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“Bonecos de Estremoz” reconhecidos como Património Imaterial da Humanidade

Augusto Santos Silva saudou tanto a Câmara Municipal de Estremoz, que “participou ativamente na apresentação da candidatura”, como os artesão que preservam esta arte tradicional em Estremoz e chamou a atenção para o “duplo significado” deste reconhecimento.

“Por um lado, é a afirmação do valor e da cultura popular e das artes tradicionais portuguesas e, em segundo lugar, é também uma consciência do muito que temos que fazer para cultivar essas artes e preservar essas tradições”, considerou o ministro.

Augusto Santos Silva chamou ainda a atenção para o facto de este ser o sétimo bem português classificado como Património Imaterial da Humanidade, depois da dieta mediterrânica, da arte da falcoaria, do fado e do cante alentejano, assim como o fabrico de chocalhos e a olaria de barro de Bisalhães.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) classificou hoje como Património Cultural Imaterial da Humanidade a produção dos “Bonecos de Estremoz”, em barro, uma arte popular com mais de três séculos.

A classificação da “Produção de Figurado em Barro de Estremoz”, vulgarmente conhecida como “Bonecos de Estremoz”, foi decidida na 12.ª Reunião do Comité Intergovernamental da UNESCO para Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, que decorre na Ilha Jeju, na Coreia do Sul, até sábado.

Os “Bonecos de Estremoz” pertencem a uma arte de caráter popular, com mais de 300 anos de história, tendo sido o primeiro figurado do mundo a merecer a distinção de Património Cultural Imaterial da Humanidade, na sequência da candidatura apresentada pela Câmara Municipal de Estremoz, no distrito de Évora.

Com mais de uma centena de figuras diferentes inventariadas, a arte, a que se dedicam vários artesãos do concelho, consiste na modelação de uma figura em barro cozido, policromado e efetuada manualmente, segundo uma técnica com origem pelo menos no século XVII.

LUSA

Clima de Marrocos, Argélia e Tunísia está a ser “empurrado” para Portugal

professor da Faculdade de Ciências de Universidade de Lisboa e presidente do Conselho Nacional do Ambiente falava em Évora numa mesa redonda sobre adaptação às alterações climáticas, no âmbito de um Encontro Nacional de Entidades Gestoras de Água e Saneamento, ENEG 2017, que hoje começou em Évora e que junta centenas de especialistas da área da água.

A mudança climática traduz-se pelo alargamento da zona climática tropical, o deserto está a ser empurrado para norte. É essencial no setor da água ter esta mudança climática em conta“, disse o especialista em alterações climáticas, admitindo que em Portugal, por ser um país muito antigo, não seja fácil às pessoas aceitarem que esse país está a mudar e que o clima muda.

Filipe Duarte Santos, que dirigiu o projeto Alterações Climáticas em Portugal: Cenários, Impactos e Medidas de Adaptação (SIAM), alertou para o regadio, que, a médio e longo prazo pode não ser viável, e deixou uma sugestão: transferir os sobreiros para o norte do país.

“O montado, diz a ciência, não sobrevive”, afirmou, considerando que não serão doenças mas a falta de água que o vai extinguir no Alentejo. Para manter a produção de cortiça, disse, “razoável era ajudar o montado a migrar em altitude e para norte”, até tendo em conta os locais que este ano foram afetados pelos incêndios, sugeriu.

A questão das alterações climáticas e ambientais em termos gerais, nas palavras da investigadora do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) Rafaela Matos, é seguida de forma mais eficiente nos países escandinavos do que em Portugal, devendo em poucos anos Copenhaga tornar-se a primeira cidade neutra em carbono.

“Na Dinamarca a sensibilização para questões ambientais começou muito mais cedo, a engenharia do ambiente existe há 150 anos”, disse, defendendo para Portugal a construção de consensos políticos a médio e longo prazo, o que a Dinamarca fez.

Rafaela Matos defendeu a necessidade de melhorar as perdas de água e as taxas de reutilização, que “não orgulham”.

Carlos Pinto de Sá, presidente da Câmara de Évora, preferiu uma visão global da questão, afirmando que perante um problema planetário e estrutural as respostas têm de ser planetárias e estruturais, porque não se resolvem a nível autárquico ou a nível nacional, o que não significa que as autoridades locais não possam ter um papel na resolução de problemas.

Jorge Vazquez, administrador da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas de Alqueva (EDIA), entidade que está a promover mais 50 mil hectares de regadio, deu como exemplo a importância da estrutura do Alentejo para todo a região e país.

E disse que o regadio é um instrumento de ordenamento do território, e que a “agricultura para ser competitiva tem de ser de regadio”, ou que o regadio “é incontornável” na resposta à pergunta de se justificar ou não continuar a regar em situações cada vez mais graves de seca.

Se Portugal não armazenar e economizar para a usar no verão não é a agricultura que está em causa e a sobrevivência do país“, disse, acrescentando que é necessário um bom ano hidrológico para encher Alqueva, lamentando que em anos em que choveu muito não se tivesse “outro Alqueva”.

A água da albufeira, afirmou, não é na albufeira que é necessária, mas em locais onde é útil, a 100 ou 200 quilómetros de Alqueva”, afirmou.

Filipe Duarte Santos tinha dito antes, citando estudos, que a Península Ibérica pode ter no futuro secas de oito anos.

LUSA

Câmara de Évora vai “apertar ainda mais” medidas para poupar água

“Começámos a tomar medidas já há alguns meses, sobretudo reduzindo os gastos [de água] no espaço público, em particular nos relvados”, e é preciso, agora, “passar a uma 2.ª fase”, em que há que “apelar a uma maior participação da população” na poupança de água, afirmou o autarca.

Em declarações à agência Lusa, à margem do Encontro Nacional de Entidades Gestoras de Água e Saneamento (ENEG), que arrancou hoje em Évora, Carlos Pinto de Sá revelou que o município “vai apertar ainda mais os consumos supérfluos de água, de forma a salvaguardar a necessidade da água para consumo humano”.

“Estávamos a reduzir as regas, as lavagens de espaços públicos e admitimos a possibilidade de cortar por completo esse tipo de utilização” apesar de, em alguns casos, terem sido encontradas “soluções alternativas” que permitem que esteja a ser utilizada “água que não é da rede pública”, referiu.

Outras medidas de médio/longo prazo estão, igualmente, a ser preparadas, segundo o autarca, e passam por “estudar e propor investimentos na rede, quer ao nível da água, quer ao nível do saneamento, ou recuperar origens de água que foram descontinuadas ao longo do tempo, mas que, hoje, são necessárias”.

A reativação do Aqueduto da Água de Prata e das suas origens de água é “um dos grandes projetos” com que o município quer avançar, para que “essa água possa ser usada para outros usos que não aqueles que decorrem da rede pública”.

Trata-se de um processo “algo demorado”, porque o aqueduto “praticamente não teve assistência durante muitos anos”, mas já está a ser feito o levantamento completo de toda a extensão do equipamento: “Estamos agora a ver o que precisamos de fazer para essa reposição da água por via do aqueduto e os usos que lhe hão de ser dados”.

A câmara vai também reunir, nos “próximos dias”, com grandes consumidores de água do concelho, nomeadamente com instituições, como o Hospital do Espírito Santo ou a Universidade, e com empresas, que “têm um gasto muito significativo de água”.

O objetivo passa por, em conjunto, precisou, encontrar “planos de emergência para reduzir substancialmente o gasto de água”.

Ainda assim, com a albufeira do Monte Novo, que abastece o concelho, com 33% de reserva da água, Carlos Pinto de Sá não antevê “grandes problemas” no imediato, porque existe “água suficiente para o abastecimento às populações nos próximos meses” ou até, previsivelmente, “para o próximo ano”, pelo que “não há necessidade de racionamento e muito menos de cortes”.

“Mas nada é garantido e, portanto, qualquer agravamento desta situação pode trazer-nos problemas, às vezes até pontuais”, como o que o autarca admitiu que está a acontecer agora, com a água da rede a apresentar cheiro e sabor a cloro.

Carlos Pinto de Sá admitiu que esta situação está relacionada com “a necessidade de aumentar o cloro para garantir a qualidade da água”, mas tal “não afeta a saúde pública” e tudo deverá ficar regularizado “nos próximos dias”.

Uma campanha de sensibilização para a poupança de água, promovida pelo município, vai também arrancar no terreno “na próxima semana”, dirigida aos habitantes e a grupos específicos de consumidores, como as grandes instituições e empresas, adiantou ainda o autarca.

LUSA

Agrupamento de escolas em Évora tem contributo relevante na educação de adultos

No comunicado abaixo pode ler quais os objetivos do Centro Qualifica do Agrupamento de escolas nº2 de Évora.

“Pretende-se que os adultos ampliem conhecimentos, ao longo da vida, e não apenas a escolarização, melhor preparando-se para os desafios da dinâmica do mercado de trabalho.

A área territorial de Évora, com um baixo nível de qualificação profissional e escolar entre a população adulta (para além de taxas elevadas de abandono escolar precoce) tem de responder aos desafios da sociedade do conhecimento, de forma urgente e prioritária.

Neste contexto, Évora tem um elevado número de pessoas consideradas potencialmente vulneráveis, nomeadamente, desempregados de longa duração, pessoas de baixos níveis de qualificação e escolaridade e jovens NEET.

O Agrupamento de Escolas nº 2 de Évora, surge vocacionado para desenvolver as novas modalidades formativas pois possui um corpo docente com uma vasta experiência, competência técnica e excelentes condições físicas (quer ao nível dos espaços quer dos equipamentos disponíveis). A nossa experiência acumulada, cimentada e alicerçada na região, tem tido a capacidade de dar resposta à procura de formação, não só através da reorganização interna como também da rentabilização dos diversos atores, respondendo às necessidades educativas da população de jovens e adultos.

No cumprimento da nossa missão enquanto Centro Qualifica cabe-nos: mobilizar os adultos na procura de qualificação, reconhecer as competências por eles adquiridas ao longo da vida e definir conjuntamente a trajetória de formação mais adequada às suas necessidades, a fim de elevar os níveis escolares e de qualificação efectiva da população adulta (através de formação qualificante) e contribuir para a integração destas pessoas na vida ativa e profissional.

Aumentar a oferta e a qualidade da educação de adultos, em especial para os adultos pouco qualificados, contribuirá para uma maior produtividade, potenciando uma maior empregabilidade e melhorando a capacidade de adaptação a ambientes de trabalho em permanente mutação. A estes ganhos, acrescem os ganhos em desenvolvimento e satisfação pessoais dos jovens e adultos que não serão de somenos.”

Julgamento de família acusada de escravizar homem em Évora começa em outubro

O início do julgamento de uma família acusada de escravizar um homem durante 26 anos, numa propriedade agrícola situada no concelho de Évora, está marcado para 20 de outubro, na cidade alentejana, revelaram esta segunda-feira fontes judiciais.

As mesmas fontes adiantaram à agência Lusa que o julgamento começa no dia 20 de outubro deste ano, às 09:30, no Tribunal Judicial de Évora, e que no banco dos réus vão estar sentadas quatro pessoas da mesma família.

Os quatro arguidos estão acusados pelo Ministério Público (MP) da prática dos crimes de escravidão e de tráfico de pessoas, existindo um pedido de indemnização cível no valor de 30.468 euros. Na acusação, o MP refere que a vítima “trabalhou durante 26 anos” na propriedade agrícola “sem que lhe fosse paga qualquer remuneração”, em situação de “absoluta dependência”, indicando que os arguidos apoderaram-se dos seus documentos.

O caso remonta a 2013 e a investigação esteve a cargo da Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária (PJ).

Na altura, o homem, de 63 anos e de nacionalidade angolana, foi resgatado pela GNR, após uma denúncia, segundo fontes judiciais e policiais.

As mesmas fontes indicaram que o homem foi encaminhado para uma instituição que acolhe vítimas de tráfico de pessoas, acabando por morrer, em novembro do ano passado, vítima de doença prolongada.

Incêndios: Três meios aéreos combatem chamas perto de Évora

Três meios aéreos e mais de 80 operacionais combatem desde o início da tarde desta segunda-feira um incêndio na periferia da cidade de Évora, disse à agência Lusa fonte dos bombeiros.

A fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Évora indicou que o fogo deflagrou no Alto de S. Bento e que o alerta foi dado às 13.43.

O combate às chamas, que estão a lavrar em zonas de mato e pasto, mobiliza um helicóptero e dois aviões ligeiros, além de mais de 80 operacionais apoiados por duas dezenas viaturas de quase todas as corporações do distrito.

De Évora para o mundo: esta enoteca vai encher-lhe o copo… e o prato

À sombra de uma videira brava é servido um copo de espumante colheita de 2013 — o tom rosé claro dá-nos as boas vindas ao enoturismo da Cartuxa, porta-estandarte da produção de vinho da Fundação Eugénio de Almeida. O habitual calor abrasador do Alentejo tirou folga e ajuda-nos a ir em frente com o roteiro proposto: depois da visita à adega, a ideia é sentar à mesa na nova Enoteca da marca, no centro histórico de Évora, cidade património da Humanidade há mais de 30 anos.

Vizinho do templo romano e da Sé Catedral, o espaço que antes era explorado pelo Convento do Espinheiro sofreu obras para agora abrir as portas onde antes estava uma janela. Mas não é só de disposição que se fala: na Enoteca da Cartuxa, oficialmente inaugurada esta segunda-feira, a gastronomia alentejana é reinventada e trazida à mesa em bandejas improvisadas, para ser partilhada.

Os petiscos à base dos produtos da terra — desde tábuas de paio do lombo a bochechas de porco, pimentão da horta, cogumelos e farofa — são os príncipes da casa, embora também haja pratos de sustento, de fazer esticar o estômago (tal como a saborosa açorda de camarão, acompanhada de tomate e coentros). E quando chega a hora da sobremesa, uma coisa fica clara: os doces têm menos açúcar do que o habitual. Não, não é erro de medição, antes filosofia da casa que, por enquanto, tem a consultoria do conhecido chef Vítor Sobral.

Mas se os petiscos são os príncipes, por onde andam os reis? Nos copos da marca austríaca Riedel, claro. Por aqui é possível servir oito vinhos a copo, quatro tintos e quatro brancos (Pêra Manca branco incluído, sendo que o tinto apenas é vendido à garrafa). Aos copos de marca juntam-se os talheres da Cutipol, louças da Vista Alegre que pretendem imitar as porcelanas de antigas tabernas e os ténis encarnados All Star nos pés dos empregados.

À zona de refeição somam-se outros espaços, como a loja cujas prateleiras fazem uma ode aos produtos do Alentejo, não estivessem elas repletas de queijos, mel, enchidos, bolachas, chocolates com recheio de vinho, amêndoas ou azeites de produção própria. Logo adiante está uma área de exposição da marca, com os diferentes vinhos da Fundação Eugénio Almeida a piscar os olhos a qualquer enófilo que por ali passe, e ainda uma sala semi-exterior para grupos.

A ideia é apelar a dois públicos diferentes, isto é, convidar os eborenses a saborear o que de melhor a fundação tem e dar a conhecer a comida e os vinhos alentejanos aos turistas que se aventurarem por estas bandas.

A Enoteca da Cartuxa está aberta de segunda a sábado, das 12h00 às 22h00. Rua Vasco da Gama, 15, Évora. Tel.: 266 748 348

O vinho que os monges abençoaram

Mas antes de encher o estômago, importa conhecer os vinhos sob a chancela da fundação. A Adega da Cartuxa, na Quinta de Valbom, fica a poucos minutos de distância da cidade eborense. Está inserida num edifício datado do século XVI que em tempos serviu como casa de repouso dos Jesuítas, expulsos em 1759. Mais tarde foi parar às mãos do Estado, que aí apostou na produção de vinho, e só depois foi adquirida pela família Eugénio de Almeida.

Serve a curta lição de história para contar que, onde antes estava o refeitório dos Jesuítas, encontram-se agora 28 tonéis de carvalho francês, onde estagiam os melhores vinhos da marca — sim, também ali descansa e evolui o tão cobiçado Pêra Manca, ainda que o estágio seja feito por castas e não enquanto produto final. Entre paredes grossas e tetos abobadados — sempre ao som de orações gravadas previamente — dá-se também de caras com depósitos de vinho com capacidade para 32 mil litros. Estão inativos desde a década de 1990, é certo, mas não deixam de encher o olho e de despertar a curiosidade de quem por ali vagueia.

A sala das barricas é, para muitos, os ex-líbris deste enoturismo. Pé direito baixo, tetos igualmente abobadados e 44 barricas novas fazem as vezes de decoração numa divisão que convida a provar as seis marcas de vinhos que a fundação produz. E bem no fundo da sala está uma pequena adega, guardada por grades de metal escuro e por uma fechadura que nem quem faz as visitas guiadas diz ter a chave. O motivo de querer “arrombar” a porta provavelmente centenária prende-se com os Pêra Manca dos anos 1950 que ali repousam, à espera de um certeiro saca-rolhas.

A propriedade descrita é uma das cerca de 10 que fazem parte da Fundação Eugénio de Almeida e que, juntas, totalizam mais de 6 mil hectares de produção — sensivelmente 500 deles destinam-se às vinhas. E entre tanta terra fértil está o Mosteiro da Cartuxa, que inspirou o nome da adega devido à sua proximidade e onde os Monges Cartuxos levam uma vida solitária de oração desde o século XVI.

Provas de vinho a partir dos 5 euros. Quinta de Valbom, Estrada da Soeira, Évora.

Quase 800 euros distribuídos numa rua de Évora. “É hoje que me dizem o que está a acontecer?”

“É hoje que me dizem o que está a acontecer? Quanto é que me puseram na caixa do correio hoje?” José Perfeito, de 69 anos, é um dos moradores da rua do Ouro, de Évora. Desde quinta-feira que assistia a um cenário invulgar: pessoas vindas de Lisboa a invadirem a sua rua, depositando todos os dias uma nota de 20 euros nas caixas de correio dos moradores. Mais invulgar ainda: ninguém lhe explicava a razão. Diziam-lhe apenas — a ele e aos seus vizinhos — para continuar a ver a caixa do correio, todos os dias, enquanto filmavam as reações dos moradores, na sua maioria desconfiados de que as ofertam “deviam trazer água no bico”.

O mistério foi desvendado este sábado, quando os lisboetas que agitaram a cidade nos dois dias anteriores regressaram a Évora, desta feita acompanhados pelo humorista António Raminhos. Foi a este que coube a tarefa de depositar os últimos 20 euros nas caixas de correio dos moradores da rua do Ouro. E foi também ele o responsável por finalmente os esclarecer porque estavam os habitantes a receber dinheiro todos os dias.

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A (invulgar) campanha publicitária destinava-se a promover uma aplicação: o Quoty, uma app que permite aos utilizadores fazerem listas de compras digitais, verem todos os folhetos promocionais de lojas ou supermercados do seu interesse, que se encontram agregados digitalmente na aplicação, e localizarem as lojas mais próximas de si, entre as que vendem produtos que os utilizadores procurem.

A aplicação inspira-se numa outra aplicação de origem belga, a myShopi, e foi lançada em Portugal a 5 de novembro de 2015. Contudo, só a partir de janeiro deste ano é que a equipa que trabalha a implementação do Quoty no mercado português começou “a desenvolver a app e a comunicar a app ao mercado”, tendo em vista o “aumento do número de utilizadores” nacionais, contou ao Observador o diretor do Quoty em Portugal, Filipe Nery.

Neste momento, a aplicação, que está presente em nove países (para além de Portugal, existe também em Espanha, Itália, Roménia, França, Bélgica, Alemanha, Holanda e Reino Unido) e que soma cerca de cinco milhões de utilizadores por toda a Europa, conta com mais de 20 mil utilizadores portugueses. Mas o objetivo da Quoty é “fazer crescer a base de dados e chegar aos 100 mil utilizadores” portugueses até ao final de 2016. Só a partir desse número, explica Filipe Nery, é que os responsáveis da Mediapost, empresa que, em 2010, adquiriu licença para implementar o Quoty no mercado nacional, definirão com exatidão o modelo de negócio do Quoty e os seus objetivos de faturação.

Dinheiro grátis? Mas se “ninguém dá nada a ninguém”

José Perfeito tinha ido às compras no primeiro dia. Quando chegou a casa, na quinta-feira, um vizinho perguntou-lhe se “já me [lhe] tinha saído a sorte grande”.

Fotografia cedida por João Carmona

Foi esse objetivo, o de aumentar o número de utilizadores do Quoty no país, que levou Filipe Nery a querer promover a aplicação através de uma estratégia pouco habitual: a de dar dinheiro às pessoas sem razão aparente. Surgiu a Free Money [em português, “Dinheiro grátis”], a ação promocional que tentou mostrar aos moradores de uma rua em Évora que, “utilizando a app, podem poupar dinheiro todos os dias”.

Os dois dias anteriores, quinta e sexta-feira, foram mais tumultuosos do que parecem. A equipa que realizou a campanha tanto encontrou reações positivas como adversas, por parte dos moradores da rua do Ouro, escolhida para a campanha devido ao seu nome (ligado à ideia de dinheiro e de poupança) e devido ao facto de se situar numa zona “mais rural”, ao invés de uma zona “mais urbana”, onde “seria mais difícil pôr a nossa ação em prática”, diz Filipe Nery.

Quase todos os moradores ficaram desconfiados. Paula Silva, por exemplo, foi guardando as notas que recebeu, até saber porque é que lhas estavam a dar. “No primeiro dia achei muito estranho, ninguém dá nada a ninguém. Falámos com os vizinhos para perceber o que seria”, contou este sábado ao Observador, que acompanhou a campanha no seu último dia.

As teorias foram muitas. Um dos moradores, João Fernandes, previu que a ação integrava num estudo sociológico, para perceber as reações das pessoas a ofertas como estas. Um dos seus vizinhos sugeriu que a ação deveria ser para os “Apanhados”. Houve quem dissesse que as notas “deviam ser falsas” e quem se recusasse a ficar com o dinheiro. E um dos vizinhos de Lúcia Fernandes, por exemplo, desconfiou tanto das ofertas que “falou em máfia e chamou a polícia”, conta Lúcia. As autoridades estavam ao corrente da campanha e respeitaram o segredo. Mas acorreram mesmo ao local nos primeiros dois dias, como relata José Perfeito.

Já não há almoços de borla, já ninguém dá nada a ninguém. Pensei: isto deve trazer água no bico. A Rua do Ouro é um bairro pacato. No primeiro dia, tinha ido às compras e fui abordado por um vizinho, que me perguntou se já me tinha saído a sorte grande. (…) Veio a polícia. No segundo dia, vi um aparato. [Primeiro] um carro da polícia, depois uma carrinha com quatro ou cinco polícias”, relata.

Ao terceiro dia, as explicações chegaram e a ação de campanha foi concluída. “No fundo o objetivo foi mostrar ao utilizador que pode poupar uma soma de dinheiro considerável [com o Quoty], dependendo das suas compras, ao utilizar a app”, ex Filipe Nery, que promete ainda mais campanhas de promoção por parte do Quoty, de caráter igualmente surpreendente, para o futuro.

Complexo turístico inacabado no Alentejo vai a leilão por 4 milhões

A Herdade da Palheta, que inclui um hotel em fase de construção e uma área total de 300 hectares, vai a leilão na sequência da insolvência da empresa Euro-Atlântica III, Empreendimentos Urbanísticos, indica um anúncio publicado na página na Internet da leiloeira Leilosoc.

Consultado hoje pela agência Lusa, o anúncio refere que o empreendimento foi classificado como projeto de Potencial Interesse Nacional (PIN) e “prevê a construção de uma unidade hoteleira de características conventuais com 73 quartos, com base na casa senhorial já existente”.

O complexo turístico, segundo a mesma publicação, engloba 26 hectares de vinha, já plantada e em exploração, estando projetado um campo de golfe de 18 buracos, um aldeamento turístico com casas de campo e uma barragem.

Ivo Rodrigues, da Leilosoc, disse à Lusa que, apesar do nicho de mercado, é esperada a presença de “cerca de uma dezena” de investidores, incluindo estrangeiros, no leilão da Herdade da Palheta, que se realiza, na sexta-feira, às 14:30, numa unidade hoteleira de Évora.

Indicando que a missão da leiloeira é “recuperar o máximo de capital possível para os credores”, o responsável frisou que a venda da herdade “é muito importante para a economia local” e pode ter “impacto nacional”, porque pressupõe que “alguém vai investir e criar postos de trabalho”.

Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara de Redondo, António Recto, afirmou que o município quer “ver concluído o projeto”, atendendo a que os benefícios da sua concretização “extravasam o concelho e têm impacto na região”.

O autarca lembrou que se trata de “um projeto PIN” de um conjunto de vários investimentos anunciado para o Alentejo pelo então primeiro-ministro, José Sócrates, numa cerimónia em Monsaraz, no concelho de Reguengos de Monsaraz, sendo que é “aquele que tem construção feita”.

“A empresa faliu com a conjuntura nacional e foi para um processo de insolvência” e a obra “foi-se arrastando ao longo de vários anos”, lamentou António Recto, mostrando-se otimista que algum investidor “pegue no projeto”, mesmo que faça algumas alterações.

“Estamos cá para, dentro daquilo que é legalmente possível, fazer as eventuais alterações para que se conclua o projeto”, acrescentou.

Segundo o edital publicado no portal judicial Citius, a Euro-Atlântica III, Empreendimentos Urbanísticos foi declarada insolvente pelo Tribunal de Loulé a 23 de novembro de 2012.

Empresa de Évora que faz controlo de acessos a estádios pela net desenvolve novos negócios

Estádio do Dragão

A ExclusivKey, que emprega 16 funcionários, é uma das empresas que se instalou no novo Centro de Negócios do Núcleo Empresarial da Região de Évora (NERE), localizado no parque industrial e tecnológico da cidade.

O diretor executivo, João Paulo Empadinhas, contou à agência Lusa que “a empresa começou na área do controlo de acesso para eventos desportivos” e que, atualmente, está a tornar-se “transversal”, desenvolvendo “soluções próprias” para outras áreas.

“Temos bilhética, sistema de acreditação e sistema de controlo de visitantes para as áreas mais ´corporate` e estamos a fazer a integração com câmaras CCTV, que permite, através de tecnologia de reconhecimento facial, fazer o acesso de pessoas, mesmo sem haver a necessidade de colocar um código”, enumerou.

A ExclusivKey “nasceu” em 2009 e resultou da agregação de várias empresas, cujos sócios se conheceram no Campeonato da Europa de Futebol em Portugal, em 2004, quando elaboraram em conjunto um projeto que abarcou sete dos 10 estádios do Euro2004.

Desde então, segundo o diretor executivo, a empresa fez “toda a parte de controlo de acessos, bilhética, acreditação e gestão da operação dos acessos em quatro estádios do Campeonato Africano das Nações (CAN) de 2010”, em Angola, e em dois estádios do CAN de 2012, no Gabão.

“Tivemos a oportunidade do Brasil, com o Campeonato do Mundo e com a Copa das Confederações. Fizeram-se novos estádios e eram precisas novas soluções, que não existiam, e conseguimos fazer dois projetos grandes: Maracanã e a Arena Fonte Nova”, referiu.

João Paulo Empadinhas adiantou que a empresa trabalha com a Federação Angolana de Futebol na área da bilhética e faz o trabalho de gestão dos bilhetes para os jogos da seleção angolana, através de parceiros em Angola.

“Estamos a trabalhar em Moçambique, com um parceiro, para a organização de eventos na parte da acreditação, de convite e bilhética e, no Brasil, continuamos a trabalhar nos estádios”, além da gestão da bilhética no Pão de Açúcar, também no Brasil, indicou.

Em Portugal, indicou que o principal cliente da empresa é o Futebol Clube do Porto, em que “todo o controlo de acessos” no Estádio do Dragão “foi instalado e é operado” pela ExclusivKey.

O responsável acrescentou que a empresa está também a trabalhar com “um dos grandes clubes de futebol do Brasil para desenvolver a solução própria do clube”.

João Paulo Empadinhas realçou que, inicialmente, a empresa começou como “integradora de tecnologia que existia no mercado”, mas passou a desenvolver “soluções próprias e adaptadas à realidade dos organizadores”.

“O nosso ´software` permite ter o controlo em tempo real de tudo o que está acontecer”, afirmou, indicando que, entre outros dados, consegue-se “saber quantas pessoas estão a passar em cada torniquete” e “como está a venda dos bilhetes”.

O diretor executivo frisou que a aposta na internacionalização é para continuar, prevendo entrar, nos próximos anos, em novos mercados, principalmente da América do Sul e de África.

Com presença própria em Portugal, Brasil e Moçambique e, com parceiros em Angola, Gabão e Marrocos, a ExclusivKey vende os seus serviços sobretudo para o estrangeiro, apresentando uma faturação anual de cerca de 1,8 milhões de euros e uma taxa de exportação de quase 90%.

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