Direitos: tudo o que precisa saber sobre os milhões em jogo

O Benfica foi o primeiro a assinar um acordo milionário com a NOS. Seguiu-se o FC Porto, que subiu a fasquia com a Meo. Por fim, o Sporting, que, com as devidas cautelas, fez história sobre os acordos dos rivais. Eis o guia simples para perceber os negócios dos 'grandes'.

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A história do futebol português, pelo menos a mais recente, começou a mudar quando o Benfica, antecipando-se aos rivais, anunciou, com toda a pompa que merecia a ocasião, a celebração de um milionário acordo com a NOS para a cedência dos seus direitos televisivos.

Os ‘encarnados’, em pleno estádio da Luz, confirmaram ao mundo que tinham alienado os seus direitos televisivos por 400 milhões de euros. Luís Filipe Vieira fez questão de referir que este seria um referencial para terceiros e Pinto da Costa ouviu-o, com ouvidos de quem não desdenha.

Dias depois, era a vez do FC Porto. Depois da azáfama noticiosa para dar impressão sobre o esboço do acordo, os portistas anunciavam novo subir de fasquia. A Meo/Altice tinha acordado pagar 457,5 milhões de euros pelos direitos ‘azuis e brancos’.

O patrocinador da camisola, aquele que tinha tardado em chegar até então, era anunciado, com efeitos imediatos para janeiro de 2016. Também a publicidade nas camisolas fora vendida.

Por último, mas não com piores números, o Sporting, o clube que segundo o seu presidente não está em saldos, anunciava uma venda mais abrangente, onde cabia a renegociação de alguns acordos. 515 milhões de euros. O acordo com a NOS, que abrange mais do que os ‘rivais’ cederam, vale 446 milhões, cabendo à PPTV de Joaquim Oliveira, o restante montante.

Mas, porque os números são complexos e as alienações múltiplas, vamos perceber, em detalhe, mas de forma simplificada, o que foi a jogo nesta batalha de milhões.

– Benfica: 400 milhões de euros
O clube vendeu os seus direitos televisivos com o contrato a entrar em vigor já na próxima temporada. Este acordo é válido por 10 anos, mas terá de ser revisto após cumpridos os primeiros três. Além dos jogos ‘encarnados’, a NOS fica ainda com o direito de transmissão e distribuição da BTV, pelo mesmo período. A publicidade nas camisolas, ao contrário dos rivais, tem outro ‘dono’. A Fly Emirates é anunciante de destaque, não tendo ainda sido revelado o valor do contrato que tem término em 2017/18.

– FC Porto: 457,5 milhões de euros
O contrato celebrado entre os ‘dragões’ e a Meo tem início em 2018. Os ‘azuis e brancos’ cedem, a partir daí, o direitos de transmissão dos seus jogos por uma década. Não se sabe ainda onde serão transmitidos, uma vez que, ao contrário da NOS, que detém parte da Sport TV, a operadora não tem qualquer participação em canais desportivos. O Porto Canal começa a ser explorado, a partir do próximo dia 1, pela Meo, um contrato que tem validade por 12 anos e meio. Também a publicidade nas camisolas foi vendida. O clássico entre Sporting e portistas terá também uma batalha de operadoras na camisola. Os espaços publicitário do estádio também cabem no pacote, num contrato que se estende por 10 anos.

– Sporting: 515 milhões (446 devido ao contrato com a NOS)
Os ‘leões’ conseguiram o que é, aparentemente, o melhor negócio. Mas numa análise mais profunda percebe-se que deixaram partir muito mais do que ‘águias’ e ‘dragões’. Do bolo de mais de 500 milhões de euros, a NOS paga 446 e assegura, além dos direitos televisivos, a partir de 2018 e por 10 anos, a Sporting TV por 12 temporadas, esta parceria com arranque marcado para 2017. Também no pacote está a exploração da publicidade estática e virtual do reduto ‘leonino’, bem como o espaço para o patrocinador na camisola, por 12 anos e meio.

– Os ‘pequenos’: sem dados
Depois de falhada a centralização dos direitos televisivos pela Liga, os clubes negociaram individualmente a cedência dos seus direitos televisivos. Alguns acordos já foram anunciados, mas os valores são (assustadoramente) discrepantes com a realidade dos ‘grandes’. Os negócios megalomanos de FC Porto, Benfica e Sporting já foram criticados, servindo o argumento de que as diferenças de capacidade financeira entre os clubes se irão agudizar.