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Após denúncia de assédio de capitão corre risco de prisão

Uma cabo espanhola, identificada com as iniciais A.I.L.T., denunciou o seu capitão por assédio sexual e laboral. No entanto, a sua denúncia foi considerada infundada pelo Tribunal Supremo, que resolveu absolver o capitão. Isto apesar de dois relatórios médicos terem suportado a acusação da militar.

Num dos casos, um psiquiatra considerou a “atuação inapropriada do capitão” o motivo para o transtorno psicológico sofrido pela cabo. Outro relatório do Hospital Central da Defesa afirma que os sintomas da cabo “podem ser compatíveis com uma situação de assédio”.

Mas face à decisão do Supremo, o exército pretende punir a cabo por “declarações falsas”, como refere o El País. A sanção máxima prevista pelo exército nestes casos é de um mês de prisão, e é esse castigo que enfrenta agora a cabo.

A militar afirma que o capitão lhe disse um dia que “gostava de ficar” com ela, colocando-lhe a mão na cintura. A cabo afastou-o e explicou-lhe que já tinha um companheiro e que pretendia apenas manter uma relação profissional com ele.

Mas os avanços do capitão continuaram e o assédio foi constante. O capitão começou a negar-lhe licenças e castigava-a. A militar começou a sofrer de depressão e considera ainda que isso lhe provocou um aborto quando estava grávida de cinco meses.

Exposição de Fernando Pessoa inaugurada em Espanha na próxima semana

“Esta exposição vai apresentar toda uma série de documentos, imagens e conceitos relacionados com a figura de Fernando Pessoa”, disse João Fernandes, entrevistado pela agência Lusa, uma semana antes da inauguração da exposição ‘Pessoa. Toda a arte é uma forma de literatura’.

Partindo da obra literária do poeta e escritor português Fernando Pessoa, a exposição vai reunir, de 07 de fevereiro até 07 de maio deste ano, várias obras de artistas portugueses, relacionadas com as principais correntes estéticas de Portugal desde os inícios do século XX até 1935.

Trata-se de “um conjunto vasto de obras obtidas graças à coprodução” com a Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, onde se encontra a história do Modernismo em Portugal, e “vão ser apresentados nomes fundamentais […], assim como as suas ligações internacionais”, sublinhou João Fernandes.

Com curadoria da historiadora de arte Ana Ara e de João Fernandes, que antes de chegar a Madrid em 2012 foi diretor do Museu de Serralves, no Porto, a mostra vai ter uma seleção de obras de José de Almada Negreiros, Amadeo de Souza-Cardoso, Eduardo Viana, Sarah Affonso e Júlio, entre outros, todos relacionados com as principais correntes estéticas portuguesas da primeira parte do século XX.

Para João Fernandes, “esta vanguarda portuguesa, que é de certa forma protagonizada por Fernando Pessoa”, é “extremamente interessante de apresentar e de interrogar”.

Segundo o Museu Rainha Sofia, o objetivo da mostra é o de estabelecer uma perspetiva das principais correntes estéticas portuguesas até 1935, ano da morte de Pessoa, e do modo como a obra do poeta foi determinante para a particularização das expressões portuguesas da época.

“É uma outra forma de contar uma história da arte a partir de uma vanguarda periférica como a portuguesa que em Espanha é muito pouco conhecida”, resumiu o subdiretor do museu madrileno.

Para João Fernandes, a exposição vai significar “uma grande revelação de todo este contexto da arte de vanguarda portuguesa”, e vai servir para “nos interrogarmos sobre o que foi a relação entre centro e a periferia, no princípio do século XX na definição das novas linguagens artísticas”.

“Fernando Pessoa contrapõe conceitos seus, vanguardas suas, a que dá o nome de Intersecionismo ou Sensacionismo, aos modelos dominantes que chegavam de Paris, como o Cubismo ou o Futurismo”, explica o curador da mostra.

A mostra aborda o Paulismo, o Interseccionismo e o Sensacionismo, termos empregados pelo poeta, e que representam o eixo central da modernidade portuguesa, para articular um relato visual da arte nacional através do trabalho de vários artistas.

Segundo a página de apresentação da exposição na internet, algumas destas obras refletem “um gosto pelo popular e pela idiossincrasia lusa, tão presente na obra dos artistas portugueses” que viajaram a Paris, como na dos artistas estrangeiros que passaram por terras portuguesas, como é o caso do casal Sonia e Robert Delaunay.

A mostra dedica também uma atenção particular às revistas publicadas durante aquele período, como A Águia, Orpheu, K4 O Quadrado Azul, Portugal Futurista e Presença, em que foram publicados alguns textos de Fernando Pessoa, e que serviram como “caixa-de-ressonância” para estas ideias vanguardistas, exercendo uma grande influência estética e ideológica na intelectualidade portuguesa da primeira metade do século XX.

Para João Fernandes, ter mudado para Madrid, em 2012, significou passar a trabalhar “num conceito histórico mais amplo” do que aquele em que trabalhava em Serralves.

Enquanto em Serralves fazia uma interpretação da história da arte a partir dos anos 60 do século passado, no Rainha Sofia há “uma narrativa sobre a história da arte” que começa em finais do século XIX, possibilitando “contar uma relação entre a arte e a história, de uma forma mais ampla ao nível cronológico”.

“Neste momento penso apenas em continuar o projeto no qual estou”, disse João Fernandes que deverá continuar na equipa da atual direção do museu, liderada por Manuel Borja Villel, que acaba de renovar por mais cinco anos o contrato que tem com o Ministério da Cultura de Espanha.

O Museu Rainha Sofia é o mais visitado de Espanha e um dos mais visitados em todo o Mundo, com mais de 3,6 milhões de entradas em 2016.

LUSA

Portugal e Espanha devem coordenar esforços para uso sustentável da água

A recomendação consta no relatório, hoje divulgado, “Áreas-chave da biodiversidade de água doce na sub-região do noroeste do Mediterrâneo” e tem como um dos enfoques os recursos ribeirinhos transfronteiriços de Portugal e Espanha, como os rios Douro e Tejo.

A organização (IUCN, na sigla em inglês) recomenda que Portugal e Espanha apliquem na íntegra os princípios da Diretiva-Quadro da Água da União Europeia e a Convenção das Nações Unidas para a Utilização dos Cursos de Água Internacionais.

De acordo com o relatório, Portugal tem mais de 30 espécies em áreas consideradas chave em termos de biodiversidade de água doce, e que incluem peixes, plantas, insetos e moluscos, a maioria ameaçados.

Estas áreas, que não são transfronteiriças, estendem-se, nomeadamente, pelos rios Arade, Mira, Sado, Vouga, Alcabrichel, Sizandro e Safarujo.

Uma das espécies, endémica de Portugal, é o ruivaco-do-oeste, que vive nos rios Alcabrichel, Sizandro e Safarujo e a evoluir para o estado de “em perigo” ou “criticamente em perigo”, devido à poluição doméstica e agrícola, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza.

Outra espécie nesta condição é o molusco com o nome científico “Belgrandia alcoaensis”, do rio Alcoa, que nasce no concelho de Alcobaça.

Portugal e Espanha juntos têm mais de 80 espécies ameaçadas de peixes, moluscos, insetos e plantas em “áreas-chave de biodiversidade de água doce”, banhadas pelos rios transfronteiriços do Douro, Tejo, Guadiana e Minho.

“Áreas-chave de biodiversidade de água doce” são, por definição, locais importantes para a manutenção global da biodiversidade de espécies e ecossistemas, neste caso na sub-região do noroeste do Mediterrâneo.

O relatório da União Internacional para a Conservação da Natureza apresenta ainda resultados para França, Itália e Malta.

A lista das principais ameaças às espécies de água doce na sub-região analisada inclui barragens e captações de água para irrigação e consumo humano, espécies exóticas e poluição doméstica e agrícola.

A União Internacional para a Conservação da Natureza avisa que o aumento da seca no sul da Europa, causado pelas alterações climáticas, levará nos próximos dez anos a uma diminuição da população de uma espécie de libelinha nativa de Portugal, Espanha e França, a “Macromia splendens”.

Portugal faz parte da União Internacional para a Conservação da Natureza através do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, da Associação de Defesa do Património de Mértola, do Fundo para a Proteção dos Animais Selvagens, da Quercus e da Liga para a Proteção da Natureza.

A IUCN integra organizações governamentais e não-governamentais de mais de 170 países em defesa da conservação da natureza.

LUSA

Espanha assina acordo para aumento do salário mínimo para 850 euros em 2020

No Palácio da Moncloa, Mariano Rajoy e a ministra do Emprego, Fátima Báñez, assinaram um acordo com os secretários-gerais da CCOO – Confederação Sindical das Comissões Operárias e a UGT – União Geral dos Trabalhadores, Unai Sordo e Pepe Álvarez, respetivamente, e os presidentes de CEOE – Confederação Espanhola das Organizações Empresariais, Juan Rosell e Cepyme – Confederação Espanhola das Pequenas e Médias Empresas, Antonio Garamendi.

Para 2018, o SMI subirá 4% até aos 735,9 euros, em 14 pagamentos, e nos restantes anos aumentará até 850 euros, em 2020.

LUSA

Bloco independentista ganha eleições na Catalunha

O líder do Junts per Catalunya e ex-presidente do governo catalão Carles Puigdemont (34 deputados) disse que as eleições resultaram numa “maioria de votos e de deputados eleitos que pede um novo referendo” secessionista.

Falando em Bruxelas, onde está fugido à justiça espanhola que o acusa de sedição, rebelião e peculato, Puigdemont disse que “a república catalã ganhou à monarquia do 155”, numa referência ao artigo da Constituição espanhola que permite a suspensão das autonomias regionais e que foi ativado por Madrid depois de o seu governo ter feito uma Declaração Unilateral de Independência.

Nas eleições, os partidos independentistas obtiveram 70 dos 135 lugares do parlamento, um número que sobe para 78 lugares se forem contabilizados os defensores de um novo referendo legal (partidos independentistas mais CatComú-Podem).

No entanto, o partido vencedor das eleições foi o Cidadãos mas a cabeça de lista, Inés Arrimadas, admitiu que não poderá ser chefe do governo regional, considerando a “lei injusta” que “dá mais lugares a quem tem menos votos” na rua.

“Apostámos na união dos catalães, votámos a favor a convivência, de uma Catalunha para todos os catalães. A maioria sente-se catalã, espanhola, europeia e vai continuar a sê-lo”, disse Inés Arrimadas, que conseguiu 37 deputados.

O principal derrotado foi o PP da Catalunha (PPC) que obteve apenas três lugares, um resultado negativo histórico, admitiu Xavier García Albiol, cabeça de lista do partido, que se mostrou preocupado com o futuro da região: “Vemos com muita preocupação um futuro social e económico para Catalunha com uma possível maioria independentista”.

O terceiro partido mais votado, a Esquerda Republicana Catalã (ERC, 32 deputados), elogiou a participação democrática, num momento em que o seu líder e antigo vice-presidente da Generalitat, Oriol Junqueras, está preso pelas autoridades espanholas.

A número dois da ERC, Marta Rovira, afirmou que os catalães votaram “república” e concedeu a vitória ao Junts per Catalunya.

No entanto, “os resultados dizem-nos que existe uma soma independentista e republicana, e que voltámos a ganhar as eleições apesar da ofensiva policial, judicial e da imprensa e ainda apesar de meio governo estar na prisão e a outra metade no exílio”, salientou Rovira.

Os socialistas (17 lugares) também ficaram aquém do esperado e pediram aos independentistas que abandonassem a “via ilegal” do secessionismo.

O CatComu-Podem (que representa o Podemos, esquerda, na região) perdeu também três lugares, passando a ter apenas oito assentos.

A formação política é favorável à manutenção da unidade espanhola mas defende o direito dos catalães a terem um referendo legal e constitucional, colocando-se numa posição única no cenário político-partidário da região.

Por seu turno, a independentista Candidatura de Unidade Popular (CUP, extrema-esquerda que teve quatro eleitos) afirmou que houve uma “maioria republicana” e que, entre os independentistas, a esquerda (CUP e ERC) tem mais deputados que a direita (Junts per Catalunya).

Nas ruas, não foi sentida a festa até porque muitos independentistas insistiram que estas foram eleições impostas por Madrid e só os apoiantes do Cidadãos fizeram a festa nalgumas artérias da capital catalão.

Já na sede do Junts per Catalunya, os dirigentes da formação estavam mais eufóricos. Na rede de mensagens Twitter, o antigo conselheiro da Generalitat Jordi Turull enviou uma mensagem à vice-presidente do governo de Madrid, Soraya Sáenz de Santamaría: “Olá Soraya, o governo de Puigdemont ganhou e as urnas decapitaram o Partido Popular”.

LUSA

Começou processo eleitoral na Catalunha

Para as eleições regionais estão abertas 8.247 assembleias de voto, mais 935 do que nas eleições anteriores, realizadas em setembro de 2015.

Um total de 5.885 assembleias de voto localiza-se em Barcelona, 825 em Girona, 534 em Lleida e 1.003 na província de Tarragona.

As urnas vão ficar abertas até às 20:00 (19:00 em Lisboa).

Um total de 5.554.394 de eleitores, mais 0,79% do que nas eleições de 2015, tem direito a voto nas eleições, que vão eleger os 135 deputados que constituem o parlamento catalão e que determinam a escolha do presidente da região autónoma.

As eleições foram convocadas pelo chefe do Governo espanhol, Mariano Rajoy, em 27 de outubro passado, no mesmo dia em que decidiu dissolver o parlamento da Catalunha e destituir o executivo regional.

LUSA

Puigdemont encerra campanha catalã através de videoconferência a pedir voto útil

“Se sou investido presidente entrarei no Palau da Generalitat [palácio do executivo catalão] acompanhado de todo o governo legítimo”, assegurou Puigdemont numa intervenção que marcou o final da campanha oficial da lista “Juntos pela Catalunha” para as eleições regionais que vão ter lugar na quinta-feira.

A intervenção em direto, apresentada como um megacomício de encerramento da campanha da lista “Juntos pela Catalunha”, foi transmitida para cerca de 100 espaços públicos na comunidade autónoma.

O comício central na praça da Virreina, não muito longe do centro de Barcelona, teve várias centenas de pessoas, a aplaudir de forma entusiástica as partes mais importantes do discurso de Puigdemont que durou 20 minutos.

Joan, um simpatizante da lista independentista, explica à agência Lusa que estas intervenções por videoconferência acabam por mobilizar poucas pessoas, visto que muitos ficam em casa e assistem à intervenção pela Internet.

Joan lamenta que o partido ERC (Esquerda Republicana da Catalunha, socialistas), que nas eleições anteriores de 2015 esteve coligado com Partido Democrata Europeu Catalão (PDeCAT) de Puigdemont, tenha decidido concorrer separadamente.

“Eles estão convencidos de que podem ser o partido mais votado, mas eu acho que se enganam”, considera Joan.

No entanto, as sondagens indicam que a ERC e o Cidadãos (constitucionalista, direita liberal) estão à frente na intenção de votos dos catalães, com cerca de 23 a 25% dos votos.

Mais atrás estão o “Juntos pela Catalunha” e o PSC (Partido Socialista Catalão, associado ao PSOE), na casa dos 15 a 20% dos votos.

Um outro apoiante, Henrique, manifestou à Lusa o seu grande desencanto com os Estados-membros da União Europeia, que não apoiaram até agora a luta “legítima” pela criação de uma República na Catalunha, independente de Espanha.

Na fila da frente do comício, como em todos os que têm sido organizados nesta campanha, há várias cadeiras vazias, com o nome de Puigdemont e outros candidatos que o acompanham no seu refúgio belga ou que estão presos preventivamente numa prisão dos arredores de Madrid por suspeitas de delitos de rebelião, sedição e peculato.

O “Juntos pela Catalunha” (“Junts pel Catalunya”, na língua catalã) é uma aposta pessoal de Carles Puigdemont que inclui nomes do seu Partido Democrata Europeu Catalão (PDeCAT) e independentes.

O número dois dessa lista é o ex-presidente do movimento cívico independentista Assembleia Nacional Catalã (ANC), Jordi Sánchez, preso desde 16 de outubro por suspeitas de crime de sedição no quadro do processo de independência da Catalunha.

O Conselho Nacional do PDeCAT deu carta-branca à direção do partido e a Carles Puigdemont para prepararem a lista que considerarem mais adequada para concorrer às eleições regionais e que pretendiam que fosse mais abrangente e penetrasse noutros setores independentistas da Catalunha.

A proposta foi feita depois de os partidos independentistas não terem conseguido chegar a acordo sobre a apresentação de uma lista comum, como em 2015.

Nas eleições regionais anteriores, a Convergência Democrática da Catalunha (CDC e agora PDeCAT) formou uma coligação com a Esquerda Republicana Catalã (ERC) com o nome de “Juntos pelo Sim”, com o objetivo de declarar a independência da região.

A antiga CDC foi até 2010 a maior força política na Catalunha, mas depois dessa data tem perdido força, ao mesmo tempo que a ERC ia crescendo em importância.

As eleições de quinta-feira foram convocadas pelo chefe do Governo espanhol, Mariano Rajoy, no final de outubro, no mesmo dia em que decidiu dissolver o parlamento da Catalunha e destituir o executivo regional presidido por Carles Puigdemont.

Os partidos separatistas ganharam as eleições regionais em 2015, o que lhes permitiu formar um governo que organizou um referendo de autodeterminação em 1 de outubro último que foi considerado ilegal pelo Estado espanhol.

LUSA

Da Península Ibérica para o mundo

Portugal tem no país vizinho o seu mercado natural de expansão. E no mundo global de hoje, o sucesso empresarial implica a expansão. Portugal está a aproveitar devidamente o potencial desta parceria com o país vizinho?

As empresas portuguesas têm feito um grande esforço para se internacionalizar e para aumentar o seu volume de vendas ao exterior. A relação com Espanha tem sido muito importante e, mesmo no período de maior crise económica nos dois países o comércio bilateral não parou de crescer. Numa análise circunscrita ao nível comercial só encontramos motivos para estar satisfeitos. Conclusão diferente tiraremos se analisarmos a dinâmica das relações de comunicação dentro das empresas. Essas não estão tão fluídas  e constatam-se muitas deficiências:

Tais como…

Em primeiro lugar houve uma efetiva deslocalização dos chamados centros de decisão para Madrid nas principais empresas da chamada “primeira linha” internacional e isso, se não é bem gerido, pouco a pouco, vai causando situações de conflito. Depois há um efetivo problema de comunicação: as pessoas muitas das vezes não se entendem. E não é um problema de idioma; é um problema de abertura à multiculturalidade. A globalização exige essa abertura. Quem não entender isso, não a entende nem pode participar no desafio.

Mas entre Portugal e Espanha o problema deve ser colocado?

Claro que sim. Ao nível das Empresas; ao nível dos Governos; mas sobretudo ao nível das Pessoas. É a partir de cada um que começa a transformação. Veja por exemplo um caso ao nível político: qual o interlocutor em Portugal de um Presidente do Governo de uma Região Autónoma de Espanha? Ou vice-versa?… Portugal e Espanha, no geral, conhecem-se mal. Veja por exemplo o tema da última Cimeira de Governos: as relações transfronteiriças. Acha que neste momento há problemas para os Governos resolverem no âmbito das relações transfronteiriças?…

E qual a solução? Olhando para esse panorama atual, que papel a Fundação Luso-Espanhola tem procurado assumir?

A Fundação surgiu há 18 anos para definir um modelo de aproximação equilibrado entre os dois países. E definindo esse modelo de aproximação – que passa muito pela interdependência económica – trazer ao diálogo um elemento novo: a definição de um rumo comum. Durante muito tempo preocupámo-nos em detectar obstáculos à integração, em denunciá-los e sobretudo, em propor soluções que visassem a competitividade empresarial nos dois espaços económicos. Tivemos um primeiro lema “Dois países, um Mercado virado para a Competitividade Internacional”. Depois fomos mais longe, colocámos na discussão também o tema da Inovação como forma estimular aquela competitividade. Como os resultados foram aparecendo ao nível “macro” começamos a “fazer um zoom” e começamos a trabalhar nas Autonomias de Espanha, com algumas regiões de Portugal. E aplicamos aí os nossos conceitos. Hoje estamos a começar a trabalhar ao nível das empresas das mesmas Comunidades Autónomas e Regiões. É um trabalho que exige um grande esforço para as nossas capacidades. Até porque Espanha é muito grande (risos). Mas não deixámos nunca de nos assumirmos como Instituição Portuguesa de vocação ibérica. E isso sempre foi muito respeitado.

Que retrato é possível fazer do mercado ibérico?

Dizia o Prof. Ernâni Lopes, nosso primeiro Presidente, que somos dois países irmãos. E que é por sermos irmãos que não dormimos na mesma cama. Esta imagem creio que diz tudo.

Mas há um efetivo “mercado ibérico”?

Há. Um mercado totalmente interdependente. A questão que coloco e que ninguém me sabe responder é a de saber como é que chegámos até aqui? Quem é que construiu a boa situação que estamos a viver?…

A UE?…

Sim. Foi importante. Passámos a partilhar soberania nas áreas económicas.

Então na sua opinião quem foi o motor?

Foram as pessoas. Os empresários que arriscaram entrar. Os Bancos que ousaram atravessar a fronteira e abrir caminho às empresas. No fundo todos aqueles que, no dia a dia, não sucumbiram perante as dificuldades de um processo de internacionalização. Porque – diga-se o que se disser – entrar em Espanha (ou de Espanha em Portugal) supõe uma decisão e um processo de internacionalização. Pressupõe investimento e dedicação e a tal abertura à multiculturalidade que falávamos atrás. Vou dar-lhe um exemplo: em Portugal fala-se muito de “parcerias”. Eu nunca entendi esse conceito: ou se vai ou não se vai. Não conheço nenhum caso de sucesso ao nível dessas “parcerias”. Parece-me sempre que são uma forma de parecermos aquilo que não somos. Nestas coisas há que avançar, arriscar e lutar. Claro que com cabeça, prudência, paciência e trabalho. E é por isso que lhe disse acima que o motor da boa relação está nas pessoas.

(Pausa)

Já agora há um outro ponto que eu queria sublinhar: o papel das Embaixadas. Temos tido nos últimos tempos, quer em Espanha, quer na Embaixada de Espanha em Lisboa, excelentes Embaixadores e excelentes equipas de trabalho. Aliás a imagem de eficácia e solidez da diplomacia portuguesa é notável. E com meios cada vez mais escassos. E, logicamente, não há boa diplomacia se não está bem orientada…

Em conclusão: a estratégia da “diplomacia económica” creio que iniciada pelo Embaixador Martins da Cruz resultou.

Mas também ouve um bom ambiente…

Claro que sim. Mas aí porque, na verdade e bem vistas as coisas, os Portugueses gostam muito de Espanha (mesmo que não o digam) e os Espanhóis gostam muito de Portugal. E isso é fundamental.

Existem cerca de 600 empresas portuguesas em Espanha e cerca de 1660 empresas espanholas presentes em Portugal. O que significam estes números?

Na minha opinião, sendo a Espanha cinco vezes maior que Portugal, a densidade das nossas empresas em Espanha é superior à da espanhola em Portugal. Mas a questão de fundo não é só o número: é a dimensão e a qualidade do investimento. Aí creio que teremos que melhorar o nível da nossa presença. Permita-me contudo que lhe chame a atenção para outro ponto: a da presença de gestores portugueses em Espanha. Temos hoje gestores nas principais empresas espanholas. E em lugares-chave. Temos até Presidentes portugueses de multinacionais que operam em Portugal a partir de Espanha. E aí ganhamos seguramente aos espanhóis presentes em Portugal.

O que urge ser modificado para melhorar a competitividade do mercado português?

Portugal vai num bom caminho. As empresas estão num grande esforço. Temos que apostar na competitividade fiscal, criando mecanismos de performance que sejam humanizados e personalizados. Que permitam soluções fiscais justas e possíveis. Por outro lado a Justiça que parecia avançar por um caminho de melhoria, acabou por sofrer penosos atrasos. A greve dos Juízes de que se fala, é um bom exemplo de que algo tem que mudar na Justiça, para melhor. Por outro lado, temos que definir se queremos ter Bancos portugueses bons e fortes, ou não. Sou de opinião de que a perda do controlo do negócio bancário português no exterior vai ser muito penosa para Portugal. E por fim, analisar bem a realidade que temos e trabalhá-la. Eu digo sempre: as empresas espanholas de sucesso quando decidem ir para Portugal (ou para o Brasil), a primeira decisão que tomam é pôr os seus empregados a aprender português. Isso abre o caminho para a solidez dos passos que dão.

Portugal e Espanha só teriam a ganhar com uma maior integração dos dois mercados. Há quem defenda que “podíamos ser um Benelux ibérico”. Concorda?

Concordo que os dois mercados já estão muito integrados. Concordo até que já atingimos uma situação semelhante ao “Benelux”. Por isso entendo que deveremos ser um sub-mercado dentro da UE. Um sub-mercado de sucesso, que sobreviveu bem a uma grave crise e a ultrapassou com seriedade e com esforço. Um sub-mercado que tem muito em comum com os países do sul da Europa. Que tem vocação marítima e continental. Um sub-mercado que já atrai o Mundo. Mas que pode atrair muito mais. Já somos bons para o Turismo. Já somos muito bons no Desporto. Mas eu gostaria que fossemos também tão bons nos Laboratórios, nas Tecnológicas, na Indústria, na Inovação, nos Bancos, nas Pescas, na Agricultura, nas grandes cadeias de valor acrescentado… Portugal merece-o.

Mandado de captura europeu pedido para Puigdemont

O Ministério Público espanhol, La Fiscalia, pediu a emissão de um mandado de captura europeu para deter Carles Puigdemont e os quatro ex-conselheiros que estão consigo na Bélgica, noticia o La Vanguardia.

Os ex-conselheiros da destituída Generalitat que estão na Bélgica juntamente com Puigdemont são Clara Ponsatí, Mertixell Serret, Antoni Comin e Lluís Puig.

Os cinco falharam esta quinta-feira a Audiência Nacional onde foi pedida a prisão de oito ex-membros da Generalitat.

Santi Vila foi o único ex-membro da Generalitat que se apresentou hoje em tribunal a escapar a este pedido de prisão do Ministério Público. O antigo conselheiro demitiu-se do seu cargo um dia antes da declaração unilateral de independência da Catalunha e por esse motivo o MP pediu uma fiança.

Dos 14 membros do executivo regional (Generalitat) destituídos, apenas se apresentaram na Audiência Nacional esta manhã nove, tendo faltado cinco deles, incluindo o presidente, Carles Puigdemont.

O Ministério Público acusa os 14 antigos membros do executivo catalão, entre os quais Puigdemont, e seis deputados regionais, incluindo a presidente do parlamento, de delitos de rebelião, sedição e desvio de fundos, arriscando-se a penas que vão até 30 anos de prisão.

Madrid confirma hoje se controla efetivamente o Governo regional da Catalunha

Os olhares vão estar centrados na sede da Generalitat (Governo regional) para ver se o líder separatista demitido, Carles Puigdemont, irá apresentar-se no seu gabinete, depois de, no sábado, ter desafiado Madrid, antes de ter desaparecido.

Numa declaração oficial gravada previamente e transmitida nas televisões espanholas, Puigdemont indicou a meio do dia de sábado que não aceitava o seu afastamento e pediu aos catalães para fazerem uma “oposição democrática”.

A vice-presidente do Governo de Madrid, Soraya Sáenz de Santamaría, mandatada pelo primeiro-ministro, Mariano Rajoy, vai assim verificar se encontra obstáculos à intervenção de Madrid autorizada pelo Senado (câmara alta) e que vai implicar a substituição de cerca de 150 cargos nomeados diretamente ou através de confiança política.

A ministra da Saúde espanhola, a catalã Dolors Montserrat, que no domingo esteve numa grande manifestação, em Barcelona, pela unidade de Espanha, mostrou-se convencida de que os funcionários da Generalitat (Governo regional) irão estar “do lado da lei”.

No entanto, alguns responsáveis regionais, como o ministro do Território exonerado, Josep Tull, anunciaram através das redes sociais que se iriam apresentar nos seus gabinetes já como “ministros” da nova “República da Catalunha”.

Por outro lado, o Ministério Público espanhol deverá hoje apresentar as queixas, que tem vindo a preparar, por rebelião, contra os autores da declaração de independência aprovada na sexta-feira no parlamento regional.

O parlamento regional da Catalunha aprovou, na sexta-feira, a independência da região, numa votação sem a presença da oposição, que abandonou a assembleia regional e deixou bandeiras espanholas nos lugares que ocupavam.

Ao mesmo tempo, em Madrid, o Senado espanhol deu autorização ao Governo para aplicar o artigo 155º. da Constituição para restituir a legalidade na região autónoma.

O executivo de Mariano Rajoy, do Partido Popular (direita), apoiado pelo maior partido da oposição, os socialistas do PSOE, anunciou ao fim do dia a dissolução do parlamento regional, a realização de eleições em 21 de dezembro próximo e a destituição de todo o Governo catalão, entre outras medidas.

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