Metro de Lisboa volta às greves na próxima semana

As greves estão de volta ao Metropolitano de Lisboa: a próxima, que será a primeira desta empresa que o Governo liderado por António Costa terá que enfrentar, está marcada para os dias 9, 10 e 11 de dezembro, entre as 6h30 e as 9h30.

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Esta paralisação parcial de três dias abrange apenas os maquinistas da empresa e foi convocada por quatro estruturas representativas dos trabalhadores. São elas a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS), o Sindicato dos Trabalhadores da Tração do Metropolitano de Lisboa, o Sindicato da Manutenção do Metropolitano e o Sindicato dos Trabalhadores dos Transportes.

Uma eventual fixação de serviços mínimos só será decidida depois de quinta-feira, dia para o qual está marcada a primeira reunião do Tribunal Arbitral indicado pelo Conselho Económico e Social.

Em declarações ao PÚBLICO, o coordenador nacional da FECTRANS afirma que a administração da empresa Transportes de Lisboa (que reúne o Metropolitano de Lisboa, a Carris, a Transtejo e a Soflusa) tem pautado a sua atuação por “confrontos com os trabalhadores e alterações unilaterais da contratação coletiva”.
“Essa tem sido a prática”, acusa José Manuel Oliveira, acrescentando que na origem da convocação desta greve esteve mais “uma alteração ao que estava em vigor”, desta vez relacionada com “a organização do tempo de trabalho” dos maquinistas do metro. O sindicalista sublinha que à administração da empresa não se pede algo “de novo” ou que represente “um esforço acrescido para o erário público”, mas sim “que cumpra os acordos de empresa”.

José Manuel Oliveira nota que o pré-aviso de greve foi entregue antes de o Presidente da República ter indigitado o atual primeiro-ministro. Já depois disso, adianta, foi enviada a António Costa uma carta a solicitar uma reunião com a tutela.

“Estamos a fazer diligências para que o Governo dê orientações à administração para que respeite os acordos de empresa e para que se limite a atos de gestão”, explica o coordenador nacional da FECTRANS, que considera que o conselho de administração presidido por Rui Loureiro “não tem condições” para se manter. Isto porque, lembra, se vive agora “um novo ciclo”, marcado pelo facto de PS, PCP, BE e PEV terem apresentado projetos-de-lei em defesa da anulação, cancelamento ou reversão dos processos de subconcessão dos transportes públicos, tanto de Lisboa como do Porto.