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Tailândia: Polícia cancela fórum sobre abuso de direitos humanos dos rohingya

De acordo com a agência de notícias Associated Press (AP), uma dezena de polícias chegaram ao Clube de Correspondentes Estrangeiros da Tailândia (FCCT, na sigla em ingês), em Banguecoque, onde ia decorrer o fórum, e ordenaram aos membros do painel que não falassem.

Entre os oradores destacava-se Tun Khin, um proeminente ativista rohingya baseado no Reino Unido, Kobsak Chutikul, um ex-diplomata tailandês e Kingsley Abbott, representante do grupo de defesa dos direitos humanos, Comissão Internacional de Juristas.

No mês passado, investigadores da ONU pediram à justiça internacional para investigar e julgar o chefe do exército birmanês e cinco oficiais por “genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra” contra a minoria rohingya.

Na base desta decisão estão centenas de entrevistas a rohingyas e imagens de satélite que a equipa, criada há seis meses pelo Conselho de Direitos Humanos apoiado pela ONU, compilou na sequência dos relatos dos crimes, que incluem violações, destruição de várias aldeias, escravização e assassínios de crianças.

Sob o tema “Vão os oficiais de Myanmar [antiga Birmânia] enfrentar a justiça por crimes internacionais?”, o fórum foi cancelado por ameaçar “as relações externas e dar a terceiros a oportunidade de criar desassossego”, justificou a polícia.

O coronel Thawatkiat Jindakuansanong disse aos organizadores: “Não estamos a pedir. Estamos a ordenar o cancelamento do evento”.

O presidente do FCCT, Dominic Faulder, expressou a sua “enorme deceção” por as autoridades tailandesas terem cancelado mais um programa do clube.

De acordo com a AP, esta deverá ser a sexta vez que a polícia tailandesa cancelou um dos programas do FCCT, desde que os militares tomaram o poder no país, em 2014.

Tailândia: Equipas mostram confiança antes de recomeçar resgate

© Lusa

Sem autorização para falarem, junto ao ‘acampamento’ que dá apoio logístico às equipas, limitaram-se a mostrar os polegares para cima, antes de partirem para a gruta localizada a cerca de dois quilómetros e cujo acesso está agora bloqueado aos meios de comunicação social.

No horizonte, a neblina, mas sobretudo a chuva que as autoridades tailandesas tanto temem, ‘escondem’ a gruta da qual, no domingo, as equipas de resgate conseguiram retirar quatro dos 13 elementos da equipa de futebol Wild Boars que ficaram presos na gruta Tham Luang, situada na província de Chiang Rai, no norte da Tailândia, junto à fronteira com Myanmar (antiga Birmânia) e o Laos.

Mas uma manhã sem chuvas fortes, depois de uma noite que fez justiça ao tempo das monções que se vive neste período no Sudeste Asiático, está hoje e para já a afastar os piores receios das autoridades tailandesas.

“A segunda operação começou pelas 11h00 locais [05h00 em Lisboa]”, confirmou, entretanto, à imprensa o chefe da unidade de crise.

Narongsak Osottanakorn, líder da equipa de resgate que tenta hoje retirar o grupo (oito rapazes e o treinador) preso na gruta inundada assegurou que anunciaria “boas notícias em poucas horas”.

“Em poucas horas teremos boas notícias” para anunciar, garantiu.

Os quatro primeiros rapazes a sair da gruta no domingo, numa operação urgente e perigosa, tiveram de mergulhar e atravessar diversas passagens apertadas e tortuosas da caverna.

Os jovens estão ainda a ser submetidos a diversos exames médicos no hospital e ainda não estão autorizados a entrar em contacto direto com a família. Devido ao perigo de infeções, só puderam ver os familiares através de uma divisória de vidro.

Não obstante, as autoridades dão conta de que estão bem de saúde.

O grupo encurralado, recorde-se, é composto por jogadores com idades entre os 11 e os 16 anos, e o treinador, de 25 anos.

Os 12 rapazes e o treinador foram explorar a gruta depois de um jogo de futebol no dia 23 de junho.

Na altura, as inundações resultantes das monções bloquearam-lhes a saída e impediram que as equipas de resgate os encontrassem durante nove dias, uma vez que o acesso ao local só é possível via mergulho através de túneis escuros e estreitos, cheios de água turva e correntes fortes.

Nas operações de socorro participam 90 mergulhadores, 40 tailandeses e 50 estrangeiros.

O local onde os jovens ficaram presos situa-se a cerca de quatro quilómetros da entrada da gruta, num complexo de túneis com zonas muito estreitas e alagadas pelas chuvas da monção que afetam a zona, o que obriga a que parte do percurso tenha de ser feito debaixo de água e sem visibilidade.

LUSA

Equipas de resgate lutam contra o tempo e falta de oxigénio na caverna

“Não podemos continuar à espera de ter condições porque as circunstâncias estão a pressionar-nos”, disse o comandante dos fuzileiros tailandeses Arpakorn Yookongkaew numa conferência de imprensa.

“Pensávamos que os rapazes ficariam seguros dentro da caverna por algum tempo, mas as circunstâncias mudaram. Temos um tempo limitado”, acrescentou.

A operação que estava a ser levada a cabo na gruta de Tham Luang Nang Non, no norte da Tailândia sofreu a primeira baixa quando um antigo fuzileiro tailandês desmaiou debaixo de água sem que fosse possível reanimá-lo.

Os níveis de oxigénio estão a diminuir por causa dos trabalhadores que estão dentro da caverna e que estão a tentar levar mais oxigénio para as câmaras, além das botijas de oxigénio usadas pelos mergulhadores, segundo o governador da província de Chiang Rai, Narongsak Osatanakorn.

Um comandante do Exército, o major-general Chalongchai Chaiyakam, disse que a missão mais urgente é a instalação de uma linha de oxigénio, ligada a uma linha telefónica que sirva de canal de comunicação com as crianças, que estão presas no complexo, mas estão a ser acompanhadas por quatro fuzileiros, incluindo um médico.

Os rapazes, com idades entre 11 e 16 anos, e o seu treinador de 25 anos foram explorar a caverna depois de um jogo de futebol no dia 23 de junho.

As inundações resultantes das monções bloquearam-lhes a saída e impediram que as equipas de resgate os encontrassem durante nove dias, já que a única maneira de chegar até ao local onde se encontram é mergulhando através de túneis escuros e estreitos, cheios de água turva e correntes fortes.

As autoridades têm bombeado a água da caverna antes que as tempestades previstas para os próximos dias aumentem os níveis novamente.

Neste momento, porém, o mergulho é o único método possível de fuga, apesar dos especialistas avisarem que é extremamente perigoso, mesmo para mergulhadores experientes.

A morte do antigo fuzileiro evidencia os riscos. O mergulhador, que estava a trabalhar como voluntário, morreu quando tentava colocar botijas de oxigénio ao longo do percurso que os mergulhadores usam para chegar às crianças, disse Arpakorn.

As botijas estrategicamente posicionadas permitem que os mergulhadores fiquem submersos por mais tempo durante o caminho de cinco horas que levam para chegar até à equipa encurralada.

O governador adiantou que os 13 jovens poderão não ser retirados ao mesmo tempo, dependendo da sua condição física. Estão fracos, mas na maioria são fisicamente saudáveis. Estão a praticar o uso de máscaras de mergulho e respiração, preparando-se para a possibilidade de mergulho.

As autoridades querem retirar as crianças o mais rapidamente possível pois esperam-se chuvas fortes no sábado.

Esperam conseguir baixar o nível de água, para conseguir algum espaço para que os rapazes não dependam do aparelho de mergulho durante muito tempo e possam manter as cabeças acima da água.

Especialistas em resgate de cavernas disseram que poderia ser mais seguro fornecer mantimentos aos rapazes no local e esperar que as inundações diminuam.

No entanto, isto pode levar meses, dado que a estação das chuvas na Tailândia geralmente dura até outubro e sem níveis adequados de oxigénio, ficar parado também pode ser fatal.

LUSA

Pelo menos 56 mortos em inundações no sudeste asiático

Equipas de socorro vietnamitas estão a tentar localizar 15 desaparecidos, tendo advertido as populações para o risco de deslizamento de terras no país, onde os prejuízos do desastre natural foram estimados pelas autoridades em 940 milhões de dong (35 milhões de euros).

Na Tailândia, dez províncias continuam afetadas pela subida das águas ocorrida na sequência de um forte temporal que atingiu a zona durante o mês passado.

As autoridades tailandesas disseram que 1,8 milhões de pessoas foram afetadas em 44 províncias, mas não facultaram estimativas dos prejuízos causados pelas inundações.

No Laos, duas pessoas morreram no sábado, também devido à subida repentina dos rios, na sequência do forte temporal que se abateu sobre a região do norte do país no fim de semana.

Veterinários retiram 915 moedas do estômago de tartaruga

A tartaruga marinha fêmea, que ganhou a alcunha de ‘Banco’, estava a morrer de uma infeção causada pela rotura da sua carapaça ventral, causada pelos cinco quilos de peso das moedas

A operação à tartaruga marinha verde, de 25 anos, foi feita por uma equipa de veterinários de Banguecoque, cirurgiões da Faculdade de Veterinária da Universidade de Chulalongkorn.

As 915 moedas formaram uma bola no estômago do animal e os especialistas não a conseguiram remover inteira pela incisão de 10 centímetros que tinham feito. Assim, demoraram quatro horas a extrair poucas moedas de cada vez, muitas delas parcialmente corroídas ou já meio dissolvidas.

“O resultado é satisfatório. Agora até que ponto vai a recuperação já depende da ‘Banco'”, declarou Pasakorn Briksawan, um dos elementos da equipa.

A tartaruga vai ficar em dieta líquida nas próximas duas semanas.

Muitos tailandeses acreditam que atirar moedas às tartarugas traz longevidade e foi isso mesmo que ao longo de vários anos fizeram que visitava o lago onde vivia a tartaruga ‘Banco’, na cidade de Sri Racha (Leste da Tailândia).

Zika não deixa OMS descansar à medida que atinge mais países

A Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda não desceu o estado de alerta associado à epidemia do vírus Zika na última grande reunião sobre a doença, no início de Setembro. “Devido à contínua expansão geográfica e às falhas consideráveis na compreensão do vírus e das suas consequências, a infecção pelo vírus Zika (…) continua a ser uma Emergência de Saúde Pública de Preocupação Internacional”, lê-se num documento da OMS.

Não é de estranhar, por isso, que as notícias sobre a epidemia continuem a surgir diariamente. Parte delas são sobre a sua expansão. Nesta terça-feira, o Ministério da Saúde do Governo da Tailândia anunciou, pela primeira vez, que foram detectados 200 casos de pessoas infectadas com o Zika desde o início do ano. “Nas últimas três semanas confirmámos uma média de 20 casos por semana”, disse Suwannachai Wattanayingcharoenchai, porta-voz do Ministério da Saúde, à agência Reuters.

Estes novos casos num país do Sudeste da Ásia podem ser um reflexo do actual esforço mundial para se detectar e conhecer melhor esta doença que, há pouco mais de um ano, fazia parte do vocabulário de um reduzido número de pessoas.

A principal forma de se ser infectado pelo vírus Zika é com uma picada de um mosquito infectado do género Aedes. Entre os mosquitos deste género, o mais famoso é o Aedes aegypti, que transmite a febre da dengue, outra doença viral. O Aedes aegypti vive nas regiões tropicais de todos os continentes.

No Outono do ano passado, o Zika, até então desconhecido no Brasil, começou a ser uma fonte crescente de preocupação devido a uma quantidade anormal de bebés que nasceram com microcefalia naquele país. Desde então, a ligação entre a infecção do vírus em mulheres grávidas e casos de bebés em que o cérebro não crescia normalmente foi sendo apoiada com provas científicas. Até 27 de Agosto, já se contabilizaram 1857 casos de microcefalia associados ao Zika no Brasil, segundo a OMS.

O vírus chegou ao Brasil vindo das ilhas do oceano Pacífico e acabou por se espalhar pela América do Sul, a América Central e já saltou para a Florida, nos Estados Unidos. Desde 2015, há 55 países que anunciaram ter um surto do vírus. Há outros 17 que já se tinham deparado com a mesma situação deste 2007. Muitos deles no Sudeste Asiático. Mas tal como a Tailândia, que agora divulgou os 200 casos, também Singapura só recentemente é que anunciou casos de Zika. O primeiro foi a 27 de Agosto. Desde então, o número aumentou para 300.

“Este vírus pertence à linhagem asiática e provavelmente evoluiu da estirpe que estava a circular no Sudeste Asiático”, lê-se no último relatório da OMS, da semana passada, depois de se ter obtido a sequência do genoma do vírus. “Estes casos recentes em Singapura não parecem resultar de uma importação da estirpe do vírus da América do Sul.”

Tudo indica que o vírus Zika seja originário da África, onde foi isolado pela primeira vez em 1947, de um macaco rhesus (Macaca mulatta). No ano seguinte, foi isolado num mosquito do género Aedes e em 1952 numa pessoa, tudo em África. Desde então, o vírus surgiu na Índia e depois no Sudeste Asiático. Mas até 2007 só foram documentados 14 casos de Zika em humanos e nunca se tinha associado a doença a problemas tão graves como a microcefalia.

Efeito no turismo

O anúncio feito nesta terça-feira pela Tailândia surgiu depois de especialistas na área da saúde terem pressionado o Governo tailandês para ser mais transparente e divulgar o risco do país em relação ao vírus. Segundo a Reuters, os especialistas temiam que o Governo não revelasse a situação real do Zika pelo potencial efeito negativo da notícia no turismo. “As pessoas não devem temer visitar as províncias afectadas pelo vírus Zika”, referiu Suwannachai Wattanayingcharoenchai. Para já, a Tailândia não reportou nenhum caso de microcefalia. Mas estão a monitorizar cerca de 25 mulheres grávidas.

Muita da apreensão sobre o vírus deve-se ao desconhecimento sobre a doença. Há uma panóplia de sintomas quando se é infectado pelo Zika. A doença pode ser assintomática, mas pode causar pequenas borbulhas, febre e dores no corpo. Em casos mais extremos, as pessoas sofrem da síndrome de Guillain-Barré — onde os nervos periféricos são atacados pelo sistema imunitário, deixando temporariamente as pessoas com dificuldades de se mexerem. Nos fetos, a microcefalia parece ser o efeito mais grave de uma paleta de problemas no desenvolvimento do sistema nervoso causados pelo vírus.

Polícia da Tailândia resgata 19 vítimas de redes de tráfico humano

O grupo foi descoberto, no domingo, pela polícia tailandesa a bordo de uma embarcação com pavilhão indonésio, ao largo da província de Parrani, no sul do país.

Segundo o Global New Light, órgão de comunicação social oficial tailandês, as autoridades de Banguecoque lançaram a operação depois de alertadas pelos familiares e pelos apelos que tinham sido lançados pela Associação de Myanmar na Tailândia.

Kyaw Thaung, diretor da associação, disse à agência noticiosa France Press que as vítimas, entre as quais crianças de 13 anos, tinham sido ludibriadas pela rede de tráfico de seres humanos com promessas de trabalho na capital da Tailândia, mas acabaram presas a bordo do pesqueiro.

“As forças policiais fizeram uma abordagem ao barco da Indonésia e encontraram 19 birmaneses”, afirmou, acrescentado que o grupo estava preso a bordo da embarcação há mais de 10 dias.

O diretor da associação disse ainda que o responsável pela rede de tráfico foi preso no momento da abordagem.

A polícia da Tailândia não respondeu às perguntas dos jornalistas sobre o assunto, mas uma fonte da Divisão Contra o Tráfico Humano da polícia de Myanmar, em Naypyidaw, confirmou à France Press que foram resgatadas as 19 pessoas que se encontravam presas a bordo do barco de pesca.

Milhares de cidadãos de Myanmar tentam conseguir trabalho na Tailândia, onde os salários são mais elevados, em instalações industriais ilegais ou no setor da pescas sendo a maior parte vítimas de exploração e abusos por parte dos empregadores.

Nos últimos anos, a Tailândia implantou uma série de medidas para combater o tráfico de seres humanos, assim como tenta reformar o setor das pescas que tem sido acusado de usar trabalho escravo.

 

ONG acusa Tailândia de não proteger as vítimas de tráfico humano

A organização Fortify Rights acusou esta sexta-feira o governo da Tailândia de não proteger as vítimas de tráfico humano, apesar de ter melhorado a sua posição no relatório anual dos Estados Unidos.

Em comunicado, a organização não-governamental (ONG) qualificou como “prematura” a decisão do Departamento de Estado de subir a Tailândia do nível 3 para 2 no seu relatório anual sobre tráfico de seres humanos, apresentado na quinta-feira.

“A Tailândia fez melhorias nos últimos meses, mas melhorar a sua posição [no relatório] de 2015 é prematuro e envia uma mensagem errada ao Governo”, disse Matthew Smith, diretor executivo da ONG.

A Tailândia foi promovida — saindo da lista dos piores infratores (“Tier 3”) — para o grupo de países que estão a desenvolver esforços e medidas para combater o tráfico de pessoas, mas que estão sob observação.

A Fortify Rights denunciou que as autoridades tailandesas não ofereceram a proteção adequada às vítimas de tráfico de pessoas e mantêm em centros de detenção refugiados ‘rohingya’ — uma minoria muçulmana apátrida, considerada uma das mais perseguidas do planeta pelas Nações Unidas.

Neste sentido, a ONG manifestou o seu apoio ao facto de a Birmânia — que não reconhece cidadania aos ‘rohingya’ — ter sido colocada na “lista negra”.

Organizações de defesa dos direitos humanos saudaram a despromoção da Birmânia por considerarem que foi, por razões políticas, injustamente protegida da avaliação no relatório do ano passado, mas lamentaram que a Tailândia e a Malásia não tenham sido responsabilizadas.

Os Estados Unidos acrescentaram oito países (Djibuti, Haiti, Birmânia, Papua Nova Guiné, Sudão, Suriname, Turquemenistão e Uzbequistão) à “lista negra” de nações que não estão a combater o tráfico de seres humanos.

A Líbia, a Somália e o Iémen foram considerados casos especiais, cujos governos estão numa situação demasiado caótica para serem analisados.

O templo dos tristes tigres

Era um segredo mal guardado o que se passava no Templo dos Tigres. Nesta grande atracção turística da Tailândia, a cerca de 160 quilómetros da capital, Banguecoque, monges budistas vestidos com as suas fotogénicas túnicas cor-de-açafrão cobravam 17 dólares de entrada aos turistas para verem tigres interagir com as pessoas. Para tirar fotografias com as suas poderosas cabeças no colo, ou a fazer-lhes festas e alimentá-los – os animais estavam claramente drogados, queixavam-se alguns turistas –, os monges iam sempre cobrando mais por cada gracinha. O negócio renderia cerca de sete milhões de dólares anuais.

As denúncias de maus-tratos aos animais começaram a ser feitas há anos e por várias entidades de defesa da natureza, baseando-se em testemunhos. Mas o templo liderado pelo abade Phra Acham Phoosit (Chan) Kantitharo, que tinha tigres desde 1999, tinha conseguido escapar sempre a represálias das autoridades. Agora, num raide que durou mais de uma semana, o Departamento de Parques Nacionais resgatou finalmente 137 tigres vivos. Mas descobriu 40 crias num congelador industrial que pareciam ter sido recentemente congeladas e 20 outras que estavam preservadas em frascos.

“Embora as circunstâncias destas mortes continuem por esclarecer, lamentavelmente estas crias representam apenas uma pequena proporção da enorme extensão do negócio ilegal em torno da vida selvagem, que está a levar as espécies à beira da extinção”, disse a Agência para as Drogas e a Criminalidade das Nações Unidas, num comunicado divulgado após o início das buscas no templo.

Como se estas descobertas não fossem suficientemente macabras, a cerca de 50 km de distância, encontraram uma casa numa zona isolada, cercada por uma alta vedação onde estavam quatro tigres vivos e várias jaulas vazias. Havia ali uma sala com uma grande mesa de corte e uma enorme variedade de facas.

“Acreditamos que esta casa era usada pelo Templo dos Tigres como matadouro dos tigres. Ali seriam mortos para lhes retirarem as peles, carne e ossos para serem exportados, ou enviados para restaurantes na Tailândia que servem carne de tigre para grupos”, disse à Associated Press o coronel Montri Pancharoen, subcomandante da Divisão de Supressão do Crime, que supervisionou a operação.

Esta é a suspeita que recai sobre o Templo dos Tigres; longe de ser um local idílico de equilíbrio entre seres humanos e um grande predador – do qual se estima existirem menos de 3900 em estado selvagem, está na Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas de Extinção da União Internacional para a Conservação da Natureza – era um importante nó numa rede de tráfico de animais.

Negócio de 19 mil milhões

O negócio do tráfico de animais selvagens é um dos mais lucrativos do mundo – só é superado pelo comércio clandestino de armas e drogas, disse à agência Efe Luis Suárez, do Fundo Mundial para a Natureza (WWF). O tráfico vale pelo menos 19 mil milhões de dólares por ano (16.750 milhões de euros), diz a Agência para as Drogas e a Criminalidade da ONU.

O secretário do monge que lidera o templo foi apanhado pela polícia a tentar fugir do recinto numa carrinha com duas peles de tigre, dez dentes e cerca de mil amuletos com pedacinhos de pele de tigre. Vários outos monges e devotos foram detidos e acusados de estarem na posse de produtos feitos com espécies de protegidas. O abade deverá prestar declarações.

Numa altura em que os tigres desaparecem do seu habitat natural, cerca de 6000 estão neste momento a ser criados em cativeiro na Ásia, na maior parte das vezes ilegalmente. Uma decisão da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção (CITES) estipula que “os tigres não devem ser criados para comercializar partes do seu corpo ou derivados”.

Mas um estudo da organização Traffic sugere que pelo menos 5000 estarão a ser criados na China – país que maior apetite tem por produtos de luxo e de medicina natural derivados de tigre –, 1450 na Tailândia, 180 no Vietname e talvez 400 no Laos. Em vários outros países asiáticos há jardins zoológicos e colecções privadas, diz o jornal The Guardian.

Incêndio em escola mata pelo menos 17 meninas

“O incêndio começou às 23h00 de domingo (17h00 em Lisboa). Dezassete meninas morreram e duas estão desaparecidas, além de cinco feridas”, disse à AFP Prayad Singsin, comandante da polícia de Vingpatao, em Chiang Rai.

A escola acolhe meninas com idades entre os três e os 13 anos, informou.

Um segundo polícia da mesma esquadra indicou que a escola recebe alunas de localidades empobrecidas das zonas montanhosa.

“O fogo foi apagado, mas as suas causas ainda estão sob investigação”, disse Prayad, indicando que especialistas forenses vão hoje deslocar-se ao local.

Fotografias publicadas na página de Facebook da escola mostram os bombeiros com dificuldade em combater as chamas que envolvem o edifício de dois andares.

As comunidades tribais das montanhas não têm muitas vezes acesso aos recursos estatais, sendo prejudicadas ao nível do ensino e da saúde.

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