Meo e Vodafone pedem ajuda aos reguladores para combater NOS

‘Batalha’ dos direitos desportivos está mais quente do que nunca. Compra dos jogos do Benfica deu tiro de partida numa ‘guerra’ que promete ser longa.

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O acordo entre NOS e Benfica para a transmissão dos jogos do campeão nacional de futebol, para além dos direitos sobre a Benfica TV, já fez correr muita tinta. Os 400 milhões de euros pagos ao clube ‘encarnado’ são inéditos no mercado nacional e estão a provocar reações fortes das principais rivais da operadora liderada por Miguel Almeida.

Numa conferência organizada ontem pela SRS Advogados, a PT, dona da Meo, e a Vodafone expressaram as suas preocupações com o negócio multimilionário, dando conta de um desequilíbrio crescente criado por um alegado monopólio da NOS.

Para Marta Neves, do comité executivo da PT, existem “desafios na área dos conteúdos que têm de ser ponderados”, uma vez que existe “uma maior concentração de conteúdos desportivos no operador que tem a maior quota de mercado de televisão paga”. A representante da Portugal Telecom, acredita que os conteúdos do portfólio da NOS devem ser “ponderados do ponto de vista regulatório”, de forma a garantir a igualdade circunstâncias no mercado.

“Gostei da intervenção da minha co-painelista do lado esquerdo”, brincou Cristina Perez, da Vodafone, antes de seguir pela mesma linha de discurso. A diretora jurídica e de regulação classifica o tema dos direitos desportivos como “muitíssimo sexy” e “muito interessante”, mas pede atenção dos reguladores.

A representante da Vodafone assegura que a concentração de conteúdo exclusivo “deve ser combatida”, para que todos “beneficiem de serviços rápidos e inovadores, acessíveis a toda a população”.

Em resposta à polémica, a Autoridade da Concorrência garantiu ao Jornal de Negócios que está “a acompanhar o tema”, mas escusou-se a fazer mais comentários sobre a compra de direitos de transmissão de jogos a clubes de futebol.