Turismo deverá ter “crescimento sólido” e “cada vez mais qualificado”

O ano 2015 vai terminar com um "crescimento sólido" em número de turistas e valor das receitas, traduzido num turismo "cada vez mais qualificado" e melhor distribuído pelas regiões do país, disse à Lusa o presidente do Turismo de Portugal.

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“Vamos ter mais um ano de crescimento sólido no turismo, não só em número de turistas, que se deve aproximar muito dos 9%, como, sobretudo, nos proveitos desse turismo, que até setembro estão a crescer cerca de uma vez e meia aquilo que cresce o número de turistas”, afirmou João Cotrim Figueiredo em declarações à agência Lusa.

Também o presidente da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), Pedro Costa Ferreira, faz um balanço positivo da recuperação das viagens dos portugueses em 2015.

“Com o ano a finalizar, é já certo que 2015 constituiu um ano de consolidação da recuperação. Voltámos a ter um ano superior a 2014, que definimos como o ano de viragem, do ponto de vista das viagens de lazer dos portugueses”, afirmou Pedro Costa Ferreira, acrescentando estimarem “que o crescimento se situe entre 7% e 8%”.

Ao nível dos turistas que nos visitam, João Cotrim de Figueiredo salientou que Portugal tem “um turismo cada vez mais qualificado”, o que permite aos empresários do setor “traduzirem em preço a qualidade que o destino inegavelmente tem, cobrando mais dinheiro”.

“É um fator importante não só porque indica a qualificação do turista, mas também porque permite às empresas do turismo serem mais rentáveis e encararem o ciclo de investimento que será necessário no futuro sem dependerem exclusivamente da banca”, considerou.

Por outro lado, Cotrim Figueiredo destaca o facto de os dados disponíveis até setembro apontarem “as regiões do país que têm menos intensidade turística, como o Norte, o Centro, o Alentejo e os Açores” como “aquelas que estão a crescer percentualmente mais”.

“É evidente que, sendo regiões com menos volume de partida, os crescimentos percentuais serão mais fáceis, mas mesmo assim é de registar os crescimentos muito robustos, nos dois dígitos, às vezes acima dos 20%, que estas regiões estão a conseguir”, sustentou.

Para o responsável, tal significa que Portugal “está também a conseguir diversificar os destinos que são procurados”, depois há algumas “boas décadas” ter a Madeira como “a única região turística de relevo”, a que se lhe juntou na década de 60 o Algarve, seguido de Lisboa e de, já nesta década, o Porto e o Norte.

Outro fator positivo apontado é o facto de nos principais mercados de origem de turistas — e “Portugal continua a receber mais de 80% dos seus turistas da Europa” – se registarem “crescimentos muito expressivos”, nomeadamente em “mercados muito importantes como o alemão e o francês”.

Adicionalmente, disse, é de registar que estes mercados “não só estão a crescer muitíssimo em termos de número de turistas, mas ainda mais nas receitas”, garantido um aumento da quota de Portugal nesses países e assegurando “um crescimento sustentado no futuro”.

Por último, João Cotrim de Figueiredo nota que Portugal está a crescer nos principais indicadores do turismo a um ritmo superior ao dos seus principais concorrentes, designadamente Espanha e Itália, pelo que tem vindo a ganhar quota e competitividade.

Relativamente às perspetivas para 2016, o presidente do Turismo de Portugal avança com indicadores como os níveis de pré-reservas e de busca ‘online’ por destinos no país para antecipar bons resultados quer para o inverno 15/16, quer para o próximo verão.

“Em ambos os casos registamos níveis de pré-reserva e níveis de busca superiores àqueles que tínhamos nesta altura do ano passado. Isto não garante que, no final, tenhamos maior número de reservas definitivas e concretas, mas indica que temos um interesse superior nesta altura do que tínhamos na mesma altura do ano passado”, indicou.

Neste contexto – e desde que se mantenham “as variáveis básicas de estabilidade na Europa e de crescimento económico” – Cotrim de Figueiredo considera estarem “reunidas as condições para que 2016 volte a ser um belo ano para o turismo em Portugal”.

Já nas agências de viagens o otimismo para o próximo ano também se mantém, embora moderado. “Sendo certo que não atingimos ainda os valores de antes da crise, os números são animadores” e “não existe qualquer razão para pensarmos que a recuperação não se vai manter, ao longo de 2016”, afirmou Pedro Costa Ferreira à Lusa.