Inicio Tags Inovação

Tag: inovação

ADELMAC: inovação aliada à tradição

A Urnas Macedo Unipessoal Lda. – uma empresa portuguesa, sediada no Marco de Canaveses – lança formalmente uma nova marca, a ADELMAC, como resposta à crescente procura por parte do mercado externo.

No processo de internacionalização criou esta insígnia – cujo processo de registo da marca no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) ficou recentemente concluído – com o objetivo de levar além-fronteiras os produtos que ali se fabricam.

O desenvolvimento da marca sofreu um rigoroso processo de conceção da identidade corporativa e foram, inclusive, feitos alguns testes de aceitação da mesma no mercado, nomeadamente numa das maiores feiras internacionais do setor que decorreu no final do ano passado – o Salon Professionnel International de L’art Funéraire –, onde a empresa marcou presença.

Embora não estivesse concluído todo o processo e respetivos materiais de comunicação (online e offline), o contacto feito com centenas de visitantes e potenciais clientes foi um excelente indicador de sucesso, uma vez que o feedback foi muito positivo. Na sua essência, a ADELMAC surge como uma marca fresca, mas ao mesmo tempo arrojada e consistente, e com uma enorme determinação para mudar o paradigma do segmento em que se insere.

Pedro MacedoA sua designação foi inspirada no nome de Adelino Macedo, bisavô de Pedro Macedo, CEO da empresa, e representa o espírito de inovação, coragem e determinação daquele que foi um dos ícones do fabrico de urnas em Portugal.

Mais do que uma simples marca que se lança no mercado, a ADELMAC é um misto entre inovação e tradição. “Somos uma marca moderna com raízes tradicionais. Vamos apostar na inovação, vamos lançar novos modelos e criar uma linha ecológica. No fundo, vamos tentar trazer algo de novo para um mercado que é, ainda, um pouco tradicional”, explica Pedro Macedo.

A marca apresenta-se com modelos distintos, entre os quais estão os clássicos Coimbra, Porto e Lisboa, divididos em três grandes gamas: Standard, Deluxe e Premium. Cada uma delas dá resposta a diferentes públicos-alvo, sendo feita a diferenciação, essencialmente, pela qualidade das matérias-primas e pelo tipo de acabamentos que integram.

No leque de escolha da ADELMAC podem, ainda, encontrar-se urnas com diferentes sistemas de abertura, que seguem a nomenclatura habitualmente utilizada em Portugal: Tampa, Braga e Altar. Para o ano que agora se inicia, a ADELMAC prevê marcar presença em algumas feiras internacionais, mas Pedro Macedo explica que “o grande objetivo passa pela construção de novas instalações”, que deverão estar concluídas no verão de 2018.

“Este é o grande ponto de viragem para a empresa, que nos dará as condições necessárias para que sejamos capazes de inovar ainda mais, beneficiando, ao mesmo tempo, do know how que a minha família detém neste ramo. Acredito que temos tudo para dar certo e que a ADELMAC é uma marca com futuro e para o futuro”, conclui.

adelmac1.jpg_

adelmac2.jpg_

Mais informação sobre a marca:

Website – www.adelmac.com

Catálogo – https://adelmac.com/wp-content/uploads/2017/11/Catalogo2018_ADELMAC.pdf

Facebook – https://www.facebook.com/ADELMAC.COFFINSANDFUNERALACCESSORIES/

UBImedical a acelerar tecnologias inovadoras na saúde

Tem ainda, com a missão de suporte e transferência de tecnologia, um conjunto de laboratórios residentes coordenados por docentes da UBI também nas áreas de atuação da incubadora. O UBImedical possui uma área de clínica com diferentes especialidades, desde a endocrinologia, medicina do viajante, medicina interna e optometria.

a

O UBImedical acolhe neste momento 8 empresas (integradas na modalidade de incubação):

  1. LABFIT – presta serviços de elevada qualidade ao nível de desenvolvimento de produto e caraterização de produtos farmacêuticos, cosméticos, probióticos, biocidas, têxteis e empresas e entidades biotecnológicas distintas. A LABFIT está certificada pela ISO 9001, ISO 13485 (dispositivos médicos) e NP4457 (Investigação, desenvolvimento e Inovação).
  2. YDEAL – especialista no desenvolvimento de novas tecnologias, serviços de consultoria, bem como publicidade em geral. Cria e desenvolve websites, aplicações móveis, vídeos, plataformas de gestão, branding e design gráfico. Como referência tem vindo a apostar no desenvolvimento de plataformas aplicadas à saúde (controlo de doentes pulmonares, doença da próstata, diabetes).
  3. INSCI – especializada na prestação de serviços nas áreas de design cientifico, incluindo ilustração cientifica, organização de eventos, de base cientifica e/ou tecnológica e formação específica que permita complementar a formação académica e contribuir para a translação de conhecimento do meio académico para o meio empresarial, bem como colmatar as necessidades geográficas.
  4. EYEFUNCTIONS – empresa de investigação e desenvolvimento de produtos oftalmológicos, com especialização no segmento das lentes de contacto. A EYEFUNCTIONS tem na sua missão criar produtos inovadores que facilitem as rotinas dos utilizadores de lentes de contacto, revolucionando um mercado em constante evolução.
  5. STARLAB – laboratório de Prótese Dentária associando a prótese dentária a uma investigação constante no desenvolvimento de novas técnicas e materiais.
  6. ZONICSTech – tem como missão, desenvolver soluções de engenharia avançada com enfoque na eletrónica médica e na prestação de serviços de consultoria em vários domínios das ciências da saúde e da vida. Os 2 sócios fundadores têm doutoramento em engenharia eletrotécnica, acumulando um passado profissional significativo em áreas tão diversas como a metalomecânica pesada, indústria automóvel, ou no desenho de hardware eletrónico para os sectores das telecomunicações e instrumentação. A startup está a desenvolver um circuito integrado (ASIC) para aquisição e tratamento centralizado de sinais fisiológicos de vária ordem.
  7. CDBI – prestação de serviços à comunidade no domínio da saúde e formação.
  8. GEO4HEALTH – é uma empresa que presta serviços de consultoria e engenharia na área da Hidrogeologia médica e do Geoambiente, apostando no uso das tecnologias de informação e numa abordagem inovadora na área de atuação, aliada ao desenvolvimento de uma política de I&D, contribuindo assim para o desenvolvimento de projetos mais eficientes e sustentáveis. O seu CEO é aluno de doutoramento em engenharia Civil na UBI.

b

Enquanto aceleradora de startups, acolhe na modalidade de pré-incubação as seguintes iniciativas empreendedoras com vista à criação de empresas:

#1. NEUROSOLUTIONS – startup cuja missão é avaliar a neurotoxicidade pre-clinica e a eficácia de soluções de screening para fármacos com aplicações na doença de Parkinson e outras doenças neurodegenerativas, usando ensaios inovadores in vitro e in vivo. Já tem diversos clientes internacionais na área da indústria farmacêutica.

#2. CHITO_VERA – spinoff da Faculdade de Ciências da Saúde, dedica-se ao desenvolvimento de novos pensos/materiais capazes de promover a cicatrização de feridas, evitando a ocorrência de infeções, bem como reduzir a formação de cicatrizes, uma vez que se bio degradam de forma a potenciar uma maior hidratação.

#3. SCI&TEC – estão em pre-incubação no UBImedical desde outubro de 2017 na sequência dos prémios ganhos no concurso de inovação INOVUBI 2017 e têm por objetivo desenvolver uma plataforma de simulação on-line que mimetize um laboratório e um dispositivo de análise e avaliação de lesões cutâneas relacionadas com o cancro da pele, através da sua morfologia e da frequência.

#5. FYNE SOLUTIONS – criada com o objetivo de ser uma startup global no setor do desenvolvimento de dispositivos inovadores da refrigeração. A empresa terá como foco inicial combater o problema do desperdício alimentar ao desenvolver um dispositivo de monitorização que ao ser colocado num equipamento de refrigeração, permite através da medição em tempo real de parâmetros como a temperatura e a humidade prever quando um produto alimentar se torna impróprio para consumo.

c

e

O UBImedical presta um conjunto de serviços associados à incubação e aceleração de empresas:

– Acompanhamento de projetos empreendedores (desde a fase de ideia até à fase de maturidade da empresa)

– Organização de sessões de Pitch para ideias empreendedoras no âmbito dos cursos da UBI

– Concursos de inovação e hackathons (para estimular o arranque e crescimento da ideia e transformá-la num negócio)

– Apoio na redação de planos de negócio

– Apoio a candidaturas de Investigação & Desenvolvimento, Demonstração e Cooperação

– Consultoria em Propriedade Industrial

– Acesso a redes de empreendedores, outras incubadoras e facilitadores

– Disseminação de informação diversa relacionada com concursos, prémios, eventos

– Apoio na procura de parcerias e colaborações com outras empresas e entidades

– Divulgação das atividades das empresas

– Apoio na captação de financiamento (business angels, capitais de risco, plataformas de investimento, banca).

f

O UBImedical disponibiliza serviços inovadores para empresas e organismos públicos e privados na área da saúde, ambiente, centros de investigação, indústria farmacêutica, têxtil, cosmética, alimentar e agro-alimentar. O conjunto dos laboratórios residentes compreende: o Laboratório de Fisiopatologia Geral, o Laboratório de Dispositivos, Telemonitorização e Fisiopatologia, o Laboratório de Fármaco-Toxicologia, o LABSED – Laboratório para a Saúde nos Edifícios, o Laboratório de Instrumentação e Sensores, o LABEXPORAD – Laboratório dos Efeitos da Exposição ao Radão, o Laboratório de Análises Químicas e Consultadoria Ambiental no Tratamentos de Efluentes, e o Laboratório/Clínica de Ciências da Visão.

h

Como forma de personalizarmos a translação da investigação que se está a fazer no UBImedical, apresentamos três empreendedoras que fazem parte do UBImedical, cada uma em áreas distintas e complementares. A Prof.ª Ana Palmeira, CEO e co-fundadora de uma spin-off da UBI, a LABFIT, incubada no UBImedical, a Prof.ª Ana Cristovão, investigadora da UBI na área da doença de Parkinson em processo de aceleração para criação da sua startup e a Prof.ª Sandra Soares, coordenadora de um dos laboratórios residentes do UBImedical, o LabExpoRad.

#1. Ana Palmeira, CEO da spin-off da UBI LABFIT

Doutorada em Farmácia, é Professora na Faculdade de Ciências da Saúde na UBI, investigadora do CICS – Centro de Investigação em Ciências da Saúde e co-founder e CEO da spin-off Labfit, que é uma empresa especializada na prestação de serviços de excelência ao nível do controlo de qualidade e caracterização de produtos bem como na investigação e desenvolvimento (I&D) de produtos farmacêuticos. A Labfit dispõe de diversos serviços de ensaios laboratoriais em modelos in vitro e ex vivo, que são continua e cuidadosamente selecionados para dar resposta às necessidades dos seus clientes. O portfolio de clientes da Labift inclui as indústrias farmacêutica, cosmética, química, de biocidas, de biomateriais, têxtil, de calçado, entre outras que encontram, na Labfit, uma interessante oferta nas especialidades da tecnologia farmacêutica, microbiologia, caracterização físico-química, toxicologia e certificação de cosméticos.

#2. Ana Cristovão, investigadora do CICS, UBI, empreendedora em fase de aceleração da sua startup

No ano 2010, obteve o grau de Doutor pela Universidade de Coimbra, na especialidade de Biologia Celular, ramo de neurociências, tendo sido aprovada por unanimidade com distinção e louvor. Durante o período do doutoramento, desenvolveu parte do plano de trabalhos no CICS e no Departamento de Neurologia e Neurociências do Weill Cornell Medical College em Nova Iorque, USA. O tema do seu doutoramento focou-se no papel do stress oxidativo na degeneração dos neurónios dopaminérgicos que ocorre na doença de Parkinson. De Fevereiro de 2011 a Fevereiro de 2013, foi investigadora associada no laboratório do Professor Doutor Yoon-Seong Kim, divisão de neurociências, na Burnett School of Biomedical Sciences, College of Medicine, Universidade da Central Florida (UCF), USA. Neste período desenvolveu trabalhos de investigação focados na elucidação dos mecanismos moleculares subjacente ao desenvolvimento da doença de Parkinson. Atualmente é Professora na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior, e bolseira de Pós-Doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), no CICS-UBI, investigando novas abordagens terapêuticas com aplicação às doenças do sistema nervoso central. Neste contexto colabora com empresas farmacêuticas, no intuito de desenvolver novas moléculas químicas com potencial protetor para doenças neurodegenerativas. Investiga ainda, quais os processos intracelulares responsáveis pela neurodegeneração e alfa-sinucleinopatia na doença de Parkinson.

#3. Sandra Soares, coordenadora do  Laboratório de Estudos dos Efeitos da Exposição ao Radão (LabExpoRad) no UBImedical

Licenciada em Física pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Mestre em Física de Altas Energias e Doutora em Física Nuclear, pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

É, desde 1987, Professora do Departamento de Física, da Universidade da Beira Interior e Investigadora do Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP/Lisboa) e do Centro de Matemática e Aplicações (CMAUBI). É membro da ERA (European Radon Agency) e full member da colaboração CHERNE (Cooperation for Higher Education on Radiological and Nuclear Engineering). Desenvolve o seu trabalho nas áreas da Física Nuclear, Física Médica e Divulgação da Física.

Na Universidade da Beira Interior é responsável pelo Projeto Radiação Ambiente, dinamizadora das International Masterclasses em Física de Partículas e Coordenadora do Projeto Física para os mais pequenos. É ainda responsável pelo LabExpoRad, integrado no UBIMedical, cujo principal objetivo consiste no estudo dos diferentes aspetos da exposição da população à radiação natural numa valência de caracterização de parâmetros de saúde pública.

 

Ciência e os novos conhecimentos

Que papel tem vindo a assumir a inovação, tecnologia, investigação e o desenvolvimento, para alcançar novas vantagens, nas organizações, sociedade e economia? 

A ciência, nas suas várias facetas, tem um papel crítico para o desenvolvimento das organizações como a cooperativa de ensino superior Egas Moniz e da sociedade no seu conjunto. O papel mais imediatamente visível está na criação de novos conhecimentos. Estes podem responder a grandes problemas sociais, referir-se a desenvolvimentos importantes para a atividade produtiva de uma empresa, ou situar-se no campo da ciência dita “fundamental”, que por vezes é entendida como desligada das realidades, e preterida em favor da ciência dita “aplicada”, uma vez que esta tem visivelmente algo a ver com a solução de problemas concretos. A ironia das coisas faz com que os resultados sejam muitas vezes desconcertantes. Um desenvolvimento na área da ciência pura ou fundamental, abre frequentemente caminho a novas soluções e atividades com grande impacto na sociedade, contra todas as expectativas e impossíveis de prever. Por outro lado, a investigação mais aplicada, pode deparar-se com grandes dificuldades em ver os seus avanços efetivamente aproveitados pelo tecido social e empresarial, levando muito tempo a ter algum impacto significativo.

Mas o valor da atividade de investigação está também na criação de uma elite de profissionais dotados de um conhecimento atualizado e de uma atitude perante os problemas práticos que permite a procura de soluções inovadoras. Mas é preciso ainda progredir muito neste campo.

Qual o papel das unidades e centros de inovação, investigação e desenvolvimento na promoção do conhecimento junto da sociedade e das organizações?

Não tanta quanto desejável. Atualmente esse potencial de conhecimento tende a ser crescentemente reconhecido, sendo os investigadores incentivados a fazer chegar à sociedade os resultados, implicações e potencialidades do seu trabalho. Em sentido por vezes inverso, a sociedade exige cada vez mais, e frequentemente com ceticismo, saber quais os benefícios do seu investimento em ciência, resposta que nem sempre é fácil de equacionar em termos simples. A divulgação da ciência é uma área crítica mas complexa, onde se podem formar polémicas pouco produtivas entre conhecimentos válidos, por verdadeiros (prefiro não usar o termo já distorcido de “científicos”…) e grupos de pressão que apelam ao desconhecido apenas como forma de criar um cenário encantador e envolvente, cheio de conspirações e de mistérios, capaz de mobilizar uma adesão significativa. Veja-se o que se passa nos EUA com os movimentos anti-evolucionistas.

Para as organizações, a existência de centros de investigação institucionalizados como o CiiEM na cooperativa de ensino superior Egas Moniz e capazes de interagir de modo eficaz com a atividade produtiva da organização, é essencial para que esta se possa aperfeiçoar e adaptar ao ambiente social em mutação constante, no qual está inserida.

Qual importância de criação de sinergias entre diferentes entidades ligadas investigação e desenvolvimento do conhecimento e as organizações e que vantagens advêm daí? 

O quebrar o isolamento dos centros de investigação permitindo a sua evolução em colaboração e competição válida com os seus congéneres associados. Este é um dos objetivos centrais do CiiEM – incentivar parcerias entre as estruturas da Egas Moniz empenhadas em investigação e desenvolvimento para a formação de redes quer com parceiros internos quer externos. Hoje em dia, a ciência é em muitos casos um empreendimento complexo e multidisciplinar pelo que há benefícios importantes na complementação em termos de tecnologias e conhecimentos, que dificilmente se podem obter dentro de uma única organização. Por último a obtenção de uma massa crítica capaz de levar a cabo empreendimentos de dimensões significativas. No conjunto, a criação de redes temáticas juntando diversas organizações em torno de objetivos comuns e bem estruturados, é uma enorme força motriz da atividade científica, assumindo em larga medida o papel de outros tipos de organizações como as sociedades científicas, sem no entanto as substituir. Foi no seio destas que muitos de nós beneficiámos do contacto com os pares.

Centro de Investigação Interdisciplinar Egas Moniz (CiiEM)

O centro de investigação interdisciplinar Egas Moniz (CiiEM) é uma organização recente em fase de estruturação e desenvolvimento. O centro pertence à Egas Moniz, cooperativa de ensino superior, que tem uma atividade de ensino superior e politécnico extremamente importante através dos Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz (universidade) e Escola Superior de Saúde Egas Moniz (politécnico) em que participam mais de 400 professores. A Egas Moniz desempenha também funções assistenciais na área da saúde, de grande dimensão e impacto. Basta mencionar a clínica dentária com cerca de 60000 consultas anuais, e em crescimento. Outras unidades são a Egas Moniz / Clínica de Almada, a Egas Moniz / Clínica Universitária de Setúbal (em instalação) e a Residência Sénior Egas Moniz em Sesimbra. Estas clínicas cobrem a medicina dentária, fisioterapia, enfermagem, nutrição, terapia da fala e psicologia clínica e forense.

Outras estruturas com funções pedagógicas e assistenciais são o centro de genética médica e nutrição pediátrica, o centro de microscopia eletrónica e histopatologia, o gabinete de informação e assistência às vítimas, o gabinete de psicologia forense, o grupo de ciências sociais aplicadas, o laboratório de ciências forenses e psicologia e o laboratório de microbiologia aplicada.

Neste contexto o CiiEM pretende assegurar a manutenção e crescimento de uma dinâmica de investigação de elevada qualidade, sem esquecer a transferência do conhecimento adquirido e criado por essa atividade para as unidades de ensino e assistenciais mencionadas. Muitas melhorias e inovações introduzidas nalgumas unidades, como a clínica dentária surgem já no contexto dessa dinâmica.

Sabia que?

Considerando especificamente a atividade de investigação, o CiiEM está atento não apenas à investigação interna, mas promove ativamente a participação em redes e a colaboração com outros centros de investigação, no espírito do que se disse nos temas anteriores. É disso exemplo a realização em 11-13 de junho próximo de um congresso “research and innovation in human and health sciences” em que serão apresentadas 200 comunicações, com participação não apenas da Egas Moniz mas de quase todas as grandes universidades do país, diversas universidades dos EUA, UK, Espanha e Brasil e alguns centros hospitalares. O congresso é um evento que congrega as instituições com as quais a Egas Moniz e em particular o CiiEM têm colaborações ativas a nível científico.

A página do congresso está em http://ciiem2017.healthsci.net.

TecNet – Business Camp, um evento de renome

Quem aceitou este desafio teve a oportunidade de conhecer novos projetos repletos de potencialidades, de estabelecer contactos, de partilhar conhecimentos, de criar parceiras e de encontrar investidores e financiamento. Neste evento a grande mais-valia, entre outras, é que consegue tudo para lançar a sua empresa no futuro.

Para apresentação do conceito e objetivos deste que pretendeu ser um evento para quem quer acrescentar valor e alavancar projetos e negócios e, acima de tudo, abraçar novos desafios, realizou-se um encontro com todos os intervenientes e promotores do mesmo, no local que acolheu as cerca de 200 startups participantes.

Mas já lá vamos. Iniciado em 2012, o evento regressou à torre da oliva em 2014, sendo que a terceira edição chegou repleta de novidades e mais-valias. O TecNet foi igualmente palco da nova edição do encontro ibérico de parques de ciência e tecnologia, que decorreu no dia 1 de junho, na Torre da Oliva e onde, em parceria com a câmara municipal de S. João da madeira, também deu voz a grandes players ibéricos na vertente da inovação e do empreendedorismo, alargando os debates além-fronteiras.

De salientar que esta iniciativa é inédita e teve como principal desiderato promover condições para que a valorização dos parques tecnológicos portugueses e espanhóis saísse reforçada e haja uma maior expressão dos mesmos no contexto europeu. Maria do Céu Albuquerque, presidente da associação de ciência e tecnologia referiu que sentiu, tanto do lado português como espanhol, “uma grande motivação para cooperarmos e trabalharmos em conjunto numa competição salutar para a promoção do desenvolvimento”.

O business camp TecNet dedicou os seguintes dias, 2 e 3 de junho, a um programa intenso de atividades que, aberto ao público, inclui uma mostra de produtos e serviços por empresas tecnológicas e startups, espaços de networking, sessões de pitching para a próxima edição do websummit e diversos espaços de discussão em torno de estratégias determinantes para o setor.

Entre os temas para essa reflexão incluíram-se: a indústria 4.0 e a filosofia de gestão ‘lean manufacturing’, os desafios que se colocam às industrias do têxtil e calçado, turismo, agroalimentar, bem como, o projeto de desenvolvimento da ‘compra pública de inovação’ remetendo o caso de sucesso para a cidade de Barcelona, pelas palavras proferidas do Alexandre Rios, gestor do projeto e simultaneamente da direção da Portus Park.

Em resumo, o TecNet – Business Camp voltou a receber os melhores e mais inspiradores oradores e as mais incríveis oportunidades de negócio e networking, naquele que foi um evento repleto de desafios, oportunidades e tendências de um evento nacional dedicado à tecnologia e à criatividade, em São João da Madeira.

IMG_9936Ricardo figueiredo, presidente da câmara municipal de São João da Madeira, explica à revista pontos de vista, que tipo de atividades poderão ser encontradas no evento, que acontece pela primeira vez a nível ibérico e cujo um dos propósitos é, também, estreitar relações no campo tecnológico entre Portugal e Espanha.

O TecNet é um evento nacional que visa promover a tecnologia. Na sua opinião, como pode ser explicada a importância deste tipo de iniciativas? E este ano como surge a oportunidade de ser ibérico?

O TecNet nasceu da necessidade estratégica de diversificação do tecido económico de S. João da madeira e da região, surgindo como uma montra tecnológica para dar oportunidade a que as empresas deste setor se encontrassem e conhecessem. Rapidamente se afirmou no panorama nacional como um evento muito importante para o país e, em particular, para o desenvolvimento da economia ligada às tecnologias, pelo que não surpreende o enorme interesse gerado desde a primeira edição. A adesão registada, com a participação de todos os parques de ciência e tecnologia de Portugal, e a vontade de alargarmos a abrangência do evento estão na origem da inclusão no programa do encontro ibérico de parques de ciência e tecnologia, um momento em que se reforça a relação de cooperação tecnológica entre Portugal e Espanha.

Que tipo de atividades estarão ao dispor dos visitantes? Existem muitas novidades face às edições anteriores? 

Desde logo uma das grandes novidades é a referida realização do encontro ibérico de parques de ciência e tecnologia, que permite ao TecNet internacionalizar-se e afirmar-se cada vez mais como o grande certame do género realizado no nosso país, congregando todos os parques de ciência e tecnologia do país e muitos representantes de Espanha. Mas há outras vertentes novas que aprofundam as oportunidades de networking, colocando os participantes da falar sobre o que verdadeiramente interessa ao desenvolvimento da sua atividade e à sua afirmação nesta área económica

A partilha de conhecimento é este ano o grande mote daquela que será a 3ª edição do evento. De que forma está estruturado o encontro? 

O evento foi estruturado de forma a proporcionar aos participantes momentos para troca de experiências, estabelecimento de parcerias, divulgação do seu trabalho, contacto com financiadores e discussão das mais diversas temáticas do seu interesse, ligadas às novas tecnologias, à ciência, à criatividade… No fundo, os participantes vão poder enriquecer a sua relação com outros players do setor, com os investidores e com os mercados.

IMG_9947Alexandre Rios Paulo, da Sanjotec, fala sobre o ambiente informal que se viverá ao longo dos três dias assim como dos temas abordados, que são apontados como “incontornáveis num evento que tem os olhos postos no futuro”.

O TecNet pode ser encarado como uma montra de tecnologias e uma oportunidade única para que empresas jovens. Porquê? 

As startups que estão a nascer e a desenvolver-se nos diferentes parques tecnológicos do país, assim como quem pretenda lançar-se nesta área de atividade, têm a oportunidade de ficarem a conhecer, num só espaço, toda a diversidade de incubadoras do país e de contactarem com outros empreendedores do setor, com investidores e instituições ligadas à investigação, como são as universidades. São contactos essenciais para quem está a começar, a que se soma a possibilidade de aumentarem a visibilidade do seu negócio e perspetivarem o seu futuro. Na prática, este o TecNet é um evento a não perder por parte de quem quer acrescentar valor e alavancar projetos e negócios, para quem quer abraçar novos desafios tecnológicos e criativos.

A feira abordará temas como inovação, criatividade, empreendedorismo, internacionalização, financiamento, smart cities, indústria 4.0 e lean production, cibersegurança, automóvel, têxtil/calçado, agroalimentar e turismo. São estes os temas atualmente mais pertinentes e que por isso merecem uma maior atenção? 

São temas incontornáveis num evento que tem os olhos postos no futuro e que se assume como uma iniciativa inovadora de divulgação e promoção do empreendedorismo tecnológico, que tem como grandes objetivos aproximar o tecido empresarial das grandes oportunidades de negócio e de investimentos, assim como potenciar a relação entre as empresas e as universidades, nomeadamente aprofundando as condições de transferência de tecnologia e de conhecimento das instituições de ensino superior para a economia, que é precisamente uma das principais missões dos parques de ciência e tecnologia.

Esta edição terá um cariz diferente dos anteriores, incluindo o facto de ser ibérica, e será possível apreciar um ambiente mais informal. Como surgiu esta nova aposta? 

O ambiente informal é uma característica que vem já das duas anteriores edições e que se assume como uma marca do TecNet, que reforçamos nesta terceira edição, assumidamente dinâmica, hi-tech e criativa, que decorrerá num ambiente lúdico e descontraído. Um ambiente propício à partilha de ideias, nesta que é uma vertente que este ano ganha uma especial relevância, pois faz-se à escala ibérica, indo ao encontro da nossa intenção de internacionalizar o evento e da vontade das associações de parques de ciência e tecnologia de Portugal e Espanha de aprofundarem uma relação que favoreça a promoção conjunta a nível internacional do território ibérico.

“É uma prioridade nossa poder fazer a diferença na vida dos doentes”

Como caracterizaria a Boehringer Ingelheim?

A BI é uma empresa farmacêutica global, integrando por isso culturas e sociedades diversificadas. As suas diferenças, capacidades e perspetivas são o que nos permite trazer inovação. Pertencemos ao grupo das 20 principais empresas, somos uma empresa familiar de capitais privados. A BI teve também um começo inovador: em 1885, Albert Boehringer adquiriu uma pequena fábrica de tártaro na localidade de Ingelheim, na Alemanha, lançando as bases para a atual empresa. Inicialmente empregava 28 pessoas na produção de ácido tartárico. Em 1893, Albert Boehringer fez a descoberta revolucionária de que o ácido podia ser produzido em grandes quantidades através de bactérias, o que deu origem à produção pioneira de «biotecnologia» em larga escala. Em 1994, a direção da BI apresentou a visão «Valor através da Inovação», dando ao grupo uma orientação para o futuro: «Visão e liderança» como princípios orientadores. Atualmente a BI encontra-se em 145 países e conta com 47.500 colaboradores. Em Portugal, a BI está sediada em Lisboa desde 1960. Ao longo destas décadas foram introduzidos medicamentos inovadores para o tratamento de doenças respiratórias, cardiovasculares, gastrointestinais, imunológicas, oncológicas e do sistema nervoso central. A expressão “Valor através da Inovação”, onde se centra a nossa visão institucional, resume os objetivos e convicções da BI e é o motor e a força para todos os colaboradores. “Valor através da Inovação”, também se reflete nos investimentos feitos anualmente em investigação e desenvolvimento. 

Inovação é o conceito central da visão institucional da empresa. Num mercado cade vez mais competitivo que principais desafios enfrenta a IF? 

Atualmente os grandes desafios que se colocam à IF resultam do subfinanciamento crónico que se traduz numa incapacidade, por parte do sistema, de responder aos compromissos financeiros. Com o aumento da esperança média de vida e do número de pessoas com doenças crónicas, os sistemas de saúde têm de procurar formas de garantir a manutenção do acesso aos melhores cuidados de saúde e assegurar uma gestão de custos controlada. A BI quer continuar a ser parceira dos decisores, a ser reconhecida pela capacidade de inovar e a poder participar na tomada de decisão. Os medicamentos são instrumentos poderosos na gestão desses desafios no que diz respeito aos custos diretamente ligados às doenças crónicas. A visão da BI passa por propor soluções que possam facilitar essa gestão nas áreas em que dispomos de um vasto conhecimento. O maior desafio que se coloca à Indústria Farmacêutica, tendo em conta estes constrangimentos, é continuar a conseguir gerar negócio suficiente para continuar a investir em desenvolvimento e que as multinacionais continuem a considerar Portugal um país atrativo.

A responsabilidade social constitui um elemento importante da cultura da BI. Este é um dos pilares da estrutura da empresa? 

Parte da responsabilidade da BI passa por contribuir socialmente nos países onde atua. Procuramos promover o bem-estar económico e social nas comunidades em que estamos representados. As nossas atividades incluem doentes, comunidades vizinhas e a sociedade em geral, de onde destacamos a distribuição gratuita de medicamentos para o VIH em África, a participação no Habitat for Humanity, o Programa “Inovar é divertido” ou a iniciativa Making more Health. Também como um serviço à sociedade a BI tem várias parcerias externas com universidades e centros de investigação. A Fundação BI e os BI Founds são organizações sem fins lucrativos dedicadas à promoção exclusiva e direta da ciência e da pesquisa básica, apoiando jovens cientistas.

Para além do foco na sustentabilidade e na proteção do ambiente, que outros valores norteiam o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela BI? 

A proteção do ambiente e a conservação dos recursos naturais são muito valorizados na BI. Por isso, assumir a responsabilidade pela natureza, a par do desenvolvimento de produtos inovadores que contribuem para a melhoria dos indicadores de saúde e para o aumento da longevidade, é para nós fundamental. Em Portugal, os grandes objetivos da BI passam por dois grandes eixos: o aumento do investimento em ensaios clínicos e garantir o acesso a medicamentos inovadores. É uma prioridade nossa poder fazer a diferença na vida dos doentes.

Esta responsabilidade inclui a participação em projetos sociais a nível mundial, como a iniciativa «Making more Health». De que trata esta iniciativa? 

O Making More Health (MMH) é uma iniciativa global na qual a BI e a Ashoka estão a trabalhar em conjunto desde 2010 com o objetivo de melhorar a saúde das comunidades ao apoiar soluções para problemas de saúde. A Ashoka é a maior rede de empreendedores sociais contribuindo com os contactos e o conhecimento para encontrar e identificar inovadores sociais. A BI partilha a sua experiência nos setores da saúde e dos negócios e na gestão de projetos. Desta forma damos à sociedade algo que não pode ser medido monetariamente. Já apoiámos mais de 80 empreendedores sociais em todo o mundo, disponibilizando soluções inovadoras, criando impacto social, ajudando a encontrar modelos de negócio inovadores e também a gerar benefício para as próprias organizações e colaboradores.

“Inovar é divertido” é o nome de outro programa de responsabilidade social implementado pela BI em 2016, nas escolas do 1º ciclo. Que balanço já é possível fazer deste programa? 

Inspirado na filosofia da BI, o programa visa sensibilizar as camadas mais jovens porque é nessas idades que a capacidade de inovar se está a formar. Ao fazê-lo contribuímos para aumentar as suas competências cognitivas e os níveis de confiança para superar os desafios inerentes ao processo de crescimento. A BI desafiou alunos de escolas do ensino básico na Freguesia dos Olivais, a inovar – visualizar e concretizar ideias através de um conjunto de materiais fornecidos na “Caixa da Inovação” que irá ser posteriormente trabalhada ao longo do ano letivo. A iniciativa nas escolas contou com a participação dos avós, para realçar a importância da partilha de conhecimentos entre gerações. O balanço tem sido muito positivo. O programa foi preparado com todo o carinho, especialmente por estarmos a lidar com crianças. As reações dos professores, dos alunos e das famílias não podiam ser melhores. O amor e dedicação dos voluntários da BI também tem sido fundamental para o sucesso desta iniciativa.

O programa de responsabilidade social “Inovar é Divertido” vai continuar? Em que moldes? 

Este modelo está a ser levado ao pré-escolar e será replicado ao longo de 2017 noutras escolas de Lisboa. O grande desafio é permitir que os professores, encarregados de educação e sociedade em geral, capacitem as crianças para um mundo em rápida mudança, preservando os valores e a sua identidade. Outra fase do projeto conta com a organização da Feira da Inovação, subordinada ao tema “Inovação, diversidade e inclusão”. Com ela pretendemos promover a inclusão e chamar a atenção para a necessidade de construção de um futuro que privilegie a melhoria da situação das crianças e garanta o seu desenvolvimento. A feira contará com a presença de várias associações de doentes e crianças, nomeadamente Acreditar, Raríssimas, APJD, BIPP e a Casa do Gil. A inclusão é um direito fundamental que permite ajudar crianças e adultos a desenvolver as competências e as atitudes certas que lhes permitam lidar com os desafios da vida e ser membros que contribuam ativamente para a comunidade em que se inserem.

Os diversos momentos do programa terão o apoio da BI e dos seus colaboradores em regime de voluntariado. O que representa estas ações e programas para a farmacêutica? 

O nosso papel, enquanto empresa e indivíduos, é contribuir para uma abordagem à diversidade e tê-la em conta como fator de inclusão. Esse papel é cada vez mais relevante na promoção desses princípios e redução de preconceitos que impedem o progresso social e empresarial. Para os colaboradores é mais uma forma de partilharem o seu conhecimento com a comunidade que nos rodeia e de se sentirem úteis.

RESPONSABILIDADE SOCIAL

O tecido empresarial tem o dever de promover esta responsabilidade social?

Tal como já referido anteriormente “Valor através da Inovação” é o que nos move todos os dias! Essa inovação passa também pela promoção do dever de responsabilidade social. O empreendedorismo social faz a inovação acontecer e tem a ver com criar valor partilhado. A nível global as atividades de responsabilidade social continuarão a fazer parte integrante da cultura da empresa com a participação dos colaboradores. Eles sabem que desta forma estão também a responder a outra necessidade da sociedade em geral, que vai para além do acesso a novos medicamentos.

PROJETOS DE INVESTIGAÇÃO EM PRODUTOS TECNOLÓGICOS INOVADORES

Com mais de 50 centros de investigação e desenvolvimento, o Instituto Superior Técnico (IST) investe na inovação e empreendedorismo enquanto catalisadores da transferência de tecnologia Quanto ao MARETEC, que objetivos se propõe alcançar?

O MARETEC é um pequeno centro de investigação com uma trintena de investigadores que tem trabalhado em estreita colaboração com empresas, na perspetiva descrita acima e que foi o berço de três empresas: www.hidromod.com, www.actionmodulers.pt e www.terraprima.pt. Estas empresas são dinamizadas por antigos estudantes do Centro utilizando conhecimento e tecnologias desenvolvidas enquanto colaboradores do Centro. Atualmente são fundamentais para o enquadramento de novos estudantes, colaborando com os produtos da sua inovação para a geração de novo conhecimento. A maioria dos centros de investigação do IST segue estratégias do mesmo tipo. O sucesso e a capacidade de crescimento das empresas que vão sendo criadas é variável de acordo com a área de atividade. Empresas da área da robótica (e.g. TEKEVER e UAVISION) são empresas de grande sucesso internacional, aproveitando o facto de esta área ser nova para todos os países.

O investimento na inovação e empreendedorismo, enquanto catalisadores da transferência de tecnologia, contribuem, de uma forma decisiva, para o desenvolvimento económico de Portugal. Que principais desafios enfrentam neste setor?

Estas empresas são fundamentais para a integração de conhecimento desenvolvido no âmbito de projetos de investigação em produtos tecnológicos inovadores. Quando o conhecimento é criado no contexto de projetos internacionais fica garantida a inovação à escala global, o que contribui para a internacionalização dessas empresas e, através delas, melhorar a imagem de Portugal em termos tecnológicos e a valorização do “made in Portugal” i.e. de outros produtos feitos em Portugal.

O principal desafio para estas empresas é a venda. São normalmente empresas pequenas, com pouca capacidade comercial, que frequentemente atuam na área dos serviços. A capacidade comercial aumenta quando atuam integradas em consórcios, especialmente quando estes incluem empresas de maiores dimensões, já instaladas no mercado internacional. A constituição destes consórcios é mais fácil quando emana de consórcios que atuam no mercado nacional. A criação de um mercado doméstico que estimule a colaboração local e que permita criar casos de sucesso que possam ser usados como demonstração na atividade comercial à escala global é um desafio importante.

O MARETEC é um Centro de Ciência e Tecnologia do Ambiente e do Mar do IST assente em duas áreas de investigação. Pode falar-nos um pouco sobre cada uma destas áreas e da importância que assumem?

O MARETEC é um centro interdisciplinar que atua na área do Mar – zonas costeiras e oceânicas – e na área dos Sistemas Terrestres, à escala da bacia hidrográfica e à escala da parcela agrícola. A modelação matemática e avaliação de serviços de ecossistema são as principais ferramentas desenvolvidas pelo centro e os principais utilizadores são gestores ambientais, empresas envolvidas no ciclo urbano da água, com ênfase para as envolvidas na gestão de águas residuais, e empresas agrícolas. A modelação matemática é a ferramenta de integração de cada uma das áreas – terrestre e marinha – e de ligação das duas áreas. No sistema terrestre é calculada a quantidade e a qualidade da água com base na meteorologia, nas propriedades do solo, no seu uso e no coberto vegetal, incluindo as práticas, agrícolas. A quantidade e a qualidade da água dos rios são usadas para calcular as pressões sobre o sistema marinho, contribuindo para distinguir as pressões de origem antropogénica e de origem natural. 

O MOHID é um sistema tridimensional de modelação de água, desenvolvido pelo MARETEC. Em que se traduz este modelo?

O MOHID é o sistema tridimensional, de modelação integrada que descreve o movimento da água e as suas propriedades, com centenas de utilizadores em mais de 40 países. Ser tridimensional significa que quando aplicado no oceano, descreve a variação entre regiões e entre a superfície e o fundo e quando aplicado numa bacia hidrográfica permite calcular as variações ao longo da bacia e ao longo da profundidade do solo. Ser integrado significa que inclui o movimento da água e os processos biogeoquímicos que determinam a atividade biológica, o que lhe permite reproduzir a dinâmica dos sistemas ecológicos e por isso contribuir para a avaliação dos serviços de ecossistema. Nas bacias hidrográficas o modelo permite simular o desenvolvimento das culturas em função das práticas agrícolas (incluindo rega e fertilização) e as implicações na qualidade da água dos rios e das albufeiras. Nos sistemas marinhos o modelo calcula o desenvolvimento do fitoplâncton e o desenvolvimento das larvas de peixes em função da circulação oceânica e das descargas provenientes de terra.

Pela proteção dos valores da vida

Hoje, o mercado dos seguros assume-se como um setor em que a tecnologia e a inovação são fundamentais. Que principais motivos impulsionam a inovação em seguros?

Os motivos que impulsionam a inovação e tecnologia nos seguros são praticamente os mesmos que os que impulsionam as outras atividades: ter o cliente mais próximo, conhecer melhor o cliente e as suas necessidades, ter uma resposta mais rápida e dar um serviço de excelência. Acresce neste mercado em que gerimos o risco, a tecnologia e inovação podem ajudar e em muito a diminuir o risco (alarmes inteligentes em casa, indicadores de condução nos carros, indicadores de atividade física, entre outros).

Aliando a experiência da Liberty Seguros à inovação, é possível para os clientes encontrar as melhores alternativas de seguros disponíveis para os seus casos. De que forma a Liberty Seguros se destaca das demais seguradoras no mercado?

O lema da Liberty Seguros é “Pela proteção dos valores da vida”. Temos a trabalhar connosco uma rede de agentes profissionais que aconselham aos nossos comuns clientes a solução que melhor se adapta a cada um. Os seguros não são um tema “sexy” e tem alguma complexidade pelo que entendemos que a melhor forma de proteger os valores da vida dos nossos clientes é aconselhá-los profissionalmente, através do mediador de seguros, e prestar a todos um serviço de excelência. A atividade seguradora transfere para si, a troco de um pagamento a que chamamos prémio, os riscos que cada um de nós corre. Num cenário nada simpático e que não gostamos de pensar, em que há uma tempestade (algo cada vez mais comum nos últimos anos em Portugal) e esta danifica a nossa casa e bens nela existentes, o seguro serve para nos ressarcir desses danos e permitir voltar à nossa casa. Mas este é um cenário que não pensamos no dia-a-dia, e até fugimos de pensar nele. O mediador ajuda-nos a lembrar e aconselha o que devemos proteger para termos uma vida mais tranquila.

A inovação é cada vez mais um fator de diferenciação e de conquista de mercado da indústria seguradora. Mas não só. Não se limita a ser uma estratégia defensiva à volatilidade e mutações do mundo que a rodeia. Que vantagens traz para os segurados?

A inovação nos seguros passa também, como já disse acima, por associar tecnologia de forma a diminuir o risco. Ao diminuir o risco contribuímos para menos acidentes para os segurados. Um alarme inteligente em casa que detete maus funcionamentos pode evitar acidentes. Um indicador no carro que nos indique que estamos com uma condução perigosa pode evitar acidentes, entre outros. Ou seja, ao aconselhar objetos que diminuam o risco ajudamos, igualmente, os segurados a viverem vidas mais seguras.

No panorama atual português, o setor dos seguros ainda é visto pela sociedade como um setor tradicional de processos longos e complicados e de alguma burocracia?

Sim, é verdade, embora todo o setor esteja alerta para esta realidade e seja ele próprio o motor da mudança. Como exemplo temos a aplicação lançada no final de 2016 pela Associação Portuguesa de Seguradoras para preenchimento da declaração amigável de seguro através de telemóvel, sem todo o processo aborrecido de preenchimento num papel autocopiativo e com direito a ter de desenhar, o que para alguns segurados (como é o meu caso) pode ser um desafio.

É defendido por alguns como um setor com predisposição para a inovação, a tecnologia e novos modelos de negócio. Nesta medida, qual tem sido a estratégia da Liberty Seguros no que concerne à inovação e desburocratização?

Na Liberty trabalhamos muito de forma a disponibilizar aos nossos parceiros e clientes soluções amigáveis. Vamos lançar no início do ano uma nova plataforma para os nossos mediadores, mais ágil e rápida, e que permite ser usada também em smartphones e tablets. Estamos a trabalhar igualmente num projeto inovador em termos de diminuição do papel que dará os seus frutos em 2017. Iremos disponibilizar, ainda, aos nossos mediadores uma forma de fazer simulações e emissão de apólices nos seus smartphones.

Por outro lado, as tecnologias e inovação podem dificultar a prestação das seguradoras, numa altura em que o setor segurador é extremamente competitivo?

Não vejo as tecnologias e inovação como um fator que dificulte a prestação das seguradoras. Muito pelo contrário, vejo como um fator facilitador. O que acontece e que nos levanta novos desafios é que nós, na atividade seguradora, estamos habituados a estudar o passado e a extrapolar o futuro com base neste. Quando temos inovação lança-nos o dilema de como extrapolar, pois não temos passado para estudar. Por isso inovamos e, mais uma vez, temos a tecnologia a ajudar e rapidamente podemos estudar a inovação e aplicar aos nossos modelos.

O setor segurador pode ambicionar ter uma capacidade de inovação superior ao que tem demonstrado?

Podemos sempre ambicionar a mais. Mas na minha opinião o setor segurador tem inovado, nomeadamente, ao disponibilizar novas ferramentas aos clientes, como a aplicação para preenchimento da declaração amigável de seguro automóvel, no lançamento de produtos para fazer face a novas necessidades, como, por exemplo o produto de responsabilidade civil ambiental, em aplicações para que os clientes possam saber que seguros possuem, entre outros.

A Liberty Seguros disponibiliza gratuitamente uma aplicação para iPhone. Como funciona e o que permite fazer esta aplicação?

Esta aplicação permite aos nossos clientes participarem sinistros de automóvel e lar. Estamos este ano a preparar o lançamento de mais aplicações móveis para clientes e parceiros.

Foi criada pelas seguradoras uma app que pode substituir a tradicional “Declaração Amigável” (DAAA). Que comodidades apresenta esta aplicação?

Esta aplicação, como já mencionei acima tem várias vantagens, entre elas, facilidade de preenchimento e poupança significativa de tempo.

O que podemos fazer com esta aplicação?

– Preenchimento automático dos dados da apólice (incluindo a apólice do terceiro)

– Preenchimento automático dos dados do Cliente, dado que a app permite guardar a informação do Tomador e das várias apólices (automóveis)

– Carregamento de fotos e geolocalização do local do sinistro

– Envio automático para a seguradora, dispensando deslocações ou envio de documentos em papel

Os desafios que se impõem ao setor implicam um novo horizonte para a indústria dos seguros?

Os desafios que o setor enfrentará, na minha opinião, são como simplificar a contratação de seguros adaptando cada vez mais os seguros às necessidades do cliente e como reforçar a venda especializada. Ao simplificar a contratação dos seguros de massa automóvel, por exemplo, permitindo ao consumidor a sua contratação fácil, será necessário, na minha opinião, um especialista (mediador) que aconselhe o consumidor quais os riscos que deve proteger. O seguro protege-nos dos riscos que corremos no dia-a-dia: na nossa habitação, se cairmos na rua e partirmos uma perna, se formos viajar e adoecermos, se tivermos um acidente no estrangeiro e quisermos regressar, aos nossos filhos, entre outos. Mas, nós consumidores, não nos lembramos/pensamos em todos estes acidentes que podem acontecer. Mas um especialista poder-nos-á aconselhar da melhor forma e qual a melhor proteção para nós para “protegermos os valores da nossa vida”.

“ESTÁ NA ALTURA DAS EMPRESAS MUDAREM E PERCEBEREM QUE OS DESAFIOS HOJE SÃO GLOBAIS”

25 ANOS DE APLOG

Com 25 anos de existência, a APLOG é uma associação voltada para o desenvolvimento da logística em Portugal. Ela nasce num contexto da iniciação de algumas atividades em Portugal que eram muito dependentes da logística num país que ainda não tinha capacidade de resposta no setor da cadeia de abastecimento. 25 anos depois o contexto da APLOG evoluiu significativamente, tornando a logística uma matéria relevante e com um papel de destaque para as empresas portuguesas.

19º CONGRESSO DE LOGÍSTICA | “SUPPLY CHAIN NUM CONTEXTO DE MUDANÇA”

Tanto a logística como o seu próprio contexto estão em constante mutação, e é desse evidência que surge o tema do congresso.

“Somos capazes de nos adaptar aos diferentes panoramas que vão surgindo com a rapidez necessária?”, quem pergunta é Alcibíades Paulo Guedes, Presidente da APLOG.

O online, a sustentabilidade, novos mercados e clientes, a complexidade, as tecnologias de informação e imprevisibilidade, são alguns dos temas que serão abordados no congresso que se realizará no Centro de Congressos de Lisboa nos dias 19 e 20 de outubro. Ao longo dos painéis estes serão temas cruciais e que pretendem chamar à atenção dos empresários portugueses para a necessidade de inovar para melhor competir.

Os dois dias serão preenchidos com palestrantes ilustres como Rui Rio (Senior Advisor e Partner – Boyden global executive search e Neves de Almeida | RH Consulting), João Pedro Matos Fernandes (Ministro do Ambiente), Sérgio Marques (Managing Director – PARFOIS), Pedro Silva (Sustainability Manager – The Navigator Company), Paulo Pires (Diretor de Logística – Grupo Cooprofar Medlog), António Gonçalves (CEO – ES-KO), entre outros.

Questionado sobre os problemas que o uso e a implementação das tecnologias da informação representa para as empresas, Alcibíades Paulo Guedes, não tem dúvidas: “as tecnologias ainda são um problema nas empresas. Mas não há outro caminho possível. Só investindo em tecnologia é que o acompanhamento do mercado pode ser feito”.

“A rastreabilidade também tem aumentado brutalmente em todos os mercados, e esta é uma necessidade fulcral”, recomenda.

“Temos de ter noção de que as empresas portuguesas só poderão ser competitivas se souberem inovar”.

Enquanto associação, a APLOG pretende chamar a atenção do tecido empresarial português para a necessidade emergente de inovar, que “já mudou muito mas que tem de continuar a mudar”.

O FUTURO

 “As novas gerações estão muito bem preparadas, há que transformar essa capacidade em valor, produtos, serviços e capacidade de integrar esses conhecimentos em cadeias de abastecimento”, conclui Alcibíades Paulo Guedes.

ENTERPRISE EUROPE NETWORK | UMA REDE AO DISPOR DAS PME’S NACIONAIS

Coordenado em Portugal pelo IAPMEI, Agência para a Competitividade e Inovação, a Enterprise Europe Network é uma rede facilitadora de informação comunitária e de serviços  que é assegurada, desde janeiro de 2015, pelo novo consórcio EEN – Portugal, formado por doze entidades públicas e associativas, distribuídas regionalmente por todo o território nacional, incluindo as regiões autónomas dos Açores e da Madeira e que será responsável, durante os próximos sete anos, pela sua implementação.

Através desta Network, os empresários e agentes da envolvente podem aceder a um conjunto de serviços gratuitos, que os podem ajudar a valorizar as suas estratégias de inovação e de investimento no mercado europeu e fora dele através do
acesso simplificado a informação sobre regulamentação comunitária, novas medidas de política com implicação na atividade empresarial, projetos e programas de financiamento na EU dirigidos às PME. Para além disso facilita a procura de contatos comerciais, fora do país para as empresas que pretendam internacionalizar os seus negócios.

Apoiar as PME´s no acesso a programas comunitários de apoio à inovação e a parcerias estratégias, que valorizem a industrialização de resultados de investigação e desenvolvimento obtidos nos diversos países e a divulgação de oportunidades de negócio e ajuda no encontro de potenciais parcerias estratégicas e comerciais, de produção, para transferência de tecnologia ou outras, que incentivem a cooperação e a atividade empresarial internacional, são outros dos objetivos da Enterprise Europe Network.

Para Miguel Cruz, Presidente do IAPMEI, entidade que coordena esta rede. “Em Portugal, 99% das empresas são PME´s que são responsáveis por 2.8 milhões de empregos e geram mais de metade das exportações, o que reforça o papel preponderante das PME´s na recuperação económica nacional que implica um grande desenvolvimento e melhoria destas empresas, quer em termos de inovação como de internacionalização”.

“É neste âmbito que esta rede atinge uma importância extrema uma vez que junta as diversas soluções disponíveis, no que respeita a instrumentos e programas comunitários de apoio às PME´s. A Enterprise Europe Network consegue oferecer aos nossos empresários, um serviço de balcão único, constituindo-se assim como uma rede agregadora de informação”, reforça o mesmo responsável.

“Como parceiros da rede e coordenadores do consórcio, até 2020, temos a missão de dinamizar a Enterprise Europe Network e de articular com as restantes entidades numa lógica de integração de competências, todo o processo de dinamização deste instrumento que se constitui como um canal privilegiado das PME´s junto da Comissão Europeia”, afirma Miguel Cruz.

Esta rede, ajuda as empresas a melhor aproveitar as oportunidades do Mercado Único e de outros países onde está presente, como a China, os Estados Unidos da América, o Brasil, a Rússia, entre outros, configurando, assim, uma janela de oportunidades para facilitação de serviços de apoio à inovação e internacionalização das PME´s portuguesas, visando índices crescentes de competitividade e de riqueza social.

A Enterprise Europe Network foi lançada em 2008 pela Comissão Europeia no âmbito do Programa-Quadro para a Competitividade e Inovação da EU tornando-se sucessora das anteriores redes comunitárias de Euro Info Centres e de Innovation Relay Centres e conta atualmente com mais de três mil profissionais de mais de seiscentas entidades de contacto espalhadas por sessenta países.

Reconhecendo que a Enterprise Europe Network, na sua primeira edição (2008-2014), deu prova suficiente da sua importância para as PME´s, a Comissão europeia alargou o seu domínio, neste novo ciclo (2015-2020). Assim, e no âmbito do COSME – Programa para a Competitividade das Empresas e das PME´s, a CE reforçou e aumentou a missão da Network, no que respeita à inovação e à internacionalização. A rede passará a incluir intervenção no âmbito do Programa SME Instrument e do reforço da gestão da inovação nas PME´s com algum grau de inovação e potencial para a internacionalização.

Fabrimetal: um contínuo compromisso com o povo angolano

Luís Diogo

No rápido desenvolvimento das infraestruturas de Angola, na criação de emprego, no apoio ao crescimento do setor da construção e na diminuição da poluição ambiental, a Fabrimetal tem procurado estar nas principais linhas da frente?
Nós acreditamos que temos feito o nosso trabalho e de forma muito comprometida com Angola. Empregamos hoje cerca de 450 colaboradores nacionais, e apesar da crise não demitimos qualquer trabalhador. Em 2015, aumentámos em 15% a massa salarial e este ano já efetuamos um ajustamento no subsídio de transporte. Produzimos um produto, com qualidade, que gera um valor acrescentado significativo à economia nacional, pois trata-se de um produto de base para o setor da construção civil. Além disso, concluímos recentemente a implementação de um sistema de controlo de poluição e estamos a aumentar os espaços verdes na fábrica.

De que modo têm conseguido antever as necessidades do mercado, de modo a conseguirem dar uma resposta imediata e adequada às solicitações que vão surgindo?
Temos vindo a reforçar a nossa capacidade produtiva, estando neste momento com uma capacidade mensal de 7.000 tons/mês, não obstante a crise que Angola atravessa. Debatemo-nos ainda com algum receio ou diria mesmo desconhecimento de alguns players que continuam a colocar bastantes entraves à produção nacional, apesar de cumprirmos na íntegra os standards internacionais ao nível do processo produtivo. A nossa aposta continua a ser na qualidade do produto e no reforço dos conhecimentos do nosso capital humano.

Num país que, apesar dos avanços dos últimos anos, continua a estar em reconstrução, ainda existem fortes privações e debilidades. Quais continuam a ser as principais carências de Angola que afetam significativamente a vossa atividade, enquanto Produtor Nacional?
Efetivamente foram dados fortes avanços mas esta crise que estamos a viver evidenciou ainda mais fortes debilidades que persistem. Todavia entendo que despertou “adormecidos”. No nosso caso particular, temos ainda problemas graves ao nível do fornecimento de energia à fábrica pois o funcionamento da mesma com recurso a geradores é economicamente inviável. Sem energia não conseguimos produzir e sem produção não conseguimos satisfazer os nossos clientes, colocando em causa a própria sobrevivência da empresa. Teremos de fazer investimentos adicionais para garantir o fornecimento contínuo de energia! Entendemos que deve ser feito um esforço adicional no sentido de serem criadas as condições para que a indústria nacional possa continuar a crescer.

Em qualquer organização os recursos humanos desempenham um papel fulcral. Na Fabrimetal, que políticas de desenvolvimento do vosso capital humano têm sido desenvolvidas? Na vossa atuação, a formação contínua ocupa um dos lugares cimeiros?
O capital humano para nós reveste-se de primordial importância. Temos neste momento em curso/execução o plano anual de formação, que decorrerá durante o corrente ano, cuja formação in-job, irá cobrir cerca de 90% do nosso quadro de pessoal. Além da formação completamos também uma parceria com uma entidade de saúde, que além de nos garantir uma melhor gestão dos sinistros de trabalho, irá proporcionar uma formação exaustiva ao nosso pessoal interno afeto ao nosso Posto Médico e também, em caso de necessidade, providenciará cuidados de saúde aos nossos trabalhadores. De forma complementar, estamos também a melhorar as condições de trabalho, com a construção de um novo balneário e de um novo refeitório.

Apesar de estar na vanguarda dentro da área em que atua, a Fabrimetal não coloca nunca de lado a vertente da responsabilidade social. O que têm procurado fazer a este nível? Neste sentido, qual tem sido a importância da vossa plataforma de Responsabilidade Social Corporativa?
Ao nível da responsabilidade social temos feito algumas ações que julgamos serem de primordial importância. Saliento a doação de um camião com 30 toneladas de aço e alguns colchões para a população da Província de Benguela, quando esta foi assolada pelas cheias em 2015. Durante o mês de fevereiro do corrente ano providenciamos a vacina da Febre Amarela a todos os colaboradores. Temos planos para fazer mais ações durante o corrente ano.

Mais do que numa busca pelo retorno imediato dos seus investimentos, qual tem sido a postura das empresas portuguesas no mercado angolano? Dentro da sua visão, neste universo empresarial e na senda da responsabilidade social, há uma espontânea preocupação em fazer a diferença nas comunidades com as quais se envolvem?
A postura da maioria das empresas, aquelas que ainda se mantêm, tem sido de investimento contínuo com uma visão de longo prazo. Congratulo-me hoje por representar uma empresa que, apesar de não ter capitais portugueses, tem uma postura de longo prazo, de compromisso com o povo angolano.
A longa permanência que já tenho neste mercado permite-me hoje afirmar que as empresas portuguesas são as que, na economia real, mais apostam neste mercado. Se olharmos para o setor industrial de Angola, facilmente poderemos verificar que o maior número e com mais antiguidade no mercado são empresas de capital português ou misto (parcerias entre portugueses e angolanos).

Para o decorrer deste ano, que objetivos serão realizados para que a Fabrimetal se continue a afirmar como “o seu parceiro no aço”?
Pretendemos manter sempre os princípios fundamentais que estão no ADN da empresa e do grupo a que pertence. Ética e honestidade na condução dos negócios e uma contínua aposta na qualidade do produto e na valorização do capital humano.
Temos noção que este ano será difícil, teremos de ser prudentes e também resilientes, sem, contudo, deixar de aproveitar as oportunidades que surjam. A nossa postura no mercado é muito transparente e os clientes sabem valorizar isso! Pretendemos este ano concluir a Certificação ISO 9001 e o processo de Acreditação dos nossos laboratórios junto do IAC – Instituto Angolano de Acreditação.

EMPRESAS

Tecnologia