“Deixámos de ser um outsider e passámos a ser vistos pelo mercado como uma referência de qualidade, credibilidade e independência”

Sustentada por uma equipa “jovem, dinâmica e transparente”, a Baker Tilly presta serviços de auditoria e consultoria num contexto internacional, tendo por base a qualidade e nunca os honorários. Quem é o diz é o próprio Managing Partner da empresa, Paulo André, em entrevista à Revista Pontos de Vista. O momento foi ainda aproveitado para se falar sobre a realidade do setor e abordar o presente e o futuro da marca. Saiba mais sobre esta instituição, que é já marca de excelência e líder em Portugal.

1505

A Baker Tilly reforçou este ano a sua presença em Portugal com a integração da Pires de Matos & Pinheiro Torres. Qual o balanço que pode ser feito da estratégia de crescimento da empresa no nosso país?
Considero que o balanço da estratégia de crescimento da Baker Tilly é muito positivo, conforme evidenciado nos nossos indicadores de performance, bem como de dimensão e dados operacionais. Temos vindo a aumentar consecutivamente o número dos nossos profissionais e número de clientes. Definitivamente deixámos de ser um outsider e passámos a ser vistos pelo mercado como uma referência de qualidade, credibilidade e independência. A marca Baker Tilly em Portugal veio definitivamente para ficar, atraindo jovens licenciados que procuram desafios e projetos de forte crescimento. Para dar sustentação ao projeto, reformulámos recentemente as áreas de Outsourcing e Consultoria, passando estas a ser lideradas por novos sócios, mais alinhados com a nossa estratégia, cultura e ambição. Também em 2015, incorporámos por fusão uma equipa de auditoria no Porto (ex-Pires de Matos, Pinheiro Torres SROC), equipa constituída por jovens muito motivados e ambiciosos, tecnicamente muito competentes, que acompanham de perto o negócio dos clientes. Esta equipa é liderada por dois sócios (Luis Pinheiro Torres e Manuel Pires de Matos), conhecedores em detalhe do mercado do norte, que atuam de forma muito dinâmica e comprometida com os objetivos dos clientes: a qualidade técnica, a ética e a independência, bem como o cumprimento de prazos. Acreditamos que o nosso escritório no Porto acompanhará o movimento de crescimento que temos experimentado nos últimos seis anos.

Como caracteriza o mercado nacional de auditoria atualmente? A entrada de novos players tem-se traduzido em ganhos efetivos para os clientes?
O mercado nacional de auditoria tem registado algumas mudanças, essencialmente motivada pelo fenómeno “renovação” das estruturas existentes. Os tempos estão a mudar. Regulamentos mais exigentes entram em vigor em 2016. É necessário estar mais organizado e alinhado com as metodologias internacionais. As normas internacionais de auditoria passam a ser a referência a partir de 1 de janeiro de 2016. Aumenta o controlo de qualidade, bem como as penalizações e sanções. O relato financeiro, em particular as contas auditadas, ganha importância. Aumenta o foco sobre o risco e introduzem-se novas regras nas políticas de rotação de auditores. As empresas também se têm vindo a tornar mais exigentes e organizadas, generalizando-se o funcionamento de comités de auditoria em particular em entidades de interesse público. A pressão dos mercados, stakeholders, investidores e reguladores centra-se no aumento da qualidade, independência e rigor do auditor em benefício de todos aqueles. A CMVM toma a liderança da supervisão e implementação deste processo. A pressão recai, uma vez mais, essencialmente sobre o auditor. Mas este movimento exige um envolvimento maior da auditoria (equipas maiores, mais experientes e maior consumo de horas). Este objetivo só se pode atingir na plenitude e com qualidade, se os honorários forem também ajustados em alta. A constante pressão dos honorários em baixo apenas compromete a qualidade e, no final do dia, não beneficia os stakeholders. O órgão de gestão das empresas deve também assumir as suas responsabilidades, no governance das empresas e na qualidade das demonstrações financeiras. Da parte das empresas tem-se verificado um aumento da visão global dos seus negócios, resultado dos incentivos à exportação, da abertura a mercados para além dos tradicionais (UE e PALOPS), do galopante desenvolvimento dos meios de comunicação, da necessidade de aceder a informação crítica e tempestiva a cada momento e com uma dependência de parceiros “certos” cada vez mais vincada. As empresas começam a operar com maior frequência fora de Portugal e nestas situações procuram trabalhar com um auditor (uma marca) que esteja também nos mercados onde operam fora de Portugal. Temos vindo a ter muitas solicitações na sequência deste movimento, culminando muitas vezes em nossos clientes em Portugal, após já trabalharem connosco noutros mercados, nomeadamente Angola e Moçambique.
Dadas as exigências profissionais impostas à profissão de Revisor Oficial de Contas e, bem assim, as exigências técnicas requeridas por parte das empresas, seria de prever que a entrada de novos “players” só vingaria com equipas de pessoas especializadas em áreas específicas ou através de parcerias.
A nível nacional, o peso dos pequenos e médios negócios não é de negligenciar e a presença física de um interlocutor tem ainda uma influência considerável na altura da escolha, não poucas vezes em detrimento da qualidade técnica dos profissionais. No entanto, esta escolha tem condicionantes óbvias caso a empresa decida desenvolver ou fazer crescer o seu negócio.

Acredita que a tendência seja a perda de impacto no panorama nacional das Big Four nos próximos anos? Começa a notar-se uma maior abertura do mercado como resultado das reformas que têm sido implementadas na atividade de auditoria mais exigentes no que concerne à rotação de firmas?
Acreditamos que o “altar” das Big Four tem cada vez mais vindo a ser desmistificado e questionado. Nem vale a pena entrar em detalhes. Big Four é apenas uma expressão comercial que significa “dimensão”, mas não significa “exclusivo de qualidade”. Adicionalmente, o maior rigor, padrões de ética, o profissionalismo, qualidade e renovação etária de muitos dos que fazem parte desta classe profissional contribuíram para esta mudança. Já muitos perceberam que esta alteração na composição do peso dos atuais players é necessária para um melhor funcionamento do mercado, dando maior protagonismo a outros “players”. Acreditamos que a Baker Tilly tem vindo a contribuir para esta alteração e perceção do mercado quanto à existência de muita qualidade e capacidade de entrega noutras organizações. As constantes solicitações de novos clientes, de grande dimensão e de referência nos seus respetivos setores e nas mais variadas indústrias (serviços, industrial, financeiro, segurador) são a melhor evidência de que aquela mudança está em curso e que a Baker Tilly apanhou o comboio e está no bom caminho. A rotação dos auditores é um tema controverso. Mas no nosso entendimento justifica-se. Não porque o auditor se familiariza com o cliente e “amolece”. Não acredito que isso aconteça. Acredito sim mais no facto de que a rotação é um incentivo para questionar mais vezes o que tem vindo a ser feito pelas organizações e como vem sendo feito. É também uma mola para o desenvolvimento da profissão o surgir de novas ferramentas informáticas de tratamento de dados, de revisão analítica e uma pressão saudável para que os auditores se preocupem em estar ainda mais atualizados sobre aspetos técnicos contabilísticos, fiscais e outros, bem como sobre as best practices das várias indústrias. Por outro lado, há países (França, por exemplo) onde está muito vulgarizada a “auditoria conjunta”, feita por duas empresas de auditoria, as quais tiram sinergias técnicas e operacionais do processo de auditoria, beneficiando o cliente em termos de qualidade e eficiência (preço).

O que é que faz da Baker Tilly uma alternativa de peso às Big Four? Quais os pontos fortes da empresa que importa destacar?
A Baker Tilly destaca-se pelo seu espírito jovem, dinâmico e transparente. É uma equipa de “furões”, que não descansa enquanto não conclui as suas tarefas, estando atenta a todos os detalhes e oportunidades de melhoria de processos dos nossos clientes. A rentabilidade não é a nossa primeira métrica. Precisamos de ganhar dinheiro para ser sustentáveis, mas não temos uma fobia pela margem. Se um projeto necessitar de mais recursos, alocamos mais tempo, as pessoas podem envolver-se mais e debitar mais horas a esse projeto, que não são prejudicadas por esse facto. Acima de tudo, queremos dar qualidade aos nossos clientes. Também por isso, somos uma organização, onde as várias firmas nos vários países se entreajudam entre si. É frequente estar ao telefone, no Skype ou mesmo em reuniões com outros sócios a discutir (brainstorming) e analisar em detalhe questões técnicas complexas, bem como a partilhar experiências. Em vários projetos, temos o envolvimento de sócios da Baker Tilly de outros países. E esse envolvimento é factual. Ocorrem com frequência deslocações a Portugal de sócios de outros países que convidamos a fazer parte das nossas equipas e projetos e com quem partilhamos honorários, assegurando assim equipas mais seniores, experientes e competentes. Sinto que somos uma organização internacional, muito disponível para parcerias e entreajuda entre os vários países. Os nossos clientes reconhecem que com esta estratégia lhes proporcionamos valor acrescentado.

A Baker Tilly Portugal é responsável pelo desenvolvimento de operações em Portugal, Angola e Moçambique. Em qual destes países o crescimento da empresa tem sido mais acentuado?
Portugal, sem dúvida. Em seis anos passámos de duas pessoas para cerca de cem pessoas. Temos registado um crescimento contínuo e acentuado. Sentimos que em Portugal já ganhámos o nosso espaço, ainda que nos pareça evidente que ainda temos muito por onde crescer. Os nossos valores reais continuam a ser superiores aos valores orçamentados. Acreditamos que em 2016 todas as áreas vão crescer significativamente, nomeadamente o outsourcing e a consultoria, pois a partir do início de 2016 teremos nova liderança, mais preparada e atenta às necessidades dos clientes. Moçambique é o nosso segundo mercado, mas é uma economia mais pequena. Sentimos que os tempos que se aproximam não serão fáceis (os problemas já vividos em Angola começam agora a notar-se em Moçambique). Mas temos um escritório, equipas e logística permanentes em Maputo. É um mercado onde queremos continuar e onde temos capacidade de resposta imediata para os nossos clientes. Acreditamos que apesar de tudo 2016 será um ano de crescimento. Em Angola, como sempre, atuamos através de um parceiro. Utilizamos o seu escritório e a sua logística, mas operamos com a marca Baker Tilly e controlo de qualidade de Portugal. Em todos os nossos projetos, os respetivos partners, managers e na maior parte dos casos também os seniores são portugueses, nossos colaboradores diretos, cuja responsabilidade de desenvolvimento profissional e formação é nossa. Apenas o staff é do nosso parceiro local. Angola é já um mercado exigente, onde apenas os que têm qualidade e disponibilidade de recursos conseguirão ser sustentáveis. Para já temos apenas a ambição de nos mantermos no mercado, sem perder a nossa posição.

Quais as estratégias de crescimento da Baker Tilly para cada um deles?
Conforme dei a entender anteriormente, para Portugal e em 2016 estimamos para a Baker Tilly um crescimento a dois dígitos, em todas as suas linhas de serviço. A nossa área de incentivos tem-se envolvido em muitos projetos do Portugal 2020. A área de Transactions e Corporate Finance (nomeadamente avaliações e due diligencies financeiros e fiscais) tem trabalhado a um ritmo muito elevado. Sentimos que a abertura do capital das nossas empresas e movimentos de M&A continuarão a ocorrer em número relevante em 2016 e que o mercado (acionistas, investidores, capitais de risco, etc.) quer trabalhar connosco e nos envolve cada vez com mais frequência. Provavelmente, a mudança política ocorrida recentemente trará novas estratégias e alterações ao quadro fiscal das empresas, o que constituirá uma nova oportunidade para os nossos consultores fiscais. Acreditamos que no Porto esse crescimento será também relevante. Mas não queremos comprometer a qualidade. Estamos a investir mais em formação e no recrutamento. Não queremos apenas pensar para fora, para o crescimento. Queremos preparar-nos por dentro. Quer do ponto de vista organizacional, quer do ponto de vista de recursos. Em relação a Angola a nossa expectativa é manter a nossa posição e em Moçambique estimamos crescer, pois continua a haver investimento estrangeiro relevante oriundo de países onde temos muitos clientes (África do Sul, Índia, China, Brasil). Antecipamos, portanto, que 2016 será uma vez mais um grande desafio, e motivo de orgulho para as nossas equipas, com muito trabalho à mistura.