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Quatro alunos do secundário criam dispositivo de alerta para incêndios

Depois dos grandes incêndios a que assistiram em 2017, Francisco Relvão, Rafael Amaral, João Carvalho e André Oliveira decidiram usar como tema de projeto para este ano letivo a temática dos fogos e a forma como a tecnologia poderia ajudar a combater este flagelo.

“Sentíamos que a tecnologia podia ajudar”, contou à agência Lusa Francisco Relvão, de 18 anos.

As primeiras ideias eram complexas e de difícil execução, como a criação de satélites “com câmaras de infravermelhos” ou a instalação de câmaras com sensores em postes para detetar o início das chamas, explicou.

A ideia final, desenvolvida nas aulas de Física e em casa pelos quatro alunos de Ciências e Tecnologia, passou a ser mais modesta, mas aplicável no terreno: um dispositivo que acionasse um alerta aquando da passagem das chamas pelo local.

Surgiu então o Mochu, uma pirâmide triangular camuflada, com 15 centímetros de altura, com um pequeno painel solar na hipotenusa do triângulo e que, por dentro, tem um arduino (um micro computador básico), sensores e tecnologia GSM, explicou Francisco Relvão.

A ideia é espalhar o dispositivo “pelas florestas de Portugal, onde é difícil o acesso”, sendo colocado no chão, próximo de uma árvore, direcionado para sul para otimizar a energia solar.

“Basicamente, tem um programa que está a verificar um cabo e, no caso de o incêndio passar estraga o cabo e inicia o processo de comunicação às autoridades”, referiu Francisco Relvão, sublinhando que a ideia é enviar uma mensagem com as coordenadas do dispositivo para a proteção civil ou bombeiros locais.

Neste momento, ainda tem duas possibilidades de atuação – “num dos códigos, o dispositivo verifica de 20 em 20 segundos se o cabo está lá, noutro, o sistema é acionado assim que o cabo fica danificado”.

“Tanto posso pedir ao carteiro para me tocar à campainha quando trouxer uma carta ou posso ver se a carta está na caixa do correio”, simplificou o estudante.

A armadura do Mochu é feita de lã de rocha – um bom isolador térmico – o que deverá permitir o funcionamento do dispositivo em contexto de fogo, sublinhou.

“Nós já fizemos testes e correu às mil maravilhas”, realçou, considerando que, numa situação de aplicação no terreno, poderiam ser colocados vários em diferentes pontos e ser criada uma intra-rede entre os dispositivos para passarem informação entre eles até conseguirem enviar às autoridades.

O trabalho foi feito todo pelos alunos, que no início foram até à Universidade de Aveiro para esclarecer “algumas dúvidas”.

“O objetivo é comercializar o produto”, frisa Francisco Relvão, referindo que a equipa está também a concorrer com o Mochu em vários concursos destinados a ideias produzidas em âmbito escolar.

LUSA

Cientista de Coimbra recebe bolsa Marie Curie para estudo inovador do autismo

A investigadora do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da UC Catarina Seabra “acaba de obter uma bolsa individual Marie Sklodowska-Curie” (da Comissão Europeia), que irá “aplicar no desenvolvimento de ‘mini-cérebros’ tridimensionais (3D) de origem humana que permitam estudar o autismo de forma inovadora”, anunciou hoje a UC.

O estudo vai ser desenvolvido ao longo dos próximos dois anos, no âmbito do projeto ‘ProTeAN’ (Produção e Teste de neurónios e organoides cerebrais humanos: modelos avançados para o estudo de doenças do neurodesenvolvimento), liderado pelo investigador João Peça, do Grupo de Circuitos Neuronais e de Comportamento do CNC, adianta a UC, numa nota enviada hoje à agência Lusa.

“Estes ‘mini-cérebros’ ou, em linguagem científica, organoides cerebrais, terão uma dimensão de quatro milímetros e vão ser produzidos a partir de células estaminais dentárias (presentes em dentes de leite e do siso) provenientes de pacientes com autismo”, acrescenta.

Com estes ‘mini-cérebros’ (assim designados por mimetizarem o processo de maturação cerebral) “vai ser possível explorar de forma inovadora as características do cérebro de pessoas com autismo, prestando especial atenção às mudanças morfológicas e à comunicação entre neurónios, e compará-las com a organização do cérebro de pessoas saudáveis”, explicam Catarina Seabra e João Peça.

Esta abordagem, sublinham os investigadores, citados pela UC, “tem a vantagem de obtenção de células através de um processo minimamente invasivo (através da recolha de dentes de leite ou do siso) e proporcionará uma plataforma biomédica e biotecnológica com potencial clínico para medicina personalizada”.

Isto é, “vai ser possível testar alvos terapêuticos ajustados às especificidades de cada doente”, salientam.

A utilização destes organoides cerebrais em laboratório permite, por outro lado, substituir os ensaios convencionais, como, por exemplo, testes em ratinhos.

“As perturbações do espetro do autismo são condições crónicas que afetam uma em cada 68 crianças e produzem grandes custos para a sociedade”, afirma a UC, sublinhando que “para entender melhor estes distúrbios, o acesso ao tecido neuronal dos pacientes é crítico”.

O projeto conta com a colaboração dos especialistas Guiomar Oliveira, da Unidade de Neurodesenvolvimento e Autismo do Hospital Pediátrico de Coimbra, João Miguel dos Santos, da Faculdade de Medicina da UC, e Guoping Feng, do McGovern Institute for Brain Research do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Boston.

As bolsas individuais das Ações Marie Sklodowska-Curie, inspiradas no nome da cientista franco-polaca galardoada com dois prémios Nobel e reputada pelo seu trabalho no domínio da radioatividade, são atribuídas pela Comissão Europeia no âmbito do Programa Horizonte 2020.

LUSA

Autarcas de Coimbra e Viseu convidam ministro a fazer viagem no IP3

Numa carta a que a agência Lusa teve hoje acesso, Almeida Henriques (Viseu) e Manuel Machado (Coimbra) convidam Pedro Marques para a viagem a realizar “em data próxima”, no Itinerário Principal (IP) 3, “fazendo-se acompanhar por quem considerar adequado, nomeadamente pelos responsáveis pela gestão da via”.

“Previsto no Plano Rodoviário Nacional desde 1985, que substituiu o plano de 1945, o IP3, que só ficou totalmente concluído em 2010, desde há muitos anos tem revelado, no seu troço entre Viseu e Coimbra, elevados níveis de sinistralidade e constante e crescente degradação”, lamentam.

Os autarcas lembram que, “fruto da consciência generalizada sobre a inadequação daquele troço às necessidades das regiões”, ao volume de tráfego e à sinistralidade registada, ao longo dos últimos 15 anos foram apresentados “vários planos para a sua substituição por uma autoestrada”.

“Nenhum dos projetos avançou e a situação insustentável mantém-se”, sublinham.

No dia 03 de janeiro, o presidente da Câmara de Tondela, José António Jesus, defendeu a colocação de separadores centrais e a duplicação de alguns troços do IP3, de forma a evitar acidentes como os ocorridos na quadra natalícia.

O autarca social-democrata considerou estas obras urgentes, depois de, em apenas quatro dias, se terem registado três acidentes graves.

Posteriormente, a Câmara de Tondela aprovou, por unanimidade, uma moção a pedir a requalificação do IP3, que tem cerca de 72 quilómetros, entre Viseu e Coimbra, e é “diariamente atravessado por quase duas dezenas de milhar de veículos”.

A moção alertava para os “muitos pontos críticos” do IP3, como “o troço entre Canas de Santa Maria/Valverde e Tondela (construído como variante a Tondela), onde durante a quadra natalícia ocorreram três acidentes graves, que causaram um morto e mais de uma dezena de feridos”.

LUSA

Pela sua qualidade de vida

De que forma nasce o projeto BmQ by Lara Lima? 

Fundado em 2009 em Coimbra, o Bem-me-Quero surgiu como um espaço verdadeiramente dedicado a transformar vida em qualidade de vida e bem-estar aliando a cultura da educação do corpo físico a um trabalho mais aprofundado de saúde emocional mas ainda numa abordagem inicial de Yoga e Ayurveda. Não foram precisos muitos meses para que o centro crescesse e houvesse a necessidade de procurar outras instalações que albergassem não só o centro de Yoga mas que permitissem a real expressão da Clínica de Ayurveda. Apenas uma coisa permaneceu inalterável, a sala de convívio como o coração da casa. Tinha nascido o método BmQ. Um espaço não só de práticas de Yoga e de clínica Ayurveda mas de verdadeiro e sincero convívio consciente e consequente na decisão de mudar (a alimentação, os hábitos, a disposição e principalmente o estilo de vida) em prol de uma auto-responsabilização na qualidade de vida e um interesse acrescido pela própria existência, ajudando a mudar de uma perspetiva de espectador da própria vida no mundo imediato e acelerado da atualidade, para uma nova atitude mais ligada ao ritmo natural do corpo e da natureza construindo a vida que até agora era apenas uma ambição ilusória.

O vosso foco assenta, sobretudo, na saúde e bem-estar para melhorar a qualidade de vida. Como é esta filosofia implementada na clínica? 

No BmQ todos os interessados têm uma conversa inicial com um técnico do método BmQ para que possam ser percebidos o perfil, as vontades, disponibilidades e realidades pessoal, familiar, social e financeira de forma a serem reencaminhados para a aula/consulta/terapia/ especialidade que se enquadra melhor no motivo da vinda e o propósito final da ação, seja ele a vontade de uma mudança efectiva na qualidade de vida, o apoio pontual de uma condição particular (recuperação física, acompanhamento gestacional ou pós parto, acompanhamento oncológico ou pós cirúrgico) ou exclusivamente um contacto mais directo e fidedigno com a filosofia do Yoga e do Ayurveda. A missão do método BmQ é de transformar vidas e encaminhar quem nos procura para o estilo de vida adequado ao seu perfil sem ter de se desintegrar da sociedade familiar, social, cultural e económica em que está inserido. Consciente que a importância de tocar cada um Individualmente não exclui a responsabilização Social o BmQ em parceria com a Yoga Alliance e AMAYur oferece formação profissional certificada nas áreas de Yoga (Curso de Formação em Yoga) e Ayurveda (Curso de técnico e terapeuta com supervisão de Dr Rugue Júnior). E traz, anualmente, a Portugal referências Mundiais em Yoga e Ayurveda como são exemplos: Dr Rugue (desde 2009), Drs Lele (desde 2012), Danny Sá (desde 2016), Lu Andrade (desde 2015) e recentemente Yara Koberle (2017) e Dr Mandar Bedekar (2017).

Têm ainda diversos tratamentos e terapias. Quais são eles?

O método BmQ conta com a clínica Ayurveda que está diariamente aberta para marcação de:

– Consultas Ayurveda de clínica geral (Kayacikitsa), de Acompanhamento Pré e Pós parto (Kaumarabhrtya) e de terapia tónica e de rejuvenescimento (Rasayana); – terapias de nutrição e desintoxicação específicas da clínica Ayurveda como a Abhyanga (oleação geral), Udwartana (exfoliação geral para aumento da circulação), Garshana (limpeza energética), Pinda Swedana (nutrição seguida de sudação), Swedana (sudação terapêutica), Shirodhara (nutrição cerebral), Nasya (limpeza cerebral) entre outras;

– Consultoria e acompanhamento nutricional efetuado de acordo com o diagnóstico de identificação do Dosha predominante do paciente e eventual desequilíbrio interno na origem do desconforto/patologia e sintomas que o paciente apresenta;

– Programas de Panchakarma, programa intensivo de desintoxicação e eliminação de toxinas seguida de imediata nutrição e tonificação do organismo, restaurando a vitalidade dos órgãos, a jovialidade emocional e o rejuvenescimento de dentro para fora num sentido amplo e não meramente estético. 

Na sua opinião, faz sentido distinguir medicina alternativa de medicina tradicional? Porquê? 

Claro que sim. A única forma de trabalharmos de forma integrativa é perceber efectivamente as mais valias de uma e outra medicina e isso é diferente de fundir. São duas abordagens diferentes, dois caminhos diferentes para um mesmo fim, mas ainda assim diferentes. A integração só é real se houver respeito pelas diferenças. E para existir respeito tem de haver conhecimento claro das diferenças e potencialidades de cada uma destas medicinas percebendo as diferentes abordagens de diagnóstico e de clínica. Nem todas as medicinas são efectivas para todas as pessoas. Diferentes perfis requerem diferentes abordagens. É fundamental integrar, informar, dar oportunidade de escolha. Mas é determinante respeitar a escolha. Distinguir não é sinónimo de separar mas sim de respeitar. Urge perceber que juntos somos mais fortes na realização da nossa missão: saúde, felicidade e prosperidade.

Sobre a prática das terapias… Quais diria que são os aspetos mais importantes a ter em conta para que haja evolução e alcance do bem-estar? 

Consciência de que somos responsáveis pela nossa vida a partir do momento que tomamos consciência dela. Tenho uma frase em minha casa que diz “temos apenas duas vidas. E a segunda começa quando percebemos que temos apenas uma”. Essa é a tomada de consciência. É fundamental percebermos que a Vida é um contínuo mas a nossa experiência humana é um traço definido entre nascimento e morte e o que fazemos a cada momento é determinante para a nossa qualidade de vida. Não pedimos para viver, a vida foi-nos oferecida. E como quase tudo que nos é oferecido nem sempre nos damos conta do que isso representa e alguns temos a sorte de ser chocoalhados e alertados antes de morrermos. Esses são os que têm a sorte de tomar consciência. Mas a tomada de consciência só é efectiva se vier com tomada de decisão. A decisão de viver a vida, de valorizar o milagre de cada nascer de sol e a oportunidade incrível que é participar desta existência. Tomar a consciência que somos um conjunto de ações e não apenas uma. Que somos o que fazemos repetidamente e que por isso para sermos melhores e estarmos melhores temos de trabalhar diariamente para isso. A qualidade vida e felicidade não são a meta mas sim um dos possíveis caminhos.

Pampilhosa da Serra precisa de materiais de construção, árvores e sementes

Num comunicado enviado à agência Lusa, aquela autarquia do distrito de Coimbra pede ainda materiais para cerca/vedação de animais e motores de rega, tubagem e sistemas de rega.

Ao mesmo tempo, o Município agradece o apoio de todos aqueles que contribuíram e contribuem e apela à suspensão da doação de roupas.

Na Pampilhosa da Serra 262 casas ficaram totalmente destruídas, entre as 500 que foram atingidas pelas chamas em 57 aldeias.

As centenas de incêndios que deflagraram no dia 15, o pior dia de fogos do ano, segundo as autoridades, provocaram 45 mortos e cerca de 70 feridos, perto de uma dezena dos quais graves.

Os fogos obrigaram a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas, sobretudo nas regiões Norte e Centro.

Esta foi a segunda situação mais grave de incêndios com mortos em Portugal, depois de Pedrógão Grande, em junho, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 vítimas mortais e mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste fogo.

Câmara de Tábua regista 54 casas de primeira habitação destruídas pelo fogo

As casas de primeira habitação destruídas são 54, mas o número dispara “para as centenas”, se forem contabilizadas residências de segunda habitação, casas desocupadas, anexos e barracões, disse à agência Lusa o presidente da Câmara de Tábua, Mário Loureiro.

As pessoas que ficaram desalojadas estão neste momento, “essencialmente, em habitações de família”, sendo que também foi assegurada resposta por parte da Câmara, em casas e apartamentos que estavam disponíveis, informou.

O concelho tem a lamentar “três vítimas mortais”: Um casal que fugia de uma casa isolada que acabou por não arder e um homem de Midões que foi apanhado pelas chamas quando tentava proteger os seus bens, tendo falecido no hospital.

No entanto, o autarca alerta que o número poderá aumentar, referindo que se mantêm internados em Coimbra “alguns feridos em estado grave”.

A empresa Resimadeiras, ligada à área da exploração florestal e vocacionada “para as exportações”, terá tido “um prejuízo de dois milhões de euros”, tendo sido destruídos camiões, equipamentos e materiais que estavam armazenados, afirmou o presidente do município.

Há outras empresas de pequena dimensão também afetadas, bem como vários produtores agrícolas, com explorações “com um caráter empresarial”.

Centenas de cabeças de gado bovino, ovino e caprino morreram, registando-se ainda a destruição de muitas máquinas agrícolas, tratores, alfaias agrícolas e arrecadações, realçou Mário Loureiro.

Um jardim-de-infância, uma capela e “três palácios” situados na freguesia de Midões foram destruídos, sendo que algumas zonas de percursos pedestres “com uma paisagem fantástica” também arderam, notou.

“Isto foi uma coisa impensável. Nós temos todos que começar a pensar muito bem nas alterações climáticas, porque é uma realidade e nós não estávamos preparados para isso”, frisou à Lusa o presidente da Câmara de Tábua.

Para o autarca, é necessário agora ter atenção às espécies de árvores que se plantam, ao ordenamento florestal e às “construções em sítios de risco”.

“Pedrógão Grande foi uma maquete do que tivemos aqui”, resumiu.

Do gatil para a escola

Talvez pela falta de uma das orelhas Didi nunca tenha sido adotado mas na escola de Dianteiro, em Coimbra que ganhou uma nova família.

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Assim que as 28 crianças chegam ao pátio da Escola do Dianteiro, durante o recreio, Didi é cercado pelos pequenos que não se cansam de brincar ou de dar festas no espevitado gato de quatro meses, que tanto passeia pelo pátio, como se esgueira para dentro das salas de aula.

Didi é o primeiro gato a fazer parte do projeto “Os gatos vão à escola!”, do Serviço Médico Veterinário (SMV) de Coimbra, que permite aos estabelecimentos de ensino adotarem gatos que se encontram no gatil municipal.

“Pensámos que os gatos poderiam ir para as escolas para [as crianças] desenvolverem competências de educação ambiental e de responsabilização”, explana Vera Fernandes, secretária de apoio ao vereador Francisco Queirós, responsável pelo pelouro do gabinete médico-veterinário.

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O pequeno gato foi “desparasitado, castrado, vacinado” e esteve em famílias de acolhimento com crianças “que o prepararam para a adoção na escola”, sendo que o animal será sempre acompanhado por clínicas veterinárias, de forma gratuita.

Na escola, o Didi poderá ajudar a falar-se “do respeito pelos animais”, mas também de reciclagem – a cama e os brinquedos devem ser criados com materiais reutilizados – ou até de integração social no caso específico deste gato, que “tem uma deficiência, mas que está perfeitamente integrado na escola como um gato normal”, sublinha Vera Fernandes.

O convite foi recebido com surpresa por parte da escola que decidiu abraçar o projeto por ser “uma forma de sensibilizar as crianças para os cuidados a ter com os animais e o respeito” que devem ter por eles, explica o professor da turma de 3.º e 4.º anos, Luís Bidarra.

Hoje, Didi já é a estrela do recreio. Na interação com o animal, as crianças também ficam a perceber que “o gato assusta-se quando gritam” e que é preciso “brincar com respeito”, porque se sentir o seu espaço invadido “pode ter uma resposta mais ou menos arisca”, conta o docente.

“É uma experiência inovadora e, apesar de [os alunos] serem naturais de uma aldeia e estarem habituados a contactar com animais, nem sempre isso acontece nos tempos que correm”, constata.

“Brincamos com ele e às vezes damos-lhe festinhas”, explica Afonso, de oito anos, com o gato ao colo, que admite que agora a escola “é mais divertida”.

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Francisca, de sete anos, explica que os alunos, para além de brincarem, ajudam a dar comida e água ao gato, põem a “cama confortável para ele dormir à noite” e há voluntários para “levar o gato para casa para ele não se sentir sozinho” durante o fim de semana.

António, do 4.º ano, usa um pauzinho que arrasta pelo chão para brincar com o Didi, que “custa a apanhar”. “Está a ser muito divertido”, dizem em uníssono quatro meninas do 1.º ano.

Para além da Escola do Dianteiro, também o lar da Casa dos Pobres, em Coimbra, já conta com um novo inquilino.

O Serviço Médico Veterinário pretende agora chegar a mais escolas, lares de idosos e outro tipo de instituições, que se queiram assumir como famílias adotivas de gatos, mas também de cães, à espera de uma nova casa.

JSD diz que tempo da ditadura e perseguição à praxe voltou

Um cartaz colocado pela JSD de Coimbra a exigir a demissão do ministro do Ensino Superior, Manuel Heitor, foi destruído. A mensagem, instalada num “outdoor” na praça da República, criticava o governante, que considerou a “praxe uma das maiores pragas que temos de combater”.

Colocado na sexta-feira, o cartaz foi vandalizado durante o fim de semana. “Infelizmente, percebemos que os tempos ditatoriais, em que a praxe e a academia eram perseguidas, voltaram”, escreve a concelhia da JSD de Coimbra.

“O outdoor foi vandalizado e destruído, atitude típica de regimes autoritários como o Estado Novo em que a Academia de Coimbra e a liberdade de expressão eram perseguidos”, pode ler-se numa mensagem colocada no Facebook daquele órgão laranja. “Como Salazar, quem neste fim de semana optou por destruir o cartaz para proteger o governo e a esquerda que nos governa, não sabe o que é a democracia e a tolerância pelas ideias contrárias”.

A JSD Distrital de Coimbra diz que “sente vergonha” com o sucedido, numa “cidade que, em tempos, ficou conhecida pelas sucessivas manifestações” pela liberdade de expressão. “Rejeitamos em absoluto os ataques a essa mesma liberdade e, por isso, decidimos manter este cartaz rasgado na Praça da República”, lê-se, ainda, no comunicado.

“A partir de hoje, até que seja retirado na data prevista, este cartaz condena não apenas a perseguição à praxe e tradição académica não abusiva e humilhante dos jovens, mas também a prática ditatorial contra a liberdade de expressão”, escreve a JSD de Coimbra, sustentando que pretende acionar todos “os meios legais disponíveis para que os culpados sejam encontrados e condenados de acordo com a lei”.

Na génese da colocação do cartaz está a ideia, repisada neste comunicado, de que “não deve continuar a ser Ministro da República Portuguesa” quem, como Manuel Heitor, considera a praxe uma praga.

“Considerávamos, e continuamos a considerar, que a praxe e tradição académica que foi essencial ao combate ao Estado Novo, e que se transformou num símbolo único da cidade de Coimbra, deve ser respeitada”, defende a JSD de Coimbra.

Em busca dos morcegos da Biblioteca Joanina na Universidade de Coimbra

A visita começa no mítico Paço das Escolas da Universidade de Coimbra. São 30 minutos de fado de Coimbra, para nos fazer mergulhar no espírito académico. Depois disso, estamos prontos para um banho de história, nestas visitas noturnas à UC, que se vão prolongar até final de agosto. Logo de início, ficamos a saber que alguns dos mais emblemáticos lugares da cidade foram casas das famílias reais da primeira dinastia portuguesa, antes de se tornarem lugares da Academia há 726 anos.

Entramos na Sala dos Capelos, antiga Sala do Trono, onde decorrem os doutoramentos honoris causa – e que sorte temos, já que nas visitas diurnas, está quase sempre interdita a visitantes. “De noite, isto é só nosso”, congratula-se Mercedes Gonçalves, coordenadora do turismo da Universidade de Coimbra. A visita noturna passa também pela capela de S. Miguel, de estilo manuelino, e pela prisão académica, onde os alunos passavam alguns dias quando não respeitavam as regras universitárias. Todos estes locais já são do tempo em que “para lá do Mondego, a terra era de mouros”, desvenda Cristina Perestrelo, guia desta visita, em que se permite que tudo seja fotografado livremente.

O que mais encanta muitos dos visitantes é a Biblioteca Joanina, com as suas duas colónias de morcegos que protegem os cerca de 40 mil livros dos insetos bibliógrafos. “Porque não os conseguimos ver?”, interroga-se um grupo de crianças, durante a visita. “Eles são pretos e a noite é escura”, explica a coordenadora.

A subida de 180 degraus à emblemática torre da Universidade, onde mora a “cabra”, o sino que anuncia o início e o fim do horário letivo, é a etapa final. Lá em cima, ficamos a 34 metros de altura e a vista deslumbra os visitantes com uma panorâmica da cidade de 360 graus. De tempos a tempos, ouvem-se as badaladas do maior dos quatro sinos. Fernando Gomes, 58 anos, trouxe a família para lhes mostrar a universidade onde estudou economia. “Há 20 anos que não entrava aqui. É sempre bom reviver”, diz, satisfeito.

Universidade de Coimbra by Night > Porta Férrea, Universidade de Coimbra 
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Inédito: Pacemaker mais pequeno do mundo implantado em Coimbra

Em comunicado enviado à agência Lusa, o CHUC revela que o implante foi realizado recentemente pelos médicos Luís Elvas e José Nascimento e “marca uma nova etapa no tratamento das arritmias cardíacas”.

“Ao contrário do pacemaker convencional, este novo dispositivo é implantado diretamente no coração através de um procedimento minimamente invasivo, sem necessidade de colocação de elétrodos, os quais são os principais responsáveis pelas complicações a longo prazo”, explica a nota.

A nova cápsula cardíaca é colocada no coração através de um cateter inserido na veia femoral e fica preso à parede do coração, podendo ser reposicionado, caso seja necessário.

Apesar do seu tamanho reduzido, tem uma bateria que dura, em média, dez anos.

O pequeno dispositivo “responde aos níveis de atividade do doente, ajusta-se automaticamente a cada pessoa e permite ainda que os seus portadores tenham acesso aos meios de diagnóstico mais avançados, uma vez que é compatível com ressonância magnética”.

“A colocação de um pacemaker é o método mais utilizado para o tratamento da bradicardia, uma perturbação do ritmo cardíaco caracterizada por um batimento lento. Estima-se que exista mais de um milhão de pessoas portadoras de pacemakers em todo o mundo”, refere o comunicado dos CHUC.

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