“O Porto está na moda”. Cláudia Machado, Arquiteta de formação e profissão, não se cansou de recorrer frequentemente a uma expressão que é hoje o cartão-de-visita de uma cidade que fica na memória quer pelo ambiente acolhedor quer pela riqueza do seu património. E é esta riqueza que se pretende preservar. Com a elevação da zona histórica à condição de Património da Humanidade da UNESCO em 1996, pequenos passos começaram a ser dados mas apenas há cerca de oito anos se tem conhecido na íntegra o verdadeiro conceito de reabilitação urbana nesta cidade. Da Sé à Ribeira, hoje, passear por velhas ruas que outrora não eram convidativas tem um sentido diferente e, para tal, muito tem contribuído a atuação da CPPM Arquitectura, um atelier criado em 2006 e que assumiu desde logo como setor estratégico de desenvolvimento a grande temática da reabilitação urbana.

Cláudia Machado
Cláudia Machado

“Arquitetura é uma área bastante abrangente. Temos que conhecer a legislação e saber de construção, o que exige um grande estudo não só do edifício em si mas de todo o processo de construção”

Respeitando sempre, quer seja num projeto de pequena ou maior envergadura, a preexistência e o Património edificado, a CPPM Arquitectura aposta num serviço completo de acompanhamento de todo o processo de licenciamento até à fase de obra, tal como explicou Cláudia Machado, fundadora do gabinete. “Muitas pessoas têm um edifício mas não conhecem o potencial do mesmo e procuram-nos. Fazemos esse estudo prévio e acompanhamos todo o processo, desde licenciamento até à obra”, evidenciou. Mais do que fazer um bom projeto, ir ao local é o fundamental. Não se pode correr o risco de “desenhar sobre incertezas” mas importa “estudar o edifício”. “Para mim é impensável fazer um projeto sem antes realizar um levantamento. Reabilitar é ir ao local, conhecer, cheirar, sujar-se”, defendeu a arquiteta. Só “vestindo a camisola” a CPPM Arquitectura conseguirá prestar um serviço digno a um cliente que muitas vezes desconhece o processo e tem, por isso, que encontrar um parceiro que o ajudará em todas as fases. Isso exige do arquiteto muito mais do que conhecimento de arquitetura. Assim, quer seja para um escritório, um empreendimento turístico, uma moradia ou edifícios de habitação, o processo é sempre o mesmo. “Arquitetura é uma área bastante abrangente. Temos que conhecer a legislação e saber de construção, o que exige um grande estudo não só do edifício em si mas de todo o processo de construção”, definiu Cláudia Machado. Em consonância, em todos os espaços com os quais trabalha há sempre uma preocupação: manter a identidade do edifício. Claro que tudo dependerá do estado de conservação do mesmo mas, sempre que seja possível, a CPPM Arquitectura reaproveita elementos, o que também se traduz numa poupança na construção.

O papel do arquiteto na reabilitação

Inevitavelmente ou não, a verdade é que a reabilitação urbana está hoje na ordem do dia e veio para ficar. Com a crise que se fez sentir no setor da construção civil, este “renascimento dos centros urbanos” trouxe um novo paradigma para a arquitetura portuguesa e, neste novo mundo, qual é o papel assumido pelo arquiteto? “A cidade é feita de arquitetura. O nosso principal desafio prende-se com o método construtivo. Durante muitos anos existiu a construção nova, em altura e em betão. Hoje temos que ter a noção de que não podemos fazer reabilitação nos centros históricos da mesma forma. Deste modo, grande parte dos construtores e arquitetos há mais tempo no ativo tiveram de alterar os seus métodos de trabalho e a sua forma de construir”, partilhou Cláudia Machado em conversa com a Revista Pontos de Vista. E, apesar do boom que se tem feito sentir nos últimos anos, a verdade é que, na perspetiva da arquiteta, tal não se tem traduzido numa diminuição da taxa de desemprego dos jovens licenciados nesta área que, de acordo com algumas estatísticas, é das mais altas da Europa. “Não acredito que a reabilitação tenha trazido mais trabalho, sobretudo aos mais jovens, uma vez que os clientes acabam por procurar arquitetos com mais experiência. Estamos a falar de reabilitação, que exige algum conhecimento construtivo que quando acabamos um curso não possuímos. Falo por mim. Comecei há dez anos e ainda tenho muito para aprender”, defendeu.

“Hoje temos que ter a noção de que não podemos fazer reabilitação nos centros históricos da mesma forma”

E a aprendizagem é constante numa área que ainda tem algumas lacunas ao nível da legislação em vigor. “Grande parte da nossa legislação foi feita para construção nova e nos edifícios a reabilitar nem sempre conseguimos cumprir grande parte das disposições. Já houve alguns progressos com a publicação da lei da reabilitação (DL 53/2014) onde se define um regime excecional para reabilitação de edifícios, mas seria importante haver uma revisão do Regulamento Geral das edificações Urbanas, mais adaptado à reabilitação”, afirmou. Mesmo assim, ao nível do Porto, a arquiteta elogia a atuação da autarquia portuense que muito tem apostado na reabilitação da cidade, não só ao nível da arquitetura, destacando a reabilitação do eixo Mouzinho/Flores, “um exemplo de como o urbanismo pode cativar e atrair as pessoas”.

Saindo do cenário geral da cidade para o universo particular da CPPM Arquitetura, Cláudia Machado não esconde o carinho especial por um projeto com o cunho deste gabinete. Trata-se de uma obra na Praça de Parada Leitão que terminou este ano mas que está a ser estudada desde 2007. “Fica na memória porque começou para ser um hotel e depois acabou por ser algo completamente diferente, sendo agora dois estabelecimentos de restauração e bebidas. O resultado foi bem melhor do que o previsto”, colmatou a arquiteta. É esta “dedicação” e “amor à causa” que Cláudia Machado continuará a abraçar porque só assim será possível afirmar-se num mercado onde todos querem entrar mas só os melhores ficam.

Alguns serviços da CPPM Arquitectura:

– Levantamentos arquitetónicos, tipológicos do edificado e topográficos;
– Pedidos de informação prévia;
– Projetos de licenciamento;
– Projetos de execução (mapa de acabamento, mapa de vãos, medições e cadernos de encargos);
– Consultoria na área da reabilitação e património;
– Fiscalização;
– Acompanhamento de obra e assessoria técnica; entre outros.