O que fazer ao dinheiro em 2016?

A opinião de João Pereira Leite, Diretor de Investimentos do Banco Carregosa

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João Pereira Leite

Tomar a decisão certa para proteger ou rentabilizar as poupanças pessoais exige uma antecipação, sempre difícil, do que vai acontecer ao país e ao mundo no próximo ano. Quem, no início de 2015, foi capaz de apostar nas obrigações gregas a 10 anos? Foram o melhor investimento em obrigações, entre os países desenvolvidos com um ganho de 20%!

Quem diria que as ações da Volkswagen seriam uma péssima escolha? Perderam 60% do seu valor! Quantos analistas e investidores escolheriam a Jamaica como destino de investimento em ações? A bolsa da Jamaica foi a que mais subiu no mundo, com uma valorização de 75%! Os mercados, por estarem tão dependentes da vida das pessoas, das empresas e dos governos, vivem de imponderáveis e imprevistos.

Como não é possível adivinhar o que proporcionará o melhor retorno, o primeiro conselho é o de ouvir a opinião de gestores profissionais. Estão mais informados, mais habituados a ler os sinais e podem interpretar melhor a tendência dos preços dos ativos. Pedir uma reunião e consultar a opinião, de acordo com o seu perfil e expectativas, pode ajudá-lo bastante antes de tomar uma decisão.

E, já agora, escolha um profissional que faça a gestão das suas poupanças. É um mito pensar que só os muito ricos podem ter gestores profissionais ao seu serviço. Embora nem todas as soluções sejam acessíveis a todos os clientes – há investimentos que exigem montantes iniciais mais elevados – no Banco Carregosa temos opções de poupança e de investimento mais flexíveis para quem pretende um conselho profissional, embora disponha de um montante que não cabe na tradicional segmentação de banca privada.

A terceira sugestão é para escolher bem o banco e/ou o gestor para tratar do seu dinheiro. Atente à história do banco, aos seus acionistas, às pessoas que o gerem, à equipa de gestão de ativos, aos rácios da instituição, aos produtos propostos e às comissões cobradas.

Não acredite se alguém lhe recomendar o investimento em ativos milagrosos. O cliente só deve esperar ganhar aquilo que estiver disposto a perder. A isto se chama tolerância ao risco. Quanto mais ou menos risco tiver um investimento, potencialmente, maiores ou menores ganhos poderá ter. Tudo o que vier a mais será mérito de quem gere o dinheiro.

Sendo verdade que ninguém tem a poção mágica para adivinhar o que vai acontecer, podemos contar com algumas tendências ou dados inevitáveis: o crescimento da economia mundial e a inflação global estão abaixo da média história; nos países da OCDE as taxas de juro estão próximas de zero; os preços dos ativos financeiros estão acima da sua valorização histórica e o rebalanceamento da economia chinesa está a fazer descer o preço das matérias-primas, a afetar o crescimento da economia e dos ativos dos países emergentes, o que dará origem ao fenómeno da exportação da deflação e à valorização do dólar norte-americano, por oposição à queda do yuan.

Uma das nuvens mais negras quando olhamos para o horizonte é a do endividamento: a dívida mundial face ao PIB está nos 300%; a dívida pública dos países desenvolvidos subiu 75% desde 2007; desde essa data, a dívida chinesa subiu 400%; em 80% dos países, a dívida das famílias subiu e metade das obrigações dos Estados pagam uma taxa inferior a 1%. E qual tem sido o comportamento das empresas? Muitas, aproveitando o acesso fácil e barato ao dinheiro, emitem dívida (e sendo obrigações high yield apresentam taxas muito baixas para o risco que comportam). As que não precisam de dívida e têm excedentes de liquidez recompram ações. Ora, sabendo nós que não devemos esperar uma evolução positiva das matérias-primas, das obrigações de países emergentes e das obrigações high yield, este pode ser um sinal interessante a seguir. A compra de ações próprias por parte das empresas é uma forma de premiar os investidores. Por isso, para 2016, uma das apostas do Banco Carregosa é a escolha seletiva de ações em que valha a pena investir. Outra alternativa que tem dado bons resultados é a dos depósitos indexados – têm capitais garantidos mas tendem a pagar mais que os tradicionais depósitos a prazo. A nossa sugestão é para escolher depósitos indexados com maturidades mais longas. Como alternativa às classes tradicionais de ativos, sugerimos criar carteiras ou portfólios de fundos de Fundos de retorno absoluto.

Estas são algumas das propostas em que temos proposto aos nossos clientes de banca privada. Construímos carteiras de forma balanceada para que nos deem o máximo conforto em qualquer cenário de mercado. As carteiras são construídas apenas com o que acreditamos ser o melhor para os clientes, de forma transparente, simples e fácil de entender. Procuramos que, ainda assim, tenham um retorno acima da média. Há, contudo, uma característica ter em conta: as nossas decisões de gestão e investimento não são feitas a pensar nas próximas semanas, mas sim no médio e longo prazo. Bons investimentos e bom 2016!