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JPS Group, especialista no mercado imobiliário

Como em todas histórias, que precisam de um princípio, meio e fim, vamos começar pelo início. Quem é João Sousa? Durante o seu percurso, o que ditou a sua chegada à fundação da JPS Group?

Formei-me em Direito, mas iniciei o meu percurso com o contacto na área empresarial e dos negócios. Tinha 23 anos quando fiz o meu estágio e rapidamente percebi que estava mais vocacionado para os negócios do que propriamente para exercer direito. Sabia que não era essa a área que iria abraçar. Decidi dedicar-me à consultadoria de investimento financeiro e imobiliário e a partir daí tenho vindo a construir o meu percurso ligado a esta área. Tenho 39 anos e já tenho alguns anos de experiência nesta área. Passei um período da minha vida fora do país em negócios em África, na América do Sul e na Ásia. Fiz consultadoria de investimento da Europa para a América do Sul, mas de há quatro anos para cá comecei a montar uma estratégia para implementar no meu país. Portugal vivia uma crise financeira muito grande, em especial no mercado imobiliário, um dos setores mais devastado pela crise financeira. Comecei, portanto, a olhar para o meu regresso a Portugal e a estruturar um negócio pensado, com base no acumular das experiências lá fora que queria trazer para o nosso país. E assim nasce a JPS Group, desenvolvido e implementado em conjunto com um grupo de investidores que acreditavam neste projeto.

Vamos falar de liderança. Queremos destacar os líderes portugueses e deixar o seu testemunho aos nossos leitores. Portugal precisa de mais líderes ou de uma melhor liderança?

Precisamos de melhores líderes. Precisamos de líderes que compreendam que, por vezes, é preciso ir buscar e perceber o que se está a passar noutros países, ir buscar bons exemplos de liderança, modelos de negócios e soluções para levantar projetos. Esses é que são os bons líderes.

Enquanto havia uma maré de sucesso no setor imobiliário, quando tudo corria bem, era fácil as coisas acontecerem e deixarem-se ir na corrente. Quando chegou a crise ao país, nem todas as empresas tiveram capacidade para resistir e manter o negócio de pé. Faltava uma estrutura sólida e capacidade de se reinventarem.

O que é para si ser um bom líder? 

Acima de tudo é preciso capacidade de resistência e de proatividade. É preciso tentar antecipar aquilo que aí vem.

Às vezes não é fácil, como é óbvio, mas é preciso tentar fazer com que as dificuldades façam parte do aprendizado da pessoa, que façam para do seu crescimento e estar atento aos erros cometidos. Mas acima de tudo perceber que isto tudo é feito de relações humanas. As empresas são feitas de números, é verdade, mas quem faz esses números são as pessoas. A boa capacidade de liderança passa por conseguir retirar o melhor de cada pessoa e fazê-las sentir que fazem parte do projeto. É sempre isso que tento transmitir, por onde passei e em todos os projetos onde estive envolvido, tento fazer com que as pessoas sintam que fazem parte do puzzle. As instituições ficam, as pessoas passam, mas se tivermos a capacidade de trazer as pessoas e envolve-las no projeto e dinamizar o que há de melhor nelas isso vai refletir-se na empresa e no seu sucesso.

Estão presentes no mercado apenas há dois anos e querem marcar a diferença no mercado imobiliário português. Que balanço já é possível fazer?

Estamos presentes há quase três anos no mercado e o balanço já é bastante positivo. Todos os projetos que lançamos têm sido bem aceites. É um projeto que ainda está no início, mas que já tem uma carteira de clientes e uma carteira de investimento elevadas. Tem sido um processo árduo, mas estamos a caminhar para que se torne num projeto de grande dimensão.

Lançámos, recentemente, um empreendimento novo e, em termos de estratégia, temos já um caminho bem delineado para os próximos cinco anos que passa pelo que já foi construído até então. Somos um promotor com uma capacidade singular no mercado imobiliário em Portugal. Temos um conjunto de serviços que permitem levantar, internamente, um projeto no seu todo sem a subcontratação de serviços. Desde a arquitetura e engenharia até ao marketing e publicidade ou ainda do jurídico ao financeiro, disponibilizamos serviços que nos dão a capacidade de erguer um projeto imobiliário. Trata-se do projeto empresarial JPS Real Estate Investments que será o nosso foco nos próximos anos. Neste momento existem muitas aquisições feitas por investidores e com o JPS Real Estate Investments vamos posicionar-nos ao lado do investidor para desenvolver os seus projetos imobiliários, oferecendo as nossas valências. Seremos um parceiro para desenvolver projetos e disponibilizar todos os meios para alcançar o sucesso dos investidores.

Iniciaram atividade com a reabilitação, no centro de Lisboa, agora o foco é a construção nova, dirigida às famílias portuguesas. Porque é que o grupo sentiu esta necessidade de apostar na construção nova?

Lisboa é uma cidade que tem um potencial muito forte. Há a sensação de que só nos últimos dois anos é que se descobriu Lisboa, principalmente porque hoje é um destino Europeu bastante procurado, mas também muito falado e procurado a nível mundial. Lisboa tem potencial para continuar a crescer, os serviços estão melhores, há mais procura face a alguns focos de instabilidade existentes na Europa, é uma cidade segura e o nosso país ainda é um dos países com o custo de vida mais baixo. São fatores que fizeram evidenciar Lisboa no mapa.

Apostámos, assim, na JPS Group que optou por dois caminhos: inicialmente a reabilitação urbana, com foco no investimento estrangeiro, e, posteriormente, a construção nova com foco nas famílias da classe média que estão a sair de Lisboa para os arredores e precisam de habitação. Percebemos que havia uma necessidade de construção nova que não existe. O mercado começa a ter uma procura maior e não há oferta para corresponder às necessidades das famílias portuguesas. Este será o nosso caminho.

Quanto à reabilitação urbana, temos procurado projetos diferentes. Não vamos fazer reabilitar edifícios que não acrescente algo mais. A nossa reabilitação pauta-se pela sua maneira diferente de estar no mercado. Tem de ter uma marca diferenciadora e acrescentar valor.

E assim surge o SkyCity. Em que consiste este projeto?

O SkyCity é um projeto que pode ser considerado emblemático pelo facto de termos conseguido colocá-lo na rota do mercado imobiliário com uma presença muito forte. É acreditar que irá existir uma construção nova com todas as potencialidades de ter um baixo custo, qualidade e proximidade do centro de Lisboa a um preço competitivo e acessível. É um projeto único que vai trazer qualidade de vida às famílias portuguesas.

Já começámos a construção e, neste momento, o projeto SkyCity já está a ser comercializado em planta. Queremos criar uma mais-valia na construção, queremos envolver as pessoas na construção e que sintam que estão a construir a sua casa de sonho. Queremos que as pessoas possam escolher e personalizar cada divisão da casa.

Trata-se de um empreendimento, desenvolvido sobre um conceito de excelência, com 49 moradias isoladas, 66 moradias em banda e 255 apartamentos. 

Como analisa o mercado imobiliário português atualmente? Portugal está na moda? Quais são as perspetivas, a médio/longo prazo, para o mercado imobiliário?

Não é uma moda. Estamos a falar de uma conjuntura propícia e que irá revelar o seu potencial. Estão a ser investidos muitos milhões em infraestruturas e serviços e Lisboa tem todas as condições para continuar a ser dinamizada e oferecer boas condições. A par destes fatores temos ainda outros com as viagens low cost que cada vez trazem mais turistas às nossas cidades ou ainda fatores como qualidade de vida, segurança, estabilidade, bom tempo e boa comida que o nosso país oferece. 

Este setor tem sido devidamente apoiado?

Foram criados e bem, no setor da reabilitação urbana, alguns mecanismos legais para dinamizar a reabilitação. Estes mecanismos funcionaram bastante bem. Se olharmos para Lisboa há quatro anos atrás, a baixa estava completamente deserta. Hoje há vida na baixa de Lisboa, há prédios reconstruídos, turismo e movimentação. Podemos dizer que o apoio na reabilitação urbana foi eficaz. No que diz respeito à promoção imobiliária temos de ter atenção que o Estado não pode substituir os particulares. Pode criar mecanismos que permitem dinamizar o setor, mas há aspetos que não dizem respeito ao Estado e que têm de ser melhorados, como é o caso das questões burocráticas. 

Que maiores desafios enfrenta?

Com a saída de Portugal da crise e com o boom no mercado imobiliário verificou-se uma falta de capacidade de resposta por parte das empresas de construção que não têm mão-de-obra qualificada suficiente. A par das questões burocráticas relacionadas com os processos, como já referi, também há dificuldade em lidar com as próprias entidades licenciadoras.

Portugal quer atrair investimento estrangeiro, quer captar investidores, mas é preciso coordenar o sistema burocrático, que se pauta pela morosidade, para fazer jus à entrada de investimento e de investidores no país.

A JPS Group procura assumir um papel que permita coordenar e agilizar todos estes fatores, inclusive com as entidades, e procura encontrar soluções para ultrapassar obstáculos que possam surgir.

Com o Real Real Estate Investments o nosso foco será associar-nos a mais parceiros, investidores e projetos imobiliários, oferecendo os nossos serviços para desenvolver os seus projetos, sempre assentes no sucesso da operação. Queremos abrir o nosso leque de valências e oferecê-las ao mercado. Enquanto empresa conseguimos fazer o acompanhamento total de um projeto, desde o seu planeamento à concretização, através de uma equipa multidisciplinar e qualificada que irá garantir a taxa de sucesso da operação, Success Fee, a custo zero.

Na reabilitação urbana, no Real Estate Investments, a JPS Group reconstrói e co-investe em projetos de requalificação urbana através de serviços 100% integrados para os seus investidores.

A JPS Group pretende, portanto, assumir-se como um parceiro especialista no desenvolvimento de projetos imobiliários.

“Façam tudo para serem felizes”

Quando é que surgiu a ideia de Isabel Monte Fotografia e porquê a escolha por esta área que, como sabemos, “mexe” tanto com os sentidos e as emoções?

A minha paixão pela fotografia começou quando conheci o meu ex-marido, na altura fotógrafo profissional de moda, arquitetura e interiores no Dubai, onde eu cresci. Ajudei-o e aprendi imenso. Após o nascimento da nossa primeira filha, a Jane, fiquei completamente rendida em fotografá-la e dei conta que era uma área muito mais emotiva. Vim para Portugal de férias em 2009, já grávida da nossa segunda filha, a Emma, e acabei por ficar cá para o parto. Infelizmente não correu muito bem e a Emma ficou com paralisia cerebral. Acabei por me divorciar e decidir ficar de vez em Portugal para um melhor acompanhamento médico.

Olhando para as escassas oportunidades de emprego para quem precisava de acompanhar a filha a consultas, a terapias, entre outros, resolvi dar a volta à situação e criar o meu próprio emprego onde pudesse gerir o meu tempo e fazer algo apaixonante. E foi assim que surgiu a ideia! Primeiro criei o blog onde convidei cerca de 30 famílias para portfólio e em seguida nasceu o site (www.isabelmonte.com) e o negócio Isabel Monte Fotografia.

Quais são as maiores dificuldades para singrar nesta área? O que procura ou pretende quando realiza um projeto? 

O investimento para todo o equipamento como também toda a gama de cenários e acessórios. Algo que fui conseguindo aos poucos com o sucesso do meu trabalho.

O meu objetivo é focar-me nas pessoas e nas suas emoções, seja a fase única de uma gravidez ou a chegada de um recém-nascido. Pretendo que anos mais tarde a família consiga reviver tudo como se tivesse sido ontem.

Que análise perpétua do seu trajeto profissional e quais têm sido as suas principais vitórias e conquistas?

Há sempre altos e baixos! Mas se formos persistentes e positivos, tudo é possível alcançar. Hoje em dia tenho o meu trabalho reconhecido a nível nacional e internacional, além de fidelizar famílias que temos o prazer de rever e registar o seu crescimento. 

Que desafios, no âmbito da sua função, é que enfrenta no seu quotidiano? Como mulher, de que forma é que ultrapassa os desafios que surgem diariamente? 

Sendo a minha área mais virada para o feminino, são poucos os obstáculos em comparação com os que tive de enfrentar na indústria automóvel no Dubai! Mas sendo uma mulher de luta e com grande vontade de triunfar, tenho ultrapassado tudo até nas fases mais difíceis.

Para si, o que faz um bom líder? É legítimo afirmar que as mulheres são melhores líderes que os Homens? Como analisa os gestores em Portugal? 

Um bom líder é alguém que trabalha com paixão! Que arrisca em transformar as suas ideias em ações. É alguém persistente e confiante que irá vencer, rodeado de boas pessoas e influências. É flexível e aberto a novas ideias e aprendizagens. Lidera dando o exemplo e avalia os erros para melhorar. É alguém que conhece bem os seus clientes e preocupa-se com o feedback. É alguém que faz tudo para superar sempre as expectativas!

Não gosto de generalizar. Acredito que devido ao contexto da sociedade, a mulher tenha mais qualidades de “multitasking” do que o homem. É caso para dizer que somos “a mulher dos sete ofícios”! Os gestores em Portugal ainda têm as mentes muito fechadas e retrógradas… Mas já vejo melhorias! (Risos)

Uma sociedade equilibrada contempla a integração de homens e mulheres com igualdade de oportunidades. O sexo não torna o indivíduo nem mais nem menos apto para o desempenho de uma determinada função. O que falta, na sua opinião, para que a igualdade de oportunidades seja cada vez mais uma realidade? 

Penso que falta criar estratégias nas empresas em relação a… Formar “Managers” sobre o tema da igualdade de oportunidades e formas de identificar e lidar com situações de discriminação.

Celebrar os sucessos, sejam de homens ou mulheres, de forma equiparada.

Selecionar novos colaboradores com base nas suas aptidões e competências e não no género. 

O que podemos continuar a esperar de si de futuro? 

Mais fotografias de qualidade, mais criatividade, mais conquistas de prémios, mais famílias felizes!

Que conselho lhe aprazaria deixar a todas as mulheres? 

Nunca desistam! Lutem pelo que querem, enfrentando os medos e saindo da zona de conforto! Não há impossíveis, o único limite está na mente. Peçam ajuda… “No man is an island”. Façam tudo para serem felizes. Tal como Fernando Pessoa escreveu: “Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo…”

“Considero que a liderança existe em cada um de nós”

Pertence a uma das principais marcas a atuar em Portugal desempenhando o cargo de Diretora Comercial Ibérica at ACAIL GÁS, S.A. Que análise perpetua do seu trajeto profissional e quais têm sido as suas principais vitórias e conquistas? 

Sempre fui uma pessoa determinada, concentrada em fazer e melhorar processos e não em “politicagem” e disputas de promoção. Considero-me uma autodidata dando asas à minha curiosidade e gosto por desafios. Isto tem talhado o meu percurso profissional, desde farmácia hospitalar, comunitária, parafarmácia e agora indústria, onde assumi funções de direção técnica do medicamento, dispositivo médico, cuidados respiratórios domiciliários e agora gestão comercial. As minhas vitórias são as amizades que construo com as pessoas com quem me cruzo, nomeadamente com os meus Clientes, ultrapassando anualmente diversas dificuldades com um sorriso no rosto. As minhas conquistas são o desenvolvimento de habilidades como a tomada rápida de decisões, gestão e liderança, bem como um autoconhecimento melhorado que me permite dizer que sou resiliente, criativa, flexível e altamente adaptada.

Que desafios, no âmbito da sua função, é que enfrenta no seu quotidiano? 

Honradamente enfrento os meus maiores desafios, que são: dar visibilidade e voz a esta empresa da indústria farmacêutica com menor dimensão face aos seus concorrentes, todos de âmbito multinacional. Diariamente confrontamo-nos com a máquina pesada e altamente burocrática da administração pública, que para além de não permitir que os processos sejam rápidos e eficientes ainda carregamos a difícil tarefa de pressionar essa mesma máquina a cumprir os compromissos assumidos. Quero com isto dizer, que todas as empresas criam ou fornecem algo de valor tendo como contrapartida justa e necessária o pagamento de um preço acordado que lhes permita obter a receita suficiente para que possam continuar a manter as operações e os postos de trabalho criados. É deste ciclo que dependem as empresas e parte do PIB de um país. A dívida dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde aos fornecedores de medicamentos, como é público, tem vindo continuamente aumentar desde Dezembro do ano passado. Olhando para o tempo que os hospitais demoram, em média, a pagar aos fornecedores, constata-se que as unidades de saúde demoram mais do quadruplo do tempo definido na legislação vigente (CCP), o que se traduz numa redução forçada da rotação de capital das empresas, somada à redução forçada das suas margens via pressão das centrais de compras e ainda de contribuições extraordinárias que são aplicadas de forma indiscriminada, obrigando ao financiamento externo. Que exemplo dá o Estado às pessoas e às empresas quando é o primeiro a não cumprir ao que se propõe?

O Ministério da Saúde reúne com representantes da Apifarma e de grandes empresas da indústria farmacêutica, negociando acordos de liquidação de dívida, possibilitando a sua aplicação a outras empresas, de menor dimensão, que não veem qualquer efeito prático, já que são preteridas na hora dos pagamentos. Convido-o a reunir com a APEQ, associação que representa 100% das empresas do setor, constatar as dificuldades e debater as especificidades do setor. A ACAIL não pretende ser beneficiada em nenhum processo, apenas quer o mesmo tratamento que é aplicado às multinacionais. Nem sequer pretendemos descriminação positiva por termos menor dimensão ou sermos a única empresa de capitais 100% portugueses produtora de gases medicinais, que fornece oxigénio aos nossos Hospitais. Sabemos que apresentamos serviços de qualidade e que os nossos preços são competitivos.

Liderança no Feminino ou Liderança no Masculino? Existem de facto diferenças entre elas? 

Há uma variedade de pontos de vista conflituantes sobre as diferenças entre os estilos de liderança masculino e feminino em todo o mundo. Uma questão pendente é se isso reflete a influência de uma cultura em componentes automáticas ou controladas de atribuição causal. Eu acredito que os insights emergentes da pesquisa de neurociência cognitiva social podem informar este debate, sendo a minha resposta, com base nestas premissas: Depende! 

Para si, o que faz um bom líder? É legítimo afirmar que as Mulheres são melhores líderes que os Homens? Como analisa os gestores em Portugal? 

Ao discutir a liderança empresarial, muitas vezes confunde-se uma boa administração de uma boa liderança. Considero que a liderança existe em cada um de nós assumindo contornos individuais e únicos e, o melhor líder será aquele que tem a capacidade da pessoa ética que consegue iluminar a liderança individual de cada um e ajustá-la às necessidades emergentes da empresa. Esta competência é em parte inata, em parte aprendida. A necessidade de conjugação destes dois fatores, sendo um deles não controlável e que não se consubstanciam em diferenças de género, é que torna excecionais algumas pessoas, que por vezes nem são conhecidas.

O que observo é que em Portugal, em especial nos cargos de relevo da Administração Pública, as pessoas acreditam que precisam manter uma aura de controlo e conhecimento para parecerem superiores. Os gestores estão muito focados em distinções de status, concorrência e hierarquia em geral. Esta abordagem impacta negativamente sobre as necessidades conscientes e neurais que motivam as pessoas a trabalhar de forma produtiva. Os seres humanos são movidos a prestar atenção à comunicação atenciosa. Tememos a ambiguidade e buscamos certeza através da compreensão dos factos, o que só se alcança pelo diálogo. Esta necessidade foi demonstrada em experiências simples de escolha com base no chamado “Eladsberg Paradox”.

Uma sociedade equilibrada contempla a integração de homens e mulheres com igualdade de oportunidades. O que falta, na sua opinião, para que a igualdade de oportunidades seja cada vez mais uma realidade? 

Falta visão, conhecimento e coragem! A igualdade de oportunidades contribui para o enriquecimento do Know how. Sou licenciada em Farmácia, em Gestão e gostaria de ser também em Direito porque o conhecimento permite a análise de diversas perspetivas, que no seu conjunto nos aproximam do ponto de equilíbrio. Se o nosso tempo de vida útil não é suficiente para adquirirmos o conhecimento e experiência suficientes à tomada de decisões inteligentes, temos de trabalhar em equipa, envolver pessoas diferentes e incentivá-las a contribuir livremente com as suas visões. Construir novos horizontes a partir daí e ter a coragem de reconhecer quando estamos errados, ter a coragem de sair da zona de conforto, e ter a coragem de arriscar em terrenos desconhecidos, com a segurança de que não vamos sozinhos. 

O que podemos continuar a esperar de si de futuro? 

Uma mulher profissional, honesta e sincera, com elevada orientação para a gestão de pessoas, nomeadamente na vertente do relacionamento interpessoal e da comunicação, que pretende manter o seu estilo de liderança “participativa” envolvendo as pessoas ao meu redor (que assim o queiram) na minha visão e planos, procurando capacitá-las a serem líderes no seu trabalho e a perseguirem a excelência.

Que conselho lhe aprazaria deixar a todas as Mulheres? 

As mulheres, com o papel que desempenham no futuro da sociedade e nas famílias têm em geral uma maior limitação num recurso fundamental no sucesso profissional – o tempo, pelo que têm de criar mecanismos para serem substancialmente mais eficientes. O meu conselho é que se partilhem outras tarefas como as domésticas e não deleguem a educação e o carinho com os filhos, nem subestimem a família e os amigos. Sejam felizes, cultivem a instrução, mas também a intuição feminina.

“As pessoas são a peça mais importante do negócio”

Teresa Ferreira juntou-se à GMV em 2004 e hoje é Diretora de Espaço na GMV Portugal. Este percurso corresponde ao que expectava?

Estava longe de imaginar! Em 2004 integrei uma PME a dar os primeiros passos na área de Espaço. Com a entrada do grupo GMV passei a integrar uma equipa maior e onde a partilha de ideias e conhecimento tinha (e tem) um lugar de destaque. O caminho até aqui acabou por acontecer com bastante naturalidade.

Como descreveria as três etapas pelas quais já passou neste Grupo?

1) Trabalhar numa PME ambiciosa. Portugal estava a formar uma indústria espacial com a entrada na ESA em 2000 e por isso tudo era muito novo e dinâmico. Ao fim de alguns meses, estava a apresentar um dos nossos produtos na Workshop mais relevante da área de Navegação por Satélite da Agência Espacial Europeia.

2) A entrada do grupo GMV que colocou as nossas atividades num patamar global. Integrada numa equipa de centenas de técnicos de excelência com uma cultura muito sedimentada de colaboração e inovação. Orgulho-me de ter trabalhado com algumas das pessoas mais brilhantes que já conheci. Comecei a coordenar equipas, a especializar-me e tive oportunidade de trocar ideias com os principais especialistas mundiais na área.

3) Assumir o papel de diretora de Espaço onde muito do meu empenho passa por trazer desafios cada vez mais aliciantes, que são a razão principal pela qual voltamos todos os dias. As pessoas são a peça mais importante do negócio e o sucesso da GMV assenta na excelência técnica e numa comunicação fluída entre as equipas internacionais. Outro aspeto fundamental é a consolidação da nossa liderança em Portugal e o posicionamento de referência a nível mundial.

Há cada vez mais mulheres na liderança de empresas portuguesas. No final de 2016, as mulheres ocupavam já cerca de 28,6% dos cargos de liderança. No entanto, a desigualdade de género ainda é um assunto a debater. Em algum momento esta foi uma realidade para si?

Na área da Engenharia o número de mulheres é muito reduzido desde a escolaridade; quando entrei no IST éramos menos de 10% dos alunos do curso. Hoje há mais mulheres em cursos de Engenharia e penso que a igualdade de género já se vai avistando ao fim do túnel.

Ainda esta semana, na Nova Zelândia, um apresentador de televisão questionou a líder do partido trabalhista sobre a maternidade, dizendo que os neozelandeses tinham o direito de saber se ao escolherem o primeiro-ministro essa pessoa pode ausentar-se devido à licença de maternidade. A sociedade está preparada para ter mulheres em cargos de liderança?

Acredito que sim e eu sou um exemplo disso. Fui promovida precisamente quando estava em licença de maternidade e, embora esta não seja a regra em todo o lado, penso que enquanto sociedade estamos a caminhar no sentido de aceitar cada vez mais mulheres em cargos de liderança.

A GMV foi uma das empresas convidadas do encontro Ciência’17, um evento anual que reúne a comunidade científica e tecnologia Portuguesa. No âmbito da discussão sobre a Estratégia Nacional Espacial 2030, participou na sessão Portugal Espacial 2030: Satélites, Antenas e Lançadores. É fácil uma mulher conseguir ter voz neste setor dominado, maioritariamente, por homens?

Em Portugal a GMV é um dos atores principais na área de Espaço e consequentemente uma voz importante nestes debates públicos. A indústria de Espaço em Portugal é muito jovem, tendo praticamente nascido com a entrada de Portugal na ESA, no início do século. Pela minha experiência posso dizer que o ambiente é positivo e o debate de ideias flui naturalmente.

Quem é Teresa Ferreira? Como surgiu este gosto pela tecnologia e engenharia relacionadas com o Espaço?

Sou uma mulher apaixonada pelo que faço e muito feliz por durante o dia ter a cabeça no espaço e à noite os pés bem assentes na terra junto da minha família. O meu gosto esteve sempre ligado à matemática e à física e de achar fascinante como conseguiam explicar fenómenos que nem sequer víamos! A partir daí acabei por estudar ondas eletromagnéticas, processamento de sinal e aterrei no maravilhoso mundo da navegação por satélite! O Espaço tem um efeito inspirador que move gerações e representa hoje a força da multidisciplinaridade, nações a trabalhar em conjunto para conseguir atingir objetivos cada vez mais ambiciosos e, acima de tudo, o retorno para a sociedade num infindável número de aplicações e serviços relacionados com saúde, lazer, segurança marítima, migrações, gestão florestal, entre tantos outros.

“Nada se consegue sem trabalho”

Vanda Ramos é Coordenadora do Ensino Secundário no Colégio St. Peter’s International School. Como tem sido lidar com este desafio?

O Ensino Secundário foi inaugurado no colégio em 2004, sendo objetivo da direção da instituição prosseguir o projeto educativo preconizado no Ensino Básico. Pretendeu-se, assim, oferecer às famílias a possibilidade de concluir connosco mais este ciclo de estudos, completando o percurso escolar do aluno, do jardim-de-infância à faculdade. Nessa altura, fui convidada para coordenar este novo ciclo. Desde então, este cargo tem sido um desafio para mim, pois, apesar de exercer esta função há alguns anos, trabalhar com pessoas é uma constante construção. São muitos os intervenientes: os encarregados de educação, que pretendem um ensino exigente e rigoroso; os alunos, que ambicionam os melhores resultados para escolherem a faculdade onde prosseguirão os seus estudos; os  professores e técnicos pedagógicos, que têm de se unir, para desenvolver um percurso sólido, com o objetivo de alcançar o máximo de sucesso possível. Este tem sido, portanto, um desafio exigente, com o qual tenho lidado diariamente com dedicação e muita persistência.

O St. Peter’s International School atingiu o 2º lugar nacional, com uma média de 14,84 valores, entre as 626 escolas com Ensino Secundário com mais de cem provas realizadas. Para além do 2.º lugar no ranking das escolas 2016, obteve o 1.º lugar nacional na disciplina de Português. O que tem contribuído para estes resultados?

Um dos fatores que considero prioritário é a exigência. Cada professor tem de ser exigente com o seu trabalho, com o trabalho dos seus alunos: na forma como desenvolve a sua metodologia. Temos um contexto privilegiado, já que conhecemos grande parte dos alunos desde o início da sua escolaridade, desenvolvendo com eles um trabalho gradual. Por outro lado, o grupo de professores é, maioritariamente, estável, coeso, em atualização permanente, no que respeita aos objetivos a cumprir para cada disciplina. Outro fator fundamental para os nossos resultados é a recetividade e o envolvimento do encarregado de educação, que acompanha o aluno no seu processo, colaborando com o colégio na definição de estratégias que ajudem a traçar um percurso que proporcione maior margem de progressão, sob orientação pedagógica e beneficiando da disponibilidade de todos os elementos da comunidade educativa.

O colégio orgulha-se dos resultados alcançados, atendendo ao facto de que os Exames Nacionais são essenciais para o acesso ao Ensino Superior e são encarados como um desafio para todos os elementos do colégio. De futuro, o que poderá ser feito para o colégio alcançar o 1º lugar no ranking das escolas?

Presentemente, para ingressar numa Universidade em Portugal, apenas duas variáveis interessam: a média do ensino secundário e os resultados dos exames nacionais. Como tal, é essencial trabalhar sobre estes dois aspetos: por um lado, transmitir conhecimentos, desenvolver competências que serão cruciais para toda a vida, tais como o raciocínio, a comunicação, a proficiência na língua, a capacidade para resolver problemas; por outro lado, preparar os alunos para os exames nacionais, que poderão ser ponderados com cerca de cinquenta por cento para o ingresso na universidade. Não selecionamos os alunos com quem trabalhamos. Procuramos corresponder às expetativas de cada família, tentando otimizar a margem de progresso de cada aluno. Encaramos o ensino como um processo em construção permanente. Por isso, independentemente de uma boa posição do ranking, que tem sido regular, o nosso objetivo será sempre o da melhoria dos percursos escolares individuais. Claro que um bom lugar no ranking nos deixa orgulhosos, principalmente porque isso significa que os alunos têm bons resultados nos exames, para poderem escolher o curso e a faculdade que pretendem.

Aqui, o propósito é garantir um ensino pré-universitário, “com tudo o que isso implicará”. Portanto, mais do que futuros profissionais, no St. Peter’s International School formam-se cidadãos?

Sem dúvida, esse é também um dos nossos objetivos. Os alunos têm de ser educados, ter valores e respeitar o próximo, proporcionando um bom ambiente na comunidade, independentemente das diferenças de cada um.  Acredito que todos nós temos uma missão na sociedade em que vivemos e que temos de dar se quisermos receber. Nós, agentes diretos na educação, temos um papel fundamental em todo esse processo, ao servirmos como modelos para os nossos alunos. Garantir uma boa formação é edificar uma sociedade mais responsável, proativa e colaborante na resolução de problemas, na partilha de ideias, o que nos conduzirá, certamente, à construção de um futuro melhor. 

Entre outras funções, Vanda Ramos coordena equipa de trabalho de professores do Ensino Secundário, orienta e acompanha alunos durante o percurso escolar, analisa resultados e define estratégias. É uma líder. E o que a caracteriza enquanto líder e gestora de pessoas?

É preciso conhecer bem todo o processo. É fundamental conhecer todas as regras que regem o ensino secundário para se poder criar um percurso mais benéfico para cada aluno, de acordo com as suas características. É preciso conhecer bem cada pessoa com quem se trabalha para potenciar as suas funções. Neste sentido, penso que a relação que estabeleço com cada elemento é fundamental para atingir os diferentes objetivos. A forma como avalio resultados ao longo do processo, como comunico com os diferentes intervenientes, como sugiro a recuperação dos erros, num processo de melhoria contínua, tem sido reconhecida como uma mais-valia para todos. Sou crítica, exigente, sou ativa. Estou sempre disponível para aprender, para refletir, no sentido de  melhorar, mesmo quando o resultado atingido já foi bom.

As mulheres são líderes mais eficazes? O que diferencia as mulheres dos homens em cargos de liderança?

As mulheres reúnem competências que proporcionam, em muitas situações, uma rentabilização de recursos e do trabalho realizado. Reconheço que existem diferenças individuais, mas penso que somos mais objetivas e pragmáticas, o que nos torna visionárias do produto final que almejamos. Evitamos discursos que, muitas vezes, não nos conduzem a resultados. Temos mais capacidade de perseverança e resiliência, mais resistência face às adversidades e mais empatia, características que, a meu ver, se tornam diferenciadoras em funções de liderança.

Em Portugal as mulheres representam quase metade da força de trabalho. Mas a igualdade de género ainda está longe de ser uma verdade absoluta. Muitas mulheres veem os seus direitos e regalias ficarem aquém dos que são dados aos homens. Esta é uma realidade para si?

Acredito que estejam a ser operadas algumas mudanças nesse sentido. Na verdade, as regalias de cada trabalhador não devem ser só resultado dos direitos legais, mas também do seu nível de produtividade e dos  resultados atingidos. Cada empresa deve procurar valorizar quem atinge os objetivos propostos. Dessa forma, estará a motivar a capacidade de trabalho do colaborador e a estimular a sua vontade de superação. Essa será uma boa fórmula para melhorar a qualidade da empresa e consequentemente obter mais reconhecimento no mercado. Assim sendo, é lamentável que a gestão de uma empresa ceda mais regalias por uma questão de género. Essa não é uma realidade para mim.

Um dos mais recentes relatórios do Fórum Económico Mundial concluiu que a igualdade de género em termos económicos só deverá ser atingida dentro de 170 anos. O que urge para mudar este paradigma?

Tudo depende da gestão de cada empresa, da sua visão. Esse mesmo fórum refere que “os países com mais igualdade de género têm um melhor crescimento económico”. Talvez seja um indicador importante para que cada empresa comece a adotar princípios potenciadores da igualdade de géneros nos cargos de liderança. Para tal, torna-se imprescindível que cada empresa inclua, na sua atividade, programas que garantam mais qualidade na vivência profissional, familiar e pessoal. Esses programas devem ser de natureza diversa, ligados à saúde, à educação e ao lazer, que são pilares básicos na construção do indivíduo, com consequências diretas na sua ação na sociedade, partilhada por todos e em constante mudança.

E a sociedade está preparada para ter mulheres a liderar e em cargos de topo?

A sociedade tem de estar preparada para o que lhe permitir um crescimento económico e social mais sustentado. Se temos indicadores diversos que atestam que as mulheres reúnem características que podem ser vantajosas em cargos de liderança, a sociedade tem de se adaptar a essa realidade, procurando obter vantagem da participação feminina.

É preciso ser-se uma “supermulher” para conciliar todos os papéis inerentes a uma mulher que quer apostar tanto na vida pessoal como na sua carreira?

Devemos procurar um equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, sabendo de antemão que, em certos momentos, teremos de priorizar uma delas em detrimento da outra, que haveremos de compensar. Tem de existir uma grande capacidade de gestão de todas as tarefas que desempenhamos, inerentes às diferentes funções que ocupamos nas nossas vidas. Acredito que não tem de se viver só para a carreira. Também defendo que nada se consegue sem trabalho, nem mesmo a sorte! Por isso, se queremos ser as melhores no que fazemos, temos mesmo de ser “super-heroínas” nas histórias das nossas vidas.

“O erro faz parte do crescimento”

Que história pode ser contada sobre o seu percurso até se ter tornado Diretora RH na Transcrane Logistics?

Mulher, mãe de dois filhos adolescentes e com uma carreira profissional de 22 anos.

Licenciei-me em Educação Física e Desporto, pela Universidade Lusófona, paixão que tinha desde que iniciei o meu percurso como atleta de competição. Ao longo de 11 anos ensinei Educação Física no ensino básico e secundário, onde igualmente acumulei funções de coordenação do departamento e responsável pela gestão das instalações desportivas.

No ano de 2006 surgiu a oportunidade de abraçar novos projetos e de alterar o meu rumo profissional e pessoal, através de um convite para integrar a equipa da maior empresa moçambicana de aluguer de maquinaria pesada, transportes e sistemas de elevação – Servitrade – e ficar responsável pelo departamento de recursos humanos. Sem hesitações e quebrando, na altura, o estigma de que uma carreira era para toda a vida, aceitei o desafio de uma nova experiência que sabia, desde o início, que me acrescentaria valor, tanto a nível pessoal como profissional.

Foi na Servitrade que aprendi que a liderança não é uma posição, mas sim um conjunto de competências que se desenvolvem com muita humildade, honestidade, resiliência e generosidade, com o propósito de nos transformarmos em pessoas melhores e sermos um exemplo para os outros. Ajudar as pessoas a potenciar as suas competências, a terem confiança no seu trabalho e colocá-las ao serviço da equipa traduziu-se no fator de sucesso do meu trabalho.

Em 2012, com a aquisição da Servitrade pela empresa AMECO, uma subsidiária do grupo norte-americano Fluor, que pretendia reforçar a sua presença estratégica em África, tomei a decisão de participar na criação de uma nova empresa, num país que se apresentava em grande crescimento e com expectáveis oportunidades de negócio nos anos seguintes. Surgiu assim a Transcrane Logistics SA, uma empresa que entrou com muita força no mercado, apostando fortemente em frotas de equipamentos novos e certificados, assim como na formação, especialização e certificação dos seus quadros.

Na sua opinião, o mundo do trabalho ainda é discriminatório face às mulheres? Pessoalmente, lidou com algum tipo de preconceito? 

A igualdade de oportunidades para as mulheres é um tema para o qual devemos estar alerta e contribuir para acelerar o equilíbrio ainda inexistente. Os estudos são claros e apontam essa desigualdade. Para a mulher, em muitos casos, é necessário fazer mais e melhor que o homem, para ter o mesmo reconhecimento.

Para além de, muitas vezes, as mulheres terem que demonstrar o dobro das competências para desempenharem os cargos com sucesso, ainda sofrem o estigma da abstinência e da falta de disponibilidade acabando por serem preteridas no acesso a determinados cargos ou progressão na carreira, pelos homens.

No meu caso em especial não registo nenhuma situação de discriminação ou diferenciação por ser mulher. Acredito que ocupei os lugares pelas competências demonstradas, pela integridade, pelo elevado empenho e comprometimento. Todavia, reconheço que estamos longe de este tema estar ultrapassado, pois ainda há muito a fazer para que a igualdade entre homens e mulheres seja uma realidade. Cabe-nos, enquanto gestores de organizações, contribuir para esta mudança de mentalidade na nossa sociedade.

Sobre a questão da migração feminina dentro da CPLP, diria que existem oportunidades iguais para homens como para mulheres? 

Os maiores desafios colocados num processo de migração, no meu ponto de vista, não tem a ver com o género. Quer para homens, como para mulheres, existem fatores comuns que podem dar origem ao insucesso numa expatriação: as questões familiares, traduzidas pelo desequilíbrio emocional provocado pelas ausências físicas, a incapacidade de adaptação ao meio (por dificuldades culturais ou linguísticas), ou ainda traços de personalidade que impedem o relacionamento interpessoal eficaz, quer na empresa ou no meio local que o rodeia.

A expatriação é uma solução “cara” para as empresas. Neste sentido, a melhor solução consiste no desenvolvimento do talento local, através dos expatriados, contribuindo assim, não só para o crescimento sustentável da empresa como para desenvolvimento de competências no país.

Nas empresas onde os fenómenos migratórios são uma realidade, é difícil gerir a diversidade? 

Sim, trata-se de um processo complexo. O fluxo migratório para os PALOP conduz a transformações sociais e económicas nos países de acolhimento. Paralelamente, as organizações sofrem com essa realidade e necessitam de efetuar os devidos ajustamentos. Existe uma grande preocupação das empresas em gerir a diversidade. Este processo implica a capacidade de integrar harmoniosamente pessoas que têm hábitos, expectativas, valores socioculturais e formas de relacionamento interpessoal diferentes.

Aqui a questão que se coloca é se as organizações (pessoas que nelas trabalham) encaram a diversidade como uma oportunidade ou como uma ameaça, pois no primeiro momento podem existir alguns fatores de intolerância ou incompreensão. Na minha opinião, em termos de gestão, é imperativo que as empresas tenham em conta as oportunidades deste processo, uma vez que este é mais vantajoso na qualidade das soluções que proporciona, gera índices de produtividade superiores e permite olhar para os problemas com visões diferentes, mas complementares. Independentemente da “bagagem” cultural de cada um, deve ser garantido o alinhamento de todas as pessoas com a missão e os valores da organização, para a concretização dos objetivos e para o crescimento sustentável do negócio.

Que mensagem gostaria de deixar a todas as mulheres que irão ler a sua entrevista?

A vida é enriquecida com mudanças e transições. Mudar de lugar onde se vive, de carreira, de emprego, de projetos e de relações, permite-nos adquirir e desenvolver novas competências, novas formas de encararmos os obstáculos.

Aceitar os desafios sem medo de errar, porque o erro faz parte do nosso crescimento, sair da nossa zona de conforto, agarrar as oportunidades com muita dedicação e nunca ter receio de voltar ao princípio para construir tudo de novo, são a base para uma mudança evolutiva e certamente bem-sucedida.

Acredito que muito depende de nós, pois somos, em grande parte, consequência das nossas ações.

“O céu não e o limite!”

Que história pode ser contada sobre o seu percurso (até chegar à SMO)?

Durante seis anos fui Assessora e Gestora de Marketing, sendo responsável pelos negócios e compras, negociando com os fornecedores e clientes nacionais e internacionais, encontrando novas oportunidades no mercado, gestora dos eventos e feiras. Acumulava, também, a responsabilidade do desenvolvimento das estratégias comerciais e marketing dos produtos. Aconselhando as melhores práticas de gestão geral, implementando e introduzindo processos de melhoria.

Em 2013, trabalhei na Katoen Natie Bélgica e no Brasil, em várias operações logísticas, exercendo funções Team Leader, Supervisora em diferentes áreas e negócios, clientes como Kimberly Clark, Zoetis, Timken, Volvo, Quiksilver e outros clientes. Gerindo equipas nas operações em diferentes departamentos, supervisionar e treinar as equipas. Coordenando, controlando e integrando novos processos, resolvendo e dando soluções a problemas e/ ou desvios nas startups. Especialista em suporte técnico de integração de ERP (SAP, ATLAS); implementação e melhoria contínua.

Entretanto, em 2016 aceitei um novo desafio na XPO Logistics Belgium, desempenhando funções de Gestora de Projetos. Desenvolvimento e criações de projetos de melhorias contínuas em operações de logística, coordenar, implementar, melhorar e controlar, garantindo a coerência com a estratégia da empresa, compromissos e objetivos, com os respetivos clientes.

Passados alguns meses fui aliciada com uma proposta e a concretização de mais um sonho: regressar a Portugal, exercendo as funções de Gerente/Managing Director. Um projeto extremamente desafiador e desgastante, sendo constantemente confrontada com os demais gestores masculinos, na área da agricultura.

Assim, antecipando os meus futuros sonhos, iniciei, muito recentemente, o meu projeto pessoal. Sou consultora de gestão e supply chain independente, direcionando os meus serviços para o delineamento/desenvolvimento da gestão estratégica de novos negócios e/ou novos posicionamentos no mercado; bem como, criação e/ou desenvolvimento de projetos de supply chain; logísticos; lean projects; melhoria continua; change management com o propósito de gerar receitas e, obviamente, o sucesso.

Para além disso, tenho uma parceria com CrossLogistics, colaborando nos vários projetos logísticos.

Trabalha em supply chain há uns anos… O que mais gosta no seu trabalho?

Adoro startups, todo o envolvimento no novo desafio, novos conceitos, definição de novos processos, a resolução de problemas de imediato, coaching. É realmente o que me faz sorrir. Quando a operação inicia (go live) e comeca a fluir, sinto-me realizada.

Este é um setor que sofreu inúmeras mudanças ao longo dos tempos. Qual o momento mais desafiante da sua carreira e porquê?

O momento mais desafiante da minha carreira foi o convite para a resolução de um problema de inventário e estruturação de uma nova operação logística automotivo na Katoen Natie Brasil. Eu e a minha equipa trabalhamos dia e noite, para solucionar os problemas durante um mês, com sucesso. No entanto, fui convidada para permanecer mais um mês, garantindo a continuidade da operação e formando as equipas brasileiras para caucionar a eficiência da operação logística.

Fazem falta mais mulheres em supply chain ou em funções equiparadas?

Sim, fazem falta boas profissionais, ambiciosas e lutadoras. As mulheres tendo como funções, como por exemplo, Supply Chain Manager ou Managing Director, terão sempre que demonstrar/provar que conseguem superar as dificuldades perante os desafios, com eficácia.

Que características naturais têm as mulheres que são mais-valias no mundo da logística?

As características naturais que realmente são mais-valias no mundo da logística, são uma maior capacidade gestão de tempo e multitasking.

Uma mensagem para as mulheres que sentem na pele as dificuldades de conquistar espaço num mercado ainda predominantemente masculino, como é a logística/supply chain.

Todas nós, mulheres, conseguimos alcançar os nossos objetivos, se acreditarmos em nós próprias, nos nossos sonhos. Trabalhando com muita dedicação e profissionalismo, tendo sempre em conta os valores éticos e morais. Não há impossíveis, tudo é possível com um sorriso, muita determinação e esforço. O céu não e o limite!

Ascensão das mulheres no setor das TI em Portugal

Desde o início do meu percurso profissional que tenho vindo a trabalhar em mercados altamente competitivos e onde os homens são a força dominante. Contudo, é interessante analisar que, apesar disso, foi no meio da liderança de mulheres aguerridas e com vontade de sempre querer fazer mais e melhor que aprendi as bases de tudo aquilo que me fez ser a profissional que sou hoje. Se me perguntarem se continuo a praticar nos dias de hoje tudo o que aprendi ao longo do meu percurso profissional, a minha resposta é sem sombra de dúvida que não. Mas todas essas aprendizagens foram fundamentais para construir a minha identidade enquanto profissional e também enquanto líder. São as nossas experiências que nos moldam e o mercado de trabalho tem este efeito curioso de cada experiência ter o poder de mudar para sempre o rumo da nossa vida. Tal como com todos foi isso que aconteceu comigo. A minha primeira experiência profissional tornou-me uma pessoa mais forte, mais resiliente, orientada ao cliente e aos resultados, com um enorme espírito de equipa – penso que me fez descobrir uma Rita que até lá desconhecia.

Todos estes fatores foram fundamentais para o meu crescimento profissional daí em diante. Aprendi quais as práticas que devia continuar a seguir para ter sucesso, mas também quais as que gostaria de fazer diferente. E assim foi, logo que me foi dada a oportunidade de gerir uma equipa Há muitas coisas que hoje em dia faço de forma diferente porque achei que as aprendi de forma menos correta.

Durante o percurso que me levou à posição que ocupo hoje encontrei alguns obstáculos e o desafio sempre foi descobrir como os ultrapassar com sucesso. Aprendi assim que é fundamental reconhecer os nossos erros e aprender com eles, aprender todos os dias alguma coisa com aqueles que nos rodeiam quer na nossa vida profissional, quer pessoal, mas o fator principal, pelo menos para mim, que faz a diferença na forma como os obstáculos são ultrapassados é ter uma mentalidade orientada à resolução de problemas. Felizmente foi algo que desde cedo me foi incutido e continua a ser até aos dias de hoje um dos meus principais lemas.

Hoje acredito numa liderança colaborativa, que é o exemplo que dita as regras e que é a nossa paixão que move aqueles que nos seguem. É isto que pratico diariamente. Considero que passados 12 anos de percurso profissional, consegui atingir os resultados que me propus atingir e consegui deixar a minha marca em todos aqueles que tiveram oportunidade de trabalhar comigo, ou assim espero.

Na minha opinião, apesar de continuarmos a viver numa sociedade em que os cargos de gestão de topo são maioritariamente ocupados por homens, estamos numa clara fase de mudança. Cada vez mais temos mulheres em posições chave nas organizações e cada vez mais vemos os homens convencidos que somos capazes de fazer um trabalho tão bom quanto o deles.

A capacidade de liderança não é definida pelo género, mas sim pelas características de cada líder. E temos de admitir que, regra geral, as mulheres têm alguns pontos a seu favor: não só têm uma capacidade de comunicação mais eficaz e próxima com os colaboradores, como conseguem criar empatia com mais facilidade, e ainda deixar demonstrar mais facilmente os seus sentimentos em tudo o que fazem, não significando isto que não consigam ser objetivas, pragmáticas e assertivas sempre que necessário. 

Há pouco tempo, quando fui convidada a dar uma entrevista para os “Casos de Sucesso” do Portal da NOS, perguntaram-me qual era o nosso ingrediente secreto enquanto empresa. Achei a pergunta interessante. Tal como as empresas, os líderes têm os seus ingredientes secretos. E da mesma forma que o disse na altura, volto a dizê-lo agora, sendo secreto não deve ser revelado. Todos temos algo que nos torna especiais, ou pelo menos, diferentes. No meu caso, sem querer levantar muito o véu à minha receita secreta, tem muito a ver não só com ser extremamente apaixonada por aquilo que faço e vestir sempre a camisola de cada projeto que abraço, mas também por ser uma “pessoa de Pessoas”, que são, sempre foram e vão continuar a ser, enquanto líder, o mais importante para mim.

Rita Silva, CEO da Edge

“É importante levar as pessoas a agir”

Há 20 anos que a Samsys ajuda as empresas a aumentarem a eficiência e produtividade, estudando, desenvolvendo e implementando soluções tecnológicas que potenciam o crescimento mútuo. Para comemorar o 20.º aniversário, o evento anual da Samsys concretizou-se num formato completamente novo. O dia contou com atrações, entretenimento, palestras, convidados especiais e convívios. Um formato novo que juntou, num só sítio, especialistas em motivação, liderança, linguagem corporal e neuromarketing para reforçar a importância dos recursos humanos para o sucesso das organizações.

IMG_9206Nesta 6ª edição do ‘Dia do Cliente Samsys’, inserida na ‘Gondomar Cidade Europeia do Desporto, o objetivo passou por fazer compreender que o crescimento das empresas portuguesas vai para além das soluções tecnológicas, reforçando a importância da componente humana.

Durante a manhã, num primeiro painel, dois oradores convidados falaram sobre temas escolhidos pelos participantes na inscrição e Samuel Soares, Diretor Geral da Samsys, debateu o tema da Liderança Feminina com seis mulheres CEO´s de organizações de áreas diferentes.

À tarde, o evento contou com a presença de um leque de oradores enriquecedores como Alexandre Monteiro, Jamil Albuquerque, Paulo Moreira e Fernando Rodrigues.

Samuel Soares, Diretor Geral da Samsys orgulha-se do sentimento de felicidade, de concretização e de partilha que se respirou e viveu no evento. “Vive-se e respira-se aqui um espírito de partilha, partilha de ideias, de conhecimento, de dar sem pedir nada em troca. Poder providenciar todo este networking a todos os presentes é algo que nos enche a alma de concretização. Os assuntos que estamos aqui a trabalhar são assuntos que tocam todas as empresas e todas as pessoas. Temos painéis muito gratificantes e queremos que todos tirem partido deste evento”, refere Samuel Soares para quem, enquanto líder, o seu maior desafio é ajudar e formar outros líderes a desenvolverem-se e a crescerem. “Elevar a comunicação a uma tal ordem de excelência para ajudar as pessoas que nos rodeiam. Temos de qualificar as pessoas, apostar na sua formação e ajudá-las a encontrar a sua verdadeira vocação”, explica o diretor geral da Samsys.

EVENTO

Também Rúben Soares, Sócio-Gerente da Samsys, reforça a importância dos temas que têm vindo a ser trabalhados nos eventos anuais da Samsys. Temáticas direcionadas para mover pessoas e levá-las a agir. “As pessoas sabem o que querem fazer, têm ideias e sabem o que têm de fazer, mas depois passam a vida a procrastinar. O principal problema do desenvolvimento pessoal e profissional é este. Daí querermos voltar a focar e reforçar esse aspeto neste evento. É importante levar as pessoas a agir, é importante motivá-las. Acreditamos que a motivação é como o banho: deve tomar-se todos os dias. E a regularidade dos nossos eventos vai nesse sentido”, explica Rúben Soares. Na Samsys procuram, diariamente, ajudar os seus parceiros a crescer, mas Rúben Soares afirma que não é só com a tecnologia que as empresas crescem. “O fator humano é muito importante e é aqui que está a diferenciação de cada empresa. Temos de apostar no desenvolvimento das suas capacidades e das suas soft-skills”, conclui o sócio-gerente da Samsys.

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O QUE ELES DIZEM…

“Tenho acompanhado as seis edições deste evento. Como parceiro é importante estarmos presentes para apoiar a Samsys, para além de que é uma oportunidade para a partilha de conhecimento e crescer profissionalmente”, Fernando Félix, Webcomum – Agência Online.

“É o primeiro ano que estamos presentes neste evento e está a ser surpreendente a quantidade de pessoas que estão presentes. Como parceiros da Samsys sairemos daqui mais enriquecidos e a conhecer melhor aquilo que é o universo da Samsys e dos seus parceiros”, Bruno Noversa, Grupo Solartel.

“Consideramos este evento importante para a empresa e para os clientes da Samsys, pois é uma ótima forma de fazer networking, troca de experiências ou encontrar novos parceiros com o dinamismo que aqui se vive”, Pedro Neves, colaborador de uma empresa cliente da Samsys.

“É um dia inovador, mas já estamos habituados a que os eventos da Samsys nos surpreendam, superando as expectativas. Como parceiros da Samsys saímos ainda mais motivados e inspirados para conquistar o mercado”, Nélson Ferreira, SCI Informática.

“Já venho há quatro anos aos eventos da Samsys. São eventos que cativam da forma como apresentam e abordam diferentes temas. Contribui para o nosso progresso e a vontade que a Samsys tem de vencer e fazer com que os outros também vençam dá-nos uma motivação extra”, Manuel Resende, Póvoa Conta LDA.

“É a primeira edição em que estamos presentes e está a ser uma agradável surpresa. Estou a gostar da organização e da qualidade do evento. Vinha à procura de algo que me acrescentasse mais valor como pessoa e como profissional e isso já aconteceu. Este evento é o local ideal para isso”, Carlos Vidago, LR Health & Beauty.

Partido japonês elege pela primeira vez uma mulher como líder

Uma antiga apresentadora de televisão tornou-se na primeira mulher japonesa a ser eleita líder de um partido, neste caso, líder do partido da oposição. Renho Murata derrotou facilmente as suas duas rivais para a liderança do partido de centro-esquerda democrático.

É esperado que agora a mulher de 48 anos, nascida no Japão mas com o pai de origem tailandesa, dê uma ‘lufada de ar fresco’ ao seu partido, depois dos fracos resultados nas últimas eleições. Para já, Renho afirmou que a sua prioridade é estabelecer o partido como uma alternativa ao partido Democrático Liberal que domina o parlamento.

“A partir de agora estamos a enfrentar um partido gigante. Queria pedir a todos que se juntassem a mim para que juntos possamos criar um partido que não critica mas que faz propostas. Tudo para que um dia nos tornemos numa escolha entre os eleitores japoneses”, disse a líder.

Murata, uma antiga modelo de fatos de banho que exercia jornalismo, passou a ocupar um lugar no parlamento desde 2004.

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