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Autoeuropa: Trabalhadores e administração retomam negociações

O diferendo sobre os novos horários, que já vem do ano passado, esteve na origem da primeira greve por motivos laborais na fábrica de Palmela e provocou a queda da anterior Comissão de Trabalhadores, devido à rejeição de um pré-acordo que tinha sido negociado com a administração da fábrica.

A nova Comissão de Trabalhadores liderada por Fernando Gonçalves, que, entretanto, foi eleita, negociou um segundo pré-acordo, mas os trabalhadores voltaram a rejeitar a proposta por larga maioria, o que levou a administração da fábrica a avançar, unilateralmente, com um horário transitório que deverá vigorar de fevereiro a julho deste ano.

Face à boa aceitação do novo veículo T-Roc produzido na fábrica da Volkswagen em Palmela, que só este ano deverá ter uma produção de 240 mil unidades, a administração da Autoeuropa entende que é necessário mais um sexto dia de produção em cada semana, mas os trabalhadores contestam a obrigatoriedade de trabalharem ao sábado.

A remuneração dos sábados também é motivo de polémica entre as partes. A administração garante que vai pagar os sábados como trabalho extraordinário, mas os sindicatos afetos à CGTP disseram, na quarta-feira, em conferência de imprensa, que a Autoeuropa quer fazer o pagamento dos sábados como um dia normal de trabalho.

Em comunicado dirigido aos trabalhadores da Autoeuropa no passado mês de dezembro, na sequência da rejeição dos dois pré-acordos laborais, a administração da fábrica anunciou a intenção de avançar com um horário de produção de 17 turnos semanais, distribuídos por seis dias.

Na referida comunicação a empresa prometia também pagar os sábados a 100%, acrescidos de mais 25% caso fossem cumpridos os objetivos de produção trimestrais.

Apesar de várias reuniões já realizadas entre as partes, a administração e trabalhadores ainda não chegaram a uma solução que permita colocar um ponto final naquele que já é o maior conflito laboral de sempre na fábrica de automóveis de Palmela, mas as negociações entre as partes prosseguem esta quinta-feira.

Para além dos cerca de 5.000 trabalhadores da Autoeuropa, há mais três mil que pertencem a outras fábricas do parque industrial da Autoeuropa, que dependem da fábrica de Palmela, tal como muitos outros trabalhadores de diversas unidades industriais que têm como principal cliente a fábrica de automóveis de Palmela.

LUSA

Professores fazem greve no último mês de aulas do primeiro período

Elementos da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) entregaram hoje no Ministério da Educação (ME) um pré-aviso de greve, que começa a 6 de novembro e termina a 15 de dezembro, a todas as atividades desenvolvidas diretamente com os alunos que estejam inscritas na componente não letiva.

Por exemplo, um docente que dê aulas de apoio ou de coadjuvação e que esse tempo seja considerado como componente não letiva poderá fazer greve nesses momentos.

“Os professores e educadores têm um horário global de 35 horas e, neste momento, o levantamento que está feito de forma ampla e envolvendo milhares de professores mostra que os professores estão a trabalhar semanalmente, em média, 46 horas e 40 minutos”, disse o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, em declarações aos jornalistas depois de entregar o pré-aviso de greve.

Em causa está o facto de os docentes estarem a trabalhar diretamente com os alunos em atividades variadas como apoios, coadjuvação ou projetos específicos de promoção do sucesso, sem que essas horas sejam consideradas componente letiva.

Mário Nogueira diz que este é uma tendência que existe desde 2008 a que também “este Governo ainda não deu resposta”.

O secretário-geral da Fenprof explica que entregou hoje o pré-aviso de greve para que o ME tenha ainda tempo para negociar com os docentes no sentido de garantir que toda a atividade desenvolvida com aulas passe a integrar a componente letiva do horário de trabalho.

No entanto, caso a situação se mantenha até ao final do ano, a Fenprof irá entregar novo aviso de greve para que os docentes possam retomar a greve parcial no segundo período de aulas.

Autoeuropa quer alargar horário de trabalho

Para responder à produção do novo modelo T-Roc, a Autoeuropa está a negociar um novo horário com os trabalhadores da fábrica portuguesa do grupo Volkswagen, querendo mais um dia de trabalho semanal.

“Estamos em negociações com a empresa para reduzir o impacto junto dos trabalhadores e evitar o conflito social dentro da fábrica”, explicou Fernando Sequeira, coordenador da comissão de trabalhadores, conforme avança o Diário de Notícias.

A empresa propõe que a unidade passe a funcionar seis dias por semana e que os operários tenham apenas uma folga fixa, ao domingo, e duas folgas consecutivas a cada três semanas.

Segundo o Diário de Notícias, as conversações encontram-se em stand by, tendo em conta que a paralisação coletiva da firma este ano foi antecipada (só reabre na próxima segunda-feira) para preparar as linhas de montagem para o início da produção do novo modelo da Volkswagen, o T-Roc, já em agosto.

A administração garante que está a negociar com a comissão de trabalhadores “os modelos de trabalho para fazer face aos planos de produção dos próximos anos, uma vez que o interesse e a prioridade da Volkswagen Autoeuropa são, como sempre, criar um bom clima laboral, gerar e manter emprego e dar condições adequadas aos seus trabalhadores”.

EMPRESAS