“Cada vez mais a MIF se reinventa”

Com 133 expositores, cerca de 250 empresários e 44 protocolos assinados, assim se traduziu a presença portuguesa na 20.ª edição da MIF – Feira Internacional de Macau. Estes números têm crescido de forma expressiva ao longo dos anos, o que apenas demonstra que este se trata cada vez mais de um certame de referência para o tecido empresarial português. Macau concentra potencialidades infinitas, quer “pelo mercado interno existente, quer na lógica de triangulação com os mercados de Hong Kong, da China Continental e dos restantes países do sudoeste asiático”, tal como explicou em conversa com a Revista Pontos de Vista Vítor Sereno, Cônsul-Geral do Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, uma entidade que tem procurado mostrar “a melhor face” do nosso país nestes mercados.

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Vítor Sereno

Ocorreu entre os dias 22 e 25 de outubro a 20ª Feira Internacional de Macau, que visa promover o comércio e o investimento entre nações. Que balanço é possível fazer deste evento que marcou o mês de outubro em Macau?
A MIF é o principal evento multissetorial na área de promoção do comércio e investimento que se realiza em Macau, com uma área total de 37 mil metros quadrados, cerca de dois mil stands e mais de 950 expositores, de uma grande diversidade de mercados. A nível dos países lusófonos, Portugal tem contado com a maior participação de empresas.
Tendo em atenção os crescentes esforços de intensificação de relacionamento entre China, Macau e os PLP, este ano a MIF introduziu o conceito de “exposição dentro da exposição”. Assim, concentrou a participação dos PLP numa área de 2.241 metros quadrados, o que totalizou 249 stands com 150 expositores dos PLP. Igualmente, nesta área expositiva foram integrados os serviços profissionais bilingues. Claramente saiu reforçada a visibilidade e notoriedade da oferta, quer de bens quer de serviços, dos PLP em geral, e claro muito em especial de Portugal. Em termos de números de que dispomos, a presença portuguesa na 20.ª edição da MIF foi muito positiva: 133 expositores, cerca de 250 empresários e 44 protocolos assinados.
O número de empresas portuguesas presentes na MIF tem crescido de forma sustentável, o que é um indicador da importância desta iniciativa para o nosso tecido empresarial. As empresas portuguesas, em especial do setor agroalimentar, consideram que Macau tem elevado potencial, quer pelo mercado interno existente quer na lógica de triangulação com os mercados de Hong Kong, da China Continental e dos restantes países do sudoeste asiático.
Durante, e paralelamente à MIF, decorreram diversos fóruns, conferências e outras atividades que possibilitaram o intercâmbio de conhecimento, intenso networking e reforço da cooperação entre as diversas organizações presentes. Portugal, através da AICEP,  participou ativamente em eventos como o Fórum dos Jovens Empresários entre a China e os PLP, a mesa redonda com dirigentes das províncias e municípios da China e PLP, o Fórum internacional de investimento, sessão de intercâmbio económico e comercial entre PLP, Fujian e Macau, sessão de apresentação dos setores das pescas e de transformação do pescado nos PLP, reunião do Grupo de Promoção de Trabalho de Educação. Todas estas iniciativas revelam-se de grande interesse para a promoção do nosso país na China e Macau, possibilitando reforçar a marketing intelligence e branding do país e organizações bem como estabelecer e sedimentar parcerias. Por todas estas razões, o balanço que efetuamos desta iniciativa é muito positivo.

De que modo este acontecimento promove um futuro com um mais forte sentido de investimento, nomeadamente entre Portugal e Macau? Durante a Feira foram criadas condições e parcerias nesse sentido?
As feiras internacionais constituem veículos privilegiados de excelência para a promoção da oferta das empresas e, por inerência, do potencial (a nível da exportação ou de investimento) do país. São um instrumento essencial de marketing que permite às empresas dar-se a conhecer, apresentar os seus bens e serviços, apresentar inovações, reforçar a sua imagem de marca e diferenciar-se. Complementarmente, como montras de diversos bens e serviços, as feiras transmitem uma visão geral sobre a oferta atual existente no mercado e são fundamentais na identificação das necessidades dos mercados, tendências e de nichos de mercado com probabilidades de sucesso. A presença em feiras, e muito em especial em mercados muito distintos do doméstico, possibilita às empresas conhecer o ambiente de negócios do país, a cultura e a forma de fazer negócios. São fontes de informação muito fiáveis e atualizadas e que possibilitam reforçar quer o conhecimento formal quer o conhecimento tácito das organizações.
São ainda interfaces fundamentais para conhecer novos parceiros e estabelecer parcerias visando a cooperação empresarial. São pontos de encontro centrais de setores de atividade, possibilitando o diálogo entre decisores, prescritores, potenciais interessados e utilizadores.
Em muitos casos, estes eventos podem mesmo ser determinantes para o sucesso em determinado mercado. Muito em especial em mercados em que o relacionamento pessoal e próximo com o cliente são críticos para a concretização de negócios.
A MIF é um exemplo vivo de tudo isto. A sua localização e caraterísticas e dinamismo materializam-na como uma montra de excelência para a China e Regiões Administrativas Especiais bem como para a Ásia, constituindo uma oportunidade privilegiada para demonstração das nossas valências, quer na lógica de exportação quer de atração de investimento. Todos os anos um número crescente de empresas e outras organizações nacionais aposta na participação na MIF. Todos os anos são encetados novos relacionamentos, mais ou menos formais, cujos resultados são mais visíveis no médio/longo prazo.
Cada vez mais a MIF se reinventa e contribui para o desenho de novas parcerias, com novos players e em novas áreas. Este dinamismo da MIF, traduzido na multiplicação de iniciativas de interface entre empresas e instituições, tem sido crítico para o aprofundamento da cooperação Portugal-Macau.

De um modo geral, e enquanto Cônsul-Geral, como caracteriza as relações bilaterais entre estes dois pontos geográficos tão distantes? As relações económicas são um importante aspeto para ambos?
Num contexto de globalização parece-me estranho falar em distâncias. Cada vez menos, com o nível existente e crescente de infraestruturas e comunicações, a distância se constitui como um tão grande obstáculo nas relações económicas entre países. O mundo é efetivamente gigante pois as oportunidades são imensas. Mercados como Macau, com um elevado potencial, em que a nossa presença tem séculos, em que as nossas culturas, história e gentes se misturam, são pela sua natureza estratégicos, nomeadamente a nível económico.
As relações económicas entre Portugal e Macau têm-se intensificado. Em termos estatísticos, e de acordo com o INE – Instituo Nacional de Estatística, Portugal exportou em 2014 para a RAEM 23,7 milhões de euros de mercadorias. No ano anterior, o valor das exportações tinha-se cifrado em 18 milhões de euros, o que se traduziu num crescimento record de 32%.
Aqui permita-me pôr em perspetiva a importância de Macau no contexto do nosso relacionamento com o Extremo Oriente/Sudoeste Asiático. Portugal exporta quase tanto para a RAEM como para a Indonésia, o quinto país mais populoso a nível global. Alias, no contexto do Extremo Oriente/Sudoeste Asiático, que compreende 19 economias, Macau posiciona-se como o nosso oitavo principal cliente, à frente da Tailândia, Malásia e Vietname.
É ainda importante referir que a RAEM, com apenas 0,05% da população total da República Popular da China representa 2,4% das exportações portuguesas para este país. Estes dados evidenciam claramente a importância da pequena Região Administrativa de Macau.
A estrutura das exportações de Portugal para Macau, por grandes grupos de produtos, é muito concentrada. Segundo o INE, a primeira posição é ocupada pelo grupo dos produtos alimentares (com 39,7% do total em 2014), seguindo-se as máquinas e aparelhos (28,4%), os produtos agrícolas (14,8%) e os produtos químicos (10,8%). Estes quatro primeiros grupos representaram, em conjunto, quase 94% das nossas vendas para o mercado. Destaque-se que face a 2013, houve um incremento significativo do peso das máquinas, da ordem dos 17 pontos percentuais.
O ranking dos principais produtos portugueses exportados para Macau (a quatro dígitos) é liderado pelo vinho (mais de um quarto das exportações), seguido dos fios e outros condutores elétricos, medicamentos, quadros e painéis elétricos. Estes quatro produtos são responsáveis por quase 60% das nossas exportações.
As estatísticas locais indicam que a venda de produtos alimentares lusos a Macau representa quase metade (49%) do total que Portugal comercializou com a RAEM (cerca de 121 milhões MOP). Os produtos com maior peso nas importações de Macau são as bebidas, peixes e crustáceos, preparações de carnes, de peixes ou de crustáceos, os leites e laticínios e as gorduras e óleos.
Um destaque para os vinhos, a principal bebida portuguesa importada por Macau. Embora Macau seja um mercado pequeno, tem um potencial interessante na área dos vinhos, nomeadamente em resultado da indústria dos casinos e atividades turísticas conjugadas com a crescente utilização do vinho nas diversas e frequentes celebrações locais. O consumo de vinho tem ganho dimensão em todo o mercado chinês, estando associado a status. A RAEM importou, em 2014, vinhos no valor de 1.461 milhões de MOP correspondentes a cerca de 5,5 milhões de litros. Em volume, Portugal, com uma quota de 31%, é o segundo fornecedor do mercado e o terceiro em valor, com uma quota de 4%.
Estas relações económicas correm a par de uma estreita colaboração nas áreas da ciência, da cultura e da educação. A criação de uma subcomissão mista dedicada exclusivamente à língua portuguesa e à educação espelha o forte empenho colocado pelos dois lados no estreitamento da cooperação em matérias como o reconhecimento de habilitações e o desenvolvimento de programas de mobilidade científica e académica. Apoia essa aposta o crescimento da cooperação entre instituições de ensino superior da RAEM e de Portugal, já com uma longa tradição e que vem conhecendo novos e importantes desenvolvimentos. Macau é, para as universidades e institutos portugueses, um objetivo em si e também um parceiro no acesso a esse grande espaço de cooperação científica e académica que são as universidades na China continental.
A língua portuguesa ocupa, nesta estratégia, um papel central. Estando outorgado à RAEM, por determinação das autoridades chinesas, o papel de plataforma de ligação aos países de língua portuguesa e sendo desígnio do Executivo da RAEM afirmar Macau como um centro de ensino e de formação em língua portuguesa para a região Ásia-Pacífico, abrem ambas decisões muito boas perspetivas para a língua portuguesa, em primeiro lugar, mas também para a cooperação entre os dois países nesta matéria – onde incluímos a ação do IPOR – e para as instituições de ensino superior portuguesas.

Qual tem sido o papel do Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong no sentido de estreitar relações e possibilitar uma união cada vez mais indestrutível? São estes eventos, como a MIF, pontos importantes nesta vossa missão?
Nos últimos anos, Macau alterou o seu paradigma, procurando afirmar-se como um “Centro Mundial de Turismo e Lazer” e uma plataforma privilegiada entre a China e os Países de Língua Oficial Portuguesa e não apenas um centro de jogo. Está a ser incentivada e promovida a criação de indústrias emergentes locais, nomeadamente do setor de convenções e exposições, das indústrias culturais e criativas, bem como da indústria de medicina tradicional chinesa. No enquadramento atual de queda nas receitas do jogo, a diversificação da economia de Macau tem ganho crescente relevância.
Para Portugal, cada vez mais a dinâmica de internacionalização assume uma importância crucial para a competitividade, sendo que a diversificação de mercados é uma prioridade. Neste âmbito, o mercado asiático, e em particular a China, Macau e Hong Kong, possuem uma elevada atratividade e devem ser cuidadosamente trabalhados.
Portugal e Macau têm cooperado ativamente na busca de soluções conjuntas, reforçando um relacionamento que já tem mais de cinco séculos. Atualmente existe um conjunto de iniciativas e projetos em curso que partilhamos e que são do máximo interesse para o fortalecimento desta parceria.
Portugal participa desde 2003 no Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os PLP, em que Macau desempenha o papel de plataforma de ligação para a China e PLP. Desde a criação do Fórum de Macau, que os diversos países participantes têm implementado um plano de ações, que contribui para o incremento da cooperação no âmbito da economia, comércio e investimento. O plano de ação 2014-2016 inclui medidas de cooperação numa grande diversidade de domínios, como a agricultura, pescas e pecuária, infraestruturas, ambiente, educação, energia, finanças, transportes, turismo e cultura. O fórum tem um intenso programa de atividades, em que Portugal permanentemente se envolve e para as quais contribui proactivamente. Destacam-se seminários, visitas e missões empresariais e institucionais aos PLP e China, ações de formação, que são do máximo interesse para o estreitar de relacionamentos quer com a China quer com Macau quer com os outros PLP.
Colaboramos de forma intensa no projeto “Uma Plataforma, Três Centros” que é uma iniciativa promovida pela R. P. da China e que está a ser desenhada e operacionalizada pela RAE de Macau. Este projeto, acarinhado pela R. P. China e do máximo interesse, visa facilitar a entrada de empresas dos PLP no mercado chinês, tendo Macau como plataforma privilegiada. Para as empresas portuguesas, em especial da área alimentar e também da prestação de serviços profissionais, representa um novo canal de promoção e acesso ao mercado da China. Também a nossa presença crescente na MIF, com novas empresas e novos produtos, a nossa participação como país convidado da Hong Kong Wine & Spirits, com 44 entidades presentes, são instrumentos que possibilitam o fortalecimento da relação entre Portugal e as RAE.
Por outro lado, diariamente o Consulado, através da AICEP, é contactado e dá resposta a empresas, associações e outras entidades que buscam informação e acesso a players no mercado de Macau. Igualmente, e já no que respeita a empresas e entidades das RAE e da China, procuramos facilitar-lhes todos os elementos que os apoiem na sua abordagem do mercado português.
Temos também trabalhado intensamente no sentido de consolidar as relações culturais entre a RAEM e Portugal, através de intervenções a diversos níveis. Em primeiro lugar, promovendo e apoiando ativamente a apresentação em Macau de expressões da contemporaneidade artística, científica e cultural portuguesa. A um tempo, visa esta intervenção mostrar o que faz em Portugal nestes domínios, a qualidade que marca muita da nossa criação intelectual, tecnológica e artística, trazendo-a ao conhecimento alargado, em estreita colaboração com associações de matriz portuguesa, com instituições da RAEM e com patrocinadores locais. Promovemos, desse modo, a internacionalização de conteúdos portugueses, ao mesmo tempo que cimentamos um diálogo entre duas culturas – a portuguesa e a chinesa – que constitui um importante legado que à RAEM também interessa preservar.
Apoiamos fortemente, por outro lado, a criação de pontes institucionais que fortaleçam esse diálogo entre o ocidente e o oriente de que portugueses e chineses foram pioneiros. Estão, nesse âmbito, em curso vários projetos de cooperação no domínio da museologia ou dos arquivos históricos, para citar alguns.
Mas, para além dos Governos, são as pessoas que tornam os laços indestrutíveis. Temos aí dirigido um importante apoio à valorização da nossa comunidade portuguesa e ao papel que tem desempenhado no desenvolvimento da RAEM, ao mesmo tempo que temos estimulado um forte diálogo intercultural, abrindo os espaços de Portugal em Macau – o Consulado-Geral e a Residência oficial – ao encontro da nossa comunidade com os nossos amigos de Macau, reforçando as relações do presente e abrindo novos caminhos de futuro. Em conclusão, há muito trabalho que já foi feito, que está a ser feito, e que irá ser feito, e que passa pela consistente e coerente promoção das nossas potencialidades como país nas vertentes comércio e investimento, pela divulgação das nossas empresas e produtos, pelo networking e estabelecimento de parcerias institucionais. Temos procurado ser um intermediário, um facilitador de relacionamentos, com alguns inputs em termos de conhecimento e cobrindo eventuais falhas de mercado. Claro que ainda temos um longo caminho pela frente pois a nossa ambição é grande.

A entrada de empresas portuguesas em Macau pode significar um primeiro passo para a sua expansão para outros países asiáticos e, nomeadamente, para a própria China? Que áreas de atuação terão um maior sucesso neste contexto ao entrar em Macau?
Macau é assumidamente uma plataforma natural de entrada na China e na Ásia, por razões da mais variada natureza, localização e proximidade física, afinidades linguísticas e culturais.
Fazendo parte da R. P. China, sob a égide “Um País, Dois Sistemas”, a integração regional de Macau tem sido intensificada por diversas iniciativas. Em 2004, foi assinado o Acordo de Cooperação Regional Pan Pearl River Delta (9+2), entre nove províncias da China, Macau e Hong Kong, que visa acelerar a cooperação regional dos seus membros. Em 2008, o Governo nacional divulgou e aprovou o plano de desenvolvimento da região do Delta do Rio das Pérolas para o período 2008-2020. Este plano define o desenvolvimento da região como um todo, propondo a reorganização do espaço político, económico, industrial e social, com ênfase na integração metropolitana, e resultou da iniciativa conjunta do Governo Provincial de Guangdong e do Governo Municipal de Cantão, com o apoio político do Governo Central.
A assinatura do CEPA – Acordo de Estreitamento Económico e Comercial entre Macau e a China Continental em 2003, e dos subsequentes suplementos, criaram espaço para as empresas de Macau explorarem o mercado do interior da China, intensificando o comércio entre as duas “regiões”. Macau é também uma das cidade integrantes do projeto “One Belt, One Road”, que visa promover a cooperação e a conetividade, sobretudo através de infraestrutura logística, de regiões da Ásia Central, do Oriente Médio e da Europa à China.
Como já referido, o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os PLP, em que Portugal participa, é um mecanismo multilateral de cooperação, que está sediado em Macau, reconhecendo o seu legítimo papel de plataforma. No âmbito do Fórum de Macau, a RAEM está atualmente a desenvolver o projeto “Uma Plataforma, Três Centros”, coordenado pelo IPIM, que tem um contributo fundamental na facilitação do acesso ao mercado da China por empresas dos PLP, gerando novas oportunidades de negócio. Com esta iniciativa, Macau reforça inequivocamente o seu papel-pivot de plataforma de serviços para a cooperação China e os PLP.
Tendo em atenção todo este contexto, claramente, a entrada de empresas portuguesas em Macau pode ser um primeiro passo numa estratégia de abordagem integrada dos países asiáticos. Em termos de produtos, a oferta portuguesa é vasta. Na exportação para Macau há um enfoque nos produtos alimentares, mas claramente existem oportunidades a explorar em muitas outras áreas, como as energias e ambiente, saúde, TIC, fileiras moda e casa. No que se refere a bens de consumo, os produtos premium, de nicho, inovadores, têm certamente um espaço para crescerem.

Como idealiza o futuro das relações entre Portugal e Macau? Existirá um intercâmbio tranquilo quer no contexto económico quer em questões de migração? Que conselho deixaria àqueles que pretendem entrar no mercado macaense?
A forte concorrência e crescente competitividade nos mercados mundiais conferem uma importância crescente à gestão de relações, sendo que o crescimento de uma economia depende do posicionamento que assume na teia de ligações em que se insere.
No contexto de mudança e de reorientação estratégica de Macau, e em que a China considera prioridade estratégica o relacionamento com os PLP, Portugal é um aliado fundamental. Num enquadramento também de diversificação de mercados-alvo, em que a entrada em mercados extra-União Europeia é prioritária, a RAEM é um também um parceiro natural para Portugal.
As parcerias entre empresas portuguesas e de Macau são fundamentais para o crescimento e exploração conjunta destas novas geografias tão desejáveis. Estas novas geografias vão do continente africano, ao europeu, ao americano. Tal como Macau, Portugal também é uma plataforma para outros países, sendo um bom parceiro no que toca à potencialização de negócios com outros mercados. É disto exemplo, os investimentos feitos pela EDP e pela China Three Gorges em países como o Peru, o Brasil ou a Colômbia, ou da Galp e a Sinopec no Brasil, por exemplo.
A partilha de um passado, de uma língua, de valores comuns, de recursos complementares (conhecimento, capital e networking) e de objetivos alinhados augura seguramente um excelente futuro para os próximos 500 anos da relação Portugal-Macau.