Auditoria deteta indícios de roubo de 10% do ‘stock’ de medicamentos em Moçambique

O nível de roubo de fármacos reduziu nos últimos tempos mas continuam a ocorrer sérias irregularidades na gestão dos medicamentos do SNS.

1240

Uma auditoria do Ministério da Saúde de Moçambique detetou indícios de desvio de cerca de 10% de medicamentos do Sistema Nacional de Saúde (SNS), disse hoje em Maputo o vice-ministro da Saúde, Mouzinho Saíde.

Saíde manifestou preocupação com a escalada do roubo de medicamentos no SNS, quando falava hoje em Maputo na abertura de uma reunião nacional da Inspeção-Geral da Saúde.
O nível de roubo de fármacos reduziu nos últimos tempos, assinalou o dirigente, mas continuam a ocorrer sérias irregularidades na gestão dos medicamentos do SNS.
Segundo Mouzinho Saíde, a auditoria analisou amostras de medicamentos avaliadas em cerca de 26 milhões de dólares (24,2 milhões de euros), mas detetou que havia indícios de desvios de cerca de 10% dessa quantidade.

Em associação com a onda de roubos de medicamentos do SNS, as autoridades determinaram o encerramento de duas farmácias e a aplicação de multas a 24, acrescentou Saíde.
De acordo com o vice-ministro, as atividades inspetivas detetaram situações de não envio de medicamentos para as províncias e a descoberta nas farmácias privadas de medicamentos de uso exclusivo no SNS.

Mouzinho apontou igualmente a ocorrência de casos de despesas não justificadas e o uso de combustível do SNS para fins privados.
Como resultado de ações, o Ministério da Saíde abriu 161 processos disciplinares, que “culminaram com a aplicação de várias sanções”, destacou o vice-ministro da Saúde, que não indicou o tipo de medidas disciplinares que as autoridades tomaram.

As autoridades sanitárias receberam este ano 250 queixas de utentes do SNS, tendo sido realizadas inspeções extraordinárias, para averiguar alegados casos de mau atendimento, cobranças ilícitas, desvio de fundos e de bens do Estado, acrescentou Mouzinho Saíde.
No fim de semana, a polícia moçambicana declarou guerra à venda de remédios nos mercados informais, tendo lançado em Chimoio, província de Manica, centro de Moçambique, uma operação relâmpago para desativar redes de vendedores e atendimentos clínicos ilegais.

“A operação iniciada na segunda-feira pretende travar a proliferação de medicamentos nos mercados informais e cortar a logística que incentiva o roubo de fármacos nos depósitos e hospitais públicos”, disse à Lusa Vasco Matusse, porta-voz do comando da Polícia de Manica.
Milhares de moradores da província de Manica compram medicamentos nos mercados informais, alimentando um negócio geralmente assegurado por jovens sem qualificações farmacêuticas e que garantem também o atendimento clínico.
O mercado informal é abastecido por medicamentos desviados do circuito das instituições públicas, geralmente envolvendo profissionais de saúde e farmácias de Chimoio.