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Mais de 100 casas afetadas pelos incêndios de Pedrógão já foram reconstruídas

Numa audição no parlamento, requerida pelo CDS-PP, João Paulo Catarino disse ainda que as habitações que faltam reconstruir “estarão adjudicadas aos respetivos empreiteiros e estarão em obras, provavelmente, até ao final do ano”, “com exceção de meia dúzia” que têm outros problemas e que não poderão ser já intervencionadas.

Refutando as acusações dos deputados do PSD Álvaro Batista e Maurício Marques de que “nada foi feito” no apoio à população afetada pelo incêndio de 17 de junho em Pedrógão Grande (Leiria), o responsável da UMVI apresentou dados concretos, concluindo que “alguma coisa se tem feito em Pedrógão Grande”.

“Das 264 casas que foram afetadas no incêndio de Pedrógão Grande, que têm uma estimativa de cerca de 9,7 milhões de euros de intervenção, mais de 100 destas intervenções estão concluídas e estão entregues aos proprietários”, declarou João Paulo Catarino, explicando que as obras implicam projetos e licenciamentos e indicando que “mais de uma centena de casas” necessitam de reconstruções totais.

No âmbito do restabelecimento do potencial agrícola, “foram apoiados até agora 2.090 agricultores, num montante de 3,222 milhões de euros”, verba que já foi distribuída aos agricultores da zona afetada pelo incêndio de 17 de junho, “com exceção de 583 mil euros” que se destinam a concelhos que não são do fundo REVITA [Fundo de Apoio às Populações e à Revitalização das Áreas Afetadas pelos incêndios ocorridos em junho de 2017] e que vão ser pagos durante esta semana com dinheiro da Fundação Calouste Gulbenkian e da União das Misericórdias.

De acordo com o coordenador da UMVI, foram já apoiadas 24 empresas, com um investimento de 22,3 milhões de euros, e estão atualmente aprovados 15,4 milhões de euros para repor as infraestruturas e os equipamentos municipais afetados pelo incêndio de junho.

Em relação à estabilização de emergência no pós-incêndio, as entidades que apresentaram candidaturas neste âmbito viram aprovados contratos e projetos no valor de 10,3 milhões de euros, avançou João Paulo Catarino, adiantando que estas entidades “estão em condições” de trabalhar, nomeadamente na limpeza dos caminhos.

“O ideal é que tivessem sido mais céleres, mas temos que ter consciência que isto obedece a vários passos”, advogou o responsável em relação às medidas de apoio à estabilização de emergência após o incêndio de Pedrógão Grande.

Os incêndios que deflagraram na zona de Pedrógão Grande, distrito de Leiria, e Góis, distrito de Coimbra, a 17 de junho, provocaram 66 mortos: a contabilização oficial assinalou 64 vítimas mortais, mas houve ainda registo de uma mulher que morreu atropelada ao fugir das chamas e uma outra que estava internada desde então, em Coimbra, e que morreu em 29 de novembro.

Do incêndio resultaram ainda mais de 250 feridos.

LUSA

Pedrógão Grande: maioria das casas ainda não têm um tijolo colocado

“Aquelas que são a esmagadora maioria [das casas] ainda não têm um tijolo colocado”, denunciou hoje o líder parlamentar social-democrata, Hugo Soares, que falava aos jornalistas após uma reunião, em Vila Facaia, com a associação de vítimas do grande incêndio de 17 de junho em Pedrógão Grande.

Para o líder parlamentar, o Estado demitiu-se da sua função, salientando que a maioria das pessoas ainda não têm a sua casa de primeira habitação recuperada.

“Deve-se perguntar ao Estado quantos cêntimos aqui colocou” na reconstrução das casas, disse, sublinhando que o Estado não pode acorrer às pessoas “só através da solidariedade”.

Hugo Soares notou que “há algumas montras para mostrar e fazer propaganda política à custa da solidariedade de outros”, fazendo alusão à visita do primeiro-ministro a algumas das casas já reconstruídas.

O líder parlamentar social-democrata considerou ainda que há “uma total descoordenação no terreno” da resposta de apoio psicológico às populações.

Hugo Soares reuniu-se hoje com uma associação florestal em Álvares, concelho de Góis, e com a associação das vítimas, em Pedrógão Grande, tendo feito a visita acompanhado de uma comitiva de deputados social-democratas.

Em Góis, as atenções do líder parlamentar do PSD recaíram sobre as ações na floresta no pós-incêndio, defendendo que o parqueamento da madeira seja assumido pelo Estado e que este coordene essa recolha no terreno, exigindo ainda que o executivo assuma um papel na estabilização dos solos afetados pelos incêndios.

Hugo Soares, que falava após uma reunião com a associação florestal de Góis, referiu que tinha sido anunciado pelo Governo que iam ser construídos “um conjunto de parques” para a madeira queimada, “mas em lado nenhum as pessoas ouviram falar disso e não há equipamento desse género” no terreno.

No início do mês, foi anunciada uma linha de crédito que poderia ser utilizada por organizações de produtores florestais, municípios e outras entidades para criarem parques para a madeira queimada, sendo que também foi já anunciado financiamento que poderia ser utilizado pelas autarquias para a estabilização de emergência dos solos.

Questionado pela agência Lusa, o líder parlamentar do PSD afirmou que deveria ser o Estado a “responder” nos dois casos, recordando o exemplo da Galiza, em que “teve uma intervenção imediata, no que diz respeito à erosão das encostas”.

LUSA

Familiares de vítimas dos incêndios protestam no parlamento

O parlamento debate hoje o relatório da Comissão Técnica Independente (CTI) sobre os incêndios que começaram em 17 de junho e duraram duas semanas.

Os fogos estenderam-se a concelhos vizinhos, provocando ainda numerosos danos materiais em habitações e empresas em Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Góis, Pampilhosa da Serra, Sertã e Penela.

A maior parte das vítimas mortais perderam a vida na tentativa de fuga às chamas pela estrada nacional 236, mas este relatório eleva o número para 65, contabilizando como vítima mortal uma mulher que foi atropelada na ocasião.

Pedrógão Grande: Ministra da Administração Interna reafirma que não se demite

“Não vou pedir a demissão, senhor deputado”, disse ao deputado centrista Nuno Magalhães num debate no parlamento, pedido pelo PSD, sobre o relatório técnico independente sobre os incêndios de junho que provocaram a morte de mais de 60 pessoas e que na quinta-feira foi conhecido.

Como o PS e os partidos de esquerda, a ministra afirmou que ainda não foi possível examinar com profundidade o relatório, o que impede um “debate sério”, mas admitiu que houve falhas e que num Conselho de Ministros extraordinário, no dia 21, serão tiradas conclusões.

No debate o PSD pediu por várias vezes que o Governo peça desculpas aos portugueses sobre o que aconteceu em junho passado em Pedrógão Grande, com o CDS-PP a pedir a demissão de Constança Urbano de Sousa.

Acusações e explicações sobre os fundos destinados a Pedrógão Grande

O incêndio de Pedrógão Grande assolou o país. Aquele 17 de junho trágico apanhou todos desprevenidos, com as chamas a deflagrarem e a tomarem conta do território sem que houvesse meios suficientes para travar a força da Natureza. Perderam-se 64 vidas, foram registados mais 250 feridos e o país uniu-se em prol da causa.

Os portugueses, particulares e empresas, contribuíram para fundos solidários com o intuito de ajudar as vítimas do incêndio e, após as declarações do presidente da Câmara Municipal de Pedrógão Grande, Valdemar Alves, a grande questão é: Onde está o dinheiro e para que foi utilizado?

Foi na antena da RTP que o autarca garantiu que há um “mau estar” no que toca à distribuição de bens, já que Estado e ONG’s estão a ajudar mas muitas vezes falta coordenação, o que leva a que umas pessoas a recebam várias vezes e outras acabem por ficar prejudicadas.

O autarca chegou mesmo a sugerir que o “Banco de Portugal [deve] informar o Ministério Público destas contas, para saber onde é que esse dinheiro foi”.

As reações não se fizeram esperar, primeiro o presidente de Castanheira de Pera, Fernando Lopes, confirmou a falta de canalização dos apoios e garantiu que não sabe do dinheiro dos fundos solidários. Porém, realçou que não tem conhecimento de “contas solidárias fraudulentas”.

A nível político, Assunção Cristas foi das primeiras a reagir, frisando que as juntas de freguesia estão “completamente postas à margem de todo este processo” e que existe uma “grande queixa em relação à forma como não têm sido envolvidos no terreno e na ajuda às populações, de forma que eles próprios [presidente de junta] não têm como explicar que ajudas estão a ser organizadas no terreno”.

Teresa Morais também pediu explicações, desta feita dirigidas ao Governo, ressalvando que “cumpre ao Governo, que entendeu criar um fundo público, gerido por uma entidade pública e tutelado pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, explicar cabalmente aos portugueses que valores são estes, onde estão os restantes donativos, quem os está a gerir e em que termos”.

A vice-presidente do PSD acusou ainda o Governo de revelar “total descoordenação e incapacidade” em gerir os donativos privados que os portugueses juntaram para as vítimas do incêndio.

O caso levou ontem o Presidente da República a pedir esclarecimentos para que os portugueses percebam o que está em cima da mesa. “Penso que é útil que quem de direito esclareça os portugueses sobre uma matéria que me foi explicada a mim no dia 17 de agosto, mas acho que deve ser explicado aos portugueses. Só uma parte dos fundos é que é gerida pelo Estado e a outra parte é gerida por outra entidades sociais por escolha da sociedade civil. E acho que era bom se explicassem aos portugueses quem gere o quê”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

E o líder do PSD, Passos Coelho, também questionado sobre o assunto que marca o momento, foi perentório, embora não se alargando muito: “O Governo não tem de dar explicações sobre aquilo que não está à sua guarda. Tem de dar explicações sobre aquilo que está à sua guarda”.

O líder social-democrata garantiu que não está em causa nenhuma “guerrilha partidária”, mas que, numa “sociedade madura, em que é suposto o Governo gerir com transparência estas matérias, é absolutamente natural que havendo dúvidas sobre estas questões que elas sejam colocadas e cabe ao Governo explicá-las”.

A resposta do Governo surgiu por parte do próprio chefe do Executivo, que garantiu que “é bom termos esta oportunidade para esclarecer que a maior parte dos fundos não foram recebidos pelo Estado”.

Para que as dúvidas sejam devidamente esclarecidas, o primeiro-ministro pediu a um membro do Governo que o quadro do fundo Revita seja publicado, para que seja esclarecido o montante em causa e para que foi canalizado.

Perante as acusações, Costa garantiu ainda que as manifestações de verbas para entrar no fundo Revita atingiram os 4,9 milhões de euros, mas que o valor recebido foi de 1,9 milhões.

Pedrógão Grande: Aviso para candidaturas de empresas afetadas deve abrir na sexta-feira

Este aviso destina-se às empresas afetadas pelos incêndios que deflagraram em Pedrógão Grande e Góis, a 17 de junho, e vai permitir dar um apoio de 85% a fundo perdido que pode ser usado “para comprar máquinas, equipamentos, reconstrução, grandes reparações e equipamentos informáticos”, disse à agência Lusa a presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), Ana Abrunhosa.

Deste apoio ficam excluídas “empresas que exploram a floresta e a agricultura”, com exceção dos casos da indústria transformadora da madeira, que também ficam incluídos neste aviso.

Segundo Ana Abrunhosa, haverá um adiantamento de 25% após a aprovação da candidatura na CCDRC, para que as empresas tenham mais capacidade para fazerem encomendas de material que ficou destruído.

“É um regime muito simples, com um formulário simples”, sublinhou.

De empresa a empresa, será apurada a cobertura por parte do seguro, sendo que o prejuízo será determinado pela avaliação dos peritos das seguradoras e, nos casos em que não há esta avaliação, a própria CCDRC disponibiliza um técnico para fazer esse levantamento, aclarou.

Segundo Ana Abrunhosa, o pedido de reprogramação do programa comunitário deve ser enviado ainda hoje ou na sexta-feira para Bruxelas, sendo que, a partir do momento em que é registado o pedido formal de reprogramação, deverá ser aberto o aviso para a submissão de candidaturas.

A reprogramação só deverá estar aprovada por Bruxelas em setembro, mas tal não impede a CCDRC de lançar o aviso, “aprovar candidaturas, fazer adiantamentos e pedidos de pagamento”.

Se a candidatura “estiver bem instruída” e já tiver a avaliação dos prejuízos feita por um perito, a aprovação deverá demorar apenas alguns dias.

“Daremos a maior prioridade” a estas candidaturas, cujo aviso vai ser aberto sem prazo para fechar, realçou.

Ana Abrunhosa falava à agência Lusa antes de uma ação de sensibilização junto de empresas, na Câmara de Pedrógão Grande.

Também na sexta-feira, a CCDRC vai dinamizar uma ação semelhante na Câmara de Figueiró dos Vinhos, às 10:00, estando ainda a ser agendada a ação na Castanheira de Pera.

Ao mesmo tempo que são promovidas estas sessões, a CCDRC está “simultaneamente a realizar reuniões individuais com empresas” da zona afetada, acrescentou.

Dois grandes incêndios começaram no dia 17 de junho em Pedrógão Grande e Góis, tendo o primeiro provocado 64 mortos e mais de 200 feridos. Foram extintos uma semana depois.

Estes fogos terão afetado aproximadamente 500 habitações, 169 de primeira habitação, 205 desegunda e 117 já devolutas. Quase 50 empresas foram também afetadas, assim como os empregos de 372 pessoas.

Os prejuízos diretos dos incêndios ascendem a 193,3 milhões de euros, estimando-se em 303,5 milhões o investimento em medidas de prevenção e relançamento da economia.

Mais de dois mil operacionais estiveram envolvidos no combate às chamas que consumiram 53 mil hectares de floresta, o equivalente a cerca de 75 mil campos de futebol.

Já começaram as primeiras obras na reconstrução das casas em Pedrógão Grande

Numa visita à zona afetada pelas chamas, é possível observar casas ardidas onde o único sinal de intervenção são as lonas de proteção onde antes estavam telhados, que arderam ou colapsaram.

No entanto, algumas pequenas obras em casas afetadas pelas chamas já arrancaram, como é o caso de uma habitação no Vale da Nogueira, cuja intervenção, por ser até cinco mil euros, permitiu uma maior celeridade do processo.

Ali, a empresa de construção civil de João Antunes, sediada em Pobrais, Pedrógão Grande, removeu portas e janelas que ficaram queimadas, substituíram por outras e pintaram as paredes, que estavam enegrecidas pelo fumo e fogo que entrou dentro da casa.

A proprietária está, por enquanto, em casa do filho, mas com “mais uma semana de trabalho” já deverá ser possível regressar à sua casa, explicou o construtor civil.

Durante as últimas semanas, João Antunes tem recebido muitos pedidos de orçamento na zona das freguesias da Graça e de Vila Facaia.

“Precisávamos de mais mão-de-obra para combater esta situação”, notou o empresário, que até já fez um apelo nas redes sociais a pedir pedreiros para ajudar nas obras.

Pedro Costa, responsável de outra empresa de construção civil de Pedrógão Grande, com dez trabalhadores, arrancou na quarta-feira pequenos trabalhos de reabilitação numa casa perto de Vila Facaia, desta feita no âmbito de uma parceria com a Mota Engil, que se predispôs a garantir a reconstrução de duas casas afetadas pelo incêndio.

“Penso que não vamos ter mão-de-obra que chegue para fazer a requalificação destas aldeias”, disse, considerando que “vai haver muito trabalho nos próximos meses”, visto que há muitas “casas a precisar de reconstrução total”.

Da casa de Manuel Luís, na Coelheira, Figueiró dos Vinhos, só escapou um anexo, onde tem a cozinha e uma casa de banho. Tudo o resto ardeu.

De improviso, colocou uma “camita” à beira da lareira da cozinha e é lá que tem vivido à espera da reabilitação da sua casa, que neste caso será assegurada pela Misericórdia de Lisboa.

Pelo quintal, já anda uma máquina a fazer limpeza e vê-se um monte de tijolos partidos – restos da casa onde viveu toda a sua vida.

O quintal – o seu trabalho – desapareceu: “as batatas, feijão couve, pingo de azeite, vinho, foi tudo”, conta.

Olhar para casa onde só se veem cacos e coisas queimadas “dá um bocado de tristeza”, mas ver os trabalhos de limpeza a começar já dá “outro ânimo”, salientou.

No entanto, é difícil olhar para o futuro com alguma confiança.

“Não tenho de onde ele venha. Só se fizer alguma coisa por mim”, realça Manuel Luís, de 63 anos.

Alzira Quevedo foi a única habitante da Barraca da Boavista, na freguesia da Vila Facaia, a perder a casa.

“Perdi tudo. Fiquei com a roupa do corpo. Hortaliça, gatos, cães, coelhos, galinhas, pitos, ficou lá tudo carbonizado”, lamenta a mulher de 76 anos, que por agora faz-se valer da ajuda da “prima de uma prima”, que deu casa à habitante da Barraca da Boavista e ao seu marido.

“Aqui estamos assim. No resto da nossa vida, que devíamos ter um ‘aconchegozinho’ – estrebuchámos para isso – vimo-nos sem nada, desamparados. Temos muita gente amiga, é verdade, mas não tenho o que mais falta me faz, que é a minha casa e o meu carro”, sublinha Alzira, que até agora não recebeu qualquer pessoa a informá-la de como vai decorrer a reconstrução da sua casa.

A um primo seu já lhe disseram “que tinha de ser uma casa nova”, mas nunca mais soube de nada, frisa.

“Não sei quando começam, se começam, não sei de nada. Ainda ninguém veio ter comigo dizer que é assim, desta maneira ou daquela. Nada. Está tudo parado”, afirmou à agência Lusa Alzira Quevedo, sublinhando que o casal já reformado não tem possibilidades de pagar a reconstrução, que “algum tostãozito” que tinham “lá ardeu”.

“Da minha idade, o meu futuro já vai ser muito escuro. Os mais novos já têm outra atividade, mas a gente começa a desmoralizar com isto, muito, muito. Mas há de ser o que Deus quiser, não é?”, disse Alzira.

LUSA

Empresário oferece 30 mil árvores para Pedrógão Grande

“O objetivo passa pela integração de 20 a 30 mil árvores folhosas sem custos e plantadas no terreno”, disse hoje à agência Lusa, José Gameiro, ainda a propósito do incêndio que começou naquele concelho e que provocou a morte a 64 pessoas, além de mais de 200 feridos.

O empresário da Silvapor já encetou contactos com empresas francesas ligadas ao setor, que demonstraram “vontade de fazer algo” pela região de Pedrógão Grande, sobretudo ao nível da reflorestação do concelho.

“Há a possibilidade de ter árvores de floresta para plantar, sendo que serão oferecidas e plantadas”, explicou.

O empresário aproveitou hoje a presença em Pedrógão Grande para iniciar contactos formais com o município local, através do vice-presidente José Antunes Graça, a quem transmitiu a ideia, sendo que irá, brevemente, fazer o mesmo com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC).

O desafio está lançado, sendo que agora é preciso concertar com as entidades responsáveis o trabalho de planeamento.

Pedrógão Grande: donativos aplicados na construção de casas e criação de emprego

Há ainda “várias empresas que estão a contactar a União das Misericórdias Portuguesas para doar bens” à população afetada pelos incêndios florestais, adiantou a mesma fonte.

Numa altura em que decorre a fase final do levantamento das necessidades mais prementes da população, o “grupo de trabalho de emergência”, criado pela UMP, definiu que “os fundos solidários angariados deverão, prioritariamente, apoiar a recuperação de imóveis de habitação permanente”.

Os donativos também serão aplicados na criação de “condições para o fomento de emprego que contribuam, a médio prazo, para evitar a desertificação das localidades afetadas e para o desenvolvimento regional e local”, segundo o “modelo de intervenção e de apoio” definido pelo grupo de trabalho, “para responder à catástrofe que assolou as comunidades do centro do país”.

“Todos os donativos angariados serão investidos no apoio direto às famílias afetadas pelos incêndios florestais”, reiterou em comunicado o presidente da UMP, Manuel de Lemos, garantido que serão “extremamente rigorosos e transparentes com cada cêntimo doado”.

Nesse sentido, “iremos criar uma plataforma digital de consulta pública de todos os donativos angariados”, anunciou Manuel de Lemos.

A UMP, juntamente com a Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação Montepio, a Sonae Sierra e a associação de solidariedade Just a Change, está a trabalhar em estreita articulação com os serviços da Segurança Social, a Autoridade Nacional de Proteção Civil e as Câmaras Municipais e Misericórdias de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Góis, Pampilhosa da Serra, Sertã e Penela.

Para a intervenção local dos trabalhos, foi nomeada uma Comissão Executiva que conta com os provedores das localidades afetadas e dos +residentes dos secretariados regionais da UMP de Leiria e Coimbra.

“Face ao impacto desta tragédia”, a UMP vai também apoiar a Administração Regional de Saúde Centro, através da mobilização de especialistas de saúde, como psicólogos, médicos e enfermeiros, para darem resposta imediata às necessidades da população.

O incêndio que deflagrou em Escalos Fundeiros, em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, alastrou a Figueiró dos Vinhos e a Castanheira de Pera, fazendo 64 mortos e mais de 200 feridos.

As chamas chegaram ainda aos distritos de Castelo Branco, através do concelho da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra e por Penela.

Este fogo, juntamente com outro que deflagrou no mesmo dia em Góis, que alastrou a Arganil, terão afetado aproximadamente 500 habitações, 169 de primeira habitação, 205 de segunda e 117 já devolutas.

Quase 50 empresas foram também afetadas, assim como os empregos de 372 pessoas.

Depois das cinzas, nasce um pequeno jardim ao lado do tanque que salvou vidas em Pedrógão Grande

Gabriela Silva, de Pedrógão Grande, agarrava numa enxada e ajudava a criar um pequeno jardim ao lado do tanque de Nodeirinho, que no domingo já ia ganhando forma, com alecrim, alfazema, lavanda ou sardinheiras.

Da vila, trouxe uma “carrada de arbustos e flores” para dar “um bocadinho de verde a uma paisagem que é uma tristeza”.

“Vê-se tudo queimado, tudo cheio de cinzas. As plantas são para dar ânimo e esperança para que as pessoas se consigam reerguer”, diz à agência Lusa Gabriela, que andou a distribuir pela população plantas que o seu pai tinha.

António Santos, de 45 anos, viajou de Lisboa com alfazema, sardinheiras e alecrim, a pedido da sua prima, Dina Duarte, que vive naquela aldeia do concelho de Pedrógão Grande, distrito de Leiria, umas das mais atingidas pelo incêndio que provocou a morte a 64 pessoas.

“Quis trazer um bocado de verde à paisagem cinzenta e preta”, conta António, enquanto planta mais um alecrim junto ao tanque. “Têm bom cheiro”, nota António, que brincava naquela zona quando era pequeno.

A habitante de Nodeirinho Dina Duarte diz que, mais importante do que alimentação, é a aldeia voltar a ter as suas hortas, “que ficaram todas queimadas”.

“Tragam alface, alho francês, couves, sementes, plantinhas, flores, arbustos, para dar cor a isto. Está demasiado monocromático”, pede, apontando para os montes onde se vê a terra negra e as árvores queimadas.

Dina, técnica do centro de emprego de Figueiró dos Vinhos, sublinha que o retorno à terra é premente, por haver muita gente que vive da agricultura de subsistência, mas também pela relação forte que as gentes das pequenas povoações afetadas têm com a terra.

“A terra é o entretém”, sublinha, referindo que já lançou o repto aos seus amigos para lhe enviarem árvores ou sementes em outubro, “que é quando vem a chuva” e é quando poderão replantar os quintais.

Querem oliveiras, sobreiros, marmeleiros, cerejeiras, figueiras, macieiras, pereiras, castanheiros e nogueiras.

No entanto, para Dina Duarte, a alegria só virá na primavera, quando for possível “voltar a ver tudo novamente florido, espero”.

Perto do tanque, deverá surgir também um memorial às vítimas do incêndio, que começa a ser desenhado na cabeça do artista e jardineiro João Carvalho, mais conhecido por João ‘Viola’, que espera entretanto colocar o projeto em ação.

“Ver um bocadinho de verde é um sinal de que as coisas vão retomar”, realça Eugénio Santos, a morar em Nodeirinho desde 2006.

Pela aldeia pacata, onde dantes passavam meia dúzia de carros por dia, há agora um movimento de pessoas – muitas delas autênticos desconhecidos para os locais – que aqui param para trazer algumas coisas, “falar e dar um abraço”.

O habitante de 60 anos contabiliza pessoas de vários pontos do país, que por ali passaram a dar apoio.

“Sabe tão bem quando chega aqui alguém – uma pessoa que nem conhecemos – e que fala connosco e que nos dá um abraço. Que continuem a passar por cá para um abraço e dois dedos de conversa”, comenta Eugénio, que diz que o que vai valendo a Nodeirinho é os abraços de estranhos e o verde que vai despontando pela terra queimada.

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