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Incêndios: Governo admite urgência e assume como prioridade limpeza das matas até maio

“Não deixaremos de fazer tudo para que, no domínio da prevenção, no domínio da preparação para um melhor combate, se faça este ano – como tem dito o senhor primeiro-ministro — tudo aquilo para que nada seja como antes nesta matéria”, declarou Eduardo Cabrita.

Na conferência de imprensa no final do Conselho de Ministro, o governante disse que estão identificadas 19 áreas de maior risco de incêndios florestais, numa lista “que será subsequentemente divulgada a todos”, assim como os municípios, as freguesias e as aldeias em que se verifica um maior risco.

“Para todos os cidadãos, a maior prioridade agora é a sensibilização para a prevenção”, defendeu o tutelar da pasta da Administração Interna, indicando que deve existir um “esforço nacional” neste domínio para que, “com meios reforçados, previstos no Orçamento do Estado, se programe o combate e se prepare a transição para um modelo diferente, um modelo que permitirá sobretudo uma intervenção acrescida na área florestal”.

Os incêndios que deflagraram na zona de Pedrógão Grande, distrito de Leiria, e Góis, distrito de Coimbra, a 17 de junho, provocaram 66 mortos: a contabilização oficial assinalou 64 vítimas mortais, mas houve ainda registo de uma mulher que morreu atropelada ao fugir das chamas e uma outra que estava internada desde então, em Coimbra, acabou também por morrer.

Do incêndio resultaram ainda mais de 250 feridos.

Já as centenas de incêndios que deflagraram no dia 15 de outubro, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram 45 mortos e dezenas de feridos. Esta foi a segunda situação mais grave de incêndios com mortos em Portugal, depois de Pedrógão Grande.

Tendo em conta outros incêndios no ano passado, registaram-se pelo menos 116 vítimas mortais em fogos de origem florestal.

A palavra do ano 2017 é “incêndios”

A Palavra do Ano 2017 é “incêndios”, anunciou hoje a Porto Editora, que promoveu esta escolha durante o passado mês de Dezembro, e na qual participaram 30 mil internautas.

“Incêndios” alcançou 37% dos votos, impondo-se às restantes nove candidatas, foi hoje anunciado na Biblioteca Municipal Ary dos Santos, em Sacavém, no concelho de Loures, nos arredores de Lisboa.

A palavra “incêndios” foi escolhida por causa dos “sucessivos incêndios” que se fizeram sentir durante o ano passado em todo o país. O ano de 2017 “foi um dos mais trágicos de sempre, pela enorme quantidade de vítimas e pela dimensão da área atingida”, justificou a Porto Editora, quando no início de Dezembro último apresentou as dez palavras candidatas.

No 2.º lugar, com 20% dos votos, ficou o vocábulo “afecto” e, no 3.º, “floresta”, com 14% das escolhas.

O 4.º lugar é ocupado pela palavra “vencedor”, com 08% dos votos, um termo escolhido por, em Maio do ano passado, “pela primeira vez, e de forma surpreendente”, Portugal ter sido o país vencedor do Festival Eurovisão da Canção, “sendo de sublinhar o entusiasmo e o carinho que o cantor Salvador Sobral despertou junto dos portugueses”, escreveu a Porto Editora.

No 5.º posto, ex-aequo – com 05% cada –, ficaram os termos “crescimento”, uma palavra que “há bastante tempo não era usada para definir o comportamento da economia portuguesa, facto que foi notório ao longo do ano”, e “cativação”, palavra que se tornou muito visível e “algo controversa, na estratégia orçamental do Governo”, no âmbito do “objectivo de manter o défice abaixo dos valores definidos com a União Europeia”.

No 7.º lugar, ficou “desertificação”, que arrecadou 04% das intenções, e, no 8.º, ex-aequo, com 03% das intenções de voto, cada, ficaram os termos “gentrificação” e “peregrino”.

No último lugar ficou “independentista” com apenas 01%.

Esta foi a nona edição da iniciativa, tendo as palavras sido escolhidas através do ‘site’ Palavra do Ano.

Na primeira edição, em 2009, a Palavra do Ano foi “esmiuçar” e, em 2010, “vuvuzela”, à qual se sucederam “austeridade” (2011), “entroikado” (2012), “bombeiro” (2013), “corrupção” (2014), “refugiado” (2015) e “geringonça” (2016).

LUSA

EUA: declarado estado de desastre na Califórnia devido aos incêndios

“O Presidente Donald Trump declarou que há um grande desastre no estado da Califórnia e ordenou ao governo federal que preste assistência à região num esforço para recuperar as zonas afetadas pelos incêndios, que começaram a 4 de dezembro de 2017 e que ainda estão ativos”, indicou a Casa Branca em comunicado.

Perante a gravidade dos incêndios, agravados por ventos fortes, Donald Trump já havia declarado o estado de emergência na Califórnia em meados do mês passado com o objetivo de aliviar o sofrimento da povoação local e prestar assistência às autoridades estatais, locais e tribais.

De acordo com dados do Departamento Florestal e de Proteção Contra Incêndios da Califórnia, o incêndio batizado de “Thomas” superou o recorde do “Cedar”, fogo que, em outubro de 2003, queimou 110.579 hectares no condado de San Diego.

Esta classificação dos maiores fogos da Califórnia só tem em conta os incêndios registados a partir de 1932.

O incêndio “Thomas” destruiu ainda pelo menos 1.063 edifícios – contra 2.820 do “Cedar” em 2003 – e fez duas mortes, enquanto o “Cedar” causou 15 vítimas mortais.

2017 foi o pior ano em termos de incêndios florestais desde que há registos na Califórnia, devido sobretudo aos grandes fogos de outubro, que atingiram vários condados daquele estado e consumiram grande parte das famosas regiões vinícolas de Napa e Sonoma.

Estes incêndios custaram a vida a 44 pessoas e destruíram cerca de 8.900 edifícios, segundo o balanço final facultado pelas autoridades.

LUSA

Programa Nacional de Fogo Controlado arranca hoje para limpar 10 mil hectares florestais

Em declarações à agência Lusa, o secretário de Estado das Florestas, Miguel Freitas, disse que esta é a primeira fase de candidaturas ao programa PNFC, em que se prevê a limpeza de 10 mil hectares de floresta, com técnicos credenciados para fazer fogo controlado, num investimento de 1,2 milhões de euros.

De acordo com o governante, a abertura de candidaturas ao PNFC representa “a implementação da primeira grande medida com impacto em espaço florestal da Reforma da Floresta”.

“Do ponto de vista simbólico, é muito importante, porque esta é uma daquelas medidas absolutamente inovadoras, é a primeira vez que o país tem um plano nacional de fogo controlado”, declarou Miguel Freitas, advogando que esta prática de gestão de combustíveis florestais é “boa” e “económica”.

O PNFC tem “como objetivo direto o desenvolvimento de ações de prevenção estrutural duráveis e sustentáveis, promovendo a compartimentação dos espaços e, como objetivo indireto, o reforço do quadro de técnicos credenciados, contribuindo para o uso da técnica de fogo controlado na gestão silvícola e da paisagem”, de acordo com o diploma publicado em Diário da República.

O programa tem definida uma área prioritária de “cerca de 50 mil hectares” para fazer fogo controlado nos próximos dois anos e meio, referiu o secretário de Estado das Florestas, acrescentando que os cerca de 100 técnicos credenciados existentes hoje para fazer fogo controlado é um número “insuficiente para as necessidades”, pelo que o Governo tem “a intenção de qualificar mais técnicos no futuro”.

“Neste momento, fazíamos uma média de 1.500 hectares por ano de fogo controlado”, indicou o governante, pelo que o PNFC vai reforçar o uso desta técnica de limpeza das florestas nacionais para a prevenção dos fogos.

A primeira fase de candidaturas ao programa PNFC destina-se às zonas não ardidas, já que “o objetivo é, essencialmente, abrir ou manter rede primária de defesa da floresta contra incêndios”, explicou Miguel Freitas.

“No próximo ano, abriremos um outro anúncio para ser executado ainda no ano de 2018, portanto, a nossa ideia é acima de tudo consolidar uma prática em Portugal, que é a prática do fogo controlado, que é um instrumento muito económico de gestão de combustíveis”, avançou o tutelar da pasta das Florestas, referindo que, em termos de janela meteorológica de oportunidades, existem dois períodos em que se pode fazer o fogo controlado: a primavera e o outono.

Neste sentido, a primeira fase de candidaturas ao PNFC prevê-se que seja executada até maio de 2018 e a segunda fase entre setembro e novembro de 2018.

“Admitimos com esta prática, se continuarmos a dar sinais de que isto é uma prática para ficar, que no ano de 2019 poderemos ter a área prioritária [cerca de 50 mil hectares] praticamente toda tratada”, perspetivou o secretário de Estado das Florestas.

O governante reforçou ainda que a prática de fogo controlado só pode ser realizada por técnicos credenciados, que usam o fogo para fazer limpeza de matos “em zonas devidamente condicionadas e em ambiente absolutamente controlado”.

LUSA

Provedora já recebeu mais de 60 requerimentos de indemnização

Numa resposta escrita enviada à agência Lusa, a Provedora de Justiça, Maria Lúcia Amaral, informou que recebeu, até hoje, “37 processos correspondentes a 37 vítimas, apresentados por um total de 64 requerentes”.

O primeiro requerimento foi recebido a 14 de dezembro, um dia depois de a Provedora de Justiça ter realizado uma conferência de imprensa em que apelou aos familiares das vítimas para que apresentassem os formulários para que as indemnizações sejam atribuídas rapidamente

Segundo Maria Lúcia Amaral, os processos de indemnização recebidos encontram-se em análise, assegurando que “as respostas irão obedecer ao princípio da celeridade”.

Para esclarecer os familiares das vítimas, o ‘site’ da Provedora de Justiça disponibiliza “toda a informação relevante” e um correio eletrónico e uma linha telefónica para esclarecimento sobre esta matéria.

Desde 13 de dezembro, a Provedora de Justiça recebeu “diversos pedidos de esclarecimento” por estes canais que “se encontram ao dispor dos cidadãos” e presencialmente recebeu 15 solicitações.

A Provedora de Justiça explicou, na conferência de imprensa, que a sua tarefa “é aplicar a cada caso os critérios que foram definidos” para as indemnizações para os familiares das vítimas mortais dos incêndios, criados por resolução do Conselho de Ministros.

O Conselho de Ministros fixou em 70 mil euros o valor mínimo para a “privação de vida”, ao qual se somam os critérios” sofrimento da vítima antes da morte” e “danos próprios dos familiares mais próximos”, e propôs o prazo até 15 de fevereiro para a apresentação de requerimentos.

Segundo a Provedora, só será possível apurar o montante global das indemnizações quando o procedimento ficar terminado.

Este ano, os incêndios florestais provocaram mais de cem mortos, 66 dos quais em junho em Pedrógão Grande e 45 em outubro na região Centro, cerca de 350 feridos e milhões de euros de prejuízos.

Setor da Construção Nacional pronto para dar resposta ao país

A burned out house is seen following a forest fire in Canical, Portugal, June 19, 2017. REUTERS/Miguel Vidal - RTS17OAL

Reis Campos, Presidente da AICCOPN e também da CPCI – Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário, diz que “estamos a falar de responsáveis que, entre outras importantes atribuições, têm a seu cargo a condução de relevantes instrumentos de política pública, ou seja, têm de conhecer este setor de atividade que, até hoje, nunca deixou de responder aos desafios do País, por mais exigentes que estes possam ter sido, pelo que espero que estas afirmações sejam esclarecidas, até porque não foram bem compreendidas por parte das empresas”.

O dirigente considera que “se os inúmeros projetos que atestam a capacidade das nossas empresas, com especiais exigências, complexidade e dimensão, como as diversas infraestruturas de transporte e comunicações, barragens, portos, aeroportos, entre tantos outros, em que as empresas de construção nunca falharam ao País não são suficientes para descansar os espíritos mais inquietos, podemos sempre olhar para a realidade dos números”.

Com efeito, nos primeiros dez meses de 2017, o volume de contratos de empreitadas de obras públicas celebrados foi de apenas 927 milhões de euros, para um total de 2,4 mil milhões de euros de concursos promovidos. Reis Campos refere que “para ter uma noção do que isso representa, em termos históricos, direi apenas que, em 2001, foram lançados 4,6 mil milhões de euros. E, uma vez que é de construção de habitação que estamos a falar, recordo que nesse ano foram licenciadas 114.254 habitações, quando, em 2016, o total foi de 11.355 e, este ano, até outubro, são 11.690, ou seja, 90,1% menos que o verificado há 16 anos. Estes valores demonstram bem que estamos muito abaixo daquela que é a capacidade operacional do setor”.

O Presidente da AICCOPN e da CPCI entende que “é perfeitamente compreensível a necessidade de dar uma resposta célere a uma população que sofreu, com a perda de vidas humanas, uma terrível tragédia que, até hoje, ninguém conseguiu explicar cabalmente e sabemos que existe, em toda a sociedade, um sentimento de culpa pelo abandono a que tem sido votado o interior. Todos queremos ver resolvida esta situação com a maior brevidade possível, mas estes sentimentos não podem justificar as dúvidas levantadas sobre as empresas, que sempre souberam responder ao País e que estão profundamente mobilizadas para esta tarefa de reconstruir, não apenas edifícios e infraestruturas, mas também reabilitar vidas e comunidades”.

Reis Campos conclui, dizendo que “não podemos calar a indignação de todo um setor que não merece esta desconsideração. E, ainda há poucos dias, em visita aos territórios afetados pelos incêndios, o próprio Senhor Primeiro-Ministro referia o “exemplo notável de reconstrução” e considerava este um “sinal de que o país tem capacidade e forças para renascer depois das tragédias”. Tenham os poderes públicos a capacidade de criar as condições para a realização das obras, que as nossas empresas não deixarão de voltar a erguer o que a incompreensível tragédia destruiu”.

Mais de 100 casas afetadas pelos incêndios de Pedrógão já foram reconstruídas

Numa audição no parlamento, requerida pelo CDS-PP, João Paulo Catarino disse ainda que as habitações que faltam reconstruir “estarão adjudicadas aos respetivos empreiteiros e estarão em obras, provavelmente, até ao final do ano”, “com exceção de meia dúzia” que têm outros problemas e que não poderão ser já intervencionadas.

Refutando as acusações dos deputados do PSD Álvaro Batista e Maurício Marques de que “nada foi feito” no apoio à população afetada pelo incêndio de 17 de junho em Pedrógão Grande (Leiria), o responsável da UMVI apresentou dados concretos, concluindo que “alguma coisa se tem feito em Pedrógão Grande”.

“Das 264 casas que foram afetadas no incêndio de Pedrógão Grande, que têm uma estimativa de cerca de 9,7 milhões de euros de intervenção, mais de 100 destas intervenções estão concluídas e estão entregues aos proprietários”, declarou João Paulo Catarino, explicando que as obras implicam projetos e licenciamentos e indicando que “mais de uma centena de casas” necessitam de reconstruções totais.

No âmbito do restabelecimento do potencial agrícola, “foram apoiados até agora 2.090 agricultores, num montante de 3,222 milhões de euros”, verba que já foi distribuída aos agricultores da zona afetada pelo incêndio de 17 de junho, “com exceção de 583 mil euros” que se destinam a concelhos que não são do fundo REVITA [Fundo de Apoio às Populações e à Revitalização das Áreas Afetadas pelos incêndios ocorridos em junho de 2017] e que vão ser pagos durante esta semana com dinheiro da Fundação Calouste Gulbenkian e da União das Misericórdias.

De acordo com o coordenador da UMVI, foram já apoiadas 24 empresas, com um investimento de 22,3 milhões de euros, e estão atualmente aprovados 15,4 milhões de euros para repor as infraestruturas e os equipamentos municipais afetados pelo incêndio de junho.

Em relação à estabilização de emergência no pós-incêndio, as entidades que apresentaram candidaturas neste âmbito viram aprovados contratos e projetos no valor de 10,3 milhões de euros, avançou João Paulo Catarino, adiantando que estas entidades “estão em condições” de trabalhar, nomeadamente na limpeza dos caminhos.

“O ideal é que tivessem sido mais céleres, mas temos que ter consciência que isto obedece a vários passos”, advogou o responsável em relação às medidas de apoio à estabilização de emergência após o incêndio de Pedrógão Grande.

Os incêndios que deflagraram na zona de Pedrógão Grande, distrito de Leiria, e Góis, distrito de Coimbra, a 17 de junho, provocaram 66 mortos: a contabilização oficial assinalou 64 vítimas mortais, mas houve ainda registo de uma mulher que morreu atropelada ao fugir das chamas e uma outra que estava internada desde então, em Coimbra, e que morreu em 29 de novembro.

Do incêndio resultaram ainda mais de 250 feridos.

LUSA

Municípios tentam travar erosão dos solos e proteger linhas de água

Câmara de Pampilhosa da Serra, no interior do distrito de Coimbra, está a lançar concursos de obras para evitar derrocadas, através, designadamente, da construção de taludes, com a madeira queimada, entre outros materiais, e para preservar solos e linhas de água, disse à agência Lusa o presidente do município, José Brito Dias.

Trata-se de um investimento da ordem de um milhão de euros, assegurado por um contrato-programa entre o município e o Ministério do Ambiente.

Os fogos deixaram o concelho, que é montanhoso e muito recortado por rios e riachos, muito exposto a deslizamentos e derrocadas de terras, ao empobrecimento dos solos e à desregulação e contaminação da água, sublinhou.

“Há muito trabalho a fazer” e é necessário “avançar rapidamente”, afirma José Brito Dias, manifestando “alguma apreensão” pela vulnerabilidade do território, cujos problemas se agravarão se ocorrerem chuvas violentas.

Em Vila Nova de Poiares, também no distrito de Coimbra, a Câmara tem desenvolvido, em “cooperação com as juntas de Freguesia”, várias intervenções.

A “abertura e limpeza de linhas de água” e a criação de “zonas de contenção de materiais” em áreas de “maior risco” são algumas das operações em curso, exemplificou o presidente da Câmara de Poiares, João Miguel Henriques.

Estas “operações imediatas” estão a ser realizadas com recursos autárquicos, mas o município vai candidatar-se a apoios do Governo para este tipo de ações e para “intervenções de maior dimensão”, cujas situações estão a ser estudadas.

A Câmara de Penela também está a desenvolver ações no mesmo sentido e prevê começar, em breve, operações de preservação e de estabilização dos solos e de defesa dos cursos de água, estas na sequência de financiamentos assegurados pelos fundos Ambiental (programa do Ministério do Ambiente de apoio a políticas ambientais) e de Emergência Municipal (de apoio aos cerca de 30 municípios mais atingidos pelos incêndios deste ano).

Essas intervenções, envolvendo um investimento global superior a 600 mil euros, parte das quais são “urgentes”, deveriam ter sido feitas logo após os incêndios, sublinhou à agência Lusa Luís Matias, presidente da Câmara de Penela, no distrito de Coimbra.

Mas a legislação nacional e, sobretudo, da União Europeia condicionam os respetivos processos, limitando nomeadamente contratações por ajuste direto, acrescenta, reconhecendo que, no entanto, nalgumas situações é possível recorrer ao concurso público urgente.

Em Vouzela, no distrito de Viseu, onde as chamas devastaram mais de 85% da floresta e mais de 73% da área do concelho (quase 15 mil hectares), o município está a preparar uma candidatura de cerca de 1,5 milhões de euros para fazer a contenção de taludes e a requalificação de linhas de água.

“Queremos evitar a erosão, sobretudo com paliçadas de segurança nas zonas mais inclinadas e onde o processo erosivo é mais gravoso”, explicou à agência Lusa o presidente da Câmara, Rui Ladeira.

A limpeza “dos matos que arderam e subsistem nas linhas de água” e “sementeiras e plantações para se conseguir fazer já uma recuperação dos taludes e das zonas mais sensíveis” são outras medidas financiáveis, acrescentou.

Rui Ladeira avançou que há uma experiência que o município vai adotar, seja financiada ou não: lançar palha nos terrenos, através de meios aéreos, como é já habitual na Galiza (Espanha).

O presidente da Câmara de Tondela, José António Jesus, disse à Lusa que já foi feita uma caracterização das zonas mais vulneráveis do concelho, mas que “ainda decorre algum período de ajustamento”, após o qual serão submetidas as respetivas candidaturas a apoios.

“Se nada for feito — e estamos a falar de obras de grande dimensão e de grande volume financeiro — teremos deslizamentos, erosão de solos e, consequentemente”, linhas de água afetadas, salientou o autarca, que está muito preocupado com a situação.

José António Jesus adiantou que está a ser pedido aos proprietários para não removerem a madeira queimada, “sobretudo o eucalipto, que não tem nenhuma perda do valor comercial, antes do inverno passar”, para garantir “uma melhor estabilidade” das terras.

Se depois de apresentadas as candidaturas, “não forem imediatamente disponibilizadas verbas”, alertou ao autarca, corre-se o risco de chegar à primavera ou ao início do verão sem nada resolvido e com danos irremediáveis”.

Pedrógão Grande: maioria das casas ainda não têm um tijolo colocado

“Aquelas que são a esmagadora maioria [das casas] ainda não têm um tijolo colocado”, denunciou hoje o líder parlamentar social-democrata, Hugo Soares, que falava aos jornalistas após uma reunião, em Vila Facaia, com a associação de vítimas do grande incêndio de 17 de junho em Pedrógão Grande.

Para o líder parlamentar, o Estado demitiu-se da sua função, salientando que a maioria das pessoas ainda não têm a sua casa de primeira habitação recuperada.

“Deve-se perguntar ao Estado quantos cêntimos aqui colocou” na reconstrução das casas, disse, sublinhando que o Estado não pode acorrer às pessoas “só através da solidariedade”.

Hugo Soares notou que “há algumas montras para mostrar e fazer propaganda política à custa da solidariedade de outros”, fazendo alusão à visita do primeiro-ministro a algumas das casas já reconstruídas.

O líder parlamentar social-democrata considerou ainda que há “uma total descoordenação no terreno” da resposta de apoio psicológico às populações.

Hugo Soares reuniu-se hoje com uma associação florestal em Álvares, concelho de Góis, e com a associação das vítimas, em Pedrógão Grande, tendo feito a visita acompanhado de uma comitiva de deputados social-democratas.

Em Góis, as atenções do líder parlamentar do PSD recaíram sobre as ações na floresta no pós-incêndio, defendendo que o parqueamento da madeira seja assumido pelo Estado e que este coordene essa recolha no terreno, exigindo ainda que o executivo assuma um papel na estabilização dos solos afetados pelos incêndios.

Hugo Soares, que falava após uma reunião com a associação florestal de Góis, referiu que tinha sido anunciado pelo Governo que iam ser construídos “um conjunto de parques” para a madeira queimada, “mas em lado nenhum as pessoas ouviram falar disso e não há equipamento desse género” no terreno.

No início do mês, foi anunciada uma linha de crédito que poderia ser utilizada por organizações de produtores florestais, municípios e outras entidades para criarem parques para a madeira queimada, sendo que também foi já anunciado financiamento que poderia ser utilizado pelas autarquias para a estabilização de emergência dos solos.

Questionado pela agência Lusa, o líder parlamentar do PSD afirmou que deveria ser o Estado a “responder” nos dois casos, recordando o exemplo da Galiza, em que “teve uma intervenção imediata, no que diz respeito à erosão das encostas”.

LUSA

Governo prepara cobertura orçamental para reforço de meios e reconstrução pós-incêndios

“Estamos a fazer um esforço para até dia 17 de novembro, [prazo limite para a apresentação das alterações na especialidade], possamos ter aqui alterações que permitam responder a estas necessidades, quer de reforço de meios, quer de criação de melhores condições para os municípios poderem intervir na reconstrução dos próprios equipamentos e a ajudar a reanimar o tecido económico e social”, anunciou.

O primeiro-ministro respondia a um pedido de esclarecimento do líder parlamentar do PCP, João Oliveira, no debate na generalidade da proposta de Orçamento do Estado para 2018.

António Costa disse que o Governo está a fazer “um trabalho muito intenso” para “identificar quer as necessidades de cobertura orçamental para as indemnizações que são devidas aos familiares das vítimas mortais” dos incêndios de 17 de junho e de 15 de outubro, quer para a reconstrução das habitações, equipamentos municipais, de empresas afetadas e de infraestruturas.

Este trabalho envolve os ministérios da Agricultura, Ambiente, da Administração Interna, Defesa Nacional, e das Infraestruturas e Planeamento, adiantou António Costa.

O reforço do número de guardas florestais, da rede de vigilância, de sapadores florestais, o reforço da capacidade de intervenção da GNR e o “redirecionamento das capacidades operacionais do Regimento de Apoio Militar de Emergência são absolutamente prioritários”, disse.

As propostas passarão também pela “criação de condições para que os municípios possam intervir na reconstrução dos próprios equipamentos” destruídos pelos incêndios e para “ajudar a reanimar o tecido económico e social”.

“Temos de o fazer não ignorando a prioridade que foi dada à reforma da floresta, ao programa de revitalização do interior e à reforma do modelo de prevenção e combate aos incêndios florestais”, acrescentou, admitindo uma “exigência acrescida” no Orçamento do Estado para 2018.

No âmbito da reforma da floresta, António Costa disse que estão identificadas 19 áreas em todo o país de “intervenção prioritária” por serem consideradas de “maior valia ecológica” e de “maior capacidade produtiva”, exigindo maior proteção.

As áreas abrangem Montesinho, Mogadouro e Alfândega da Fé, Vila Real, Vila Pouca de Aguiar e Ribeira de Pena, Parque Nacional da Peneda Gerês, Caminha, a zona da Serra da Malcata, o corredor Castelo Branco/Sertã, o corredor entre a A1 e a A13, Tomar, Fátima e Penela, a Serra de Aire e de Candeeiros”.

As zonas de Coruche, Ponte de Sôr, Serra de São Mamede, serras de Sintra e de Mafra, e a serra da Arrábida e zona envolvente, serra de Ossa, a zona do litoral desde o sul de Setúbal até Monchique, o vale do Guadiana e o corredor de Elvas até à fronteira completam a lista de áreas de intervenção prioritária, especificou.

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