Emissões globais de CO2 podem baixar este ano

Por ironia do destino, enquanto 196 países discutem em Paris o que fazer para conter o aquecimento global, um estudo divulgado esta segunda-feira mostra que as emissões globais de CO2 estabilizaram nos últimos dois anos e podem até diminuir em 2015.

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São “tendências encorajadoras”, segundo investigadores dos Estados Unidos, Austrália, Reino Unido, Noruega, num estudo publicado na revista Nature Climate Change. Mas estão longe de prenunciar o fim do problema das alterações climáticas.

Entre 2013 e 2014, a quantidade de CO2 libertada pela queima de combustíveis fósseis e pelas indústrias – que  juntos representam a esmagadora maioria de emissões mundiais – subiu apenas 0,6%, comparado com 2,4% anuais na década anterior. Em 2015, tudo indica que haverá uma queda de 0,6%, segundo projeções apresentadas pelo estudo.

A notícia circulou rapidamente no centro de exposições de Le Bourget, nos arredores de Paris, onde as Nações Unidas estão a finalizar negociações para um novo tratado contra as alterações climáticas. Em jogo está o que o mundo deve fazer para reduzir drasticamente as emissões de CO2 nas próximas décadas. “As emissões não subiram [nos últimos anos], e isto são boas notícias. Mas estamos focados nas negociações”, disse Todd Stern, enviado especial dos Estados Unidos para a área das alterações climáticas, numa conferência de imprensa.

A evolução dos últimos anos tem um responsável principal claro: a China, que tem reduzido o seu brutal consumo de carvão. Também a procura pelo petróleo e gás natural cresceu menos e as renováveis estão a avançar.

Há um dado que agora surpreende. “Ao contrário de outros períodos onde houve pouco ou nenhum crescimento das emissões, o PIB mundial cresceu substancialmente nestes dois anos”, escrevem os autores do estudo, liderado por Robert Jackson, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.

As emissões globais de CO2 tiveram outros momentos de estabilização nos anos 1990, com a recessão no Leste europeu depois da queda do muro de Berlim e em crises económicas mundiais, como a de 2008. Nos três últimos anos, porém, o PIB mundial cresceu a taxas de 3,3 e 3,4% e em 2015 deverá subir mais 3,1%.

“O tempo dirá se esta surpreendente interrupção no crescimento das emissões é transitório ou um primeiro passo em direção à estabilização”, escrevem os autores do artigo.

“Não podemos celebrar ainda. Dois anos de aparente estabilização de emissões não fazem uma tendência”, alerta Martin Kaiser, diretor de política climática da organização ambientalista Greenpeace.

Nas previsões para 2015 do estudo agora divulgado, as emissões deverão cair na China, Estados Unidos e União Europeia – os maiores contribuintes para o total global. Mas subirão no resto do mundo, em particular na Índia – também no topo da lista dos maiores emissores globais de CO2.