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“O sucesso dos nossos clientes é o nosso sucesso”

O Rosely Cruz Sociedade de Advogados by “neolaw.” assume-se como uma marca sobejamente conhecida e reconhecida por uma actuação assente em padrões como o rigor, a credibilidade e a excelência, desde 2010. Ao longo destes sete anos, quais têm sido os principais desafios do escritório e como os tem ultrapassado?

Possuir e operar uma sociedade de advogados, por si só, é um desafio constante. Nestes sete anos, superamo-nos e tivemos sucesso.

Um primeiro desafio que destaco é o fato de que as Faculdades de Direito não preparam o futuro advogado para o empreendedorismo. Para grande parte dos profissionais do Direito que atuam ou irão atuar no mercado há a necessidade de capacitação empreendedora em gestão organizacional, planeamento estratégico, processos, liderança, relacionamento com os clientes, finanças e gestão de pessoas.

Na qualidade de fundadora e pelo fato de ter vivido parte da minha carreira numa das maiores empresas de internet no Brasil, o Buscapé, – ainda que concomitantemente ao escritório –, tive uma aprendizagem real de empreendedorismo. Acredito que o desafio, então, foi o empoderamento das pessoas do escritório, notoriamente para termos a dinâmica necessária ao crescimento.

Outra mudança na advocacia – e que o mercado carece – é a necessidade das bancas jurídicas conhecerem profundamente o perfil de negócios e valores dos seus clientes com o intuito de gerar-lhes resultado.  Neste aspecto, construímos um lema que nos representa: “O sucesso de nossos clientes é o nosso sucesso.”

Ademais, existe a necessidade da figura de um novo advogado, disposto a fazer negociação e composição. As Faculdades de Direito preparam os alunos para o litígio e não para a composição. Entendemos que na linha de que dar resultado para o nosso cliente é o nosso lema, atuar para fomentar um bom acordo pode ser mais efetivo do que anos de litígios sem a satisfação concreta do almejado pelo cliente. Foram anos para criar essa cultura na organização. Aliás, atuar na prevenção de litígios e compliance foi outro diferencial para atender às demandas dos clientes. Tivemos que formar e qualificar nosso time.

A filosofia neolaw, ou seja, um novo direito, aquele que efetivamente proporciona resultado ao cliente, cria relações de longo prazo, permitindo conhecer profundamente o perfil de negócios e valores de cada um dos nossos clientes, aumentando consideravelmente a assertividade de nossas ações.

A renomada publicação inglesa, The Legal 500, premiou recentemente a Rosely Cruz Sociedade de Advogados by “neolaw.” Nas áreas de M&A e Tributária. Além disso, em conjunto consigo, a sócia Priscila Titelbaum foi recomendada na América latina pela publicação em M&A. Que significado tem este reconhecimento e de que forma é importante para o escritório?

The Legal 500 é uma publicação inglesa que há quase três décadas analisa escritórios de advocacia do mundo inteiro. Num cenário corporativo cada vez mais competitivo, especializado e, principalmente, globalizado, ter o aval de um diretório jurídico é de suma importância. Um cliente português, por exemplo, (internacional) que não conhece muito bem o mercado jurídico brasileiro geralmente consulta a renomada a lista do Legal 500.

Assim, estar listado por diretórios jurídicos concede às firmas um selo de qualidade. Algo que vai além de uma simples recomendação pessoal e passa a ser profissional. Ou seja, cada firma é comparada a muitas outras, de maneira profissional e imparcial, e se destaca em virtude de recomendação dos clientes que são entrevistados. É como uma garantia dos próprios clientes já atendidos por nosso escritório.

Esta premiação nos inspira e nos faz acreditar que estamos no caminho certo. Com apenas 7 anos de fundação já recebemos o terceiro reconhecimento. Mérito de todo o time e sócios das áreas, os quais nomeio Priscila Titelbaum, Empresarial e M&A, Raquel Santos, Tributário e Trabalhista, Vanessa Louzada, Relações de Consumo e Cobrança e Caio Gregolin, Recuperação de Crédito.

Também estamos na edição especial do Top Lawyers 2017 que trata dos mais destacados escritórios de advocacia do Brasil.

E ainda fomos reconhecidos pela empresa americana, Great Place to Work (GPTW). Trata-se de ranking das Melhores Empresas para Trabalhar. É o padrão de excelência definida para ambientes de trabalho e a GPTW é pioneira em conduzir essa pesquisa que existe em todo o mundo, em 53 países, nos seis continentes. No Brasil, o Great Place to Work promove e divulga, além do ranking nacional, mais de 20 setoriais e regionais. Nós acreditamos nas pessoas, em nosso time.

Que balanço perpetua da internacionalização da advocacia? A Rosely Cruz Sociedade de Advogados by “neolaw.” Atua internacionalmente?

A globalização da economia mundial promoveu uma nova ordem econômica na qual a velocidade das negociações e o atendimento ao cliente geraram grandes mudanças para os escritórios de advocacia. Apesar da retração na economia mundial, os negócios internacionais estão em expansão, com repercussão na atividade jurídica, ampliando o mercado de trabalho para os advogados.

A expansão geográfica das grandes corporações direcionou volume substancial de investimentos para os processos de fusão e aquisição, bem como internacionalização de empresas, gerando trabalho não apenas para os escritórios locais como também para advogados de escritórios estrangeiros. Conseqüentemente, os escritórios de advocacia perceberam a necessidade de acompanhar seus clientes e tomar parte desta globalização. Tornou-se necessária a união de esforços dos profissionais envolvidos a fim de atender as complexas questões jurídicas decorrentes dos negócios do momento, buscar a otimização dos recursos humanos e complementar as áreas de especialização e conhecimento da legislação em nível mundial, nem sempre disponíveis num único escritório.

Torna-se imperativo buscar alianças estratégicas e associações com outros escritórios para aproveitar oportunidades emergentes, capitalizando os pontos fortes de cada um, reduzindo riscos e viabilizando a capacitação técnica.

O interesse pelo Brasil, especialmente no período de 2008 a 2013, chamou a atenção de escritórios estrangeiros que tiveram que acompanhar os clientes de seus respectivos países nas transações feitas no Brasil e também de escritórios nacionais que passaram a atuar no exterior, atendendo empresas envolvidas em operações mundiais.

No nosso caso, desde o início do escritório em 2010, criamos vínculos internacionais com as matrizes de nossos clientes para estruturar e viabilizar as operações de clientes Europeus, Americanos e Asiáticos.

Recentemente, percebemos que nossos clientes pretendem atuar no exterior e Portugal tem tido bastante notoriedade neste cenário. Nos afiliamos à Câmara Portuguesa de São Paulo. São mais de cem anos de história cuja precípua busca é do fomento comercial entre Brasil e Portugal. Para mim, cidadã portuguesa, filha de pai que nasceu na querida Póvoa de Varzim, é algo que toca o coração: ter clientes portugueses e atuar em Portugal. Quisera eu que meus avós pudessem ver isso.

Nosso primeiro cliente português reside no Brasil e nos procurou por sofrer a execução de uma sentença portuguesa, em que a parte ex-adversa indicou valores acima do devido, buscando a expropriação de bens e rendimentos relativos aos negócios que o cliente mantém no Brasil. Aqui, mais uma demonstração da internacionalização, as relações jurídicas transcendem territórios.

Por outro lado,  cada vez mais por aqui se constata que “Portugal está na moda” e se desperta interesse efetivo de brasileiro em morar e/ou investir no país. Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal, destaca que: “em 2016 saímos em 16 mil notícias em todo o mundo e recebemos 600 prémios”. O posicionamento do país no mundo tem muito que ver com a música interpretada por Salvador Sobral: “Simplicidade, transparência, honestidade.” Em adição, para Viriato Soromenho-Marques, professor catedrático na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, as conquistas que o país tem alcançado são resultado da qualidade das pessoas ou das instituições envolvidas e também da existência de uma escala cosmopolita e europeia”, que permite “realçar as qualidades das pessoas e das estruturas”.

Assim, vemos também um número crescente de empresas brasileiras rumo à Portugal, e, neste caso, nossa atuação, em resumo, ocorre com emissão de pareceres legais e auxílio na análise da viabilidade de implantação da empresa brasileira no exterior, especialmente as questões tributárias envolvendo os dois países. Importante também para as famílias brasileiras – que assim como Madonna escolheram novo destino para morar -, terem escritório especializado para cuidar de declaração de saída definitiva do Brasil ou seguir com as declarações de Imposto de Renda no Brasil contemplando a nova realidade fiscal dos brasileiros em Portugal.

Entendo que “cliente e advocacia globalizados” parece ser uma tendência e a evolução natural para o mercado da advocacia. Estamos inseridos neste cenário: pretendemos obter o registro da advocacia portuguesa ainda neste ano e marcar presença em território português.

De que forma é que o Rosely Cruz Sociedade de Advogados by “neolaw.”  consubstancia um projecto profissional cujo objectivo é o exercício em parceria da advocacia no universo da lusofonia?

Sou a favor da circulação plena de advogados entre os países lusófonos. A troca de informações e experiências entre esses países é benéfica ao crescimento de nossa classe, uma vez que fazemos parte de um universo de 20% de advogados no mercado mundial que têm o português como língua nativa. Nesse sentido, acredito que a União dos Advogados de Língua Portuguesa (UALP) poderia discutir ações com as “Ordens dos Advogados” de cada um dos países de língua portuguesa com o intuito de estreitar relacionamentos e derrubar fronteiras.

Na sua opinião, e no âmbito da advocacia na lusofonia, o que ainda falta para que este processo de ligação entre os diversos agentes da lusofonia seja ainda mais perpetuo e duradouro?

A circulação plena de advogados entre Brasil e Portugal já existe e acho que todos os membros da lusofonia só teriam a ganhar se essa circulação fosse expandida às demais nações que tem o português como língua nativa. Não acredito que o protecionismo local é a solução dos problemas, principalmente em um mundo globalizado, e as vantagens de receber advogados estrangeiros são bem maiores, sobretudo em relação ao nível da formação e complementariedade.

Algumas nações da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) têm uma exploração grande de investimento estrangeiro e a capacidade de profissionais locais não supre essa demanda por muitas vezes, resultando na contratação de advogados estrangeiros, na maioria das vezes nativos de outros idiomas.

A cultura dos países lusófonos é mais parecida e uma das principais barreiras, que é o idioma, não existe. Não faria mais sentido se essas demandas fossem supridas por profissionais desses países? Aposto que sim!

Sente que no espaço de expressão e língua portuguesa, mesmo tendo presente a rica e feliz diversidade das culturas e sociedades de cada país, que as oportunidades ainda são escassas ou existem relações de confiança que se estabelecem com autenticidade, fomentando valias nos negócios e nas relações?

Mais do que advogada, sou empreendedora. Portanto, acredito que as oportunidades existem e se estabelecem nos mais diversos tipos de negócios, independentemente da diversidade cultural de cada país. Nesse sentido, acredito que uma atuação incisiva da CPLP seja importante para universalizar o investimento, como, por exemplo, o evento organizado para o final do mês de setembro e que vai reunir empresários de 18 países com o objetivo de criar oportunidades de negócio para os países de língua portuguesa.

Ainda há muito a ser feito, mas penso que esse é o caminho.

Acredita que é um dever de todos ter noção de que, independentemente da nacionalidade ou situação geográfica, os advogados são agentes vivos de um património comum que deverá ser referência num mundo cada vez mais globalizado?

A globalização também propiciou vantagens competitivas na área econômica através da criação de blocos. Isso nos trouxe qualidade de produtos a preços mais acessíveis. Sem contar os benefícios na área da ciência.

O Estado, com o objetivo de equilibrar finanças públicas e propiciar crescimento econômico e estabilidade ao país, precisa ditar regras através de leis que se enquadrem não apenas no âmbito nacional, mas, principalmente, que estejam dentro do contexto econômico mundial.

Nesse sentido, a globalização exige a necessidade da busca de inovações dos mecanismos jurídicos que também estão implicados nesse processo. Por isso, uma inédita e ampla estrutura jurídica, diante da ordem econômica globalizada, fortalece a democracia e os direitos fundamentais.

Particularmente, nosso escritório tem como princípios básicos o respeito, a confiança e a responsabilidade. Dessa forma, com base nesses princípios, nossos profissionais são referência e podem atuar em todos os mercados, independente da nacionalidade ou situação geográfica.

 

De futuro, o que podemos continuar a esperar do Rosely Cruz Sociedade de Advogados by “neolaw.” Como promotor da Advocacia e do Direito no espaço lusófono?

Trabalhei em diretorias jurídicas de grandes empresas e resolvi criar um escritório porque queria estar do outro lado do negócio e tornar o escritório uma referência para os empreendedores não só do Brasil, mas também de outras partes do mundo.

Nosso objetivo é criar mecanismos para que os empresários concretizem suas ideias e negócios e essa continuará a ser nossa meta. Temos essa preocupação porque queremos viabilizar soluções seguras para quem quer inovar. O empreendedorismo é o “motor da economia” e os advogados que atendem às demandas dos empresários têm que se ver como “pontes” para essas realizações.

Que depois do querido Portugal com foco para o ano de 2018, venham oportunidades de atuação na CPLP.

“Qualquer pessoa em qualquer lugar deve ter controlo sobre a sua vida”

© Joao Caldas Fº

Apresenta-se como empreendedora, empresária, investidora anjo, advogada e pianista. Que palavras a definem? Teve modelos de empreendedorismo na família?

Acredito que as características que me definem são: sonhadora, determinada, apaixonada, resiliente, atrevida, destemida, “do bem”, inovadora, flexível e acelerada.

Não tive modelos de empreendedorismo na família; mas posso contar um episódio que está descrito no meu livro “Empreendedoras por Natureza”, lançado no mês internacional da mulher, março, cujo prefácio é da grande jornalista brasileira Ana Paula Padrão. No verão de 1982, recebi do irmão mais novo, Alexandre, uma proposta desafiadora: produzir em casa chupa-chupas, uma guloseima muito popular em Campinas, onde morava, e vendê-los nas ruas da vizinhança. Animada com a oportunidade de ganhar um dinheirinho extra com a gelataria caseira e reforçar a mesada paterna, partimos para a ação. Afinal, em teoria, o negócio não tinha como correr mal, sobretudo numa cidade conhecida pela temperatura escaldante. Mas não deu certo! Não foi pela falta de qualidade do produto mas devido a um “pequeno” descuido na logística. “Colocamos os chupa-chupas numa cesta, sem qualquer tipo de refrigeração e quando demos conta, estava tudo derretido antes de percorrermos o primeiro quarteirão. A despeito deste primeiro fracasso, a experiência mal sucedida trouxe uma certeza: descobri, desde pequena, que um dia seria uma empreendedora. E um ensinamento: antecipar barreiras associado a um planeamento adequado é a chave para o êxito de qualquer projeto, do mais simples ao mais complexo.

Formou-se em Direito, o que ambicionava quando terminou o curso?

Sempre acreditei – e acredito! – Na assertiva e bela frase de Nelson Mandela: “A educação é a arma mais poderosa que podemos usar para mudar o mundo.” Apesar de não ter escolhido ser professora (uma das profissões que mais admiro), outra arma poderosa é a justiça, o justo e o acesso a ela. Neste contexto, idealizei fazer a diferença no mundo (ter ideias, criar, construir, vencer…), tornando possível o acesso à justiça, procurando dar o meu melhor e trazer o resultado aos clientes, o que implica o meu próprio sucesso.

Hoje acrescento que deve haver inovação e menos disrutura no mundo jurídico. Razões pelas quais estou, com os meus sócios, a desenvolver o Golaw, uma plataforma que trabalha com inteligência artificial aplicada ao Direito.

Assume-se como defensora de causas como empreendedorismo e igualdade de género. Que exemplos pode citar-nos sobre o seu envolvimento na defesa pelos Direitos da Mulher?

Empoderar é retomar o poder. Significa que qualquer pessoa, em qualquer lugar, pode ter controlo da própria vida, definir metas, adquirir habilidades e agir. Ao tomarmos o poder, tornamo-nos as nossas próprias ativistas – ao indagar sobre a cultura da violação, ao atuar contra injustiças que afetam as mulheres, ao parar de classificar a mulher pela roupa ou pelo status de relacionamento. Empoderadas, protegemo-nos umas às outras.

Neste contexto, cito os seguintes exemplos: sou palestrante na Rede Mulher Empreendedora e procuro dar inspiração às mulheres empreendedoras e mentoring individual e coletivo para mulheres e para os seus negócios, além de participar do MIA (Mulheres Investidoras Anjo) e, pro-bono ajudando mulheres juridicamente em distintas causas (uma delas – e muito sensível – foi quando uma senhora teve a filha presa noutro país por transportar drogas – ela tinha sido “mula” de traficantes).

Destaco a minha participação na distinta banca examinadora do programa global do banco de investimentos Goldman Sachs e da Goldman Sachs Foundation, chamada ‘10.000 Mulheres’, o qual proporciona educação em administração e gestão de negócios a mulheres empreendedoras, com o propósito de ajudar a melhorar a qualidade da educação empresarial nos países em desenvolvimento. Como parte da iniciativa, a reconhecida instituição de ensino brasileira, a FGV – EAESP oferece um programa que proporciona às empreendedoras participantes os conhecimentos e ferramentas necessários para que elas tenham sucesso no competitivo mercado global. Projetado em parceria com a Babson College, a mais importante escola de empreendedorismo dos Estados Unidos.

Finalmente, gostaria de dizer que acabei de lançar um livro sobre a minha história e da Ana Fontes, um ícone das causas de empreendedorismo feminino (fundadora da Rede Mulher Empreendedora). Trata-se de uma coleção com duas mulheres empreendedoras por livro, a cada ano, num total de cinco volumes, onde contam as suas histórias de sucesso. Seria uma das formas de empoderar as mulheres; de dizer que não importa o ramo do negócio, o estado civil, ou a idade para empreender. Acredito que é possível empreender e a ideia é disseminar essa atitude!

Que análise faz sobre o empoderamento feminino no Brasil? Será um tema que, embora cada vez mais trazido para a opinião pública, é ainda exíguo?

Embora os avanços sejam inegáveis, ainda há um grande abismo que separa mulheres e os homens de caminharem no mesmo patamar em aspetos profissionais, financeiros e sociais. Para elucidar a desigualdade que ainda persiste e, ao mesmo tempo, mostrar como a procura pelos direitos femininos tem vindo a ganhar peso entre mulheres e homens em toda a sociedade, cito pesquisas que revelam dados com um panorama da questão no Brasil e no mundo.

A Ipsos inquiriu pessoas de 24 países para elaborar o relatório Global Advisor, focado nos temas do feminismo e de igualdade de género. Os resultados mostraram que a situação das brasileiras é preocupante: 41% das entrevistadas no país confessaram terem medo de se expressar e de lutar pelos seus direitos. Esta percentagem é bem maior que a média global, que ficou em 26%. As mulheres do Brasil ficaram apenas atrás das indianas (as mais receosas em defender os seus direitos, com 54%) e das turcas (47%).

Apesar de estarmos na segunda década do século XXI, ainda há, pelo mundo inteiro, pessoas que acreditam que as mulheres são inferiores aos homens. No Brasil, 19% dos homens acredita na inferioridade feminina – e algumas mulheres concordam com eles. Segundo a pesquisa da Ipsos, 14% das entrevistadas mulheres disseram que se consideram inferiores aos homens. Na média, a percentagem geral (homens e mulheres) que concordaram com a questão no Brasil foi de 16%. No mundo, essa fatia foi de 18%. Entre os entrevistados pela pesquisa em todo o mundo, 17% disseram que a mulher não deveria trabalhar fora de casa para poder cuidar unicamente da casa e da família. No Brasil, o índice de pessoas que aprovam esta ideia foi um pouco mais baixa: 15%. A pesquisa da Ipsos foi realizada entre 20 de janeiro e 3 de fevereiro de 2017 e feita a 17.551 pessoas entre os 18 e os 64 anos, em 24 países.

Em termos de equidade no mercado de trabalho, a posição de homens e mulheres ainda é diferente. De acordo com a pesquisa realizada pela Câmara Americana de Comércio (Amcham), realizada com 350 executivos (homens e mulheres) de empresas do Brasil, 76% das organizações ainda não trata funcionários e funcionárias com as mesmas condições. Para 80% dos entrevistados, o sinal mais claro desta desigualdade é a baixa presença de mulheres em cargos de liderança.

Ainda segundo a pesquisa da Amcham, 47% dos gestores acreditam que igualar os salários deve ser a maneira mais correta de promover equidade de género nos seus quadros. O facto de conciliar a carreira profissional com a maternidade e responsabilidades domésticas ainda é, na opinião dos entrevistados, o principal fator que impede as mulheres de chegarem mais longe em termos profissionais. Para 86%, o papel cultural de dona de casa faz com que muitas mulheres abandonem a carreira por não conseguirem conciliar as duas tarefas.

Apesar de reconhecerem esses problemas, os gestores brasileiros ainda fazem pouco, na prática, para tentar corrigi-lo. Segundo a pesquisa, 52% dos entrevistados declararam não ter, nas suas empresas, programas formais de valorização feminina e de combate à desigualdade de género.

A grande maioria dos entrevistados no mundo inteiro está consciente da desigualdade existente entre os dois géneros. Globalmente, 72% dos entrevistados disseram que existe desigualdade em termos de direitos sociais, políticos e económicos para as mulheres. No Brasil, a diferença é entendida por 78% das pessoas. O país que menos acredita na desigualdade de género é a Rússia, onde 42% dos entrevistados declararam que existem diferenças sociais e de direitos entre homens e mulheres.

Então, devemos continuar a apostar fortemente no empoderamento das mulheres para mudar estes números. Em síntese, com o empoderamento dar-se-á a construção de redes sociais, o exercício do poder em prol de outras mulheres, promoção da inclusão profissional e social, criação de oportunidades por via de relacionamentos discursivos com homens, trabalho na questão da inovação social e inclusão social nos processos de inovação social, aumento da confiança e autoestima, construir uma vida melhor para as famílias, trabalho para legitimar as desigualdades envolvidas no capitalismo competitivo, formação de uma comunidade feminina destinada a reduzir a pobreza, incentivo às atividades empresariais femininas, e, acima de tudo, que as mulheres conquistem o seu espaço e alcancem o seu potencial máximo para conquistar a capacidade de tomada de decisão.

Enquanto mulher e profissional houve momentos na sua carreira em que se sentiu discriminada? Como contornou a questão?

Uma vez, apresentei-me a uma pessoa que veio ao meu escritório e que me disse: “é melhor aguardar pelo seu sócio”. Acho que a questão se prende na forma de como as mulheres reagem depois de situações como esta. No meu caso, simplesmente sorri e disse: “nós não precisamos dele. Sou a sócia-fundadora. Faço questão de fazê-lo brilhar e ao ter sucesso celebraremos juntos”.

Quais são as qualidades que destaca como essenciais para se ser uma empreendedora de sucesso?

Saber se ela está disposta a viver, a percorrer o caminho; a vivenciar um turbilhão de verbos dentro dos quais destaco: motivar, criar, liberar, cair, levantar, rir, resilir, planear, realizar, abraçar, vibrar, atrever, ousar, seduzir, chorar, comover e vencer.

 

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