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Filme rodado em Portugal é o candidato do Brasil aos Óscares

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“O grande circo místico”, coproduzido com a portuguesa Fado Filmes, conta a história de cinco gerações de uma família ligada às artes circenses, de 1910 até hoje.

O elenco inclui atores como o francês Vincent Cassel, os brasileiros António Fagundes e Mariana Ximenes e os portugueses Albano Jerónimo e Nuno Lopes.

O filme tem estreia marcada em Portugal para 03 de janeiro de 2019.

A 91.ª cerimónia de entrega dos Óscares está marcada para 24 de fevereiro de 2019.

LUSA

La La Land – Melodia de Amor, o mais nomeado

Os Óscares querem-se assim: com surpresas q.b., mas sem surpresas por aí além. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood anunciou ao princípio da tarde as nomeações para a cerimónia 2017 dos seus prémios, que serão entregues a 27 de Fevereiro, e à cabeça do pelotão surge o filme que todos esperavam ser o líder do ano: La La Land – Melodia de Amor, o musical nostálgico de Damien Chazelle que se estreia esta quinta-feira em Portugal, recebeu 14 nomeações em todas as categorias principais, incluindo melhor filme, melhor actor (Ryan Gosling), melhor actriz (Emma Stone) e melhor realização, e igualando os recordes de Titanic, de James Cameron, e de Eva, de Joseph L. Mankiewicz.

Seguem-se, com oito nomeações, Moonlight, de Barry Jenkins, e O Primeiro Encontro, de Denis Villeneuve, e, com seis, Manchester by the Sea, de Kenneth Lonergan, O Herói de Hacksaw Ridge, de Mel Gibson, e Lion – O Longo Caminho para Casa, de Garth Davis. Meryl Streep recebeu a sua 20.ª nomeação para um Óscar por Florence, Uma Diva Fora de Tom, partilhando a nomeação com Isabelle Huppert (Ela), Ruth Negga (Loving), Natalie Portman (Jackie) e Emma Stone. Para melhor actor foram nomeados Casey Affleck (Manchester by the Sea), Andrew Garfield (O Herói de Hacksaw Ridge), Ryan Gosling, Viggo Mortensen (Capitão Fantástico) e Denzel Washington (Vedações).

É habitual, embora não seja obrigatório, que os prémios de Melhor Filme e Melhor Realizador sejam entregues ao mesmo filme; Denzel Washington, Garth Davis, Theodore Melfi e David Mackenzie não estão nomeados para melhor realizador, o que coloca os seus filmes em desvantagem.

Sem surpresas, dois filmes confirmaram o favoritismo dos últimos meses: Moonlight, o filme de Barry Jenkins sobre a entrada na idade adulta de um jovem negro (estreia a 2 de Fevereiro), recebeu oito nomeações; Manchester by the Sea, a história de um homem solitário forçado a regressar a casa pela morte do irmão (já em exibição), seis citações. É aqui, no entanto, que a narrativa 2017 começa a mostrar surpresas: O Primeiro Encontro, o drama de ficção científica de Denis Villeneuve, recebeu oito nomeações, entre as quais Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Argumento Adaptado –  a Academia não tem por hábito nomear ou premiar “filmes de género”.

Com seis nomeações, encontramos O Herói de Hacksaw Ridge, baseado na história real de um objector de consciência na Segunda Guerra Mundial, e Lion, sobre um jovem indiano adoptado por um casal australiano. As nomeações para o filme de Mel Gibson são uma espécie de “liberdade condicional” do purgatório a que as controvérsias que o rodearam haviam condenado aquele que foi um dos maiores astros de Hollywood nos anos 1990; a presença de Lion confirma que o distribuidor Harvey Weinstein, “rei” das nomeações para os Óscares nos anos 1990 e 2000, continua a ter trunfos na manga.

As cinco nomeações para Melhor Actor têm três nomes esperados: Casey Affleck, Ryan Gosling e Denzel Washington por Vedações, adaptação de uma peça de August Wilson da qual é também o realizador. Têm também uma grande surpresa –  Viggo Mortensen, pelo pouco visto Capitão Fantástico de Matt Ross – e uma pequena – Andrew Garfield, nomeado por O Herói de Hacksaw Ridge em vez de por Silêncio de Martin Scorsese. Este é, aliás, o grande derrotado destas nomeações, confirmando que a Academia parece só gostar do cineasta quando ele faz filmes “de estúdio”: apesar de ter recebido as melhores críticas de um filme de Scorsese em anos, Silêncio apenas foi nomeado para melhor fotografia.

Para Melhor Actriz, a par das aguardadas Natalie Portman (por Jackie, biografia de Jacqueline Kennedy que chega às salas no próximo dia 9 de Fevereiro) e Emma Stone (La La Land), três surpresas. A maior é Isabelle Huppert, por Ela, de Paul Verhoeven, pois é raro uma actriz ser nomeada por um filme que não é uma produção americana, mas as presenças de Ruth Negga (por Loving de Jeff Nichols) e, na sua 20.ª nomeação para os Óscares, de Meryl Streep (por Florence, uma Diva Fora de Tom, de Stephen Frears) eram vistas como improváveis. De fora, por exemplo, ficaram as actrizes de Elementos Secretos, sobre as matemáticas negras que trabalharam para o programa espacial americano nos anos 60 – só Octavia Spencer foi nomeada para Melhor Actriz Secundária, num filme que era um dos favoritos, mas se ficou apenas por três nomeações – ou Annette Bening, considerada favorita por Mulheres do Século XX, de Mike Mills – reduzido à citação para argumento original.

Este ano há um recorde de nomeações para actores negros: Denzel Washington para melhor actor, Ruth Negga para melhor actriz, Mahershala Ali como melhor actor secundário (por Moonlight) e, na categoria de melhor actriz secundária, Viola Davis por Vedações, Naomie Harris por Moonlight e Octavia Spencer em Elementos Secretos. Este último, Moonlight e Vedações são filmes sobre a experiência negra nos EUA, mais do que compensando a ausência de O Nascimento de uma Nação, o controverso filme de Nate Parker sobre uma revolta negra histórica contra a escravatura revelado em Sundance 2016, posicionado desde o início para dominar os Óscares, mas que, na sequência de uma polémica envolvendo acusações de violação feitas ao realizador, literalmente morreu na praia e não recebeu uma única nomeação.

Também Loving, de Jeff Nichols, sobre a história verídica de um casal no Sul americano nos anos 60 que desafiou as leis sobre o casamento entre brancos e negros, se limitou à nomeação de Ruth Negga para melhor actriz. Este é o único dos filmes nomeados para as principais categorias a não ter estreia prevista para o nosso país. A experiência negra está igualmente presente nas nomeações para documentário: I Am Not Your Negro, de Raoul Peck, sobre o pioneiro escritor e pensador negro James Baldwin, O. J. Made in America, de Ezra Edelman, sobre a vida de O. J. Simpson, e 13th, de Ava du Vernay, sobre a desigualdade racial no sistema prisional americano. Pormenor importante é que estes dois últimos são produções televisivas – O. J., com quase oito horas de duração, foi feito para o canal ESPN, e 13th é uma produção da Netflix (estando, inclusive, disponível em Portugal para visionamento). Os outros documentários nomeados são Fogo no Mar, do italiano Gianfranco Rosi, sobre a crise dos refugiados, e Life, Animated, de Roger Ross Williams, sobre o modo como as animações da Disney ajudam um jovem autista a navegar o mundo.

Uma pequena surpresa é a presença de Hell or High Water – o western moderno do escocês David Mackenzie surge com quatro nomeações, incluindo melhor filme, melhor actor secundário (Jeff Bridges) e melhor argumento original. Outra é a ausência da Pixar nas nomeações de animação – as cinco longas nomeadas incluem duas produções da Disney, Moana e Zootrópolis, a co-produção do Studio Ghibli The Red Turtle, o filme francês Ma vie de courgette e a animação fotograma a fotograma Kubo e as Duas Cordas. O estúdio de John Lasseter surge apenas nomeado na categoria de curta-metragem por Piper, a curta que surgia em complemento de À Procura de Dory.

Os nomeados para melhor filme estrangeiro são O Vendedor, do iraniano Asghar Farhadi, Toni Erdmann, de Maren Ade (que chega às nossas salas a 16 de Fevereiro), o dinamarquês Land of Mine, de Martin Zandvliet, o sueco A Man Called Ove, de Hannes Holm, e o australiano Tanna, de Martin Butler e Bentley Dean.

“Spotlight” e “O Renascido” venceram Óscares mas quem ganhou foi a polémica

A grande surpresa dos Óscares foi reservada para o final: “O Caso Spotlight” foi coroado com o Óscar de Melhor Filme.

Ao prémio principal, juntou apenas o de argumento original, o que faz do filme sobre a investigação jornalística dos abusos sexuais no seio da Igreja Católica de Boston o primeiro desde “Grande Hotel”, em 1932, a ser o vencedor com apenas dois Óscares.

Apesar de ter sido considerado um forte candidato, era “The Revenant: O Renascido”, que tinha 12 nomeações, que parecia reunir o consenso nas últimas semanas.

Numa cerimónia que não primou por grandes inovações de encenação, o facto de se ter alterado a ordem de entrega dos prémios, começando pelos argumentos e seguindo a ordem natural da produção de um filme, ajudou a manter o ritmo, tal como a determinação da produção em impor com mão de ferro o limite dos 45 segundos para os discursos: praticamente todos os premiados foram “expulsos” ao som da música.

O único que falou muito mais do que era permitido sem ser admoestado foi Leonardo DiCaprio, realeza de Hollywood finalmente coroada pelos Óscares, que fez um dos melhores discursos da noite, mas o contrário é que seria de espantar: era um dos prémios mais previsíveis, tal como os das atrizes Brie Larson e Alicia Vikander, respetivamente por “Quarto” e “A Rapariga Dinamarquesa”.

A relativa surpresa acabou por ser a distinção de Mark Rylance como secundário por “A Ponte dos Espiões” quando se esperava que triunfasse o sentimentalismo do regresso de Sylvester Stallone como Rocky Balboa em “Creed”.

Se Hollywood distinguiu um filme com uma “mensagem importante” como era “O Caso Spotlight”, também não esqueceu o caráter visionário dos filmes com mais nomeações.

“Mad Max: Estrada da Fúria” confirmou o domínio nas categorias técnicas e ganhou seis Óscares em 10 possíveis, o dobro do segundo mais premiado, “The Revenant:  O Renascido”, que para além de DiCaprio, valeu o Óscar da realização pela segunda vez consecutiva a Alejandro González Iñárritu, um feito que não acontecia há 65 anos, e o terceiro também consecutivo de fotografia a Emmanuel Lubezki.

As vitórias de “O Filho de Saul” como Melhor Filme Estrangeiro e “Inside Out” na Animação, bem como de Ennio Morricone pela banda sonora de “Os Oito Odiados”, também eram esperadas.

Já os Efeitos Visuais para “Ex Machina”, que teve um orçamento de 15 milhões de dólares, terem ultrapassado os dos colossos “Star Wars: O Despertar da Força”, “Perdido em Marte”, “Mad Max” e “The Revenant: O Renascido”, pode ser considerado um desfecho surpreendente, mas não tanto como o Óscar de Melhor Canção ter ido parar a Sam Smith por “007 -Spectre” e não a Diane Warren e Lady Gaga.

Ainda assim, Lady Gaga protagonizou o momento mais comovente do espetáculo com mais de três horas e meia ao interpretar a canção “Til It Happens to You” rodeada de vítimas de abusos sexuais, o tema do documentário “The Hunting Ground”.

Chris Rock e a polémica #OscarsSoWhite

O que era esperado é que se trataria de uma cerimónia dominada pelo tema da falta de diversidade em Hollywood, em especial a situação dos atores negros.

Repetindo o papel pela segunda vez depois da estreia em 2005, Chris Rock não teve uma atuação com piadas especialmente memoráveis, mas assumiu provavelmente o registo certo para abordar a questão que ensombrou os Óscares deste ano, o que lhe deverá valer elogios da crítica e dos espectadores de um país ainda marcado por profundas tensões raciais.

Entre piadas mais ligeiras, nomeadamente ao dizer que não valia de nada ceder aos apelos para boicotar a cerimónia, racionalizando que “eles vão ter os Óscares à mesma, a última coisa que preciso é de perder outro trabalho para Kevin Hart”, o comediante sempre foi recordando no seu monólogo que as diferenças de tratamento estão longe de se limitar à meca do cinema.

Ao referir que as pessoas não protestavam contra os Óscares durante o tempo do Movimento das Liberdades Civis nos anos 1960 “porque tínhamos coisas a sério para protestar na altura”, Rock acrescentou que “estávamos demasiado ocupados a ser violados e linchados para nos preocuparmos com quem ganhou Melhor Fotografia. Quando a vossa avó está a balançar de uma árvore, é realmente difícil preocuparmo-nos com a melhor curta de documentário estrangeiro”, o que recebeu como resposta o riso nervoso da audiência no Teatro Dolby.

Naturalmente menos controverso do que nos seus espetáculos ao vivo, esta terá sido a piada mais extrema, a par de “Este ano as coisas vão ser um pouco diferentes. Na montagem ‘In Memoriam’ [que homenageia as pessoas que o cinema perdeu], vamos só ter negros que foram mortos pelos polícias quando iam a caminho do cinema”.

Ainda assim, Chris Rock reservou uma resposta devastadora para Jada Pinkett Smith, que disse que ia faltar à cerimónia por não estarem nomeados artistas negros.

“Jada a boicotar os Óscares é como eu a boicotar as calcinhas da Rihanna. Não fui convidado! Percebo porque está zangada. Não estou a odiar… a Jada está zangada porque o seu homem Will não foi nomeado por ‘A Força da Verdade’  . Eu percebo… não é justo que o Will tenha sido tão bom e não foi nomeado. Tem razão. O que também não é justo é o Will ter recebido 20 milhões por ‘Wild Wild West'”.

Óscares: Conhecida pré-lista de nomeados, Portugal novamente de fora

Mesmo com a trilogia das ‘Mil e uma Noites’, de Miguel Gomes; e ‘Montanha’, de João Salaviza, Portugal volta a estar de fora da pré-lista de candidatos ao óscar de melhor filme estrangeiro.

Estes dois trabalhos lusos, ambos destacados em publicações como o Guardian ou a New Yorker, a academia não os incluiu na lista do galardão a atribuir ao melhor cinema estrangeiro.

Além disso, a listagem foi reduzida a nove candidatos, dos oitenta submetidos pelos diversos países de origem, noticia a Comunidade Cinéfila Portuguesa. Esta ‘corrida’ está, no entanto, dividida em duas fases de votação, e a primeira já é conhecida.

Entre os 9 pré-conhecidos, sete deles são oriundos da Europa, aos quais se juntam uma película brasileira e outra da América do Sul. Entre os excluídos, o destaque vai para a obra brasileira ‘Que Horas Ela Volta?’ e o muito aclamado ‘A Pigeon Sat On A Branch Reflecting On Existence’, oriundo da Suécia.

Confira os nove pré-candidatos a melhor filme estrangeiro:
‘The Brand New Testament’, Jaco Van Dormael – Bélgica
‘Embrace of the Serpent’, Ciro Guerra – Colômbia
‘A War’, Tobias Lindholm – Dinamarca
‘The Fencer’, Klaus Haro – Finlândia
‘Mustang’, Deniz Gamze Erguven – França
‘Labyrinth of Lies’, Giulio Ricciarelli – Alemanha
‘Son of Saul’, Laszlo Nemes – Hungria
‘Viva’, Paddy Breathnach – Irlanda
‘Theeb’, Naji Abu Nowar – Jordânia

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