Inflação na zona euro continua sem descolar

No mês em que o Banco Central Europeu estendeu o prazo para a compra de ativos, voltou a cortar taxas e acrescentou ativos ao cardápio de aquisições, os preços na zona euro continuam sem descolar.

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Banco Central Europeu

De acordo com a primeira leitura da inflação para o bloco dos 19, em dezembro os preços ao consumidor aumentaram 0,2% em relação ao mesmo período de 2014, um valor abaixo dos 0,3% previstos pelos analistas e semelhante ao valor final de novembro.

Os dados do Eurostat, divulgados esta terça-feira, mostram um abrandamento no contributo positivo trazido pela componente alimentação, álcool e tabaco (cujo crescimento de preços se vem atenuando desde novembro).

A queda dos preços da energia (arrastados pela desvalorização do preço do petróleo) é agora menos evidente que nos últimos meses, tendo recuado 5,9% em relação ao período homólogo, na que será a menor queda desde julho do ano passado.

O contributo do setor serviços é menos positivo do que no mês passado (crescimento de 1,1% em dezembro face aos 1,2% de novembro), enquanto os preços dos bens industriais não energéticos terão mantido o crescimento de 0,5%.

O Banco Central Europeu tem mandato para levar os valores da inflação para próximo mas abaixo dos 2%. Contudo, na última reunião do conselho de governadores do BCE, no início de dezembro, Mario Draghi reviu em baixa as perspetivas da autoridade monetária para a evolução dos preços na zona euro, mas uma melhoria ligeira das previsões para o crescimento a economia.

O objetivo de aproximar os preços do crescimento anual de 2% ficou assim mais longe do que as previsões três meses antes: mantiveram-se os 0,1% de evolução em 2015, mas em relação a 2016 e 2017 recuaram um ponto percentual, para 1% e 1,6%, respetivamente.

No final do ano passado a maioria dos economistas sondados pelo “Financial Times” duvidava que o Banco Central Europeu (BCE) aumentasse o programa de estímulos já anunciado de 1,46 biliões de euros, em 2016, apesar das garantias do presidente da instituição, Mário Draghi, de que esta possibilidade está em cima da mesa.

Os dados definitivos para a inflação da zona euro serão conhecidos a 19 de janeiro, podendo o Eurostat confirmar ou não os valores agora avançados.