Uma empresa na vanguarda do desenvolvimento farmacêutico

Com o objetivo de colmatar lacunas e desenvolver a área de produtos de venda livre no mundo, surgiu a belga Omega Pharma. Após um bem-sucedido percurso de quase três décadas, atualmente, marca presença em 35 países, sendo a lusofonia um mercado de presença obrigatória. Foi neste contexto que a Revista Pontos de Vista conversou com Carlos Cunha, Diretor Comercial da Omega Pharma Portugal, que falou sobre a essência, o futuro e a expansão cada vez mais inevitável da empresa.

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Rebeldia é o que caracteriza toda a orgânica da Omega Pharma. E foi por essa mesma rebeldia que, em 1987, nasceu, na Bélgica, a empresa que viria mudar paradigmas na indústria farmacêutica. Sob o lema “Por farmacêuticos, para farmacêuticos”, o laboratório pretendia desenvolver uma área onde existiam ainda diversas lacunas e às quais as grandes empresas não davam a devida atenção: os OTCs – Over-the-counter -, expressão que se refere a produtos de venda livre, ou seja, sem obrigatoriedade de prescrição médica. Esta área, aquando da criação da Omega Pharma, representava apenas 20% do negócio destas empresass e uma percentagem insignificante dos produtos comercializados nas farmácias.

Deste modo, a empresa optou por desenvolver produtos em áreas como medicamentos não sujeitos a receita médica, dispositivos médicos – que ao contrário de medicamentos de prescrição obrigatória, permitem que o princípio ativo seja expelido do organismo após cumprida a sua função -, suplementos vitamínicos ou dermoestética, entre outras áreas que, por não existir necessidade, não se encontram em comercialização em Portugal.

A introdução destes novos produtos no mercado permitiu, assim, um desenvolvimento na indústria farmacêutica e, principalmente, no bem-estar social. Carlos Cunha explica que estes produtos “teoricamente não têm um impacto tão profundo na saúde pública, mas beneficiam muito a qualidade de vida das pessoas”. E é nesse contexto que a Omega Pharma tem focado o seu desenvolvimento. “O utente está sempre no centro do negócio”, assume o diretor comercial. “Nós queremos o melhor para o utente” e, sendo o laboratório um dos maiores no âmbito dos OTCs e o único a desenvolver apenas nesta área, “temos que ter tudo o que seja relevante para o utente”. Então, e como conseguem estar sempre na vanguarda desta área farmacêutica? Carlos Cunha explica que, além das marcas desenvolvidas a nível interno, a empresa procura igualmente obter os produtos já existentes, provenientes de outras empresas – como é o caso da GSK, a quem a Omega Pharma comprou o portfólio não estratégico. Por outro lado, a empresa é ainda recetiva à distribuição de outras marcas junto dos seus clientes, porque, mais importante do que questões de concorrência é o bem-estar do utente.

Os mercados devem adaptar-se às culturas

Na Omega Pharma, afirma Carlos Cunha, não esperam que as culturas se adaptem aos seus produtos. Pelo contrário, optam por adaptar todos os produtos que desenvolvem à sociedade onde atuam. Assim, não há dois produtos iguais na empresa e a investigação, desenvolvimento, produção e comercialização são procedimentos executados a nível nacional. Isto é, todos os produtos que são vendidos em determinado país pela Omega Pharma são, do mesmo modo, criados em território nacional. Apesar de, por vezes, existirem as fórmulas e os produtos em outros países onde atua, a entidade opta por criar um novo OTC, através de investigadores, estudos e matéria-prima nacionais. Esta é, na opinião de Carlos Cunha, a “grande riqueza da Omega Pharma” e o motivo pelo qual têm atualmente “18 mil referências e 10 mil marcas”.

Em Portugal, exemplifica, “estamos neste momento a estudar um produto”, “um antioxidante” – suplemento alimentar que protege as células das agressões exteriores -, devido à necessidade que a sociedade lusa demonstra ter por este produto. A concretizar-se o seu desenvolvimento, o produto seria realizado sob a demanda de investigadores portugueses e integralmente criado com base em “ingredientes nacionais”.

A responsabilidade pelo desenvolvimento económico

A Omega Pharma, através da sua postura inovadora e evolutiva, permitiu, desde a sua constituição, não apenas o desenvolvimento farmacêutico, mas também económico. Tal foi possível, uma vez que nesta área, e ao invés do que acontece com os produtos de prescrição obrigatória, é possível a realização de publicidade, criação de marcas associadas a novos produtos e alteração do packaging. Por sua vez, as farmácias responsáveis por comercializar estes produtos têm liberdade para definir preços e margens de lucro e promover promoções e descontos.

Estas questões de regulamentação são, atualmente, fundamentais para a sobrevivência das farmácias que, com as alterações dos preços de venda ao público e as diminutas margens de lucro, tiveram de conviver com a crise e criar alternativas.

Em Portugal, quando em 2002 a Omega Pharma adquire a Chefaro e a Prisfar e se instala em território luso e, principalmente, quando se dá a fusão das duas empresas em 2011 e deixam de funcionar como empresas independentes e concorrentes, foi notório o avanço farmacêutico, social e económico no país. Num momento de crise financeira, a Omega Pharma Portugal preferiu ver oportunidade onde outros viam decadência. Assim, e com situação nacional a obrigar a uma reestruturação do mercado e a uma entrada de novos produtos, foi possível um renascer da indústria farmacêutica e das próprias farmácias, que passaram a incluir igualmente medicamentos de prescrição obrigatória e produtos de venda livre.

Por este promover de mais-valias sociais, a Omega Pharma é já uma referência no mercado português e detém produtos não sujeitos a receita médica bem conhecidos da sociedade, como é o caso do Antigrippine, um medicamento indicado para combater os sintomas da gripe.

À descoberta da lusofonia…

…em Angola
Quando o território lusitano começou a mostrar que a Omega Pharma Portugal seria um laboratório em franca em expansão e após esta ter duplicado o volume de negócio entre 2013 e 2015, Angola começou a ser uma realidade cada vez maior. Carlos Cunha explica que rapidamente compreenderam ser necessário embarcar nesta viagem e que o país estaria de braços abertos para receber uma empresa cujos produtos já eram comercializados sem que os próprios responsáveis soubessem.  “Sentimos que a maioria destes países [lusófonos] prefere ter produtos em português e desenvolvidos para Portugal do que para o mercado sul-africano”, conta. Assim, e desde fevereiro de 2014, a Omega Pharma tem vindo a promover o desenvolvimento deste mercado em Angola e a evolução dos próprios farmacêuticos, a quem é dada a formação necessária sobre os produtos e patologias para as quais estão indicados. Apesar de não ter presença empresarial neste país, a empresa distribui e comercializa os seus produtos através de um parceiro local e da presença de Diogo Charneca, Export Manager da Omega Pharma. Carlos Cunha ressalva aqui a importância de Charneca, que muito tem contribuído para o sucesso da entidade em território angolano.

Apesar da instabilidade vivida política e economicamente em Angola, a Omega Pharma orgulha-se de ter duplicado o seu volume de negócio no país e de ser já um “player de referência” na indústria farmacêutica nacional. Por este motivo, a empresa opta por se manter presente neste território africano, porque acredita que a situação atual será brevemente substituída por uma Angola forte e em expansão.

…em Moçambique
Apesar de estar confiante com a entrada da Omega Pharma em Moçambique em março de 2015, Carlos Cunha admite que é um mercado totalmente diferente do angolano. Em primeiro lugar, porque este país tem uma forte “ligação com África do Sul”, ao contrário de Angola. Por outro lado, Carlos Cunha refere como obstáculo a pobreza instalada a nível nacional, que não permite um sucesso imediato das empresas que lá se instalam a título individual ou através de parceiros empresarias, como acontece com a Omega Pharma. Numa outra perspetiva, existe ainda a regulamentação “demasiado rígida” implementada no país que não facilita a entrada de novos produtos no mercado moçambicano. Enquanto que todos os produtos e medicamentos validados pelo Infarmed em Portugal têm autorização para entrar no mercado angolano, em Moçambique o Governo optou por criar um processo próprio de registo e avaliação, o que pode prolongar o tempo de espera dos laboratórios farmacêuticos para a comercialização de produtos. Contudo, e com a flexibilização que a nova Ministra da Saúde moçambicana, Nazira Abdula, trouxe ao Governo, Carlos Cunha mostra-se confiante e acredita que, dentro de alguns anos, o país mostrará um desenvolvimento mais forte e duradouro. “Moçambique está a passar por uma fase complicada, mas temos a esperança de que iremos crescer 50%” não apenas neste país, mas também em Angola, já em 2016. Em nota final, refere a importância de uma estabilidade política para Moçambique, uma vez que os recentes acontecimentos afetam o sistema bancário e, consequentemente, os mercados.

…em Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor e Macau
Apesar de não ser uma presença tão forte como em Angola ou Moçambique, a Omega Pharma comercializa ainda os seus produtos em Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor e Macau, através do apoio de distribuidores.

Para o Brasil, as expectativas são ainda maiores. A empresa pretende entrar neste mercado entre 2016 e 2017 e conta com o apoio da norte-americana Perrigo, que em novembro de 2014 adquiriu a Omega Pharma. Assim, a lusofonia marcará uma das mais importantes presenças da empresa de OTCs.

Omega Pharma no futuro
“Quando entrámos neste mercado, éramos o laboratório número 20 em Portugal. Atualmente somos o 6º e temos o objetivo de em 2016 sermos o 4º. Em dez anos, pretendemos ser o 1º laboratório da área não apenas em Portugal, mas na lusofonia e no mundo”. É assim que Carlos Cunha responde às questões sobre o futuro da Omega Pharma, que a curto prazo será também marcado pela sua presença no Porto.

Por outro lado, e com o processo de consolidação a nível mundial na indústria farmacêutica, o diretor comercial acredita que o sucesso da empresa será ainda maior no contexto mundial. Atualmente presente apenas na Europa, a empresa de produtos de venda livre irá futuramente “começar a expandir para os Estados Unidos da América, América do Sul e, mais tarde, para a Ásia”. “Daqui a dez anos seremos a primeira empresa de OTCs de farmacêuticos para farmacêuticos com presença em todo o mundo”, afiança Cunha.