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China está envelhecida e precisa de bebés

Desde o início do novo século que não nasciam tantas crianças na China. Em 2016, registaram-se 18,46 milhões de nascimentos no território continental, e 45% são segundos filhos, revelou a Comissão Nacional de Planeamento Familiar na semana que passou. Num primeiro balanço do impacto do fim da “política do filho único”, que durante mais de três décadas proibia a grande maioria dos casais chineses de terem um segundo filho, nasceram mais 11% de bebés no ano passado do que em 2015.

Foi a certeza de que a China estava numa rota de envelhecimento da população que levou o Governo a acabar com a medida no final de 2015, mas é provável que se possa reverter a tendência.

Durante 35 anos, o regime chinês levou a cabo aquilo que especialistas como Mei Fong, autora do livro One Child, classificou como “a mais radical experiência social do mundo”. Para impedir e penalizar uma segunda gravidez, as autoridades recorriam a um rol de abusos, que incluíam multas pesadas, despedimentos, demolições de casas, abortos e esterilizações forçadas. O controlo populacional extremo era o preço a pagar para colocar o país mais populoso do mundo na rota do desenvolvimento, diziam os defensores do “filho único”.

Três décadas depois, a China percebeu que precisa de mais crianças para preservar a prosperidade. Na verdade, o controlo da natalidade pelo Governo permanece. A “política do filho único” foi substituída por uma “política de dois filhos”, que as autoridades dizem garantir uma recuperação dos níveis de natalidade, sem arriscar um “descontrolo”. A taxa de fertilidade das mulheres chinesas está em 1,6 filhos, bem abaixo da substituição geracional, e a maioria dos demógrafos diz ser muito improvável que o fim a política de filho único possa inverter a tendência de envelhecimento.

Actividade dos “genes saltitantes” aumenta com envelhecimento

Ainda é cedo para afirmar que os tranposões, conhecidos com “genes saltitantes” por serem capazes de sair das suas posições nos cromossomas e mudar para outro lugar na cadeia de ADN, são a causa do envelhecimento. Porém, a teoria está a ganhar mais força. Desta vez, um grupo de cientistas da Universidade de Brown, nos EUA, publicou os resultados de várias experiências realizadas com o modelo da mosca Drosophila que demonstram que existe uma relação causal entre a actividade destes genes e a redução da esperança de vida.

“Até agora houve algumas associações e sugestões que fazem sentido para todos nós, mas a diferença na ciência é que precisamos de informação para sustentar a nossa opinião”, refere Stephen Helfand, professor de biologia na Universidade de Brown e um dos autores do artigo publicado esta segunda-feira na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS). Assim, foram realizadas várias experiências que apresentam algumas provas e conseguem unir claramente os pontos entre um aumento da actividade dos transposões e o envelhecimento. Ou seja, refere o investigador, “estamos a começar colocar carne no esqueleto” da teoria que já era aceite por muitos cientistas.

A cadeia de ADN, onde os transposões e outros genes fazem parte, está guardada no núcleo das células. Estudos anteriores já tinham demonstrado que, à medida que o tempo passa, as proteínas e outras moléculas que “seguram” a cadeia de ADN (heterocromatina), no núcleo das células, vão ficando mais frouxas. Isto permite que as inquietas sequências móveis de ADN saiam das suas posições nos cromossomas e se mudem para outros lugares, perturbando o funcionamento das células.  A aleatória mudança de sítio dos transposões está envolvida na evolução dos organismos mas por vezes também pode interferir na função de outros genes e provocar mutações.Os transposões constituem cerca de 45% do genoma humano.

A equipa da universidade norte-americana usou a mosca-da-fruta (um modelo animal muito usado pelos cientistas) para vigiar o movimento dos transposões e numa das experiências conseguiu obter imagens que deixam ver os seus “saltos” à medida que o animal envelhece. Para isso, foram introduzidos uns fragmentos genéticos em células de gordura (o que num humano equivaleria ao fígado) que sinalizavam os “saltos” destes genes no genoma. Quando mudavam de lugar, a imagem mostrava um brilho verde. Nas imagens ao microscópio foi possível ver que à medida que o animal envelhecia havia  cada vez mais “luzes verdes” a acender .

O aumento do brilho não era estável. “As moscas atingem uma certa idade e é aí que o movimento dispara de forma exponencial”, explica o investigador principal Jason Wood no comunicado da universidade sobre o estudo. Foi possível verificar que o aumento da actividade dos transposões coincide com o momento em que as moscas começam a morrer.

No artigo, os investigadores também notam que foram realizadas experiências que comprovam que uma dieta baixa em calorias (que já tinha sido associada ao aumento da esperança de vida) adia o início do aumento de actividade destes genes saltitantes. Outras experiências demonstraram ainda que uma manipulação de certos genes ajuda, como já se suspeitava, a manter mais forte a tal heterocromatina que segura estes genes, fazendo com que os transposões se mantenham mais tempo nas suas posições e aumentando a esperança de vida das moscas.

Mas o tal esqueleto ainda precisa de mais carne. No comunicado de imprensa, os investigadores avisam que já estão a preparar outras experiências. Por um lado, vão tentar aumentar a expressão destas sequências móveis de ADN para ver se, assim, as moscas vivem menos tempo. Outras das abordagens pode passar pelo recurso à recente técnica de edição genética chamada CRISPR (uma técnica que permite escolher um local específico do ADN e cortá-lo, funcionando como uma tesoura) para desactivar este movimento dos transposões no genoma e observar o efeito.

Apesar de este estudo somar alguns argumentos à teoria que já associava os transposões ao envelhecimento e à redução da esperança de vida, Stephen Helfand e Jason Wood sublinham que estes genes saltitantes podem explicar apenas um dos muitos processos que têm impacto na saúde à medida que envelhecemos. “Há muitos mecanismos que influenciam o envelhecimento. Há muitas coisas a acontecer, mas achamos que esta é uma delas”, conclui Jason Wood.

INOVAÇÃO CIENTÍFICA E FORMAÇÃO PROFISSIONAL NA ROTA DO ENVELHECIMENTO ATIVO E SAUDÁVEL

Apesar do envelhecimento global ser uma história de sucesso, marcada pelo triunfo da saúde pública, pelo avanço médico, e pelo desenvolvimento económico, as doenças não transmissíveis, particularmente as doenças cardiovasculares, o cancro, as doenças respiratórias crónicas e a diabetes são as que mais contribuem para a morbilidade e a mortalidade mundiais. Quando um dos fatores de risco comportamental compartilhado por estas doenças crónicas é o sedentarismo, torna-se fundamental atender às contribuições positivas do exercício físico para a saúde.

Os benefícios do exercício físico consubstanciam uma melhoria considerável na qualidade de vida, apontando também para uma redução significativa na taxa de morbilidade e mortalidade por todas as causas. Os estudos mais atuais sublinham que 150 minutos de atividade física por semana com intensidade moderada reduz em cerca de 30% a taxa de mortalidade, sendo os benefícios ainda mais evidentes em indivíduos com mais de 60 anos. Os avanços da investigação científica ao nível da prescrição de exercício físico sugerem a adoção de modelos que fundamentadamente apontam o treino de força muscular em conjunto com o treino aeróbio como a mais poderosa estratégia no combate à perda de força e massa muscular típica do envelhecimento, apontando em simultâneo a redução da massa gorda, da pressão arterial e de outros fatores de risco cardiovasculares, bem como a diminuição dos sintomas de doenças crónicas como a diabetes, a osteoporose, ou a depressão. Estes modelos de prescrição de exercício apontam também o treino de equilíbrio como componente essencial à redução do risco de quedas e fraturas associadas. A estes benefícios comprovados cientificamente acrescem os resultados mais recentes divulgados em estudos epidemiológicos e de intervenção que demonstram a contribuição do exercício físico na redução do risco de doença de Alzheimer, bem como no declínio cognitivo associado ao aumento da idade.

Conscientes destes desafios e tendo em vista harmonizar a integração da inovação científica na formação profissional de nível avançado, o Instituto Universitário da Maia (ISMAI) e o Centro de Investigação em Desporto, Saúde e Desenvolvimento Humano do ISMAI (CIDESD-ISMAI), apresentam um Mestrado em Exercício Físico e Saúde que tem como missão preparar profissionais capazes de compreender, planificar e operacionalizar diferentes propostas de exercício enquanto ferramentas de natureza preventiva ou terapêutica, em diferentes contextos e populações, de forma individualizada. São exemplos desta interligação entre a inovação científica e a formação profissional os compromissos firmados no âmbito da European Innovation Partnership on Ative and Healthy Ageing (EIP-AHA), que integraram a candidatura Porto4Ageing a EIP-AHA reference site: 1) CIDESD-ISMAI evidence-based exercise programmes – implementação de programas de exercício físico baseado na evidência para idosos e indivíduos com doenças cronicas; e 2) CIDESD-ISMAI falls prevention initiative – implementação de um programa de diagnóstico precoce e prevenção de quedas.

Para operacionalizar esta filosofia formativa inovadora, o Mestrado em Exercício Físico e Saúde dispõe de um corpo docente com elevada experiência profissional e envolvimento em projetos de investigação científica financiados por entidades externas, e beneficia de infraestruturas e equipamentos altamente especializados. Adicionalmente, o compromisso de ligação às comunidades da região onde o ISMAI se insere, originou a criação de uma rede de parceiros estratégicos, dos quais se destacam a Câmara Municipal da Maia e o Agrupamento de Centros de Saúde Grande Porto III – Maia/Valongo, entre outros prestadores e utilizadores de cuidados de saúde e serviços sociais, que atualmente nos proporciona um ecossistema extremamente favorável para a procura de soluções inovadoras que visem a melhoria da qualidade de vida das populações.

PORTO4AGEING, VIVER MAIS E MELHOR

De que forma está organizado o consórcio Porto4Ageing e quais os seus principais eixos de intervenção?

O envelhecimento ativo e saudável é reconhecido pela União Europeia como sendo um dos maiores desafios societais atuais. O consórcio Porto4Ageing foi criado tendo por base a quádrupla hélice da inovação, isto é: inclui 1) decisores e prestadores de cuidados, 2) academia e centros de investigação e inovação, 3) empresas, e 4) representantes da sociedade civil e dos utilizadores. Neste contexto, o consórcio Porto4Ageing está em posição privilegiada para contribuir para o aumento da qualidade de vida da população idosa, a sustentabilidade dos sistemas de saúde e de cuidados, e crescimento e expansão da indústria na região.

O Porto4Ageing está alinhado com os principais eixos de intervenção estabelecidos pela Parceria Europeia de Inovação para o Envelhecimento Ativo e Saudável (EIP-AHA), incluindo adesão aos planos de saúde, prevenção de quedas, prevenção da fragilidade e declínio funcional, cuidados integrados, soluções para uma vida independente e ambientes amigos do idoso, entre outras.

Portugal está a envelhecer. Perante este contexto demográfico que soluções são possíveis criar para contrariar este problema?

O facto de a população estar a envelhecer, significa apenas que as pessoas estão a viver mais tempo – o que é bom! A grande questão que se coloca é como melhorar a qualidade de vida associada a este aumento da longevidade. Um importante facto é que nos últimos anos a esperança de vida aumentou em Portugal e na Europa, no entanto, este ganho em termos de longevidade não foi acompanhado por uma melhoria na qualidade de vida. O consórcio Porto4Ageing permite que a região se una face a este objetivo comum, de promover a qualidade de vida e um envelhecimento ativo e saudável.

Quais os principais desafios e problemas com que lidam diariamente?

O envelhecimento, naturalmente relacionado com a longevidade, tem sido acompanhado, no seu conjunto, por défices no autocuidado e por incapacidades para o desenvolvimento de atividades a diversos níveis, agravados pelas doenças mais prevalentes nesta fase da vida. As necessidades em cuidados de saúde, e as necessidades económicas e sociais são alguns destes problemas, para os quais as respostas são ainda insuficientes e inadequadas. A promoção da autonomia e da capacitação do indivíduo ao longo do processo de envelhecimento são fundamentais, quer para o indivíduo, quer para os decisores das políticas locais.

O Porto4Ageing dispõem de uma oferta formativa que vai desde a promoção da saúde e bem-estar dos idosos até a formação especializada de profissionais nas áreas de Gerontologia e Geriatria. Que impacto esta formação poderá ter na qualidade de vida dos idosos?

A adaptação da sociedade à nova realidade demográfica exige alterações tanto ao nível da formação dos profissionais, como dos próprios indivíduos. O Porto4Ageing integra instituições académicas de prestígio, assim como profissionais experientes e qualificados com grande experiência em formação para profissionais e dirigida à população sénior. Toda esta formação para profissionais, cuidadores formais e informais, e população sénior tem como objetivo influenciar positivamente uma abordagem mais integrada do sénior, o que tem repercussões positivas na sua saúde, que é entendida pela Organização Mundial da Saúde como “o completo bem-estar físico, mental e social, e não simplesmente a ausência de doença ou enfermidade” e qualidade de vida da população sénior da região.

Além da formação existem também outras atividades como a “Baixa em forma”, a “chave dos afetos” ou “memórias com sabor”. A adesão a estas iniciativas tem sido positiva?

Dos três exemplos destas boas práticas, duas são promovidas pela Câmara Municipal do Porto (“Baixa em Forma” e “Memórias com Sabor”) e a outra pela Misericórdia do Porto (“Chave dos Afetos”), constituindo-se como iniciativas com grande adesão e impacto na população sénior da região. Este impacto está sobretudo relacionado com a prevenção do risco de isolamento e sentimentos de insegurança e solidão nos seniores, que afetam de forma muito significativa a qualidade de vida e previne a institucionalização dos seniores.

A área Metropolitana do Porto é candidata a Sítio de Referência Europeu na Área do Envelhecimento Ativo e Saudável, uma classificação atribuída da Comissão Europeia. O Porto4Ageing entregou a candidatura no passado dia 15 de abril. Com o título adquirido que mudanças irão ocorrer?

A classificação da Área Metropolitana do Porto como uma Região de Referência Europeia na Área do Envelhecimento será o reconhecimento do esforço que as autoridades regionais têm feito nos últimos anos para melhorar a qualidade de vida da população idosa, nomeadamente através da implementação de respostas sociais inovadoras. Em termos de futuro, este consórcio ambiciona que os poderes políticos regionais, prestadores de cuidados, academia e centros de investigação, empresas, particularmente aquelas que trabalham diretamente com os seniores, e representantes dos utilizadores e da sociedade civil, se mobilizem para um objetivo comum que é a promoção de um envelhecimento ativo, saudável e feliz. Desta colaboração, que inclui neste momento mais de 80 entidades públicas e privadas (mais informação em www.porto4ageing.pt), podem resultar políticas e respostas sociais inovadoras, que para além de promoverem a qualidade de vida dos seniores, aumentem a competitividade da região.

Inovação como resposta ao isolamento do idoso

O envelhecimento da população é um dos grandes desafios do século XXI. É urgente a existência de empresas que assumam como missão disponibilizar soluções que promovam um envelhecimento ativo e independente. Tem sido este o papel da IncreaseTime. De que modo têm contribuído para esta problemática?
A IncreaseTime tem como missão desenvolver soluções tecnológicas focadas na qualidade de vida e bem-estar. Tem apostado no desenvolvimento de soluções centradas no idoso e envolvendo os prestadores de cuidados. As nossas soluções capacitam essas entidades com ferramentas inovadoras que permitem efetuar um acompanhamento remoto dos idosos, aumentando, desta forma, a qualidade do serviço prestado e contribuindo para que estes envelheçam de forma independente e ativa, mas também seguros de que estão a ser acompanhados à distância de um clique por uma equipa de cuidadores que está pronta a intervir.

A vossa empresa apresenta soluções diferenciadas, de acordo com o estado de saúde e o nível de acompanhamento de que os idosos usufruem. O que diferencia as diferentes soluções?
O ecossistema KeepCare® inclui soluções distintas e complementares, englobando a rede de serviços que envolve o cuidado dos idosos e que cobre os diferentes perfis de risco – idosos isolados, com duplo diagnóstico ou integrados na rede formal. O KeepCare®Mob, por exemplo, é um produto que permite acompanhar, em contínuo e à distância, o idoso, alertando de forma automática em caso de emergência.

Contornar os desafios da solidão e promover um estilo de vida ativo têm sido as maiores preocupações associadas ao envelhecimento. De que modo as vossas soluções se enquadram neste contexto?
Para além das soluções que visam capacitar os cuidadores, o ecossistema KeepCare® inclui uma solução – KeepInTouch® – que tem como objetivo combater o isolamento social do idoso e promover um estilo de vida ativo, através da inclusão digital. A solução fornece uma experiência de comunicação enriquecida e acessível, através de qualquer dispositivo móvel, com uma interface intuitiva, contemplando serviços como vídeo chamada, chat, correio eletrónico, jogos para estimulação cognitiva, além da possibilidade de partilha de informação com familiares, amigos e vizinhos.

Disponibilizarão brevemente uma nova solução, a KeepUp®, que se destina a pessoas afetadas pela Diabetes Mellitus. Quando será possível ter acesso a este produto? De que modo os idosos serão também beneficiados com este novo produto?
O KeepUp® é uma aplicação que ajuda no controlo da diabetes com uma componente de aconselhamento dinâmico que fomenta a adoção de hábitos de vida saudáveis. Esta solução estará disponível no segundo semestre de 2016, não é apenas focada nos idosos, mas sim em toda a população diagnosticada com essa patologia.

A tecnologia é um forte aliado da IncreaseTime, sendo indispensável na inovação que caracteriza as vossas soluções. Neste contexto, qual é a importância da investigação e desenvolvimento na vossa estratégia?
A IncreaseTime é um spin-off que resulta de vários projetos de ID e mantém nos seus genes a paixão pela investigação e inovação. Para além dos produtos comerciais, temos apostado de forma contínua na investigação e desenvolvimento de novas soluções inovadoras focadas na temática do envelhecimento ativo. Para além dos projetos em curso, por exemplo a K-shirt® (bio-sensor baseada em têxteis inteligentes), a IncreaseTime teve recentemente aprovado um projeto europeu no âmbito do programa AAL (Ambient Assited Living).

De que modo, no futuro, continuarão a desenvolver soluções que permitam aos idosos manter um estilo de vida sem dependência ou sofrimento? O que podemos esperar da IncreaseTime em 2016?    
Continuaremos a apostar no desenvolvimento de soluções tecnológicas inovadoras para apoiar a prestação de cuidados de saúde no contexto doméstico ou de residências assistidas e que promovam um envelhecimento independente, ativo e com qualidade.
Em 2016, pretendemos continuar a afirmar a nossa presença no mercado nacional e operacionalizar a internacionalização da empresa para os mercados da Escandinávia, Alemanha, Itália e Brasil.
CAIXA
A IncreaseTime é um dos Parceiro Plano Nacional de Saúde. De que modo têm sido uma mais-valia para o desenvolvimento da saúde em Portugal, nomeadamente no âmbito do envelhecimento? A vossa presença em eventos internacionais tem permitido olhar para Portugal de um modo mais solucionador e inovador?
Temos vindo a colaborar com várias entidades do SNS, contribuindo para novas soluções que, por serem centradas no idoso, promovem o envelhecimento ativo e, por envolverem os cuidadores formais, impulsionam a mudança do paradigma dominante de recurso ao tratamento para uma aposta na prevenção.
As nossas soluções têm sido muito bem recebidas nos eventos em que temos participado, como foi o caso da CEBIT e HOSPITALAR em 2015. À nossa escala, estamos a contribuir para criar uma nova imagem de Portugal.

Envelhecimento ativo, uma missão empresarial

Ana Sepulveda Créditos Ricardo Oliveira

Demografia disruptiva é a demografia atual, porque pela primeira vez na história da humanidade a proporção de pessoas seniores tende a ser maior que a de pessoas jovens. Neste sentido, o conceito de envelhecimento ativo surge como forma de promover o envelhecimento positivo e integrador. Uma sociedade “Age Friendly” é uma sociedade onde estão criadas as condições para que este processo seja otimizado com claras implicações para a economia, porque, entre outros aspetos, abrem-se novas oportunidades de negócio. Para que isto seja possível é necessário que as organizações estejam efetivamente adaptadas a esta realidade e vejam de que forma este fenómeno demográfico afeta o seu negócio.
É neste contexto que em 2013 surge em Portugal a 40+Lab, uma empresa de consultoria estratégica de negócio especializada no consumidor sénior, no processo de envelhecimento e na forma como ele impacta o negócio das marcas.
Ana João Sepulveda afirma que “a nossa missão é trabalhar com as organizações e em conjunto coloca-las na linha da frente da economia do século XXI, onde o envelhecimento e a longevidade marcam grande parte do crescimento das sociedades. Porque o mercado sénior, como mercado promissor do desenvolvimento de negócio é uma realidade recente em Portugal, as marcas e organizações têm muito a aprender e há que encurtar os timings de aprendizagem. É para isso que existimos.”
O envelhecimento é um fenómeno demográfico e sociológico que toca a sociedade de forma transversal e que, no mundo dos negócios, representa uma oportunidade de crescimento e diversificação tanto para as organizações cuja oferta se destina efetiva e exclusivamente aos seniores (ex. produtos funcionais ligados ao processo de envelhecimento), como para aquelas cuja oferta é mais generalista (ex. bens de grande consumo). Mas para que isso seja possível é preciso que se olhe para os seniores como consumidores normais com necessidades e motivações muitas vezes não satisfeitas e não sob o prisma das ideias feitas e dos preconceitos discriminatórios.

A par da indústria alimentar, outras existem que beneficiam em muito do fenómeno do envelhecimento, que impulsionam a economia e, em simultâneo, contribuem para a promoção do envelhecimento ativo. Ana Sepulveda menciona, nomeadamente, o turismo, a saúde e a área tecnológica.

No âmbito do turismo, cresce o número de estrangeiros que olha para Portugal como “a Flórida da Europa”. Um país com um excelente clima (em comparação com o do país de origem do turista), com boas acessibilidades, seguro, com uma boa oferta gastronómica e cultural. São turistas seniores que em alguns casos acabam por escolher Portugal para residir. O investimento no turismo sénior beneficia tanto o turista que vem de fora como os seniores portugueses, por provocar um aumento da oferta e uma adequação da mesma aos desejos e vontades destas pessoas.

Aqui, este mercado cruza-se com a saúde e potencia o desenvolvimento do designado turismo de saúde, através da criação de espaços que permitam revigorar o corpo e a mente. O bem-estar torna-se o objetivo crucial, numa fusão entre ócio, terapia e investimento na longevidade.

Ana Sepulveda assume que estes mercados estão especialmente direcionados a seniores ativos ou com fraca dependência, termo utilizado pela Comunidade Europeia. Contudo, não esquece a população mais dependente, com uma saúde mais débil e/ou com maiores restrições financeiras. Neste ponto, reitera a importância da responsabilidade social e de uma economia direcionada para comunidades mais desprotegidas. “Esta é uma questão que tem vindo a chamar a atenção das empresas”. Neste âmbito, a responsável pelo 40+Lab menciona também as age-friendly cities, um projeto da Organização Mundial de Saúde, que incentiva à adaptação e flexibilização das cidades. O objetivo passa por “tornar a cidade acessível, atrativa e integradora dos seniores”, explica.
Neste sentido, também as empresas devem saber acompanhar estes conceitos futuristas. É aqui que se insere o INNOVageing, um projeto da 40+Lab e desenvolvido em parceria com o Instituto de Negociações e Vendas (INV), que promove a formação dos recursos humanos para um correto relacionamento com seniores e especialmente voltado para o retalho.

No contexto comercial, o atendimento deve ser adaptado e não podem existir sinais de impaciência ou paternalismo para com os clientes idosos e com maiores dificuldades de compreensão face a produtos e serviços recentes ou, por exemplo, ligados às novas tecnologias. Os próprios espaços comerciais devem igualmente criar condições de conforto, nomeadamente através da construção de espaços de descanso, da colocação de produtos em zonas de fácil acesso, entre outras situações, como refere Ana Sepulveda.

No seio interno das empresas, os responsáveis pelos Recursos Humanos devem saber compreender os anseios dos seus colaboradores mais velhos e ter uma interação saudável e eticamente correta. Devem ter presente a real constatação de que a idade não influencia a produtividade.

Num momento em que o envelhecimento é um mercado em expansão, esta empresa de consultoria apoia, igualmente e por diversas vezes, marcas já existentes a “redefinir o seu negócio”, de modo a adaptá-lo a estas classes etárias. Mas, acima de tudo, “temos a missão de contribuir para que o mercado nacional cresça de uma forma consolidada, porque a economia tem muito a ganhar com uma integração plena do segmento sénior”, assume Ana Sepulveda.

O ano de 2016 será um momento de grande prosperidade e desenvolvimento para a 40+Lab. Ana Sepulveda refere que a empresa apostará de forma clara na área da “formação e, nomeadamente, no projeto INNOVageing”. A internacionalização será, igualmente, um aspeto de máxima importância para a marca, com a entrada no mercado brasileiro. Atualmente encontram-se já a trabalhar em parceria com uma empresa norte-americana num projeto que será lançado em Portugal, e na Europa, em maio deste ano. A par disto, a 40+Lab apoia os Palhaços D’Opital, um projecto que se destina a alegria, o humor e os afetos no ambiente hospitalar e com foco nos doentes seniores”.

Coimbra Comunidade do Conhecimento e Inovação na Resposta ao Envelhecimento

João Malva

Portugal irá enfrentar o grande desafio do envelhecimento. Em 2060 seremos um dos países mais envelhecidos do mundo e, em contrapartida, atingiremos uma das mais baixas taxas de natalidade. A emigração apenas reforçará este cenário negativo. O número de pessoas com mais de 85 anos irá crescer rapidamente e teremos uma sociedade onde idosos cuidam de idosos. Neste contexto, é premente contornar este perfil demográfico e criar soluções que possam dar resposta ao nível “da magnitude deste desafio”, explica João Malva. Esta capacidade de reversão será concretizada com “uma articulação entre políticas de natalidade, de apoio à família e ao emprego”, de modo a reter jovens talentos e impulsionar o crescimento da população ativa. Para isso, é importante uma articulação entre os serviços públicos e privados, questão na qual o Estado português terá um papel determinante: “as políticas de saúde e de educação são fundamentais”, “o nosso país tem dois ministérios muito distantes, que só se tocam muito pontualmente – a Saúde e a Solidariedade Social – e é preciso que as respostas sejam integradas, porque um idoso frágil ou doente é precisamente alguém que precisa de ajuda social”, defende o coordenador. Por outro lado, é igualmente indispensável “a resposta civil, ou seja, o modo como os cidadãos, as empresas e as estruturas de um modo geral se associam”. De facto, a resposta encontra-se na dinâmica social entre os diferentes atores e numa simbiose intergeracional, na qual jovens e idosos cooperam no sentido de encontrar soluções capazes de dar resposta aos desafios futuros.
A sociedade atual tem igualmente a missão de dotar crianças e jovens de estilos de vida saudáveis e ativos, que lhes permitam, no futuro, entrar na senioridade física e psicologicamente robustos e independentes.

Ageing@Coimbra

Este consórcio foi criado através de uma parceria entre a Universidade de Coimbra, a Câmara Municipal de Coimbra, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, o Instituto Pedro Nunes e a Administração Regional de Saúde do Centro, com o crucial apoio da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro. Surge no âmbito desta premência de compreender os desafios trazidos pelo envelhecimento; de criar boas práticas que se repliquem para outras regiões da Europa, através da Parceria Europeia de Inovação para o Envelhecimento Ativo e Saudável; e de abrir horizontes a outras entidades, cujo foco seja a investigação e desenvolvimento de soluções que promovam o envelhecimento ativo e saudável; e vejam na tecnologia um veículo para a criação de novas oportunidades – porque os recursos tecnológicos são parte fundamental do desenvolvimento de meios de apoio ao envelhecimento. Deste modo, é possível criar sinergias entre o empreendedorismo, o acesso ao emprego e o desenvolvimento económico e a procura de novos serviços e produtos a pensar no cidadão sénior.
Assim, os projetos, multidisciplinares, procuram dar resposta a um conjunto de grupos de ação, resultantes de um desafio lançado pela Europa, com o objetivo de “encontrar parceiros comprometidos em desenvolver boas práticas e, neste processo promover Regiões Europeias de Referência”. Adesão à terapêutica; prevenção de quedas; prevenção da fragilidade; cuidados integrados e monitorização remota de saúde; e serviços amigos do idoso são, então, os cinco grandes grupos de ação do Ageing@Coimbra.
Atualmente, a vasta equipa, especializada em distintas áreas do saber, integra diferentes projetos no âmbito da “polimedicação, prevenção da fragilidade e das quedas e cuidados integrados”. João Malva refere, no contexto da polimedicação, a importância de uma maior atenção a idosos isolados ou com problemas de memória, que perdem o controlo sobre a sua medicação. Deve promover-se uma interação mais ativa entre especialidades, de modo a que os pacientes não acumulem quantidades desnecessárias, e prejudiciais de medicamentos. Por outro lado, é fundamental promover a adesão à terapêutica, assegurando o respeito pelas indicações dos profissionais de saúde.
Importa ainda salientar os dois projetos bandeira em desenvolvimento no Ageing@Coimbra e que se complementam entre si: “a criação de um Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento, que valoriza o conhecimento sobre o envelhecimento”. Porque o acesso a um saber aprofundado relativo a esta temática permite uma maior qualidade e adequação das soluções a desenvolver. Perspetivando ainda este espaço como parte integrante numa cidade amiga do idoso, o consórcio pretende ainda transformar parte das cidades em campo da vida, onde os “cidadãos mais idosos se sentem plenamente integrados, com aprendizagem ao longo da vida, participação na criação e desenvolvimento de produtos juntamente com jovens empreendedores, cuidados médicos personalizados e apoio social integrado com a saúde”.
Deste modo, e com base no seu desempenho de excelência e desenvolvimento de projetos fundamentais para a sociedade, o Ageing@Coimbra pretende continuar a crescer e a fomentar novas parcerias que promovam o progresso nesta área.
O futuro continuará a passar por “replicar as boas práticas que se geram, para que mais cidadãos pela Europa possam usufruir destas, com os objetivos de viver melhor, de forma independente e ativa durante mais tempo”. E, como consequência deste aspeto, “elevar o potencial económico dos produtos e serviços baseados em conhecimento avançado, criando uma nova geração de empreendedores”.

Coimbra, Região Europeia de Referência para o Envelhecimento Ativo e Saudável

Coimbra é considerada pela Europa Região Europeia de Referência para o Envelhecimento Ativo e Saudável, baseando o seu percurso num desenvolvimento de projetos e soluções. Questionado sobre os motivos que levam esta zona do país a ser considerada e respeitada pela Europa, João Malva não hesita em responder. “A Região Centro tem várias particularidades interessantes e talvez por isso a Comissão Europeia tenha olhado com tanta atenção para o AGEING@COIMBRA”. A diversidade populacional e ambiental são aqui fatores de destaque, nomeadamente “o equilíbrio demográfico no litoral associado à assimetria no contexto rural”, “a heterogeneidade em termos de ambientes físicos, desde planícies a zonas montanhosas”. E todo este contexto “cria vários laboratórios vivos que permitem aos jovens inovadores encontrar soluções para aqueles ambientes que são facilmente replicáveis noutras regiões da Europa”.
Por outro lado, não podemos deixar de mencionar o papel da Universidade, as incubadoras e centros tecnológicos, as unidades de investigação, entre outras entidades de máximo relevo nesta área que se inserem na zona Centro de Portugal.

“Para que haja envelhecimento ativo e saudável, é necessário aumentar o conhecimento sobre o mesmo”

Maria Vaz Patto

O envelhecimento é uma preocupação crescente da nossa sociedade e torna-se premente promover a investigação, de modo a melhor compreender os desafios desta faixa etária. A FCS-UBI tem vindo a desenvolver um excelente trabalho neste âmbito, através de distintos projetos. Como define a postura da instituição neste contexto?
A FCS-UBI tem um interesse profundo na investigação e no acompanhamento do envelhecimento, quer pelo seu papel na educação dos futuros médicos, quer pela sua consciencialização da necessidade de promover um envelhecimento ativo e saudável.

Luis Taborda Barata, Presidente desta faculdade, afirmou em 2014: “a nossa visão é: que não seja a faculdade, que não seja o hospital, que não seja a câmara, que não seja o lar a fazer ou a tomar medidas isoladas, mas todo o tecido social”. De que modo a faculdade tem contribuído para este envolvimento entre os diferentes atores que visam responder às questões relacionadas com o envelhecimento?
A FCS tem contribuído para esse envolvimento através de projetos com parceiros variados. Inserida numa região demograficamente muito envelhecida, teve, em termos de ensino, a preocupação de fornecer aos seus alunos conhecimentos na área da Geriatria, tendo sido, em 2001, o primeiro curso de Medicina em Portugal a inserir o Módulo de Geriatria obrigatório no seu currículo. Posteriormente, através do mestrado em Gerontologia, forneceu formação pós-graduada a médicos e a outros profissionais de saúde e de outras áreas de conhecimento, permitindo, assim, a capacitação de recursos humanos numa área carente de profissionais qualificados para melhoria da qualidade de vida do idoso. Finalmente, alguns cursos de formação curta, em aspetos distintos de cuidados ligados ao envelhecimento, irão ter início em breve.
Em termos de investigação e de intervenção na comunidade, foram já iniciados ou estão em fase de pré-implementação vários projetos integrados, focando aspetos de envelhecimento ativo e patológico, envolvendo outros parceiros, nomeadamente outras faculdades da UBI, autarquias, residências sénior, farmácias, Institutos Politécnicos e unidades de saúde.

Que projetos têm atualmente em prática no sentido de melhorar a qualidade de vida do idoso e permitir-lhe um envelhecimento mais ativo e saudável?
Para que haja envelhecimento ativo e saudável, é necessário aumentar o conhecimento sobre o mesmo. Assim, na FCS, a formação tem estado a estender-se a várias classes profissionais, bem como ao próprio idoso e seus cuidadores. Temos um projeto de “Educação para a saúde”, dirigido a idosos, em parceria com residências sénior, com grande sucesso. Pretendemos continuar a melhorar essa oferta e, através de parcerias já estabelecidas, alargá-la e dirigi-la para os interesses do idoso e das instituições que o acolhem. Também temos projetos com coortes de idosos, para telemonitorização e farmacovigilância. Um outro projeto envolve alunos de Medicina a acompanhar regularmente idosos durante cerca de 2 anos.

O Laboratório de Neurofisiologia Clínica da FCS tem sido determinante no campo da investigação, nomeadamente no contexto de patologias neurológicas, como a Demência, a Doença de Parkinson ou o Acidente Vascular Cerebral. De que forma podemos associar estas doenças ao envelhecimento e, assim, preveni-las junto dos idosos?
A senescência e as suas alterações fisiológicas e fisiopatológicas aumentam a predisposição para este tipo de patologias. O Laboratório de Neurofisiologia Clínica da FCS tem-se dedicado ao estudo destas alterações e à influência de medidas de prevenção, mas também tem tido a preocupação de inserir os resultados obtidos nas reuniões que temos com idosos, o que lhes permite ter uma ideia acerca da sua saúde e discutir medidas de prevenção.
Há que ressaltar as atividades práticas das associações de alunos da faculdade junto da população idosa da região e que frequentemente dizem respeito à prevenção daquelas patologias.
Finalmente, várias ações surgem através de colegas de Medicina Geral e Familiar docentes da FCS, que também estão envolvidos em projetos de investigação e intervenção comunitária, o que permite uma ação muito mais concreta sobre a população mais idosa e uma melhoria marcada nos cuidados a oferecer.

Os vossos projetos têm mostrado resultados que podem ter aplicações diretas no âmbito clínico. De que benefícios concretos estamos a falar para os doentes inseridos nesta faixa etária?
A melhoria na qualidade de cuidados de saúde geriátricos, na aplicação da terapêutica, nomeadamente novas abordagens, e no acesso a cuidados preventivos. Também o acesso a diagnósticos e tratamentos mais diferenciados e que, pela presença da FCS, se tornaram muito mais acessíveis. Por exemplo, no próprio Laboratório de Neurofisiologia Clínica ou no recentemente inaugurado Centro Clínico e Experimental em Ciências da Visão, da FCS, ou mesmo através da UBIMedical.

A abrangência das áreas de investigação do Laboratório de Neurofisiologia Clínica permite uma colaboração estreita entre profissionais, nacionais e internacionais, ligados a diferentes áreas que não apenas a medicina. Esta partilha de conhecimentos tem sido importante para o progresso das vossas investigações?
A colaboração multidisciplinar e multiprofissional é fundamental e desenvolvemo-la através de interações com médicos, outros profissionais de saúde, engenheiros e professores de educação física, entre outros. Atualmente, temos connosco uma nutricionista doutorada brasileira, estudante de pós-doutoramento e temos sido visitados por alunos de várias universidades (México, Holanda, Venezuela), através de convénios. Assim, os projetos que estamos a desenvolver baseiam-se em equipas multidisciplinares e internacionais, cujas experiências diferentes contribuem para enriquecer as nossas abordagens.

O envelhecimento continuará a ser parte dos desafios sociais do futuro? Qual será o papel da FCS-UBI neste âmbito?
A seguir as linhas demográficas recentes, vai chegar uma altura em que vamos estudar o “caso raro do adulto jovem”, já que a maioria de nós será idoso! As mudanças sociais e políticas que este envelhecimento gradual da população vai trazer são enormes. Assim, o papel das instituições de ensino superior como a FCS, interessadas em estudar e avaliar os vários aspetos ligados ao envelhecimento, é muito importante. A FCS quer continuar a aprofundar a sua intervenção e inovação na investigação, formação, monitorização, prevenção e outros aspetos do envelhecimento, nomeadamente através do aumento das suas colaborações nacionais e internacionais. Em termos de envelhecimento, o futuro vai ser seguramente interessante.

Um espaço pensado para as carências dos mais idosos

Em entrevista à Revista Pontos de Vista, Margarida Faria, diretora da instituição, revela as potencialidades da residência que elevam a Casa dos Pais ao patamar de excelência.
Localizada numa zona privilegiada da cidade do Porto, na Avenida da Boavista, a Casa dos Pais traduz-se num projeto de saúde assente na sublimidade de serviço, na promoção do bem estar e no conforto, tendo como missão responder com adequação e humanidade às atuais necessidades da população sénior.
Há cerca de oito anos no mercado e com um excelente ambiente a residência apresenta-se como mais um elemento da família, atuando com elevados padrões de exigência, rigor e profissionalismo e respeitando sempre cada utente como um ser único e especial.

Margarida Faria
Margarida Faria

De maneira a contribuir para a comodidade dos utentes a Casa dos Pais tem um vasto número de serviços que englobam o apoio nas atividades da vida diária e nas tarefas quotidianas mais comuns, tais como alojamento; refeições; companhia; cuidados básicos e de higiene pessoal; gestão de medicação; serviço de apoio domiciliário com o qual asseguram os cuidados básicos e higiene pessoal, a manutenção dos espaços, bem como os serviços de enfermagem e as consultas médicas; centro de dia; ginástica e manutenção; acompanhamento a compromissos; serviço religioso; biblioteca; cinema; espetáculos e eventos e acompanhamento em hospitalizações, internamentos e consultas “este último serviço diferencia-nos das outras unidades deste género, pois fazemos um acompanhamento integral desde os acompanhamentos hospitalares diários aos de emergência e se houver um internamento estamos presentes todos os dias para acompanhar, articular os serviços, ver o desenvolvimento da situação clínica do utente e prestar todo o apoio necessário, sem que exista um valor extra do tabelado”, explica Margarida Faria.
No que concerne ao serviço de alojamento têm capacidade para acolher 25 utentes, procurando proporcionar-lhes um ambiente saudável, de convívio e de participação, gerador de bem estar pessoal e social.
Dotada de uma equipa profundamente qualificada, multidisciplinar, jovem e dinâmica com cuidados médicos e de enfermagem contínuos, para reabilitação e recuperação, a Casa dos Pais garante uma relação de confiança com os seus utentes e coloca como prioridade a disponibilização dos cuidados adequados. Assim sendo, e a pensar no conforto dos seus utentes a residência disponibiliza ainda, fisioterapeutas, auxiliares de geriatria, terapeutas ocupacionais, psicomotricistas, animador sociocultural, cabeleireiro e podologista.

Envelhecimento ativo

No sentido de proporcionar uma melhor qualidade de vida aos seus utentes a Casa dos Pais, diariamente, realiza as mais diversas atividades na promoção de um envelhecimento ativo, sejam estas intelectuais como físicas “com a ajuda da nossa fisioterapeuta e animadora sociocultural incentivamos os nossos seniores para a prática de trabalho físico, e também estimulamos a parte cognitiva através de jogos, trabalhos manuais como os enfeites das festividades que marcam o calendário, realizamos atividades de interesse cultural e lúdica, como pinturas, recitação de prosa e poesia, música, entre outros”.
“No que diz respeito à autonomia apoiamos que os utentes continuem, dentro do possível, a fazer as mesmas atividades que faziam antes de virem para a residência. Até mesmo no que toca a irem ao médico de família de toda a vida e ao cabeleireiro, evidente que envolve um maior esforço, mas de facto achamos, até ao momento, que o devemos continuar a fazer, até porque é uma forma de os nossos seniores manterem os laços de toda a vida passada em todas as vertentes”, esclarece a diretora.

Projetos e futuro da instituição

Atualmente a Casa dos Pais tem um projeto para construção de uma nova unidade, na mesma área de residência, com uma capacidade bastante maior do número de camas, ficando com capacidade para acolher cerca de 80 a 100 utentes. A inauguração está prevista para 2017/2018.

Em prol do bem-estar do idoso ou dependente

Pedro Leite Antunes e Adelaide Antunes

Há cerca de oito anos e já com algum know-how na área Pedro Leite Antunes decidiu associar-se à mãe, Adelaide Antunes, e lançar no mercado uma empresa dedicada aos cuidados domiciliários. “Inicialmente, fizemo-lo com recurso a uma marca de raiz norte americana que na altura estava representada em Portugal, o que nos proporcionou um nível de organização mais capaz”, explica Pedro Leite Antunes, CEO da empresa.
A dada altura a marca saiu do país e, nesse momento, decidiram lançar a própria marca – Culsen® – associada a uma área de negócio que a família já possuía relativa à venda de tecnologias de apoio, ou seja os vários materiais que auxiliam o tipo de serviço que prestam.
A empresa tem como missão influenciar positiva e significativamente o bem-estar dos idosos, adultos dependentes e as suas famílias, através da prestação de todo o apoio necessário para que estes possam permanecer nas próprias casas com o máximo de segurança e conforto.
A Culsen® especializou-se na prestação de cuidados essencialmente não-clínicos abrangentes e de confiança, que englobam o apoio nas atividades da vida diária e nas tarefas quotidianas mais comuns, tais como companhia, cuidados básicos e de higiene pessoal, preparação das refeições, gestão da medicação, apoio noturno, compras, recados e assistência em saídas, cuidados domésticos, entre outros serviços especializados.
Com uma equipa de cuidadores com cerca de 30 profissionais, composta essencialmente por agentes de geriatria e auxiliares de ação médica, a empresa presta apoio a mais de 25 famílias. Tendo já apoiado centenas de clientes.
A desenvolver a sua atividade em todo o Grande Porto os serviços de cuidados domiciliários da Culsen® podem ser continuados ou temporários “o nosso espectro de serviços é bastante alargado, podem ir de uma simples visita de poucas horas, quando se trata apenas de cuidados básicos e de higiene pessoal, até às 24 horas, nos sete dias da semana”.
Além dos cuidados básicos, “é preocupação da Culsen® combater a solidão e promover a estimulação global dos nossos clientes idosos ou dependentes”, afirma Pedro Leite Antunes.

Papel que a Culsen® assume na sociedade

“Procuramos ter uma abordagem por duas vias. Por um lado, no que respeita à prestação de cuidados enquanto atividade económica, profissionalizar o mais possível a atividade. Para isso responsabilizamos muito os nossos cuidadores, pois também nós assumimos uma enorme responsabilidade junto dos nossos clientes, e focamo-nos em gerir os cuidados com o maior profissionalismo, com uma supervisão atenta e um acompanhamento próximo. Deste modo, a nossa comunidade estará mais consciente e confiante de que estes cuidados podem e devem ser prestados por entidades organizadas.
Uma outra perspetiva é a de conseguirmos influenciar significativamente o bem-estar dos seniores, permitindo-lhes que permaneçam em casa no espaço que lhes é familiar e mostrar à sociedade que muitas vezes não é necessário recorrer a instituições com internamento para que o idoso esteja bem, acompanhado e em segurança.

Projetos

No que se refere a 2016 pretendem aumentar a equipa interna (serviços de apoio técnico e administrativos) em dois elementos e a equipa externa em cerca de 60 por cento, o que permitirá consolidar a marca, dar continuidade à melhoria de processos internos e reforço do posicionamento da empresa na sociedade.
Num futuro próximo crescer no que respeita à presença física, alargando o âmbito de atuação para outros territórios além do Grande Porto.

EMPRESAS