Profissão? Sou empreendedor!

2218
A opinião de Joana Barbosa, Técnica responsável pelo LIFTOFF – Gabinete do Empreendedor da AAUM

Segundo as estatísticas do INE, em outubro de 2015 32.5% dos jovens entre os 15 e os 24 anos estavam desempregados sendo esta taxa de 10.9% para aqueles que tinham já soprado as 25 velas. Estas taxas registam-se num Portugal que é agora um país de inventores e dá passos largos na diminuição do medo de arriscar em novas ideias, conceitos e projetos. Esta menor aversão ao risco é acompanhada pelo incremento de concursos de empreendedorismo que são promovidos pelas mais variadas entidades. Contudo, e para que as taxas de desemprego sejam reduzidas de forma sustentada, é preciso aliar a este sistema de incentivos, o perfil de que tanto se fala: o perfil de empreendedor. Não existe uma definição exata para empreendedorismo o que dificulta também a identificação consensual das características que moldam o empreendedor. Fazer mais e melhor é o mote, colmatar uma dor sentida pelo nosso cliente ou empregador é a chave, adaptar os nossos jovens ao desaparecimento gradual de um modelo organizacional estático e hierarquizado é obrigatório.

Desde o primeiro momento em que entram no mercado de trabalho por conta de outrem estes jovens, além de desenvolverem as funções para as quais foram contratados, deparam-se com a obrigatoriedade de mostrar uma nova forma de ser, de agir e de apresentar resultados muito além do que é ensinado nas salas de aula. Quer seja trabalhando por conta de outrem ou por conta própria, os recém chegados ao mercado de trabalho devem conseguir dar o que este necessita: mais ideias  assentes em oportunidades num contexto em que a obediência ao chefe dá lugar a um trabalho de equipa com pessoas empreendedoras, inovadoras e criativas.

O empreendedorismo tornou-se uma moda e as novas gerações veem-se mergulhadas na necessidade de trilharem o seu caminho desde cedo. Uma vez saídos do mundo académico os nossos jovens devem adaptar-se a um novo formato de trabalhador, o trabalhador do século XXI, que traz consigo esta nova abordagem focada na autonomia, vontade de inovar, capacidade de adaptação constante e grande protagonismo. Tendo como meta a criação dos seus próprios negócios, é imperativo que, além dos conhecimentos aliados à criação do negócio, tenham sido trabalhadas certas características como a autoconfiança, a determinação, a persistência e a aceitação do risco. Mas será que os nossos estudantes acompanharam a tendência e são agora capazes de corresponder a esta nova realidade? Isto só é conseguido através da junção entre as competências trabalhadas no âmbito do curso que frequentaram e das atividades extra curriculares das quais fizeram parte e é nosso dever, enquanto agentes de apoio ao empreendedorismo, professores, universidades, empresários e cidadãos comuns, moldar estes jovens.

A formação informal tornou-se cada vez mais relevante e os desafios do sistema educativo aumentaram resultando num vasto leque de atividades dinamizadas nas universidades. Perante a preocupação constante com o futuro dos estudantes e fruto do dinamismo necessário associado ao empreendedorismo, a Associação Académica da Universidade do Minho, através do LIFTOFF – Gabinete do Empreendedor, contribui para o desenvolvimento de um ecossistema mais capaz e mais adaptado a um mundo em constante mudança, em que o empreendedorismo é palavra de honra e a criação de novos caminhos é urgente. É no trabalho de mudança ao nível de mentalidades que o LIFTOFF entra sendo também neste contexto que as universidades representam um papel de máxima importância na formação dos seus estudantes tornando-os capazes de dinamizar empresas, as suas ou as dos outros, e de criar riqueza. O estímulo à geração de ideias é crucial e a reorganização da educação tem vindo a acontecer.

Temos ainda um longo caminho a percorrer no sentido da valorização do fracasso como aprendizagem mas grande parte do percurso está já feito e verifica-se uma maior preocupação em aproximar o meio académico ao meio empresarial, o que deverá ser sempre prioritário.

Ser um trabalhador do século XXI, é ser empreendedor.
Cada um de nós deve sê-lo e moldar os jovens para tal.