Inicio Tags Investigação

Tag: investigação

Investigadoras criam farinha e temperos com resíduos da azeitona e tomate

O objetivo “é criar alimentos mais diversificados, com reforço de fibra e proteção antioxidante”, com subprodutos representativos de culturas vegetais com impacto em Portugal, indicaram as responsáveis pelo projeto Veggyflours.

Este projeto, que está a ser desenvolvido há quatro meses, surgiu a partir da vontade de Manuela Pintado, Tânia Ribeiro, Marta Coelho e Joana Costa, da Escola Superior de Biotecnologia (ESB) da UCP, em responderem às diferentes necessidades do consumidor, promovendo a sua saúde e qualidade de vida.

Segundo explicaram à Lusa, estes produtos que estão a criar serão ricos em compostos bioativos, como a fibra e os carotenoides, que, em estudos realizados ao longo dos anos, têm demonstrado evidências na melhoria do trânsito intestinal, na recuperação desportiva, na regulação dos níveis de colesterol ou da função cardíaca.

Além da riqueza em fibras e elevada capacidade antioxidante, os produtos que a equipa está a desenvolver são isentos de glúten e têm uma maior capacidade de conservação, o que se irá refletir nos alimentos nos quais forem incorporados.

“Por fim, o concentrado de fibra antioxidante insere-se na nova tendência alimentar ‘Going full circle’ — Completando o ciclo, onde os consumidores valorizam, entre vários conceitos, questões como diminuição de desperdícios alimentares e a reutilizar subprodutos”, contaram as investigadoras.

De acordo com as investigadoras, um dos principais problemas enfrentados pela indústria alimentar é a acumulação e gestão dos seus subprodutos.

“Apesar do seu elevado valor nutricional, atualmente as aplicações dos subprodutos são limitadas e não criam valor acrescentado para a indústria, gerando, pelo contrário, custos elevados na gestão de resíduos, e, em alguns casos, com impacto ambiental”, indicaram.

Devido a isso, consideram que é “imperativa” a procura e criação de novas alternativas, que tragam valor acrescentado aos subprodutos.

“Disponibilizar os nossos produtos no mercado seria uma concretização pessoal, não só pela dedicação ao projeto, mas por acreditarmos que são uma forma sustentável de contribuir para a alimentação de uma população mundial crescente, que enfrentará, nos próximos anos, limitações de matérias-primas para a produção de alimentos”, referiram.

Apesar de as investigadoras já trabalharem com subprodutos há alguns anos, o projeto Veggyflours é mais recente, tendo surgido há cerca de quatro meses.

Futuramente esperam expandir a aplicação desta solução a outros subprodutos vegetais.

Com este projeto participaram no programa BIOTECH_agrifood INNOVATION, programa de pré-aceleração criado pela ESB-UCP, com o apoio da associação Portugal Foods e da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE).

Este programa tem como objetivo selecionar ideias inovadoras para o setor agroalimentar e apoiar a sua transformação em projetos de negócio.

LUSA

Vírus Zika eficaz contra células cancerígenas no cérebro de adultos

Os investigadores chegaram a essa conclusão, publicada numa revista científica norte-americana, depois de terem injetado o vírus em células que continham “glioblastoma”, o tumor do sistema nervoso central mais comum e maligno, dado que apenas 24 horas depois, o Zika já tinha eliminado metade das células cancerígenas.

Esse processo foi repetido nas horas seguintes sem que as células saudáveis fossem afetadas pela ação do vírus.

A experiência ocorreu sob a premissa de que o vírus Zika é consideravelmente destrutivo em células cerebrais em recém-nascidos, mas não em adultos.

“As células do bebé têm uma alta taxa de proliferação. Parecida com as do cancro, que nada mais é do que uma doença que prolifera de forma descontrolada. E as células saudáveis, não. Então ele protegeria as células normais do adulto, mas eliminaria apenas as células do cancro, tornando um tratamento mais específico do que uma quimioterapia”, explicou a investigadora Estela de Oliveira Lima, citada pelo portal de notícias brasileiro G1.

Além disso, os investigadores notaram que quando ocorreu o contacto entre o Zika e a célula cancerígena aumentou significativamente a quantidade de “digoxina”, uma substância responsável pela morte dos tumores e que é utilizada já na medicina no tratamento de algumas doenças cardíacas.

“A descoberta da substância e o mecanismo com que ela também atua no glioblastoma, nesse tipo de cancro, é inédito no mundo”, afirmou o médico Rodrigo Ramos Catarino, ao G1.

Após as descobertas em laboratório, o próximo passo será realizar testes com animais e, por fim, em humanos, o que poderá levar, a confirmarem-se os resultados da investigação, a um novo tratamento contra o referido tumor e mesmo ao desenvolvimento de uma vacina.

O Zika, tal como a dengue, a chikungunya e a febre amarela, é transmitido pelo Aedes aegypti, um mosquito cuja população se multiplica com a chegada do verão.

O Brasil foi um dos países mais afetados pelo Zika em 2016, que declarou estado de emergência antes de a própria Organização Mundial de Saúde (OMS) alertar para a gravidade da doença.

Em 2016, foram registados 216.207 casos prováveis de febre pelo vírus Zika no Brasil e foram confirmadas laboratorialmente oito mortes.

LUSA

Novo tratamento para Sida com uma única cápsula por semana

Investigadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts e do “Brigham and Women’s Hospital”, duas instituições norte-americanas, desenvolveram um novo tratamento para a Sida que prevê a ingestão de uma única cápsula por semana.

O novo fármaco, segundo os investigadores, pode resolver um dos grandes problemas relacionados com o tratamento do HIV que é a não adesão à medicação ou falta de rigor nas tomas dos “cocktails” de fármacos.

O avanço, afirmam no estudo publicado hoje na revista Nature Communications, pode tornar muito mais fácil aos pacientes aderirem a um plano rigoroso de dosagem, necessário para combater o vírus. A droga, explicam, é libertada no estômago gradualmente ao longo de uma semana e pode também ser usada por pessoas em risco de exposição ao vírus, para ajudar a evitar a infecção.

“Uma das principais barreiras no tratamento e prevenção do HIV é a adesão (ao tratamento). A capacidade de fazer doses menos frequentes melhora a adesão e tem um impacto significativo ao nível do doente”, disse Giovanni Traverso, do Brigham and Women’s Hospital, principal autor do estudo com Robert Langer, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT na sigla original).

O projecto tem o apoio de uma empresa, que está a desenvolver a tecnologia e que está a preparar um ensaio clínico. Robert Langer disse que o sistema pode ajudar pacientes com Sida mas também com outras doenças.

A cápsula consiste numa estrutura em forma de estrela com seis braços que podem ser carregados com os medicamentos e que se abrem do estômago, fazendo com que ali permaneça vários dias.

Os investigadores criaram uma estrutura constituída por um polímero forte no centro, com cada um dos seis braços com polímeros de carga diferente, que libertam os medicamentos em diferentes taxas.

“De certa forma é como colocar uma caixa de medicamentos numa cápsula, com compartimentos para cada dia da semana numa única cápsula”, disse Giovanni Traverso.

Testes em porcos mostraram que as cápsulas conseguiram alojar-se no estômago com sucesso e libertar três diferentes tipos de drogas contra o HIV durante uma semana, desintegrando-se depois em componentes mais pequenos, que passam pelo aparelho digestivo, segundo os investigadores.

As equipas estão a trabalhar na adaptação da tecnologia a outras doenças e em cápsulas que possam permanecer no corpo por períodos de tempo muito mais longos.

Embora a taxa de mortalidade por HIV tenha baixado significativamente desde que foram introduzidos os antirretrovirais, na década de 90 do século passado, em 2015 houve 2,1 milhões de novas infecções e 1,2 milhões de mortes relacionadas com a doença.

LUSA

Descobertas moléculas que podem ajudar a retardar doença de Parkinson

Este projeto, desenvolvido pelo grupo de Bioquímica Computacional da FCUP, tem como objetivo criar medicamentos que potenciem o efeito do fármaco Levadopa, impedindo que este seja degradado pelo organismo antes de chegar ao cérebro, que é o seu alvo, ajudando assim a retardar a progressão da doença, indicou à Lusa o investigador Pedro Fernandes.

Para descobrir estas moléculas, a equipa – que na última década se tem dedicado à descoberta de novos fármacos para doenças específicas – recorreu ao uso de supercomputadores, que vasculham bases de dados com milhões de substâncias, num período de seis meses, com um custo “muito mais baixo” do que se a tarefa fosse efetuada num laboratório tradicional.

Segundo Pedro Fernandes, a maioria dos fármacos são pequenas moléculas, ingeridas oralmente num comprimido, cujo efeito é provocado ao ligarem-se a outras moléculas existentes no organismo, designadas “recetores”, que originam doenças quando estão desregulados.

No grupo dos recetores, continuou, encontram-se as enzimas, que são responsáveis por acelerar as reações químicas no organismo.

No caso da doença de Parkinson, a equipa descobriu as moléculas que podem inibir uma enzima que acelera a degradação do fármaco Levadopa.

Uma vez descobertas, explicou o investigador, as moléculas foram compradas e estão atualmente a ser testadas em laboratório, numa colaboração com a Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, para confirmar se as previsões computacionais encontraram realmente a “molécula mágica”.

Pedro Fernandes adiantou que, caso se verifique que as moléculas detetadas são mesmo as “perfeitas” para ajudar no tratamento do Parkinson, estas podem ser a base para o desenvolvido de um medicamento.

No entanto, esse é um “caminho longo”, sendo necessário realizar testes em células animais e humanas, antes de o medicamento ser aprovado para comercialização.

O grupo de Bioquímica Computacional da FCUP tem-se dedicado igualmente à descoberta de fármacos para a diabetes, a SIDA, o excesso de colesterol, o cancro e a hipertensão.

Para além de Pedro Fernandes, faz ainda parte da equipa a investigadora Maria João Ramos, sendo ambos do centro de investigação UCIBIO@REQUIMTE, do Departamento de Química e Bioquímica da FCUP.

Os projetos desenvolvidos pelo grupo, iniciados em 2008, são financiados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e pelo Programa Operacional Regional do Norte (Norte 2020).

LUSA

Universidade de Évora desenvolve ‘kit’ que deteta microrganismos no património

O ‘kit’ foi criado pelo Laboratório HERCULES, um dos centros de investigação da academia alentejana, no âmbito do projeto MICROTECH-ART, que visa o “desenvolvimento de uma ferramenta analítica rápida para deteção de microrganismos que proliferam no património cultural”.

Segundo a Universidade de Évora (UÉ), a ferramenta, considerada “inovadora”, está a ser desenvolvida por uma equipa de investigação liderada pela espanhola Marina González, investigadora de pós-doutoramento no HERCULES e bolseira da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).

“Em apenas duas horas e meia e sem necessidade de intervenção de especialistas, o ‘kit’ de deteção vai possibilitar a identificação de vários tipos de microrganismos em superfícies do património edificado e obras de arte”, explicou a UÉ.

Marina González explicou à agência Lusa que o protótipo da ferramenta já se encontra criado, mas ainda está “na última fase de desenvolvimento”, para que “possa ser patenteado” ou para que seja “protegida a propriedade intelectual”.

“Ainda temos um ano de trabalho, porque o projeto financiado pela FCT está ativo até final de 2018. Temos de desenvolver o protótipo e testá-lo corretamente para oferecer ao usuário fiabilidade e sensibilidade” adequadas, disse.

Após o registo da propriedade intelectual, o passo seguinte será contactar empresas, nomeadamente na área da conservação e restauro, que “possam estar interessadas na comercialização” deste instrumento e em “continuarem com este projeto”, frisou.

E como é que esta ferramenta faz com que as bactérias, algas, fungos e outros microrganismos que deterioram monumentos e obras de arte “saltem à vista”, como referiu a UÉ, de conservadores e restauradores?

Marina González explicou à Lusa que o ‘kit’ funciona através de fluorescência, com uma tecnologia que já existia, denominada FISH (Hibridação Fluorescente In Situ), mas à qual a equipa da UÉ adicionou “inovações” que permitem aplicar o processo no património cultural “de forma rápida, simples e económica”.

“A tecnologia existia, até tinha sido aplicada no património, mas era demorada” e “os investigadores desistiam” devido aos “problemas que encontravam. O que nós estamos a fazer é ultrapassar estes problemas e conseguir desenvolver uma ferramenta mais rápida e simples”, disse.

Os microrganismos, que “degradam e têm efeitos muito danificadores no património”, não conseguem ser detetados “a olho nu”, mas, com o ‘kit’ e a aplicação de reagentes em amostras recolhidas de forma não invasiva, é possível detetar “a fluorescência (luz) que emitem”.

“Mais ou menos em duas ou três horas”, consegue-se “um sinal fluorescente, no caso de ter os microrganismos que estamos à procura, nomeadamente fungos filamentosos, bactérias ou leveduras”, indicou.

Consoante a cor dessa luz, assim é identificada a comunidade microbiana, podendo, depois, os conservadores e restauradores decidirem qual a metodologia ou estratégia a adotar “para inibir” a sua proliferação no património.

“O que se pretende é que, cada vez que um conservador ou restaurador pretenda fazer um restauro ou conservar uma determinada peça, antes de aplicar qualquer tipo de estratégia para inibir o crescimento destes microrganismos que degradam a obra, tem de perceber quais aqueles que estão presentes”, sublinhou.

A nova ferramenta, continuou, contribui para “facilitar o seu trabalho”, por um lado, “facilitando o investimento”, e, por outro, evitando o envio das amostras para um laboratório especializado: “Qualquer pessoa, um conservador ou restaurador, conseguiria aplicar” a ferramenta, mesmo “sem perceber nada de biotecnologia”.

LUSA

Bragança: Alunos procuram soluções para problemas reais das empresas

O responsável, Luís Pais, explicou à Lusa que o projeto assenta num modelo de inovação finlandês em expansão dentro e fora da Europa e que o politécnico de Bragança será a primeira instituição portuguesa a adotar a denominada Plataforma Demola, em representação do Norte de Portugal.

O lançamento da “Plataforma Demola North Portugal” será oficializado hoje numa cerimónia em que serão assinados os contratos com as cincos empresas para os quais os alunos, em articulação com professores e investigadores, vão estudar soluções para os problemas apresentados.

Equipas de cinco alunos de diferentes áreas do saber e níveis de ensino, desde os cursos profissionais aos mestrados, vão ao longo de três meses estudar as questões colocadas por cada uma das cinco entidades.

Luís Pais concretizou que se trata de soluções pedidas pela Câmara de Bragança para ajudar turistas que visitam a cidade, por uma empresa de segurança para apoio a idosos, por uma padaria que procura estratégias de venda no estrangeiro mantendo a frescura dos produtos e uma empresa de contabilidade que quer retirar papel dos procedimentos.

Os alunos vão ainda trabalhar em soluções para a medicação de idosos pedidas por uma empresa, a OldCare, que nasceu no gabinete de empreendedorismo do IPB e tem atualmente filiais no país.

Este modelo de cooperação tem como propósito “resolver problemas de empresas, dando aos alunos total liberdade para propor soluções”.

Segundo Luís Pais “há três atores neste projeto: a empresa, o facilitador, papel desempenhado por um professor, e os alunos.

As equipas que vão trabalhar em cada pedido das empresas são compostas por cinco alunos de diferentes áreas e nacionalidades. Entre o total de 25 alunos envolvidos no arranque, 12 são portugueses e 13 estrangeiros.

Cada equipa, como explicou o responsável, “oferece uma solução para a empresa, que pode comprar a ideia, se encontrar utilização prática”, não tendo as empresas outros custos.

O valor da venda “é para pagar aos alunos”.

“É um projeto inovador que pretende resolver problemas reais das empresas, ao mesmo tempo que os alunos aprendem e ganham competências complementares à formação”, indicou Luís Pais.

O responsável encara este projeto como “uma oportunidade para todos: para os estudantes que ganham competências conhecendo o mercado de trabalho” com a possibilidade de conseguirem emprego na própria empresa onde desenvolvem o projeto.

É também, continuou, “uma oportunidade para as empresas de pequena dimensão que não têm disponível capacidade de investigação e inovação para problemas reais e criação de novos produtos e serviços”.

O politécnico encontra aqui também a oportunidade de, “sendo uma universidade de ciências aplicadas, desenvolver investigação e trabalhar em estreita colaboração com as empresas”, como sublinhou Luís Pais.

“Ser mulher é uma vantagem”

É doutorada em Ciências da Engenharia, fez pesquisa a nível internacional que foi diversas vezes publicada e motivo de impacto. Esteve sempre envolvida em grandes projetos um pouco pelo mundo todo. Hoje, qual é o seu foco?

Hoje em dia são dois: i) a investigação na área biomédica, procurando alternativas às terapêuticas convencionais para o tratamento de várias doenças desde cancro às feridas crónicas e ii) a Associação Nacional de Investigadores em Ciência e Tecnologia (ANICT), que tem como objetivos: apoiar e representar os Investigadores Científicos que trabalham em Portugal; agir como parceiro no diálogo entre os Investigadores e o Governo, assim como outras instituições que participam na definição da política de Ciência em Portugal. Nos últimos anos à frente da ANICT visamos promover a excelência na investigação, a autonomia e liberdade, em todas as áreas e contribuir para a disseminação do conhecimento científico para o público em geral. 

O que a motivou a escolher a investigação como percurso profissional? 

A curiosidade! Acho que nunca deixei a idade dos porquês. Sempre senti a necessidade de saber mais. Trabalho todos os dias para deixar uma marca positiva na sociedade contribuindo para um mundo melhor. A investigação torna-se parte de nós.

É Presidente da ANICT – Associação Nacional de Investigadores em Ciência e Tecnologia, cujo um dos objetivos é “apoiar e representar os Investigadores Científicos que trabalham em Portugal”. Como surgiu este projeto na sua vida? 

Sou investigadora de pós-doutoramento desde 2005 e logo me deparei com as dificuldades de uma carreira de investigação em Portugal. Decidi aproveitar a experiência adquirida em diferentes laboratórios europeus e japoneses e contribuir para o desenvolvimento do sistema científico em Portugal. Comecei por fazer parte de grupos de trabalho da ANICT a convite do antigo Presidente Nuno Cerca. A partir daí fui-me envolvendo cada vez mais na ANICT. Como investigadores é importante não só realizarmos o nosso trabalho laboratorial, mas também contribuirmos para o desenvolvimento de carreira de investigação baseada no mérito.

Quais são os maiores desafios que os investigadores em Portugal enfrentam? 

Os investigadores em Portugal enfrentam vários desafios, desde o financiamento, à necessidade de uma carreira de investigador, estabilidade, políticas científicas a médio e longo prazo. Neste momento estamos atravessar um período particularmente importante na dignificação da carreira de investigador. A ANICT desde a sua génese que tem trabalhado e contribuído para a profissionalização da carreira de investigação. Sempre defendemos que, após o doutoramento, todos os investigadores devem ter um contrato de trabalho. Anos a fio as instituições abusaram na figura de bolseiro (normalmente atribuída a um estudante). Finalmente, este ano foi promulgada a Lei 57/2017, a qual reconhece que é essencial que os investigadores tenham um contrato de trabalho, limitando assim a figura altamente precária de bolseiro. Há ainda um longo caminho a percorrer, mas garantidamente não iremos deixar de trabalhar em prol da ciência e para que os cientistas sejam reconhecidos como trabalhadores de pleno direito.

Alguma vez se sentiu discriminada pelo facto de ser mulher? De que forma lidou com o assunto?

Não. Acredito que ser mulher é uma vantagem, temos a capacidade de gerir várias situações ao mesmo tempo, desde a vida profissional, às exigências de uma da vida familiar preenchida. 

Qual é o seu sonho enquanto investigadora? 

O sonho de qualquer investigador é ver os resultados da sua investigação aplicados no dia-a-dia. No meu caso é saber que contribui para o bem-estar de um paciente, que de alguma forma contribuí para o aumento da sua qualidade de vida. Como presidente da ANICT é contribuir para a erradicação da precariedade dos investigadores e a profissionalização da carreira de investigador.

Imagens publicadas nas redes sociais podem servir para detetar doenças mentais

Investigadores de duas universidades norte-americanas concluíram que o tipo de fotografias que as pessoas colocam na rede social Instagram podem indicar uma depressão e permitir, através de uma aplicação, detetar a doença.

“Isto leva a um novo método para detetar precocemente uma depressão e outras doenças mentais emergentes”, disse Chris Danforth, professor da Universidade de Vermont, que liderou o estudo com Andrew Reece, da Universidade de Harvard. Os dois garantem que o algoritmo pode detetar mais rapidamente a depressão do que o diagnóstico clínico.

E indicam, segundo o trabalho hoje publicado no jornal EPJ Data Science, que a taxa de deteção de 70% dos computadores é mais fiável que o sucesso de 42% dos casos por parte dos médicos de medicina geral.

Para a investigação, os responsáveis pediram a ajuda de voluntários, que compartilharam o seu Instagram e o historial de saúde mental. Recolheram 43.950 fotografias de 166 pessoas, metade das quais disseram ter estado clinicamente deprimidas nos últimos três anos.

Analisando as fotografias, utilizando informação psicológica sobre a preferência das pessoas pelo brilho, cor e sombra, os investigadores concluíram que pessoas mais deprimidas tendiam a publicar fotografias em média mais melancólicas, mais escuras e com menos qualidade do que as publicadas por pessoas saudáveis.

E também descobriram que pessoas saudáveis usavam filtros que dão às fotografias um tom mais quente e brilhante. Nas pessoas deprimidas o filtro mais popular é o que faz as fotografias ficarem a preto e branco.

“Por outras palavras, as pessoas que sofrem de depressão têm mais tendência para escolher um filtro que literalmente tira a cor das imagens que querem partilhar”, disseram os investigadores.

Faces nas fotografias partilhadas também são um indicador. De acordo com o estudo as pessoas deprimidas são mais propensas a publicar fotografias com caras, mas por norma com menos caras do que as que publica o grupo considerado saudável. Entendem os responsáveis que menos rostos podem indicar que as pessoas deprimidas interagem menos.

O estudo incluiu a análise das fotografias por parte de voluntários, dizendo se pertenciam a pessoas deprimidas ou não, mas os resultados não foram tão eficazes como os do modelo estatístico testado pelo computador.

Os investigadores entendem que este tipo de aplicação tem o potencial de ajudar as pessoas no início da doença mental, evitando diagnósticos falsos, e apoiar uma deteção precoce, especialmente para os que não têm acesso a especialistas.

Portuguesa ganha prémio nos EUA por descoberta sobre perda de visão

O artigo de Inês Laíns, que trabalha nos Estados Unidos no Massachussetts Eye and Ear Hospital, refere-se a uma nova maneira de diagnosticar a degenerescência macular relacionada com a idade, estudando a rapidez com que o olho se adapta ao escuro.

O texto de Inês Laíns dá conta do processo de confirmação de que “a presença de determinadas lesões oculares está associada a um tempo maior necessário para que haja capacidade de ver no escuro”.

Essa conclusão permite “compreender melhor as alterações oculares que acontecem nesta doença”, o que é “crucial para poder desenvolver novas estratégias e alvos terapêuticos” para compreender a doença, uma das principais causas de cegueira.

Ciência e os novos conhecimentos

Que papel tem vindo a assumir a inovação, tecnologia, investigação e o desenvolvimento, para alcançar novas vantagens, nas organizações, sociedade e economia? 

A ciência, nas suas várias facetas, tem um papel crítico para o desenvolvimento das organizações como a cooperativa de ensino superior Egas Moniz e da sociedade no seu conjunto. O papel mais imediatamente visível está na criação de novos conhecimentos. Estes podem responder a grandes problemas sociais, referir-se a desenvolvimentos importantes para a atividade produtiva de uma empresa, ou situar-se no campo da ciência dita “fundamental”, que por vezes é entendida como desligada das realidades, e preterida em favor da ciência dita “aplicada”, uma vez que esta tem visivelmente algo a ver com a solução de problemas concretos. A ironia das coisas faz com que os resultados sejam muitas vezes desconcertantes. Um desenvolvimento na área da ciência pura ou fundamental, abre frequentemente caminho a novas soluções e atividades com grande impacto na sociedade, contra todas as expectativas e impossíveis de prever. Por outro lado, a investigação mais aplicada, pode deparar-se com grandes dificuldades em ver os seus avanços efetivamente aproveitados pelo tecido social e empresarial, levando muito tempo a ter algum impacto significativo.

Mas o valor da atividade de investigação está também na criação de uma elite de profissionais dotados de um conhecimento atualizado e de uma atitude perante os problemas práticos que permite a procura de soluções inovadoras. Mas é preciso ainda progredir muito neste campo.

Qual o papel das unidades e centros de inovação, investigação e desenvolvimento na promoção do conhecimento junto da sociedade e das organizações?

Não tanta quanto desejável. Atualmente esse potencial de conhecimento tende a ser crescentemente reconhecido, sendo os investigadores incentivados a fazer chegar à sociedade os resultados, implicações e potencialidades do seu trabalho. Em sentido por vezes inverso, a sociedade exige cada vez mais, e frequentemente com ceticismo, saber quais os benefícios do seu investimento em ciência, resposta que nem sempre é fácil de equacionar em termos simples. A divulgação da ciência é uma área crítica mas complexa, onde se podem formar polémicas pouco produtivas entre conhecimentos válidos, por verdadeiros (prefiro não usar o termo já distorcido de “científicos”…) e grupos de pressão que apelam ao desconhecido apenas como forma de criar um cenário encantador e envolvente, cheio de conspirações e de mistérios, capaz de mobilizar uma adesão significativa. Veja-se o que se passa nos EUA com os movimentos anti-evolucionistas.

Para as organizações, a existência de centros de investigação institucionalizados como o CiiEM na cooperativa de ensino superior Egas Moniz e capazes de interagir de modo eficaz com a atividade produtiva da organização, é essencial para que esta se possa aperfeiçoar e adaptar ao ambiente social em mutação constante, no qual está inserida.

Qual importância de criação de sinergias entre diferentes entidades ligadas investigação e desenvolvimento do conhecimento e as organizações e que vantagens advêm daí? 

O quebrar o isolamento dos centros de investigação permitindo a sua evolução em colaboração e competição válida com os seus congéneres associados. Este é um dos objetivos centrais do CiiEM – incentivar parcerias entre as estruturas da Egas Moniz empenhadas em investigação e desenvolvimento para a formação de redes quer com parceiros internos quer externos. Hoje em dia, a ciência é em muitos casos um empreendimento complexo e multidisciplinar pelo que há benefícios importantes na complementação em termos de tecnologias e conhecimentos, que dificilmente se podem obter dentro de uma única organização. Por último a obtenção de uma massa crítica capaz de levar a cabo empreendimentos de dimensões significativas. No conjunto, a criação de redes temáticas juntando diversas organizações em torno de objetivos comuns e bem estruturados, é uma enorme força motriz da atividade científica, assumindo em larga medida o papel de outros tipos de organizações como as sociedades científicas, sem no entanto as substituir. Foi no seio destas que muitos de nós beneficiámos do contacto com os pares.

Centro de Investigação Interdisciplinar Egas Moniz (CiiEM)

O centro de investigação interdisciplinar Egas Moniz (CiiEM) é uma organização recente em fase de estruturação e desenvolvimento. O centro pertence à Egas Moniz, cooperativa de ensino superior, que tem uma atividade de ensino superior e politécnico extremamente importante através dos Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz (universidade) e Escola Superior de Saúde Egas Moniz (politécnico) em que participam mais de 400 professores. A Egas Moniz desempenha também funções assistenciais na área da saúde, de grande dimensão e impacto. Basta mencionar a clínica dentária com cerca de 60000 consultas anuais, e em crescimento. Outras unidades são a Egas Moniz / Clínica de Almada, a Egas Moniz / Clínica Universitária de Setúbal (em instalação) e a Residência Sénior Egas Moniz em Sesimbra. Estas clínicas cobrem a medicina dentária, fisioterapia, enfermagem, nutrição, terapia da fala e psicologia clínica e forense.

Outras estruturas com funções pedagógicas e assistenciais são o centro de genética médica e nutrição pediátrica, o centro de microscopia eletrónica e histopatologia, o gabinete de informação e assistência às vítimas, o gabinete de psicologia forense, o grupo de ciências sociais aplicadas, o laboratório de ciências forenses e psicologia e o laboratório de microbiologia aplicada.

Neste contexto o CiiEM pretende assegurar a manutenção e crescimento de uma dinâmica de investigação de elevada qualidade, sem esquecer a transferência do conhecimento adquirido e criado por essa atividade para as unidades de ensino e assistenciais mencionadas. Muitas melhorias e inovações introduzidas nalgumas unidades, como a clínica dentária surgem já no contexto dessa dinâmica.

Sabia que?

Considerando especificamente a atividade de investigação, o CiiEM está atento não apenas à investigação interna, mas promove ativamente a participação em redes e a colaboração com outros centros de investigação, no espírito do que se disse nos temas anteriores. É disso exemplo a realização em 11-13 de junho próximo de um congresso “research and innovation in human and health sciences” em que serão apresentadas 200 comunicações, com participação não apenas da Egas Moniz mas de quase todas as grandes universidades do país, diversas universidades dos EUA, UK, Espanha e Brasil e alguns centros hospitalares. O congresso é um evento que congrega as instituições com as quais a Egas Moniz e em particular o CiiEM têm colaborações ativas a nível científico.

A página do congresso está em http://ciiem2017.healthsci.net.

EMPRESAS

Tecnologia