Comunidade científica apela hoje em Lisboa a mais investimento na ciência

Um apelo a um maior investimento na ciência, do ensino à investigação, marcam a declaração "O Conhecimento como Futuro", apresentada hoje, na última sessão de um ciclo de homenagem ao ex-ministro Mariano Gago, e aberta a subscrição pública.

1495

Um apelo a um maior investimento na ciência, do ensino à investigação, marcam a declaração ‘O Conhecimento como Futuro’, apresentada hoje, na última sessão de um ciclo de homenagem ao ex-ministro Mariano Gago, e aberta a subscrição pública.

“Desafiamos os governos, junto com responsáveis públicos e privados em todo o mundo, a fomentar uma nova geração de líderes de políticas científicas, capazes de reforçar a despesa pública e privada no ensino e na investigação e desenvolvimento (I&D) e assegurar os avanços necessários para processos efetivos de mudança geracional à escala global”, lê-se na declaração, sendo esta a primeira proposta apresentada no documento.

O documento é subscrito pelos participantes na última sessão do ciclo de homenagem a José Mariano Gago, organizado no âmbito dos 70 anos do Centro Nacional de Cultura (CNC), entre os quais se encontram nomes como Manuel Heitor, investigador do Instituto Superior Técnico de Lisboa, ex-secretário de Estado da Ciência quando Mariano Gago tutelava a pasta e organizador da conferência, Rosalia Vargas, presidente da Ciência Viva, Guilherme d’Oliveira Martins, presidente do CNC, Carlos Moedas, comissário europeu da Ciência, Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO, Jean-Jacques Dordain, ex-diretor-geral da Agência Espacial Europeia (ESA), e Dava Newman, vice-presidente da agência espacial norte-americana NASA, entre outros.

A declaração apela a uma maior cooperação internacional das instituições científicas, a uma maior aproximação da ciência às comunidades, para “reduzir as atuais lacunas e clivagens da sociedade do conhecimento”, e ao fomento do ensino da ciência e da cultura científica.

O documento levanta preocupações com o desinvestimento na ciência e tecnologia, com a “ausência de oportunidades adequadas de emprego científico”, com a desmotivação para o estudo da ciência, com a “crescente burocratização de ambientes científicos” nas instituições, com a falta de profissionais “bem preparados em áreas técnicas relevantes” e com a “falta de progressos na luta contra a desigualdade de género”.

A conferência que decorre ao longo de todo o dia de sexta-feira, tem por objetivo fazer um balanço do estado atual da ciência, apontando ainda caminhos para o futuro, e conta com a presença de académicos especialistas na área científica, de instituições como a Universidade de Harvard, o M.I.T e Carnegie Mellon (com os quais Portugal celebrou parceria de colaboração na investigação), representantes da OCDE, de diversas instituições científicas, como o CERN (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), e instituições da União Europeia, além do secretário norte-americano da Energia, Ernest Moniz.

O ciclo de encontros de homenagem a Mariano Gago teve início a 30 de setembro, no Centro Nacional de Cultura, em Lisboa, com a apresentação de um texto inédito do físico e antigo ministro da Ciência, que morreu em abril.

O ciclo de encontros – quatro, e todos em Lisboa – incluiu, a 22 de outubro e a 05 de novembro, respetivamente, painéis temáticos sobre o processo de adesão de Portugal à Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear/CERN, onde Mariano Gago trabalhou, e sobre “desafios e oportunidades” da investigação do cancro, doença que vitimou o físico e ex-ministro dos governos socialistas de António Guterres e José Sócrates.

Os debates são promovidos em colaboração com a Agência Nacional de Cultura Científica e Tecnológica, que gere a rede de Centros Ciência Viva, vocacionados para a divulgação científica, e em cuja criação Mariano Gago esteve envolvido.