Inicio Tags Ricardo Araújo Pereira

Tag: Ricardo Araújo Pereira

Restauração esquisita

É difícil almoçar ao domingo. Eu tento, mas não tenho conseguido. O almoço caiu em desuso e, neste momento, só se consegue comer em estrangeiro. Muitos restaurantes não têm almoço, têm brunch. O brunch, como o próprio nome indica, é uma mixórdia, na medida em que resulta da amálgama das palavras inglesas para pequeno-almoço e almoço. Essa salsada é evidente nas mesas de brunch. Iguarias que não foram feitas para conviver ocupam o mesmo espaço. Pataniscas de bacalhau fumegam por baixo de uma taça de cereais. Uma fila de iogurtes ladeia uma travessa de arroz de tomate. Papas de aveia borbulham junto de uma bandeja de sushi. No fim, não sei se almocei mal ou se tomei pequeno-almoço a mais. Sou um pisco ou um alarve? Tenho fome ou estou enfartado?

Quem está mais interessado em comer do que em reflectir sobre a existência (é quase sempre o meu caso) deve evitar o brunch. É uma refeição que, além disso, nos confronta com o pior que há no ser humano. Sabemos bem que, por muito civilizado que seja o meio em que vivemos, estamos sempre apenas a um passo da barbárie. O brunch é servido em regime de buffet, e as pessoas aproveitam o ambiente de permissividade para se comportarem como se não houvesse limites nem decência. Tenho visto empratamentos absolutamente chocantes. No passado domingo, uma selvagem levava no prato um filete de pescada, três panquecas, dois mini-hambúrgueres, carnes frias e um triângulo de queijo Camembert com compota de framboesa. Não era um repasto, era falta de educação empratada. Acompanhou com um copo de café com leite. Apresenta-se queixa ao empregado e ele diz que tem as mãos atadas. Que não pode limitar a liberdade das pessoas. Que podem fazer as misturas que entendem. Que a minha mulher tinha todo o direito de compor aquele prato.

Podem acusar-me de reaccionarismo gastronómico. Estou pronto para defender as minhas escolhas. Sou uma pessoa que gosta de pratos que podem designar-se por uma palavra apenas. Cozido. Dobrada. Chanfana. Rancho. A simplicidade breve da designação, que normalmente contrasta admiravelmente com a abundância do prato. Serei um bruto, talvez. Mas não aceito lições de civilidade destes mixordeiros de domingo, cujo prato parece o balde que a minha tia Isaura dava às galinhas.

Ricardo Araújo Pereira não mijou fora do penico, considera ERC

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social ilibou Ricardo Araújo Pereira no caso da rábula em que o humorista urinou em cima do retrato do ex-bastonário dos advogados.

Durante a pré-campanha eleitoral para as últimas legislativas, em Setembro passado, a TVI inseriu nos noticiários um espaço de paródia política intitulado Isto é tudo muito bonito, mas, com este e outros dois humoristas. Ricardo Araújo Pereira socorreu-se de declarações de Marinho e Pinto, que era candidato do Partido Democrático Republicano e que, numa entrevista ao canal televisivo, havia incitado os jovens portugueses a “mijarem fora dos penicos” que lhes pusessem à frente.

“Até que enfim que alguém expressa os grandes valores políticos do séc. XXI: liberdade, igualdade e… chichi”, satirizou Araújo Pereira. “Os partidos são penicos e o voto é chichi. Urinar é um direito e um dever cívico.” Na rábula, vê-se uma pessoa a “urinar” em penicos com os símbolos do PS, do PSD e do CDS no fundo. Depois há uma voz-off que aconselha os jovens a “não mijar nos penicos do costume”. É nessa altura que surge um quarto recipiente com a foto do ex-bastonário, que recebe o mesmo tratamento que os penicos anteriores. Algo que o também eurodeputado Marinho e Pinto considerou “um ataque torpe e cobarde” por parte de um adversário político, já que Ricardo Araújo Pereira era apoiante do partido Livre.

Na queixa que apresentou à ERC, o advogado diz ter-se sentido humilhado publicamente e afectado na sua honra pessoal. Aarons de Carvalho e outros três conselheiros da entidade reguladora observam, numa deliberação datada desta segunda-feira, ser compreensível que o queixoso se mostre chocado “em face da simulação de alguém a urinar sobre a sua fotografia”. Uma imagem polémica que, porém, “parece confinar-se aos limites da liberdade de expressão e da liberdade artística”. Decisivo para a ERC foi o facto de Marinho e Pinto ser uma figura pública, “não integrando um grupo social que se possa considerar significativamente vulnerável”. De resto, a rábula “parece fazer literalmente jus ao desafio lançado pelo próprio queixoso aos jovens: ‘Mijem fora dos penicos que vos põem à frente’”. Se algum prejuízo houve para o ex-bastonário que mereça compensação, isso já sai fora das competências da entidade reguladora e deverá ser dirimido em tribunal.


Mas recorrer ao sistema judicial é coisa que Marinho e Pinto assegura que não fará, por entender que não é deste tipo de quezílias que a justiça se deve ocupar. Continua, porém, indignado: “Não se pode urinar na cara das pessoas num programa de televisão. Com esta deliberação, a ERC deu um sinal: disse às pessoas ‘Façam como o Ricardo Araújo Pereira’.”

O queixoso diz que a antipatia do humorista para consigo data pelo menos da altura em que se manifestou contra a co-adopção por casais do mesmo sexo, em 2013: “Chamou-me energúmeno. Não me considero energúmeno por ter essa posição. Ele não gosta de mim!”

No passado, o próprio Marinho e Pinto já foi acusado várias vezes de ter sido ofensivo para com terceiros. Uma dessas polémicas surgiu quando o então bastonário afirmou de forma sarcástica, no programa televisivo Justiça Cega, que “uma das coisas” que o Brasil mais exportava para Portugal eram prostitutas. E também neste caso o conselho regulador da ERC se pronunciou, tendo descartado uma queixa contra o advogado que lhe foi apresentada pelo Alto Comissariado para o Diálogo Intercultural. Marinho e Pinto diz que não ofendeu ninguém com aquele epíteto, uma vez que não fulanizou a questão. É diferente do caso do penico, insiste: “Não ofendi brasileira nenhuma.”

Social Media

0FãsGosto
111SeguidoresSeguir

EMPRESAS

Tecnologia