Juncker disponível para envolver parlamentos na estratégia de crescimento e de consolidação

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, apresentou nesta terça-feira, 15 de Dezembro, a possibilidade de o Parlamento Europeu participar no processo do Semestre Europeu e de realizar uma semana parlamentar com os plenários dos Estados-membros para discutir a estratégia de crescimento e de consolidação orçamental.

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Jean-Claude Juncker

No debate sobre a União Económica e Monetária (UEM) no plenário do Parlamento Europeu (PE), em Estrasburgo, ao qual compareceram muito poucos eurodeputados, Juncker notou o avanço para a fase 2 deste processo, no qual poderá haver “aprofundamento da cooperação” entre a Comissão e o Parlamento.

“Seria bom que a Comissão Europeia procurasse a opinião do PE antes de aprovar a análise anual de crescimento e espero que as prioridades para o próximo Semestre europeu possam ser debatidas junto de várias comissões (parlamentares)”, disse.

O chefe do executivo comunitário afirmou a vontade de organizar uma “semana parlamentar, que seria um momento-chave para envolver os parlamentos nacionais, e que poderia ocorrer no início de cada ano, para se falar das prioridades para a UE”.

Para Juncker, a Comissão deverá ainda realizar um relatório para apresentar aos eurodeputados “antes e depois de cada revisão” dos programas de ajustamento aplicados a Estados-membros.

“O objetivo comum é ter êxito perante os nossos cidadãos. Se reforçarmos o PE, vamos reforçar a Comissão e o PE deve estar vigilante”, resumiu.

Juncker referiu ainda que se avançará com “legislação sempre que necessário, por exemplo, para completar a união bancária ou aprofundar a união de mercados de capital e o mesmo é válido o regime de garantia de depósitos, nada é mais urgente do que garantir as poupanças dos cidadãos”.

Antes de Juncker, discursou, pela primeira vez em sessão plenária, o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, que destacou como o “trabalho que se fez em conjunto começa a dar frutos”, mas também a necessidade de que esta “recuperação económica seja autossustentável”.

Dijsselbloem referiu o trabalho necessário para responder às “taxas de desemprego ainda altas” e às dívidas de vários países, assim como para tornar a UE “mais resistente e completa” para garantir os benefícios de uma moeda única.

O dirigente da zona euro notou que se devem discutir até que ponto se pretende partilhar a soberania, as suas condições e o que se pretende conseguir, assim como a “partilha de riscos para se poder progredir na UEM”.