Gomas saudáveis chegam a híperes a tempo do Natal

O percurso iniciado por Nuno Santos há seis anos terá um ponto alto no Natal, quando as gomas saudáveis da Doctor Gummy serão postas à venda.

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Criada em 2014, a empresa social já recebeu uma encomenda de 3,1 milhões de euros, da grande distribuição nacional e da Pepsi, para o pequeno retalho. Ainda, um distribuidor francês propôs encomendar 42 milhões de euros para vender em toda a Europa, mas Nuno Santos está a ponderar se tem capacidade de produção.

A ideia de fazer guloseimas 0% (de açúcar ou adoçante, glúten, lactose e aromas, corantes e conservantes artificiais) surgiu para resolver um problema social com que Nuno Santos se deparou na Associação das Escolas Jesus, Maria, José, no Porto: o açúcar adicionado aos medicamentos para que as crianças os tomem (nos mais vendidos chega a 90%) está a criar cáries, obesidade e diabetes infantil.

Para resolver o problema, o engenheiro químico associou-se a laboratórios e universidades europeus e passou cinco anos a testar folhas, cascas e raízes e a tentar produzir um excipiente saudável, ao qual adicionou o princípio ativo. Nuno Santos explicou que nenhum ingrediente é doce, mas a conjugação de componentes com uma certa raiz “engana o cérebro e leva-o a acreditar que é doce”. O produto já está pronto, mas ainda decorrem negociações com farmacêuticas. Enquanto isso, e para sustentar financeiramente a ideia, Nuno Santos avançou com as guloseimas. Tem rebuçados, chocolates, pastilhas elásticas, mas serão as gomas a chegar primeiro às prateleiras. Já estão a ser feitas por uma farmacêutica.

A ideia da Doctor Gummy nasceu na esfera de uma entidade social, mas a concretização implicou criar uma empresa, que já registou duas patentes nacionais e uma internacional. Os lucros serão reinvestidos no negócio ou entregues a organizações sociais. “Um negócio pode gerar receitas que servem para apoiar o setor social de forma sustentada”, explicou Nuno Santos.

No último ano, o projeto acumulou prémios e reconhecimentos. Esta semana, ganhou o concurso Creative Business Cup, na Dinamarca, na área de inovação na saúde, e quinta-feira ficou em segundo lugar no prémio do jovem empreendedor da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE). Nos dias 25 e 26, vai a Paris discutir com 17 outros projetos a possibilidade de se apresentar em Sillicon Valley. Só oito atravessarão o Atlântico.