“Resultados são apenas a consequência…”

Quem conhece Cristina Coutinho sabe que onde ela estiver o sucesso está lá garantidamente. Esta mulher de 33 anos é conhecida como sendo uma líder exemplar. Além de Diretora de Operações da cadeia de Ginásios Fitness UP & Eugénios, é atleta de alta competição na modalidade de atletismo, formadora e tem o seu negócio próprio, o seu ginásio num segmento de mercado específico – feminino. Pelos amigos, colegas de trabalho e por todos os que a rodeiam, é vista como uma inspiração. Conheça-a!

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Cristina Coutinho

A marca Fitness UP tem vindo a expandir-se rapidamente. O que leva a este sucesso numa área de negócio que aparentemente está esgotada?
A marca Fitness UP é muito mais do que um conjunto de ginásios onde as pessoas fazem o seu exercício físico. Como costumamos dizer: “Ser UP é ser FELIZ” e, por isso, temos várias estratégias para que os nossos clientes sintam que fazem parte de uma família e não apenas de um negócio de saúde e bem-estar. A nossa preocupação com a qualidade das nossas instalações, com o serviço personalizado que os nossos colaboradores prestam aos nossos sócios, com um preço realmente competitivo e que permita a qualquer cidadão ter capacidade financeira para fazer exercício físico em segurança e em ginásios equipados com equipamento topo de gama, são os nossos objetivos principais. O mercado está “saturado” de ginásios e/ou estabelecimentos desportivos e o Fitness UP quer ir mais além. Estamos constantemente insatisfeitos porque queremos sempre mais e melhores condições para os nossos clientes e isso sente-se, está no ADN da empresa e de todos os elementos do staff.

É Diretora de Operações de uma cadeia de Ginásios, tem o seu próprio ginásio, Atleta de alta competição e Formadora. Como consegue conciliar a sua vida tão preenchida e ter sucesso em todas as áreas?
Tudo depende em primeiro lugar de ter as pessoas certas em todos os projetos onde estou inserida, quer seja profissionais e/ou pessoais e depois, conseguir cumprir um bom planeamento. Não considero que tenha sucesso em todas as áreas, aliás, penso sempre que posso fazer melhor e talvez por isso, por essa busca constante em querer melhorar em tudo o que faço, me faça ter a “sorte” em obter sucesso nos projetos onde estou inserida. Acima de tudo, considero-me uma pessoa com muita sorte porque tenho o privilégio de trabalhar com profissionais muito competentes, que me ajudam a ser melhor e desenvolver os meus skills de forma natural e gradual. As pessoas são o mais importante, quero que todos os que me rodeiam possam ter a possibilidade de ter sucesso, de crescer e desenvolver os seus skills. Este é um dos meus grandes focos.
Um dos livros que está sempre presente comigo e na forma como trabalho é “GOOD TO GREAT, Jim Collins”. Este livro é uma filosofia de vida porque se foca nas pessoas e na sua realização. Tento ser sempre muito objetiva e este livro conseguiu mostrar-me através de factos, que o sucesso de qualquer empresa/organização está nas pessoas que a constituem.

Na sua opinião, o que é liderar?
Liderar é fazer com que os outros façam aquilo que pretendemos de forma motivada, natural, sem pressão e com sucesso. Liderar é fazer aos outros o que gostávamos que nos fizessem a nós de forma a evoluirmos como profissionais e, mais importante, como pessoas. Todos querem fazer parte de algo que funcione, que tenha sucesso, que seja uma mais-valia para si e para os que o rodeiam. Liderar é dar o exemplo, sempre que solicito a um dos meus colaboradores, alunos, colegas, alguma coisa, em primeiro lugar tenho que dar o exemplo que já a fiz e que é possível de ser executada. Para além disso é muito importante as pessoas sentirem que são ouvidas no processo e não são apenas meros executantes. Somos pessoas, fomos feitos para pensar e esse é um dos desafios que coloco a todos os que me rodeiam porque também o faço comigo própria…pensar. Numa sociedade atual onde o tempo é precioso, temos que pensar, é fundamental pensar para que consigamos ser mais eficazes e rentabilizar todos os meios que temos ao nosso dispor.

Se tivesse de numa frase apenas descrever a cadeia de Ginásios Fitness UP, como o faria?
O Fitness UP é a família profissional e isto diz tudo sobre a empresa. O Fitness UP é muito mais do que uma cadeia de ginásios, “nós” e digo nós porque realmente a empresa é o resultado de todos os seus colaboradores, queremos marcar pela diferença, pretendemos ser diferentes não pela diferença em si mas pela qualidade que proporcionamos aos nossos clientes mas também aos nossos colaboradores. Quem trabalha no Fitness UP tem que ser feliz no seu local de trabalho e esse é um dos nossos principais focos. Fazemos muitos eventos para que os nossos clientes se sintam verdadeiramente parte integrante da empresa mas fazemo-lo de igual forma internamente para com o nosso staff.

Hoje em dia ainda vivemos um certo preconceito em ter líderes femininas em funções de chefia. Sente que isso é um entrave ou considera um desafio?
Parece-me que, felizmente, a evolução faz com que preconceitos se transformem em soluções que anteriormente eram impensáveis. Da forma como vejo o mercado, os números mostram-nos que as mulheres estão cada vez mais em qualquer cargo de destaque, seja ele de liderança ou não. Isto é muito positivo porque o equilíbrio entre homens e mulheres é absolutamente fundamental para uma sociedade evoluir e crescer de forma justa e com os valores da igualdade perfeitamente transparentes para todos. Liderar é um desafio constante, por isso o que considero mais importante não tem a ver se a pessoa é mulher ou homem, ou seja, o género, mas sim com os valores, skills e o know how que são fundamentais para fazer um trabalho/função de forma autêntica, honesta e com sucesso.

A sociedade está preparada para a liderança feminina?
Se não está, tem que passar a estar. Qualquer sociedade que pretenda ser evoluída tem que ter como base o princípio da igualdade de oportunidades. Acredito que as mulheres foram ganhando o seu espaço nas organizações e hoje em dia conseguimos verificar que há uma tendência para a igualdade, embora ainda não seja uma situação perfeita, temos que ter a consciência de que o caminho está a ser traçado e que o processo em si não acontece “da noite para o dia”. Não tenho dúvidas que a igualdade de oportunidades está cada vez mais saliente nas organizações porque já se aperceberam que as vantagens são diretas na sua eficácia, produtividade e por consequência…resultados.

No seu início de carreira, achava que aos 33 anos de idade iria ter o sucesso profissional que já tem?
Talvez por defesa mas não penso muito nisso porque acho sempre que não alcancei nada de especial. Vejo pessoas à minha volta com muito mais sucesso do que eu, por isso só tenho que continuar a tentar ser melhor todos os dias e proporcionar isso a quem trabalha comigo. No início da minha carreira lembro-me de pensar que um dia gostava de ter o meu negócio próprio e, hoje em dia, isso é uma realidade. No entanto, no momento já estou a pensar em evoluir noutros projetos. Parece-me que os nossos objetivos vão sendo alterados conforme o nosso estado de evolução, ou seja, o que antes parecia impossível ou muito difícil, agora já faz parte do passado e queremos passar para o próximo patamar. Esta é a essência de quem quer evoluir e, como já disse anteriormente, tenho muita “sorte” porque estou sempre rodeada de pessoas que na minha opinião são melhores do que eu e, por isso, tenho que estar constantemente a procurar melhorar-me.