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Estados Unidos retiram-se da UNESCO

Os EUA conservam um estatuto de observador, acrescentou o Departamento de Estado, em vez da sua representação na agência da ONU sediada em Paris.

A diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova, disse hoje “lamentar profundamente” a decisão norte-americana de se retirar da organização.

“A universalidade é essencial à missão da UNESCO para construir a paz e a segurança internacionais face ao ódio e à violência, pela defesa dos direitos humanos e da dignidade humana”, disse Bokova em comunicado.

UNESCO declara Hebron Património Mundial

UNESCO é a Organização para a Educação, Ciência e Cultura da ONU.

A inclusão de Hebron na lista teve 12 votos favoráveis, seis abstenções e três votos contra.

Para ser incluído na lista, um local tem de ser votado favoravelmente por pelo menos 10 membros da Comissão, que se reúne em Cracóvia, no sul da Polónia.

A classificação de Património Mundial é atribuída a locais considerados de importância única para o mundo e a humanidade e determina o estabelecimento de medidas que garantam a sua preservação.

Palmira. Depois de recapturada ao Estado Islâmico, UNESCO prepara-se para restaurar cidade histórica

Depois de ter estado dez meses sob o domínio do Estado Islâmico, a cidade síria de Palmira, património mundial da UNESCO, foi reconquistada pelo exército do regime de Bashar al-Assad. Agora que surgem as primeiras imagens depois da operação militar de sábado, fica provado que aquele grupo terrorista destruiu alguns dos monumentos ali situados, mas que também poupou outros.

Foi essa a avaliação que fez o diretor-geral de Antiguidades e Museus da Síria, Maamoun Abdelkarim, em declarações à AFP. Abdelkarim disse que, antes de entrarem em Palmira, as autoridades “estavam à espera do pior” mas que “de forma geral o cenário está em boa forma”.

Entre os monumentos destruídos estão os templos de Bel e Baalshamin e o Arco do Triunfo desta cidade que em tempos pertenceu ao império romano. Segundo o The Guardian, foram poupadas a Ágora e o anfiteatro romano. Este último foi utilizado por aquele grupo terrorista para fazer execuções.

“Estou pronta para enviar urgentemente uma equipa de peritos para fazer uma avaliação dos danos na cidade património mundial da UNESCO de Palmira”, disse no domingo a diretora daquele órgão, Irina Bokova, num comunicado oficial. Na mesma nota, é referido que Bokova entrou em contacto o Presidente russo, Vladimir Putin, para discutir a proteção e a preservação daquela cidade.

A UNESCO informou ainda que vai promover uma conferência de peritos em restauro “no final de abril” onde o tema central será a recuperação do património cultural sírio.

Palmira foi recapturada ao Estado Islâmico depois de ter sido tomada por aquele grupo terrorista em maio de 2015. A reconquista foi conseguida pelo exército sírio, que contou com o auxílio militar da Rússia, que interveio com bombardeamentos aéreos. Bashar al-Assad aproveitou a ocasião para enaltecer o exército sírio e os seus aliados: “A libertação da cidade histórica de Palmira é um feito importante e prova a eficácia da estratégia adotada pelo exército sírio e pelos seus aliados na guerra contra o terrorismo”.

“Restaurámos a segurança e a estabilidade de Palmira e conseguimos controlar as colinas em torno da cidade”, disse o exército sírio num comunicado, citado pelo The Guardian.

Classificação do fabrico de chocalhos pela UNESCO é “enorme orgulho”

Chocalhos

“É um momento de enorme orgulho e satisfação”, congratulou-se, lembrando tratar-se de uma “candidatura nacional, mas promovida pela Turismo do Alentejo e com base no trabalho técnico e científico à volta da arte chocalheira na freguesia de Alcáçovas, no concelho de Viana do Alentejo”, distrito de Évora.

Ceia da Silva falava à agência Lusa na sequência da decisão de hoje da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), que reconheceu o fabrico de chocalhos como Património Cultural Imaterial com Necessidade de Salvaguarda Urgente.

A candidatura de Portugal sobre este ofício tradicional, em risco de extinção, foi aprovada na 10.ª reunião do Comité Intergovernamental da UNESCO para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, a decorrer em Windhoek, capital da Namíbia, até sexta-feira.

Coordenado pelo antropólogo Paulo Lima, o processo foi liderado pela Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo, em colaboração com a Câmara de Viana do Alentejo e a Junta de Freguesia de Alcáçovas.

O presidente da ERT dedicou o “selo” da UNESCO “a todos os alentejanos” e partilhou-o “com todos os agentes do turismo e com aqueles que têm trabalhado neste setor”, assim como com os mestres chocalheiros.

“Aqueles que mantiveram viva esta tradição são, obviamente, os grandes homenageados hoje”, frisou.

Com mais esta inscrição, o Alentejo, região do país onde o fabrico de chocalhos tem “a maior expressão a nível nacional”, passa a deter dois bens classificados como Património Cultural Imaterial pela UNESCO, após o reconhecimento do cante, em 2014.

Segundo Ceia da Silva, este novo “selo” vem ao encontro da “linha de intervenção estratégica” da Turismo do Alentejo, a qual “tem como um dos pontos fundamentais a questão identitária”.

“Temos hoje consciência de que, face ao novo perfil do turista e às novas características do turista do futuro, os destinos distintivos, diferentes e diferenciadores”, que apostem nas “questões da identidade”, vão ser os “mais competitivos”, disse.

Por isso, continuou, esta classificação, a segunda “em dois anos consecutivos”, representa “imenso” enquanto afirmação do destino turístico do Alentejo.

E, por ser uma atividade tradicional à beira da extinção, restando poucos mestres chocalheiros no país, os promotores da candidatura estão a desenvolver um plano de salvaguarda para “garantir a sustentabilidade e transmissão de uma arte iniciada há mais de dois mil anos no Alentejo”, realçou a ERT.

“Todas as candidaturas têm um plano de gestão que é obrigatório e, claramente, há uma linha de intervenção que vamos seguir, no sentido de preservar esta arte” e para que “possa sair valorizada com esta classificação”, sublinhou Ceia da Silva.

Para o coordenador do dossiê, Paulo Lima, a distinção da UNESCO pode ajudar a “chamar a atenção” para “uma arte invisível, para um som, a que quase” não se liga “por ser tão presente” no campo, “mas que está à beira da extinção”.

Também o presidente da Câmara de Viana do Alentejo e a presidente da Junta de Freguesia de Alcáçovas, Bernardino Bengalinha Pinto e Sara Pajote, respetivamente, saudaram o “selo” da UNESCO.

“A classificação contribuirá, seguramente, para o desenvolvimento do concelho e da região” e “valoriza os chocalheiros e esquilaneiros”, disse Bengalinha Pinto, enquanto Sara Pajote considerou que Alcáçovas e os artesãos locais deste ofício “têm agora uma responsabilidade acrescida no incremento e preservação de uma arte milenar”.

Património da Humanidade tornou-se mais-valia para o Alentejo

A classificação, atribuída pela UNESCO a 27 de novembro de 2014, “trouxe, antes de mais, um reconhecimento do cante à escala global e aumentou, de forma exponencial, a autoestima dos alentejanos por uma região, uma cultura e uma identidade”, disse à agência Lusa o coordenador da candidatura, o antropólogo Paulo Lima.

Atualmente, frisou, os alentejanos “olham para o cante alentejano”, um canto coletivo sem recurso a instrumentos, “com uma dignidade enorme, o que é visível na adesão dos jovens àquela prática musical” e na criação de novos grupos corais.

A distinção, atribuída graças a uma candidatura apresentada pela Câmara de Serpa e pela Entidade Regional de Turismo, continuou, também trouxe “um acréscimo de responsabilidade do Alentejo e de outros territórios onde há cante alentejano na salvaguarda do bem e abriu uma nova perspetiva do cante como fator económico”.

“O cante alentejano transformou-se num produto turístico e numa mais-valia, que contribui para o reconhecimento e o desenvolvimento do Alentejo do ponto de vista do turismo”, explicou.

Em declarações à Lusa, o presidente da Turismo do Alentejo, António Ceia da Silva, considerou que a classificação “trouxe um reconhecimento, uma relevância e um destaque que o cante alentejano não tinha”.

O cante, “como forma cultural e de identidade do povo alentejano, também se tornou uma mais-valia” para a região em termos turísticos, disse Ceia da Silva, frisando que “a questão da identidade é decisiva na afirmação do destino turístico Alentejo”.

“As tendências do turismo para os próximos anos levam a considerar que a nova geração de turistas vai procurar destinos fortemente identitários e distintivos e, obviamente, a classificação do cante trouxe para o Alentejo um peso muito forte a nível identitário”, explicou Ceia da Silva.

O presidente da Câmara de Serpa, Tomé Pires, também manifestou a opinião de que a classificação “trouxe um grande reconhecimento do cante, que já era reconhecido pelos alentejanos e por muitos portugueses e passou a ser à escala mundial e, logicamente, um acréscimo de responsabilidade” para o salvaguardar.

Segundo o autarca, a Câmara de Serpa e a Turismo do Alentejo estão a gerir a implementação do plano de salvaguarda do cante, que fez parte da candidatura e inclui orientações genéricas para desenvolvimento de projetos por várias entidades para salvaguardar, valorizar, promover e transmitir às novas gerações o cante alentejano.

“A ideia é gerir o processo com regras definidas para que, quando tivermos de responder à UNESCO, tenhamos um relatório com as informações sobre tudo o que se está a fazer no âmbito do plano de salvaguarda do cante alentejano” para que “a classificação se mantenha por muitos e bons anos”, disse o autarca.

O objetivo, frisou Tomé Pires, “é que, no futuro, possamos ter um cante forte e usá-lo, de forma saudável, também para valorizar e desenvolver o Alentejo, nomeadamente na vertente turística”.

A Câmara de Serpa tem vindo a contactar os grupos corais e as autarquias do Alentejo para sensibilizá-los para a implementação de ações enquadráveis no plano.

No caso de Serpa, a autarquia promove há 10 anos o ensino do cante nas escolas básicas do concelho, criou a Casa do Cante e está a trabalhar no projeto de criação do Museu do Cante, indicou.

Por outro lado, frisou, “há muitos municípios e grupos corais alentejanos” que têm vindo a desenvolver projetos que se enquadram na estratégia do plano, como os de ensino de cante alentejano nas escolas.

“Todos têm de contribuir para esta tarefa coletiva, mas, independentemente do que cada um pode fazer, há um plano específico que a Câmara de Serpa e a Turismo do Alentejo irão executar nos próximos anos” e que prevê várias ações, como criação de roteiros e casas de cante, explicou Ceia da Silva.

Segundo a Casa do Cante, de Serpa, atualmente, em Portugal, existem cerca de 150 grupos corais alentejanos ativos, sendo que a maior parte são do distrito de Beja.

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