Centro de Ciência de Guimarães abre após cinco anos de espera

Guimarães esperou cinco anos, mas vai ter um novo Centro de Ciência Viva a partir desta quinta-feira.

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A memória da indústria de curtumes que ocupou o edifício agora recuperado para receber o equipamento cruza-se com a robótica, a realidade virtual e outras cinco áreas de conhecimento. O investimento de mais de 1,5 milhões de euros chegou a estar previsto para a Capital da Cultura de 2012.

O novo centro de Ciência tem mais de 20 módulos de exposição e espaço para exposições temporárias e programação regular, que se conjugarão com a exposição permanente, desenvolvida pela Universidade do Minho e pela Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica em torno de sete áreas de conhecimento. A história e a arqueologia terão um lugar de destaque, sobretudo associando-se à tradição de produção de curtumes na área da cidade em que fica instalado o novo equipamento, que remonta à Idade Média.

O edifício fica localizado no antigo bairro industrial de Couros. De resto, o mote do novo espaço, “Curtir Ciência”, é uma referência direta à atividade de produção de curtumes que, durante séculos ocupou os cerca de 10 hectares daquela zona da cidade – à qual a autarquia quer alargar a classificação como Património Cultural da Unesco, atribuída ao centro histórico vimaranense em 2001.

A tradição convive com áreas de ponta do conhecimento científico, com destaque para a robótica e a realidade virtual, mas também a eletrónica e instrumentação, engenharia e ambiente. O Centro de Ciência Viva de Guimarães é inaugurado na tarde desta quinta-feira e é o vigésimo polo da rede nacional.

O equipamento ocupa a antiga fábrica Âncora, uma das mais emblemáticas do antigo bairro da indústria de curtumes, um edifício que foi reabilitado pela autarquia que ali gastou mais de 1,5 milhões de euros. A primeira fase de obras ficou pronta em 2010 e fez parte do projeto para a zona de Couros que integrou a candidatura da cidade a Capital Europeia da Cultura, em 2012.

Todavia, uma série de problemas foram atrasando sucessivamente a sua abertura. A obra não cumpria os requisitos necessários para receber a exposição permanente projetada, o que obrigou a duas novas fases de obras, nos dois anos seguintes. Depois disso, a autarquia e a Agência Nacional para a Cultura Científica tiveram também ainda que ultrapassar divergências quanto ao modo de funcionamento do centro.