Empresas portuguesas têm “desafios significativos” na digitalização

As empresas portuguesas enfrentam desafios significativos para o futuro e têm tremendas oportunidades por explorar, segundo as conclusões de um estudo da Deloitte e da Siemens. A falta de recursos humanos também serve como entrave para o desenvolvimento da digitalização.

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O estudo “The Digital Enterprise: Europe and Portugal. A Journey To The Future” conclui também que muitas empresas portuguesas ainda estão a enfrentar constrangimentos e atrasos no arranque da transformação digital. O estudo está hoje a ser apresentado na APDC, que decorre no CCB.

Portugal apresenta um bom ambiente para fazer negócio e promover o digital mas ainda faltam as capacidades humanas para avançar com a transformação digital. Para ultrapassar este constrangimento é preciso investir mais no treino digital que os restantes países europeus mas ainda há um longo caminho para promover as competências digitais e demorará tempo a chegar a esse ponto, acrescenta o estudo.

A falta de competências digitais é um dos fatores que estão a atrasar o desenvolvimento em duas áreas digitais: o e-service e a adoção de novas tecnologias.

A falta de investimento no online, no e-commerce e nos canais digitais é um sinal vermelho tendo em conta a maturidade digital atual das empresas portuguesas.

As empresas portuguesas estão atualmente a meio da tabela do caminho para a digitalização, na linha da frente dos países que estão em fase de transformação para o digital. As empresas portuguesas arriscam-se a perder quota de mercado relativamente a competidores mais internacionais.

O ‘benchmark’ do estudo mostra que, no passado recente, as empresas em Portugal investiram em tecnologia com o foco na produtividade e na eficiência mas falta investimento em áreas estratégicas, nomeadamente as mais orientadas para o cliente.

As empresas portuguesas estão preparadas para investir em medidas orientadas para a poupança de custos mas não estão tão dispostas a investir em novas tecnologias que poderiam ter um impacto enorme no negócio, embora ainda não estejam tão maduras. Há, assim, uma aversão ao risco que pode comprometer o sucesso a nível digital.

Se as empresas portuguesas não fizerem isso agora será muito mais difícil fazê-lo no futuro, conclui o estudo.

Ao Económico, Rui Costa, CIO da Siemens, explica que a tecnológica está a utilizar o conhecimento gerado pelos dados para “aumentar a resiliência das redes de energia, para otimizar a eficiência energética de edifícios, para ajudar os cirurgiões a levar a cabo intervenções guiadas por imagem”, entre outras aplicações.

“Na nossa visão, para servir os novos consumidores digitais, as organizações devem estar recetivas à digitalização e iniciar a sua transformação digital. As empresas, em particular, devem desenvolver o seu portefólio de produtos e serviços, modernizando a abordagem que fazem aos clientes e transformando o seu modelo de operação para serem mais digitais”, acrescenta o responsável.

Rui Costa elenca alguns exemplos desta aplicação do lado dos clientes. “A Maserati, por exemplo, confiou nos nossos softwares para produzir o modelo Ghibli”.

A tecnológica também tem um projeto com a EDP Distribuição, um projeto-piloto que assenta num “sistema de armazenamento com baterias estacionárias para ser integrado numa rede de distribuição de energia em média tensão. O sistema, que vai também estar ligado à Universidade de Évora, melhorará a qualidade de serviço e servirá como prova de conceito e como montra tecnológica”.