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Mandado de captura europeu pedido para Puigdemont

O Ministério Público espanhol, La Fiscalia, pediu a emissão de um mandado de captura europeu para deter Carles Puigdemont e os quatro ex-conselheiros que estão consigo na Bélgica, noticia o La Vanguardia.

Os ex-conselheiros da destituída Generalitat que estão na Bélgica juntamente com Puigdemont são Clara Ponsatí, Mertixell Serret, Antoni Comin e Lluís Puig.

Os cinco falharam esta quinta-feira a Audiência Nacional onde foi pedida a prisão de oito ex-membros da Generalitat.

Santi Vila foi o único ex-membro da Generalitat que se apresentou hoje em tribunal a escapar a este pedido de prisão do Ministério Público. O antigo conselheiro demitiu-se do seu cargo um dia antes da declaração unilateral de independência da Catalunha e por esse motivo o MP pediu uma fiança.

Dos 14 membros do executivo regional (Generalitat) destituídos, apenas se apresentaram na Audiência Nacional esta manhã nove, tendo faltado cinco deles, incluindo o presidente, Carles Puigdemont.

O Ministério Público acusa os 14 antigos membros do executivo catalão, entre os quais Puigdemont, e seis deputados regionais, incluindo a presidente do parlamento, de delitos de rebelião, sedição e desvio de fundos, arriscando-se a penas que vão até 30 anos de prisão.

Madrid confirma hoje se controla efetivamente o Governo regional da Catalunha

Os olhares vão estar centrados na sede da Generalitat (Governo regional) para ver se o líder separatista demitido, Carles Puigdemont, irá apresentar-se no seu gabinete, depois de, no sábado, ter desafiado Madrid, antes de ter desaparecido.

Numa declaração oficial gravada previamente e transmitida nas televisões espanholas, Puigdemont indicou a meio do dia de sábado que não aceitava o seu afastamento e pediu aos catalães para fazerem uma “oposição democrática”.

A vice-presidente do Governo de Madrid, Soraya Sáenz de Santamaría, mandatada pelo primeiro-ministro, Mariano Rajoy, vai assim verificar se encontra obstáculos à intervenção de Madrid autorizada pelo Senado (câmara alta) e que vai implicar a substituição de cerca de 150 cargos nomeados diretamente ou através de confiança política.

A ministra da Saúde espanhola, a catalã Dolors Montserrat, que no domingo esteve numa grande manifestação, em Barcelona, pela unidade de Espanha, mostrou-se convencida de que os funcionários da Generalitat (Governo regional) irão estar “do lado da lei”.

No entanto, alguns responsáveis regionais, como o ministro do Território exonerado, Josep Tull, anunciaram através das redes sociais que se iriam apresentar nos seus gabinetes já como “ministros” da nova “República da Catalunha”.

Por outro lado, o Ministério Público espanhol deverá hoje apresentar as queixas, que tem vindo a preparar, por rebelião, contra os autores da declaração de independência aprovada na sexta-feira no parlamento regional.

O parlamento regional da Catalunha aprovou, na sexta-feira, a independência da região, numa votação sem a presença da oposição, que abandonou a assembleia regional e deixou bandeiras espanholas nos lugares que ocupavam.

Ao mesmo tempo, em Madrid, o Senado espanhol deu autorização ao Governo para aplicar o artigo 155º. da Constituição para restituir a legalidade na região autónoma.

O executivo de Mariano Rajoy, do Partido Popular (direita), apoiado pelo maior partido da oposição, os socialistas do PSOE, anunciou ao fim do dia a dissolução do parlamento regional, a realização de eleições em 21 de dezembro próximo e a destituição de todo o Governo catalão, entre outras medidas.

Referendo já levou quase 1.400 empresas a abandonarem a Catalunha

Conforme indica a entidade responsável por efetuar o registo das instituições, só na segunda-feira 92 empresas mudaram a sede da Catalunha, das quais, 90 estavam sediadas em Barcelona e duas em Terragona.

Do total de 1.394 empresas que abandonaram a Catalunha desde o referendo, 1.255 tinham a sede em Barcelona, 57 em Lérida, outras 57 em Terragona e 25 em Gerona.

No sentido inverso, verifica-se que, desde o dia 02 de outubro, 55 companhias mudaram a sua sede para a Catalunha, o que perfaz um saldo negativo de 1.339.

O presidente do governo regional catalão, Carles Puigdemont, tem até quinta-feira, às 10:00 locais, para entregar no Senado argumentos contra a aplicação do artigo 155 da Constituição espanhola, que suspense a autonomia da Catalunha, decidiu hoje o Senado.

No sábado, o Governo espanhol propôs a destituição do presidente da Catalunha e de todos os membros do seu executivo, a limitação das competências do parlamento regional e a marcação de eleições num prazo de seis meses, depois de o governo regional da Catalunha ter realizado, em 01 de outubro, um referendo de autodeterminação.

Segundo o Governo Regional da Catalunha, ‘Generalitat’, neste referendo, que foi considerado ilegal pelo Tribunal Constitucional, o “sim” à independência ganhou com 90% dos votos dos 43% dos eleitores que foram votar, tendo aqueles que não concordam com a independência da região boicotado a ida às urnas.

Recomendação para suspender pesca da sardinha em 2018

A recomendação do Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES), hoje divulgada, “é radical e é um insulto a todos os pescadores portugueses que, nos últimos quatro anos, têm realizado grandes sacrifícios para assegurar a melhoria do estado do ‘stock’ da sardinha em Portugal”, afirmou o presidente da associação, Humberto Jorge, à agência Lusa.

Segundo a Associação das Organizações de Produtores da Pesca do Cerco (ANOP Cerco), a recomendação do ICES não tem em conta os dados de aumento do recurso nos últimos dois anos e “está em total contradição com a perceção dos pescadores de que a abundância de sardinha nas nossas águas é muito mais significativa que a que observaram nos últimos anos”.

Perante as várias hipóteses de captura até 24.650 toneladas apontadas pelo ICES, a associação representativa da frota do cerco está disponível para vir a “encontrar uma solução que não comprometa os recursos, mas sem levar à letra a recomendação de pesca zero”.

“Acreditamos que até às quase 25 mil toneladas o recurso continua a crescer 4,5%, o que não nos parece mal”, justificou Humberto Jorge.

O presidente da ANOP Cerco pediu à ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, e ao secretário de Estado das Pescas, José Apolinário, “que se empenhem” nas negociações com Espanha para encontrarem um limite de capturas para 2018 que permita pescar sardinha.

O parecer do Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES) hoje divulgado refere que a pesca da sardinha deverá ser proibida em 2018 em Portugal e Espanha, que dividem a quota, face à redução acentuada do ‘stock’ na última década.

“Deve haver zero capturas em 2018”, recomenda o ICES, entidade científica consultada pela Comissão Europeia para dar parecer sobre as possibilidades de pesca, com base nos seus estudos dos ‘stocks’.

Segundo aquele organismo, o ‘stock’ de sardinha tem vindo a decrescer, assim como as recomendações do ICES, que em 2006 eram de 106 mil toneladas e passaram para 22 mil em 2016.

Contudo, aponta para vários cenários de capturas, estabelecendo como limite 24.650 toneladas.

O Conselho Internacional para a Exploração do Mar reconhece que a avaliação do desenvolvimento do ‘stock’ “é ligeiramente mais pessimista” do que as anteriores, pela estimativa de decréscimo.

Por um lado, sustenta, tanto o recrutamento, como a biomassa existente atingem o “nível histórico mais baixo”, motivo pelo qual Portugal e Espanha, no plano de gestão do ‘stock’, deverão ir além de uma “gestão precaucionária” e constatar que os recursos estão abaixo do Rendimento Máximo Sustentável (MSY).

Em 2016, Portugal e Espanha fixaram em 23 mil toneladas o limite de capturas anual, 17 mil das quais para a Espanha.

Portugal adotou um modelo de gestão da pesca de sardinha participado pelo setor, com uma comissão de acompanhamento com pescadores, cientistas, industriais de conservas, comerciantes, representantes sindicais e Organizações Não Governamentais (ONG), além de ser concertado com Espanha.

As medidas de gestão incluíram limites de captura diários, mensais e semestrais e períodos alargados de defeso.

Em paralelo, o Governo decidiu reforçar as campanhas científicas desenvolvidas pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), destinadas a recolher informação sobre o estado dos ‘stocks’.

Governo espanhol poderá iniciar hoje processo que leva à suspensão da autonomia da Catalunha

O segundo prazo – dado pelo governo em Madrid – para que Puigdemont responda ao requerimento do primeiro-ministro, Mariano Rajoy, termina hoje às 10:00 (09:00 em Lisboa). A carta de Rajoy, enviada na semana passada, dava um prazo inicial – que terminou na segunda-feira – para que o presidente da Generalitat clarificasse se ele, ou alguma instituição catalã, tinham declarado a independência.

Puigdemont evitou responder “sim” ou “não”, como pretendia o executivo em Madrid, limitando-se a reenviar um discurso proferido no parlamento catalão no qual disse que assumia o mandato dado pelo povo catalão [na sequência do referendo de 1 de outubro, considerado ilegal pela justiça espanhola] para que a Catalunha seja um “Estado independente”.

No mesmo discurso, Puigdemont propôs ao Parlamento suspender os efeitos de uma declaração de independência – que nunca referiu explicitamente – por “algumas semanas” para facilitar um diálogo com Madrid.

O requerimento de Rajoy – que constituiu um passo prévio para uma inédita aplicação do artigo 155.º da Constituição espanhola, que permite suspender uma autonomia – dava um segundo prazo, desta feita para que Puigdemont declarasse que se afasta de qualquer ação com vista à independência.

A imprensa espanhola dá por adquirido que Puigdemont não o vai fazer e que nem o governo central em Madrid acredita nessa opção, por considerar que tal seria “uma humilhação” para o presidente da Generalitat.

Por isso mesmo, fontes do executivo de Mariano Rajoy e da cúpula do PSOE adiantaram na quarta-feira que se o governo regional catalão abdicar de uma declaração de independência e convocar eleições regionais antecipadas, essa medida será considerada como “um regresso à legalidade”, travando a aplicação do 155.

O artigo 155.º da Constituição espanhola, nunca usado desde que o texto fundamental foi escrito e aprovado em 1978, dá ao Governo central poderes para adotar “as medidas necessárias” para repor a legalidade, incluindo a suspensão de uma autonomia, a detenção de dirigentes em situação ilegal, a sua substituição e a convocação de eleições antecipadas.

Mariano Rajoy esteve reunido na quarta-feira com os principais partidos que o apoiam na aplicação desta medida – o PSOE e o Ciudadanos [o Podemos, de Pablo Iglesias, está contra] – para definir as medidas a aplicar e os prazos.

Qualquer resposta de Puigdemont estará rodeada de grande pressão: por um lado a constante fuga de empresas da Catalunha, que já ascende a mais de 700 firmas, e por outro os partidos independentistas mais acérrimos, a Esquerra Republicana Catalana e os radicais de esquerda CUP. Ambos queriam e querem uma declaração unilateral de independência, algo que Puigdemont não fez.

Com a sociedade catalã dividida quanto à questão da independência, a Generalitat afirmou na quarta-feira que o caminho rumo à independência é inexorável, criticou Madrid por não querer dialogar e afirmou que não prevê realizar eleições antecipadas.

Espanha: Três portugueses detidos por explorar outros 40 portugueses

“Efetivos da Guardia Civil em La Rioja, no quadro da Operação “FIMDEL”, procederam ao desmantelamento de uma nova rede de exploração laboral radicada nesta província, que se saldou na detenção de três homens de 40, 49 e 54 anos, naturais de Portugal e residentes em La Rioja, como alegados autores num delito contra os direitos dos trabalhadores”, informou a polícia espanhola em comunicado.

As autoridades espanholas explicaram que o “responsável pela rede captava vítimas no seu país de origem, escolhendo principalmente homens em risco de exclusão social, facilmente influenciáveis, com escassa qualificação laboral e, em algumas ocasões, dependentes do álcool”.

O cabecilha português aliciava os trabalhadores com a promessa de boa remuneração (essencialmente em trabalhos agrícolas), alojamento e seguro, mas quando chegavam à região de La Rioja (conhecida por ser a zona vinícola de Espanha) eram “amontoados” em duas casas, em Entrena e Sorzano, “nas quais sofriam situações de semi-escravatura e péssimas condições de higiene e salubridade”.

“As vítimas eram distribuídas por diferentes pontos de La Rioja como mão-de-obra barata para a realização de diversos trabalhos agrícolas, chegando a fazer jornadas de até 10 horas diárias por 50 euros, que na maioria dos casos se ficavam por 15 euros ou menos, após ser-lhes descontados gastos de alojamento, manutenção, tabaco, álcool e transporte”, relatou a Guardia Civil.

Além do responsável máximo da rede, foram detidos outros dois portugueses, “responsáveis pelo controlo e vigilância dos trabalhadores”. Os trabalhadores eram ameaçados e, em algumas ocasiões, impedidos de se relacionarem com amigos e família.

A polícia espanhola não especificou a data das detenções dos três portugueses, referindo apenas que as investigações e consequentes ações policiais começaram em junho passado.

As provas recolhidas desde junho – e os testemunhos de algumas das vítimas – permitiram a detenção dos três portugueses.

90,18% a favor da independência da Catalunha

Segundo a contagem, o “sim” à independência recolheu 2,044 milhões de votos, o “não” obteve 177.547 (7,83%), 44.913 pessoas votaram em branco e 19.719 foram votos nulos, e votaram, no total, 2,286 milhões de pessoas, o que se traduz numa taxa de participação de 43,03% dos eleitores registados.

Uma vez proclamados os resultados oficiais do escrutínio, a chamada Lei do Referendo, que o parlamento catalão aprovou a 06 de setembro e que foi suspensa pelo Tribunal Constitucional espanhol, estipula que a Declaração Unilateral de Independência (DUI) seja emitida num prazo de 48 horas.

Como o fim de semana não é contabilizado para este efeito, o prazo estender-se-á até terça-feira, 10 de outubro, e hoje mesmo a Mesa do Parlamento Regional, que é o seu órgão dirigente, marcou para esse dia, às 16:00 TMG (17:00 de Lisboa) uma comparência no plenário do presidente catalão, Carles Puigdemont.

No papel, a presença do dirigente catalão será apenas para “informar da situação política atual”, não havendo qualquer referência à Lei do Referendo suspensa pelo Constitucional, nem a uma eventual Declaração Unilateral de Independência.

Desiludidos com discurso do rei, catalães pedem para ser ouvidos

“Ele não percebe nada”, resumiu a enfermeira Marta Domenech, em declarações à agência noticiosa AFP.

Num bar, fez-se um grande silêncio quando Felipe VI discursou na televisão, 48 horas depois do referendo de autodeterminação interdito ter sido realizado na região autónoma.

Mas, Felipe VI, mencionando “a grande preocupação” com o comportamento dos dirigentes separatistas catalães, não lançou qualquer apelo ao diálogo.

“É uma verdadeira vergonha (…). Um rei deve representar um povo, todas as suas pessoas e não apenas uma parte”, afirmou Domingo Gutierrez, um camionista de 61 anos, acrescentando: “Ele não disse uma palavra sobre as pessoas feridas” pelos polícias que procuraram impedir o referendo.

“Pensei que iria pedir que todas as partes se sentassem para falar, mas não”, lamentou Gerard Mur, um jovem jornalista, de 25 anos, no desemprego.

Numa mensagem transmitida pela televisão, Felipe VI acusou as autoridades catalãs de “conduta irresponsável” e considerou que os “legítimos poderes do Estado” devem assegurar “a ordem constitucional”. A partir do Palácio da Zarzuela, Felipe VI recordou também o compromisso da Casa Real com a unidade de Espanha.

Durante todo o dia, independentistas ou não, novos e velhos, 700 mil catalães participaram em conjunto numa série de manifestações em Barcelona, segundo a polícia municipal, indignados pela violência policial, que marcaram o dia de domingo.

“É uma manifestação de catalães pela liberdade e pela dignidade”, disse Georgina Asin, professora, de 35 anos, integrada na imensa multidão que tinha acabado de cantar o hino catalão, na Praça da Universidade.

Ao seu lado, o seu pai e a sua mãe estão absolutamente ultrajados: “O que os polícias e os guardas civis fizeram no domingo foi um ultraje à dignidade: arrastar as mulheres pelos cabelos, agredir mulheres idosas, quando as pessoas apenas pediam para votar”, disse Jose Maria Asin Prades, um antigo profissional de recursos humanos, com 62 anos, que esclareceu que se manifestava, “não contra Espanha, mas contra o governo espanhol”, de Mariano Rajoy, que considerou estar “desligado da realidade”.

A empresária Myriam Lao, de 35 anos, declarou: “Ainda tenho na perna a marca de um golpe de matraca e na cabeça a imagem das idosas com as caras ensanguentadas”.

Em jeito de desafio, desabafou: “Se em Madrid não reconhecem este referendo, de domingo, que nos deem outro. Mas que nos escutem!”.

Catalunha: Greve geral contra violência policial

A paralisação, que deverá reunir organizações patronais, empresários, sindicatos, trabalhadores, instituições e cidadãos da Catalunha, é uma reação da região à repressão policial usada por Madrid para impedir os catalães de irem às urnas a 1 de outubro, que teve como resultado mais de 800 feridos.

Do grupo impulsionador do protesto fazem parte, além da Assembleia Nacional Catalã (ANC) e do Òmnium Cultural, as duas maiores centrais sindicais da Catalunha — CCOO e UGT -, a Associação Catalã de Universidades Públicas (ACUP), o Conselho Nacional da Juventude da Catalunha, a Federação de Assembleias de Pais e Mães da Catalunha (FAPAC), as Organizações pela Justiça Global e a União de Federações Desportivas da Catalunha.

Os dirigentes sindicais da CCOO e da UGT na Catalunha apelaram à sociedade catalã para participar nesta “paralisação geral” como resposta à “violência desproporcionada da atuação da Polícia Nacional e da Guardia Civil”, mas sublinhando que não se trata de uma convocatória para uma greve geral, porque não tem por detrás um conflito laboral.

A mobilização para que apelaram a UGT e a CCOO circunscreve-se apenas ao dia de hoje, ao contrário da greve geral convocada por outra central sindical, a CGT, e três sindicatos minoritários, que se estende até 13 de outubro.

As confederações da CCOO e da UGT esclareceram ainda que “em nenhum caso apoiarão posições que deem cobertura a uma declaração unilateral de independência”, porque não concordam com essa estratégia, preferindo apostar na “via da negociação política e institucional para solucionar o conflito político que existe na Catalunha”.

Por essa razão, instaram também o Governo de Espanha “a abrir um cenário de diálogo e uma proposta com conteúdos”.

O sindicato CSIF, o mais representativo da administração pública, indicou que, embora lamente “os acontecimentos violentos” de 01 de outubro, não participará na greve geral de hoje, tendo reiterado a sua posição firme em defesa do Estado de direito.

Os deputados e senadores dos partidos independentistas ERC e PDeCAT anunciaram que se juntarão hoje à paralisação na Catalunha e não irão às reuniões parlamentares previstas no Congresso e no Senado.

Também os clubes de futebol FC Barcelona, Espanyol e El Girona anunciaram que se associam à paralisação de protesto contra a violência policial exercida sobre civis que tentavam exercer o seu direito de voto.

A justiça espanhola considerou ilegal o referendo pela independência convocado pelo governo regional catalão e deu ordem para que os Mossos d’Esquadra, a polícia regional, selassem os locais onde se previa a instalação de assembleias de voto.

Perante a inação da polícia catalã em alguns locais, foram chamadas a Guardia Civil e a Polícia Nacional espanhola, polícias de âmbito nacional que protagonizaram os maiores momentos de tensão para tentar impedir o referendo, realizando cargas policiais sobre os eleitores e forçando a entrada em várias assembleias de voto ocupadas de véspera por pais, alunos e residentes, para garantir que os locais permaneceriam abertos.

A violência policial fez 893 feridos mas, apesar da repressão, 42% dos 5,3 milhões de eleitores conseguiram votar, e 90% deles votaram a favor da independência, segundo o governo regional da Catalunha (Generalitat).

O dia depois do referendo na Catalunha

O ministro da Justiça espanhol, Rafael Catalá, afirmou esta segunda-feira que o Executivo fará “tudo o que a lei permite” se os separatistas catalães declararem a independência unilateralmente. O Governo catalão está reunido esta segunda-feira e deverá ficar decidido quando será a sessão plenária para avançar com a declaração de independência unilateral.

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O Governo catalão está reunido esta segunda-feira e deverá ficar decidido quando será a sessão plenária para avançar com a declaração de independência unilateral. Em Madrid, todos os dirigentes políticos estão reunidos com as direções dos partidos.

Também o primeiro-ministro espanhol já tinha anunciado que iria encontrar-se com os partidos para “refletir” sobre o que aconteceu no domingo na Catalunha. Mariano Rajoy reúne-se esta segunda-feira com o líder do PSOE, Pedro Sánchez, às 16h30 (15h30 em Portugal).

Depois será a vez do primeiro-ministro espanhol se reunir com o líder dos Ciudadanos, Albert Rivera, pelas 18h00 (17h00 em Portugal). “Esta tarde, na reunião com Rajoy, irei pedir-lhe explicações: por ingenuidade ou erro fizeram-se muitas coisas mal”, afirmou Rivera esta segunda-feira.

Ver imagem no TwitterAinda assim, Albert Riviera disse ainda que dirá a Rajoy que tem o seu apoio no sentido de impedir a independência unilateral da Catalunha.

Rajoy poderá enfrentar greve geral
Uma das questões que Rajoy terá de enfrentar é uma possível greve geral na Catalunha na terça-feira. De acordo com a imprensa espanhola, este será um dos assuntos discutidos pelo Governo da Catalunha na reunião extraordinária do Conselho Executivo, em que a Generalitat irá tomar uma posição sobre este protesto.

A greve foi convocada pela Taula per la Democràcia, uma frente sindical que reúne vários sindicatos da Catalunha, em protesto contra a carga policial de domingo que fez 893 feridos.

No domingo, com os primeiros resultados conhecidos a indicarem uma maioria esmagadora do “Sim”, o responsável catalão considerou que o resultado do referendo deixa o “caminho aberto” para a proclamação unilateral da independência da Catalunha.

Em conferência de imprensa ao início da noite, Carles Puigdemont começou por se dirigir aos mais de 800 feridos durante os confrontos com a polícia, a quem deixou “um agradecimento emocionado”. Vários catalães resistiram à ação policial da Guardia Civil e da Policia Nacional nas assembleias de voto.

As forças de segurança tinham sido enviadas pelo Governo central de forma a impedir que o escrutínio, que foi declarado ilegal pelo Supremo Tribunal de Espanha, fosse impedido.

“Neste dia de esperança e sofrimento, os cidadãos da Catalunha ganharam o direito a ter um estado independente na forma de uma República”, declarou Carles Puigdemont.

O chefe de Governo catalão referiu ainda que os resultados finais do referendo serão enviados nos próximos dias para o Parlamento catalão, órgão “onde reside a soberania do nosso povo, para que possa agir de acordo com a lei deste referendo”.

O presidente regional apelou a Bruxelas para que se envolva diretamente no conflito que opõe o estado espanhol e a Catalunha e considera que a UE “não pode continuar a desviar o olhar” depois destes resultados.

“Somos cidadãos europeus e hoje sofremos a vulnerabilização dos nossos direitos e liberdades”, referiu Carles Puigdemont, exigindo uma “ação imediata” por parte da União Europeia.

Segundo o responsável catalão, a situação que se gerou na Catalunha “pela intransigência e repressão, pela negação absoluta do reconhecimento da realidade, pela hostilidade face às exigências democráticas dos cidadãos do nosso país, já não é um assunto interno, mas um assunto de interesse europeu”, considerou.
Questão da Catalunha é do foro interno do Estado
O porta-voz da Comissão Europeia já veio dizer esta segunda-feira que a “violência nunca pode ser um instrumento político” e que mais do que aspetos legais, agora é tempo para que todas as partes passem “do confronto ao diálogo”.
“De acordo com a Constituição espanhola, o referendo de ontem não foi legal”, disse o porta-vox da Comissão Europeia.
Margaritis Schinas defendeu que a questão da Catalunha é do foro interno do Estado espanhol que “tem de ser resolvida dentro da ordem constitucional em Espanha”.

Antes do referendo, o líder da Catalunha tinha prometido que a vitória do “Sim” levaria a uma declaração da independência 48 horas depois do voto. Perante a confusão, a violência vivida ao longo do dia e as várias assembleias de voto que ficaram por abrir, Rajoy não esperava que o governo regional pretendesse ler neste referendo um resultado conclusivo.

Horas antes da declaração de Puidgemont, o presidente do Governo espanhol tinha acusado os separatistas de “chantagear toda a nação”. Apesar da posição de confronto perante o referendo, Mariano Rajoy apelou ao diálogo e reflexão conjunta entre “todos os partidos com representação parlamentar”.

Rajoy disse mesmo esperar um regresso à “normalidade constitucional” e que os líderes catalães “não repetissem os erros que têm cometido”.

Ver imagem no Twitter

Ver imagem no TwitterMariano Rajoy já está reunido na direção do partido para “refletir” sobre o que se passou na Catalunha.

Rajoy já tinha dito que não vai “fechar nenhuma porta”, mas colocou como condição que houvesse um diálogo honesto e sincero, sempre dentro da lei e com a marca da democracia”.

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