Inicio Tags Novo Banco

Tag: Novo Banco

Venda do Novo Banco está quase concluída

Mais de três anos depois da resolução do Banco Espírito Santo (BES), no verão de 2014, e da criação do Novo Banco, parece estar a chegar ao fim um dos capítulos da história deste banco: a venda.

Um processo de avanços e recuos, que levou à suspensão da primeira venda, e, numa segunda fase, terminou com a escolha do fundo Lone Star, que ficará com 75% do Novo Banco, mantendo o Fundo de Resolução (seu único acionista) 25% do capital.

Contudo, a intervenção do Estado neste processo pode estar longe de estar concluída. Inicialmente, para ajudar a capitalizar o Novo Banco, o Estado emprestou ao Fundo de resolução bancário 3.900 milhões de euros. Este fundo – apesar de consolidar nas contas públicas e de ser gerido pelo Banco de Portugal – é detido pelos bancos que operam em Portugal, pelo que lhes caberá a eles devolver o dinheiro ao Estado.

Mas essa devolução será a muito longo prazo. Já este ano, o Governo acordou que os bancos poderão pagar essa dívida em contribuições regulares anuais até 2046. E as responsabilidades do Estado poderão não ficar por aqui. Uma das condições da venda ao Lone Star implica que, durante oito anos, o Fundo de Resolução terá de compensar o Novo Banco por perdas de capital resultantes de um conjunto de ativos ‘tóxicos’, no máximo de 3,89 mil milhões de euros.

Uma vez que não deverá ter dinheiro para injetar no Novo Banco, caso precise, o Fundo de Resolução deverá ter de voltar a pedir um empréstimo ao Estado ou pode financiar-se no setor bancário (provavelmente com garantia de Estado). O BCP meteu recentemente uma ação na Justiça para clarificar esta garantia, já que é dos maiores contribuintes para o Fundo de Resolução.

Por fim, ficou a saber-se, esta quarta-feira, que o Estado português poderá ser chamado colocar mais dinheiro no Novo Banco, caso o banco precise de capital e não haja investidores dispostos a recapitalizá-lo.

Uma venda que ficará na história da banca nacional

Quando foi criado o Novo Banco?

No verão de 2014. Na noite de 3 de agosto desse ano, um domingo de verão, o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, faz a primeira declaração pública ao país. O tema foi o Banco Espírito Santo (BES), que tinha apresentado prejuízos de quase 3,6 mil milhões de euros no primeiro semestre de 2014, os maiores de sempre de um banco em Portugal, e cuja gestão era suspeita de irregularidades.

Aí, anuncia a aplicação de uma medida de resolução ao banco da família Espírito Santo. Ao mesmo tempo, com o objetivo de proteger depositantes e contribuintes, é anunciada a criação do Novo Banco como instituição de transição para ficar com os ativos considerados menos problemáticos do BES.

O único acionista do Novo Banco é o Fundo de Resolução bancário, uma entidade pertencente às instituições financeiras que operam em Portugal (sendo as maiores fatias da Caixa Geral de Depósitos e do BCP, dadas as suas dimensões), mas cuja gestão é feita pelo Banco de Portugal e que consolida nas contas públicas.

O BES desapareceu? 

Não. A entidade BES não terminou no momento da resolução, tendo ficado aí os chamados ‘ativos tóxicos’ do BES, nomeadamente os créditos sobre entidades do Grupo Espírito Santo (GES), em geral de muito difícil recuperação, e filiais, como o BES Angola.

O ‘banco mau’ BES registou prejuízos de 9,2 mil milhões de euros em 2014 e 2,6 mil milhões de euros em 2015. Os resultados de 2016 ainda não são conhecidos. A licença bancária do BES foi revogada pelo Banco Central Europeu (BCE) e esta entidade está agora em liquidação.

Qual o capital social do Novo Banco?

O Novo Banco nasceu capitalizado com 4,9 mil milhões de euros através do Fundo de Resolução bancário. Contudo, como o fundo não tinha dinheiro suficiente para capitalizar o banco, o Estado emprestou-lhe 3,9 mil milhões de euros, que estão a ser pagos pelos bancos que participam no Fundo de Resolução em prestações anuais que se prolongarão por mais 30 anos.

O capital social inicial foi desde logo considerado ‘à pele’ por analistas do setor financeiro, tendo em conta a dimensão e a qualidade de ativos com que ficou. No final de 2015, o Novo Banco seria novamente recapitalizado em 2.000 milhões de euros, com a decisão do Banco de Portugal de transferir obrigações seniores do BES – que inicialmente ficaram no Novo Banco – para o ‘banco mau’ BES. Assim, no total, o Novo Banco foi capitalizado com 6,9 mil milhões de euros.

Qual o posicionamento de mercado do Novo Banco?

O Novo Banco, atualmente liderado por António Ramalho, é dos maiores grupos bancário a operar em Portugal. Enquanto herdeiro de ativos do BES, mantém um enfoque de banca para o setor empresarial.

Em junho de 2017 – últimos dados conhecidos -, o Novo Banco tinha 32,2 mil milhões de euros em crédito a clientes e os depósitos totalizavam 25,4 mil milhões de euros, em ambos os casos abaixo dos valores que tinha em final de 2016 (4,3% e 0,80%, respetivamente).

Desde que foi criado que o Novo Banco tem vindo a passar por processos de reestruturação, tendo já saído mais de 1.500 trabalhadores (através de rescisões por mútuo acordo, reformas antecipadas e despedimento coletivo). No final de junho, últimos dados conhecidos, o Novo Banco tinha 5.321 trabalhadores em Portugal. Já nas operações no estrangeiro tem 385 pessoas.

Quais os resultados do Novo Banco?

Desde a sua criação e até junho de 2017, últimos dados disponíveis, o Novo Banco acumulou prejuízos de 2.527 milhões de euros. Os últimos resultados são do primeiro semestre deste ano, quando teve resultados negativos de 290,3 milhões de euros, uma melhoria face aos 362,6 milhões de euros negativos entre janeiro e junho do ano passado.

Como decorreu o processo de venda do Novo Banco?

A primeira tentativa de venda do Novo Banco arrancou no final de 2014, mas foi cancelada em setembro de 2015, com o Banco de Portugal a considerar que nenhuma proposta apresentada era interessante. Eram então três os interessados, os chineses Anbang e Fosun (que, entretanto, se tornou acionista do BCP) e os norte-americanos da Apollo.

Já no início de 2016 arrancou o segundo processo de venda e a escolha recaiu no Lone Star. A venda do Novo Banco foi um dossiê gerido pelo Banco de Portugal, tendo este contratado o ex-secretário de Estado do governo PSD/CDS-PP Sérgio Monteiro exclusivamente para esse fim, em conjunto com o Ministério das Finanças.

Quem é o Lone Star?

A Lone Star é uma gestora de fundos de ‘private equity’ norte-americana, que lançou o primeiro fundo em 1995 e que investe em diversos setores de atividade (como o imobiliário e a recuperação de crédito, além da própria banca) em diferentes geografias. Em Portugal, a entidade é a dona de quatro centros comerciais Dolce Vita (Porto, Coimbra, Vila Real e Lisboa) e de um empreendimento de Vilamoura (marina e terrenos), que está em processo de venda, segundo a imprensa.

Quais as condições da venda do Novo Banco?

A venda ao Lone Star é referente a 75% do capital social, uma vez que o Fundo de Resolução vai manter os restantes 25%. A venda não implica o pagamento de qualquer preço, tendo o Lone Star acordado injetar 1.000 milhões de euros no Novo Banco para o capitalizar, dos quais 750 milhões entrarão quando o negócio for concretizado e os outros 250 milhões até 2020.

A Lone Star comprometeu-se ainda não retirar dividendos do Novo Banco durante cinco anos, segundo o primeiro-ministro, António Costa. Contudo, o negócio implica um plano de contingência para perdas do Novo Banco, a ser assumido pelo Fundo de Resolução.

Durante oito anos, o Fundo de Resolução fica com a responsabilidade de compensar o Novo Banco por perdas que venham a ser reconhecidas com os chamados ativos ‘tóxicos’ e alienações de operações não estratégicas (caso ponham em causa os rácios de capital da instituição), no máximo de 3,89 mil milhões de euros. O BCP meteu recentemente uma ação na Justiça para clarificar esta garantia, já que é dos maiores contribuintes para o Fundo de Resolução, sendo que – em última análise – o que poderá querer é que seja o Estado ou outra entidade estatal a assumir esta garantia.

Para ter dinheiro para injetar no Novo Banco, caso precise, o Fundo de Resolução deverá voltar a pedir um empréstimo ao Estado ou pode financiar-se no setor bancário. Neste caso deverá contar com garantia de estado, segundo o acordo-quadro que o Governo celebrou com o Fundo de Resolução que garante “a satisfação de eventuais compromissos decorrentes da operação de venda do Novo Banco”.

Já hoje, a propósito da ‘luz verde’ da Comissão Europeia ao plano de reestruturação do Novo Banco, soube-se que o Estado português poderá ser chamado colocar mais dinheiro no Novo Banco, mesmo após a venda ao fundo norte-americano, caso o banco precise de capital e não haja investidores dispostos a recapitalizá-lo.

“Apenas na medida em que surjam necessidades de capital em circunstâncias adversas graves que não possam ser resolvidas pelo Lone Star ou por outros operadores de mercado, Portugal disponibilizará capital adicional limitado”, disse Bruxelas, em comunicado.

Não está, contudo, quantificado até quanto pode ir esta injeção de capital, nem se será o Estado a colocar o dinheiro ou outra entidade, como o Fundo de Resolução, mas é certo que é distinta do mecanismo de contingência que já era conhecido (de até 3,89 mil milhões de euros).

Porque está a demorar a concretização do negócio?

O contrato de promessa de compra e venda foi assinado em março e sete meses depois o negócio ainda não foi concluído.

Desde logo porque foi preciso conseguir as autorizações ao negócio dos reguladores dos países em que o Novo Banco opera e também a ‘luz verde’ do Banco Central Europeu (BCE). Na semana passada foi conhecido que Frankfurt autorizou o Lone Star a comprar o Novo Banco.

Faltava ainda o parecer da Comissão Europeia, que hoje foi conhecido, aprovando o plano de reestruturação que o Lone Star levará a cabo.

Além destas autorizações, o Novo Banco teve de avançar com uma operação de redução do passivo para poupar 500 milhões de euros, o que fez com recompra de dívida própria (com penalização para obrigacionistas).

Mais de 300 emigrantes lesados pelo BES protestam no Novo Banco

Mais de 300 emigrantes, que se queixam de ser lesados pela gestão do resolvido BES, estão hoje a protestar na sede do Novo Banco, em Lisboa, pretendendo ir em seguida para o edifício do Banco de Portugal, na Rua do Ouro.

Cerca de duas dezenas dos emigrantes lesados pelo ex-BES que estão hoje a manifestar-se à porta do Novo Banco, levantaram e empurraram contra a polícia as grades que protegem o edifício.

Após alguns minutos de tensão, o reforço do corpo de intervenção da PSP contrariou a investida e o protesto segue barulhento, mas pacífico.

Helena Batista, vice-presidente da Associação Movimento Emigrantes Lesados Portugueses (AMELP), disse hoje à Lusa os manifestantes estão ali para “mostrar às pessoas que há boa vontade e um compromisso com a administração para – queremos acreditar – encontrar uma solução para todos”.

“Creio que vai chegar a bom porto muito em breve, com estes problemas resolvidos”, salientou.

Aquela responsável informou ainda que os manifestantes vão em seguida protestar junto do edifício do Banco de Portugal na rua do Ouro, em Lisboa, sendo que, entretanto, uma delegação irá ser recebida pela administração do Novo Banco.

Os emigrantes e clientes do ex-BES queixam-se de dois produtos financeiros em que investiram e que ainda não têm solução, tendo investido mais de 140 milhões de euros em “EG Premium” e “Euro Aforro 10”.

A associação que representa os emigrantes lesados do BES revelou terça-feira um entendimento com o Novo Banco e o Governo do PS, que passa pela recuperação de 75% do dinheiro que investiram em produtos Euro Aforro 8, Poupança Plus 1, Poupança Plus 5, Poupança Plus 6, Top Renda 4, Top Renda 5, Top Renda 6 e Top Renda 7.

Contudo, os clientes dos produtos Euro Aforro 10 e EG Premium ainda esperam uma solução que estará ainda a ser trabalhada. As pessoas que aceitarem estas propostas terão de desistir das ações judiciais contra o Novo Banco e seus trabalhadores.

À sede do Novo Banco (ex-BES) chegaram cinco autocarros, com manifestantes, que se juntaram a cerca de uma centena de pessoas que já se encontrava no local, munidos de bandeiras de França e da Suíça, muitos cartazes, apitos, chocalhos e buzinas.

A PSP organizou um grande cordão de segurança em volta do edifício da instituição bancária, com grades reforçadas para prevenir eventual invasão e o trânsito está cortado no troço em que a rua Barata Salgueiro se cruza com a avenida da Liberdade.

Novo Banco: Bruxelas admite que Estado pode manter parte do capital

Numa conferência de imprensa em Bruxelas, Vestager, questionada sobre notícias que apontam para a hipótese de a Comissão permitir que um quarto do capital do Novo Banco se mantenha no setor público, mas sob a condição de o Estado ficar fora da gestão do banco, disse que o executivo comunitário admite estudar alterações ao compromisso inicial (de venda de 100% do Novo Banco), mas salientou que a solução final deve ser “equilibrada”.

“Claro que discutimos com as autoridades portuguesas, como discutimos com outras, se estiverem numa situação em que querem alterar compromissos. A nossa missão é assegurar que as alterações são equilibradas. Por isso, se alguém quer fazer algo, talvez favorecendo uma parte, então é preciso equilibrar isso assumindo compromissos noutra área. Mas o processo ainda está em curso, e é da responsabilidade das autoridades portuguesas garantir a venda”, afirmou.

Recordando que “os compromissos para a venda do Banco datam de há muito” e que “é responsabilidade das autoridades portuguesas garantirem que a venda se concretiza de uma forma justa e transparente”, a comissária da Concorrência indicou que o acompanhamento do lado de Bruxelas visa ajuizar “se os compromissos assumidos são cumpridos e se a entidades daí resultante é viável”.

“Em geral, se alguém que assumiu um compromisso quer alterar esse compromisso, claro que olhamos para a questão para ver como tal seria possível. Fizemo-lo noutras áreas. O que para nós é importante é o resultado final, que a o resultado seja uma entidade viável e que não perturbe a concorrência, porque já foram concedidas ajudas de estado no passado”, reforçou.

Por fim, apontando que “a venda do Novo Banco é, espera-se, o último passo de um processo muito, muito longo”, a comissária escusou-se a entrar “em mais detalhes” sobre os contactos que mantém com as autoridades portuguesas com vista à conclusão deste processo negocial.

Na passada sexta-feira, o ministro das Finanças, Mário Centeno, disse que as negociações para a venda do Novo Banco estão a evoluir a “bom ritmo”, considerando que há “condições para o acordo”, embora ainda não esteja fechado.

“As negociações no âmbito do processo do Novo Banco estão a evoluir a bom ritmo, consideramos que há condições para um acordo”, afirmou Mário Centeno em conferência de imprensa, escusando-se também a dar mais detalhes sobre o assunto.

Desde fevereiro que o Governo está a negociar a venda do Novo Banco em exclusivo com o fundo norte-americano Lone Star.

Já na quinta-feira, o Governador do Banco de Portugal (BdP), Carlos Costa, revelou no parlamento que prosseguem as negociações exclusivas com o fundo norte-americano Lone Star para a venda do Novo Banco, realçando a complexidade do processo.

“A minha esperança é que depois de terminado este processo o banco de transição possa ser considerado um ‘case study’ [caso de estudo] a nível europeu”, afirmou Carlos Costa, sublinhando acreditar que o negócio vai mesmo avançar.

António Ramalho confiante que venda do Novo Banco acontecerá até ao final do ano

Entrevista de verao a Antonio Ramalho , Presidente das Estradas de Portugal . Paulo Ferreira , Jornalista .

O Novo Banco ( ex-BES) é para já detido pelo Fundo de Resolução bancário (gerido pelo Banco de Portugal), e está em processo de venda.

Os nomes dos candidatos não foram revelados publicamente, mas, segundo a imprensa, são os bancos BCP e BPI e os fundos Apollo/Centerbridge, em parceria, e Lone Star, que apresentaram propostas no âmbito do processo de venda direta, enquanto a ‘holding’ China Minsheng se propõe ser acionista do Novo Banco através da opção de venda em mercado.

Também à margem do Fórum da Banca 2016, promovido pelo Jornal Económico, o presidente do Santander Totta, António Vieira Monteiro, disse esperar que o processo de venda do Novo Banco “acabe bem e que entre alguém que pague o suficiente” para não onerar o Fundo de Resolução.

Haitong propôs ao Banco de Portugal solução para o Novo Banco

O ex-BESI terá contactado o Fundo de Resolução dias antes de 30 de junho, a data limite para os grupos que tinham levantado o caderno de encargos de venda do Novo Banco apresentarem ofertas vinculativas.

Ficou acordado que Ricciardi vai regresar ao Banco de Portugal em Setembro para formalizar a proposta.

António Ramalho assume hoje presidência do Novo Banco

António Ramalho assume, a partir de hoje, o cargo de presidente do Conselho de Administração do Novo Banco, sucedendo a Eduardo Stock da Cunha.

O Banco de Portugal (BdP) anunciou, a 12 de junho, que “nomeou, sob proposta do Fundo de Resolução, na qualidade de único acionista do Novo Banco, S.A., o Dr. António Manuel Palma Ramalho para o cargo de presidente do Conselho de Administração do Novo Banco”.

A escolha de António Ramalho, até então presidente do Conselho de Administração da Infraestruturas de Portugal (empresa que resultou da fusão da Estradas de Portugal com a Refer), para o Novo Banco – sucedendo a Eduardo Stock da Cunha – já tinha sido noticiada pela imprensa.

António Ramalho foi presidente do Conselho de Administração da Unicre (2006 a 2010) e membro do Conselho de Administração Executivo do Banco Comercial Português (2010 a 2012).

Já Eduardo Stock da Cunha deixa o Novo Banco, onde estava desde setembro de 2014, para regressar ao britânico Lloyds Banking Group.

O Novo Banco é o banco de transição que resultou da resolução do Banco Espírito Santo (BES), em agosto de 2014, tendo ficado com os ativos e passivos considerados menos problemáticos.

Ainda assim, o banco tem vindo a acumular prejuízos, que foram 980,6 milhões de euros em 2015.

António Ramalho vai assumir a liderança do Novo Banco quando este está em processo de venda, tendo o BdP recebido até final de junho quatro propostas de compra, não tendo divulgado os nomes dos interessados.

A imprensa tem vindo a adiantar que o Santander levantou caderno de encargos mas não apresentou proposta, sendo as instituições que estão na corrida os bancos BCP e BPI e os fundos Apollo/Centerbridge e Lone Star.

O Diário de Notícias noticiou na passada quarta-feira que as negociações com os interessados em comprar o Novo Banco irão derrapar para setembro “devido à complexidade da escolha” entre propostas que têm “naturezas muito diferentes”.

O Banco de Portugal tinha como objetivo concretizar a venda do Novo Banco este verão, depois de o processo ter sido suspenso em setembro do ano passado, sendo que a Comissão Europeia deu mais um ano para o processo ser concluído, até agosto de 2017.

Haitong propôs solução para o Novo Banco à margem do processo de venda

O banco Haitong manifestou interesse no Novo Banco ao Fundo de Resolução, a entidade do Estado que é dona do capital do banco que resultou da resolução do BES, mas apenas para uma solução parcial, à margem do processo de venda que se encontra em curso, noticia o jornal Público.

De acordo com o diário, o presidente do Haitong, José Maria Ricciardi (ex-presidente do BESI), terá manifestado interesse ao Fundo de Resolução ainda antes de terminado o prazo para a apresentação de propostas vinculativas para, juntamente com um grupo de investidores, fazerem uma proposta que lhes daria apenas parte do capital do banco.

José Maria Ricciardi terá mesmo chegado a encontrar-se com Sérgio Monteiro, o ex-secretário de Estado dos Transportes que é responsável pela gestão do processo venda do Novo Banco, onde o presidente do Haitong terá dito que o grupo pretendia promover a entrada de um grupo de investidores no capital do Novo Banco com a subscrição de um aumento de capital entre 1500 e 2000 milhões de euros, dando a este grupo controlo de apenas 30% do Novo Banco. O Estado continuaria a ser dono da maioria do capital do banco.

Segundo o Público, Sérgio Monteiro terá pedido a José Maria Ricciardi para apresentar uma proposta. O responsável do Haitong disse que precisaria de tempo. Os dois responsáveis terão combinado voltar a encontrar-se em Setembro, caso o processo de venda em curso termine sem sucesso.

Decisão sobre Novo Banco atrasa e só será conhecida em setembro

A decisão sobre a venda do Novo Banco só ficará concluída em setembro, avança esta quarta-feira o Diário de Notícias que justifica o atraso — face ao que estava previsto pelo Governo — com a complexidade que está a envolver a escolha entre as quatro propostas tão diferentes que estão neste momento a ser analisadas (da Apollo/Centerbridge, da Lone Star, do BPI e do BCP).

A existência destas quatro propostas de aquisição do banco criado em 2015 para salvar os ativos bons do Banco Espírito Santo (entretanto falido) foi conhecida no final do mês de junho e as negociações deveriam ter ficado fechadas até ao início de agosto, mas o processo atrasou. As propostas estão a ser analisadas “à luz dos critérios de admissibilidade e seleção estabelecidos no caderno de encargos, divulgado no passado mês de abril”, definiu então o Banco de Portugal que está a conduzir este processo em coordenação com o Governo e o Fundo de Resolução.

O processo de venda está a ser liderado pelo secretário de Estado dos Transportes do anterior executivo Sérgio Monteiro que, de acordo com o jornal, tem estado a manter contactos semanais desde a entrega das quatro ofertas sobre o novo Banco, na tentativa de conseguir avançar com o processo rapidamente, evitando a perda de capacidade negocial com o aproximar da data-limite (agosto do próximo ano) para a totalidade do capital do Novo Banco estar vendido. Nesta fase será decidido qual das duas vias vai ser seguida na venda da participação que foi adquirida pelo Fundo de Resolução (no valor de 4,9 milhões de euros, 3,9 injetados pelo estado e os outros mil milhões pela participação do restante sistema financeiro): a venda a investidores estratégicos ou a dispersão de capital em mercado.

“Por cá e em Bruxelas comenta-se que o Governo tenciona integrar o Novo Banco na CGD

A vice-presidente do PSD, Maria Luís Alquerque, fala, num artigo de opinião publicado no Jornal de Negócios, nos “rumores” que existem, em Portugal e em Bruxelas, de que o Governo pretende integrar o Novo Banco na Caixa Geral de Depósitos (CGD) e lança algumas questões, sugerindo que esta integração poderá estar na origem da necessidade de recapitalização da CGD, no valor de quatro mil milhões de euros.

Por cá e em Bruxelas comenta-se que o Governo tenciona integrar o Novo Banco na CGD. E há rumores de que uma recusa de Bruxelas poderia fazer cair o Executivo”, refere a ex-ministra das finanças, acrescentando que “normalmente não há fumo sem fogo…”
E a propósito do “fumo”, lança algumas questões:”O Novo Banco não é público, não pertence ao mesmo dono que a CGD. Seria comprado? A que preço? Seria nacionalizado? Com ou sem indemnização? Será que é intenção do Governo fazer recair o custo da resolução do BES sobre os contribuintes, quando a forma como o processo foi conduzido se destinou precisamente a protegê-los?”.

Maria Luís Albuquerque dedica a maior parte do texto a defender a posição do PSD de avançar com uma comissão de inquérito à CGD, explicando que “é precisamente por o PSD não desconhecer o que se passava até ao final de novembro de 2015” que quer “saber porque é pedido aos portugueses um esforço tão significativo”.

Quanto aos receios já expressos de que esta comissão de inquérito possa “fragilizar a CGD”, a deputada social-democrata responde que esse argumento é “estranho”. “Mas o que é que não se sabe já? Que capitais privados fugiriam da CGD (não tem capitais privados)? Que cotação da CGD cairia em bolsa, se não está cotada? Ou seriam os depositantes a retirar os seus depósitos? Para colocar onde, quando a CGD tem sido o principal beneficiário com as preocupações que surgiram no passado relativamente a outros bancos? E, sobretudo, como é que a especulação e a falta de transparência podem contribuir mais para a solidez e reputação de um banco do que o seu escrutínio sério e democrático?”

BCP pode estar na corrida à compra do Novo Banco

O BCP está a participar do processo de venda do Novo Banco, avançou esta terça-feira o Jornal de Negócios. O grupo de Nuno Amado terá assinado um acordo de confidencialidade para fazer parte do “data room”, processo no qual se dá acesso às informações detalhadas contidas no sistema de consulta de dados financeiros de um banco.

De acordo com a publicação, a participação do BCP na corrida à compra do Novo Banco já terá sido aceite pelos assessores financeiros da operação, o Deutsche Bank e o JP Morgan. Contudo, a Comissão Europeia ainda não se manifestou sobre a participação do banco na compra, uma vez que o BCP está proibido de fazer aquisições por ter recebido ajuda do governo. A proibição pode ser levantada apenas se for autorizada pela Direção-Geral da Concorrência europeia, pelo ministro das Finanças e pelo Banco de Portugal.

Segundo explica o Jornal de Negócio, o objetivo da compra do Novo Banco pelo BCP é o fato do grupo de Nuno Amado ser o segundo banco mais exposto ao banco de transição, motivo pelo qual o empresário defende a presença de um candidato português no processo.

O “data room” foi aberto a 9 de maio e também terá como potenciais interessados o Santander e o CaixaBank. Nesta etapa, os candidatos podem reunir-se com assessores do BCP para esclarecer dúvidas sobre a informação financeira do Novo Banco. Já as instituições que gostavam de posicionar-se como investidores de referência na alienação em bolsa acedem apenas a informação pública do banco.

Está previsto para junho o recebimento das propostas de compra. Apenas após 23 de junho, quando se realiza o referendo sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia, será definido o modelo final de venda do banco.

Social Media

0FãsGosto
113SeguidoresSeguir

EMPRESAS

Tecnologia