O Iowa é a chave para adivinhar o que se vai passar nos EUA

É esta segunda-feira que os norte-americanos começam a decidir o sucesso de Barack Obama.

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O tempo é de primárias nos Estados Unidos e é esta segunda-feira que é dado o ‘tiro de partida’ nas presidenciais norte-americanas. O Estado do Iowa vai a votos e os candidatos que se saírem melhor nesta fase vão ter direito a fôlego renovado na caminhada para as eleições presidenciais.

Os cerca de três milhões de eleitores do Iowa poderão ir hoje às assembleias mais próximas das respetivas residências para dar a conhecer as suas escolhas, tanto entre candidatos democratas como entre candidatos republicanos. O Iowa não explica tudo. Mas o facto de ser o primeiro Estado onde se vota tem-lhe dado, historicamente, relevância.

Vamos então perceber o que importa.

No lado dos democratas, há três candidatos a ter em conta e, entre estes, há dois nomes que se destacam. Hillary Clinton e Bernie Sanders concorrem pelo primeiro lugar, com Martin O’Malley a assistir ‘de longe’.

Hillary parecia lançada para ser a escolha entre os democratas mas o “socialismo democrático” do antigo senador do Vermont, que ‘pisca o olho’ à tradição da social-democracia do Norte da Europa e do próprio Canadá, tem adquirido força nas últimas sondagens.

A antiga Primeira-Dama parte em vantagem mas as sondagens já a davam como vencedora no Iowa em 2008. No entanto, na altura, Hillary perdeu para Barack Obama, que meses depois viria mesmo a tornar-se o primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

Se Bernie Sanders conseguir bom resultado agora no Iowa, e estando em vantagem em New Hampshire (próximo estado a ir a votos), pode mesmo baralhar as contas a Hillary. A contribuir para a dúvida está o facto de o voto, neste caso, não ser secreto. O sistema de assembleias (caucus) implica que os eleitores se encontrem num mesmo espaço a discutir os candidatos da sua preferência.

Do lado dos republicanos a grande dúvida está em Donald Trump, o polémico multimilionário que tem marcado a campanha. Apesar de líder das sondagens, Trump nunca foi testado no que a democracia tem de característico: o voto.

E vai precisar de ficar entre os três primeiros (e há mais de uma dezena de candidatos republicanos) para não perder a força mediática que tem tido. Os republicanos também vão a assembleias mas o voto aqui é secreto. É, portanto, altura de sabermos se Trump é fenómeno mediático ou se é a figura escolhida para se exercer o chamado voto de protesto.

A concorrer contra Trump há vários nomes mas a recente sondagem recente do Des Moines Register coloca Ted Cruz e Marco Rubio em vantagem. Um pouco mais atrás surge o neurocirurgião Ben Carson.

Jeb Bush, irmão de um presidente (George W. Bush) e filho de outro (George Bush), parece longe da capacidade de vitória dos seus familiares. Ainda assim parece liderar uma segunda linha que inclui nomes como Rand Paul, Chirs Christie, Mike Huckabee ou Carly Fiorina (a única mulher entre os mais de 10 candidatos republicanos), entre outros.

São muitas as dúvidas do lado dos republicanos e o Iowa vai certamente começar a resolver algumas. É previsível que, com o passar das semanas, se vão verificando desistências entre os republicanos. Entretanto, os olhos da América (e do mundo) vão fixar-se neste pequeno estado. Afinal de contas, é aqui que começa a corrida para eleger a figura que vai governar aquela que ainda é, para muitos, a nação mais poderosa do mundo.