Sucessão de Passos Coelho já mexe a um mês da reeleição tranquila

Ainda não haverá rodagens de citroëns no congresso de abril, mas já se joga a sucessão de Passos, que amanhã apresenta a sua recandidatura. O próprio líder do PSD - que não terá oposição de relevo - pode ajudar a definir o seu sucessor quando renovar a direção em breve, posicionando aquela que será a sua aposta para o futuro. A estes juntam-se ainda os que ficaram de fora à espera da saída de Passos. Alerta laranja: há pelo menos sete possíveis sucessores.

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Pedro Passos Coelho

O atual líder vai conseguir unir o partido em seu torno nestas diretas, mas o PSD – fora do poder – está sempre à beira da balcanização. Não faltam nomes para a sucessão de Passos, que arranca em abril para um mandato de dois anos.

Desde logo há uma linha de rutura com Passos, mais social-democrata, que se afastou dos órgãos do partido desde que o atual líder chegou. O antigo vice-presidente da bancada do PSD, José Eduardo Martins, já avisou que vai ao congresso dizer o que pensa e que não será meigo para o atual líder. Porém, ao que o DN apurou, não é inevitável que avance para a liderança (“o futuro a Deus pertence”, vai dizendo sem se comprometer), tendo a intenção de incentivar outros a fazerem-no. E é aí que entra o nome do ex-líder da JSD Pedro Duarte.

Ainda não será para já, mas o também ex-vice-presidente da bancada “laranja” Pedro Duarte é um dos ativos do partido para o pós-Passos. Nos últimos anos, após a saída de Manuela Ferreira Leite, o social-democrata tem-se dedicado à vida empresarial, como diretor da Microsoft Portugal, mas agora voltou a aproximar-se do aparelho na campanha de Marcelo, que dirigiu com sucesso.

“O Pedro [Duarte] nunca avançará neste congresso, mas agora voltou a lidar de perto com as estruturas distritais e locais nas presidenciais e marcou pontos para o futuro”, explica uma fonte social-democrata ao DN.

Um antigo colega de direção de bancada diz ao DN que “o Pedro é uma excelente hipótese, muito melhor que a maioria dos nomes que para aí andam”. A mesma fonte diz, no entanto, que não se pode esperar eternamente pela oportunidade: “Quem não vai a jogo não existe. E os congressos servem para discutir o partido”.

Um dos outros nomes que se vai falando nos bastidores é o do líder parlamentar Luís Montenegro. E aqui Passos pode ter uma palavra.

Para se posicionar, Montenegro precisava que Passos Coelho o integrasse na próxima direção, mas ao que o DN apurou o líder não gosta de duplicar funções e Montenegro já tem assento na Comissão Política Permanente por inerência.

Além disso, Passos Coelho não terá ficado agradado com alguma autonomia de Montenegro, que tem tido algumas decisões unilaterais na gestão do grupo parlamentar e – contra as indicações do líder – participou numa ação de apoio a Marcelo Rebelo de Sousa nas presidenciais. Montegro está a ganhar vida para além de Passos.

Leitão Amaro à espreita

Ainda sem pretensões de corrida à liderança, há jovens que se posicionam para chegar à direção do partido. “Entre os mais novos, António Leitão Amaro é o mais bem posicionado: Passos apostou nele como secretário de Estado, e correu bem, depois foi cabeça de lista em Viseu e foi para a direção da bancada onde tem a importante pasta dos assuntos económicos e orçamentais”, explicou fonte do PSD ao DN. Outros dois “vices” da bancada (Miguel Morgado e Hugo Soares) também são hipóteses para o lugar.

Marco António Costa (para segurar a parte não “relvista” do aparelho), Jorge Moreira da Silva (o alegado favorito de Passos à sua sucessão) e Carlos Carreiras parecem ser os únicos certos na futura direção. E mesmo o próprio presidente da câmara municipal de Cascais pode dar lugar ao seu vice-presidente, o “passista” e líder da distrital de Lisboa Miguel Pinto Luz. Os restantes vices (Pedro Pinto, Matos Correia e Teresa Leal Coelho) não estão certos e dificilmente continuarão todos, mesmo que algum resista.

Sem ser jovem há “cristã-nova” no partido a que Passos poderia dar fôlego ao convidar para integrar a sua direção no próximo congresso: a ex-ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque. Não tem força no aparelho, mas é mais mediática que Moreira da Silva.

Além disso, Maria Luís tem feito um esforço enorme por se aproximar do aparelho, desdobrando-se nos últimos anos em iniciativas pelas distritais, pelas concelhias, pela “jota” e outras estruturas. O secretário-geral, Matos Rosa, já a comparou a Leonor Beleza. Caso integrasse a direção era meio caminho para ir a jogo no futuro.

Além dos nomes já falados, há sempre os crónicos candidatos à sucessão de Passos Coelho. Após desistir da contenda presidencial, a 16 de dezembro, Rui Rio voltou a posicionar-se para a liderança do partido. O ex-autarca marcou terreno ao dizer que “é evidente que Passos Coelho vai ter dificuldades em ganhar a próxima eleição. Se for ele o líder do PSD, vai ter uma dificuldade muito maior do que teve há 4 ou 5 anos, porque era uma novidade”.

Ora, as declarações de Rui Rio sugerem que, com outra figura que não Passos seria mais fácil ao PSD vencer o próximo escrutínio. “Quando alguém vai para eleições já tendo estado no poder, não consegue com facilidade a janela de esperança”.

Pelo caminho foram ficando nomes como Paulo Rangel ou Marco António Costa. O primeiro foi o último grande opositor de Passos, mas depois foi-se aproximando do atual líder e não terá, para já, pretensões de voltar a tentar a liderança. Marco António ficou fragilizado com um inquérito judicial sobre o qual continuam a não existir novidades.