COHiTEC: uma solução “do laboratório até ao mercado”

O Programa COHiTEC, uma iniciativa da COTEC Portugal, surgiu em 2004 e tem-se assumido, desde então, como uma ação de formação que avalia o potencial comercial das tecnologias desenvolvidas no seio de instituições de I&D nacionais. Para o futuro, uma das áreas que importa aprimorar é a “que tem a ver com os contactos com potenciais stakeholders que cada equipa tem que realizar”, como assegurou Pedro Vilarinho, Diretor do Programa COHiTEC em conversa com a Revista Pontos de Vista. Conheça melhor esta iniciativa, cujas candidaturas estão abertas até 15 de janeiro em www.cohitec.com

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Pedro Vilarinho

Em Portugal, que principais lacunas o Programa COHiTEC tem procurado e conseguido colmatar?
O Programa COHiTEC foca-se na formação em comercialização de projetos de base tecnológica, em particular nas áreas da biotecnologia, ciências da vida, energias limpas e tecnologias industriais. As principais lacunas que o COHiTEC tem conseguido colmatar prendem-se com o apoio a projetos high-tech/high-growth cuja propriedade intelectual pode ser protegida e o envolvimento dos investigadores que desenvolveram a tecnologia no projeto empresarial.

Acredita que o COHiTEC se distingue com clareza de outros aceleradores de empresas que existem atualmente em Portugal. Quais são os principais requisitos para ser escolhido para participar no programa?
Sim. A maior parte dos aceleradores foca-se no apoio a projetos em que a tecnologia somente serve de suporte, estando a novidade no modelo de negócios (este é o caso de praticamente todos os projetos nas áreas de Web & Mobile). O COHiTEC foca-se em projetos nos quais o elemento diferenciador é a tecnologia, que foi gerada a partir de investigação científica, muitas vezes levada a cabo ao longo de vários anos, e na qual assentará a vantagem competitiva da startup.
As candidaturas ao COHiTEC estão abertas até 15 de janeiro em www.cohitec.com. Podem candidatar-se investigadores ou tecnólogos que proponham uma tecnologia com características únicas. Os participantes têm que ter disponibilidade para, durante quatro meses, frequentar a ação de formação, que decorre simultaneamente na tarde de terça-feira na Porto Business School e na de quinta-feira na Nova School of Business and Economics em Lisboa.

Ano após ano são feitas melhorias no programa. Como vê a evolução do COHiTEC nas últimas edições? Que parâmetros ainda são necessários aprimorar?
Anualmente, no final do Programa COHiTEC, a equipa da COTEC reúne com os participantes (investigadores, estudantes de gestão e mentores) para obter feedback, do qual resultam melhorias na edição seguinte. Atualmente, estamos a proceder a uma revisão aprofundada da metodologia com o apoio de um consultor externo, mas podemos adiantar que uma das áreas em que se irá operar maior transformação é a que tem a ver com os contactos com potenciais stakeholders que cada equipa tem que realizar.

Valorizam uma estreita colaboração entre o mundo empresarial e o académico. Os investigadores estão cada vez mais conscientes e têm uma melhor perceção do conceito de comercialização de tecnologias?
Sim. Como se pode constatar nas conferências plenárias de grandes congressos internacionais, a presença de antigos investigadores que se tornaram empresários é cada vez mais comum, o que denota uma valorização deste tipo de atividade. Infelizmente, em Portugal a criação de empresas por investigadores ainda não é suficientemente valorizada em termos de progressão na carreira.

Portugal é já considerado um dos países europeus com maior taxa de empreendedorismo jovem. No entanto o que continua a impedir que excelentes ideias de negócio se repliquem e se tornem negócios de sucesso?
Na área particular em que o COHiTEC se insere, o rollout de um projeto pode levar cinco anos. Assim, como somente agora se começou a valorizar o empreendedorismo de base tecnológica, estimamos que ainda sejam necessários alguns anos para começarmos a adquirir escala e a testemunhar um crescimento do número de casos de sucesso.

Acredita que a ciência realizada em Portugal tem qualidade e potencial comercial. Contudo, continua a defender que ainda existem reticências à criação de empresas de base tecnológica no nosso país?
Em Portugal, as reticências à criação deste tipo de empresas prendem-se sobretudo com três fatores: a falta de alinhamento entre os incentivos das carreiras académica e de investigação e a comercialização de tecnologias, a escassez de financiamento para a fase que medeia a investigação aplicada e o desenvolvimento de um protótipo (ou prova de conceito) e uma mentalidade de penalização do falhanço que desincentiva o aparecimento de mais projetos empreendedores.

Para o futuro, o que se pode continuar a esperar do Programa COHiTEC como instrumento auxiliador numa fase embrionário de uma ideia de negócio?
O COHiTEC irá manter o modelo de formação atualmente existente, reforçando-o no sentido de, no tempo disponível, aprofundar cada vez mais as propostas de negócio apresentadas pelos participantes. O apoio às equipas na fase seguinte, até à entrada de investidores, será fortalecido no sentido de afirmar cada vez mais o COHiTEC como uma solução “do laboratório até ao mercado”.