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“Sustentabilidade é Competitividade”

A sessão decorre no âmbito do projeto PME Sustentável, promovido pela APEE, que visa capacitar as PME portuguesas para responder aos novos desafios do mercado, designadamente os decorrentes da Diretiva 2014/95/EU, que obrigará as empresas de interesse público a reportar informação sobre direitos humanos, mecanismos anticorrupção, ambiente, entre outros. As PME, ao pertencerem à cadeia de abastecimento destas grandes organizações, estarão, cada vez mais, pressionadas a, também elas, reportar este tipo de informação. Urge prepará-las para responder aos novos desafios, aumentando o seu potencial competitivo num mercado global.

A sessão “Sustentabilidade é Competitividade” irá, assim, levar ao tecido empresarial do Porto cinco grandes temáticas, complementadas pela partilha de boas práticas por parte das empresas J.A.M. Fernandes & Filhos, Lda e Catari Indústria S.A

PROGRAMA

Agenda 2030 da ONU e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

Sustentabilidade – Motor de Competitividade para as PME

Oportunidades emergentes na Economia Verde para as Empresas

Diretiva 2014/95/UE  – Relato da Informação não-financeira – Como cumprir

Ferramentas e instrumentos de implementação

Práticas de Sucesso

Casos Práticos e Debate

A sessão de sensibilização, conduzida por Mário Parra da Silva, Network Representative da iniciativa da ONU United Nations Global Compact – Network Portugal e reconhecido especialista em Ética, Responsabilidade Social e Sustentabilidade, contará também com a intervenção de (nome – a preencher), (cargo – a preencher) do IAPMEI, para uma mensagem de boas-vindas aos empresários locais.

Sobre a APEE – Associação Portuguesa de Ética Empresarial

Fundada em 2002, a Associação Portuguesa de Ética Empresarial tem assumido a liderança nos processos de normalização nas áreas da Ética e da Responsabilidade Social em Portugal, sendo reconhecida pelo IPQ como Organismo de Normalização Setorial. Paralelamente, é a entidade host da United Nations Global Compact, membro da Post Publication Organization da ISO 26000 e promove, anualmente, o Reconhecimento de Práticas em Responsabilidade Social junto das organizações portuguesas. Do reconhecimento das autoridades nacionais (IPQ) e internacionais (ISO e ONU) advém o empenho na organização de eventos de referência, como a Semana da Responsabilidade Social®. (http://www.apee.pt/ | http://srs.apee.pt/)

Sobre o IAPMEI – Agência para a Competitividade e Inovação, I.P. 

Instituto público de regime especial, integrado na administração indireta do Estado, dotado de autonomia administrativa e

financeira e património próprio.

Tem como missão promover a competitividade e o crescimento empresarial, assegurar o apoio à conceção, execução e avaliação de políticas dirigidas à atividade industrial, visando o reforço da inovação, do empreendedorismo e do investimento empresarial nas empresas que exerçam a sua atividade nas áreas sob tutela do Ministério da Economia, designadamente das empresas de pequena e média dimensão, com exceção do setor do turismo e das competências de acompanhamento neste âmbito atribuídas à Direção-Geral das Atividades Económicas.

Mais informação em: https://www.iapmei.pt/

Sobre o Projeto PME Sustentável

PME Sustentável é um projeto promovido pela Associação Portuguesa de Ética Empresarial, destinada ao desenvolvimento dos fatores críticos de competitividade das PME exportadoras e com potencial exportador das regiões Centro e Norte.

A finalidade do PME Sustentável é apoiar as PME portuguesas através da comunicação internacional das suas boas práticas de como estas ajudam as grandes empresas a cumprir com os requisitos da Diretiva 2014/95/EU sobre o relato de informação não financeira. Da mesma forma, o projeto visa a capacitação das PME para a economia verde e a utilização mais eficiente dos recursos naturais.

O Projeto PME Sustentável, da Medida Sistema de Apoio a Ações Coletivas – Qualificação, é cofinanciado pelo Programa Operacional Competitividade e Internacionalização (COMPETE 2020), Portugal 2020 e União Europeia, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER).

Sobre Mário Parra da Silva

Consultor em Processos de Mudança, Estratégia Comercial, Bem-Estar Organizacional e Desenvolvimento Sustentável.

Fundador da APEE – Associação Portuguesa de Ética Empresarial, da qual foi Presidente da Direção entre 2002 e 2016.

Chefe da Delegação Portuguesa no Grupo de Trabalho ISO 26000 Responsabilidade Social.

Chairman da rede europeia Prepare (Desenvolvimento Sustentável) em 2006/2009.

Fundador e Presidente da Direção do Corporate Wellness International Institute – Associação para o Bem-Estar Organizacional, Saúde Ocupacional e Responsabilidade Social Interna.

Membro do Conselho de Ética e dos Corpos Gerentes da CCP – Confederação do Comércio e Serviços de Portugal.

Membro do Conselho de Ética da CERTIF.

Membro da Comissão de Responsabilidade Corporativa & Anticorrupção da ICC Portugal.

Network Representative do United Nations Global Compact em Portugal.

Presidente da Aliança ODS Portugal

Sobre a J.A.M. Fernandes & Filhos:

PME criada em 1991 e sediada em Guimarães, dedica-se à fabricação de calçado e emprega cerca de 100 trabalhadores(as).

Com um volume de negócio de perto de 4.000.000 €, exporta para: Alemanha, Holanda, Escandinávia, Dinamarca, Grécia, Reino Unido, França, Bélgica, Nova Zelândia, Japão.

Distinguida consecutivamente, desde 2012, com o galardão PME Líder e em 2015 com o prémio PME Excelência.

Certificada pela ISO 9001 e 14001

Mais informação em: www.jamfernandes.com

Sobre a CATARI INDÚSTRIA S.A

PME criada em 1987 e sediada em Arouca, dedica-se à fabricação de máquinas para a construção e emprega cerca de 82 trabalhadores(as).

Com um volume de negócio, consolidado, em cerca de 13.700.000€, exporta cerca de 78% da produção e está presença na Europa  (Be; Es; Fr; Fi + “Balcãs) América do Sul (Br; Pe; Ci) e Africa (Ma; Mz).

Distinguida em diversos anos com o galardão PME Líder: 2010, 2013, 2016, 2017.

Certificada pela ISO 9001

Mais informação em: www.catari.pt

Novo Regulamento Geral de Protecção de Dados em debate

A um ano da aplicação do Novo RGPD aprovado pela União Europeia, para os 28 Estados Membros, o IAPMEI, a Associação para a Promoção da Sociedade de Informação (APDSI) e o Conselho Regional de Lisboa da Ordem dos Advogados, com o apoio da Associação Portuguesa de Gestão das Pessoas (APG) e suporte organizacional da LCG, juntam-se para reflectir sobre as implicações que este novo regulamento trará para as empresas, em particular, para as PME.

Estarão as nossas empresas preparadas para esta mudança? O que falta ainda definir? Como será garantido o cumprimento? São estas e outras questões que serão abordadas na conferência com o Tema: Novo Regulamento Geral de Proteção de Dados – Um ano antes da entrada em vigor” que terá lugar no dia 25 de maio, pelas 9h00, na Escola Superior de Comunicação Social.

Sobre o novo Regulamento Geral de Proteção de Dados

O “Direito ao esquecimento” e o direito à “portabilidade de dados” são algumas das mudanças que este novo regulamento impõe e que reforçam a protecção de dados dos cidadãos. Este reforço significará inevitavelmente regras mais rigorosas para as empresas e, consequentemente, mais difíceis de cumprir. A compensar a desburocratização prevista neste novo RGPD, as empresas serão obrigadas a uma série de procedimentos que garantam a proteção de dados. “Aplicação do novo Regime Geral de Protecção de Dados, obrigará a um esforço por parte das empresas na adequação de mecanismos que garantam o seu cumprimento, pois serão elas a ter esse ónus, mas será certamente uma oportunidade para despoletar a revisão de procedimentos de segurança, que irão assegurar a confidencialidade e a protecção dos dados dos cidadãos”, refere Jorge Marques dos Santos, presidente do IAPMEI.

Num momento em que a transformação digital é parte intrínseca do desenvolvimento da economia, a decorrente adequação do tecido empresarial, para responder aos constantes desafios de inovação e competitividade, não pode deixar de levar em conta a necessária transformação na capacitação das empresas ao nível de recursos, processos, sistemas e competência de gestão, de modo a garantir a segurança, proteção e privacidade dos dados dos cidadãos.

O novo Regulamento Geral de Proteção de Dados substancia as responsabilidades das organizações, facilita a livre circulação de dados pessoais no mercado único digital e reduz a carga administrativa associada. Este novo Regulamento tem um impacto transversal de âmbito jurídico, processual e tecnológico ao nível das várias unidades orgânicas das organizações e coloca nestas a responsabilidade contínua de garantir o cumprimento da legislação, organização e gestão de informação.

O risco de não desenvolver as medidas organizativas, processuais e técnicas adequadas ao cumprimento do regulamento, traz naturalmente constrangimentos ao nível da confiança por parte dos clientes, mas também sanções e penalizações avultadas, a concretizar por intermédio de coimas significativas.

“O NOSSO OBJETIVO É MINIMIZAR PROBLEMAS E MAXIMIZAR INVESTIMENTO”

Com o objetivo de promover a competitividade e o crescimento empresarial, o IAPMEI apresenta-se no mercado como um parceiro estratégico para a inovação e crescimento das empresas, empresários e empreendedores. Como define o papel do IAPMEI?

O IAPMEI é, há quase 42 anos, um parceiro estratégico à disposição das empresas. Toda a atuação do IAPMEI se baseia na proximidade às empresas, para conhecimento das suas necessidades efetivas, para crescerem, para serem mais competitivas.

A missão do IAPMEI é promover o empreendedorismo, estimular o investimento e a inovação, apoiar a capacitação competitiva das empresas, virada para o mercado global.

Nesse contexto, há quatro noções essenciais que são relevantes para compreender o papel do IAPMEI e que considero importantes para contextualizar a política pública virada para a competitividade empresarial.

A primeira é de que a competitividade das empresas depende de um conjunto diverso de variáveis, pelo que a sua promoção implica desenvolver vários instrumentos de política pública em simultâneo, mesmo que alguns assumam maior visibilidade, como é o caso dos instrumentos financeiros, dos incentivos, das linhas de crédito, do capital de risco, da garantia mútua.

Elementos como a formação-ação, a transmissão empresarial, o early warning, a ligação empresa-entidades do sistema científico e tecnológico, a literacia financeira, a mentoria, os estatutos de reconhecimento, os clusters, a melhoria da eficiência no processo de licenciamento, a atração de IDE, são igualmente importantes.

A segunda, indissociável da primeira, é de que, cada vez mais é necessário atuar em rede. Esta noção é essencial para as nossas empresas, claro, até porque a sua dimensão está abaixo da média europeia, mas é também essencial no contexto da política pública.

É por isso muito importante dinamizarmos diferentes iniciativas com diferentes parceiros. Tenho frequentemente falado não apenas na boa relação, mas na ligação estratégica que estabelecemos com a AICEP e com o Turismo de Portugal, entre outros. Com Associações Empresariais. Com os Clusters de Competitividade. Com as Associações de Business Angels. Com diversas entidades participadas pelo IAPMEI e que constituem uma verdadeira rede ao serviço das empresas: A Sociedade Portuguesa de Garantia Mútua, A Portugal Capital Ventures, a PME Investimentos, os Centros Tecnológicos, a AICEP Global Parques, a Agência Nacional de Inovação, o CEDINTEC, para citar apenas alguns.

Uma terceira tem a ver com o foco na inovação. Há muito que o IAPMEI colocou a inovação e a diferenciação competitiva no cerne das estratégias de sucesso das empresas. É importante termos a noção de que não se inova com um estalar de dedos. Inovar é um esforço continuado, é algo que apenas pode resultar de uma abordagem colaborativa, é algo que implica uma alteração cultural abrangente à organização.

Uma quarta tem a ver com a necessidade de assegurar a estruturação de instrumentos de política pública ao longo de todo o ciclo de vida das empresas. Desde o momento da geração e análise de viabilidade da ideia de negócio até ao momento de declínio da empresa, em relação ao qual é tão importante antecipar estrategicamente a sua identificação para um eficiente aproveitamento dos recursos.

O papel do IAPMEI é, por isso, o de disponibilizar diferentes instrumentos de política pública para empresas que queiram crescer, que queiram basear a sua estratégia na inovação, criatividade, diferenciação, e que apostem decididamente na internacionalização.

Que balanço é possível fazer da atuação do IAPMEI junto do universo empresarial?

Vou tentar apresentar alguns exemplos muito resumidos.

No ano de 2016 o IAPMEI transferiu para a economia mais de 500 milhões de euros, no âmbito dos sistemas de incentivos. Este valor é, para nós, muito significativo. Não tanto pelo montante, o mais elevado de sempre, mas particularmente pelo que ele representa em termos do esforço notável de milhares de empresas a investir em inovação, diversificação de processos, de produtos, de serviços e de mercados. Representa o resultado de um trabalho continuado de aposta na inovação, na eficiência de processos, na boa gestão, na adoção de tecnologia.

Um dado que utilizo sempre que posso refere-se à comparação entre níveis de exportação pós projeto e pré projeto, no âmbito de projetos aprovados no anterior período de programação – o QREN. Apenas considerando projetos sob gestão do IAPMEI, verificamos que, entre pré e pós projeto, o volume de exportações aumentou cerca de 16 mil milhões de euros. Não se deverá exclusivamente aos incentivos, claro, mas o facto de no sistema de incentivos à inovação o aumento desse volume de exportações ter sido de mais de 165% é um sinal claro do efeito desta aposta na inovação.

Um terceiro dado que é importante é o relativo às linhas de crédito que são financiadas pelo IAPMEI e que são operacionalizadas no terreno pelos Bancos e pelo Sistema Nacional de Garantia Mútua, com o acompanhamento da PME Investimentos. Perto de 180 mil operações enquadradas, mais de 16 mil milhões de euros de crédito associado, mais de 84 mil empresas e de 1 milhão de postos de trabalho envolvidos. Creio que num contexto de crédito, como o que temos vivido desde 2008, estes números devem reter a nossa atenção, até porque mais de 2/3 do valor, flui para PME.

Estamos, neste momento, em fase final do processo de reconhecimento de 20 clusters de competitividade com planos de ação estratégicos muito exigentes para os respetivos setores, e muito virados para a digitalização, bem como para as parcerias internacionais.

Temos já mais de 1000 empresas que recorreram à nossa ferramenta de early warning para diagnosticarem a sua situação quer do ponto de vista operacional, quer do ponto de vista financeiro, bem como para fazerem a comparação do seu posicionamento, numa série de indicadores, com o mercado.

Para 2016, reconhecemos 7119 empresas PME Líder e de 1785 empresas PME Excelência, constituindo bons exemplos de gestão e bons exemplos financeiros. Basta dizer que a autonomia financeira média destas empresas voltou a subir para níveis perto dos 58%.

O IAPMEI recebeu, no final do ano de 2016, a certificação de qualidade para o seu front office de atendimento e licenciamento industrial, o que constitui uma demonstração da preocupação que colocamos no acompanhamento das necessidades efetivas das empresas.

O IAPMEI disponibiliza uma agenda eletrónica para empresas candidatas aos fundos do Portugal 2020. De que se trata e o que visa esta agenda eletrónica? 

O IAPMEI tem, no âmbito do Portugal 2020, já mais de 4300 projetos aprovados e em acompanhamento. Ora, este facto, conjugado com uma máxima que aplicamos com frequência, de que o sucesso dos projetos de investimento não está na sua aprovação mas na sua execução, leva a que concentremos uma particular atenção na realização do investimento.

Nesse sentido já tínhamos divulgado manuais de boas práticas para a análise e acompanhamento de projetos. Temos vindo, entretanto a introduzir sucessivas funcionalidades à Consola de Gestão do IAPMEI, para apoio no interface com as empresas, e para apoio às empresas na gestão dos seus processos.

Ao longo de um projeto, há datas e momentos que são relevantes, para comprovação de investimentos, certificação de despesas, datas obrigatórias, datas recomendadas. O que pretendemos com esta nova funcionalidade é alertar, informar e recomendar, de forma contextualizada a cada situação, facilitando a boa gestão do projeto.

O nosso objetivo é minimizar problemas, minimizar incumprimentos, maximizar investimento.

O lançamento desta nova ferramenta é uma medida que se integra no programa Simplex+, e é dedicada às empresas e gestores de projeto com processos de candidatura a decorrer no Portugal 2020, QREN e Comércio Investe. Esta iniciativa surge em que âmbito?

Sim, esta é uma medida que queríamos implementar e que sugerimos no âmbito do SIMPLEX +.

Sabemos bem que a gestão de um projeto no âmbito dos sistemas de incentivos implica um conjunto de requisitos burocráticos, para as empresas mas também para os organismos gestores.

Esta medida enquadra-se no âmbito da estratégia do IAPMEI orientada para uma contínua desburocratização, e para a capacitação empresarial. 

Neste momento, cerca de três quartos (74,4%) dos projetos em acompanhamento dos programas de financiamento comunitário Portugal 2020 (PT2020), ou seja, mais de 2.600 projetos, já aderiram à nova ferramenta disponibilizada pelo IAPMEI. O que representam estes valores para o IAPMEI?

Os níveis de adesão mostram claramente tratarem-se de ferramentas bem entendidas e bem vistas pelo mercado. São necessárias, facilitam. Esperamos que sejam fortemente utilizadas. É, também, uma indicação de que o nosso rumo está certo.

O IAPMEI já tinha realizado, desde o quadro comunitário anterior, várias sessões presenciais com empresas, associações e mesmo com entidades que apoiam as empresas, no sentido de apostar decididamente numa gestão de projetos baseada em fatores críticos.

Essas sessões, que continuamos a dinamizar, servem ainda para ajudar a desenhar o modelo de abordagem à Consola de Gestão do IAPMEI, para a qual, como referi, temos vindo e continuaremos a introduzir funcionalidades.

O IAPMEI tem vindo a desenvolver novas funcionalidades de apoio às empresas na gestão dos seus projetos e no cumprimento das obrigações associadas à sua execução. Para além da agenda eletrónica, que outras ferramentas de apoio disponibiliza o IAPMEI aos empresários? 

No âmbito da Consola de Gestão, desenvolvemos recentemente uma ferramenta que permite um canal de comunicação mais facilitado com o gestor de projeto. Introduzimos outras facilidades como os assistentes contextuais, ou o reportório de legislação, ou ainda, como referi, os manuais de Boas Práticas.

Iremos, durante o primeiro trimestre, comunicando outras novidades. Como se costuma dizer, o caminho faz-se caminhando, e o IAPMEI tem uma visão muito clara do que pretende disponibilizar os seus clientes.

Informação ao Serviço das Empresas

Os sistemas de incentivos procuram estimular o investimento empresarial privado, inovador para o mercado e gerador de uma melhoria da posição competitiva da empresa. Constituem um estímulo para a realização do investimento, mas não devem ser confundidos com uma mera fonte de financiamento para esse investimento.

Estimular o investimento com características de inovação dirigidas para um mercado global, e baseado na estratégia empresarial, implica um envolvimento profundo de quem, na empresa, não apenas conhece o negócio, mas perspetiva o seu futuro.

Este conhecimento é indispensável, tal como indispensável é assegurar uma abordagem eficiente à preparação e realização da candidatura. Importa recordar que uma candidatura aprovada constitui apenas uma pré-condição para o sucesso de uma intenção de investimento. A execução do mesmo é crítica para que o seu impacto na empresa coincida com as expectativas que estiveram na génese da candidatura.

O Portugal 2020 apresenta um enquadramento e condições de acesso e de execução de projetos com diferenças significativas em relação ao anterior quadro comunitário – o QREN.

É neste contexto que o IAPMEI procura ter uma abordagem integrada que maximize o potencial de sucesso dos projetos de investimento, facilite o trabalho das empresas num enquadramento regulatório bastante exigente, e que contribua para um crescimento do investimento com as características relevantes do ponto de vista de política pública.

Temos vindo a desenvolver uma efetiva política de empresa que facilite o processo de instalação e de atração de investimento, nacional e internacional. Neste sentido, o IAPMEI tem realizado, pelo país, ações de coaching dirigidas a empresas com projetos aprovados, e focados nos fatores críticos de sucesso. Temos vindo, ainda, a ampliar e simplificar canais de interação com as empresas, de que é exemplo o recentemente lançado canal de comunicação Gestão de Incentivos IAPMEI +.

Já este ano divulgámos o manual/guia do empreendedor. O lançamento de dois mini-manuais de boas práticas, para candidaturas e para a gestão de projetos, vai precisamente beber à experiência desse relacionamento com as empresas, mas resulta também, da experiência de mais de 30 anos que o IAPMEI tem na gestão de incentivos, e da competência dos seus técnicos.

Estes mini manuais de boas práticas são fáceis de ler e constituem um referencial de aspetos principais a que importa dar atenção no âmbito das candidaturas. E se da leitura deste manual um responsável de uma empresa considerar que precisa de aprofundar um tema… pois bem, pode recorrer ao IAPMEI.

No tocante às boas práticas em matéria de candidaturas, os vários tópicos estão organizados por sistemas de incentivos, mas sempre referenciados a quatro questões essenciais:

1) Estratégia e sua consistência no âmbito do projeto. Consistência da estratégia declarada com o plano de investimentos, caracterização do modelo de negócios, impacto estimado nos mercados, entre outros. Uma candidatura deve ser um todo coerente, ancorado na realidade e posicionamento da empresa.

2) Caráter inovador do projeto, com uma demonstração do conhecimento do estado da arte e do posicionamento face ao mercado, incluindo a caracterização das competências que garantem a adequada execução do projeto.

3) Internacionalização, contextualizada no modelo de negócios e, portanto com uma caracterização não apenas de quanto e onde, mas particularmente de como.

4) Impacto financeiro, capacidade de financiamento e seus pressupostos.

Já no que se refere à execução do projeto, ou se quisermos, às boas práticas para a gestão de projetos de investimento, são apresentadas 10 questões críticas para o sucesso de projetos de investimento. Neste contexto são destacados elementos importantes como a relevância da informação transmitida e a gestão dos prazos de execução de projeto, cujo impacto é muito diferente do verificado em quadros comunitários anteriores.

A recente disponibilização do novo site do IAPMEI vem facilitar o potencial da informação que o IAPMEI procura disponibilizar às empresas. Cumprindo todos os requisitos e exigências regulamentares e de compliance a que estamos obrigados, bem como mantendo uma exigência consistente com a aplicação de prioridades de política pública, apostamos decididamente na maximização do sucesso dos bons projetos candidatados aos sistemas de incentivos do Portugal 2020.

A procura do Portugal 2020 (a sistemas em que o IAPMEI tem responsabilidades) tem sido mais de duas vezes superior à do QREN e, se bem que as taxas de seletividade sejam muito semelhantes, a aposta em iniciativas de qualificação da procura tem de ser constante.

Nos projetos acompanhados pelo IAPMEI, a execução é já superior a 240 Milhões de euros, bem acima do registado em período homólogo do QREN mas, em paralelo com a execução, devemos olhar para todo o ciclo de vida dos projetos. Este é um compromisso nosso, e os guias de boas práticas constituem um sinal desse compromisso. Tirem bom partido destes instrumentos.

OPINIÃO DE Miguel Cruz, Presidente do Conselho Diretivo do IAPMEI

PORTUGAL 2020 E OS VALES

 

De concorrer em mercado global (internacionalização) e com investimento que alavanque a necessária diferenciação – de produto, de serviço, de processo, de abordagem comercial, entre outras.

Não se trata pois de atribuição de subsídios, mas sim de estimular o investimento que pode ter impacto no crescimento económico do nosso país. E esse estímulo, esses incentivos, podem assumir diversas formas. Podem dirigir-se à realização de investimento que visa o desenvolvimento de novos produtos ou processos com base em Investigação e Desenvolvimento, à disponibilização de novos produtos ou serviços ou implementação de novos ou diferentes processos de produção, à procura de novos mercados ou reforço de competências estratégicas.

Estes são apenas algumas das tipologias de sistemas de incentivo, a que me refiro, por estarem na base da atuação do IAPMEI no Portugal 2020.

Entre estas diferentes formas encontra-se uma tipologia que se convencionou designar por Vales Simplificados. Nos vales são comparticipadas contratações de serviços especializados a prestar à empresa por uma entidade com competência para essa “assistência técnica”.

O conceito destes Vales está associado ao estádio de desenvolvimento de competências da empresa, e pretende constituir-se como um estímulo à criação de capacidades internas inexistentes ou ao estabelecimento de relações duradouras com parceiros.

A utilização da palavra “simplificados” resulta da necessidade de estes mecanismos serem simples em termos de fundamentação – apenas da efetiva necessidade na empresa – e sem complexidade de apresentação de rúbricas de despesa, bem como de terem prazos de execução mais curtos.

Por outro lado, esta palavra resulta da indispensável simplicidade de análise e contratação, para que possa ser dada resposta a necessidades temporalmente dependentes e limitadas. Recordo que noutros países em que este mecanismo existe, chega a haver critérios de escolha baseados em sorteio. Estes instrumentos de incentivo são muito relevantes para o estímulo ao investimento, tão necessário no nosso país, tal como para concorrer com outras empresas nacionais e internacionais, acompanhando as megatendências tecnológicas e de comportamento dos agentes e, em particular dos consumidores. Os Vales começaram por surgir em Portugal, no âmbito do QREN, associados ao I&DT, como forma de estimular uma primeira relação entre empresa e centros de saber. Depois este conceito foi alargado para a “Inovação”, para o “Empreendedorismo” e para a “Internacionalização”.

As questões centrais na gestão deste tipo de instrumentos sãoa qualificação das entidades que poderão prestar os serviços às empresas no âmbito dos Vales e a necessidade efetiva da empresa em recorrer a este serviço externo, e maximização do seu impactointernoNo âmbito do Portugal 2020, foram apresentados cerca de 6700 candidaturas de vales, tendo sido aprovadas cerca de 2300, com um investimento de cerca de 42 milhões de euros. Importa recordar que os Vales “Inovação” e “Empreendedorismo” foram rapidamente suspensos, devido ao nível de procura, e ao próprio sucesso do mecanismo na atração de candidaturas. Aliás, essa suspensão justifica em boa medida a sua taxa de seletividade.

Os Vale “I&DT” e “Internacionalização” foram mantidos com a possibilidade de aceitação de candidaturas. Os vales são, na minha opinião, um instrumento com valor. Para um correto aproveitamento deste valor considero que importa assegurar uma adequada focalização em atuações prioritárias, ser seletivo na aplicação das verbas e equacionar com detalhe qual o valor do apoio por tipologia de atuação. Um exemplo da utilidade dos vales está, como o IAPMEI tem vindo desde há muito a referir, na possibilidade do seu alinhamento com a prioridade da digitalização da economia. Esta é uma tendência clara com que as empresas se têm de confrontar e, para aquelas que estejam ainda num estádio muito inicial, os vales podem ser uma forma de começar a dar resposta a algo que só por si não assegura condições de competitividade, mas que se estabelece como condição cada vez mais necessária para competir.

Não deveremos, aliás, esquecer que, sendo as nossas empresas maioritariamente de micro e pequena dimensão, o funcionamento em rede e a atuação digital são elementos importantes para ancorar a sua atuação no mercado.

Recentemente foi, ao abrigo da estratégia para o empreendedorismo do Governo e do Ministério da Economia, no âmbito do Programa Startup Portugal, já lançado o processo de qualificação de entidades prestadoras de serviço para os Vale “Incubação”, que visam a prestação de um pacote de serviços associados à incubação de empresas, numa ação de política pública que visa estimular, não apenas o funcionamento em rede, mas as condições de sucesso do cada vez maior número de empresas recém criadas em Portugal.

Os Vales podem, assim, configurar um importante instrumento de política pública no estímulo do empreendedorismo, na promoção de modelos de negócio digitais, no impulso à internacionalização da economia e na dinamização de modelos de inovação aberta.

 

PME Excelência como sinónimo de visibilidade e credibilidade

Miguel Cruz

Que importância tem a atribuição deste estatuto para as PME’s nacionais?
O Estatuto PME Excelência é um estatuto de reconhecimento importante para qualquer empresa. É importante por se tratar de um reconhecimento realizado pelo IAPMEI, pelo Turismo de Portugal e por todos os bancos associados, valorizado por todos os stakeholders. Costuma-se dizer que nenhum homem é uma ilha. O mesmo acontece com as empresas, em particular as mais pequenas. O reconhecimento da sua excelência, solidez financeira e, em muitos casos, das suas estratégias de sucesso é essencial para o seu posicionamento e crescimento.

Que vantagens há para as empresas que ganham este estatuto?
Trata-se de um selo de reconhecimento. A grande vantagem é a visibilidade e a credibilidade que se associa a uma empresa que recebe o estatuto. É preciso não esquecer que as empresas PME Excelência são escolhidas do conjunto de empresas PME Líder, como sendo as melhores. Fruto deste reconhecimento, e do nível de exigência associado a este estatuto, há algumas vantagens adicionais, quer no acesso a alguns produtos ou serviços de entidades nossas parceiras, quer no acesso a instrumentos de financiamento como sejam as linhas de crédito.

Qual o peso destas empresas na economia nacional?
Quase 8 mil milhões de euros de volume de negócios, mais de 6 mil milhões de euros de ativo, mais de 2 mil milhões de euros de exportações, mais de 57 mil postos de trabalho. Valores importantes para um número restrito de empresas.

Castelo Branco e Guarda estão entre os distritos que menos empresas ganharam este estatuto. Até neste campo o fosso entre o litoral e o Interior é grande. O que é preciso fazer para inverter esta tendência?
Castelo Branco teve 18 empresas e Guarda 16. Representam um pouco menos de 2,5% do total dos 18 Distritos e das duas Regiões Autónomas. O número de empresas no estatuto não pode deixar de estar relacionado com a densidade empresarial de cada região. É preciso continuar a criar as condições para incrementar o investimento, aprofundar o relacionamento das empresas com entidades do sistema de inovação e investigação e estimular o funcionamento em rede.

Comparando com os anos anteriores houve alguma evolução nos setores que ganharam este estatuto?
Há uma redução do número global de empresas PME Excelência, quando comparado com o ano anterior. Tal deve-se a uma postura de maior exigência no cumprimento dos indicadores associados. No entanto, as alterações de comportamento entre diferentes setores entre um ano e o anterior foram perfeitamente marginais.
O que há a assinalar, isso sim, é que apesar de uma redução no número total de empresas, os valores médios de volume de negócios, de exportações e de autonomia financeira cresceram. As exportações médias cresceram mais de 19%, e o resultado líquido quase 50%. Os níveis médios de Autonomia Financeira continuam bem acima dos 50%.

Numa altura em que o país está a sair de uma crise profunda que levou ao encerramento de centenas de pequenas e médias empresas, premiar estas empresas é um incentivo à economia e ao investimento?
Conceder o estatuto PME Excelência a estas empresas é um reconhecimento merecido do esforço que desenvolveram, da sua resiliência e da sua estratégia. É com certeza um bom exemplo para a economia e mais uma iniciativa de estímulo ao investimento. Felizmente o ano de 2015 registou o maior número de nascimentos de empresas desde 2007, com mais de 37 mil empresas criadas. Foram criadas cerca de 2,4 empresas por cada empresa encerrada. O investimento, e o aumento do investimento em percentagem do PIB, é essencial para a capacidade concorrencial das nossas empresas, e para o crescimento da economia portuguesa, razão pela qual todas as medidas que ajudem a estimular o investimento, a competitividade e a internacionalização das nossas empresas são importantes.

Considera que Portugal é um país de empreendedores?
Penso que há cada vez mais atividade empreendedora em Portugal. Cada vez mais competência e conhecimento. Cada vez maior funcionamento em rede. Os empresários portugueses têm vindo a melhorar os seus níveis de flexibilidade, a sua capacidade de competir em contexto de elevada incerteza. São, por isso, crescentemente empreendedores. Também na fase de arranque, os últimos dados mostram que em Portugal a propensão empreendedora está ligeiramente acima da média europeia. Temos, por isso, de continuar a densificar o ecossistema empreendedor, e continuar a apostar na promoção da competitividade empresarial, alargando o número de empresas de excelência.

O IAPMEI tem recebido muitos pedidos de apoio de empresários que querem apostar numa atividade comercial/industrial?
Sim, muitos. Basta referir que, se compararmos o Portugal 2020 com o QREN, a procura mais do que duplicou, isto é, recebemos mais do dobro das candidaturas do que no período comparável do QREN. O aumento da procura regista-se em todas as tipologias – Qualificação e Internacionalização de PME, Investigação e Desenvolvimento e particularmente Inovação Produtiva e Empreendedorismo. A média de candidaturas em fases simultâneas no Portugal 2020, dirigida ao IAPMEI aproxima-se das 800. Mas vamos tendo também muita procura para instrumentos de diagnóstico e acompanhamento, empreendedorismo, entre outros.

Quais são as áreas que estão a evoluir mais?
A evolução das empresas portuguesas é sentida nas diferentes áreas de atividade com subida na cadeia de valor, e crescente internacionalização. Os desafios da competitividade empresarial são transversais, sendo que diferentes setores têm necessidade de tipos de soluções distintas. Nesta matéria importa aproveitar a oportunidade para destacar a importância da economia digital como uma emergente área com potencial de crescimento económico, e de diversificação crescente de mercados.

PME excelência 2015

No dia 10 de fevereiro, decorreu, no Europarque, em Santa Maria da Feira a cerimónia PME excelência 2015, onde foram distinguidas as empresas que mais se destacaram no ano transato.

O estatuto PME Excelência tem como objetivo sinalizar o mérito de pequenas e médias empresas com perfis de desempenho superiores e conta com a parceria do Turismo de Portugal, I.P. e dos principais bancos a operar no mercado, designadamente o Banco BIC, o Banco BPI, o Banco Popular, o Barclays, a Caixa Geral de Depósitos, o Crédito Agrícola, o Millennium BCP, o Montepio, o Novo Banco, o Novo Banco Açores, o Santander Totta.
A cerimónia PME Excelência 2015, onde esteve também presente o atual Ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, integrou dois painéis debate sobre competitividade e crescimento empresarial e os desafios futuros para a gestão das empresas de excelência, moderados, respetivamente, pela Secretária de Estado do Turismo e pelo Secretário de Estado da Indústria.
Selecionadas pelo IAPMEI e pelo Turismo de Portugal, o estatuto das melhores das melhores tem como objetivo conferir notoriedade às PME, num justo reconhecimento do seu mérito e do seu contributo para os resultados da economia. É de saudar as empresas que obtiveram os melhores desempenhos económico-financeiros e de gestão e que conseguiram manter-se competitivas num contexto económico exigente, com crescimento e consolidação de resultados

PME Excelência são menos mas faturam mais mil milhões

São menos 336 empresas face ao ano anterior, o que se deverá a critérios de seleção mais apertados neste selo de qualidade de PME, apurou o  Diário  Económico.

Apesar de serem menos empresas, todos os critérios financeiros das PME Excelência deste ano aumentaram consideravelmente. O volume de negócios das PME Excelência passou de 6,9 para 7,8 mil milhões de euros e os resultados líquidos de 471 para 674,4 milhões de euros. O EBITDA também cresceu de 867 milhões, para 1,1 mil milhões de euros. Destaque para o facto do ativo destas empresas ter aumentado 11,7% (de 5,6 para 6,2 mil milhões de euros) e de se registar um nível de exportações superior entre 2013 e 2014. De facto, se em 2013 as PME Excelência vendiam ao exterior cerca de 1,7 mil milhões de euros, em 2014 a lista (mais curta) das selecionadas passou a exportar mais de dois mil milhões de euros. Também o nível de capitais próprios das PME Excelência subiu, passando de 2,9 para 3,5 mil milhões de euros. Os níveis de autonomia financeira passaram de 52,8% para 56,4%.

As PME Excelência, que em 2015 empregavam mais de 57 mil pessoas, são escolhidas entre as PME Líder, e têm de se destacar em diversos critérios para poderem ser selecionadas pelo IAPMEI e pelo Turismo de Portugal, havendo um ‘ranking’ geral e um ‘ranking’ para o sector do turismo.

Todas as empresas têm de estar classificadas entre os três primeiros níveis de ‘rating’ (1, 2 ou 3) do Sistema de Garantia Mútua, baseado nas contas de 2014 e ter uma autonomia financeira (capitais próprios/ativo total líquido) maior ou igual a 35%.
A apresentação pode ser acompanhada no site www.pmeexcelencia.com. Depois de um debate sobre o crescimento e competitividade empresarial e os desafios de futuro na gestão da excelência, a cerimónia será encerrada pelo ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral.

No Radar do Empreendedorismo

Miguel Cruz

Por Miguel Cruz, Presidente do IAPMEI

Uma estratégia empreendedora de sucesso passará, pois, pela adequada síntese entre a oportunidade do mercado e a capacidade efetiva de resposta do empreendedor e da sua equipa, com as características desejadas pelo mercado.
Apesar da importância da palavra “tecnologia”, “Mercado” é a palavra-chave para o sucesso. Um erro de enfoque gera, muito frequentemente, uma sobrestimação da probabilidade do sucesso da iniciativa empreendedora, com consequências na capacidade de sobrevivência financeira. Não há compreensão do mercado sem compreensão da concorrência. Muitas vezes, a sobrestimação da probabilidade de sucesso encontra, com facilidade, a sua contraparte na subestimação da concorrência, atual e futura.
Para uma melhor compreensão do mercado e de um fator crítico como o time to market, é indispensável o funcionamento em rede. O funcionamento do agora comummente designado de ecossistema empreendedor.
Elementos essenciais deste funcionamento em rede são, desde logo, a educação em empreendedorismo (o IAPMEI tem vindo a investir fortemente no referencial para o empreendedorismo, a aplicar desde o ensino básico), a literacia financeira (o IAPMEI e o Conselho Nacional de Supervisores Financeiros, lançaram um referencial de formação financeira), o funcionamento de Universidades e outros Centros de Saber que têm um papel essencial na dinamização do empreendedorismo, nomeadamente tecnológico, e na credibilização técnica de ideias e competências, a disponibilidade de infraestruturas de apoio, como incubadoras, que aportem efetivo valor a pequenas organizações com estrutura inexistente ou reduzida, a mentoria e a assistência técnica, que pode ajudar a desenvolver, enfocar e adequar ideias ao mercado e, parceiros financeiros, como os Business Angels ou Venture Capitalists.
É de referir a experiência que o IAPMEI levou a cabo com o passaporte para o empreendedorismo, em que foram recebidas 2316 ideias, que foram trabalhadas, acompanhadas, escrutinadas e avaliadas, tendo 406 oportunidades de negócio sido criadas, e que se revelou muito positiva. Para tal foi essencial o contributo da Rede Nacional de Mentores, num total de quase 600 mentores voluntários inscritos. Esta primeira experiência piloto teve resultados muito interessantes, pelo que consideramos essencial aprofundar a disponibilidade deste instrumento.
Também o concurso INOVA, com mais de dez mil estudantes, e mais de mil professores envolvidos por edição, constitui uma iniciativa essencial para a dinamização do espírito empreendedor. A dinamização de uma cultura virada para o empreendedorismo é essencial, o que implica a necessidade de atuar em diferentes vertentes, desde a educação, a abordagem cultural ao insucesso (honesto), e o tempo para encerrar uma empresa, entre outros.
Na vertente financeira, há uma aposta decisiva do Portugal 2020 no empreendedorismo, quer através dos sistemas de incentivos, dirigidos a empresas criadas há menos de dois anos, quer através dos instrumentos financeiros, dirigidos a capital, através de cofinanciamento a Business Angels, e através de Venture dirigido às fases de seed e de start-up.
Em 2006, 2012, 2013, 2014, Portugal, através de um exercício coordenado e dinamizado pelo IAPMEI, de forma aberta e colaborativa, veio a receber primeiros prémios de inovação e empreendedorismo da responsabilidade da Comissão Europeia. Recebemos ainda uma menção honrosa em 2014, sempre em concorrência contra projetos de todos os restantes países da União Europeia. Em 2015, Portugal ganhou o grande prémio do júri, num projeto apresentado pelo IAPMEI e dinamizado pela Câmara Municipal de Lisboa, o Lisboa Empreende.
A presidente do júri fez, então, questão de cumprimentar Portugal pelo excelente trabalho que tem vindo a desenvolver na dinamização do empreendedorismo. É bom ter esse reconhecimento e visibilidade, sabendo, no entanto, que tal não é suficiente.
A criação de novas iniciativas empreendedoras tem um impacto direto na criatividade, inovação e capacidade competitiva da economia portuguesa, sendo por isso elemento essencial para manter um impulso no crescimento das nossas exportações.
Qualquer nova iniciativa empresarial, quando nasce, nasce no mercado global. Assim, precisamos, cada vez mais, de referências mundiais de sucesso, de acesso a capital e a financiamento global e transfronteiriço. Precisamos não apenas de apoio público, mas também de um crescimento do empreendedorismo corporativo. Precisamos de continuar a apostar na inovação empresarial e na colaboração entre empresas e centros de saber. Precisamos de recursos humanos qualificados e de competências adequados para sustentar um crescimento exponencial da atividade empreendedora. Precisamos de uma rede de empreendedores que se autoalimente.
Precisamos, por isso, de aprofundar todas estas condições de sucesso, em rede, para colocar Portugal no radar do empreendedorismo.

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