Inicio Tags Procurement

Tag: Procurement

APCADEC organiza congresso nacional de Procurement com grande participação

Que importância  assume o Procurement nas empresas?

Os termos “Compras” e “Procurement” são amplamente utilizados, mas qual é a diferença entre Procurement e Compras? Por compras entende-se as atividades operacionais e de suporte à função de Procurement, a qual acrescenta, a estas, as atividades estratégicas de gestão que contribuem para a maximização de resultados financeiros das organizações.

Pedro Galhardas, Managing Director responsável pela Accenture Strategy em Portugal, explica que o Procurement ganhou relevância através da crise e que, na perspetiva da APCADEC, as áreas do Procurement tiveram que se reinventar a partir daí. E de que forma o digital permite a mudança no Procurement? A APCADEC procurou, neste evento anual, dar resposta a esta e outras questões relacionadas com os desafios deste processo.

Como potenciar a eficácia e a eficiência do Procurement com o digital; os desafios e oportunidades da atração e gestão de talento humano; novas fases do Procurement: digitalização e robotização; ou ainda o impacto das tecnologias e inovação nas necessidades e processos de Compras, foram alguns dos temas em debate no evento que teve como oradores CEO´s, diretores e representantes de empresas que, a par do debate destes temas, apresentaram alguns dos seus serviços e soluções inovadoras na área do Procurement.

 

O que eles dizem…

César Pestana

Presidente da eSPap

“Hoje o Procurement deixou de ser uma função administrativa e faz parte integrante dos negócios, com uma grande envolvência de gestão de projetos. Deste modo, a ideia principal da minha intervenção procurou relacionar-se com a componente estratégica da função do comprador e a perspetiva estratégica da função de compras, bem como a importância da profissionalização do comprador. A função de compras tem de deixar de ser vista como uma função meramente operacional e transacional e focar-se numa visão de carácter estratégico para acrescentar valor, fazendo a análise de custos-benefícios para as organizações. Queremos deixar o desafio para se encontrar a forma de alcançar estes objetivos e contribuir para o desenvolvimento da carreira do comprador”.

Diogo Santos

Deloitte, Responsável pela área de supply chain e sócio de Procurement

“Já acompanho estes eventos há cerca de seis anos e diria que têm vindo a evoluir naquilo que são as temáticas. Este evento

em particular tem uma qualidade de oradores que ultrapassa as expectativas. São painéis diversificados, com pessoas de diferentes áreas e países. Neste evento pela primeira vez há um painel internacional, o que é algo inovador”.

Luís Ferreira

Prof. Universitário da Universidade de Coimbra

“É muito importante que a APCADEC faça este tipo de iniciativas de uma forma tão sustentada, contribuindo para a evolução do Procurement enquanto carreira. A adesão ao evento foi incrível e relativamente ao painel que moderei, posso dizer que foi polémico, mas ainda bem que assim foi. As perguntas que fui fazendo foram exatamente nesse sentido. O painel foi bastante diversificado e passou ideias diferentes, apesar de, aparentemente, estarem em discordância.

Porém, ainda há a necessidade de chamar a atenção para algumas coisas básicas como a questão do inglês. Ainda não se fala suficientemente inglês em Portugal de forma eficiente e como uma ferramenta de trabalho”.

Sandra Silva

Diretora do Grupo 8

“O Grupo 8 é patrocinador da APCADEC há três anos e achamos que a visão de alguém ligado à área comercial iria trazer valor acrescentado ao evento, com a apresentação de soluções à medida. O Grupo 8 é uma empresa diferente no mercado que está a concorrer com multinacionais em determinados segmentos. Aliamos a inovação à tecnologia para apresentar ao mercado produtos diferentes que satisfaçam as necessidades dos clientes. A responsabilidade social é o pilar basilar do Grupo 8, onde os colaboradores têm de se sentir bem no desempenho das suas funções. Elas é que são a cara da empresa”.

Miguel Sobral

Administrador da Vortal

Não há muitos eventos em Portugal em torno do setor das compras, nem há muitas ações de formação orientadas à função compras, pelo que as pessoas das pequenas e médias empresas têm poucas oportunidades para ouvir este tipo de reflexões. A APCADEC acaba por juntar aqui especialistas nacionais e internacionais com fortes responsabilidades na área de compras em grandes empresas com processos mais estruturados e uma maior maturidade em processos de compras, o que se traduz na discussão de temas que irão, certamente, inspirar os participantes para incorporar novas soluções nos seus negócios.

A minha intervenção procurou focar-se sobretudo na questão das novas tecnologias ao serviço da sociedade, das empresas e dos negócios. Não considero que as tecnologias sejam uma ameaça para o setor das compras, há toda uma vastidão de tecnologias que lhes permite reduzir o tempo administrativo gasto com funções com pouco valor acrescentado para o negócio”.

André Freire

Diretor Comercial do segmento Corporate na Leaseplan

“Quisemos aqui fazer um enquadramento de como a tecnologia e a inovação estão a impactar o negócio da Leaseplan.

Vemos o objeto do nosso negócio a mudar com as novas tendências como veículos autónomos, partilhados ou elétricos, pelo que temos a necessidade de adaptar o nosso negócio. Quanto à digitalização sabemos que as gerações mais novas e os clientes particulares se identificam cada vez mais com uma interação mais digital com a Leaseplan, pelo que a empresa se tem focado e está a caminhar para a digitalização das suas operações. Neste evento quisemos passar a imagem aos nossos clientes de que a venda/compra de um bem/serviço podem representar, no final, redução de custos”.

Carlos Lourenço

Presidente da APCADEC

“Tivemos uma

participação plena no evento, o que significa que conseguimos encontrar um conjunto de temas e de participantes que atraíram

as pessoas que, certamente, os consideraram pertinentes e úteis para os seus negócios. Naturalmente, a APCADEC congratula-se por pelo facto de estar a corresponder a essas expectativas. Nos painéis tivemos intervenções e um conjunto de opiniões desafiantes e até provocadoras no sentido de suscitar o debate, ideias e críticas construtivas entre os participantes. Quisemos colocar em cima da mesa questões relacionadas com a gestão de talento, com o Procurement e a forma como os profissionais deste setor são vistos no mercado, bem como a sua atratividade para o mesmo. Por sua vez, o painel internacional trouxe-nos uma visão bastante realista e concreta das grandes empresas multinacionais”.

“O procurement é uma área geradora de resultados”

O Mercado Eletrônico está presente no mercado para ajudar os profissionais de compra. O que pode ser dito sobre o trabalho que o Mercado Eletrônico tem desenvolvido para consolidar eficientemente as transações comerciais entre empresas?

Carolina Costa (CC) A empresa Mercado Eletrônico nasceu no Brasil em 1994, quando o Fundador e CEO da empresa, Eduardo Nader, com apenas 27 anos, decidiu deixar o seu cargo na área de compras numa indústria têxtil da família – confrontado com a burocracia e a falta de organização no seu dia-a-dia, para desenvolver uma plataforma com foco no B2B, numa altura em que o mundo “online” era inimaginável e nem existia a função comprador, como conhecemos hoje.

Desde então, todos os dias uma equipa de investigação & desenvolvimento e toda uma grande estrutura por detrás, desenvolve, testa, mantém a evolução de soluções com uma única missão: ajudar profissionais de compras a identificar e qualificar melhor os fornecedores, analisar as melhores ofertas, ser compliant, garantir o foco no estratégico, governança e transparência em todo o ciclo do Procurement.

Luís Sobral (LS) O Mercado Eletrônico tem atuado a nível global com as maiores empresas e sempre num contexto de eficiência do processo de compra e na obtenção de poupanças, com um impacto direto nos resultados financeiros das empresas. Neste contexto, o uso da tecnologia e de boas práticas implementadas nos nossos clientes, têm ajudado os profissionais de compras, primeiro no foco do que efetivamente é o mais importante na sua atividade (redução de custos, poupanças e minimização de risco), libertando estes profissionais das tarefas administrativas, operacionais e de baixo valor acrescentado, automatizando e descentralizando esses processos. Por outro lado, disponibilizando métodos e tecnologias nas atividades relevantes em procurement para que o profissional de compras consiga obter a melhor performance e disponibilizando indicadores para a sua melhoria contínua.

Para elucidar o nosso leitor, compras e Procurement é a mesma coisa?

CC O Procurement é a função primordial, onde e a partir de diretrizes, temos a visão de todo o processo de compras e aprovisionamento ciclicamente, o pensamento estratégico. Compras, é o culminar desse processo, é a fase tática. Ter uma área de procurement ou de compras dentro de uma empresa, vai sempre depender da dimensão, da cultura, mas principalmente do entendimento entre todos os stakeholders na mudança desse paradigma.

LS A compra é o ato em si da aquisição, em que existe um formalismo necessário para o efeito. O procurement é muito mais do que isso, é todo o processo que deriva de uma estratégia estabelecida e que passa por atividades como o estudo do mercado potencial, a pesquisa e qualificação de potenciais fornecedores, o uso de táticas de negociação e também as atividades de compra propriamente ditas que visam operacionalizar o resultado final.

Qual é a importância do Procurement e o impacto das compras na competitividade das empresas?

CC Com a globalização, foi imperativo a evolução das compras da maneira como a conhecemos e com ela, veio também a importância do foco no estratégico, para não ser apenas uma área onde “coloca e recebe o pedido da necessidade de compra” (sumariamente falando), mas que analisa a sustentabilidade da empresa num todo. Aqui entra a importância de ver a “fotografia” do processo e os impactos que este vai gerar com base nos objetivos que a empresa se propõe. Com a internet e a evolução tecnológica, foi possível relacionar-se com os stakeholders do mundo inteiro e tudo ficou muito exposto, otimizado e fácil. Foi necessário rever os processos de avaliação, qualificação e medição de fornecedores, para também poder garantir melhores compras e parcerias.

LS O papel do procurement evoluiu muito nos últimos anos, não é mais uma função administrativa de compras, antes é uma área geradora de resultados. O impacto da performance de compras na empresa evidencia-se diretamente no resultado.

O foco na obtenção de poupanças, ou seja, do menor custo para a melhor qualidade, permite às empresas serem mais competitivas. Comprar melhor que o concorrente pode significar o sucesso da empresa e inclusive a sua sustentabilidade. Por outro lado, o papel do procurement é bem mais do que negociar, é internamente saber colocar as questões pertinentes e procurar as respostas para que a compra seja a certa, para que não existam gastos desnecessários e por forma a que se minimize o risco na cadeia de fornecimento.

Porque devem as empresas adotar um processo de gestão de compras e que fatores são importantes para o desenvolvimento da função Compras nas organizações?

CC Na última década, gradualmente, tem-se evidenciado a importância de adotar processos eficientes nas áreas de compras. Temos acompanhado de perto os esforços das associações do setor e das empresas pioneiras, que têm contribuído com os seus testemunhos para reforçar a importância da mudança do paradigma. Identificar a estratégia, analisar o mercado, organizar, medir, capacitar a equipa, preservar a imagem e a reputação da empresa são apenas alguns dos fatores importantes para o desenvolvimento da função compras. Se adicionarmos tecnologia à gestão de compras, para além de permitir de forma ágil a realização dos fatores acima, também permitirá o armazenamento de toda a informação gerada e trocada entre todos os intervenientes do processo, que também servirá de benchmarking para análises futuras, em novos processos. Neste sentido, a tecnologia aliada às compras trouxe velocidade, agilidade e eficiência às transações comerciais, mas também trouxe uma grande preocupação: a Compliance, – garantir que estamos a cumprir com as normas, regulamentos, políticas e regras do negócio, evitando as não conformidades e desvios, preservando a imagem e os valores éticos das empresas no mercado. Este aspeto passou a ser de alta relevância e o reconhecimento desses valores nas organizações passaram a ser valorizados por todo os stakeholders. Respeitando as normas de compliance no mercado eletrónico, toda a documentação e informação gerida, partilhada e armazenada passa a ser alvo de registo e auditabilidade, sendo totalmente transparente aos olhos de todos, permitindo não só valorizar a imagem da empresa no mercado, como cumprir com os objetivos da organização, elevando os padrões de ética.

LS Tudo deve começar por uma definição estratégica da empresa e o procurement deve fazer parte dessa definição, nomeadamente estabelecendo regras de compliance e objetivos claros. Com essa definição, o papel das compras deverá ser orientado e focado, aqui o uso da tecnologia permite por um lado garantir a normalização dos processos de acordo com as regras de negócio e estratégia estabelecida e por outro lado automatizar as tarefas que são administrativas ou operacionais. Assim, destacamos como principais fatores para o desenvolvimento da função compras, a estratégia de procurement, eventualmente a sua materialização em manual de compras para uso interno, o desenvolvimento de skills específicos em procurement, nomeadamente, em negociação, o envolvimento em colaboração com as áreas clientes e a constante medição de resultados evidenciando o seu contributo interno. Para isso, o uso de tecnologia é fundamental, nomeadamente como garante de compliance (processos e normas), como repositório de informação, como garante de auditabilidade, como forma de implementação de processos eficientes e finalmente como ferramenta para navegação e reporting de dados de compras.

Quando falamos de Procurement falamos de empresas que procuram gerir o risco dos seus fornecedores e identificar oportunidades de poupança. Que análise pode ser feita no que diz respeito à criação de valor nacional com esta gestão?

CC Tendo a organização o cuidado na escolha, avaliação e qualificação de fornecedores, é o primeiro passo para querer “estar e ser compliance” no mercado. Este aspeto passou a ser de alta relevância e o reconhecimento desses valores nas organizações passaram a ser valorizados por todo os stakeholders. Esta preocupação não vai somente garantir que “eu” (empresa) estou a cumprir com as normas, regulamentos, políticas e regras do negócio, mas também que os “meus” parceiros são informados dessas regras para trabalhar “comigo” (empresa) e que também passam a “ser e estar compliance” no mercado. Assim, evitando as não conformidades e desvios, será possível preservar a imagem e os valores éticos das empresas que se relacionam no mercado e isto, a meu ver, deveria ser encarado como o catalisador da criação de valor nacional.

LS Parte fundamental da atividade de procurement é o relacionamento com os fornecedores. A escolha de um fornecedor “errado” pode repercutir-se em prejuízos elevados para a empresa, nomeadamente relacionados com a imagem da empresa (Um fornecedor/parceiro envolvido em questões ilícitas por exemplo pode determinar um impacto tremendo ao nível da imagem e consequentemente do resultado) e com questões de qualidade e continuidade no fornecimento.

Assim, a análise de risco sobre fornecedores e potenciais fornecedores é fundamental no suporte à decisão de compra principalmente sobre as categorias vitais (Estratégicas) para a empresa. Mais uma vez, e de forma alinhada com a estratégia definida, o uso de tecnologia e serviços no processo de qualificação de fornecedores é fundamental, desde logo na validação dos requisitos necessários para uma empresa poder ser fornecedor para determinada área ou categoria, mas também na monitorização da atividade dos fornecedores ativos, nomeadamente com processos de avaliação de fornecedores e respetivo feedback para a melhoria contínua e acima de tudo para o alinhamento com objetivos comuns. Hoje no Mercado Eletrônico, a grande maioria dos clientes compradores têm implementado processo de registo de fornecedores (candidaturas), a sua qualificação com validações suportadas na tecnologia e em integração com sistemas externos e a avaliação do desempenho na execução dos contratos.

O Mercado Eletrônico está a revolucionar a forma como as áreas de compras das empresas fazem negócios. Qual é o futuro do Procurement e que desafios enfrenta?

CC É imperativo as empresas perceberem que Procurement não é uma atividade secundária, e que através da eficiência dos processos todos dentro de uma estrutura organizacional ganham. É essencial que as empresas consigam perceber que um euro em economia é igual a um euro em lucro e que somente é possível concretizar essa afirmação conscientizando no seio das organizações a importância da atividade. Todos têm a ganhar! O mercado tem a ganhar! Os profissionais de Procurement sentem a necessidade de mudança e muitas vezes a evolução não passa por apenas agregar tecnologia ao processo, mas principalmente pela mudança de mentalidade da liderança de topo, que ainda ficou numa fase conservadora.

A nossa tarefa (Mercado Eletrônico), passa por, diariamente, conseguir elevar a função compras ao patamar que ela merece (e que já não há desculpas para a sua não evolução), e resultado disso é a nossa constante necessidade de acrescentar valor à tecnologia, oferecendo conteúdos, serviços e todo o apoio às empresas e profissionais que nos procuram.

LS Uma grande empresa já não abdica do uso da tecnologia na área de procurement, é um fator decisivo para a obtenção de resultados. Tipicamente os processos operacionais da compra ficam salvaguardados quando suportados por uma gestão de contratos e catálogos eletrónicos libertando as áreas de compras para tarefas estratégicas, que também estão devidamente suportados por conteúdos e práticas para a obtenção de poupanças.

Os desafios colocam-se agora, por um lado, para empresas de menor dimensão, que hoje ainda têm a atividade de procurement como secundária e que como tal não sentem ainda o benefício (redução de custos e poupança) derivado do uso de tecnologia de procurement. Com a experiência acumulada e o volume de funcionalidades e conteúdo relevante, o Mercado Eletrônico criou soluções mais focadas para estas empresas, em que ficam disponíveis de forma padrão um conjunto de funcionalidades e de conteúdos relevantes para que possam ser aproveitados por empresas de menor dimensão. Por outro lado, olhando para desafios mais tecnológicos, o futuro (já bem presente) é o aproveitamento de todo o conteúdo que a internet disponibiliza e de todas as soluções que existem e que podem ser integradas, gerando maior valor para o utilizador final. A isto chamamos de ecossistemas tecnológicos, em que o Mercado Eletrônico aproveita os recursos existentes de outras soluções tecnológicas e dos seus conteúdos, por forma a que, devidamente trabalhados, produzam informações e novos recursos para as áreas de compras aperfeiçoarem os seus processos e obterem melhores resultados.

Procurement – Trends 2017

Há pouco mais de 20 anos surgiram as primeiras plataformas tecnológicas de apoio às compras, permitindo àqueles que arriscaram neste tipo de investimento dar um grande passo para o melhor desempenho da empresa. Provavelmente, estamos a falar de empresas que hoje estão na vanguarda do setor. A área de procurement das empresas está a ganhar o seu espaço e a conquistá-lo a um ritmo como nunca antes visto. As plataformas estão a mudar a maneira como as organizações realizam os seus negócios! O estudo que se segue foi partilhado através das redes sociais e de bases de dados de parceiros no dia 14 de setembro, tendo estado disponível para resposta até ao dia 24 de Janeiro de 2017. O estudo encontra-se dividido em dois grandes blocos, representando a atualidade e as tendências: o primeiro referente à Negociação & Compras e o segundo à Gestão e Qualificação de Fornecedores. Através de uma amostra representativa, onde participaram empresas conceituadas do tecido empresarial, neste estudo são apresentadas as tendências para este ano, que poderão nortear a área de procurement em Portugal.

“Procurement de empreitadas e serviços | A necessária especialização para a concretização dos projetos, “on time, on budget, on quality”

Os Donos de Obra tendem, assim, a adoptar um de dois cenários possíveis para a gestão dos processos de Procurement das empreitadas e serviços, necessários à efetivação dos seus projetos: (i) recurso a meios in-house disponíveis, nem sempre especializados ou qualificados para o efeito, ou (ii) recurso a empresas externas, normalmente associadas a projeto, gestão e fiscalização de obras.

Contudo, os Donos de Obra têm vindo a constatar, em ambos os cenários, um crescente problema de falta de especialização por parte dos técnicos designados para a gestão dos processos de Procurement, resultando muitas vezes num deficiente conhecimento das práticas e normas legais aplicáveis, em atrasos no desenvolvimento do projeto, em decisões menos sustentáveis, em custos financeiros agravados, particularmente na execução do contrato de empreitada e/ou serviços, assim como em contingências / litígios contratuais.

Efetivamente, uma das principais consequências para as empresas públicas e privadas, da grave crise económica que Portugal atravessou nos últimos anos, ainda forçada pela demora na retoma económica do país, foi a necessidade de downsizing das suas estruturas, com dispensa de recursos especializados, em contrabalanço com a aposta na polivalência dos técnicos. Não obstante as aparentes poupanças criadas por esta estratégia de polivalência, a mesma tem-se revelado, nomeadamente ao nível da gestão de processos de Procurement de empreitadas e serviços, como contraproducente, potenciando antes a dispersão no trabalho, a insuficiente sensibilidade e percepção das especificidades de cada contrato, a desatualização dos conceitos e normas aplicáveis, prejudicando assim e de forma evidente a qualidade dos serviços em áreas determinantes num projeto imobiliário, como é o caso do Procurement.

São, assim, adoptadas soluções “chapa 5”, recorrendo-se a Programas de Concurso e Cadernos de Encargos de um concurso para outro, sem a cuidada adequação às especificidades do contrato/projeto em causa, nomeadamente em termos legais, descaracterizando e retirando valor ao processo de negociação, penalizando-o e, mais preocupante, pondo em causa a boa e desejável execução do contrato, por falta de definição, “ab initio”, de regras claras, adaptadas e conhecidas por todos os intervenientes no processo.

Também ao nível da análise das propostas é determinante a especialização dos gestores do processo de Procurement, sugerindo e promovendo análises multicritério, conscientes e responsáveis, com vista à seleção da proposta global e efetivamente mais vantajosa, ou seja, cumpridora dos objetivos económicos e financeiros do Dono da Obra mas sem negligenciar os objetivos técnicos, seja ao nível da qualidade da abordagem ao contrato e dos meios a mobilizar, da garantia de cumprimento de prazos, da promoção da inovação, da monitorização de questões de segurança e ambientais, entre outras.

Neste contexto, refira-se a manifesta tendência das entidades adjudicantes em favorecer análises de propostas com base no critério único do “preço mais baixo”, o que, de forma avassaladora, tem vindo a promover a contínua degradação dos preços praticados no mercado, com consequências tanto para os operadores económicos, que se deparam com concorrência desigual e por vezes desleal, como para as próprias entidades adjudicantes, ao celebrarem contratos de empreitadas e serviços potencialmente contingentes em fase de execução, por força de incumprimentos do adjudicatário, afetando seriamente a boa execução do projeto.

A especialização é, assim, essencial nos processos de Procurement de empreitadas e serviços, desde o momento da preparação das peças processuais, com definição de responsabilidades, direitos e regras adequadas e que visem uma execução contratual plenamente cumpridora, passando por uma análise de propostas e concorrentes, criteriosa e cuidada, que atente a todas as suas componentes e que vise a seleção do melhor parceiro para o Dono da Obra, com foque na obtenção de economias de escala sustentáveis, até uma adjudicação e contratualização com mitigação de riscos de contingências ou litígios.

Na MGR Consulting temos vindo, de facto, a constatar uma mudança de paradigma e de conceitos nesta área de negócio, com crescente reconhecimento pelos Donos de Obra, particularmente dos privados mais estruturados e organizados, da importância e vantagens do recurso a empresas e técnicos fortemente especializados em gestão técnica e legal de processos de Procurement de empreitadas e serviços, com vista à efetivação dos seus projetos.

Esta realidade e modelo são, aliás, bem conhecidos a nível internacional, desde logo pelas próprias entidades financiadoras de projetos, como é o caso do Banco Mundial, que promovem e financiam a contratação externa de peritos em Procurement, para assessoria aos Donos de Obra.

De facto, uma gestão técnica e legal adequada, isenta e profissional de um processo de Procurement de empreitadas e/ou serviços, apenas é assegurada com uma dedicação consciente e especialização consolidada dos responsáveis pela gestão, de A a Z, do processo. Tal opção deve ser, assim, encarada como uma ferramenta que promove uma concorrência responsável, a fixação de regras contratuais e negociais claras, com o foco na obtenção de parcerias equilibradas de vantagem mútua, e acima de tudo, no rigor e transparência nos negócios imobiliários.

Mónica Barbosa Rios, Procurement Engineer / Senior Partner @ MGR Consulting

Com 42 anos de idade, é licenciada em Engenharia Civil pela FEUP, com Pós-Graduação em Empreitadas e Contratação Pública e Formação Avançada em Procurement e Gestão de Risco. Experiência profissional de cerca de 20 anos nas áreas de Procurement, Gestão de Projectos e Contratos de Empreitadas e Serviços, públicos e privados, em Portugal e no estrangeiro.

Qual o papel/a importância do procurement nas empresas?

Há uma clara tendência para definir os termos “compras” e “procurement” como sendo sinónimos – algo que é errado. Por isso, a questão que se impõe é: qual é a grande diferença entre “compras” e “procurement”?

Por compras entendem-se as atividades operacionais e de suporte à função de Procurement: a elaboração de notas de encomendas, a gestão de contratos e respetivas incidências, entre outras. Procurement acrescenta a estas, as atividades estratégicas de gestão que contribuem para a maximização de resultados financeiros das organizações: a segmentação e priorização de volumes de compras, estratégias de negociação, plano anual de compras, definição de objetivos de poupança, entre outras.

A língua portuguesa permite-nos traduzir o Purchasing (em compras), mas já não é tão benevolente com o termo Procurement o que também contribui para uma interpretação dúbia.

Na sua opinião, qual é a situação atual e que tendências regem o mercado do Procurement em Portugal?

Portugal está numa fase de crescimento económico que se reflete, com efeitos imediatos, nas necessidades de compra das empresas. Vivemos um período em que é necessário comprar mais para vender mais. Nesta lógica, as administrações das empresas identificam o procurement como uma das alavancas estratégicas para sustentar este crescimento. “Vendo melhor quanto comprar”. As relações com os fornecedores estão mais eficientes, alicerçadas em parcerias de médio/longo prazo e com foco na sustentabilidade de resultados.

Como pode ser descrito o trabalho que a Quay Procurement Consulting desenvolve para e com as empresas no sentido de as orientar no mercado?

A Quay atua em três áreas identificadas como pontos de melhoria nas estruturas de compras: a consultoria especializada desenvolvida por compradores para compradores; a negociação de bens e serviços de moderada e elevada complexidade e a qualificação de equipas de compras através da formação. É um trabalho personalizado, de muita proximidade que é possível devido à experiência de compras dos consultores em médias e grandes empresas mas, sobretudo, devido ao elevado grau de confiança estabelecido com os clientes que permite uma partilha de processos e dados financeiros de forma transparente.

Apesar de desenvolverem um trabalho independente das organizações onde operam, integram-se dentro das mesmas. Não há duas empresas iguais e com as mesmas necessidades…. Mas será possível definir um padrão sobre as carências mais evidentes?

Podemos dividir as empresas em dois grupos: as grandes empresas (nacionais e multinacionais) que têm estruturas de compras com nível de maturidade elevado, com processos eficientes e com equipas de compras qualificadas; e as PMEs (também algumas empresas de grande dimensão) que estão no caminho dessa mesma eficiência, mas necessitam de apoio quer nos processos operacionais quer nos estratégicos. Chegamos às empresas maioritariamente por dois motivos: para a redefinição e/ou criação de raiz de um departamento/estrutura de compras (desde a reorganização hierárquica e funcional até à identificação de ferramentas para a gestão diária) e para a negociação de categorias core e non-core. Estas exigem frequentemente um sourcing estratégico a nível mundial (ou local) e a análise técnica e quantitativa de volumes de compra mais elevados. Estes processos de negociação são selados com acordos de confidencialidade entre a Quay, cliente e fornecedores o que permite total transparência e maior potencial de ganhos para ambas as partes.

Detêm algumas parcerias internacionais (Procurement Academy Belgium/Germany; Group Demos; Cegoc – Grupo CEGOC-TEA; IFE – International Faculty for Executive). Como funcionam as mesmas?

As parcerias funcionam para a vertente da formação a empresas. As ações estão segmentadas em intraempresa e interempresa. Para as ações de formação a várias empresas no mesmo momento (interempresas) trabalhamos com os parceiros que são organizações especializadas neste serviço. Têm uma abrangência transversal, chegando a todos os setores e indústrias de forma muito eficaz. Por outro lado temos as ações intraempresa que são direcionadas às equipas de compras de uma única organização, com conteúdos construídos de acordo com as necessidades específicas dos colaboradores em sala. Neste caso, as empresas contactam-nos diretamente e inicia-se a fase de diagnóstico de necessidades.

No passado mês de Junho realizou-se, em Lisboa, o Congresso Anual da APCADEC (Associação Nacional de Compras e Aprovisioamento), um evento nacional cujo o tema foi “Futuro do Procurement: desafios e tendências”. Que análise faz sobre o evento e sobre a participação da Quay?

O congresso anual da APCADEC é, cada vez mais, o meio de excelência para o encontro dos profissionais do setor e um palco para o debate de temas atuais sobre procurement. Partilharam-se opiniões, conheceram-se dados estatísticos sobre a atividade e abordaram-se temas novos. Tive oportunidade de, como mulher, responsável por uma empresa de procurement, partilhar a minha opinião no painel sobre a participação das mulheres nas áreas do procurement. A paridade de género é um tema muito atual, discutido mundialmente a nível político e empresarial. Neste campo, também em Portugal e no Procurement, temos (mulheres e homens) um caminho a percorrer. Acredito que se for curto alcançaremos uma harmonia tão necessária na esfera pessoal como nas decisões de gestão das organizações.

MGR CONSULTING | MANAGING PARTNERSHIPS

O projecto MGR Consulting alia a componente legal à técnica na obtenção de uma solução integrada de serviços de consultoria. Apostaram assim neste projecto comum, diferenciador no que consideram ser “um nicho de mercado”. “Esta solução, em que as duas valências são disponibilizadas aos clientes de uma forma integrada, garante a consolidação de soluções e estratégias, que, aliado a uma forte atitude proactiva, permitem a colmatação de lacunas na gestão dos projectos, mitigando, contratualmente, os riscos associados aos mesmos”, referem os consultores

Guilherme e Mónica Rios apostam naqueles que são os conhecimentos adquiridos ao longo dos seus anos de formação e experiência profissional, oferecendo serviços nas áreas de Procurement, Gestão Contratual e de Projetos, Auditorias, Peritagens e Arbitragens.

Com o lema “Managing Partnerships”, os serviços da MGR Consulting permitem, por um lado, obter as melhores parcerias e soluções de compromisso entre promotores e demais entidades envolvidas, com vista à concretização de projetos, e por outro, a consultoria técnico-legal a empresas, antes, durante e após a execução dos contratos. “A definição cuidada e adequada da estratégia de Procurement para um projeto é essencial para o sucesso do mesmo”, explicam Guilherme e Mónica Rios. Neste contexto, é forte e consolidada a experiência da equipa MGR Consulting em contratação pública e privada, a nível nacional e internacional (modelos FIDIC e Banco Mundial). “Nós apostamos, sobretudo, na especialização em Procurement. Oferecemos um serviço competente, de excelência, transparente, obedecendo aos padrões de sigilo e confidencialidade, assessorando, técnica e legalmente, um projeto de A a Z”, referem os consultores. “Somos parte da solução”, prestando aos clientes uma assessoria que visa o cumprimento, por todos os intervenientes, dos requisitos definidos, nomeadamente, ao nível dos budgets, prazo, qualidade, segurança e ambiente.   O forte conhecimento de mercado detido pela MGR Consulting traz outras vantagens: “Este conhecimento permite-nos aconselhar o promotor de um projeto sobre quais serão as soluções de contratação e os parceiros potencialmente mais adequados em função das características, dimensão e natureza do projeto”, explicam Guilherme e Mónica Rios.

A melhor aposta na concretização de projetos

O papel da MGR Consulting é, neste contexto, o de assessorar, em continuidade, o promotor no projeto em todo o processo decisório, visando o seu target, nomeadamente, investidores ou project managers com projetos de construção e/ou remodelação. Detentora de um forte know-how e especialização, a MGR Consulting promove a criação de economias de escala, potenciando e otimizando os resultados de um projeto. “Desenvolvemos e acompanhamos todo o processo de Procurement, desde a definição de estratégias, seleção dos candidatos, elaboração das peças dos procedimentos, análise de propostas, elaboração de relatórios e pareceres, negociação e apoio na adjudicação e procedimentos inerentes à adjudicação. Todo o processo é desenvolvido com vista à obtenção da solução técnica e economicamente mais competitiva e vantajosa para o projeto”, acrescentam.

Complementarmente, a MGR Consulting presta também, por força da sua especialização nesta área, serviços de formação contínua e apoio no âmbito de procedimentos de contração pública: “Quando um cliente concorre a um procedimento de contratação pública, ao nível das empreitadas, prestação de serviços ou fornecimentos, o nosso apoio passa pelo aconselhamento durante o processo, através da emissão de pareceres, análises aos relatórios e às demais propostas, em estrito cumprimento de todos os preceitos legais aplicáveis, mas, naturalmente, sempre com o foco na defesa do interesse do nosso cliente”, esclarecem os consultores. “Temos também correspondido a solicitações dos clientes no desenvolvimento de sessões de esclarecimento e formação contínua certificada nas suas estruturas, no âmbito do Código dos Contratos Públicos”, referem.

A MGR Consulting, que detém certificação PME, é também uma das entidades acreditadas no Portugal 2020, para os “Vales” internacionalização e empreendedorismo. “Habilitámos a MGR Consulting junto do Portugal 2020 para podermos apoiar as empresas nas suas candidaturas de empreendedorismo e internacionalização. Ajudamos a empresa a estruturar-se, a procurar o melhor segmento de mercado e de negócio lá fora”, afirmam Guilherme e Mónica Rios.

Ainda que em “contra ciclo económico”, a MGR Consulting considerou que seria este o momento oportuno para avançar com um projeto ambicioso, especializado e diferenciador, assessorando as organizações na realização e desenvolvimento das suas estratégicas e planos, com vista ao sucesso dos seus projetos.

EMPRESAS