Apertar o cinto valeu a pena? 2016 tem a resposta

Aposta no equilíbrio orçamental e reformas exigidas pelos parceiros internacionais será testada durante os próximos doze meses.

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Com nova liderança socialista, Portugal prepara-se para um ano de decisões. Os objetivos definidos pela coligação PSD/CDS-PP para o ano de 2015 eram ambiciosos, mas a realidade não foi generosa.

Apesar dos esforços de controlo orçamental, os gastos inesperados na segunda metade do ano e a receita fiscal abaixo do esperado colocaram em dúvida a meta de um défice abaixo de 3% do PIB. O colapso do Banif condenou o Estado a um deslize nas contas, apesar dos efeitos da intervenção pública no banco não serem contabilizados oficialmente segundo as regras europeias.

O crescimento da produção nacional abrandou na segunda metade do ano e aguardam-se com expectativa os dados do último trimestre de 2015 para confirmar os receios dos economistas, que apontam a elevada probabilidade de um aumento inferior a 2%. As previsões para 2016 também não são animadoras: o crescimento será equivalente ao de 2015, tendo em conta as previsões do FMI, BCE e Banco de Portugal.

A taxa de desemprego também não deverá sofrer alterações relevantes; a ligeira descida prevista pode levar a percentagem para os 11% da população ativa, um número ajudado pela elevada emigração que retira trabalhadores das estatísticas. A criação de emprego vai ser um dos grandes desafios para o Governo de António Costa, tal como foi para o executivo de Passos Coelho e Paulo Portas, garante o Diário Económico.

Recorde-se que o ano vai ser marcado pelo aumento do salário mínimo para os 530 euros por mês e pela reversão dos cortes salariais da função pública. As pensões vão ser atualizadas, mas a promessa de devolver uma parte da sobretaxa do IRS não deverá ser cumprida devido à cobrança fiscal abaixo do esperado no verão do ano passado.