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Investigação com Arte

A VICARTE é uma parceria da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Inclui ainda membros da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e da Escola Superior de Arte e Design do Instituto Politécnico de Leiria.

Em 2009, quando surgiu o Mestrado em Arte e Ciência do Vidro em associação com a Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, este, catapultou uma dinâmica maior em torno da comunidade e da própria investigação. Com este curso pretende-se introduzir o vidro como material de modo a explorar as suas potencialidades para utilização em arte.

Em 2013, após um novo processo de avaliação das unidades de investigação científica, houve um período de reflexão interna sobre o caminho da VICARTE. “Foi um período de transição entre os projetos de investigação científica que já tínhamos e as novas colaborações e linhas de investigação, mas sem existir uma rutura naquilo que é a VICARTE”, começa por explicar Márcia Vilarigues.

UNIR O PRESENTE E O PASSADO

Com duas áreas delineadas, o estudo de vidros históricos respeitantes ao património cultural e o desenvolvimento de novos vidros direcionados para a arte, a VICARTE tem vindo a acolher novos membros direcionados para o estudo da cerâmica. “Ainda há pouco trabalho de cerâmica nesta unidade de investigação, mas temos diversos trabalhos que envolvem a comunidade e com os novos membros que integraram a unidade em 2013, demos início a novos projetos”, adianta Márcia Vilarigues, Diretora da Unidade de Investigação da VICARTE desde 2011, acrescentando que o vidro e a cerâmica ainda são áreas de estudo pouco valorizadas em Portugal.

“Existe um grande desconhecimento dos objetos de vidro nas nossas instituições, sobre o ponto de vista histórico”, reforça, ainda, a nossa entrevistada.

Este é, portanto, um dos maiores desafios para a VICARTE, a valorização e a educação social nestas áreas respeitantes ao conhecimento e tradição armazenados ao longe de séculos. É necessário manter a herança cultural das regiões.

Outros dos desafios passa pelas restrições da União Europeia no que diz respeito a químicos, considerados materiais tóxicos para a saúde dos vidreiros, como o arsénio ou o cádmio.

Com diversas parcerias com artistas internacionais e, ainda, a receber alunos e investigadores estrangeiros, Márcia Vilarigues realça que é importante que equipa da VICARTE funcione como um todo, tendo em conta a sua multidisciplinaridade. “O verdadeiro desafio passa por conseguir corresponder à transversalidade das investigações nesta unidade e fazer com que a equipa funcione de forma unânime. Felizmente, temos sido bem-sucedidos nesta matéria”, explica a nossa entrevistada, acrescentando que “queremos fazer um trabalho com os artistas e não para os artistas”.

A VICARTE é responsável pelo Mestrado em Arte e Ciência da Cerâmica e do Vidro (anterior mestrado em Arte e Ciência do Vidro) e pela supervisão de mestrados e doutoramentos em conservação e restauro de vidro e cerâmica na FCT-NOVA. É, ainda, membro do curso de Doutoramento em Conservação e Restauro do Património Cultural (CORES) financiado pela FCT/ MCTES e o curso de Doutoramento em Belas-Artes (FBA/UL)  em diversas especialidades.

Estimulando a partilha de conhecimento, experiências e metodologias, a VICARTE tem-se dedicado à promoção da transdisciplinaridade aplicada aos materiais vidro e cerâmica.

De facto, atendendo à importância das sinergias entre as unidades de investigação e o universo empresarial/indústria para a aplicação do conhecimento científico, a verdade é que é necessária esta e mais ciência.

CRIATIVIDADE E MATERIAIS CONTEMPORÂNEOS

Esta linha de investigação representa o aspeto mais transdisciplinar da VICARTE, unindo cientistas, artistas e designers. Foca-se na arte e design contemporâneos explorando o vidro e a cerâmica, no desenvolvimento de novos materiais que abrem novos caminhos para artistas e simultaneamente estudando as propriedades físico-químicas desses mesmos materiais. Finalmente, este grupo focaliza-se também em atividades que permitam o desenvolvimento de um produto de design e colaboração com a indústria.

PATRIMÓNIO CULTURAL

Atividade dedicada ao estudo e conservação do património vítreo e cerâmico, aplicando as ciências físico-químicas em conjugação com a arqueologia e a história de arte, com especial ênfase na arqueometria e história das técnicas de produção artística. A investigação desenvolvida por este grupo serve museus e agentes responsáveis pela herança cultural, bem como público em geral, ampliando o conhecimento da história da produção de vidro e da cerâmica e permitindo a implementação de medidas de conservação inovadoras.

“A evolução baseada no conhecimento é a única forma sustentável de crescimento”

O Gabinete da União das Universidades do Mediterrâneo (UNIMED), criado para funcionar na Universidade de Évora, é o primeiro na Europa, para além de Itália, onde funciona a sua sede. Para responder a questões mais específicas foi criada, igualmente, a sub-rede da UNIMED que incidirá concretamente sobre água e alimentação, integrada por parceiros de nove países (Argélia, Chipre, Itália, Jordânia, Palestina, Portugal, Espanha e Turquia) e liderada pela Universidade de Évora. Esta Sub-Rede tem como objetivo abordar questões transversais de crescente importância na região do Mediterrâneo, com enfoque nos sistemas agrícolas e na sua resiliência no contexto das alterações climáticas, na gestão estratégica e sustentável da água, no uso de metodologias inovadoras para a monitorização e no ordenamento do território. Estas são algumas das questões emergentes ligadas ao Mediterrâneo, mas que nunca podem ser dissociadas dos problemas sociais, culturais, entre outros, e que têm merecido especial atenção por parte da União Europeia, como comprova a criação do PRIMA – Parceria para Investigação e Inovação na região do Mediterrâneo. A parceria encontra-se planeada para a duração de dez anos, com início em 2018, e irá procurar desenvolver investigação conjunta que leve a novas soluções para a sustentabilidade da gestão dos recursos hídricos e da produção alimentar na bacia do Mediterrâneo.

“Estamos bastante interessados em estabelecer consórcios com outros países do Mediterrâneo para desenvolver investigação nesta área e para já somos a única universidade portuguesa a fazer parte da UNIMED. É importante a criação deste Gabinete, bem como o foco específico na água e na alimentação, que iremos abordar numa perspetiva transversal, ligando a história, sociologia e as relações internacionais, ou seja, toda a problemática que envolva o Mediterrâneo”, começa por explicar Ana Costa Freitas.

O Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas (ICAAM), bem como outros centros de investigação da Universidade de Évora, há muito que está focado em desenvolver investigação para promover a sustentabilidade da agricultura mediterrânica e dos ecossistemas relacionados. “É importante perceber que não podemos isolar as diferentes problemáticas do Mediterrâneo. A ciência é transversal e tem de contribuir para o desenvolvimento de uma cultura, de um ecossistema e do ordenamento do território”, afirma a Reitora da Universidade de Évora.

Tomemos o exemplo do Alentejo que atravessa um período de seca que já dura há três anos. “Temos de mudar o paradigma daquilo que se faz no Alentejo e pensar em novas culturas que se possam adaptar às alterações climáticas e às alterações do território. A problemática da seca e as suas consequências ao nível do rendimento agrícola tem acarretado outros desafios como a fixação de jovens qualificados. Precisamos de ter uma visão integrada de como tirar o melhor partido do nosso território. E isto não é só um problema regional, é um problema nacional”, elucida Ana Costa Freitas. 

INVESTIGAÇÃO & INOVAÇÃO

A Universidade de Évora é uma instituição de prestígio com uma forte componente de investigação, inovação e cooperação. Esta irá continuar a ser o grande foco da Universidade, com os consequentes reflexos na excelência do Ensino.

Com a criação da UNIMED e da sub-rede estão já envolvidas 17 universidades de países diferentes da bacia do Mediterrâneo. “Isto permite-nos estabelecer parcerias com diferentes países, de realidades e culturas diferentes, para concorrer a projetos de investigação que incidam nestas áreas específicas, com uma visão mais alargada e complexa. Sabendo nós que os problemas diferem de país para país, isto é uma troca de conhecimentos para adaptar melhor os modelos de cada país. Este é objetivo da UNIMED, resolver em conjunto os problemas específicos de cada região”, afirma a nossa entrevistada.

Hoje em dia o mundo avança a um ritmo acelerado e as universidades têm de ser capazes de corresponder aos desafios atuais, pelo que a componente da investigação e inovação tem de estar bem vincada. “Temos de transmitir conhecimento, não só aos nossos alunos, mas ao país também. Para além desta aposta no Mediterrâneo, é também uma preocupação nossa a área do Património, o bem-estar e percursos de vida da população do Alentejo, a qual é bastante envelhecida”, refere Ana Costa Freitas.

A Universidade de Évora é uma universidade virada para o futuro e que quer contribuir para que o Alentejo também tenha um projeto de futuro, pelo que a área da aeronáutica/aeroespacial também tem sido alvo de especial atenção por parte desta instituição, que criou recentemente a cátedra “CEiiA em Aeroespacial” (promovida conjuntamente com o CEiiA – Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto). “O Alentejo não é só agricultura e património. O Alentejo é agricultura, património, pessoas e tem que ter inovação, e a Universidade de Évora deve contribuir para que haja uma maior diversificação das atividades económicas”, adianta a nossa interlocutora.

Mais do que formar e educar, a Universidade de Évora presta serviço público. “Temos essa obrigação. Educar e formar não é só dar aulas, temos de formar pessoas para uma cidadania responsável, para a sustentabilidade e para serem capazes de enfrentar o futuro e corresponder às exigências desse mesmo futuro. Temos de formar pessoas com capacidade de se adaptarem à evolução, pois a evolução baseada no conhecimento é a única forma sustentável de crescimento”, conclui Ana Costa Freitas.

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