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Dedique-se ao seu negócio. O Faro Avenida Business Center ocupa-se do resto

O Faro Avenida Business Center é um projeto diferenciador que assenta num modelo híbrido, dispondo de escritórios físicos, coworking e escritórios virtuais, dispondo ainda de várias salas de reunião e formação. É um conceito que se destina a qualquer empresa de qualquer setor de atividade, independentemente do seu core business.

Os espaços deste centro de negócios podem ser reservados, inclusive, por clientes sem vínculo ao Faro Avenida Business Center, para a realização de reuniões ou formações, por curtos períodos de tempo. A par da comodidade e redução de custos, este é um dos fatores diferenciadores do centro, a flexibilidade e a oferta de diferentes pacotes de serviços para que o cliente possa escolher o melhor serviço de acordo com as suas necessidades.

Aqui o cliente só se preocupa com o seu negócio. É um serviço chave na mão. “Tratamos de todos os serviços inerentes à reserva do espaço. Quando o cliente nos contacta a solicitar um escritório físico, providenciamos todo o mobiliário necessário. Garantimos os encargos de receção, alarme, internet, limpeza diária, água e luz. Os serviços estão todos incluídos para que o cliente possa dedicar-se inteiramente ao seu negócio”, afirma Maria Inês Barra.

Este conceito foi pensado em 2013 e nasceu da necessidade que Maria Inês Barra sentiu neste tipo de negócio, ou seja, a existência de um business center que reunisse várias valências como escritórios físicos, coworking e escritórios virtuais, salas de reunião, salas de formação e espaços para eventos. “Tentamos agregar o máximo de serviços possível para irem ao encontro das necessidades dos clientes, desde empresariais a freelancers.

A recetividade, essa, tem vindo a ser bastante positiva. “Este projeto foi pensado e iniciado em plena crise, mas foi uma boa aposta. Felizmente, temos evoluído de ano para ano e tivemos de expandir rapidamente, procedendo a obras para aumentar o espaço para conseguirmos corresponder ao aumento da procura. Começamos no rés-do-chão e hoje ocupamos já o primeiro piso”, explica a nossa entrevistada.

Agora o objetivo passa por consolidar, em termos de espaços físicos, o que já foi construído, bem como o investimento que já foi feito. A médio prazo, Maria Inês Barra idealiza expandir o espaço para outras zonas do Algarve ou até mesmo abrir uma sucursal. “Quero continuar a fazer mais e melhor e ajudar a região a afirmar-se”, acrescenta a nossa interlocutora.

O Faro Avenida Business Center tem vindo a afirmar-se e é cada vez mais uma marca reconhecida.

QUEM É MARIA INÊS BARRA

Maria Inês Barra vem de áreas distintas e ganhou experiência a fazer um pouco de tudo. O empreendedorismo já lhe está no sangue e o jeito para o negócio já vem de família. Numa determinada altura da sua vida decidiu que queria iniciar um projeto diferente e depois de fazer a sua pesquisa sabia exatamente o projeto que queria criar: o Faro Avenida Business Center.

Começou com um espaço com 500 m2 e hoje este centro de negócios tem já um espaço constituído por cerca de 1000 m2.

“Gosto de novos desafios e esta é a minha maneira de estar. Procuro criar projetos impactantes, fazê-los crescer e dar-lhes rentabilidade”, afirma Maria Inês Barra.

Proactiva, com atitude e garra, desde cedo que Maria Inês Barra revelou ser uma mulher empreendedora. “Com 22 anos criei a minha primeira empresa, uma perfumaria, tendo ao fim de três anos já cinco e um cabeleireiro. Era muito nova, o que me obrigou a esforçar mais para conseguir impor a minha opinião e fazer-me ouvir. Essa foi a minha maior dificuldade no meu percurso profissional”, relembra a nossa entrevistada.

Já liderou diversas equipas e a gestão de pessoas é, para Maria Inês Barra, o maior desafio que se enfrenta. Por isso mesmo um bom líder tem de saber dar o exemplo. Sempre. “Devemos ter a noção e consciência do trabalho que é feito em cada departamento e fazer um pouco de tudo para dar o exemplo. Todos têm de vestir a camisola, incluindo os líderes”, conclui Maria Inês Barra.

“Desde que me conheço que quis ser advogada”

A vida profissional da nossa entrevistada tem sido uma «roda viva», num percurso muito positivo e que muito tem dado do ponto de vista pessoal e profissional à nossa interlocutora. Licenciou-se em Direito na Universidade Nova de Lisboa em 2004, mas foi no ano de 2016 que decidiu estabelecer-se de forma independente e apostar num escritório em nome pessoal na cidade de Leiria. “Naturalmente que é um desafio enorme, mas decidi que esse era o momento e penso que até o poderia ter feito mais cedo”, refere Patrícia Pascoal, assegurando que o balanço deste ano e meio de atividade tem sido “muito positivo. Claro que o primeiro ano é sempre o mais complicado em qualquer projeto, mas com o tempo as dificuldades vão sendo ultrapassadas e hoje posso afirmar que estou muito satisfeita com o que tenho vindo a alcançar”, revela a nossa interlocutora.

A este sentido positivo, não é alheio o facto de em Portugal, atualmente, se viver uma fase boa, ou seja, “há trabalho na área do direito para os advogados e isso também se tem refletido na orgânica do escritório”.

As mulheres na advocacia e na liderança

Nas últimas décadas, uma significativa transformação das profissões jurídicas tem sido a sua crescente feminização, algo que não acontecia num passado não muito longínquo, em que a área da justiça era composta, maioritariamente, por homens. Hoje isso mudou? Paulatinamente, esse trilho vai sendo traçado e o cenário tem vindo a mudar. Basta ver em Leiria, em que atualmente existem 327 advogados, e as mulheres estão em maioria. “Neste momento existem 191 advogadas e 136 advogados e isso é um sinal de mudança, que me parece positivo”, salienta a nossa entrevistada.

Apesar de nunca ter sentido qualquer entrave à evolução da sua carreira pelo facto de ser mulher, Patrícia Pascoal reconhece que, “principalmente em meios mais pequenos, existia menos recetividade por parte das pessoas relativamente a uma advogada. Mentalidades que vêm sendo mudadas, o que muito se deve, desde logo à democratização da educação, que nos chegou com a Constituição de 76.”

Relativamente à ocupação dos lugares de liderança pelas mulheres, “e sem querer enveredar pelos lugares comuns habituais neste âmbito, penso que há características tidas como apanágio do género feminino – como a capacidade de comunicação e de gerar empatia – que fazem falta nas chefias. Por isso, parece-me importante assegurar a existência de igualdade no acesso a esses cargos. No entanto, considero que, mais importante que o sexo de quem lidera, são as características do líder, no sentido de se criar na organização um ambiente sadio e motivador”, conclui.

RGPD «à boa maneira portuguesa»

A partir do dia 25 de Maio de 2018 todas as organizações têm de cumprir o Novo Regulamento Europeu sobre Proteção de Dados (RGPD). Esta é uma mudança significativa na regulação da privacidade dos dados nas últimas duas décadas, tendo como principal objetivo assegurar a privacidade e a integridade dos dados pessoais. Assumidamente, o RGPD aporta consigo uma maior proteção do indivíduo – “assegura-se o «direito a ser esquecido», podendo o particular dar e retirar o consentimento ao tratamento dos seus dados a todo o tempo; estabelece-se uma maior exigência em termos de formalismo a cumprir na angariação do consentimento da pessoa, o qual é obrigatório, e terá de ser manifestado de uma forma clara, livre, inequívoca e espontânea, não podendo, designadamente, existir pré-seleções em quadrículas, como assistíamos nos contratos de adesão, ou nas newsletters que recebíamos, em que esse consentimento já estava muitas vezes pré-selecionado. Isso acabou”, afirma categoricamente a nossa entrevistada, relembrando que a grande preocupação passa pelas coimas. “Toda a gente está muito preocupada porque as coimas são muito avultadas e infelizmente estamos a fazer jus ao velho ditado «à boa maneira portuguesa», porque tivemos dois anos para preparar a entrada em vigor do novo RGPD e só agora nos preocupam as soluções”.

O RERE, o PER e as mudanças positivas

Nesta senda de mudanças, o novo Regime Extrajudicial de Recuperação de Empresas (RERE) entrou em vigor em Março passado e regula os termos e os efeitos das negociações e do acordo de reestruturação empresarial que seja alcançado entre um devedor e um ou mais dos seus credores fora dos tribunais. O RERE é uma das medidas integradas no programa Capitalizar, na área de Reestruturação Empresarial, sucedendo ao SIREVE – Sistema de Recuperação de Empresas por Via Extrajudicial – e surgindo como alternativa ao PER – Processo Especial de Revitalização. Mas existirão vantagens? “Sem dúvida. A empresa pode escolher determinados credores e o plano/acordo, que é confidencial, só vincula os intervenientes. O RERE é mais flexível, mais rápido e tendencialmente menos dispendioso, além de que, em termos fiscais o legislador o equiparou ao PER”. Sublinha ainda a importante alteração ao regime do PER, que entrou em vigor recentemente e que veio, por um lado, esclarecer que os particulares não podem recorrer ao PER, e por outro, credibilizá-lo, estabelecendo-se a possibilidade de recurso a novo PER, mas só em determinadas circunstâncias, nomeadamente se a empresa devedora demonstrar que cumpriu o plano homologado e que a alteração superveniente é alheia à própria empresa, impedindo-se a sucessão fraudulenta deste mecanismo em prejuízo dos credores.

A terminar, a nossa entrevistada assegurou que o Direito faz parte da sua vida e que irá continuar a fazer, até porque “o direito e a justiça são valores que sempre me acompanharam e a advocacia é para mim, mais que uma profissão: é a minha missão de vida”, conclui Patrícia Pascoal.

DS COMPLIANCE UM PARCEIRO DE EXCELÊNCIA E CREDIBILIDADE

Quando é que foi edificada a DS Compliance e de que forma é que a mesma tem vindo a assumir um percurso assente em pilares como o rigor, a credibilidade e a excelência?

A DS Compliance foi criada em setembro de 2014, após a conclusão de todos os procedimentos legais, financeiros e de marketing. Depois do site estar em funcionamento pude começar a angariar clientes em janeiro de 2015.

Os primeiros meses foram difíceis, foi a paixão pela área que me fez continuar. Fui «em busca» de clientes aplicando uma estratégia simples mas eficaz: alvejava necessidades específicas de cada empresa com que entrei em contato e ofereci-lhes as soluções que lhes faltava. O «boca-a-boca» fez o resto. Dois anos mais tarde somava cerca de 20 clientes.

As sociedades gestoras de fundos, profissionais do sector financeiro, bancos ou profissões regulamentadas, tais como empresas de contabilidade são quem necessitam dos serviços que a DS Compliance presta, de modo a garantirem estar em conformidade com os regulamentos a que estão sujeitos. Compliance significa estabelecer procedimentos e controlos internos para que as empresas possam proteger-se do risco de má reputação a que os profissionais são particularmente suscetíveis.Em resposta à segunda parte da sua pergunta, direi que acredito que uma sociedade pressupõe, na minha opinião, ter bons conhecimentos no mercado em que atua, tornar-se especialista em conceitos específicos. Todos estes elementos permitem alcançar a excelência e credibilidade no mercado.

No âmbito da prestação de serviços de consultoria, como procuram marcar a diferença perante todos aqueles que procuram os serviços «made in» da DS Compliance?

Sobretudo pretendo marcar pela diferença com o atendimento personalizado ao cliente. Um serviço marcado pela proximidade, com acesso direto a um especialista e a um serviço dedicado a uma área de específica.

Quais são as grandes vantagens das soluções personalizadas em compliance por parte da DS Compliance?

A DS Compliance apresenta soluções «à medida», ajustadas às necessidades dos clientes e com uma rápida capacidade de resposta.

Quem é Elisa da Silva e que ligações perpetua a ambos os países (Luxemburgo e Portugal)?

Os meus pais imigraram para Dijon, França, no início dos anos 70 e foi lá que me formei em Direito. Porém, 1998, foi a minha vez de imigrar. Luxemburgo foi o país eleito. Comecei com um estágio de três meses no Parlamento Europeu.

Continuei a minha carreira profissional como jurista em Luxemburgo até 2002. Com 30 anos, vi a minha carreira sofrer uma reviravolta: fizeram-me uma proposta para a Compliance. Na época, a área da Compliance estava a dar os primeiros passos no Luxemburgo.

A minha ligação com Portugal é bastante evidente, uma vez que sou franco-portuguesa. Filha e neta de artesãos e comerciantes, venho de uma longa linhagem de empresários. O conceito de empreendedorismo é tido na minha família como uma tradição. O meu pai teve a sua garagem em Dijon, a minha avó paterna e os seus irmãos, eram comerciantes no Norte de Portugal, perto de Braga, foram todos empresários. Embora a minha herança venha mais do artesanato e do comércio do que do chamado intelectual pode dizer-se que tenho alma de empresária.

Sabemos que as mulheres romperam com os paradigmas conseguindo ganhar um lugar de destaque no mercado de trabalho a alcançar cargos de topo. No entanto, atualmente existe mesmo uma igualdade de oportunidades efetiva ao longo da carreira de profissionais do género masculino e feminino?

Pessoalmente, considero que ser mulher nunca foi para mim um obstáculo. A partir do momento em que temos experiência e sabemos aplicá-la, o progresso acontece da mesma forma em comparação com os homens. Nunca tive a experiência da desigualdade, mesmo em termos salariais. É importante ter confiança e não duvidar das nossas capacidades.

 

Quais as principais prioridades da DS Compliance para o futuro?

Neste momento, encontro-me numa fase de ascensão. O desenvolvimento da empresa passa por aumentar a atividade e metas a longo-prazo. Relativamente às minhas prioridades a curto-prazo, pretendo estabelecer uma carteira de clientes estável, recrutar um consultor a quem possa delegar algum trabalho para assim libertar tempo para me focar em desenvolver novas habilidades e serviços.

“Pessoalmente, considero que ser mulher nunca foi para mim um obstáculo”

 

DS Compliance

Sociedade de capitais privados, constituída em setembro de 2014 no Luxemburgo. Especializada em compliance, a sua principal missão é a prestação de serviços de consultoria, a alma do nosso negócio.

 

Um leque de serviços diferenciados:

 – Serviço personalizado com um interlocutor direto

 – Serviço de proximidade com acesso direto a um especialista

– Rapidez de resposta

 – Soluções à sua medida e em função das suas prioridades

 – Serviço especializado vocacionado para uma área técnica, o compliance

 – Garantimos a sua tranquilidade:

 – Estabelecendo uma parceria duradoura através das nossas soluções em compliance

 – Tornando-nos o seu especialista em soluções personalizadas em compliance

 – Fazendo do compliance o seu melhor aliado

“QUANDO FAZEMOS, FAZEMOS BEM”

A Bernardino, Resende E Associados, Sociedade de Advogados R.L., (BR), inicia a sua atividade em 1999. Com que objetivo surgiu a sociedade de advogados e por que valores se pauta a mesma?

A BR surge com o objetivo de fazer face a um mercado que necessitava de sociedades de advogados com dimensões mais pequenas, as chamadas “Boutique Law firm”. São sociedades que se distinguem pela personalização dos seus serviços jurídicos. Existe um enorme acompanhamento entre o cliente e o advogado, com uma organização muito específica e onde o serviço jurídico denota atenção, precisão e pormenor na abordagem dos mais variados temas desta área. O cliente sabe quem faz o trabalho que considerou “deixar” na sociedade, sabe quem é o seu interlocutor jurídico, para em qualquer momento dialogar e questionar é um trabalho atento e muito específico. Por isso, a Bernardino Resende E Associados, se pautar por prestação de serviços jurídicos de excelência e reconhecimento mérito, mantêm a sua independência e fomenta relações institucionais com Advogados e Sociedade de Advogados Nacionais e Estrangeiros, rigor na relação com os clientes, capacidade de inovação, e integridade deontológica, pelas quais nos regemos.

Reconhecida pela qualidade do serviço jurídico que presta, tendo como principal missão ir ao encontro das necessidades e defesa dos direitos e interesses dos seus clientes, quais são as áreas de prática da sociedade?

A BR atua em várias áreas especializadas, posso destacar algumas onde temos tido muita intervenção são elas: Direito Trabalho e Segurança Social, Reestruturação e Insolvências, Clientes Privados, Comercial, Societário e M&A, Direito dos Estrangeiros e Imigração, Direito Imobiliário, Urbanismo e Direito Fiscal.

A BR, no âmbito das suas atividades além-fronteiras, criou o conceito da BR Alliance visando disponibilizar aos seus clientes nacionais e internacionais, serviços jurídicos de excelência. Em que consiste e o que comporta esta aliança?

É como o próprio nome indica, uma aliança com escritórios de colegas nossos, onde temos um perfeito conhecimento quer dos colegas quer do trabalho técnico jurídico que os mesmos desempenham e onde temos muitas vezes também uma intervenção direta e/ou complementar. A BR Alliance, no âmbito da sua atividade além-fronteiras, visa disponibilizar aos seus clientes internacionais e nacionais, serviços jurídicos de excelência, integrados e à medida das suas necessidades, fomentando e desenvolvimento parcerias e alianças internacionais com advogados e sociedades de advogados estrangeiras. Temos conseguido este serviço de excelência porque como referi sabemos como os nossos colegas trabalham, conhecemos todos os advogados e escritórios que compõem esta aliança e vamos muitas vezes às sociedades estrangeiras, assim como, os nossos colegas se deslocam à nossa sociedade, para partilharmos conhecimento e experiência de forma a que as alianças sejam uma extensão perfeita do nosso trabalho, bem como, da nossa forma de trabalhar.

Advogada e sócia fundadora da Sociedade de Advogados Bernardino, Resende E Associados, quem é Patrícia Baltazar Resende?

É uma pessoa simples, muito objetiva, que teve o privilégio de ter conseguido especializar-se e trabalhar numa das áreas que mais gosta no Direito, o Direito do Trabalho. Que tenta acima de tudo, todos os dias superar-se e dar o seu melhor em tudo o que faz. Este é o meu lema. Não é ser perfeita, porque isso só Deus, mas tento fazer todos os dias o meu melhor no que concerne ao meu trabalho. Penso que é isso também que tento transmitir a quem trabalha comigo e espero que essa seja a imagem da nossa Sociedade, quando fazermos, fazemos bem, com empenho e brio profissional.

A conquista da mulher por um espaço no mercado de trabalho e nos lugares de liderança, na sua opinião, ainda é algo que merece ser tema de discussão e que urge de uma mudança?

Presentemente, considero que esta questão já não deve ser colocada, há alguns anos atrás, fazia sentido ainda discutirmos este tema, porque a mulher ainda não tinha a segurança do seu espaço conquistado. Atualmente, já não faz sequer sentido esta discussão, pois a mulher conquistou em toda a linha o seu mercado de trabalho e tem sido reconhecida e merecedora do mesmo.

Apesar de haver dificuldades em aceitar a existência de diferenças entre homens e mulheres ao nível do estilo de liderança, estudos apontam que as mulheres referem, mais do que os seus pares do sexo masculino, a existência de um percurso de obstáculos. Durante o seu percurso profissional sentiu dificuldades acrescidas pelo facto de ser mulher?

Repare não foi propriamente sentir dificuldades acrescidas por ser simplesmente mulher, no meu caso em concreto, até considero que pelo simples facto de ser mulher em algumas situações profissionais foi desde logo uma vantagem. Porém quando iniciei, por ser mulher, considero que na minha profissão, tive que provar muito mais, pela capacidade, empenhamento, trabalho do que os meus colegas do sexo masculino, algo que ao longo da minha vida foi-se diluindo tranquilamente.

A BASE DO NOSSO TRABALHO ASSENTA NA CONFIANÇA

A TPMC é uma empresa direcionada para o investimento, cujo objetivo é apoiar os seus clientes em futuros negócios nacionais e internacionais. Fundada em 1955, qual é a dinâmica e a posição da empresa, atualmente, no mercado?

A TPMC caracteriza-se por ser uma estrutura relativamente pequena mas incisiva. Concentramo-nos no cliente e nas suas necessidades, sejam elas de expansão do negócio, fiscais, administrativos, legais ou de quaisquer outros sectores. O nosso objetivo é sempre o crescimento sustentado e adicionar valor aos serviços que prestamos. A base do nosso trabalho assenta na confiança.

A atual situação económica nacional e o baixo poder de compra do cliente português aumentou o número de investidores nacionais a optar por ingressar noutros mercados. Qual é o papel da TPMC neste contexto?

Curiosamente, e nos últimos 3 anos nos quais tenho-me dedicado ao mercado nacional assistimos a um crescente interesse pelo Centro internacional de Negócios da Madeira (CINM). Como plataforma de penetração nos mais diversos mercados, incluindo nos Palops, na América do Sul e na Ásia.

A TPMC posiciona-se como uma empresa de consultoria e estruturação fiscal, recolhendo informações de cada um dos mercados e, mediante as necessidades do investidor, elaborando o melhor acesso ao mercado pretendido. Neste âmbito temos vários contactos espalhados por quase todos os Países, com quem trocamos informações preciosas no que concerne à atualização dos nossos quadros e mercados de investimento.

O panorama económico e de diminuição do consumo que se verificou em Portugal nos últimos anos fez com que as empresas nacionais ou diversificassem os mercados alvo ou fechassem as portas. Este novo paradigma criou uma oportunidade que nos permitiu começar a trabalhar com o mercado nacional e com o investidor.

A empresa apoia investidores nacionais que pretendam integrar mercados estrangeiros, mas também cativar o investimento internacional para Portugal e, nomeadamente, para a ilha da Madeira. Qual é o panorama atual do investimento estrangeiro no mercado português?

Neste ano de 2016, e por deficiência profissional, tenho viajado para vários “cantos” do planeta, promovendo o regime do CINM, dando algumas conferências e recolhendo adicionalmente informações que possam interessar a nível do planeamento fiscal internacional. Estive em Países muito vocacionados para o investimento financeiro, como é o caso da Grã-Bretanha, Luxemburgo e Dubai. Mas também em Países mais vocacionados para o trading Internacional, como é o caso de Itália, França, Polónia e Russia. Em cada um destes sítios o interesse em criar plataformas de expansão do negócio a nível internacional foi muito grande.

Seja em Londres, devido ao “Brexit”, o que torna Portugal especialmente atrativo para os nossos amigos britânicos. Seja no Luxemburgo, como forma de enquadrar o trading na estrutura maioritariamente financeira que habitualmente criam. Seja em Italia, Russia ou França, países interessados em abrir as portas ao comércio internacional, em especial nos Países Emergentes- curiosamente os nossos Tratados de Dupla Tributação são uma vantagem e colocam-nos estrategicamente como opção no panorama fiscal internacional.

Tenho notado um interesse muito grande por parte dos investidores estrangeiros em aproveitar essas vantagens, aliando ainda alguns programas nacionais de captação de investimento, quer por via do Residente Não Habitual ou do Golden Visa, que se traduz também por um crescimento no campo imobiliário em Portugal.

Tânia Castro, Diretora Geral na TPMc, é descrita como tendo uma habilidade natural para a criação de laços de confiança com o cliente. Quais devem ser as características de um líder de equipa numa empresa em que o cliente é prioridade?

Nunca pensei muito nisso. Prefiro Agir. Sou defensora de liderar pelo exemplo. E acho uma vantagem muito grande já ter trabalhado em todos os sectores da empresa antes de passar para o cargo de Direção. Conheço as dificuldades diárias dos meus colegas em cada sector e também a exigência do trabalho. Julgo ser isso que me permite orientar diariamente as equipas, sempre com muito diálogo e troca de ideias à mistura.

Se por um lado as empresas valem pelo capital humano que detém, por outro, valem pelos clientes que depositam a sua confiança nelas. Assim, todos os nossos clientes são acompanhados pessoalmente. Faço questão de os conhecer, de saber quais os objetivos, a história das organizações que ajudamos a criar e gerir e de manter sempre e a toda a hora um canal de comunicação aberto e fluido, sempre com total transparência.

É cada vez maior o número de mulheres que ocupam lugares de liderança e de chefia nas empresas. É fácil conciliar a vida profissional com os diversos papéis que a mulher assume na vida pessoal?

Atualmente acho que não é fácil nem para as mulheres nem para os homens. O cenário mudou, hoje para evoluirmos profissionalmente temos de ser cada vez mais exigentes connosco próprios e com os outros. Só assim conseguimos nos manter no mercado. Aliando isso ao facto de ser mulher complica a “equação”. Nós mulheres somos, por natureza, sobreviventes. Fomos dotadas de características diferenciadoras mesmo no que concerne à forma de fazer negócio. Temos de ser mais ativas, mais presentes, mais incisivas, mais negociadoras. Faz parte da nossa natureza, acho que não conseguimos ser doutra forma quando nos propomos a atingir determinados objetivos. Ora, isso traduz-se em muito tempo ocupado, o que desequilibra a balança da vida profissional/vida pessoal.

Mas se há uma coisa a que as mulheres já estão habituadas é a serem eternas malabaristas e a aceitar objetivos difíceis. É como sempre uma questão de gestão, de escolhas e de tempo. Com o tempo, a experiência e a maturidade profissional, a conciliação das duas coisas torna-se mais fácil.

A conquista da mulher no mercado de trabalho ainda enfrenta alguma resistência. Ao longo do seu percurso profissional enfrentou obstáculos pelo facto de ser mulher?

Eu diria que a mulher ainda enfrenta muita resistência, não alguma. E já enfrentei muita ao longo dos mais de 20 anos de percurso profissional que já fiz. Em Portugal, especialmente nos primeiros anos de trabalho, não havia praticamente mulheres em campos de destaque ou de liderança. E tenho de confessar que a culpa não era só dos homens, mas essencialmente nossa. As mulheres não pensavam em objetivos tão altos. A nossa formatação era mais terra-a-terra. Especialmente na área internacional, pertencia praticamente aos homens.

Daí ter havido muita luta, estudo, formação diária para ser mais e melhor. Não é fácil inspirar confiança quando somos mais novas e ainda por cima mulheres. É preciso demonstrar, foi fruto de um trabalho diário, mas devo dizer muito compensatório. Como tudo na vida é uma viagem, define-nos e transforma a forma como vemos a vida e os outros. Posso dizer que houve alturas muito complicadas em que mesmo com muito trabalho os resultados não apareciam, mas tudo é uma questão de persistência e de construção de credibilidade. Hoje em dia ainda o é.

Temos de trabalhar duro todos os dias. Nos atualizar todos os dias e, essencialmente persistir todos os dias. Mas as Mulheres estão habituadas a conquistar e a desbravar terrenos pouco a pouco, pacientemente, por isso amanhã é mais um dia de conquista.

“NÃO TEMOS O QUE MERECEMOS MAS SIM O QUE NEGOCIAMOS”

No final de 2014 sai do Banif e começa a trabalhar como consultora numa empresa de marketing. Mais tarde entrou numa empresa dedicada apenas a consultoria e começou a fazer candidaturas no âmbito do Programa Portugal 2020. A par disto decide inscrever-se no BNI (Business Network International), rede mundial constituída por pequenos grupos de empresários que se reúnem uma vez por semana, para trocarem oportunidades de negócio. Aliam-se como parceiros empresariais ou, através da sua rede de contactos no exterior, proporcionam outras parcerias empresariais lucrativas e certo é que quem dá recebe sempre em troca. A rede BNI foi fundada em 1985, por um empresário norte-americano, Ivan Misner, que começou a trocar contactos (prefere chamar-lhes “referências”) com um grupo de amigos e passou a ser solicitado para criar outros encontros com o mesmo objetivo. Hoje, o BNI está em 69 países e liga mais de duzentos mil homens e mulheres no mundo dos negócios.

CONSULTORIA FINANCEIRA

Com contactos recolhidos da BNI, decide fundar a EGENI, em junho de 2016, uma empresa de consultoria, fruto de toda a aprendizagem que reuniu ao longo dos anos. No entanto não parou e ao mesmo tempo é hoje Consultora da marca I Have the Power. Uma empresa com um sistema totalmente integrado de treino de pessoas para o êxito.

LIGAÇÃO AOS PALOP

Ermelinda Gonçalves está também ligada aos PALOP desde junho. Foi numa festa que conheceu um contacto chave, que percebeu a potencialidade da nossa entrevistada e que decidiu por isso fazer-lhe uma proposta. Tornaram-se parceiros com o intuito de estabelecer sinergias entre empresários portugueses da construção civil e trading para investirem em vários países de África e não só: Guiné-Bissau, são Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique e também da América Latina (Argentina e Bolívia).

SER MULHER

Porém, a nossa interlocutora revela que “nem sempre é fácil lidar com o facto de ser mulher em alguns países, simplesmente porque a liderança no feminino é algo que não é aceite”. Mesmo assim, esse não é um problema para a nossa entrevistada que garante que há sempre forma de contornar os obstáculos. “Em África as mulheres não discutem política nem negócios. Temos de respeitar alguns fatores culturais”.

“Há mentalidades complicadas e formas de realizar negócios pouco claras. São mentalidades que têm de ser combatidas mas com calma, sem correr riscos. É necessária uma sensibilidade especial”. Relativamente ao papel da mulher na sociedade e à importância que em alguns lugares ainda lhes é devida, Ermelinda Gonçalves considera que há um caminho a percorrer e que são, também, as mulheres a ter de o fazer: “o ideal é que as mulheres sejam valorizadas pela sociedade e que se aproveite o que de diferente têm dos homens. As mulheres precisam de ir à luta. Existem muitos casos de mulheres que também não querem sair da sua zona de conforto, têm medo. Comigo aconteceu, também tive medo. Porém a minha educação permitiu-me aprender que eu tenho valor, que me instruí para nunca ser o tapete de ninguém. É errado não nos opormos àquilo com que não concordamos. Se as mulheres continuarem preocupadas com o que os homens pensam delas nunca ultrapassarão os limites que a sociedade lhes impõem em várias áreas da vida”. E tudo começa e pode mudar a partir de casa, com a educação, garante: “as mães têm de ensinar aos seus filhos rapazes que eles não são mais do que as raparigas, quer na vida profissional quer na vida pessoal”. Quanto ao resto, Ermelinda Gonçalves afirma que na vida “não temos o que merecemos, mas sim o que negociamos”.

“O CRESCIMENTO DO NOSSO CLIENTE É O NOSSO CRESCIMENTO”

Presente no mercado há cerca de um ano, a Mind Consulting disponibiliza aos seus clientes um conjunto de serviços que os ajuda a dinamizar, inovar, crescer e criar valor no mercado. Num mercado cada vez mais competitivo e exigente devido à globalização, a verdade é que as empresas enfrentam desafios mais complexos e também eles, globais. Para Telma Paz e Débora Neves, o maior obstáculo que se impõe, atualmente, às empresas está relacionado com o financiamento. Para Telma Paz, os financiamentos públicos que estiveram parados durante algum tempo, a dificuldade em obter financiamento por parte da banca, a burocracia e a morosidade dos processos de avaliação das candidaturas a incentivos, acabaram por ser um grande entrave para os empresários. “Contudo, o nosso tecido empresarial tem tido uma evolução bastante positiva. As empresas apresentam um mind set atual e demonstram capacidade de resposta para SE adaptarem rapidamente às exigências da internacionalização e do mercado global”, refere Telma Paz.

SERVIÇOS DE “A” A “Z”

“É o projeto das nossas vidas”, começam por referir Telma Paz e Débora Neves, que já tinham trabalhado juntas, vindo a demonstrar vontade de ter um projeto próprio. Contudo, o passo foi dado quando outra grande mudança se deu nas suas vidas pessoais: foram mães. “Era a fase indicada, pois estávamos a iniciar um projeto novo pessoalmente também”, explicam as empresárias.

A experiência profissional na área de captação de incentivos e na área de contabilidade e gestão de empresas permitiu-lhes concluir que existiam algumas falhas no universo empresarial que queriam colmatar. “Os pequenos projetos e os pequenos empresários muitas vezes não eram apetecíveis para a maioria das consultoras, não tendo o devido acompanhamento. Para nós isso tornou-se num nicho de mercado explorável”, avançam as nossas entrevistadas.

E assim surgiu a Mind Consulting com um leque de serviços bastante abrangente e completo para as pequenas e médias empresas desde a área da contabilidade, passando pela consultoria financeira até à área dos incentivos fiscais e financeiros. “Juntámos, assim, as nossas competências e valências e colocámo-las ao serviço das PME’s no apoio à gestão de uma forma mais integradora”, explicam.

Com serviços complementares em várias áreas, a Mind Consulting presta apoio no âmbito da contabilidade de A a Z para pequenas e médias empresas ou empresários em nome individual. No que diz respeito à gestão financeira, são incluídos os apoios aos financiamentos, desde candidaturas no âmbito do IEFP a financiamentos de maior escala (Portugal 2020 e Horizonte 2020). Outro serviço prestado pela empresa concerne ao outsourcing administrativo para pequenas empresas que não teÊm o volume necessário para possuir um departamento administrativo, pelo que procuram apoio nessa área. Consultoria de gestão é outro serviço prestado pela Mind Consulting, onde é feito o acompanhamento dos investimentos das empresas e de empresários em nome individual desde o seu início, são feitos estudos de mercado e de viabilidade, bem como planos de negócio, gestão de recursos humanos, mapas de rentabilidade e indicadores de negócio ou, ainda, gráficos de performance da empresa.

“O nosso objetivo é prestar um serviço personalizado e adequado às necessidades específicas de cada cliente porque cada empresa procura um serviço e apoio em componentes diferentes para diferentes objetivos”, afirmam Telma Paz e Débora Neves. Pelo que apostam fortemente na formação e nas parcerias com outras empresas para complementar os seus serviços de forma a posicionarem-se ao lado do cliente como verdadeiro parceiro e, de A a Z, acompanhá-lo, aconselhá-lo, ajudando o seu negócio a tornar-se viável para crescer, “pois o crescimento do nosso cliente é o nosso crescimento”, referem.

O DESAFIO

Mulheres de negócios, esposas e mães. Assim é para Telma Paz e Débora Neves que, quando questionadas sobre se, entre a pressão e a capacidade de equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, tem sido fácil fazer esta gestão, respondem que é o maior desafio das suas vidas. “É importante, acima de tudo estarmos sincronizadas e apoiarmo-nos. Tem sido fundamental podermos contar com a nossa equipa sem qual tinha sido um processo muito difícil. O nosso esforço pode ser máximo, mas inevitavelmente tivemos momentos em que não podíamos estar tão disponíveis e a 100%”, explicam as nossas entrevistadas para quem, inevitavelmente, a mulher acaba por ter um papel muito mais ativo, apesar de não tirarem o mérito à liderança no masculino.

“Por um Moçambique maior e melhor para todos”

Mulher de negócios, jovem líder, economista, NGO Presidente, escritora e ativista, Tânia Tomé tem representado e elevado Moçambique e a língua portuguesa um pouco por todo o mundo. Como descreveria o seu dia a dia? 24 horas são suficientes para conciliar todos estes papéis com um peso tão significativo?

Para já em primeiro lugar confessar quão me sinto honrada por poder partilhar com o mundo de Moçambique e a língua portuguesa. De facto o tempo é um desafio que enfrento nesta multiplicidade de papéis em que estou envolvida. Nas minhas oito horas diárias dedico-me sobretudo a empresa onde sou a diretora executiva, no que me resta, divido-me entre as ações sociais e humanitárias, e nos intervalos de respiração os meus tempos livres. Fazer tudo isso implica definir objetivos e concretizar o planeamento para os efetivar. Mas também devo salientar que sempre fui de facto multiactividades e desde sempre que sou profundamente uma workaholic. Todo curso de economia na Universidade foi concretizado enquanto trabalhava, fazia atividades socio-humanitárias e participava em associações, escrevia livros, e ainda conseguia atuar. Eu concilio o melhor que posso as minhas atividades todas, creio que o importante é saber fazer uma gestão adequada do tempo, estabelecendo objetivos e metas em todas áreas, com prioridades e rotinas, e criando planos de curto, médio e longo prazo. E por fim com muita disciplina, amor e atitude, trabalhar para os atingir na perfeição, e ainda que não chegue lá, procurar estar perto.

É de facto interessante e sui-generis que de facto acabe por ter tantos prémios e reconhecimento internacional e em Moçambique em todas as áreas em que está envolvida, e portanto tem prémios como economista e empreendedora, como ativista e sócio-humanitária, mas também como escritora e artista. Pode citar-nos alguns dos prémios mais marcantes para si?

Devo salientar que não trabalho para ter prémios, mas para ter um trabalho de qualidade que possa servir de referência a gerações vindouras, e que é emocionante e lisonjeio-me por isso a cada fase de cada percurso nas mais diversas áreas ser reconhecida internacionalmente e nacionalmente pelo meu trabalho. Só para citar alguns Young African Leader 2016 pelo Presidente Barack Obama Iniative, Pan African Humanitarian Young Achievers Award on Leadership Excelence 2016, Jovem Empresária Lider pela Global Banking and Finance 2015 (United Kingdon), African Achievers Awards 2015, Prémio de mérito da Presidência da Republica de Moçambique, Prémio Académico Africano da Fundação Portugal-Africa do Presidente Mário Soares (Portugal 2003), Prémio de poesia Bim 2005, Livro é Referencia Bibliografia na Pós-graduação em Letras Vernáculas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Selecionada para Prémio de Literatura Portugal- Telecom (Brasil 2011), Prémio de música de Africa (Soundicity Nigeria 2010 e tantos outros.

Tânia Tomé foi nomeada “Jovem Líder Africana 2016” (Young African Leaders Initiative – YALI) pelo presidente dos EUA, Barack Obama. O que significou este dia e esta distinção para si, tendo em consideração que este é também o terceiro reconhecimento que recebe de um presidente?

Não tenho palavras, e ainda me defino em estado de emoção, pois estar com ele pessoalmente foi de uma emoção desmedida. Não posso ser mais grata e honrada por estas oportunidades que se atravessam no meu caminho, como resultado sobretudo do meu envolvimento na promoção do empreendedorismo, na liderança e atuação de mais de 12 anos de vários projetos na área de investimentos, financiamento e as várias atividades socioculturais e humanitárias. Barack Obama é um líder que inspira e tem nele o carisma e a empatia como dádivas natas, que só podem ser aprimoradas com aprendizagem e experiência, mas ou se tem ou não tem, não se aprende na escola. E valorizo tanto porque sei que é uma oportunidade única, e sobretudo sendo eu do setor privado e da sociedade civil essa oportunidade ainda se torna mais grandiosa, pois o mérito é individual e sem suporte institucional.

É Diretora Executiva da Ecokaya, uma empresa de investimento, assessoria e  mentorship com o objetivo de ser um parceiro empenhado para identificar e desenvolver oportunidades de negócios localizados em Moçambique e África Austral e  Palop. Mais uma vez está a representar os interesses e o desenvolvimento de Moçambique. Este vai continuar a ser o seu caminho, representar e elevar o nome de Moçambique?

É um dever meu, com o conhecimento e experiência que tenho partilhar com meu Moçambique e apoiar no seu crescimento e sobretudo desenvolvimento. Moçambique só irá fazer-se no exercício de toda uma juventude que ainda que atue individualmente atue de forma concertada e consistente com objetivo comum de fazer crescer a nossa nação de e para o povo que nele habita. A liderança deve fazer-se em todas áreas e setores necessários desde os líderes políticos até aos líderes sociais e aos líderes empreendedores. E sobre tudo isso, devo reiterar a importância da educação, e sobretudo a aposta num ensino primário de qualidade voltado para o conhecimento, empreendedorismo e programação financeira é imprescindível. E que podemos esperar da Tânia Tomé? Uma mulher cada vez mais madura, que continuará mobilizar pessoas a atitudes mais positivas e aprendizagem. Quero uma Tânia Tomé que continuará ajudar pessoas a crescer nas mais diversas áreas, estarei muito em particular a apoiar pequenas e médias empresas e empreendedores a descobrirem seus sucessos com técnicas de gestão e negocio e comunicação. E pretendo com os meus projetos sempre atingir resultados que possam ter impactos sociais na nossa sociedade. Por um moçambique maior e melhor para todos.

 

A NOSSA POLÍTICA ALICERÇA-SE NA FORÇA DAS RELAÇÕES

Entidade de enorme relevo e credibilidade nacional e internacional, a Câmara do Comércio Europeia no Brasil tem vindo a perpetuar um serviço de vasto interesse. No sentido de contextualizar o nosso leitor, quais os principais pilares em que se rege a instituição?

A Câmara de Comércio Europeia é uma organização multilateral focada em apoiar o estreitamento das relações internacionais, público-privadas, entre os seus membros (organismos públicos e empresas privadas) e as empresas e organismos europeus, assim como, entre os países não europeus onde a câmara se faz presente com uma delegação, representação ou ainda atuação comercial. Um dos principais resultados alcançados diariamente pela Câmara Europeia é proporcionar aos membros a visibilidade dos seus produtos e serviços em toda a rede que abrange a ação do organismo. A Câmara de Comércio Europeia tem atuação, não só na Europa e América do Sul, mas está presente com grande força comercial e institucional na Ásia, Africa e nos países de cultura Árabe.

Como tem sido realizada a «ponte» entre o Brasil e a Europa e qual tem sido o papel da Câmara do Comércio Europeia no Brasil nesta promoção de parceria?

A nossa política alicerça-se na força das relações. A nossa principal preocupação é a construção de relacionamentos credíveis, associando-nos a outros organismos e empresas que tenham pilares e valores semelhantes e a partir daí, começamos com a criação de consórcios, protocolos e parcerias, que precisam obrigatoriamente cumprir com os requisitos para ser um parceiro ou fornecedor da rede da Câmara Europeia. Ao longo dos anos temos sido apontados como um organismo que exige requisitos bastante rígidos, mas entendemos que esse rigor é essencial para entregarmos o nosso principal compromisso: credibilidade e seriedade em negócios e oportunidades, duas características que são preponderantes para o desenvolvimento socioeconómico de qualquer país. As áreas prioritárias identificadas no desenvolvimento das nossas atividades são: Indústria, Agricultura, Comércio, Tecnologia, Turismo e Saúde, tendo já promovido e até mesmo desenvolvido vários negócios em cada uma das áreas de atuação que têm gerado não só sinergias, mas também muitas oportunidades de crescimento e principalmente de desenvolvimento.

Qual o papel que Portugal tem tido na orgânica de dinâmica da instituição? Que lacunas ainda existem na sua opinião nesta ligação?

Empresas e organismos portugueses são as nossas principais parcerias quando falamos em internacionalizar para Europa empresas e negócios oriundos do Brasil e África Palop. A questão da língua ainda é uma característica predominante na eleição do país de entrada, uma vez que facilita a interação das equipas de trabalho. Outra caraterística fundamental são os protocolos de cooperação internacional entre esses países que facilitam o acesso e a gestão financeira das operações. Mas ainda existem lacunas que poderiam ser preenchidas com uma aproximação e reconhecimento maior dos organismos governamentais portugueses com organismos brasileiros e africanos. Muitas vezes a disponibilidade da iniciativa governamental não coincide com a disponibilidade, rapidez e gestão ativa da iniciativa privada dificultando a execução das estratégias desenvolvidas.

Qual o papel da Câmara do Comércio Europeia no Brasil na promoção de ligações e parcerias entre o universo empresarial luso/europeu e brasileiro?

O nosso papel é apoiar e intermediar negociações comerciais, estratégicas e institucionais entre os países com os quais interagimos no sentido de proporcionar a segurança e credibilidade necessárias para essas operações. Um exemplo claro disso são as operações de comercialização de commodities. A Câmara apoia operações demandadas de todo o mundo por causa do nosso rigor na seleção de fornecedores. Para ser um fornecedor de commodities ou produto industrializado e vender através da Câmara, o fornecedor deve passar por um processo de auditoria em que verificamos desde toda a documentação legal necessária para exportarem, a capacidade de financiamento de produção, a não existência de trabalho escravo ou infantil, o cumprimento com os requisitos fitossanitários dos instrumentos regulatórios para cada país, até mesmo as instalações, linhas de produção e estucagem. Tudo isso com o objetivo de levar ao comprador internacional a segurança na negociação, eliminando vários custos associados à compra assim como deslocações e perdas de negociações a meio da operação.

Há quanto tempo está à frente dos destinos da Câmara do Comércio Europeia no Brasil e quais as motivações que a têm levado a liderar e gerir com sucesso uma instituição deste cariz tão relevante?

Desde Julho de 2014, quando implementei todos os procedimentos que hoje nos leva a entregar o nosso compromisso de credibilidade aos membros, compradores e parceiros. O meu compromisso pessoal com esse projeto é empregar nele o mesmo rigor e seriedade que venho imprimindo no meu grupo empresarial há 16 anos. Graças a esse rigor procedimental criámos uma marca pessoal de credibilidade muito difícil de se verificar hoje em dia e isso pode ser verificado observando os resultados após a implementação da nossa estratégia, que levou o organismo a ser relevante, inclusive, a nível de resultado de balança comercial.

“A Mulher é o laço que segura a família com os seus vários elementos de personalidades distintas”

«Mulher dos sete ofícios», quem é Talita Brito e o que a move?

(Risos) Essa é uma expressão que caracteriza as mulheres em geral, que precisam de se desdobrar em inúmeras atividades para no fim do dia alcançar todos os objetivos e ainda estarem com disposição para ler uma ou várias histórias aos filhos antes de dormir. A Talita Brito é uma mulher como todas essas outras que diariamente se desdobram para exercer vários papéis, é a embaixadora, a empresária, a filha, a irmã, a esposa, a amiga, a tia, a mãe, que é movida pelo amor. Amor ao que faz, a Deus, a família e ao negócio que criou e lidera com rigor, seriedade e afinco.

O que é para si, uma Liderança no Feminino? Acredita que as mulheres são hoje vistas pela sociedade de uma forma distinta de um passado recente? O que mudou?

As mulheres vêm conquistando ao longo do tempo o seu papel na liderança de empresas, movimentos e grupos, de forma consistente. Sem dúvida que, hoje em dia, as mulheres são vistas de forma diferente pela sociedade, mas isso ocorre porque nos últimos tempos o novo modelo estratégico de gestão de empresas focado na gestão de pessoas, mostrou-se muito mais eficaz no alcance dos objetivos das organizações e assim as mulheres passaram a ter um papel fundamental na liderança dessas organizações pela sua incontestável experiencia na gestão da família. Todos nós, independente da nossa nacionalidade, temos uma referência matriarca nas nossas vidas que é a responsável por liderar, confortar, educar e juntar pessoas diferentes num objetivo comum. A mulher é o laço que segura a família com os seus vários elementos de personalidades distintas. Essa característica foi observada e levada ao ambiente empresarial e resultou de forma extraordinária, dando oportunidade a muitas mulheres de expandir as suas áreas de excelência e aplicá-las.

Na sua opinião, existe alguma diferença entre uma liderança feminina e masculina? Sente que as mulheres têm de «provar» mais que os homens para singrar no universo da gestão de grandes projetos?

Acredito que existam diferenças entre tipos de liderança e não em relação ao género. Até parecem desculpas de quem diz que não vence pelo seu género. Mesmo porque nos dias de hoje, tanto homens como mulheres têm acesso ao mesmo tipo de educação e preparo e, no final, o que realmente conta para singrar no universo da gestão, seja de projetos grandes ou pequenos, são os resultados que cada um atinge. É o esforço pessoal, a capacidade estratégica e analítica dos cenários e a gestão adequada dos talentos de cada membro das suas equipas que irão definir os seus resultados e consequentemente a sua vitória.

“GOSTO DO QUE FAÇO, É A MINHA PAIXÃO”

Formada em Engenharia Cerâmica e do Vidro e doutorada em Ciência e Engenharia de Materiais, Paula Vilarinho é uma profissional reconhecida na sua área, nacional e internacionalmente. É presidente da Sociedade Portuguesa de Materiais (SPM), professora na Universidade de Aveiro e Investigadora do Laboratório Associado, Centro de Investigação em Materiais Cerâmicos e Compósitos (CICECO). Por que valores se pautam a sua vida pessoal e profissional em prol deste complexo currículo?

Há valores que estão presentes na minha vida que me foram transmitidos pelos meus pais e alguns excelentes educadores, e que, claramente, determinam o meu comportamento pessoal e profissional. Ética, caráter, dignidade, honestidade, honra, frontalidade, transparência, responsabilidade e comprometimento, são alguns dos valores com que me identifico e, pelos quais luto diariamente.

Do ponto de vista profissional há uns quantos outros aspetos comportamentais que julgo regerem o meu desempenho.

Para além de uma alguma “hiperactividade”, acho que muito do que faço se associa a uma certa Ingenuidade, pois acredito que posso contribuir para ajudar “a mudar o mundo”. Nas minhas atividades talvez haja também alguma ousadia, gosto pela diferença e mudança; na verdade sinto-me estimulada pelo desafio. Dizem que sou uma obcecada por tudo quanto faço, mas eu acho que é mais paixão, pois de uma forma geral gosto muitíssimo do que faço.

Está entre as cientistas mais importantes do mundo na área dos materiais cerâmicos, sendo considerada uma das cem mulheres do mundo que mais e melhor contribuíram para o desenvolvimento internacional desta engenharia, de acordo com o livro “Inspirational Profiles of Successful Women: Ceramic and Glass Scientists and Engineers”, escrito por Lynnette D. Madsen, diretora do programa em Cerâmicos da National Science Foundation dos EUA. O que significa esta distinção para si?

Uma enorme honra.

Considero que qualquer distinção é sempre um ato honroso, já que destaca alguém pelo seu contributo numa determinada área e circunstância. É sempre excelente e altamente motivador ver o nosso esforço e dedicação reconhecidos.

Esta distinção reveste-se para mim de relevância maior por diferentes razões.

Trata-se de um reconhecimento totalmente imparcial vindo de uma comunidade à qual não estou diretamente ligada e que tem origem num pais onde atualmente se desenvolvem as atividades de investigação e desenvolvimento de maior excelência e impacto mundial, os Estados Unidos da América.

É um reconhecimento oriundo num pais que pratica e preconiza a meritocracia, ou seja, promove a excelência, valoriza a diferença e promove com base no mérito; valores estes nos quais acredito, e pelos quais tento pautar a minha vida e transmitir aos que me rodeiam; mas infelizmente “escondidos” ou “esquecidos” no nosso país e na carreira científica.

Este reconhecimento é ainda importante, porque me permite transmitir às mulheres cientistas e profissionais de engenharia portuguesas mais novas, que a excelência, ética e dedicação, mesmo no feminino, acabam por ser reconhecidas.

Esta distinção é também um reconhecimento para o país e para a Universidade de Aveiro. Como está a engenharia e o desenvolvimento da ciência em Portugal?

Embora me considere do ponto de vista profissional uma cidadã do mundo, sou portuguesa. Fiz toda a minha carreira associada à Universidade de Aveiro e foi esta Universidade que contribuiu para o que sou hoje como cientista e potenciou o meu desempenho. Deste modo, qualquer distinção profissional, que me seja atribuída, será também, no meu entendimento, uma distinção para a Universidade de Aveiro. O mesmo se aplica ao pais, claro está.

Sou Engenheira de formação de base. E se há coisas em que acredito, uma delas é que não há desenvolvimento sem Engenharia. Assim sendo, do meu ponto de vista, o Futuro da Engenharia é brilhante. E Portugal não deverá escapar a este Futuro. Portugal tem uma reconhecida tradição em Engenharia, a nível de formação e prática, na qual se apoiam as grandes e médias empresas de Portugal. Portugal tem excelentes escolas de Engenharia, formando profissionais a exercerem em algumas das maiores empresas do Mundo. No entanto, por razões várias, a profissão de Engenharia não está a ter na sociedade o devido reconhecimento. É sobejamente reconhecido que a escolha por parte de estudantes do ensino secundário das áreas das ciências exatas, cruciais na formação de um Engenheiro, não são, atualmente, suficientemente atrativas. Mas há um outro aspeto a ser considerado (para além da educação em Engenharia) e que tem a ver com a necessidade de “evolução” da indústria nacional para indústrias mais avançadas e com base em tecnologia de ponta. Julgo que a “quantidade” e a “qualidade” de tecnologias desenvolvidas, com base na investigação científica permitirá potenciar esta transformação da indústria nacional; aqui os atores de geração de conhecimento e tecnologia têm um papel fundamental. Há inúmeras iniciativas neste sentido no país, que estão a dar os seus frutos, com um número cada vez maior de “start ups” criadas; mas, mais uma vez, uma congregação de esforços e uma estratégia definida, independente do poder político, poderá ajudar a “Engenharia Portuguesa” a não perder este Futuro.

Apesar de considerar que o Futuro da Engenharia é brilhante e com enorme potencial económico, é também claro que num mundo global a competição é feroz e há alguns mais bem posicionados do que outros para colherem os melhores frutos. Tendo isto em consideração e as vantagens da pequena dimensão do nosso pais, julgo que a definição de estratégias a longo prazo, claras, e independentes do poder político (mas com ele concertado), ajudarão a modernizar a Engenharia (no sentido lato) e a Indústria nacional, tornando-a mais competitiva a nível mundial. Aqui há sem dúvida um grande desafio para organizações como a Ordem dos Engenheiros, a Sociedade Portuguesa de Materiais (SPM) e outras idênticas, para serem motores desta mudança e garante dos interesses dos profissionais de Engenharia. Por estas razões e por acreditar que organismos como a Sociedade Portuguesa de Materiais (SPM) podem contribuir e têm mesmo responsabilidades desta natureza que aceitei o desafio de presidir esta Sociedade.

A Ciência Portuguesa (como a conhecemos hoje) é relativamente jovem e o seu grande “boom” ocorreu a partir dos anos 80. Os resultados da política de investimento em ciência são bem visíveis. A Ciência Portuguesa é hoje reconhecida internacionalmente à luz dos mais altos standards de excelência científica internacional. Contudo, para preservar e promover estes standards, e potenciar o investimento que tem sido feito, é fundamental, do meu ponto de vista, manter-se o investimento na ciência, definir, implementar e cumprir estratégias (de acordo com os interesses nacionais) e acima de tudo promover a excelência.

O livro destaca uma centena de mulheres cujos percursos profissionais na área dos materiais cerâmicos e de vida constituem uma inspiração e um exemplo a seguir. É uma líder. E é mulher. Alguma vez sentiu que o seu trabalho não foi devidamente valorizado pelo facto de ser mulher?

Esta é uma questão complicada, na medida em que a descriminação, qualquer que ela seja, pode ser muito difícil de quantificar. Para mim a questão torna-se ainda difícil quando intrinsecamente acredito, que do ponto de vista profissional, Homem e Mulher, são iguais e a sua complementaridade leva a resultados excelentes. No entanto, não é bem esta a realidade. E esta realidade têm-se tornado cada vez mais óbvia à medida que as minhas responsabilidades profissionais têm vindo a aumentar.

Sinto-me muito bem em ser Mulher e uma Mulher na área da Engenharia e Ciência de Materiais. Mais do que o facto de ser Mulher, penso que é principalmente o meu carácter e a minha personalidade que têm definido a minha carreira profissional.

No entanto, julgo que mesmo no século XXI ser uma Mulher trabalhadora continua a ser um desafio. Apesar deste assunto da paridade de géneros, associada às diferenças sociais entre Homens e Mulheres, ser secular, a verdade é que a igualdade de sexos não existe. Numa base competitiva sinto que nós Mulheres temos que desempenhar de uma forma geral muito melhor do que os Homens, para, eventualmente, sermos consideradas identicamente capazes.

Acredito que sim, que existem “Boys Clubs”, caso contrário qual seria a necessidade das medidas auto intituladas de “descriminação positiva”? Embora considere que esta medida é em si uma verdadeira descriminação, espero sinceramente que ajude a provar que nós Mulheres somos perfeitamente capazes de assumir qualquer lugar de liderança, tal como os Homens, contrariamente a muitas convicções antigas.

Nós Mulheres trabalhadoras, cometemos inconscientemente erros que ajudam a sabotar as nossas carreiras. Somos muitas vezes muito mais criticas de nós próprias do que o necessário e temos dificuldade em assumir os créditos quando é devido. Estas “auto-sabotagens” impedem muitas Mulheres de alcançarem os seus objetivos profissionais. Por outro lado, e como provado em estudos científicos, a ausência de “role models” femininos, necessários para a construção de uma identidade, tem sido considerada uma das maiores barreiras para a paridade de género a nível de liderança [Ruth H.V. Sealy and Val Singh, The importance of role models and demographic context for senior women’s work identity development, International Journal of Management Reviews, 2009].

No que diz respeito à Ciência, Mulheres e Homens têm papéis idênticos. O envolvimento das Mulheres na ciência é antigo, mas muitas vezes não devidamente reconhecido. Considero que as Mulheres na Ciência e na Engenharia têm ainda um papel e uma responsabilidade adicional de provar as competências das Mulheres.

Decidiu seguir e apostar numa carreira de investigação na área de materiais. A engenharia ainda é considerada um mundo só (de) para homens?

Sim, não há duvida que há ramos da Engenharia que continuam maioritariamente masculinos. Apesar de haver cada vez mais mulheres em profissões tradicionalmente consideradas masculinas, a Engenharia continua a ser uma área do domínio masculino. No entanto, dentro da Engenharia existem áreas mais masculinas do que outras. Materiais, a minha área de conhecimento, envolve já um número razoável de profissionais femininas.

Além de presidente da Sociedade Portuguesa de Materiais e professora da Universidade de Aveiro acumula outras funções de liderança que conjuga diariamente com os papéis que assume naturalmente enquanto mulher. É fácil fazer esta gestão da vida profissional com a vida pessoal?

Não, de forma alguma é fácil.

Esta dificuldade em gerir profissão e vida privada é válida para Homens e Mulheres, apesar de que, numa sociedade em que há tradicionalmente atividades familiares, que são quase exclusivamente do foro feminino, esta dificuldade é agravada. No entanto, há quem o faça melhor e quem o faça pior. Conheço Mulheres, por quem nutro admiração, que são excepcionais nesta área.

No que me diz respeito, há um sentimento, quase constante, de culpa que assiste os meus dias: ou a família ou o trabalho estão ser desconsiderados. Mas para além deste sentimento, uma incapacidade quase nata de usar o “poder do não” e uma constante necessidade de atividade, torna esta gestão ainda mais difícil. Mas ao longo do tempo tenho aprendido a viver com estas “pressões” e tento cada vez mais seguir algumas regras (fáceis de identificar e difíceis de implementar), e que distinguem alguns dos que, com carreiras idênticas à minha, são excelentes. A auto disciplina é fundamental. A capacidade de definir prioridades, de distinguir o que é essencial do que é urgente, e de entender que de forma alguma é possível agradar a todos, ajudam muitíssimo. A minha experiência também me diz que a definição de objetivos a longo prazo, juntamente com a capacidade de adaptação à mudança e a persistência, também ajudam na gestão do dia à dia.

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