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Pedrógão Grande: Aviso para candidaturas de empresas afetadas deve abrir na sexta-feira

Este aviso destina-se às empresas afetadas pelos incêndios que deflagraram em Pedrógão Grande e Góis, a 17 de junho, e vai permitir dar um apoio de 85% a fundo perdido que pode ser usado “para comprar máquinas, equipamentos, reconstrução, grandes reparações e equipamentos informáticos”, disse à agência Lusa a presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), Ana Abrunhosa.

Deste apoio ficam excluídas “empresas que exploram a floresta e a agricultura”, com exceção dos casos da indústria transformadora da madeira, que também ficam incluídos neste aviso.

Segundo Ana Abrunhosa, haverá um adiantamento de 25% após a aprovação da candidatura na CCDRC, para que as empresas tenham mais capacidade para fazerem encomendas de material que ficou destruído.

“É um regime muito simples, com um formulário simples”, sublinhou.

De empresa a empresa, será apurada a cobertura por parte do seguro, sendo que o prejuízo será determinado pela avaliação dos peritos das seguradoras e, nos casos em que não há esta avaliação, a própria CCDRC disponibiliza um técnico para fazer esse levantamento, aclarou.

Segundo Ana Abrunhosa, o pedido de reprogramação do programa comunitário deve ser enviado ainda hoje ou na sexta-feira para Bruxelas, sendo que, a partir do momento em que é registado o pedido formal de reprogramação, deverá ser aberto o aviso para a submissão de candidaturas.

A reprogramação só deverá estar aprovada por Bruxelas em setembro, mas tal não impede a CCDRC de lançar o aviso, “aprovar candidaturas, fazer adiantamentos e pedidos de pagamento”.

Se a candidatura “estiver bem instruída” e já tiver a avaliação dos prejuízos feita por um perito, a aprovação deverá demorar apenas alguns dias.

“Daremos a maior prioridade” a estas candidaturas, cujo aviso vai ser aberto sem prazo para fechar, realçou.

Ana Abrunhosa falava à agência Lusa antes de uma ação de sensibilização junto de empresas, na Câmara de Pedrógão Grande.

Também na sexta-feira, a CCDRC vai dinamizar uma ação semelhante na Câmara de Figueiró dos Vinhos, às 10:00, estando ainda a ser agendada a ação na Castanheira de Pera.

Ao mesmo tempo que são promovidas estas sessões, a CCDRC está “simultaneamente a realizar reuniões individuais com empresas” da zona afetada, acrescentou.

Dois grandes incêndios começaram no dia 17 de junho em Pedrógão Grande e Góis, tendo o primeiro provocado 64 mortos e mais de 200 feridos. Foram extintos uma semana depois.

Estes fogos terão afetado aproximadamente 500 habitações, 169 de primeira habitação, 205 desegunda e 117 já devolutas. Quase 50 empresas foram também afetadas, assim como os empregos de 372 pessoas.

Os prejuízos diretos dos incêndios ascendem a 193,3 milhões de euros, estimando-se em 303,5 milhões o investimento em medidas de prevenção e relançamento da economia.

Mais de dois mil operacionais estiveram envolvidos no combate às chamas que consumiram 53 mil hectares de floresta, o equivalente a cerca de 75 mil campos de futebol.

Já começaram as primeiras obras na reconstrução das casas em Pedrógão Grande

Numa visita à zona afetada pelas chamas, é possível observar casas ardidas onde o único sinal de intervenção são as lonas de proteção onde antes estavam telhados, que arderam ou colapsaram.

No entanto, algumas pequenas obras em casas afetadas pelas chamas já arrancaram, como é o caso de uma habitação no Vale da Nogueira, cuja intervenção, por ser até cinco mil euros, permitiu uma maior celeridade do processo.

Ali, a empresa de construção civil de João Antunes, sediada em Pobrais, Pedrógão Grande, removeu portas e janelas que ficaram queimadas, substituíram por outras e pintaram as paredes, que estavam enegrecidas pelo fumo e fogo que entrou dentro da casa.

A proprietária está, por enquanto, em casa do filho, mas com “mais uma semana de trabalho” já deverá ser possível regressar à sua casa, explicou o construtor civil.

Durante as últimas semanas, João Antunes tem recebido muitos pedidos de orçamento na zona das freguesias da Graça e de Vila Facaia.

“Precisávamos de mais mão-de-obra para combater esta situação”, notou o empresário, que até já fez um apelo nas redes sociais a pedir pedreiros para ajudar nas obras.

Pedro Costa, responsável de outra empresa de construção civil de Pedrógão Grande, com dez trabalhadores, arrancou na quarta-feira pequenos trabalhos de reabilitação numa casa perto de Vila Facaia, desta feita no âmbito de uma parceria com a Mota Engil, que se predispôs a garantir a reconstrução de duas casas afetadas pelo incêndio.

“Penso que não vamos ter mão-de-obra que chegue para fazer a requalificação destas aldeias”, disse, considerando que “vai haver muito trabalho nos próximos meses”, visto que há muitas “casas a precisar de reconstrução total”.

Da casa de Manuel Luís, na Coelheira, Figueiró dos Vinhos, só escapou um anexo, onde tem a cozinha e uma casa de banho. Tudo o resto ardeu.

De improviso, colocou uma “camita” à beira da lareira da cozinha e é lá que tem vivido à espera da reabilitação da sua casa, que neste caso será assegurada pela Misericórdia de Lisboa.

Pelo quintal, já anda uma máquina a fazer limpeza e vê-se um monte de tijolos partidos – restos da casa onde viveu toda a sua vida.

O quintal – o seu trabalho – desapareceu: “as batatas, feijão couve, pingo de azeite, vinho, foi tudo”, conta.

Olhar para casa onde só se veem cacos e coisas queimadas “dá um bocado de tristeza”, mas ver os trabalhos de limpeza a começar já dá “outro ânimo”, salientou.

No entanto, é difícil olhar para o futuro com alguma confiança.

“Não tenho de onde ele venha. Só se fizer alguma coisa por mim”, realça Manuel Luís, de 63 anos.

Alzira Quevedo foi a única habitante da Barraca da Boavista, na freguesia da Vila Facaia, a perder a casa.

“Perdi tudo. Fiquei com a roupa do corpo. Hortaliça, gatos, cães, coelhos, galinhas, pitos, ficou lá tudo carbonizado”, lamenta a mulher de 76 anos, que por agora faz-se valer da ajuda da “prima de uma prima”, que deu casa à habitante da Barraca da Boavista e ao seu marido.

“Aqui estamos assim. No resto da nossa vida, que devíamos ter um ‘aconchegozinho’ – estrebuchámos para isso – vimo-nos sem nada, desamparados. Temos muita gente amiga, é verdade, mas não tenho o que mais falta me faz, que é a minha casa e o meu carro”, sublinha Alzira, que até agora não recebeu qualquer pessoa a informá-la de como vai decorrer a reconstrução da sua casa.

A um primo seu já lhe disseram “que tinha de ser uma casa nova”, mas nunca mais soube de nada, frisa.

“Não sei quando começam, se começam, não sei de nada. Ainda ninguém veio ter comigo dizer que é assim, desta maneira ou daquela. Nada. Está tudo parado”, afirmou à agência Lusa Alzira Quevedo, sublinhando que o casal já reformado não tem possibilidades de pagar a reconstrução, que “algum tostãozito” que tinham “lá ardeu”.

“Da minha idade, o meu futuro já vai ser muito escuro. Os mais novos já têm outra atividade, mas a gente começa a desmoralizar com isto, muito, muito. Mas há de ser o que Deus quiser, não é?”, disse Alzira.

LUSA

Empresário oferece 30 mil árvores para Pedrógão Grande

“O objetivo passa pela integração de 20 a 30 mil árvores folhosas sem custos e plantadas no terreno”, disse hoje à agência Lusa, José Gameiro, ainda a propósito do incêndio que começou naquele concelho e que provocou a morte a 64 pessoas, além de mais de 200 feridos.

O empresário da Silvapor já encetou contactos com empresas francesas ligadas ao setor, que demonstraram “vontade de fazer algo” pela região de Pedrógão Grande, sobretudo ao nível da reflorestação do concelho.

“Há a possibilidade de ter árvores de floresta para plantar, sendo que serão oferecidas e plantadas”, explicou.

O empresário aproveitou hoje a presença em Pedrógão Grande para iniciar contactos formais com o município local, através do vice-presidente José Antunes Graça, a quem transmitiu a ideia, sendo que irá, brevemente, fazer o mesmo com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC).

O desafio está lançado, sendo que agora é preciso concertar com as entidades responsáveis o trabalho de planeamento.

Pedrógão Grande: donativos aplicados na construção de casas e criação de emprego

Há ainda “várias empresas que estão a contactar a União das Misericórdias Portuguesas para doar bens” à população afetada pelos incêndios florestais, adiantou a mesma fonte.

Numa altura em que decorre a fase final do levantamento das necessidades mais prementes da população, o “grupo de trabalho de emergência”, criado pela UMP, definiu que “os fundos solidários angariados deverão, prioritariamente, apoiar a recuperação de imóveis de habitação permanente”.

Os donativos também serão aplicados na criação de “condições para o fomento de emprego que contribuam, a médio prazo, para evitar a desertificação das localidades afetadas e para o desenvolvimento regional e local”, segundo o “modelo de intervenção e de apoio” definido pelo grupo de trabalho, “para responder à catástrofe que assolou as comunidades do centro do país”.

“Todos os donativos angariados serão investidos no apoio direto às famílias afetadas pelos incêndios florestais”, reiterou em comunicado o presidente da UMP, Manuel de Lemos, garantido que serão “extremamente rigorosos e transparentes com cada cêntimo doado”.

Nesse sentido, “iremos criar uma plataforma digital de consulta pública de todos os donativos angariados”, anunciou Manuel de Lemos.

A UMP, juntamente com a Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação Montepio, a Sonae Sierra e a associação de solidariedade Just a Change, está a trabalhar em estreita articulação com os serviços da Segurança Social, a Autoridade Nacional de Proteção Civil e as Câmaras Municipais e Misericórdias de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Góis, Pampilhosa da Serra, Sertã e Penela.

Para a intervenção local dos trabalhos, foi nomeada uma Comissão Executiva que conta com os provedores das localidades afetadas e dos +residentes dos secretariados regionais da UMP de Leiria e Coimbra.

“Face ao impacto desta tragédia”, a UMP vai também apoiar a Administração Regional de Saúde Centro, através da mobilização de especialistas de saúde, como psicólogos, médicos e enfermeiros, para darem resposta imediata às necessidades da população.

O incêndio que deflagrou em Escalos Fundeiros, em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, alastrou a Figueiró dos Vinhos e a Castanheira de Pera, fazendo 64 mortos e mais de 200 feridos.

As chamas chegaram ainda aos distritos de Castelo Branco, através do concelho da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra e por Penela.

Este fogo, juntamente com outro que deflagrou no mesmo dia em Góis, que alastrou a Arganil, terão afetado aproximadamente 500 habitações, 169 de primeira habitação, 205 de segunda e 117 já devolutas.

Quase 50 empresas foram também afetadas, assim como os empregos de 372 pessoas.

Depois das cinzas, nasce um pequeno jardim ao lado do tanque que salvou vidas em Pedrógão Grande

Gabriela Silva, de Pedrógão Grande, agarrava numa enxada e ajudava a criar um pequeno jardim ao lado do tanque de Nodeirinho, que no domingo já ia ganhando forma, com alecrim, alfazema, lavanda ou sardinheiras.

Da vila, trouxe uma “carrada de arbustos e flores” para dar “um bocadinho de verde a uma paisagem que é uma tristeza”.

“Vê-se tudo queimado, tudo cheio de cinzas. As plantas são para dar ânimo e esperança para que as pessoas se consigam reerguer”, diz à agência Lusa Gabriela, que andou a distribuir pela população plantas que o seu pai tinha.

António Santos, de 45 anos, viajou de Lisboa com alfazema, sardinheiras e alecrim, a pedido da sua prima, Dina Duarte, que vive naquela aldeia do concelho de Pedrógão Grande, distrito de Leiria, umas das mais atingidas pelo incêndio que provocou a morte a 64 pessoas.

“Quis trazer um bocado de verde à paisagem cinzenta e preta”, conta António, enquanto planta mais um alecrim junto ao tanque. “Têm bom cheiro”, nota António, que brincava naquela zona quando era pequeno.

A habitante de Nodeirinho Dina Duarte diz que, mais importante do que alimentação, é a aldeia voltar a ter as suas hortas, “que ficaram todas queimadas”.

“Tragam alface, alho francês, couves, sementes, plantinhas, flores, arbustos, para dar cor a isto. Está demasiado monocromático”, pede, apontando para os montes onde se vê a terra negra e as árvores queimadas.

Dina, técnica do centro de emprego de Figueiró dos Vinhos, sublinha que o retorno à terra é premente, por haver muita gente que vive da agricultura de subsistência, mas também pela relação forte que as gentes das pequenas povoações afetadas têm com a terra.

“A terra é o entretém”, sublinha, referindo que já lançou o repto aos seus amigos para lhe enviarem árvores ou sementes em outubro, “que é quando vem a chuva” e é quando poderão replantar os quintais.

Querem oliveiras, sobreiros, marmeleiros, cerejeiras, figueiras, macieiras, pereiras, castanheiros e nogueiras.

No entanto, para Dina Duarte, a alegria só virá na primavera, quando for possível “voltar a ver tudo novamente florido, espero”.

Perto do tanque, deverá surgir também um memorial às vítimas do incêndio, que começa a ser desenhado na cabeça do artista e jardineiro João Carvalho, mais conhecido por João ‘Viola’, que espera entretanto colocar o projeto em ação.

“Ver um bocadinho de verde é um sinal de que as coisas vão retomar”, realça Eugénio Santos, a morar em Nodeirinho desde 2006.

Pela aldeia pacata, onde dantes passavam meia dúzia de carros por dia, há agora um movimento de pessoas – muitas delas autênticos desconhecidos para os locais – que aqui param para trazer algumas coisas, “falar e dar um abraço”.

O habitante de 60 anos contabiliza pessoas de vários pontos do país, que por ali passaram a dar apoio.

“Sabe tão bem quando chega aqui alguém – uma pessoa que nem conhecemos – e que fala connosco e que nos dá um abraço. Que continuem a passar por cá para um abraço e dois dedos de conversa”, comenta Eugénio, que diz que o que vai valendo a Nodeirinho é os abraços de estranhos e o verde que vai despontando pela terra queimada.

Governo não autorizará novas plantações de eucaliptos

Na abertura da interpelação do PEV ao Governo que hoje decorre no parlamento sobre “Floresta e desertificação do mundo rural”, Capoulas Santos explicou que o Governo não pretende “pôr em causa a importância que o eucalipto tem, pelo emprego que representa, pelas exportações que representam”, mas sim “discipliná-lo” porque “é possível, com menos área, ter mais matéria para a indústria”.

“Entendemos que o que está plasmado no programa do Governo, na sequência da negociação que fizemos então com Os Verdes, no sentido de travar a expansão do eucalipto é possível e necessário e a legislação vai nesse sentido: não se autorizarão novas plantações de eucalipto em Portugal, a não ser com a única exceção de transposição de áreas que estão ecologicamente mal localizadas e que não são economicamente rentáveis, para áreas ordenadas, ecologicamente adequadas e naturalmente mais produtivas”, disse.

O ministro da Agricultura recordou que o Governo deu “o primeiro passo para uma profunda reforma da floresta em Portugal” e “apresentou um pacote de 12 diplomas, que está agora em fase final de discussão”.

“Discussão para o qual o Governo convoca todos os deputados, com total disponibilidade para fazer as concessões que forem necessárias até ao seu limite para que consigamos um pacto de regime para uma matéria tão importante como esta”, apelou.

Capoulas Santos sublinhou ainda que o executivo socialista avançou “com um projeto de cadastro simplificado para fazer em 30 meses aquilo que o país espera há décadas que se faça”.

“O governo está aberto a todas as sugestões. Foram apresentadas sugestões que pensamos que são passíveis de ser acolhidas, que vão um pouco mais além, apresentadas pelo BE, no sentido de que possa existir, por exemplo, nas áreas ordenadas e nos perímetros que estão a ser geridos e ordenados, que se possa ter uma atitude mais coerciva relativamente aqueles que, dentro desses perímetros, insistem em manter esse património ao abandono”, enfatizou.

Segundo o ministro da tutela, “no ordenamento florestal o Governo pretende ir o mais longe que é possível”.

“É uma questão que está em aberto. O Governo recebeu algumas sugestões no sentido que a fiscalização e a aprovação não fiquem sediadas ao nível municipal, mas que possam subir para o nível imediatamente acima, as CIM. É uma hipótese que estamos disponíveis para avaliar”, referiu.

Portugal está de luto

O número de pessoas que morreram no incêndio florestal que deflagrou no sábado em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, aumentou para 63, disse hoje o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses. A última vítima mortal confirmada é um bombeiro que estava internado em estado grave no hospital de Coimbra. O bombeiro, que pertencia à corporação de Castanheira de Pera, era casado, tinha 40 anos, era casado e um filho.

Visivelmente emocionado, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses explicou que a vítima mortal tinha sido internada com ferimentos no rosto e queimaduras nas vias aéreas, adiantando ainda que era um dos bombeiros que se deslocava numa viatura no Itinerário Complementar 8 (IC8) que colidiu com um veículo ligeiro de civis e que tentaram salvar a vida dos outros, dando a própria vida.

Horas antes, Luís Meira, presidente do INEM, indicou que, dos 135 feridos. Com esta atualização, o número de feridos é de 134, seis em estado grave: quatro bombeiros voluntários e dois civis.

A maior parte dos feridos são ligeiros, tendo 28 necessitado de recorrer ao hospital. Os restantes receberam assistência no local.

Segundo Luís Meira, os psicólogos do INEM, apoiados por profissionais da Cruz Vermelha Portuguesa, autarquias e Proteção Civil, realizaram 354 intervenções.

No local encontram-se 32 elementos do INEM, apoiados por dez viaturas.

O comandante operacional da Proteção Civil disse hoje, no primeiro balanço do dia dos fogos florestais que lavram nos distritos de Leiria, Castelo Branco e Coimbra, que a situação se mantém difícil mas que o combate às chamas está a decorrer de forma favorável.

Elísio Oliveira admitiu, contudo, a possibilidade de novas complicações no combate às chamas, uma vez que os meios aéreos não estão de momento a operar, devido às condições atmosféricas. Em causa está a falta de visibilidade no local.

“É uma situação que se mantém difícil, mas começamos por valorizar o empenho de todos os combatentes. O combate evolui favoravelmente nos três distritos afetados, Coimbra, Leiria e Castelo Branco. Muitos dos setores deste teatro de operações já estão dominados, muitos deles em fase de rescaldo […]”, afirmou Elísio Oliveira.

O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses apelou esta segunda-feira, 19 de junho, à população que suspenda, por enquanto, a dádiva de bens alimentares e medicamentos, na sequência do incêndio que deflagrou sábado em Pedrógão Grande, por terem já “todos os ‘stocks’ lotados”. Continuam abertas as contas e linhas solidárias. Veja como pode ajudar nesta fase e, pelo contrário, se precisa de ajuda, saiba a quem recorrer.

O Governo decretou três dias de luto nacional, até terça-feira.

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Pedrógão Grande: Tudo o que já se sabe de uma das maiores tragédias

O número de vítimas mortais no incêndio que deflagrou na tarde de sábado em Pedrógão Grande não para de subir. São já 62 as vítimas mortais, civis, pelo menos 47 das quais apanhados pelas chamas quando circulavam por estradas.

O “cenário é horrível”, descreve o secretário de Estado da Administração Interna. Famílias inteiras encontradas mortas, carbonizadas, dentro dos carros onde tentaram fugir ao fogo.

Este é o incêndio mais mortífero das últimas décadas em Portugal e o Governo já anunciou que serão decretados três dias de luto nacional. Para além disso, António Costa também já fez saber que as escolas serão encerradas e os exames nacionais dos estudantes locais serão adiados.

Numa mensagem ao país, esta noite, Marcelo Rebelo de Sousa falou na necessidade de o país se manter unido como um só. “Nos instantes mais difíceis da nossa vida como nação, somos como um só, por Portugal”, disse, referindo que esta tragédia lhe deixa com um sentimento de “injustiça”.

Há ainda a registar 62 feridos, incluindo bombeiros, e centenas de desalojados, com muitas casas ardidas. Fonte da GNR descreveu ao Notícias ao Minuto um cenário marcado por aldeias que foram totalmente queimadas.

O incêndio mantém quatro frentes ativas, duas das quais com extrema violência. Um cenário dantesco, filmado por quem fugia do local e fotografado pelos fotojornalistas. A ministra da Administração Interna fez saber também que a frente ativa em Pedrógão Grande já entrou no concelho de Castelo Branco, mais precisamente na Sertã.

A maior parte das aldeias de Figueiró dos Vinhos está cercada pelas chamas e os habitantes estão a ser encaminhados para “zonas seguras” na sede do concelho.

Dezenas de pessoas que fugiram das suas casas sob ameaça das chamas foram acolhidas por populares na freguesia de Avelar, em Ansião, onde está em curso uma operação logística com alimentação e alojamento.

Por outro lado, existem muitos que estão a resistir na tentativa de proteger os seus bens. Relativamente a estes, Constança Urbano de Sousa afirmou que “as populações não podem resistir. Qualquer resistência às ordens das autoridades não é admissível. As pessoas têm de ser colocadas em segurança. A vida humana tem de ser salvaguardada em primeiro lugar”.

O presidente da Câmara de Castanheira de Pera, Fernando Lopes um dos concelhos do distrito de Leiria afetados pelo incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande, descreveu a situação que se vive como “caótica” e “catastrófica”.

As operações mobilizam cerca 880 operacionais,  275 veículos e dez meios aéreos. Foram ainda acionados aviões de Espanha e França, que se disponibilizaram a apoiar Portugal.

Está ainda no local uma equipa de desastres de massa do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses (INMLCF) e várias equipas da Polícia Judiciária. Caberá a estes operacionais analisar o local identificar as vítimas.

Tudo aponta que as chamas tenham começado devido às trovoadas secas registadas na zona no início da tarde de sábado, fenómeno que promete voltar a repetir-se este domimgo.

O diretor nacional da Polícia Judiciária confirma esta tese e afasta qualquer indício de origem criminosa. Diz que foi encontrada a árvore onde tudo terá começou, atingida por um raio.

Abraços de Marcelo, perguntas por responder

Marcelo Rebelo de Sousa esteve na noite passada em Pedrógão Grande e abraçou todos aqueles que encontrou. Deixou as condolências às famílias das vítimas e uma palavra de “gratidão e conforto” a todos os que estão envolvidos no combate ao incêndio.

“Penso que nada falhou”, disse o presidente da Liga dos Bombeiros, Jaime Marta Soares, sublinhando que foi possível encontrar no posto de comando em Pedrógão Grande uma “grande capacidade de organização e de estratégia”.

O comandante operacional da Proteção Civil nacional, Rui Esteves, disse hoje que os meios de combate a incêndios enviados para Pedrógão Grande no sábado foram “claramente” os adequados.

Para garantir a segurança das populações, há várias estradas nacionais e municipais cortadas. Porque não estava cortada a via onde tantas pessoas perderam a vida, na estrada nacional que liga Figueiró a Castanheira de Pera?

“O trânsito estava cortado”, garantiu este domingo o secretário de Estado da Administração Interna Jorge Gomes, “mas nós enquanto condutores nem sempre cumprimos as regras de trânsito”. Além disso, as vítimas podem ter usado vias secundárias para chegar à estrada em questão.

A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, defendeu que “o momento é de dor e de pesar” pelas vítimas, assegurando que depois será feita uma avaliação do que aconteceu.

O PS, o PSD e o CDS cancelaram as suas agendas políticas para hoje e o vice-presidente da Assembleia da República, Jorge Lacão, manifestou em nome de todo o parlamento condolências às famílias das vítimas.

A nível internacional, Portugal faz notícia. O Papa Francisco reza pelas vítimas, a Casa Real de Espanha, Macron e Tsipras expressaram solidariedade por Portugal e Juncker sublinhou “bravura” dos bombeiros portugueses.

O comissário europeu para a Ajuda Humanitária, Christos Stylianides, anunciou  que a União Europeia está pronta ajudar Portugal, tendo já sido enviados aviões de combate a incêndios pelo Mecanismo de Proteção Civil europeu.

Também a população está ser desafiada a ajudar. Entre campanhas online, angariação de fundos e pedidos de transferências bancárias são várias as formas disponíveis para dar o contributo e ajudar os que foram afetados por esta tragédia.

Personalidades bem conhecidas do público, como André Villas-Boas ou Salvador Sobral, também já anunciaram o seu apoio à causa, através da doação de valores monetários. Já a Uber vai disponibilizar esta segunda-feira veículos à borla para reunir bens que serão posteriormente entregues aos bombeiros de Lisboa e do Porto.

A onda de solidariedade foi tão grande, que a ministra da Administração Interna veio, à noite, apelar para que se suspenda a doação de bens alimentares, uma vez que o excesso de bens doados está a criar problemas de logística.

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