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Aveiro anuncia protocolo com Serralves para formação cultural dos jovens

acordo, a ser assinado na quarta-feira, prevê, nomeadamente, “a realização de uma grande exposição anual, acompanhada de uma componente de serviço educativo, assim como a colaboração com as escolas em programas pedagógicos que visem a formação dos Jovens na área da cultura”.

A colaboração entre as duas entidades recebe um primeiro impulso com a exposição “Corpo, Abstração e Linguagem na Arte Portuguesa”, a inaugurar pelas 17:00 de quarta-feira, no Museu de Aveiro “Santa Joana”, antecedendo a assinatura do protocolo.

A exposição, que estará patente até ao dia 01 de dezembro, apresenta um conjunto de 24 obras proveniente da Coleção da Secretaria de Estado da Cultura (SEC), que se encontram em depósito no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto, desde a criação da Fundação, e na Câmara Municipal de Aveiro.

O conjunto de obras expostas “demonstra a importância que a pintura e a escultura tiveram ao longo das décadas de 1960-80 na renovação das linguagens artísticas em Portugal”.

“As obras escolhidas atestam os diversos níveis de diálogo e confluência formais que os artistas portugueses souberam estabelecer entre si e com o contexto internacional a partir do pós-guerra”, refere um texto alusivo.

Para a Câmara, que vem trabalhando na candidatura de Aveiro a Capital Europeia da Cultura, trata-se de uma “exposição única e singular, que afirma também Aveiro estrategicamente na Arte Contemporânea em Portugal”.

LUSA

Centro Cultural de Belém festeja hoje 25 anos com Dia Aberto

“CCB 25 Anos”, que é inaugurada às 19:00, vai ficar aberta ao público até 27 de maio, mas a programação começa logo às 10:00 com uma feira do livro, onde estarão várias edições publicadas pelo CCB, estando também previstas visitas aos bastidores.

A exposição vai relembrar os momentos da génese e formação do CCB, cujo projeto foi decidido em 1988 e entregue por concurso ao consórcio de arquitetos Vittorio Gregotti e Manuel Salgado.

Concluído em 1992 para acolher a primeira presidência portuguesa da então Comunidade Económica Europeia, o CCB abriu ao público em 21 de março de 1993, há 25 anos, e tem vindo a apresentar milhares de espetáculos de várias áreas e eventos de organismos públicos e privados.

A programação de hoje inclui ainda oficinas de música para os mais novos, que vão culminar num miniconcerto, e uma associação com a RTP, o primeiro parceiro do CCB, que vai envolver os diferentes canais de rádio e TV, e a consulta dos Arquivos RTP sobre o CCB, na Sala de Leitura.

O 25.º aniversário da abertura do CCB vai contar ainda com a apresentação, às 17:00, das propostas finalistas de uma possível extensão dos edifícios, desenvolvidas no âmbito do projeto “Relâmpago NucleAR”, que mobiliza 140 estudantes do Instituto Superior Técnico, através do mestrado integrado e do núcleo de arquitetura (NucleAR).

A programação das celebrações prolonga-se até ao fim do ano, com várias iniciativas, desde concertos até à estreia de um espetáculo encomendado à companhia Mala Voadora.

LUSA

Exposição de Fernando Pessoa inaugurada em Espanha na próxima semana

“Esta exposição vai apresentar toda uma série de documentos, imagens e conceitos relacionados com a figura de Fernando Pessoa”, disse João Fernandes, entrevistado pela agência Lusa, uma semana antes da inauguração da exposição ‘Pessoa. Toda a arte é uma forma de literatura’.

Partindo da obra literária do poeta e escritor português Fernando Pessoa, a exposição vai reunir, de 07 de fevereiro até 07 de maio deste ano, várias obras de artistas portugueses, relacionadas com as principais correntes estéticas de Portugal desde os inícios do século XX até 1935.

Trata-se de “um conjunto vasto de obras obtidas graças à coprodução” com a Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, onde se encontra a história do Modernismo em Portugal, e “vão ser apresentados nomes fundamentais […], assim como as suas ligações internacionais”, sublinhou João Fernandes.

Com curadoria da historiadora de arte Ana Ara e de João Fernandes, que antes de chegar a Madrid em 2012 foi diretor do Museu de Serralves, no Porto, a mostra vai ter uma seleção de obras de José de Almada Negreiros, Amadeo de Souza-Cardoso, Eduardo Viana, Sarah Affonso e Júlio, entre outros, todos relacionados com as principais correntes estéticas portuguesas da primeira parte do século XX.

Para João Fernandes, “esta vanguarda portuguesa, que é de certa forma protagonizada por Fernando Pessoa”, é “extremamente interessante de apresentar e de interrogar”.

Segundo o Museu Rainha Sofia, o objetivo da mostra é o de estabelecer uma perspetiva das principais correntes estéticas portuguesas até 1935, ano da morte de Pessoa, e do modo como a obra do poeta foi determinante para a particularização das expressões portuguesas da época.

“É uma outra forma de contar uma história da arte a partir de uma vanguarda periférica como a portuguesa que em Espanha é muito pouco conhecida”, resumiu o subdiretor do museu madrileno.

Para João Fernandes, a exposição vai significar “uma grande revelação de todo este contexto da arte de vanguarda portuguesa”, e vai servir para “nos interrogarmos sobre o que foi a relação entre centro e a periferia, no princípio do século XX na definição das novas linguagens artísticas”.

“Fernando Pessoa contrapõe conceitos seus, vanguardas suas, a que dá o nome de Intersecionismo ou Sensacionismo, aos modelos dominantes que chegavam de Paris, como o Cubismo ou o Futurismo”, explica o curador da mostra.

A mostra aborda o Paulismo, o Interseccionismo e o Sensacionismo, termos empregados pelo poeta, e que representam o eixo central da modernidade portuguesa, para articular um relato visual da arte nacional através do trabalho de vários artistas.

Segundo a página de apresentação da exposição na internet, algumas destas obras refletem “um gosto pelo popular e pela idiossincrasia lusa, tão presente na obra dos artistas portugueses” que viajaram a Paris, como na dos artistas estrangeiros que passaram por terras portuguesas, como é o caso do casal Sonia e Robert Delaunay.

A mostra dedica também uma atenção particular às revistas publicadas durante aquele período, como A Águia, Orpheu, K4 O Quadrado Azul, Portugal Futurista e Presença, em que foram publicados alguns textos de Fernando Pessoa, e que serviram como “caixa-de-ressonância” para estas ideias vanguardistas, exercendo uma grande influência estética e ideológica na intelectualidade portuguesa da primeira metade do século XX.

Para João Fernandes, ter mudado para Madrid, em 2012, significou passar a trabalhar “num conceito histórico mais amplo” do que aquele em que trabalhava em Serralves.

Enquanto em Serralves fazia uma interpretação da história da arte a partir dos anos 60 do século passado, no Rainha Sofia há “uma narrativa sobre a história da arte” que começa em finais do século XIX, possibilitando “contar uma relação entre a arte e a história, de uma forma mais ampla ao nível cronológico”.

“Neste momento penso apenas em continuar o projeto no qual estou”, disse João Fernandes que deverá continuar na equipa da atual direção do museu, liderada por Manuel Borja Villel, que acaba de renovar por mais cinco anos o contrato que tem com o Ministério da Cultura de Espanha.

O Museu Rainha Sofia é o mais visitado de Espanha e um dos mais visitados em todo o Mundo, com mais de 3,6 milhões de entradas em 2016.

LUSA

National Geographic traz a Portugal a maior “arca fotográfica” do mundo

Lemuria Land, Nosy Be, Madagascar -Joel Sartore smiles as he feeds a Lemur that's perched on his back.(WGBH Educational Foundation/Chun-Wei Yi)

O projeto Photo Ark nasceu pelas mãos de Joel Sartore, materializando o compromisso de fotografar todas as espécies em cativeiro do mundo. O intuito do projeto é levar as pessoas a encantarem-se pela biodiversidade do nosso planeta e a protegê-la. O projeto teve início em 2006 e, desde então, o fotógrafo da National Geographic já documentou 7.000 espécies.

Presente em vários países, como os Estados Unidos e a Austrália, a exposição Photo Ark estreia em Portugal pelas mãos da National Geographic, e vai estar em exibição na recém-inaugurada Galeria de Biodiversidade – Centro Ciência Viva, do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto, com a missão muito especial de sensibilizar os portugueses para um desafio à escala mundial: a necessidade de preservação da vida selvagem e da biodiversidade. O tema não poderia ser mais premente: a biodiversidade é fundamental para a alimentação humana, para a qualidade do ar e da água, para a contenção de pragas e doenças; afinal, para a manutenção do equilíbrio do clima e do planeta. Ao protegermos a biodiversidade, estamos de facto a salvar o planeta e a espécie humana.

Para Vera Pinto Pereira, Executive Vice-President da National Geographic Partners em Portugal e Espanha, “O projeto Photo Ark é uma das missões mais importantes da National Geographic. Através do extraordinário trabalho de Joel Sartore, esperamos inspirar e sensibilizar os portugueses para esta missão. Sabemos que até os mais pequenos gestos podem ter um impacto muito positivo no futuro destas espécies e do mundo animal. Por isso é tão importante mobilizar todos, porque todos podemos fazer a diferença.”

Nuno Ferrand de Almeida, Diretor do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto, elogia o teor da mensagem do Photo Ark. “O que transmite vai muito além das fantásticas fotografias com que o autor nos presenteia. Ao olharmos para as espécies da exposição é impossível ficarmos indiferentes a este problema, que é de todos nós e para a resolução do qual todos podemos contribuir.

Nos 250 m2 de exposição, vão estar patentes cerca de 40 fotografias, infografias e vídeos de espécies em perigo, através dos quais os visitantes podem ficar a saber mais sobre os animais representados e olhá-los nos olhos, sabendo que estão em vias de extinção.

Recentemente, Joel Sartore fotografou o 7.000.º animal a integrar o Photo Ark. Trata-se de um pequeno marsupial da família Petauridae que vive na Austrália (da espécie Gymnobelideus leadbeateri), também conhecido por “Fada da floresta”. Estima-se que existam menos de 50 espécimes vivos.

O objetivo de Joel Sartore é conseguir reunir no Photo Ark 12 mil fotografias de espécies cativas. Para o fotógrafo este é o momento de agir: “Esta é a melhor altura para salvarmos espécies porque são tantas as que precisam da nossa ajuda”, afirma.

PHOTO ARK

Quando em 2005 a sua mulher Kathy foi diagnosticada com um cancro da mama, entre quimioterapia, tratamentos de radiação e intervenções cirúrgicas, Joel Sartore, fotógrafo da National Geographic, decidiu fazer uma pausa para poder estar junto da família e cuidar dos seus três filhos. Durante um ano ficou em casa, aproveitando para pensar na sua carreira.

Inspirado por John James Audubon, ornitólogo americano do século XIX que pintou várias aves que hoje já estão extintas, por George Catlin, Edward Curtis e outros pintores e fotógrafos, uma questão surgiu na sua mente: como posso levar as pessoas a preocuparem-se com o facto de podermos perder metade de todas as espécies do mundo até ao final do século?

Assim, em 2006, Joel Sartore apresentou a ideia ao seu amigo John Chapo, presidente do Jardim Zoológico Lincoln Children’s, e pediu autorização para fotografar alguns animais. Apesar da doença de Kathy, o zoológico ficava perto de casa e podia trabalhar um pouco. Ao chegar ao zoológico, o fotógrafo pediu apenas um fundo branco e um animal que permanecesse quieto. Randy Scheer, o curador do zoológico, sugeriu um rato-toupeira-pelado e, por incrível que pareça, esta criatura pequena e humilde inspirou Joel Sartore na sua missão de fotografar as espécies cativas do mundo e levar o público a preocupar-se com o seu destino.

Assim nascia o projeto Photo Ark, que, através da comovente documentação de extraordinários animais cativos em todo o mundo, dá voz à biodiversidade, reclamando a sua preservação.

JOEL SARTORE

Joel Sartore é, há mais de 20 anos, um conceituado fotógrafo, porta-voz, autor, professor, conservador, parceiro e colaborador regular da National Geographic.

Desde cedo, Joel Sartore revelou interesse pela natureza e os seus primeiros trabalhos para a National Geographic introduziram-no na fotografia de natureza. Desde então, e muitas cicatrizes e sustos depois teve já oportunidade de fotografar uma vasta variedade de espécies como lobos, ursos, leões elefantes e ursos polares.

Em 2006, abraçou o projeto de criar uma documentação fotográfica de 12 mil espécies de animais cativos e em vias de extinção. O resultado é a maior “arca fotográfica” de animais do mundo.

Transformação das sociedades urbanas em que vivemos

Actors of Urban Change é um programa criado pela Robert Bosch Stiftung em cooperação com a organização MitOst e.V.. O programa mobiliza equipas intersectoriais por toda a Europa, com o intuito de fomentar a sua participação na criação e transformação das sociedades urbanas em que vivemos. Em parceria com a Ordem dos Arquitectos – Secção Regional Norte no Porto, e com coordenação da equipa de projecto local, o programa Actors of Urban Change apresenta uma exposição e promove uma Urban Change Talk sobre urbanismo DoItYourself/DoItTogether.

:: Exposição e Urban Change Talk em Inglês

Instalações de luz em espaços públicos, teatro com refugiados, oficinas de bicicletas, estudantes que renovam „ilhas“; estes representam apenas alguns dos muito diversificados 20 projectos culturais integrados na exposição. Todas as intervenções apresentadas têm um impacto directo no modo como nos relacionamos com as nossas cidades e bairros e promovem uma reflexão sobre como podemos alterar os nossos hábitos e comportamentos de acordo com novas abordagens. As equipas por detrás de cada um dos projectos são bons  exemplos de um modelo de colaboração intersectorial que inclui a administração pública, a sociedade civil e o sector privado.

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5 mil post-it’s comemoram o 81º aniversário da morte de Fernando Pessoa

O evento, a título de homenagem a Fernando Pessoa, realizar-se-á pelas 21h00 do próximo dia 30 de Novembro, e terá lugar em Viana do Castelo, na sede da agência criativa. Neste momento de celebração e criação, haverá lugar à declamação poética, a uma mostra de obras sobre a temática, da autoria de Cipriano Oquiniame e a um momento musical. Mais do que assinalar esta efeméride, pretende-se resgatar a herança artística e criativa de Pessoa, ícone maior da cultura portuguesa, enquanto escritor e publicitário.

Como explica o Diretor Criativo Fernando Lima, “Decidimos homenagear Fernando Pessoa, antes de mais, pela plena e evidente identificação com os valores da agência. Pela inegável admiração por este vulto de referência máxima na expressão de Portugalidade. Pelo desejo de divulgar o pioneirismo de Pessoa na área da publicidade em Portugal: em 1925, com 37 anos de idade, conhece Manuel Martins da Hora, que viria a ser o fundador da Empresa Nacional de Publicidade, a primeira agência de publicidade de Portugal, segundo Mega Ferreira, encetando desde então uma produtiva colaboração. Por volta de 1926-1927, o poeta criou o primeiro slogan para a Coca-Cola “Primeiro estranha-se. Depois, entranha-se”.”

Segundo a organização, “o livro Mensagem de Pessoa encerra na sua forma e conteúdo uma contemporaneidade surpreendente. Veja-se só pela estrutura; as três etapas sobre o império: nascimento, realização e morte, seguida por um renascimento. Hoje, mais do que nunca, precisamos, enquanto Portugueses, de nos erguer, sacudir a poeira e ambicionar novos voos.”


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“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.” – Uma “Mensagem” para o mundo

A obra tem como título “Mensagem”. Trata-se de um mural com mais de 5 metros de comprimento por 3 metros de altura, com a representação da imagem icónica de Fernando Pessoa e em que se convida os participantes a interagir com a obra, escrevendo pequenos textos.

Propõe-se uma leitura disruptiva do conceito da Mensagem no contexto contemporâneo, num novo paradigma em que são questionados a globalização, democratização, empobrecimento, vulgarização, mediatismo e velocidade de transferência de conteúdos. Utilizar um forte ícone como é a imagem de Pessoa e reproduzir esta em post-it’s é uma provocação, relevando A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica, como nos fala, no seu ensaio, o crítico cultural, filósofo e sociólogo alemão Walter Benjamin.

Podemos, metaforicamente, “entrar” no mural e “ver o que está por trás” da obra, através de uma das portas de acesso, com a inscrição de um dos poemas do livro “Mensagem” e assistir a um vídeo da construção do mural. O processo é também parte do “objeto” artístico.

Segundo o artista Arkaitz Brage, “Há uma tentativa de promover um diálogo com o público, assim como a reflexão num monólogo interno. Antes de escrever precisamos saber o que escrever e antes de escrever precisamos de pensar. Tratamos as mensagens como micro-discursos, resumos, que nos fazem sintetizar ideias e posições mais abrangentes. Os post-it’s, como objetos comuns, simples e de dimensões próximas, assumem a função de cápsulas de informação, formando uma obra composta por diferentes obras. Não esperamos nada mais do que um texto. No entanto, gostaríamos que, do envolvimento momentâneo, sucedesse um processo individual. Pelos seus atributos “colaborativos” a obra promove ainda o incitamento a um diálogo entre os participantes e o resto do mundo.”

Mas a obra, que apela à participação coletiva, não se resume ao físico e ao imediato. Estende-se através de uma plataforma online, em que qualquer utilizador poderá introduzir micro-poemas, num mural de post’its virtuais. É intenção que estes sejam votados para a seleção necessária à publicação futura de um livro de micro-poemas coletivo.

 

 “Primeiro estranha-se. Depois entranha-se” – Um lado menos conhecido de Pessoa

Um comerciante, qualquer que seja, não é mais do que um servidor do público, ou de um público; e recebe uma paga, a que chama o seu ‘lucro’, pela prestação desse serviço. Ora toda gente que serve deve, parece-nos, buscar a agradar a quem serve. Para isso é preciso estudar a quem se serve (…); partindo não do princípio de que os outros pensam como nós, ou devem pensar como nós (…), mas do princípio de que, se queremos servir os outros (para lucrar com isso ou não), nós é que devemos pensar como eles”.1

Assim escreve Pessoa em 1926, num dos seus textos sobre comércio e publicidade. Refira-se que o escritor adquirira competências em comércio.  Na África do Sul, Pessoa faz parte dos seus estudos na Commercial School de Durban.  Integrou a direção da Revista de Comércio e Contabilidade e publicou na Sociologia do Comércio.  Numa época em que poucos industriais tinham em conta a pesquisa de mercado, o autor estava claramente à frente do seu tempo. Na verdade, os comerciais e industriais da época pautavam-se por alguma arrogância, guiando-se por critérios pessoais de intuição e gosto e limitando o público a consumir o que era disponibilizado. Pessoa tinha um pensamento revolucionário e pioneiro, advogando a importância da consulta das vontades e gostos do consumidor.

Andréia Galhardo2a Universidade Fernando Pessoa, salienta que, através da análise das produções do escritor, percebe-se a defesa da necessidade de contornar a tendência da argumentação evidente e “impositiva” que o público rejeita, optando-se por discursos persuasivos e sedutores que apelem à sensibilidade e emotividade dos consumidores.

Após iniciar colaboração regular, na área da publicidade, como copywriter, o poeta cria o sloganPrimeiro estranha-se, depois entranha-se” para a Coca-Cola, representada pela firma Moitinho d´Almeida Lda., empresa para a qual o poeta prestou serviços como profissional autónomo. A genialidade inventiva do slogan, através do seu jogo de palavras, não impediu que a autoridade sanitária de Lisboa proibisse a distribuição do produto e determinasse a sua apreensão.

O slogan foi censurado por, alegadamente, induzir o consumo de um produto com elementos de coca; ou, a não ser verdade, pela prática de publicidade enganosa.

A censura ao slogan de Pessoa foi processada por Ricardo Jorge, diretor de Saúde de Lisboa, alegando que se do produto faz parte a coca, da qual é extraído um estupefaciente, a cocaína, não podia ser vendida ao público. Mas se o produto não tem coca, então anunciá-lo com esse nome seria publicidade enganosa. Por um lado ou por outro seria sempre ilegal. O entendimento foi que “se primeiro se estranhava e depois se entranhava”, isso é o que sucede com os estupefacientes: a primeira vez estranham e depois ficam dependentes.

A bebida acabou por entrar em Portugal três anos depois do 25 de Abril de 1974. No entanto, a Coca-Cola era vendida nas ex-colónias portuguesas Moçambique e Angola. Este paradoxo deve-se à forte influência comercial da África do Sul sobre Moçambique e, por contágio, sobre Angola.

O slogan é tão forte e preenche tão bem os requisitos atuais do que se exige de um bom slogan publicitário que sobreviveu na memória coletiva e, por ocasião do lançamento da água “Frize”, o slogan foi recriado: “Primeiro prova-se; depois aprova-se”, como observou Andréia Galhardo.

“Tudo vale a pena se a alma não é pequena.” – Pessoa à frente do seu tempo

“Mensagem” é o único livro de poesia em português publicado por Pessoa. Sai no 1º de Dezembro de 1934, um ano menos 1 dia antes da morte do escritor, embora alguns exemplares já tinham sido impressos em Outubro, para que o livro pudesse concorrer ao prémio Antero de Quental. Prémio que acabou por vencer.

Embora o título original do livro fosse Portugal, Pessoa é influenciado por um amigo para optar por “Mensagem”, alegando que o nome “Portugal” se encontra “prostituído” no mais comum dos produtos. A Pessoa agrada-lhe a palavra mensagem, nomeadamente a partir da expressão latinaMens agitat molem, isto é, “O espírito move a matéria”, frase da narrativa de Eneida, de Virgílio, proferida pela personagem Anquises quando explica a Enéias o sistema do Universo.

O livro é composto por 44 poemas e enaltece o glorioso passado de Portugal,  procurando encontrar um sentido para a antiga grandeza e a decadência existente na época em que o livro foi escrito.

São apontadas as virtudes portuguesas e defende que o país deverá “regenerar-se”, ou seja, tornar-se “grande” como foi no passado, através da valorização cultural da nação.

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Última fotografia de Pessoa (da autoria de Augusto Ferreira Gomes)

Fonte: Casa Fernando Pessoa

1 PESSOA, Fernando,  Publ. in Revista de Comércio e Contabilidade, nº 1. Lisboa: 25-1-1926. (Excerto da primeira publicação)

2 Andréia GalhardoFaculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Fernando Pessoa (UFP), do Porto, no artigo “Sobre as práticas e reflexões publicitárias de Fernando Pessoa”

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Exposição “Álvaro Siza: Gateway to the Alhambra” inaugurada hoje no Canadá

A exposição “Álvaro Siza: Gateway to the Alhambra” vai ser hoje inaugurada no Museu Aga Khan, em Toronto, no Canadá, com uma apresentação do processo criativo de um dos projetos do arquiteto português, intitulado “Puerta Nueva”, em Espanha.

A exposição, com curadoria de António Choupina, foi apresentada no início de julho, no Centro Ismaili, em Lisboa, no âmbito da quinta edição do roteiro Open House, que abriu ao público obras de referência da arquitetura, na capital portuguesa.

De acordo com o sítio, na internet, do museu de Toronto, o projeto “Puerta Nueva”, em Alhambra, Granada, “é um convite a visitar a mente extraordinária” de “um dos maiores arquitetos da atualidade”, vencedor do Prémio Pritzker da Arquitetura em 1992.

“Através de desenhos, maquetes, vídeos e entrevistas, a exposição explora a forma como Siza foi, simultaneamente, inspirado e desafiado pela grandiosa Alhambra, uma cidade que cresceu a partir de uma modesta fortaleza do século IX para uma cidadela, cinco séculos depois”, enquadra o texto do museu, sobre a mostra do arquiteto português.

Classificada Património Mundial da Humanidade, Alhambra recebe atualmente cerca de 8.500 pessoas por dia, que são acolhidos no centro de acolhimento de visitantes, desenhado por Álvaro Siza.

Nascido em Matosinhos, Álvaro Siza Vieira estudou na Faculdade de Belas Artes do Porto, onde foi professor, e criou em Portugal obras emblemáticas como, entre outras, o Pavilhão de Portugal, e a reconstrução da zona do Chiado, destruída por um incêndio, em 1988, em Lisboa, e o Museu de Arte Contemporânea de Serralves, no Porto.

No estrangeiro, são da sua autoria, entre outros, o museu para a Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, no Brasil, o Centro Meteorológico da Villa Olimpica em Barcelona, e a reitoria da Universidade de Alicante, ambos em Espanha.

Exposição explica à população o que é a Medicina Interna

Tem lugar no dia 8 de Janeiro, às 11h30, a inauguração da exposição “Medicina Interna – A Visão Global do Doente”, uma iniciativa da  Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) e do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC)  que  pretende mostrar à população  a vocação holística da Medicina Interna, uma especialidade médica que trata o doente como um todo e não apenas um determinado órgão.
A inauguração terá lugar no Átrio do Pólo dos Hospitais da Universidade de Coimbra e será precedida por uma conferência do Dr. António Arnaut sobre “O Futuro da Saúde em Portugal” no Auditório do pólo HUC – CHUC, às 11h.
A exposição é gratuita e estará patente no Átrio do Pólo dos Hospitais da Universidade de Coimbra,  até 25 de março de 2016.
Esta exposição, conduz-nos pelo percurso histórico da Medicina Interna enquanto especialidade – no ensino e na assistência clínica -,   desde as antigas enfermarias de “Moléstias Internas” nos antigos hospitais, até à actualidade.
Imagens e documentos, aparelhos médicos antigos utilizados nas enfermarias dos hospitais em Coimbra para diagnóstico e tratamento dos doentes, nomeadamente,  esfigmomanómetros, estetoscópios, albuminómetros, aparelhos para determinação da pressão venosa, contam-nos a história da Medicina Interna, através dos fragmentos de um vasto e rico património do CHUC e da FMUC.
Retrata também o percurso histórico e a actualidade da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna.
A especialidade de Medicina Interna centra a sua abordagem na avaliação e compreensão do doente como um todo, estudando as interações entre os vários órgãos e sistemas. É uma especialidade predominantemente hospitalar, abrangendo a patologia do adolescente e do adulto, estendendo ainda a sua actividade aos cuidados paliativos em doentes com doença crónica.
Os especialistas de Medicina Interna dedicam-se, não só à prevenção, mas também ao diagnóstico e tratamento de situações não cirúrgicas, bem como situações críticas onde a falha de vários órgãos domina.

Aveiro recebe salão de Banda Desenhada dedicado à revista ‘O Mosquito’

A mostra, patente no Museu Santa Joana, reproduz diversas páginas e ilustrações publicadas ao longo dos anos de publicação da revista, organizada por Saul Ferreira, entusiasta da banda desenhada.

Referência na história da BD portuguesa, ‘O Mosquito’ saiu do prelo, pela primeira vez, em 14 de janeiro de 1936 e chegou a vender cerca de 80 mil exemplares semanais e a ter periodicidade bissemanal.

Em 1942 reduziu o formato, devido à falta de papel durante o período da Guerra mundial, e chegou a ter uma separata feminina, chamada ‘A Formiga’, com a personagem ‘Anita Pequenita’.

Apelidada por alguns como ‘Mickey dos pobres’, parte do sucesso alcançado pela publicação devia-se ao seu preço concorrencial: cerca de um terço da genuína ‘Revista do Mickey’.

Deixou de se publicar em 1953, por desentendimentos entre os seus sócios, António Cardoso Lopes Júnior e Raul Correia, sendo carinhosamente recordada e guardada por colecionadores.

Saul Ferreira, responsável pela montagem da exposição da Amusa no Museu de Aveiro, organizou em 1977 o I Salão de Banda Desenhada, evento que repetiu em 1979, a par do I Festival de Cinema de Animação, com a exibição de diversos filmes em 16mm, no então Salão Cultural da Câmara Municipal de Aveiro, hoje Casa da Cultura Fernando Távora.

Joana Vasconcelos na Ajuda rendeu quase 800 mil euros

Joana Vasconcelos

Esta foi a primeira mostra realizada em parceria com uma empresa privada, a Everything is New (EIN). Aos cofres públicos chegou 179 307,02 euros, de acordo com os contratos.

A empresa, que também organiza o festival Nos Alive, foi a financiadora da exposição com o atelier de Joana Vasconcelos e a transportadora Iterartis. Entre 2012 e 2013, período sobre o qual incidiu a auditoria do TdC, realizou ainda as exposições Rubens, Brueghel, Lorrain, A Paisagem Nórdica do Museu do Prado e Os Saboias. Reis e Mecenas. Turim 1730-1750, Ambas tiveram lugar no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) que, tal como o Palácio da Ajuda, é tutelado pela DGPC. Os contratos celebrados foram diferentes e os resultados também.

Saboias deram prejuízo

A exposição de obras oriundas do Museu do Prado foi uma das mais vistas do MNAA em 2014, contribuindo para que nesse ano fossem batidos os recordes de afluência ao museu. A DGPC arrecadou 63 496,28 euros, o saldo foi de 49 320 euros. Nesta exposição, a receita de bilheteira era de 50% para cada uma das partes uma vez atingido o equilíbrio financeiro, o que aconteceu a 27 de março de 2014, diz o TdC, citando os contratos da DGPC com a EIN. A mostra esteve patente até 2 de abril desse ano e foi vista por mais de 70 mil espectadores. À entidade pública cabia, contratualmente, a montagem e desmontagem da exposição, a edição do catálogo e dividia com a fatura dos seguros e vigilância com a promotora de eventos.

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