“O que nos distingue é a qualidade do serviço que prestamos”

A Viúva Monteiro & Irmão é uma empresa dedicada ao transporte de passageiros, que tem como objetivo principal a aposta na qualidade e na formação dos seus colaboradores. Por este motivo, tem sido anualmente distinguida pelo IAPMEI como PME Líder. Conheça este exemplo de sucesso pelas mãos de Ana Luísa Monteiro, Diretora-Geral da entidade.

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Ana Luísa Monteiro

A Viúva Monteiro & Irmão é uma empresa do Sabugal especializada em transporte de passageiros. Que tipo de serviços são prestados pela marca atualmente?
A Viúva Monteira & Irmão tem serviços distintos no âmbito dos transportes. Tem os expressos entre o Sabugal e Lisboa e entre Sabugal e Coimbra e as carreiras, que se enquadram no âmbito de transporte público, no qual está incluído o transporte escolar. Atualmente é responsável pelo transporte dos alunos do concelho do Sabugal e de parte do concelho da Guarda. Tem ainda algumas carreiras no concelho de Almeida e presta serviços no contexto dos alugueres ocasionais. Estamos, aliás, neste momento a desenvolver esta área de negócio em Lisboa. Em último lugar, temos o serviço regular especializado para o transporte de colaboradores para fábricas.

O serviço de transportes coletivos pode, portanto, destinar-se a pessoas que, a título individual, pretendam alugar uma viatura? Neste sentido, os motoristas acompanharão o serviço?
O transporte de passageiros divide-se em duas áreas de atuação: temos alugueres ocasionais, direcionados para pessoas individuais e coletivas que pretendam alugar uma viatura e somos responsáveis pelo transporte público do Sabugal, que, até 2019, é condicionado pelo IMT – Instituto da Mobilidade e dos Transportes -, que concede alvarás às empresas do setor que cumpram os requisitos obrigatórios.
Os nossos motoristas estão aptos para todo o tipo de serviços, seja carreiras, expressos, aluguer ocasional nacional ou internacional. Na época alta do turismo, entre maio e outubro, trabalhamos em subcontratação para outras empresas e procedemos aos alugueres entre Portugal e Espanha para o mercado asiático.

Relativamente ao vosso serviço entre países, podemos dizer que a Viúva Monteiro & Irmão tem já uma presença internacional forte?
Não é internacionalização como todos conhecem, porque nesta área é muito difícil, mas temos conseguido passar fronteiras através de várias parcerias.

A empresa pretende não apenas inovar e desenvolver a sua área de negócios através da expansão de serviços, mas também baseando-se num aperfeiçoamento dos veículos e da própria qualidade prestada. De que modo têm evoluído nesse sentido?
Apesar de ser uma empresa familiar que já existe há 90 anos com os expressos para Lisboa – eu sou a quarta geração -, temo-nos empenhado em renovar a frota, em comprar autocarros recentes, modernizá-los e adaptá-los às exigências dos nossos clientes. A par disso, estamos a dar formação e especialização necessárias para que os motoristas consigam prestar um serviço cada vez melhor. Tentamos perceber as necessidades deles para conseguirmos fornecer-lhes as ferramentas indispensáveis para que prestem um serviço profissional e de qualidade.
Todos os restantes colaboradores recebem formação, no entanto damos mais enfoque aos motoristas, porque são eles a imagem da empresa em cada serviço que fazem.

O interior dos veículos é igualmente um aspeto que merece toda a atenção da equipa da Viúva Monteiro & Irmão. Em que sentido? Que cuidados têm no sentido de promover uma viagem aprazível a quem vos procura?
Temos apetrechado os autocarros com DVD’s para ser possível o visionamento de filmes, temos tentado escolher os assentos mais confortáveis e a suspensão é também um aspeto importante para proporcionar uma viagem agradável. Temos ainda concedido formação aos motoristas no âmbito da condução, porque é igualmente um aspeto importante para o conforto.
Neste contexto, importa também referir que vocacionámos uma viatura da nossa frota para o transporte de passageiros com mobilidade condicionada. Esse autocarro tem uma plataforma elevatória e pode transportar até 12 cadeiras de rodas. Os passageiros que têm capacidade para se deslocarem no interior do autocarro poderão igualmente viajar connosco e deixar as suas cadeiras de rodas no porão.

São estes aspetos, referidos anteriormente, que vos distinguem de outras empresas integradas no mercado dos transportes? A vossa aposta no conforto tem sido, deste modo, a chave do sucesso?
Há muitas empresas da área no país, todas têm autocarros como os nossos, portanto temos que escolher os nossos fatores de diferenciação. E o que nos distingue é a qualidade do serviço que prestamos. Para isso é importante garantir o conforto do passageiro, que implica o serviço do motorista e as condições já referidas, a atuação do escritório e do backoffice.

Neste sentido, podemos afirmar que foi esta aposta na qualidade que permitiu à empresa ser distinguida pelo IAPMEI como PME Líder desde 2009, exceto no ano de 2011, em que foram considerados PME Excelência. O que significa esta distinção para a marca?
Nos primeiros anos em que fomos distinguidos não havia condições mais vantajosas por sermos PME Líder. Era, no entanto, uma questão de reconhecimento, uma forma de mostrar aos nossos parceiros, fornecedores, clientes e colaboradores que efetivamente tínhamos cumprido uma série de requisitos.
Atualmente, a banca começa a olhar para as PME Líder de outro modo. Há cerca de dois anos, os bancos, na minha opinião, dão uma maior atenção a estas situações e oferecem, obviamente, condições mais vantajosas.

Sabemos que o passado e o presente têm sido de sucesso, tornando-vos um parceiro de confiança reconhecida. Mas o que reserva o futuro da Viúva Monteiro & Irmão?
O futuro da Viúva Monteiro e Irmão passa por consolidar a sua presença em Lisboa, melhorar a rede de transportes públicos do Sabugal e avançar com um projeto para novas instalações, como novas oficinas e escritórios, que proporcionarão outro desenvolvimento da empresa. Obviamente que é sempre objetivo a qualidade de serviço e a formação dada aos colaboradores é primordial. Sendo a empresa uma entidade pequena, queremos consolidar o que temos e melhorar as viaturas, conseguir aumentar serviços, mas não com o objetivo de aumentar a dimensão. Pretendemos consolidar a área de negócio no Sabugal e em Lisboa, criar raízes e melhorar o serviço prestado.

Como define a presença feminina na área de atuação em que se encontra? Existe ainda preconceitos claros dirigidos a mulheres profissionais?
Ser mulher no mundo dos transportes é complicado. Ainda mais ser mulher, jovem e em que a gestão da empresa veio por herança, não se conquistou a pulso, como algumas pessoas que, com muito mérito, conquistam o seu lugar. E não é fácil ser-se mulher neste meio tendencialmente masculino, a maior parte das reuniões, seminários e fóruns têm uma presença masculina forte e é complicado mostrar a uma classe profissional de motoristas que o nosso ponto de vista está correto e que o meu ponto de vista, apesar de ser mulher, é válido. O que não significa que não seja um desafio.

As mulheres terão aqui um papel determinante no sentido de combater opiniões que defendem a desigualdade?
As mulheres não servem apenas para estar em casa ou em cargos intermédios e têm duas qualidades que em situações de chefia são muito importantes: o multitasking e uma visão transversal. Quantas mais formos nestas situações de chefia, mais facilmente vamos mudando as opiniões daqueles que pensam que a liderança no feminino não vai trazer bons resultados.