Cuidados de saúde primários são fundamentais no acompanhamento dos doentes com VIH

No âmbito do Dia Mundial de Luta Contra a Sida, celebrado a 1 de Dezembro de 2015, o Núcleo de Estudos da Infeção ao VIH da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) defende um reforço do papel dos cuidados de saúde primários (CSP) no tratamento e acompanhamento dos doentes infetados com VIH, em particular os mais idosos.

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“Acreditamos que os CSP podem atuar em duas áreas principais: primeiro na área da prevenção e diagnóstico precoce da infeção por VIH, mas também ter uma maior participação no seguimento partilhado dos doentes”, afirma Telo Faria, internista e coordenador do Núcleo da Doença VIH.
De acordo com o Programa Nacional para a Infeção por VIH 2012-2016 e respetivos programas regionais, os CSP, juntamente com os Centros de Aconselhamento e Deteção do VIH (CAD), as Divisões de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (DICAD)e os Centros de Diagnóstico Pneumológico (CDP)  têm tido um papel fulcral na implementação e reorganização de uma rede de deteção precoce da infeção, com a realização de testes rápidos.
Relativamente ao seguimento dos doentes com VIH “é preciso ter em conta que esta doença tem características de cronicidade, como a Diabetes mellitus e a hipertensão arterial. Sendo uma doença crónica com alguns efeitos a nível metabólico, a associar às comorbilidades que advêm do processo de envelhecimento normal dos doentes, é fundamental que a sua gestão seja partilhada pela Medicina Interna e pela Medicina Geral e Familiar”, refere Telo Faria.
“Efetivamente nos últimos anos regista-se um número crescente de idosos com infeção VIH. Esta infeção é hoje uma doença com características de cronicidade e os doentes vivem muitos mais anos, clinicamente bem, chegando assim, à 3ª e 4ª idade. Por outro lado a existência no mercado, de fármacos para a disfunção erétil permitem a doentes o retomar da vida sexual ativa sendo assim potenciais infetados, se tiverem comportamentos sexuais de risco, além de poderem posteriormente infetar outros parceiros ou parceiras”, realça o especialista.
Telo Faria recorda ainda que “a epidemia em Portugal afeta as populações com comportamentos particularmente vulneráveis. Neste contexto, a percentagem de infetados ultrapassa os 5 por cento. Por outro lado a percentagem de diagnósticos tardios chegam a ser superiores a 60 por cento, o dobro da média europeia.” O coordenar do Núcleo da Doença VIH justifica estes números através dos fatores de organização dos Serviços de Saúde, à ausência de campanhas dirigidas a grupos de populações com vulnerabilidades particulares, e a fatores de ordem socioculturais complexos. Contudo, refere, tem havido um esforço nos últimos anos, para inverter esta situação.