“O BNU faz parte da vida financeira do território”

Nasceu em 1864 como Banco Emissor para as ex-colónias portuguesas mas é hoje, mais de um século depois, uma instituição bancária global que acompanha os seus clientes desde o primeiro contacto. Á margem da Feira Internacional de Macau, a Revista Pontos de Vista conversou com Pedro Cardoso, CEO do Banco Nacional Ultramarino (BNU) e conheceu o seu posicionamento estratégico nas relações entre os Países de Expressão Portuguesa, China e Macau. Com o mercado bancário macaense a crescer a um ritmo alucinante, atuar num segmento tão competitivo exige muito. Mas, pelo conhecimento que tem e pelo papel que assume como facilitador de contactos, o BNU tem afirmado a sua posição.

2007
Pedro Cardoso

O BNU – Banco Nacional Ultramarino foi o primeiro banco comercial em Macau, isto ainda no início do século 20. Que análise perpetua da atividade da instituição e de que forma tem contribuído para a evolução do sistema financeiro e económico de Macau?
O BNU está presente em Macau há mais de 113 anos. É um banco de direito local desde 2001. Continua a ser o banco emissor da Pataca e Caixa do Tesouro da Região Administrativa Especial de Macau. É, também, um dos principais bancos comerciais de Macau. Tem presentemente mais de 200.000 clientes, aproximadamente um terço da população de Macau. Ao longo da sua história foi contribuindo para o desenvolvimento económico e social de Macau, quer no seu papel de banco emissor, quer no apoio aos grandes projetos de infraestruturas de Macau. O BNU continua cada vez mais empenhado neste papel, com equipas especializadas no apoio às pequenas e médias empresas locais, consideradas um pilar no desenvolvimento da economia de Macau.

De que forma tem o BNU promovido a cooperação para oportunidades de negócio de Macau, como plataforma económica e comercial, bem como no intercâmbio entre a China e os Países de Língua Portuguesa?
O BNU tem promovido diversas iniciativas procurando enfatizar as excelentes condições de negócio que Macau aporta às empresas que estejam a operar nestes mercados, através do intercâmbio entre os diversos atores do setor económico e comercial. A título de exemplo, o BNU tem promovido diversos encontros entre responsáveis políticos portugueses, entre os quais o Presidente da República, o Secretário de Estado da Economia e o Presidente da AICEP, com diversos empresários locais. Organização e/ou receção de delegações de empresários para encontros com estruturas empresariais locais; Participação em colóquios na China com o objetivo de apresentar o Grupo CGD e o BNU a um conjunto de empresários chineses; Apoio na deslocação de empresários macaenses a países de expressão portuguesa.
Temos igualmente participado ativamente nas iniciativas do IPIM-Instituto de Promoção do Comércio e Investimento de Macau e da AICEP, sendo que este ano participámos em alguns dos eventos promovidos por estas entidades em Macau. A título de exemplo apoiámos recentemente o IPIM na divulgação da plataforma de serviços para a cooperação económica e comercial entre a China e os PLP junto aos Bancos do Grupo CGD presentes nos PLP num fórum em Lisboa, organizado pela CGD.
Não podemos ainda deixar de destacar o protocolo que o BNU assinou em junho com o Banco da China com o objetivo de promover a cooperação entre a República Popular da China e os países de língua portuguesa, tendo Macau como plataforma privilegiada.

Ao longo de mais de um século, o BNU tem apoiado as atividades empresariais locais. De que forma o fazem e qual a relevância desse apoio para essas empresas?
Desde sempre que o BNU se foca no apoio às empresas, procurando estar próximo a estas, percebendo a sua atividade e participando ativamente na construção dos seus projetos. Um exemplo claro foi o papel pioneiro no suporte aos novos casinos estabelecidos em Macau após a liberalização do setor do jogo em 2002. Previamente a esta fase, o BNU foi um dos principais pontos de apoio do desenvolvimento da indústria manufatureira nos anos 70 e 80, tendo ainda financiado algumas das principais infraestruturas públicas existentes em Macau. No entanto, como já referi anteriormente, atualmente a nossa prioridade principal é o apoio às pequenas e médias empresas do território.

Fachada do edifício
Fachada do edifício

O investimento externo é fundamental para qualquer região, sendo que Macau não é exceção. Desta forma, que estratégias e instrumentos utiliza o BNU no sentido de captar maior investimento estrangeiro e assim contribuir para o desenvolvimento económico de Macau?
O BNU apoia no estabelecimento de empresas em Macau, tendo nos últimos anos facultado informação referente às condições necessárias para a abertura de empresas no território. Em particular e através da CGD em Portugal, procuramos estabelecer um contacto logo que haja intenção da empresa se estabelecer em Macau, facultando naturalmente a informação necessária para a abertura de conta no banco mas também informando e destacando as condições fiscais favoráveis ao investimento no território. Aproveitamos igualmente o nosso conhecimento do mercado local para identificar potenciais parceiros, fornecedores e/ou potenciais clientes para estas empresas.

Na sua opinião, quais são as verdadeiras potencialidades de Macau ao nível de oportunidades para empresas de outros mercados? Quais são os principais riscos que as mesmas enfrentam?
Macau pode ser utilizado por estas empresas como uma plataforma de preparação e adaptação de produtos e serviços e formas de negociação ao enorme mercado chinês, através de parcerias, alianças estratégicas e contactos privilegiados com as empresas estabelecidas no Delta do Rio das Pérolas.
A banca tem um papel crucial no apoio à implementação de empresas dos países de expressão portuguesa no território, quer facilitando os contactos, quer prestando serviços financeiros, nomeadamente na área do trade finance.
Julgo que o maior desafio que se pode enfrentar serão as diferenças culturais e linguísticas entre os mercados chinês e lusófono. O BNU está particularmente bem posicionado, pelo conhecimento que tem de ambos, para fazer a ponte e assumir um papel de facilitador desses contactos.

Para se apostar num mercado como Macau, é fundamental conhecer a região? Ter um parceiro como o BNU pode marcar a diferença entre uma aposta de sucesso e aposta de resultados negativos?
Há mais de um século que o BNU faz parte da vida financeira do território, mantendo um papel ativo no desenvolvimento social e económico de Macau e no apoio às atividades empresariais locais.
O conhecimento e a experiência adquiridos têm sido, ao longo da história de Macau, fundamentais para o sucesso das empresas e dos projetos dos nossos clientes, em setores como o imobiliário, o comércio a retalho, o turismo, as indústrias transformadoras, os transportes, a construção, os serviços públicos e o comércio internacional.

Fazem parte do Grupo CGD, uma das maiores instituições financeiras da Europa e o maior grupo financeiro de Portugal. Com uma extensa rede global presente em 23 países distribuídos pela Europa, Ásia, África e Américas, o BNU combina o conhecimento local com experiência internacional para lhe oferecer soluções bancárias completas e inovadoras. O facto de pertencerem ao Grupo CGD aporta maior confiança por parte daqueles que vos procuram?
Conforme anteriormente referido, o BNU faz parte do Grupo CGD, presente em 23 países e em todos os Países de Língua Oficial Portuguesa, à exceção de um. O nosso banco tem estado, assim, extremamente ativo no apoio ao comércio entre a China e os países de expressão portuguesa, quer em termos de fluxos de comércio como de investimento.
O Grupo CGD está diretamente presente em sete países de expressão portuguesa, tendo uma posição de liderança em cinco destes. Está ainda presente em Macau, Zhuhai e Xangai e prevê-se ainda a abertura de uma sucursal do BNU em Hengqin, constituindo-se assim uma plataforma ainda mais forte na ligação dos Países Lusófonos à China.
Concretamente em relação à sua questão, sim aporta, pois uma instituição como a CGD com a sua vasta presença em mercados tão dispersos e com diferentes níveis de estágio de desenvolvimento é uma fonte de conhecimento e experiência que se pode partilhar com os nossos clientes.

Na sua opinião, o que ainda falta para que as relações bilaterais económico/comerciais entre Portugal e Macau sejam ainda mais consolidadas? Qual tem sido o contributo do BNU para que esta «parceria» seja ainda mais forte?
Com o eclodir da crise económico-financeira, a Europa no geral e Portugal em particular passaram por um reajustamento económico. Em Portugal, ainda que em período de contração económica, deve-se destacar o excelente desempenho do setor das exportações.
Na sua relação com a República Popular da China, ao nível do investimento por PIB, Portugal foi um dos principais mercados europeus em que a República Popular da China investiu nos últimos anos. Este facto por si só demonstra a excelente confiança que a China deposita em Portugal e no seu potencial de desenvolvimento.
Gostávamos de ver mais produtos portugueses no mercado chinês, e Macau pode desempenhar um papel importante no estabelecimento de relações comerciais de empresas portuguesas com a China, aproveitando não só as afinidades culturais mas também as excelentes condições fiscais que o território proporciona.
Com a abertura da sucursal em território chinês no próximo ano, o BNU para além de acompanhar mais de perto os seus clientes e ter uma postura mais ativa na promoção dos negócios entre a China e os Países de Língua Portuguesa, irá reforçar o leque de serviços aos nossos clientes que possuem cada vez mais ligações à China continental.

De que forma tem o BNU apostado fortemente na inovação e em produtos diferenciadores? Existe essa preocupação, no seio da instituição, em oferecer aos vossos clientes e parceiros produtos e serviços personalizados? Essa é a grande marca distintiva do BNU?
A estratégia seguida pelo BNU tem sido a de reestruturar para crescer. Criar as condições necessárias para gerar valor num ambiente cada vez mais competitivo; formar e agilizar a estrutura para melhor responder às exigências do mercado e para surpreender a concorrência e, obviamente, estar muito atento para poder antecipar às suas necessidades.
Permita-me destacar alguns dos projetos que, de facto, demonstram a nossa capacidade de inovação e diferenciação perante a concorrência local: o lançamento em janeiro deste ano do primeiro cartão de crédito de Milhas; em abril, a disponibilização de requisição de moeda estrangeira através do serviço de Internet Banking, garantindo assim toda a comodidade e conveniência ao cliente. Mais recentemente, em setembro, lançámos o primeiro cartão de crédito de tripla moeda (Hong Kong Dólar, Yuan da China e a Pataca de Macau), etc. Estas e outras iniciativas mereceram inclusivamente alguns prémios internacionais em que destacamos os atribuídos pela Visa e pela Mastercard, assim como pela Capital Finance International, que classificou o BNU como melhor banco de retalho em 2014 e ainda pela International Finance Magazine que classificou o BNU não apenas como melhor banco de retalho, mas também o banco com melhores práticas ao nível da Responsabilidade Social Corporativa.

Quais são as principais prioridades e desafios do BNU de futuro? O que podemos esperar do mesmo?
Nos últimos anos o volume de negócio do mercado bancário de Macau tem vindo a crescer a um ritmo muito rápido. No entanto, é um mercado muito competitivo. A Região Administrativa Especial de Macau conta com cerca de 600.000 habitantes e existem já 29 bancos a operar no território.
A média da margem financeira líquida anda à volta de um ponto percentual. Ou seja, a diferença entre o que os bancos recebem de juros dos empréstimos e o que pagam nos depósitos, é das mais baixas do mundo. Ora isto implica que devido a este esmagamento da margem financeira teremos que ser criativos; vamos ter que ser capazes de fornecer mais e melhores serviços com forte controlo dos custos. Durante o ano passado, além de continuar com o processo de reestruturação interna, ampliámos as oportunidades de formação para os nossos colaboradores. Esta tem sido uma peça fundamental para otimizar a qualidade dos nossos serviços.
Os resultados têm sido encorajadores pois crescemos expressivamente no número de clientes e ainda no número médio de produtos por cliente. O nosso rácio cost to income é já inferior a 30%, um valor alinhado com as melhores práticas internacionais. Nos primeiros nove meses de 2015 o contributo do nosso resultado líquido para os resultados da CGD ascendeu a cerca de 46 milhões de euros, aproximadamente o dobro do registado há três anos.
O BNU tem prosperado num ambiente muito competitivo, sendo já conhecido pela sua agilidade operacional. Essa característica, aliada à excelência dos serviços, permitiu ao BNU navegar com segurança em tempos menos favoráveis. E em relação ao futuro, o BNU está extremamente bem preparado para colher o máximo benefício do crescimento económico .
Com esta postura, e a par de um balanço robusto, o BNU tem mantido uma política de crescimento sustentado, refletindo a confiança na nossa capacidade de criar valor para todos os nossos clientes e acionistas nos próximos anos.