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Medidas para melhorar proteção das redes de telecomunicações em caso de fogo

Após os incêndios de Pedrógão Grande, a ANACOM decidiu averiguar o impacto dos incêndios florestais nas infraesturutras das redes de comunicações eletrónicas, “tendo constatado a exposição dessas redes a fatores de elevado risco a incêndios florestais”, lê-se no comunicado da autoridade.

“No trabalho feito pela ANACOM foi identificada a necessidade de estabelecer um novo quadro legal e regulamentar sobre o planeamento, construção, reconstrução, reconversão e instalação de infraestruturas de comunicações eletrónicas e de infraestruturas aptas ao alojamento destas”, informou, acrescentando que “este novo quadro legal deverá incluir normas técnicas, incluindo no que respeita à proteção das infraestruturas em caso de incêndio e outros desastres naturais”.

Há também uma série de outras medidas identificadas pelo regulador do mercado das telecomunicações que visam a proteção das estações de radiocomunicações, dos postes, cabos e traçados aéreos de comunicações.

No caso das estações, a ANACOM propõe o estabelecimento de uma faixa pavimentada ao seu redor com uma largura mínima adequada (exemplo: 2 metros), o corte e desbaste das copas das árvores e de arbustos que estão próximos da estação (exemplo: 5 metros), a remoção das folhas e ramos secos que estejam no interior da vedação das estações, bem como a limpeza do terreno à volta da estação e o estabelecimento de uma faixa de gestão de material combustível com uma largura adequada (exemplo: 50 metros).

A ANACOM sugere também a “fixação de requisitos que promovam a substituição de traçados aéreos de cabos de comunicações por traçados subterrâneos ou por feixes de rádio, no acesso à estação, e a partilha de trajetos nos traçados aéreos de cabos de comunicações e de cabos de alimentação de energia elétrica, para criar e manter uma faixa de proteção contra incêndios com uma largura adequada”.

No que respeita aos postes, cabos e traçados aéreos de comunicações, a ANACOM propõe “o estabelecimento de requisitos técnicos que assegurem que nas áreas de risco recorrente é dada prioridade à instalação em traçado subterrâneo e não aéreo, seja aquando da construção e instalação de novas redes, seja nos casos de reconstrução após incêndios ou outra calamidade”.

E realçou: “Neste processo devem ser aproveitadas infraestruturas já existentes (exemplo: condutas em rodovias) ou adotadas as melhores práticas constantes das recomendações da União Internacional das Telecomunicações (exemplo: perfuração horizontal dirigida e micro e mini valas)”.

A ANACOM defende ainda a colocação em cada poste de um identificador georreferenciado, com indicação do proprietário e respetivo contacto, sobretudo nos casos em que estão situados em zonas de alta ou muito alta perigosidade de incêndio florestal.

“Nessas zonas deverá ainda ser estabelecida uma faixa de proteção contra incêndios com uma largura adequada (exemplo: 5 metros) ao longo dos traçados aéreos de cabos de comunicações”, sublinhou, recomendando ainda que “sejam fixados requisitos e procedimentos de proteção contra incêndios dos postes de madeira (exemplo: pintura da base), e de resistência, no caso dos cabos de comunicações”.

Segundo a ANACOM, o objetivo destas medidas é “minimizar as situações de interrupção de serviço nos locais em que as falhas teriam impactos mais graves para as populações, como é o caso das redes de emergência e das sedes de concelho, onde se concentram elementos que prestam serviços essenciais à comunidade”.

Entre estes locais são destacados a sede da autarquia, que é o centro da decisão onde funcionam os serviços municipais responsáveis pela segurança e proteção civil, o quartel dos bombeiros, o hospital/centro de saúde/farmácia, o posto das autoridades de segurança, a escola/pavilhão de recolha e assistência à população, e os centros de abastecimento de mantimentos, combustíveis e outros bens essenciais.

“A implementação das medidas preconizadas pela ANACOM exigirá o envolvimento e consulta prévios de diversas entidades, públicas e privadas: Assembleia da República, Governo, municípios, operadores de comunicações eletrónicas, fabricantes de máquinas e materiais, bem como dos instaladores”, rematou a entidade.

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram 43 mortos e cerca de 70 feridos, mais de uma dezena dos quais graves.

Os fogos obrigaram a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas, sobretudo nas regiões Norte e Centro.

Na segunda-feira, 16 de outubro, a Anacom informou ter recebido o reporte de falhas das redes e serviços de telecomunicações de quatro operadoras.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano, depois de Pedrógão Grande, em junho, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 mortos e mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste fogo.

Marcelo Rebelo de Sousa: época de fogos definida “deixou de ter razão de ser”

Em Nelas, no distrito de Viseu, no âmbito de um conjunto de visitas que está a realizar após os incêndios do fim de semana, que mataram pelo menos 43 pessoas, Marcelo Rebelo de Sousa agradeceu o trabalho dos bombeiros e lembrou que estas pessoas, que são na sua maioria voluntários, desempenham missões ao longo de todo o ano.

“Agradecer, em nome de todos os portugueses. É muito importante aqui estar. As pessoas lembram-se deles nestas alturas [de incêndios], mas eles existem todo o ano, em outras missões. Infelizmente, há outros problemas, que não são só no verão, são também no inverno. E mesmo a ideia de que há um período de incêndios já deixou de ter razão de ser, como acabámos de verificar neste fim de semana”, alertou Marcelo Rebelo de Sousa.

O Presidente da República disse também ter a certeza que todas as autoridades “estão atentas aos seus problemas [dos bombeiros], às suas necessidades, ao seu estatuto e àquilo que é preciso fazer para os incentivar e criar melhores condições para cumprirem a sua missão”, que “é uma missão insubstituível”.

Questionado sobre o facto de a Proteção Civil estar assente no voluntarismo, Marcelo Rebelo de Sousa remeteu para o Conselho de Ministro extraordinário de sábado.

“Tenho a certeza que o Conselho de Ministro, com o Governo já com os dados disponíveis [de vários relatórios], e conhecendo como eu conheço, como os autarcas conhecem, o tipo de desafios que se colocam em termos de Proteção Civil aos bombeiros, quer em intervenções urbanas, quer na floresta e que se ligam muitas vezes, quer noutras intervenções, tenho a certeza que isso vai ser tratado no Conselho de Ministros”.

Marcelo Rebelo de Sousa deve ainda hoje visitar os concelhos de Seia e de Carregal do Sal.

Cristiano Ronaldo mesmo fora do país não se esquece dos portugueses

internacional português Cristiano Ronaldo ofereceu os tratamentos aos 370 feridos pelos incêndios que deflagraram em Portugal no último domingo, o dia do ano com mais incêndios.

A informação foi avançada por uma publicação de uma página de fãs do jogador, esta quinta-feira.

“Cristiano Ronaldo pagou o atendimento médico das 370 pessoas feridas no incêndio em Portugal”, lê-se na publicação.

Posteriormente, Katia Aveiro confirmou o ato solidário do irmão, ao fazer uma partilha dessa mesma publicação. “E é isto. Boa noite”, escreveu a artista, de 40 anos.

 

Doze horas de música em França para ajudar vítimas de fogos em Portugal

espetáculo ‘Solidarité Portugal’, que vai acontecer na sala Le Rex Cabaret, vai começar às 16:00 locais de sábado (menos uma em Lisboa) e vai durar até às 04:00 de domingo, juntando mais de 20 artistas franceses e portugueses, de acordo com o organizador, o artista David Dany.

Advertisement“Coloquei um anúncio no Facebook a dizer que ia organizar o evento e tive muitos artistas portugueses e franceses a ligarem. Tive tantos artistas, que decidimos fazer um espetáculo de 12 horas e cada artista tem meia hora para atuar”, explicou David Dany, que organizou o evento com a produtora Cath Phil Productions.

As receitas vão reverter para as vítimas dos incêndios de Pedrógão Grande, em junho – em que morreram 64 pessoas e uma mulher foi atropelada quando fugia – porque o concerto estava a ser organizado antes dos fogos de domingo.

Com os últimos incêndios, que fizeram mais 43 vítimas mortais e cerca de 70 feridos, a iniciativa ganhou “ainda mais sentido”, acrescentou David Dany, que vai tentar organizar novo concerto para angariar mais fundos para os que foram afetados pelos novos fogos.

“O concerto foi preparado especialmente para Pedrógão, mas vamos ver se podemos fazer outro evento. Vamos ter palavras para todos os portugueses que estão em sofrimento e vamos motivar outras pessoas a fazer mais eventos. É muito importante a gente dar um apoio ao nosso país”, concluiu o artista, de 55 anos, que vive em França há 46.

O concerto vai juntar cantores “de todos os estilos, desde rock, pop, hip hop, fado, música folclórica, ‘chanson française'” e vai contar com os artistas David Dany, Claude Cedric, Alain Alban, Karine Ayello, Valérie Oriana, Margot Lou, Juline, Dj YS Francois, Rodolphe Revel, Bruno Santos, Hugo Markes, Sónia Flávia, Eufrásia, Alves Fonseca, Os Latinos, Dany Joe, Ameja, Elio Voulzy, Marcel Azna, Groove Academy, Belly Ophelie, Annie Jeannin e Corentin.

Folgosinho, Gouveia: Habitantes querem criar associação de defesa da floresta

O projeto vai ser dinamizado pelo movimento “Vamos ajudar a renascer Folgosinho!”, que surgiu nesta aldeia da Serra da Estrela após os incêndios de domingo e de segunda-feira.

“Passadas poucas horas da tragédia que varreu a zona Centro do país, em plena encosta norte da Serra da Estrela, no concelho de Gouveia, a aldeia de Folgosinho mobilizou-se para tomar medidas de apoio à população e para criar soluções de futuro, para que não mais venha a ser vítima deste tipo de calamidades”, refere Rita Brazete, representante do movimento.

Segundo a responsável, a criação de uma associação sem fins lucrativos, para defesa da floresta, será discutida no dia 28, durante a realização de um plenário popular marcado para as 21:00, para o salão de festas de Folgosinho.

Os promotores pretendem que a futura coletividade “se afirme como interlocutora credível na área da preservação da floresta e da natureza”.

A associação terá como objetivos “a proteção da floresta e da natureza da área administrativa da freguesia, a captação de meios e auxílios disponíveis no país (ao nível institucional e empresarial) e a interação com as diversas entidades ligadas à gestão da floresta e ao ordenamento do território, em ordem a prover uma nova realidade rural e florestal em Folgosinho”.

Rita Brazete, representante do movimento “Vamos ajudar a renascer Folgosinho!”, sublinha ainda que a criação da associação de defesa da floresta “é uma iniciativa espontânea e local, que prova que o interior ainda está vivo e que exige o seu lugar no país, designadamente no que respeita à proteção e segurança das suas populações”.

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram 43 mortos e cerca de 70 feridos, mais de uma dezena dos quais graves.

Os fogos obrigaram a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas, sobretudo nas regiões Norte e Centro.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano, depois de Pedrógão Grande, em junho, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 mortos e mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste fogo.

Câmara de Tábua regista 54 casas de primeira habitação destruídas pelo fogo

As casas de primeira habitação destruídas são 54, mas o número dispara “para as centenas”, se forem contabilizadas residências de segunda habitação, casas desocupadas, anexos e barracões, disse à agência Lusa o presidente da Câmara de Tábua, Mário Loureiro.

As pessoas que ficaram desalojadas estão neste momento, “essencialmente, em habitações de família”, sendo que também foi assegurada resposta por parte da Câmara, em casas e apartamentos que estavam disponíveis, informou.

O concelho tem a lamentar “três vítimas mortais”: Um casal que fugia de uma casa isolada que acabou por não arder e um homem de Midões que foi apanhado pelas chamas quando tentava proteger os seus bens, tendo falecido no hospital.

No entanto, o autarca alerta que o número poderá aumentar, referindo que se mantêm internados em Coimbra “alguns feridos em estado grave”.

A empresa Resimadeiras, ligada à área da exploração florestal e vocacionada “para as exportações”, terá tido “um prejuízo de dois milhões de euros”, tendo sido destruídos camiões, equipamentos e materiais que estavam armazenados, afirmou o presidente do município.

Há outras empresas de pequena dimensão também afetadas, bem como vários produtores agrícolas, com explorações “com um caráter empresarial”.

Centenas de cabeças de gado bovino, ovino e caprino morreram, registando-se ainda a destruição de muitas máquinas agrícolas, tratores, alfaias agrícolas e arrecadações, realçou Mário Loureiro.

Um jardim-de-infância, uma capela e “três palácios” situados na freguesia de Midões foram destruídos, sendo que algumas zonas de percursos pedestres “com uma paisagem fantástica” também arderam, notou.

“Isto foi uma coisa impensável. Nós temos todos que começar a pensar muito bem nas alterações climáticas, porque é uma realidade e nós não estávamos preparados para isso”, frisou à Lusa o presidente da Câmara de Tábua.

Para o autarca, é necessário agora ter atenção às espécies de árvores que se plantam, ao ordenamento florestal e às “construções em sítios de risco”.

“Pedrógão Grande foi uma maquete do que tivemos aqui”, resumiu.

Marcelo Rebelo de Sousa visita concelhos afetados pelos incêndios

Em declarações à SIC nos Paços do Concelho de Vouzela, o chefe de Estado disse: “Vou prosseguir através de municípios vizinhos [de Vouzela] hoje, amanhã voltarei e durante o fim de semana, por aqui estarei nos próximos dias”.

Estas deslocações do chefe de Estado não constam da agenda oficial do Presidente da República.

“Vamos ver se consigo [estar com as famílias], não com todas, mas com uma ou outra de acordo com as indicações dos autarcas, eles é que são mais sensíveis ao estado de espírito das populações”, acrescentou.

No distrito de Viseu, registaram-se 18 vítimas mortais, designadamente em Vouzela (oito), Santa Comba Dão (cinco), Nelas (uma), Carregal do Sal (uma), Tondela (duas) e Oliveira de Frades (uma).

O presidente da Câmara de Vouzela, Rui Ladeira, já disse que “80% a 90% do concelho foi arrasado” pelas chamas, que também deixaram “pelo menos 20 famílias desalojadas” e destruíram “centenas de postos de trabalho”.

O Presidente foi ainda questionado sobre a remodelação governamental na sequência da demissão da ministra da Administração Interna tendo respondido que não comentava.

“Agora estou aqui numa missão mais importante que isso”, disse.

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram 42 mortos e cerca de 70 feridos, mais de uma dezena dos quais graves.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano, depois de Pedrógão Grande, em junho, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 mortos e mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste fogo.

Associação ambientalista alerta para erosão dos solos na Serra da Estrela

A Serra da Estrela, principal abastecedor de água ao país, tem sido muito fustigada pelos incêndios e essa factualidade está a causar a erosão dos solos que se tem vindo a agravar pela manifesta ausência de vegetação nas cotas mais elevadas da serra e a causar danos na capacidade de armazenamento de água no subsolo, situação à qual não está a ser dada a devida atenção”, alerta a ASE em nota hoje enviada à agência Lusa.

A posição da associação ambientalista surge no seguimento dos incêndios rurais que se registaram na zona da Serra da Estrela, concelhos de Seia e de Gouveia, no domingo e na segunda-feira.

Para a ASE, o momento que o país está a viver “não deve servir para a chicana política nem para análises de circunstância”, pelo respeito que merecem os cidadãos que perderam as suas vidas, bens e “todos os que ainda nem sequer recuperaram do cansaço e das feridas que os terão marcado para a vida”.

Segundo a coletividade presidida por José Maria Saraiva, “no fundo, o que urge fazer é procurar não perder mais tempo, pensar mais no interesse do país, porque não há folga para mais erros como os que foram cometidos ao longo destas quatro décadas”.

“A ausência de investimentos para a melhoria das condições dos nossos agricultores que os estimulasse a manter as suas explorações agropastoris, valorizando o seu contributo para o equilíbrio dos ecossistemas, foi contrariada por fortes impulsos para a promoção de povoamentos de eucaliptos que estampam a paisagem de norte a sul do país”, sublinha.

Na análise da tragédia causada pelos fogos, a ASE aponta que, “além das variáveis associadas às condições atmosféricas, os eucaliptais, independentemente de serem bem ou mal geridos, são um dos fatores que mais influenciam a dinâmica dos fogos”.

“Apesar de todos os problemas que a Serra da Estrela enfrenta, inclusive da alteração estrutural na orgânica do combate aos fogos e que a experiência que uma centena de anos já demonstrara que funcionava bem, temos a sorte de não existir um único povoamento de eucaliptos digno de registo”, aponta.

Para isso contribuiu a associação quando, na década de 1980, “foi capaz de sensibilizar a Portucel para não povoar com eucaliptos a encosta de Famalicão da Serra [no concelho da Guarda], como estava previsto fazê-lo”.

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram 42 mortos e cerca de 70 feridos, mais de uma dezena dos quais graves.

Os fogos obrigaram a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas, sobretudo nas regiões Norte e Centro.

O Governo decretou três dias de luto nacional, entre terça-feira e hoje.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano, depois de Pedrógão Grande, em junho, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 vítimas mortais e mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste fogo.

Costa “não merece uma segunda oportunidade”

“Este Governo não merece uma segunda oportunidade depois de ter falhado tantas”, afirmou Pedro Passos Coelho, numa declaração aos jornalistas, na Assembleia da República, à margem da reunião do grupo parlamentar do PSD.

Questionado se António Costa deveria ter-se demitido, respondeu: “Eu acho que o primeiro-ministro não tem condições para inspirar confiança ao país de que seja capaz de fazer o contrário do que fez até hoje. Esse é o meu sentimento, cabe ao primeiro-ministro avaliar se tem condições ou não”.

O presidente do PSD anunciou ainda o voto favorável do partido em relação à moção de censura que o CDS-PP vai apresentar ao Governo.

Centenas de pessoas mostram indignação pelas mortes causadas pelos incêndios

Apesar da chuva, a adesão à manifestação superou as expectativas dos organizadores, que a convocaram através da rede social FaceBook e que, como disseram à Lusa, apenas quiseram mostrar que as pessoas estão “saturadas e revoltadas” com o que aconteceu.

Centenas de incêndios deflagraram domingo e provocaram pelo menos 41 mortos e 70 feridos. Em junho já tinham morrido mais 64 pessoas também na sequência de incêndios na zona de Pedrógão Grande.

A vigília da noite passada, na qual estiveram presentes alguns familiares de vítimas mortais dos incêndios e em que alguns dos presentes empunhavam uma vela acesa, foi convocada em duas páginas diferentes da rede social e os seus organizadores nem se conheciam, como disseram à Lusa.

Paulo Gorjão, professor universitário, foi um deles. À Lusa disse que teve a iniciativa para mostrar pesar por mais de uma centena de mortes, mas também para sensibilizar o Presidente da República “para que faça uso dos poderes constitucionais”, nomeadamente “a palavra”, no sentido “de por um ponto final” ao que aconteceu, que “é uma vergonha”.

Para Paulo Gorjão, a equipa do Ministério da Administração Interna “não tem condições para continuar” e também a Autoridade Nacional de Proteção Civil tem de ser “revista de alto a baixo”.

“Tem de ser tudo revisto”, disse à Lusa, acrescentando que a ministra da Administração Interna não tem legitimidade para ocupar o cargo.

Perante a grande adesão à vigília, que o surpreendeu, Paulo Gorjão concluiu: “a leitura que faço é que há uma enorme saturação das pessoas com tudo isto, uma insatisfação pela inoperância”.

Nuno Pereira da Cruz, advogado, foi outro dos organizadores da manifestação, que inicialmente nem estava convocada para a Presidência. “Pensei que tínhamos de fazer alguma coisa. Criámos um grupo no FaceBook e em duas horas tínhamos centenas de adesões”, disse à Lusa.

Foi Jorge Santos, enólogo, amigo de Nuno Cruz, quem criou o grupo. “Foi espontâneo, sem qualquer expectativa, o que interessa foi o que senti nesse momento, e a verdade é que muitos estavam a sentir o mesmo que eu”, disse à Lusa.

Nuno Cruz tem também uma leitura da grande adesão à iniciativa: “mostra que não nos resignamos, que não estamos inertes e que exigimos mais e melhor dos decisores. É demasiado grave para que não se tomem iniciativas”.

Ainda que o Presidente da República estivesse fora, se fosse possível, disse Nuno Cruz, diria a Marcelo Rebelo de Sousa que “é tempo de agir e de utilizar o capital político que tem”.

E Paulo Gorjão, lembrando que não foi pedida qualquer audiência ao Presidente, dir-lhe-ia, como explicou à Lusa, que os portugueses estão fartos “de beijos, abraços e selfies”.

A ideia estava escrita também num cartaz de um dos manifestantes, “chega de afetos”, com outros a dizer frases como “governo do 3.º mundo”, “não sou de esquerda, não sou de direita, sou por um Estado integro e com valores”, ou ainda “Vai de férias MAI”, numa referência à ministra da Administração Interna.

Os participantes na vigília haveriam de gritar também a frase “Vai de férias” e “Demissão”, depois de entoarem o hino nacional.

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