeitos os voluntários deste estudo.

Medir Ao todo, os cientistas da Universidade de Quioto dissecaram o cérebro de 51 cobaias humanas. Dissecar, neste caso, significa sujeitar 26 mulheres e 25 homens a exames psicólogos e neuronais. Os primeiros tiveram como referência a Escala de Felicidade Subjetiva – inventada por Lyubomirsky e Lepper em 1999 e que até hoje é usada pelos psicólogos. O instrumento serviu para medir o grau de felicidade geral de cada um dos objetos das experiências e quão intensamente foram capazes de sentir as emoções – tanto as negativas como as positivas. A esses objetivos acrescentou-se o nível de satisfação com as próprias vidas.

Os segundos testes envolveram o uso de um aparelho de ressonância magnética, que captou as imagens do cérebro de cada um dos participantes. E os mais felizes, concluem os autores do estudo, tinham sempre mais massa cinzenta naquela área do cérebro.

E porque a vida sem mistério perde pelo menos metade da piada, é melhor que certas perguntas permaneçam sem resposta. Por mais que tenham procurado nas ressonâncias magnéticas, os cientistas que desenvolveram este projeto ainda não conseguiram perceber qual o mecanismo neuronal que desencadeia a felicidade. Desvendar esse último segredo, defende Sato, será um grande trunfo para conseguir quantificar os níveis de felicidade.

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