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FIREHUB 2017: Sistemas de Informação Geográfica ao serviço da comunidade

Portugal é constituído por 39% de floresta. Esta dimensão, associada ao facto de quase nove décimas do terreno florestal serem de propriedade privada, traduz-se num verdadeiro desafio para as entidades gestoras que têm nos Sistemas de Informação Geográfica uma poderosa ferramenta de gestão e manutenção da Floresta. Segundo João Verde, Especialista em Modelação de Risco, a investigação que hoje se faz beneficia muito do contributo que os Sistemas de Informação Geográfica dão, porque reduzem o tempo necessário para obter resultados. No domínio dos modelos de risco de incêndio rural, a utilização do ArcGIS, permite canalizar o tempo investido da execução manual de tarefas para a interpretação e estudo dos resultados.

Mas, e quando tudo “arde”? Em Portugal, os incêndios florestais são cada vez maiores não só em dimensão e recorrência, como também na gravidade dos danos causados. O incêndio de Pedrógão Grande no passado mês de junho foi um dos mais marcantes de sempre na história do nosso país, trazendo consequências devastadoras tanto a nível humano como material. Pode a tecnologia ajudar em alturas de devastação e catástrofe? A resposta é: Sim. Na verdade, no cenário de pós-catástrofe, a rapidez de recolha e análise de dados é crucial e os Sistemas de Informação Geográfica afiguram-se aqui, uma vez mais, como essenciais.

Informação Geográfica 

Rui Almeida, Diretor da Divisão da Floresta e Valorização de Áreas Públicas – Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, sublinha a importância dos SIG em todo o processo de defesa da Floresta: A Informação Geográfica é hoje usada em todas as fases dos incêndios florestais. Na fase de planeamento o processo de elaboração de cartografia em formato digital é a base do plano e as diversas análises permitem identificar locais de maior perigosidade e alocação de recursos. Na fase de combate o primeiro momento é o processo de localização dos incêndios rurais que é feito com recurso a informação geográfica. O segundo é a leitura da envolvente e a integração da informação meteorológica do local do incêndio, que se faz recorrendo a múltiplas fontes e onde se usam os Sistemas de Informação Geográfica para a sua representação. Em alguns incêndios recorremos também a modelos de simulação de incêndios que geram eles próprios, Informação Geográfica.

A última fase é a avaliação do dano, que na maior parte das situações se restringe ao levantamento perimetral da área ardida, mas nas situações de maior dano geralmente quando a área é superior a 500 ha, implica um vasto conjunto de ações todas elas relacionadas com o espaço e com recolha de informação que caracteriza a situação. Por exemplo nestes casos são feitas análises fazendo recurso a imagens de satélite, nas quais se identificam áreas onde os incêndios foram mais severos e locais onde teremos maior probabilidade de risco de erosão, são feito levantamento dos locais onde os edifícios e as infraestruturas foram mais afetadas  o que nos permite contabilizar o esforço de reabilitação e permite estabelecer o plano de recuperação, é feito um apuramento com algum detalhe das espécies afetadas e em função desses locais são elaborados os planos de ações de recuperação dos caminhos florestais.

Os incêndios de Pedrógão Grande constituem um dos exemplos em que a tecnologia foi utilizada em todas estas fases. Nos dias seguintes aos acontecimentos, a Esri Portugal, de forma voluntária e suportada pelo Esri Disaster Programme, esteve no terreno e ajudou a colocar a tecnologia ao serviço da população e do Município. Recorrendo ao ArcGIS Online, criámos com algumas entidades parceiras um “hub” de Informação Geográfica, que permitiu não só às entidades no terreno, mas também ao público em geral, ter acesso a um portal com informação atualizada sobre os acontecimentos.

Em paralelo, criámos um geoformulário, para que os habitantes e os Serviços Municipais pudessem identificar e georreferenciar os edifícios danificados pelos incêndios. Segundo Bruno Gomes, Vereador da Câmara Municipal de Pedrógão Grande, “com a utilização deste formulário no gabinete de atendimento do Município, e com a divulgação do mesmo através das redes sociais, rapidamente começámos a receber informação por parte da população, tendo sido efetuados no total mais de 450 registos. Desta forma, e com o grande contributo da população, foi possível percecionar em tempo recorde não só quais as habitações afetadas (distinguindo desde logo se é habitação primária ou secundária), mas também o nível de danos em pequenas garagens ou arrumos agrícolas.” Conciliando esta informação com as áreas ardidas e os limites administrativos, conseguimos cruzar e validar os dados obtidos, obter uma perspetiva completa e suportar os decisores durante a ocorrência, bem como nesta fase de recuperação.

“Nos dias pós-incêndio, estiveram no terreno diferentes entidades competentes, a realizar o levantamento de informação relativa aos danos. Com a conclusão destes trabalhos de levantamento, a Plataforma ArcGIS possibilitou a realização de análises geográficas comparando os dados obtidos no levantamento de terreno com os dados reportados pela população”, afirma o autarca que acrescenta: “Esta ferramenta possibilitou ainda a comunicação ao município, dos edifícios danificados ou destruídos, pelos proprietários que se encontravam em diversos pontos do país ou estrangeiro e permitiu-nos atuar em perfeita transparência transmitindo segurança e tranquilidade à população”.

 Assim a tecnologia ArcGIS foi fundamental para centralizar a informação fornecida pelos habitantes e recolhida pelo Município, como também pelas entidades oficiais que estiveram no terreno.

Esta centralização é fundamental para que se possam cruzar e validar os dados obtidos. O facto de o registo ser feito em mapa e de forma digital, permite poupar tempo, diminuir o esforço administrativo e tornar a tomada de decisão – sobre quais as prioridades de intervenção – mais eficaz e eficiente. Como afirma João Verde, “os Sistemas de Informação Geográfica ajudam-nos a comunicar, a explicar o território aos cidadãos, e a mostrar-lhes que os problemas são apenas dificuldades ultrapassáveis. Num país com significativo despovoamento rural, pode parecer impossível gerir paisagens combustíveis, dada a sua dimensão, mas quando utilizamos um mapa surgem oportunidades que sem a Geografia e sem os SIG poderiam não ser evidentes”.

FIREHUB 2017 Capture2

FIREHUB 2017 Capture3

Esri Disaster Programme

Disaster Programme – O Disaster Programme existe para ajudar as organizações a ultrapassar situações de catástrofe. Quer seja ou não cliente da Esri, em caso de desastre provocado por Terramotos, Furacões, Incêndios, Cheias, Crises Humanitárias ou situações Meteorológicas extremas, pode accionar o programa e ter acesso a dados, software e ajuda especializada para utilizar a informação geográfica nas suas análises e com ela responder de forma mais rápida e eficaz. Durante o incêndio de Pedrógão Grande a Abastena – Sociedade Abastecedora de Madeiras, solicitou esta ajuda internacional com o objetivo de apoiar os Bombeiros de Castanheira de Pêra disponibilizando-lhes assim tecnologia de suporte para:

  1. a) Levantamento de áreas de ardidas;
  2. b) Identificação de infraestruturas afetadas;
  3. c) Atualização de informações sobre caminhos florestais que necessitem de intervenção;
  4. d) Atualização de mapa com ocorrências na região em tempo real;

Acesso – O acesso ao Disaster Programme da Esri por parte da Abastena, e por sua vez dos Bombeiros de Castanheira de Pêra, vai continuar durante cerca de três meses, o que irá permitir um melhor levantamento da informação geográfica e por consequência um maior e melhor entendimento sobre a importância dos SIG na prevenção e defesa da Floresta.

O Esri Disaster Programme está disponível em http://www.esri.com/services/disaster-response

Firehub 2017 

O FireHub 2017 é uma Plataforma colaborativa com um conjunto de informação geográfica não só sobre os incêndios que assolaram o centro do país como também de toda a informação que permite melhor compreender, analisar e tomar decisões sobre este tipo de catástrofes.

O FireHub 2017, que conta até à data com quase quatro mil visualizações, está disponível através do link http://arcg.is/2rMwc0B e estará em constante atualização com informação produzida por toda a comunidade, incluindo parceiros nacionais e internacionais.

Esta é uma Plataforma colaborativa de dados abertos, que tem como objetivo principal ajudar as organizações públicas e privadas e a população em geral a ter uma visão geográfica sobre o fenómeno destes fogos florestais.

Com o FireHub 2017, a Esri Portugal coloca a tecnologia ArcGIS ao serviço da comunidade.

FIREHUB 2017

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