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“Dizemos o que fazemos, fazemos o que dizemos”

Fazemos parte da mobilidade, e especificamente da eletricidade, como componente da mobilidade há mais de cem anos”, começa por referir Albano Magalhães mencionando, igualmente, o conceito de alternador e motor de arranque, uma patente original da Bosch de que a SEG Automotive é herdeira. Esta já celebrou mais de cem anos, e faz do motor de explosão também parte integrante da história da SEG Automotive.

Desde 2015, início da preparação desta transição, a SEG Automotive tem vindo a analisar e a desenvolver novas organizações para continuar a prestar serviços aos seus clientes de uma forma totalmente independente. Para assegurar a continuação de processos aos clientes, internos e externos da SEG, foi criada em Setembro de 2016 a SEG Automotive Portugal, o Centro de Serviços Partilhados da SEG Automotive, encarando a nova perspetiva de dimensão e autonomia do grupo.

No desenvolvimento da alocação das atividades de eletromobilidade pela Bosch às suas áreas de negócios, a SEG Automotive ficou historicamente encarregada da área do BRS – Boost Recovery System. Na prática, trata-se de uma aplicação, que não só faz a junção das suas duas máquinas históricas de apoio ao motor de explosão – o alternador e o motor de arranque -, como permite a implementação de mobilidade 100% elétrica, através de uma solução de hibridização suave (“mild-hybrid”). O produto permite aos construtores integrarem facilmente a opção híbrida num motor diesel ou a gasolina, sem alterações muito significativas ao seu layout e com um baixo custo (quando comparado com outras soluções existentes). Outro elemento importante BRS é permitir soluções de base de 24 volts e 48 volts, elementos que poderão ser fundamentais para alimentarem, com as maiores potências requeridas, as necessidades dos sistemas de veículos autónomos e com maiores níveis de conetividade.

“Fomos desenvolvendo este conceito sempre com o objetivo de diminuir as emissões de dióxido de carbono e garantir mobilidade eléctrica. Nos últimos tempos, começamos a ter alguns pedidos para verificar se este conceito pode também ser aliado à função de performance e maior potência, o que faz com que nos vejamos, no futuro, como parte integrante da eletromobilidade total e do apoio da mesma aos motores de combustão”, afirma, confiante, Albano Magalhães.

Agora, enquanto grupo independente e autónomo, a estratégia pode passar pelo desenvolvimento de potenciais produtos para um nível superior de eletrificação, e outra posição no futuro da “e-mobility”, algo que seria mais difícil no passado. No entanto, o foco da empresa a médio prazo irá manter-se. O que muda é o potencial de crescimento e de desenvolvimento para novas áreas da e-mobility, que irá ser superior. A sua venda a um consórcio chinês, permite à SEG Automotive alcançar mercados onde o crescimento do setor automóvel é mais significativo com outros trunfos.

“A venda foi um processo transparente com todos os colaboradores a nível global. É um indicativo de confiança deles na nossa organização e naquele que é o nosso potencial de crescimento. Além disso, é positiva a mudança de paradigma gerada com a saída de uma grande corporação, já que agora somos um grupo global de média dimensão e por isso com elementos acrescidos – fundamentais mesmo – de criatividade, autonomia e responsabilidade pessoal. Neste processo percebemos, ainda, que a relevância de quem é o nosso acionista é menor para a indústria do que julgávamos. Importante é que mantenhamos a mesma qualidade, preço e eficiência de sempre”, adianta Albano Magalhães.

A eletromobilidade a longo prazo

Quando questionado sobre o futuro dos veículos totalmente elétricos e sobre se estes tornar-se-ão na única opção, Albano Magalhães responde com alguns exemplos:

– Na década inicial deste século com o avanço da tecnologia temia-se que a internet e o online viessem substituir o papel e os meios de comunicação tradicionais. Hoje, podemos constatar que a internet veio complementar o trabalho da comunicação social.

– Há dez anos, o mesmo acontecia com o “megatrend” das energias renováveis, pensando-se que rapidamente seriam o único elemento energético futuro. No entanto, hoje as energias renováveis e não renováveis continuam a coexistir, com as primeiras a terem um papel importante no fornecimento de necessidades acrescidas e de forma sustentável, mas longe de ser exclusivo. Não será expectável que aconteça o mesmo com os automóveis elétricos e os automóveis com motores de combustão?

“Vamos ter carros com motores de combustão durante muito tempo. O que provavelmente acontecerá é que a eletromobilidade será um conceito inicialmente urbano e de países ricos. Um conceito pensado para as grandes cidades de forma a abranger os transportes públicos, os transportes de mercadorias e transportes com autonomia”, explica o nosso entrevistado.

Para Albano Magalhães, a eletromobilidade vai, claramente, fazer parte do futuro, vai ter cada vez mais um peso significativo, mas sobretudo nos países com maior capacidade para construir infraestruturas que suportem a eletromobilidade: “Acho que no passado as megatrends (mega-tendência) anunciadas nunca tiveram o impacto inicialmente “esperado”. Não vejo porque a eletromobilidade será diferente, mas cabe à SEG Automotive estar pronta para conseguir corresponder às necessidades dos clientes e do mercado nesta área e ser um player importante”.

 

O plano estratégico da empresa

“Estamos num mercado ainda muito volátil. Como já referi, a eletromobilidade trata-se de uma megatrend e só saberemos o seu dinamismo e os verdadeiros efeitos dela potencialmente na próxima recessão”, diz-nos Albano Magalhães.

Para a SEG Automotive a aposta, no âmbito da eletromobilidade, está no BRM – Boost Recuperation Machine. O BMR da SEG Automotive transforma o motor de explosão convencional (Gasolina ou Diesel), com modificações menores a nível do motor e da transmissão, numa unidade híbrida – reduzindo assim o consumo de combustível e as emissões de dióxido de carbono até 15%.

Com a solução da SEG Automotive de “híbrido suave” de 48 volts, não há necessidade de proteção de alta tensão ou cabos de alimentação especiais. O BRM está posicionado com interface na própria correia de transmissão (tipologia P0), montado no motor e substitui o alternador no seu habitual espaço de montagem.

“Somos um dos principais players em termos de hibridização suave de 48 volts e orgulhamo-nos de, com o BRM, melhorar a performance dos carros com motores de combustão e contribuir significativamente para economizar combustível, através do coasting e assegurando sempre um início suave e rápido do motor”, acrescenta o nosso interlocutor.

Enquanto empresa pioneira na eletrificação do automóvel, a SEG Automotive tem uma elevada capacidade de inovação e desenvolvimento, bem como é especializada em engenharia e na otimização dos processos desta indústria. Está, por isso mesmo, num ponto privilegiado para industrializar o que o mercado irá solicitar e fazer parte das novas soluções que emergirão da megatrend.

“Acima de tudo temos de ter bem presentes a questão da adaptabilidade e do paradigma think global, act local. Numa organização como a nossa, a mesma tem de estar atenta às estratégias globais mais adequadas para implementar a nível local, à medida que as tendências se vão desenvolvendo e sucedendo”, adianta Albano Magalhães.

Princípios guia

Enquanto empresa nova que estava a começar em Portugal, foi extremamente importante para a SEG Automotive Portugal definir um conjunto de valores, bem como uma missão, visão e, acima de tudo, aquilo a que a empresa chama de princípios guia. “É aquilo que todos nós tentamos viver dia-a-dia. Parte integrante de ser um colaborador SEG Automotive. Um deles diz respeito ao nosso princípio de manter uma postura clara: We say what we do, we do what we say (Dizemos o que fazemos, fazemos o que dizemos). Na SEG Automotive, sempre assumimos claramente os nossos compromissos de forma a não termos dúvidas daquilo que temos de honrar”, afirma Albano Magalhães.

Outro princípio está diretamente relacionado com os clientes. “Costumamos dizer que as perceções do nosso cliente são a nossa realidade. Não contrariamos as suas razões (ou aquilo que podemos entender como perceções), mas trabalhamos com base nelas e no sentido de assegurarmos o melhor caminho ou a melhor decisão. Isso ainda é mais importante num centro de serviços partilhados em que a maioria dos nossos clientes são nossos colegas”, diz-nos, ainda, o nosso entrevistado.

A melhoria contínua é, igualmente, um princípio fundamental para a SEG Automotive Portugal. “Temos de ter presente a noção de que hoje estamos bem, mas, se nada fizermos, amanhã dificilmente continuaremos nessa posição. Por isso temos de contribuir para atingir sempre e continuamente um patamar superior. Temos de tornar o excelente mais excelente, dia após dia. Temos de perceber que há sempre algo que pode ser melhorado. Parar é deixarmo-nos ser apanhados e acreditamos que estes princípios fazem parte do nosso sucesso”, alude Albano Magalhães.

Quando a SEG Automotive iniciou a 1 de setembro de 2016 tinha apenas três áreas funcionais previstas, hoje tem já seis áreas em funcionamento. O plano passava por contar com cerca de 40 colaboradores, mas hoje já são mais de 70 e com a perspetiva de continuar a crescer. “Trata-se, contudo, de um crescimento sustentável e com os pés bem assentes no chão para continuarmos a manter a qualidade e a excelência com as quais já habituamos os nossos clientes, há mais de um século”, conclui Albano Magalhães.

 

 

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